Programa da conferência
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T2.2 - Os desafios Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Joaquim Sande Silva | |
| Apresentação 4 | |
Uma abordagem multimodelo para avaliar a vulnerabilidade de infraestruturas críticas a fogos rurais 1: Univ Coimbra, ADAI, Departamento de Engenharia Mecânica, Rua Luís Reis Santos, Pólo II, 3030-788 Coimbra, Portugal; 2: CESAM & Departamento de Ambiente e Planeamento, Universidade de Aveiro, 3810-193 Aveiro, Portugal A resiliência de infraestruturas críticas face à ameaça crescente de fogos rurais constitui um pilar fundamental da segurança e da estabilidade económica de qualquer país. Nas últimas décadas, as alterações socioeconómicas e climáticas conduziram a um alargamento das regiões vulneráveis aos fogos rurais, colocando em risco infraestruturas já existentes cuja conceção não contemplou a nova magnitude desse risco. Este trabalho apresenta uma avaliação exaustiva da vulnerabilidade de uma instalação crítica de geração de energia, através de uma metodologia que emprega diferentes modelos para o cálculo da radiação, temperatura do ar, deposição de cinzas e fagulhas na instalação, decorrentes de um potencial incêndio na zona circundante. Por motivos de confidencialidade, todos os dados espaciais foram anonimizados. Delinearam-se duas zonas geográficas: 1) de Paisagem (20x15km²) para simular interações de larga escala e 2) Direta (4x3km²) focada na vulnerabilidade estrutural. Foram usados dados orográficos de alta resolução (50cm) e de vegetação obtidos de diversas fontes e reclassificados de acordo com os modelos de combustível de Scott & Burgan. Utilizaram-se diferentes simuladores para o estudo, criando cenários com múltiplas ignições simultâneas e meteorologia típica: WindStation (campo de vento tridimensional), FireStation (comportamento do fogo), DISPERFIRE (dispersão de poluentes atmosféricos) e FlamMap (projeção de partículas incandescentes). Os resultados demonstraram que a infraestrutura apresenta uma vulnerabilidade estrutural reduzida face ao impacto térmico direto, com probabilidade de dano significativo de média a baixa. Tal deve-se à escassa continuidade horizontal da vegetação no perímetro imediato, o que impede a manutenção de frentes de fogo intensas junto aos edifícios. O fluxo de calor radiante incidente, avaliado por meio de uma adaptação da metodologia australiana Bushfire Attack Level, situou-se abaixo de 19kW/m², um nível considerado seguro para materiais de construção resilientes, como o betão. Adicionalmente, as simulações indicam que as temperaturas do ar no perímetro permanecem geralmente abaixo dos 50-60°C. O estudo identifica a projeção de fagulhas como o principal mecanismo de ignição potencial. A sua modelação revelou que, em alguns cenários, estas podem alcançar até 450m da frente de fogo. Adicionalmente, as concentrações de material particulado e a deposição de cinzas mostraram-se altamente dependentes da direção do vento e da localização da ignição. Cenários associados a ventos do quadrante sul originam os impactos mais significativos, traduzindo-se em maiores taxas de deposição de cinzas, com potencial para comprometer a eficiência operacional, a integridade funcional e a segurança dos sistemas de admissão e filtragem de ar. Conclui-se que a resiliência destas unidades exige a integração dinâmica do fogo no planeamento operacional, recomendando-se a adoção de boas práticas de proteção passiva. Financiamento Financiamento parcial FCT (ror.org/00snfqn58) e proj. UID/50022/2025, doi.org/10.54499/UID/50022/2025; LA/P/0079/2020, doi.org/10.54499/LA/P/0079/2020, UID/50017/2025, doi.org/10.54499/UID/50017/2025, LA/P/0094/2020 doi.org/10.54499/LA/P/0094/2020 e doi.org/10.54499/2023.17415.ICDT. Para efeitos de Acesso Aberto, o autor aplicou uma licença de direitos de autor pública CC-BY (creativecommons.org/licenses/by/4.0) a qualquer versão do Manuscrito Aceite pelo Autor (AAM) resultante desta submissão. | |