Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 7b - A floresta como promotora de saúde física, mental e bem-estar Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Leónia Nunes Moderação/coordenação de sessão: Maria Conceição Colaço Moderação/coordenação de sessão: Inês Marques Duarte | |
| Apresentação 3 | |
Conexões sustentáveis entre sociedade e território: o caso do voluntariado ambiental em Cascais Cascais Ambiente, Portugal A degradação dos ecossistemas e a perda de biodiversidade exigem soluções participativas que promovam a conservação e a gestão sustentável do território. Nesse contexto, o voluntariado ambiental é uma ferramenta-chave para envolver a comunidade, capacitar cidadãos e educar para a sustentabilidade. A avaliação destas iniciativas permite medir a sua eficácia tanto na recuperação ecológica como na sensibilização e transformação social. Analisa-se o impacto ambiental, técnico e social dos projetos de voluntariado ambiental Oxigénio e Natura Observa, implementados pela Cascais Ambiente no Parque Natural de Sintra-Cascais (concelho de Cascais). Procura-se quantificar o esforço real de restauro ecológico e avaliar as dinâmicas sociais, a perceção e a motivação dos voluntários participantes. As ações desenvolvidas nos projetos de voluntariado integraram metodologias práticas de conservação, incluindo o controlo de vegetação exótica invasora, a plantação de espécies autóctones, a promoção da regeneração natural, a recuperação de habitats degradados, a propagação de flora nativa e o apoio à visitação. Para monitorizar e caracterizar o desempenho dos projetos, recolheram-se e analisaram-se indicadores quantitativos de participação (número de voluntários, horas de trabalho e quantidade de espécies plantadas) e métricas ecológicas de área recuperada. Complementarmente, aplicaram-se questionários estruturados aos voluntários envolvidos para realizar uma análise qualitativa baseada na sua satisfação, motivações e taxas de retenção/desistência ao longo do período em estudo. Desde a sua génese, em 2008, e até 2025, o Projeto Oxigénio (contínuo e aberto à população) recuperou 110 hectares de território vulnerável, registando o envolvimento acumulado de mais de 43 370 voluntários. Em 2025, o projeto realizou 68 ações, mobilizando 3117 participantes e resultando na plantação de 1431 exemplares de flora autóctone. Os questionários revelaram uma satisfação muito elevada (82% classificaram a experiência como "muito satisfatória"). As principais motivações foram a recuperação da biodiversidade (93%), a salvaguarda do património natural (84%), as atividades de lazer (81%) e a promoção da saúde e bem-estar (63%). Por sua vez, em 2025 o projeto Natura Observa (focado em jovens dos 16 aos 30 anos, nos meses de junho a agosto) envolveu 108 voluntários, gerando um total de 23 410 horas de trabalho operacional. Apesar de 20% das 280 vagas iniciais terem ficado por preencher, devido a constrangimentos de divulgação, observou-se uma forte fidelização: a taxa de desistência fixou-se em 2% e 55% dos voluntários repetiram a participação em pelo menos uma quinzena, embora 60% integrassem o projeto pela primeira vez. Os resultados demonstram que o voluntariado ambiental constitui uma estratégia robusta e eficaz para a conservação prática dos ecossistemas e para o incremento da literacia ambiental na comunidade. O impacto combinado dos projetos Oxigénio e Natura Observa traduz-se em benefícios ecológicos tangíveis e num valioso capital social. Estes resultados validam o modelo de gestão partilhada da Cascais Ambiente, consolidando-o como uma referência de cidadania ativa e um pilar replicável para impulsionar a resiliência florestal e a sustentabilidade do território a longo prazo. | |