Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 5a - Produtos Florestais Não Lenhosos: uma oportunidade para os proprietários florestais Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Margarida Tomé Moderação/coordenação de sessão: Tiago Ferreira Lima | |
| Apresentação 1 | |
O invisível que sustenta a floresta: uma síntese da ecologia, micossilvicultura e fileira dos macrofungos em Portugal 1: Departamento de Biologia/ Escola das Ciências e Tecnologia/ Universidade de Évora, MED & CHANGE - MED – Mediterranean Institute for Agriculture Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute; 2: MED & CHANGE - MED – Mediterranean Institute for Agriculture Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute; 3: CEF - Centro de Estudos Florestais/ Instituto Superior de Agronomia/ Universidade de Lisboa; 4: CEABN - Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves”, InBIO/ Instituto Superior de Agronomia/ Universidade de Lisboa Os macrofungos constituem um dos Produtos Florestais Não Lenhosos (PFNL) com maior relevância ecológica e crescente interesse económico em Portugal, especialmente em zonas rurais. Para além do seu valor alimentar e comercial, desempenham funções essenciais nos ecossistemas florestais, participando na decomposição da matéria orgânica, na ciclagem de nutrientes e no estabelecimento de associações micorrízicas com a maioria das espécies arbóreas. Portugal possui 44 espécies espontâneas, produtoras de cogumelos e trufas comestíveis, com elevado valor comercial em mercados. Apesar deste potencial, a fileira nacional dos cogumelos permanece pouco estruturada, marcada pela informalidade da colheita e comercialização e pela reduzida integração deste recurso na gestão florestal. O presente trabalho apresenta uma síntese integradora do capítulo dedicado aos macrofungos, publicado no manual “Produtos Florestais Não Lenhosos de Portugal Continental”. O trabalho baseou-se numa revisão técnico-científica e documental. A informação foi sistematizada para abordar a biologia e ecologia dos cogumelos silvestres comestíveis, a sua importância histórica em Portugal, principais espécies e distribuição, condições de produtividade, princípios da micossilvicultura, organização da fileira em Portugal e na Europa, bem como o enquadramento legal, cadeia de valor, processamento, principais desafios e as entidades de apoio técnico aos produtores. A síntese evidencia que Portugal reúne condições ecológicas favoráveis ao desenvolvimento de diversas espécies de elevado valor comercial, mas que a inexistência de regulamentação específica, de mecanismos de certificação de origem e de circuitos comerciais organizados limita a valorização económica da fileira e a retenção de rendimento nos territórios rurais. Evidencia ainda que a adoção de práticas de micossilvicultura, associada ao desenvolvimento de plantas micorrizadas e à proteção do solo, constitui uma oportunidade para aumentar a produtividade, conservar a biodiversidade e reforçar a multifuncionalidade dos ecossistemas florestais. Conclui-se que os macrofungos silvestres comestíveis representam um recurso com elevado potencial ecológico e económico, mas ainda pouco conhecido, pouco aproveitado e insuficientemente integrado na gestão florestal em Portugal. A revisão evidencia uma fileira existente, mas marcada por informalidade, fraca rastreabilidade, insuficiente enquadramento legal, ausência de certificação de origem e perdas potenciais de valor para proprietários, territórios rurais e economia nacional. A sistematização deste conhecimento poderá apoiar novas linhas de investigação, contribuir para o desenvolvimento de instrumentos legais e técnicos mais adequados, capacitar produtores e gestores florestais e promover práticas de micossilvicultura orientadas para uma valorização mais sustentável e transparente deste PFNL. | |