Programa da conferência
Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
|
Vista diária |
| Sessão | |
|
T1.2 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Anabela Isidoro | |
| Apresentação 3 | |
Interações entre características do solo e comunidades de artrópodes em habitats florestais do Parque Natural de Montesinho CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal. Os artrópodes desempenham um papel essencial no funcionamento dos ecossistemas, contribuindo para processos como a decomposição da matéria orgânica, reciclagem de nutrientes e controlo biológico. Contudo, o atual declínio da biodiversidade, particularmente acentuado neste grupo, constitui uma preocupação crescente. A diversidade e abundância de artrópodes estão associadas a múltiplos fatores ambientais, sendo o solo um dos mais determinantes. Simultaneamente, os artrópodes edáficos influenciam as propriedades do solo, estabelecendo interações ecológicas com impacto potencial no ecossistema. O Parque Natural de Montesinho (PNM), um dos principais espaços protegidos do nordeste de Portugal, integra habitats florestais emblemáticos, como carvalhais, azinhais e pinhais, onde o conhecimento sobre artrópodes é ainda limitado. Neste contexto, este trabalho analisou as associações entre características edáficas e comunidades de artrópodes em três habitats florestais do PNM. Foram realizadas quatro campanhas de amostragem, uma por estação do ano, entre julho de 2023 e abril de 2024, recorrendo a armadilhas de queda instaladas em azinhal, carvalhal e pinhal. As armadilhas permaneceram no campo durante sete dias, sendo posteriormente efetuada a triagem e identificação dos exemplares recolhidos. Nos mesmos pontos foram recolhidas amostras compostas de solo (0–10 cm), posteriormente secas e crivadas (2 mm) para análise físico-química. Os três habitats apresentaram solos de textura franco-arenosa, com diferenças físico-químicas significativas. O pinhal (Pinus pinaster) apresentou maiores teores de matéria orgânica, carbono total e razão C/N, sugerindo menor taxa de mineralização, enquanto o carvalhal (Quercus pyrenaica) revelou maior humidade, menor densidade aparente e menor razão C/N, compatíveis com maior mineralização. O azinhal (Quercus rotundifolia) apresentou valores intermédios para a maioria dos parâmetros. Foram capturados 5 511 artrópodes, distribuídos por 17 ordens taxonómicas e cinco grupos funcionais. A abundância média foi mais elevada no pinhal e mais reduzida no carvalhal, verificando-se um padrão sazonal comum, com menor atividade em fevereiro e pico em abril. A abundância total esteve positivamente associada ao pH e à razão C/N, enquanto o habitat não apresentou efeito significativo. Contudo, os grupos funcionais responderam de forma diferenciada: predadores foram mais abundantes no azinhal, fitófagos no carvalhal e pinhal, e omnívoros evidenciaram associações com pH, razão C/N, DAP e teor de potássio. Os decompositores responderam positivamente à razão C/N, enquanto os parasitoides não apresentaram diferenças significativas entre habitats. Os resultados sugerem que as características edáficas desempenham um papel relevante na estruturação das comunidades de artrópodes no PNM, embora os grupos funcionais apresentem respostas distintas aos fatores ambientais. | |