Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 5b - Produtos Florestais Não Lenhosos: uma oportunidade para os proprietários florestais Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Margarida Tomé Moderação/coordenação de sessão: Tiago Ferreira Lima | |
| Apresentação 4 | |
Mel e Apicultura - Produtos Indiretos com Fileira Estabelecida 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, INIAV, Oeiras; 2: Centro de Investigação e de Tecnologia Agro-Ambientais e Biológicas, CITAB, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real; 3: Centro de Estudos Florestais, CEF, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa; 4: Federação Nacional dos Apicultores de Portugal, FNAP No contexto dos Produtos Florestais Não Lenhosos (PFNL), a apicultura assume-se como uma atividade estratégica pela sua ligação funcional aos ecossistemas florestais, e pela valorização económica dos territórios rurais. A produção de mel e outros produtos apícolas contribui para a sustentabilidade das áreas florestais e para a fixação de populações em regiões de baixa densidade. Esta comunicação pretende refletir sobre as interações entre recursos florestais, produção apícola e gestão territorial, discutindo os principais fatores ecológicos, silvícolas e socioeconómicos que influenciam a sustentabilidade e competitividade da atividade em Portugal. A diversidade florística proporcionada por espécies florestais nos estratos arbóreos, como o eucalipto, o castanheiro, o sobreiro, e arbustivos e herbáceos, como a urze, o tomilho e o rosmaninho constitui um fator determinante para a produtividade apícola e para a qualidade diferenciada do mel português. Neste contexto, a otimização do produto apícola depende da implementação de modelos silvícolas que promovam habitats favoráveis às abelhas, assegurando a continuidade da floração, a diversidade de recursos nectaríferos e poliníferos e a conectividade ecológica das áreas florestais. As prescrições culturais eficientes assumem, assim, um papel central na compatibilização entre produção florestal e atividade apícola. Práticas como a gestão do sobcoberto, a manutenção de mosaicos paisagísticos, a redução do uso de pesticidas e a calendarização adequada das operações silvícolas, podem potenciar simultaneamente a produtividade florestal e o rendimento apícola. Contudo, persistem incompatibilidades e tradeoffs entre a apicultura e outros PFNL, nomeadamente em sistemas de uso múltiplo do território, onde atividades como, a produção de biomassa, a pastorícia ou a recolha intensiva de recursos naturais podem comprometer a disponibilidade alimentar das colónias ou aumentar fatores de perturbação ambiental. O mercado nacional de mel apresenta crescente valorização, impulsionada pela procura de produtos naturais, diferenciados e de origem certificada. Apesar deste potencial, o setor enfrenta limitações relacionadas com a fragmentação da produção, a concorrência de mel importado a baixo custo, as dificuldades de certificação e comercialização e a vulnerabilidade das colónias a doenças, alterações climáticas e incêndios rurais. Perante este cenário, os desafios estratégicos da apicultura portuguesa passam pela promoção de políticas integradas de gestão florestal sustentável, reforço da investigação aplicada, valorização das cadeias curtas de comercialização e capacitação técnica dos apicultores. A integração da apicultura nos instrumentos de ordenamento e gestão florestal poderá constituir uma oportunidade relevante para aumentar a resiliência dos ecossistemas, promover serviços de ecossistema e reforçar a competitividade do setor no contexto da bioeconomia e da transição ecológica. | |