Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 6 - Oportunidades e desafios da expansão florestal e renaturalização da paisagem pós-abandono agrícola Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Lien Imbrechts Moderação/coordenação de sessão: João C. Azevedo | |
| Apresentação 2 | |
Efeito do pastoreio asinino na vegetação herbácea e lenhosa na Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica 1: CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal.; 2: Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Dois Vizinhos, 85.660-000, Paraná, Brasil. As profundas transformações socioeconómicas corridas nas últimas décadas, associadas ao êxodo rural e ao abandono de práticas tradicionais de gestão do território, conduziram à acumulação de biomassa e à continuidade espacial dos combustíveis vegetais. Este processo, agravado pelas alterações climáticas, particularmente pelo aumento da frequência de períodos de seca e de temperaturas extremas, tem contribuído para o aumento da recorrência, intensidade e severidade dos incêndios rurais. Neste contexto, a silvopastorícia assume-se como uma ferramenta relevante para a gestão da vegetação, contribuindo para a criação e manutenção de faixas de gestão de combustível (fuelbreaks). Os asininos, pela sua rusticidade e pelo seu comportamento alimentar generalista, apresentam elevado potencial para esta função, uma vez que conseguem ajustar os seus padrões de consumo às condições ambientais, à disponibilidade de recursos forrageiros e à estrutura da paisagem onde se inserem. Este estudo tem como objetivo avaliar o efeito do pastoreio de asininos das raças autóctones Mirandesa e Zamorano-Leonês na estrutura e composição da vegetação em quatro áreas da Reserva da Biosfera da Meseta Ibérica. A monitorização incidiu sobre lameiros e áreas mistas de floresta e mato, antes e após o ciclo de pastoreio. Em ambos os habitats, foi avaliada biomassa herbácea, percentagem de cobertura vegetal, solo nu, e manta morta, biovolume e composição florística dos arbustos. A biomassa herbácea foi quantificada através do corte e pesagem da vegetação em unidades de 50 × 50 cm e os restantes parâmetros avaliados pelo método da linha de interceção, ao longo de transectos de 20 m. Em ambos os parâmetros, foram usadas três repetições por habitat e área de estudo. Os resultados sugerem que o pastoreio exerceu uma influência significativa na estrutura da vegetação dos habitats avaliados. A redução da biomassa após o ciclo de pastoreio indica uma utilização efetiva da paisagem pelos asininos, com maior intensidade nos lameiros, onde a disponibilidade e produção de biomassa herbácea foram substancialmente superiores. Relativamente ao biovolume, observou-se uma resposta diferenciada entre habitats. Nos habitats lenhosos, registou-se uma tendência para a redução do biovolume, provavelmente associada ao efeito combinado do consumo de espécies lenhosas e do impacto mecânico dos animais. Em contraste, nos lameiros, a estrutura tridimensional da vegetação arbustiva não apresentou alterações estatisticamente significativas. Apesar das alterações observadas no volume da vegetação arbustiva nos habitats lenhosos, a composição florística manteve-se estável, indicando que o pastoreio em cargas moderadas apenas afetou a estrutura física do estrato arbustivo. A análise da composição arbustiva evidenciou diferenças entre habitats. Nas áreas de vegetação lenhosa, a comunidade foi dominada por uma associação de Cistus spp., Cytisus spp., Erica spp. e Rosaceae como Rubus ulmifolius, registando-se ainda a ocorrência de regeneração natural de azinheira (Quercus rotundifolia). Nos lameiros, verificou-se uma maior expressão de espécies do género Cytisus — giesta —, sugerindo a sua associação a condições edáficas mais favoráveis. Estes dados corroboram a eficácia da utilização de equídeos na gestão de combustíveis finos e na criação de descontinuidades na vegetação, contribuindo para a resiliência ecológica em áreas de interface urbano-florestal. | |