Programa da conferência
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Vista diária |
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T4.1 - A transformação Localização: Sala H1.17 Moderação/coordenação de sessão: Maria Emília Silva | |
| Apresentação 5 | |
Certificação florestal em Arouca: restauro ecológico e resistência ao fogo nos Passadiços do Paiva 2BForest, Portugal Na envolvente dos Passadiços do Paiva, em Arouca, uma propriedade de 24,5 ha constitui um exemplo de como a certificação florestal pode apoiar o restauro ecológico e reforçar a resistência da paisagem ao fogo. Esta propriedade integra o grupo de certificação 2B_Forest_Group (FSC‑C135716) e constitui a área piloto do Pereiro (M152), no âmbito do projeto P4.2 – Valoração de Serviços de Ecossistemas, integrado na Agenda transForm. Quase totalmente inserida no sítio Natura 2000 Rio Paiva (PTCON0059), a propriedade tem vindo, desde 2021, a ser gerida com o objetivo de converter progressivamente uma área dominada por plantações de eucalipto numa paisagem mais naturalizada. Neste contexto, o programa ES_SPONSOR, desenvolvido pela 2BForest, tem funcionado como enquadramento para financiar e comunicar intervenções de restauro orientadas para a recuperação da biodiversidade, o aumento do sequestro de carbono e a valorização dos serviços recreativos associados aos Passadiços do Paiva. No presente trabalho, apresentam-se os resultados alcançados com este programa e a estratégia de verificação de impactos seguida pela 2BForest no âmbito do procedimento FSC. As operações florestais realizadas entre 2022 e 2025 evidenciam uma estratégia continuada de restauro ecológico. Em 2022, foram intervencionados 10,11 ha com plantação de espécies arbóreas autóctones, promoção da regeneração natural de Quercus robur, abertura de clareiras e seleção de varas. Em 2023, as ações prolongaram-se por 4 ha, acrescentando o controlo da vegetação espontânea e de espécies exóticas invasoras (Acacia sp.). Após o incêndio de setembro de 2024, realizaram-se novas operações em 2025, incidindo no controlo da vegetação espontânea e das espécies exóticas invasoras nas áreas afetadas. Em conjunto, estas intervenções contribuíram para reduzir a continuidade do combustível, criar condições para o estabelecimento de vegetação nativa e reforçar a capacidade de recuperação ecológica da propriedade. A monitorização realizada em 2025 mostra que, apesar do impacto do fogo, a área manteve sinais relevantes de recuperação ecológica. Através de amostragem por eDNA, foram identificados 272 táxones animais no período pós-incêndio, face a 228 em 2024, incluindo espécies com interesse de conservação, como Oryctolagus cuniculus (EN), Rana iberica (VU) e Lutra lutra (NT). A caracterização florística confirmou ainda a presença de 75 espécies da flora vascular e a persistência da espécie endémica Anarrhinum longipedicellatum. Em paralelo, a evolução dos stocks de carbono e a análise de imagens Sentinel-2 sugerem que as áreas intervencionadas apresentaram maior capacidade de resistência ao fogo e de recuperação pós-incêndio, evidenciando o contributo do restauro ecológico para a resiliência da paisagem. Este caso de estudo, materializado na área piloto do Pereiro, demonstra como a certificação florestal pode funcionar como um instrumento de suporte ao restauro ecológico, ao viabilizar financeiramente operações orientadas para a recuperação de habitats, a mitigação do impacto do fogo e a valorização ambiental. No âmbito do 10.º Congresso Florestal Nacional, esta área evidencia a importância de articular a gestão ativa da floresta com a comunicação eficaz de resultados, contribuindo para transformar Arouca num território mais resiliente e capaz de gerar benefícios ecológicos e sociais a longo prazo. | |