Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 14a - Agenda transForm: Inovação e digitalização na gestão de florestas resilientes Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Mariana Ferreira Amaro | |
| Apresentação 5 | |
Da ciência ao território: rede de parcelas demonstrativas para gestão adaptativa e florestas resilientes na Serra da Lousã 1: Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal; 2: RCM2+ Research Centre for Asset Management and Systems Engineering, ISEC/IPC, Coimbra, Portugal Os territórios florestais mediterrânicos enfrentam atualmente desafios crescentes associados às alterações climáticas e à ocorrência de distúrbios de elevada severidade, incluindo incêndios, secas e tempestades. Esta realidade reforça a importância de promover modelos de gestão adaptativa e mecanismos eficazes de transferência de conhecimento que aproximem a ciência da prática e apoiem decisões de gestão mais resilientes. Apesar do desenvolvimento de princípios e estratégias de silvicultura adaptativa, a sua aplicação em contexto operacional e a transferência desse conhecimento para proprietários, técnicos e decisores continuam a constituir desafios relevantes. O presente trabalho enquadra-se na Agenda transForm – Melhor Floresta, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do eixo Gestão de Florestas Resilientes, que visa desenvolver e demonstrar soluções inovadoras para aumentar a resiliência das florestas portuguesas perante as alterações climáticas. Neste contexto, foi implementada uma área piloto na Serra da Lousã, concebida como laboratório vivo para demonstração e disseminação de estratégias de gestão florestal adaptativa. A área piloto localiza-se em terrenos baldios sob gestão comunitária, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), abrangendo aproximadamente 730 ha. A sua seleção decorreu da relevância ecológica e territorial associada aos impactos de eventos meteorológicos extremos e à necessidade de testar e demonstrar itinerários silvícolas orientados para a adaptação climática. Neste âmbito, foi instalada uma rede constituída por dez parcelas demonstrativas integradas num percurso interpretativo com cerca de 10 km, abrangendo povoamentos com composições específicas, estruturas e históricos de gestão diferenciados. Os povoamentos, maioritariamente instalados pelos serviços florestais na década de 1940, conciliam atualmente funções produtivas, culturais e recreativas, sendo geridos segundo princípios de coberto contínuo e promoção de estruturas mistas e mais diversificadas. As parcelas foram caracterizadas através de inventário florestal convencional, complementado com tecnologias de aquisição remota, nomeadamente LiDAR móvel terrestre e UAV multiespectral, permitindo uma avaliação integrada da composição, estrutura e estado dos povoamentos e demonstrando novas metodologias de monitorização aplicadas à gestão adaptativa. A rede de parcelas e o percurso demonstrativo constituem suporte para ações de transferência de conhecimento dirigidas a públicos diferenciados, incluindo estudantes, técnicos e parceiros institucionais. As visitas e atividades já realizadas evidenciaram elevado interesse e reconhecimento do potencial destas abordagens para aproximar ciência, tecnologia e gestão operacional. Assim, a experiência da Serra da Lousã demonstra o valor dos laboratórios vivos e da cooperação entre múltiplos atores no desenvolvimento de soluções baseadas na natureza, com potencial de replicação noutras regiões e contributo para territórios florestais mais resilientes e sustentáveis. | |