Programa da conferência
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Vista diária |
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T1.1 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Pedro Bingre do Amaral | |
| Apresentação 4 | |
Incêndios rurais em Portugal: concentração espacial e temporal e vulnerabilidade das paisagens rurais em 2024 1: GOVCOPP, Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo, Universidade de Aveiro; 2: URZE, Associação Florestal da Encosta da Serra da Estrela; 3: CESAM, Departamento de Ambiente e Ordenamento, Universidade de Aveiro Os incêndios rurais continuam a constituir uma das principais ameaças às paisagens e aos territórios rurais portugueses. Embora as condições meteorológicas extremas desempenhem um papel determinante na ocorrência dos grandes incêndios, a sua distribuição espacial evidencia vulnerabilidades estruturais associadas às profundas transformações ocorridas nas paisagens rurais nas últimas décadas. Neste contexto, o presente trabalho analisa a distribuição espacial e temporal dos incêndios rurais ocorridos em Portugal Continental durante o ano de 2024, procurando compreender em que medida o abandono agrícola e a redução da atividade agroflorestal contribuem para aumentar a vulnerabilidade territorial ao fogo. A investigação baseia-se numa análise espacial exploratória, recorrendo à informação oficial sobre área ardida, ocorrências e causas dos incêndios, articulada com indicadores de ocupação do solo, estrutura agrária e evolução recente da atividade agrícola. O objetivo não é analisar a eficácia do combate aos incêndios, mas identificar padrões territoriais suscetíveis de explicar a maior propensão de determinados territórios para a propagação de grandes incêndios. Os resultados mostram que a quase totalidade da área ardida em 2024 se concentrou num curto período de setembro, associado a condições meteorológicas particularmente adversas. Contudo, a distribuição espacial da área ardida revela uma forte concentração em territórios do Centro e Norte caracterizados por elevada continuidade florestal, reduzida fragmentação agrícola e perda progressiva do mosaico agroflorestal tradicional. A análise evidencia igualmente que estes territórios registaram, nas últimas décadas, uma redução significativa do número de explorações agrícolas, da superfície agrícola utilizada e da mão de obra familiar, refletindo processos persistentes de despovoamento e abandono rural. Estas transformações favoreceram a homogeneização da paisagem, a acumulação de combustível vegetal e a diminuição da gestão ativa do território, criando condições mais favoráveis à propagação dos incêndios. Os resultados sugerem, assim, que a dimensão dos grandes incêndios não pode ser explicada apenas pelo número de ignições ou pelos episódios meteorológicos extremos. Pelo contrário, a vulnerabilidade das paisagens rurais parece estar intimamente relacionada com alterações estruturais da ocupação e gestão do território, resultantes do declínio da atividade agrícola e agroflorestal. Esta perspetiva reforça a necessidade de integrar as políticas agrícolas, florestais e de desenvolvimento rural numa abordagem territorial orientada para a manutenção do mosaico agroflorestal, da atividade agrícola e da presença humana nas áreas mais vulneráveis ao fogo. | |