Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 4 - Espécies de plantas invasoras na floresta: desafios e oportunidades Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Hélia Marchante Moderação/coordenação de sessão: Duarte Costa | |
| Apresentação 3 | |
O papel das cabras no combate às plantas invasoras: resultados de ensaios de cativeiro 1: Centro de Ecologia Funcional (CFE), Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Portugal; 2: Centro de estudos em Recursos Naturais Ambiente e Sociedade (CERNAS), Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal Em ecossistemas mediterrânicos, espécies lenhosas invasoras, como Acacia e Hakea, ameaçam a biodiversidade, aumentam o risco de incêndio e elevam os custos de gestão. As suas características adaptadas ao fogo e os bancos de sementes persistentes tornam o seu controlo através de métodos convencionais particularmente difícil. O pastoreio dirigido por cabras constitui uma alternativa potencialmente sustentável e economicamente vantajosa, mas a sua eficácia no controlo de Acacia e Hakea permanece pouco estudada em paisagens propensas a incêndios. Realizámos ensaios de alimentação com cabras serranas (Capra hircus) em cativeiro, no Parque Biológico da Serra da Lousã (Portugal), com o objetivo de avaliar o seu potencial para auxiliar no controlo destas invasões. Um ensaio de preferência alimentar, do tipo cafeteria, avaliou as preferências das cabras entre seis espécies vegetais (quatro invasoras, duas nativas), através da quantificação do consumo de biomassa. Foi também avaliado o destino das sementes de Acacia dealbata (mimosa) ingeridas pelas cabras, a espécie de planta invasora mais comum na região. As cabras demonstraram preferências alimentares fortemente seletivas. Quercus robur (nativa) e Acacia dealbata (invasora) foram as espécies mais consumidas. Pelo contrário, Hakea decurrens (invasora) foi a espécie menos consumida. As preferências relativamente às espécies invasoras Acacia melanoxylon e Hakea salicifolia, bem como à espécie nativa Pterospartum tridentatum, apresentaram resultados intermédios. As cabras ingeriram 44 % das 7500 sementes oferecidas, das quais 9 % foram excretadas inteiras e germinaram até 70 %. Contudo, a maioria das sementes não foi recuperada, tendo sido encontrados fragmentos de sementes nos excrementos das cabras, sugerindo destruição significativa durante a digestão. Estes resultados indicam potencial para dispersão de sementes de Acacia por endozoocoria, ainda que de forma limitada. Os nossos resultados sugerem que o pastoreio dirigido por cabras pode contribuir, enquanto solução baseada na natureza, para a gestão de plantas invasoras, fornecendo serviços ecossistémicos através do consumo de biomassa lenhosa invasora e da destruição da maioria das sementes de Acacia. No entanto, poderá também originar desserviços, como a dispersão de sementes viáveis e o consumo de exemplares acessíveis de Quercus robur, comprometendo os esforços de regeneração. As cabras revelaram uma eficácia reduzida no controlo da espécie espinhosa Hakea decurrens. Para maximizar os benefícios e minimizar os riscos, o pastoreio deverá ser restringido a áreas invadidas, gerindo espacial e temporalmente os movimentos dos animais para evitar a dispersão de sementes de Acacia e o consumo de espécies nativas altamente palatáveis em áreas sujeitas a restauro ecológico. Esta abordagem poderá contribuir para a conservação de raças caprinas autóctones, ao mesmo tempo que apoia programas de gestão de plantas invasoras, mitigação do risco de incêndio e gestão de habitats. | |