Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 15 - O papel da certificação florestal no restauro ecológico Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Sofia Ferreira | |
| Apresentação 1 | |
Restauro Florestal em Portugal: uma nova política baseada em indicadores e numa implementação adaptativa 1: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Portugal; 2: CE3C - Centro para a Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais & CHANGE - Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal; 3: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Região autónoma da Madeira, Portugal; 4: Direção Regional dos Recursos Florestais e Ordenamento Territorial (DRRFOT), Região Autónoma dos Açores, Portugal O Plano Nacional de Restauro da Natureza estabelece um novo quadro de política florestal orientado por metas ecológicas mensuráveis e por uma abordagem adaptativa. Com um horizonte temporal de 2030 a 2050, visa promover a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas florestais, medida através de indicadores definidos no Regulamento (UE) 2024/1991. A estratégia assenta em dois eixos estruturantes: (i) resposta a perturbações e (ii) implementação de silvicultura próxima da natureza, articulados com a gestão integrada da paisagem e o risco de incêndio. O eixo (i) estrutura uma resposta imediata a eventos extremos (incêndios, tempestades e agentes bióticos). Privilegia a avaliação pós‑evento, a estabilização do solo e mitigação da erosão, e a prevenção de espécies exóticas. Estas intervenções definem uma janela crítica de atuação para salvaguardar as funções ecológicas, sendo determinantes para evitar a degradação irreversível. O eixo (ii) promove a transformação estrutural dos povoamentos, de modelos uniformes para sistemas mais diversos e resilientes, baseados na regeneração natural, heterogeneidade etária e adequação ecológica das espécies. Esta abordagem suporta diretamente a biodiversidade e a funcionalidade dos ecossistemas. A operacionalização desta política inicia‑se em áreas piloto, concebidas como unidades de demonstração e aprendizagem para testar modelos silvícolas, soluções pós‑perturbação e metodologias de monitorização. Estas áreas permitem validar opções técnicas, aferir custos e benefícios e ajustar práticas antes da sua generalização, funcionando como plataforma para capacitação de agentes e transferência de conhecimento. O Plano assenta em indicadores integrados — aves comuns de áreas florestais, manutenção de madeira morta, estrutura etária heterogénea, conectividade, carbono do solo, espécies autóctones e diversidade — cuja evolução deverá ser positiva. Para os avaliar, propõe-se uma nova ferramenta nacional de monitorização, integrando dados de inventários, cartografia e observação de campo, permitindo acompanhar a execução, avaliar a eficácia e suportar ciclos de gestão adaptativa. A política de restauro é implementada numa trajetória faseada: uma fase inicial até 2030, focada na capacitação, áreas piloto e validação; uma fase de expansão (2031–2040), orientada para a massificação das intervenções; e uma fase de consolidação até 2050, que garante a estabilização dos resultados. Este percurso articula-se com instrumentos de gestão territorial e modelos de intervenção agregada, vitais perante a forte fragmentação fundiária. A estratégia reconhece a necessidade de compatibilizar objetivos ecológicos com a realidade mediterrânica, assegurando uma gestão florestal que não agrave a perigosidade de incêndio, integrando a lógica de mosaico e gestão de combustíveis. Nas Regiões Autónomas, a abordagem é diferenciada: na Madeira, centrada na conservação da Laurissilva, mitigação do risco de incêndio e controlo de invasoras; nos Açores, na gestão de formações dominadas por espécies introduzidas e recuperação de núcleos de vegetação nativa. Em ambos os casos, a adaptação das medidas e dos sistemas de monitorização garante a coerência com os objetivos nacionais. Em síntese, a política de restauro florestal em Portugal assenta numa lógica incremental e adaptativa, suportada por áreas piloto e por uma monitorização robusta, visando reforçar a biodiversidade, a resiliência e a multifuncionalidade dos ecossistemas florestais. | |