Programa da conferência
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Vista diária |
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T1.3 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Nuno Almeida Ribeiro | |
| Apresentação 2 | |
Impactes e sinergias da resinagem nos serviços de ecossistema - Conservação da biodiversidade: Um caso de estudo no norte de Portugal. 1: CERNA. Regia Douro Park – Parque de Ciência e tecnologia de Vila Real. 5000-033 Vila Real, Portugal.; 2: Titulo individual; 3: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista, Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 5000-801 Vila Real, Portugal.; 4: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 5000-801 Vila Real, Portugal.; 5: Laboratório de Ecologia Fluvial e Terrestre, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 5000-801 Vila Real, Portugal.; 6: RESIPINUS – Associação de Destiladores e Exploradores de Resina. 2415-371 Leiria, Portugal. Os pinhais mediterrânicos constituem ecossistemas de elevada relevância ecológica, económica e social, assegurando múltiplos serviços de ecossistema, nomeadamente produção de madeira e resina natural, proteção do solo, regulação hidrológica, sequestro de carbono e manutenção da biodiversidade. No contexto atual de crescente vulnerabilidade aos incêndios florestais, abandono rural e alterações climáticas, a resinagem poderá assumir um papel relevante enquanto atividade promotora de gestão florestal ativa. Contudo, os seus efeitos sobre a biodiversidade e os serviços de ecossistema permanecem ainda insuficientemente documentados em Portugal. O presente trabalho avaliou os impactes e sinergias da resinagem e da gestão florestal associada na biodiversidade em povoamentos de Pinus pinaster no norte de Portugal. O estudo decorreu nos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Chaves, tendo sido selecionadas 30 locais de amostragem distribuídos por duas tipologias de gestão: 15 parcelas em pinhal resinado e 15 em pinhal não resinado. As amostragens realizaram-se entre março e novembro, abrangendo a época de resinagem. A avaliação da biodiversidade integrou flora, aves, morcegos, mamíferos terrestres e répteis, recorrendo a metodologias padronizadas de monitorização ecológica. Os dados foram analisados através de modelos lineares generalizados mistos (GLMM), análises multivariadas e índices ecológicos de diversidade. Os resultados mostram que a resinagem não originou diferenças estatisticamente significativas na riqueza específica da flora nem na riqueza, atividade e diversidade das comunidades faunísticas avaliadas. Contudo, os povoamentos resinados apresentaram alterações na composição florística e simplificação estrutural do subcoberto vegetal, traduzidas numa menor diversidade de Shannon-Wiener, maior dominância de espécies e menor altura média da vegetação, embora sem redução significativa da riqueza específica ou da cobertura vegetal. Foram registadas 51 espécies de aves, 12 espécies ou grupos fónicos de morcegos, 9 espécies de mamíferos terrestres e a presença de um réptil (Psammodromus algirus). Entre as espécies identificadas destacam-se táxones com elevado interesse conservacionista, nomeadamente Accipiter gentilis, Streptopelia turtur, Rhinolophus euryale, Myotis blythii/Myotis myotis e Canis lupus. Os resultados estatísticos não revelaram diferenças significativas na riqueza específica e atividade de fauna, entre os dois tipos de pinhal. Os resultados sugerem que os principais efeitos ecológicos observados decorrem sobretudo da intensidade das práticas de gestão florestal associadas e não da resinagem em si, sendo esta compatível com modelos de gestão florestal de baixa a média intensidade integrados numa matriz paisagística heterogénea. A simplificação estrutural do subcoberto poderá ainda contribuir para a redução da continuidade vertical do combustível vegetal, favorecendo potencialmente a diminuição do risco e severidade dos incêndios florestais. Conclui-se que a resinagem poderá constituir um instrumento de valorização económica e gestão ativa dos pinhais mediterrânicos, compatível com a conservação da biodiversidade e com a manutenção de serviços de ecossistema num contexto de alterações climáticas. | |