Programa da conferência
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Vista diária |
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T2.3 - Os desafios Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Maria Conceição Colaço | |
| Apresentação 2 | |
Corte de Matos e Restauro Florestal como Alternativas de Prevenção de Incêndios na Região Centro: Uma Análise de Custos 1: Instituto Politécnico de Coimbra, Rua da Misericórdia, Lagar dos Cortiços, S. Martinho do Bispo, 3045-093 Coimbra Coimbra, Portugal.; 2: Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS), Instituto Politécnico de Coimbra, Bencanta, 3045-601 Coimbra, Portugal.; 3: RCM2+, Centro de Investigação em Gestão de Ativos e Engenharia de Sistemas, Instituto Politécnico de Coimbra, Rua Pedro Nunes, 3030-199 Coimbra, Portugal. A gestão da vegetação constitui uma das principais estratégias de prevenção de incêndios florestais em Portugal, sendo frequentemente operacionalizada através do corte periódico de matos. Esta abordagem permite reduzir rapidamente a carga combustível, mas exige intervenções recorrentes e sem fim. Em alternativa, o restauro florestal procura substituir formações arbustivas por sistemas arbóreos mais estáveis, promovendo a sucessão ecológica, um maior ensombramento, níveis de humidade mais elevados e menor desenvolvimento do sub-bosque. Embora implique, em regra, um investimento inicial mais elevado, esta estratégia poderá reduzir substancialmente os custos de manutenção a médio e longo prazo. A presente comunicação incide sobre a primeira componente do projeto REFORCE (equipa multidisciplinar do IPC), centrada na comparação dos custos operacionais das duas estratégias de prevenção de incêndios florestais. O objetivo principal consiste em identificar os modelos de gestão mais utilizados no controlo de matos e no restauro florestal, bem como determinar os custos por hectare e por ano associados a cada uma destas abordagens. Adicionalmente, procura-se estimar o horizonte temporal a partir do qual o restauro florestal se torna economicamente mais vantajoso do que o corte periódico, avaliando de que forma a sensibilidade dos resultados a diferentes pressupostos pode influenciar o processo de tomada de decisão. A metodologia baseia-se na recolha de dados reais de campo junto de equipas de sapadores florestais e outras entidades envolvidas em operações de gestão da vegetação, incluindo municípios, comunidades intermunicipais, associações de produtores florestais e organizações não governamentais com experiência em restauro florestal. Para tal, são registados tempos de trabalho, recursos humanos envolvidos, utilização de equipamento, consumíveis e características dos locais intervencionados. Esta informação é complementada por um inquérito técnico dirigido a entidades responsáveis por operações de limpeza de matos e de restauro florestal, bem como por valores de referência das tabelas CAOF. A análise económica é conduzida através do cálculo do Custo Equivalente Anual, permitindo transformar investimentos iniciais e custos periódicos num custo anual comparável ao longo de diferentes horizontes temporais. É ainda estimado o ponto de equilíbrio temporal entre as duas estratégias, isto é, o momento a partir do qual a acumulação de custos associados ao corte periódico de matos poderá ultrapassar os custos do restauro florestal. A análise inclui cenários alternativos, considerando diferentes taxas de atualização, periodicidades de intervenção, custos unitários e modelos de gestão. Uma análise preliminar dos inquéritos sobre os custos de operações de gestão de matos, comparados com os custos do restauro florestal, tendo por base a experiência adquirida na Quinta da Moenda (V N de Poiares), aponta para um “break-even point” (ponto de equilíbrio) aos 23 anos. Ou seja, após este período, o restauro florestal passa a ser a opção mais económica, exigindo pouca ou nenhuma manutenção, enquanto a alternaniva o exige para sempre. Ao discutir estas questões, pretende-se contribuir para uma avaliação mais informada das opções de gestão da vegetação em contexto de prevenção de incêndios, destacando a importância de análises plurianuais que considerem não apenas o custo imediato das intervenções, mas também a sua recorrência, durabilidade e sustentabilidade económica. | |