Programa da conferência
Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
|
Vista diária |
| Sessão | |
|
Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 8 | |
Biomassa florestal residual e bioeconomia territorial: modelo de valorização em cascata desenvolvido no âmbito do projeto RESIST 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: Mota-Engil BCircle A biomassa florestal residual (BFR) pode constituir um recurso estratégico, mas continua insuficientemente mobilizada em Portugal. Embora a sua valorização possa contribuir para a redução do risco de incêndio, para a gestão ativa da floresta e para o reforço da resiliência territorial, este potencial permanece condicionado pela dispersão da propriedade, pela heterogeneidade dos materiais, pelos custos logísticos e pela fraca articulação entre produção, pré-processamento, tecnologia e mercado. Em Portugal, a BFR permanece concentrada em usos energéticos convencionais. Em 2020, a produção elétrica e a cogeração representavam mais de 70% do consumo nacional deste recurso. Esta realidade contrasta com a trajetória europeia, orientada para cadeias de maior valor acrescentado, como bioprodutos, biomateriais e biocombustíveis avançados. O desafio nacional não é apenas remover sobrantes, mas convertê-los em matéria-prima de maior valor acrescentado. Neste contexto, o modelo desenvolvido no âmbito do RESIST propõe uma abordagem territorial integrada para transformar a BFR de passivo operacional da gestão florestal em recurso estratégico para cadeias regionais de bioeconomia. O modelo incide nas Comunidades Intermunicipais da Região de Coimbra e do Médio Tejo, abrangendo 30 municípios, mais de 768 000 ha e cerca de 680 000 habitantes, num território com forte expressão florestal, elevada vulnerabilidade ao fogo e ativos logísticos, tecnológicos e industriais relevantes. A abordagem assenta numa arquitetura modular e em cascata, organizada em hubs intermunicipais e corredores funcionais. Na CIM RC, a rede intermunicipal de 10 parques e 13 contentores de biomassa permite estruturar dois corredores complementares, um interior, com potencial de fornecimento de 72 567 t/ano de BFR, e um litoral, com 108 190 t/ano. Esta infraestrutura tem potencial para aproximar o pré-processamento das fontes, reduzir custos de transporte e apoiar, de forma faseada, operações de triagem, estilhaçamento, secagem, acondicionamento e controlo de qualidade, criando condições para o futuro abastecimento regular dos módulos de valorização. A robustez do modelo resulta na capacidade potencial de mobilizar uma ampla rede de mais de 40 entidades na CIM RC, incluindo atores técnicos, institucionais e industriais, o que demonstra que o território possui competências, infraestruturas e procura suficientes para sustentar toda a cadeia de valor da BFR, desde a recolha até à colocação de bioprodutos no mercado. A cadeia integra quatro rotas de valorização — gaseificação, pirólise lenta, destilação a vapor e extração de taninos — organizadas em cascata para maximizar o valor da BFR, com destaque para a pirólise na valorização de frações lenhosas via produção de biochar. Embora localizada fora da área de intervenção do RESIST, aunidade de biochar em desenvolvimento em Boticas constitui um exemplo relevante de produção descentralizada e modular, ao articular fluxos locais de biomassa, pré-tratamento, conversão termoquímica e potenciais aplicações ambientais e materiais. O modelo RESIST é estratégico para territórios florestais vulneráveis por integrar a BFR numa cadeia de valor em cascata, dependente da articulação entre recursos, infraestruturas e procura, posicionando-a como matéria-prima qualificada para a bioeconomia. | |