Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 2b - Floresta Urbana: conhecimento multifacetado para promover a resiliência Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Ana Luisa Soares Moderação/coordenação de sessão: Leónia Nunes Moderação/coordenação de sessão: Inês Marques Duarte | |
| Apresentação 4 | |
É possível aumentar a cobertura arbórea nas áreas históricas da cidade de Lisboa? 1: Department of Architecture (DiDA) - University of Florence, Italy; 2: Centre for Applied Ecology “Professor Baeta Neves” (CEABN), InBIO, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, Lisbon, Portugal O objetivo de 30% de cobertura arbórea urbana, promovido pelo princípio 3+30+300 e referenciado pelo Regulamento de Restauração da Natureza da UE (UE 2024/1991, artigo nº8), tem sido progressivamente adotado como referência universal de planeamento. Este limiar não é arbitrário: assenta em evidências empíricas que associam níveis de cobertura arbórea iguais ou superiores a 30% a reduções mensuráveis do calor urbano, da poluição atmosférica e da mortalidade relacionada com o calor. Contudo, a aplicação direta desta meta em tecidos urbanos históricos e densos poderá ser fisicamente inalcançável devido à morfologia das cidades e carece de avaliação empírica rigorosa. Para superar esta limitação, este estudo propõe um protocolo metodológico replicável para estimar a Capacidade Máxima de Cobertura Arbórea (MCC - Maximum Canopy Capacity) e derivar Metas Estratégicas de Arborização (SGT - Strategic Greening Targets) contextualizadas para seis freguesias de Lisboa com morfologias urbanas contrastantes. A cobertura arbórea existente foi estimada com recurso à ferramenta i-Tree Canopy e aplicada através da validação cruzada com ortofotografias de alta resolução e buffers de infraestrutura de 2,5 m em ambiente SIG, distinguindo o Potencial de Cobertura Fácil (EPC) do Potencial de Cobertura Difícil (DPC), que exige intervenções estruturais como a desimpermeabilização. Os resultados demonstram que a meta de 30% é estruturalmente inalcançável nas freguesias do centro histórico de Lisboa. Na freguesia da Misericórdia a MCC obtida é de 27%, ficando abaixo do limiar, mesmo sob saturação teórica total. Nas freguesias de Santa Maria Maior, São Vicente e Arroios atingir a meta exigiria o esgotamento total do espaço aberto disponível, o que é desaconselhável urbanística e ecologicamente. Nestas freguesias, mais de 90% do potencial residual é classificado como DPC, confirmando que o aumento da cobertura arbórea nestas áreas depende obrigatoriamente de estratégias de despavimentação, uma pré-condição estrutural e não uma opção complementar. Para superar estes resultados, as SGT foram calculadas como a média aritmética entre a cobertura existente e a MCC, gerando metas diferenciadas e operacionalmente credíveis que variam entre 17% na freguesia da Misericórdia e 44% na freguesia do Parque das Nações. Estas metas implicam aumentos proporcionais substanciais na cobertura arbórea absoluta, demonstrando que o progresso ecológico é alcançável mesmo onde os objetivos absolutos não o são. Este estudo propõe uma mudança de paradigma, da aplicação universal de metas de arborização, embora cientificamente desejáveis e baseadas em evidências, para um planeamento adaptativo e sensível à morfologia urbana local. Esta abordagem complementa a ambição do princípio 3+30+300, assegurando que as cidades cumpram com o Regulamento de Restauração da Natureza através de aumentos mensuráveis, realistas e tecnicamente sustentáveis da floresta urbana, mantendo a identidade e as limitações físicas dos centros históricos. *Esta contribuição insere-se na tese de doutoramento "Piani del verde e green infrastructures" do Programa Urban Future Studies (University of Florence), orientada pela Prof.ª A. Lambertini (DIDA), co-orientada pela Dr.ª C. Borghi e pelo Dr. L. Nofroni (DIDA), coordenada pelos Prof. G. Chirici (DAGRI) e G. De Luca (DIDA), com direção científica do Prof. S. Mancuso (DAGRI). | |