Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 14a - Agenda transForm: Inovação e digitalização na gestão de florestas resilientes Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Mariana Ferreira Amaro | |
| Apresentação 4 | |
Impactes da polinização suplementar em massa na produção de pinha em pinheiro-manso: estudo exploratório 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV), Avenida da República, Quinta do Marquês, 2780-157 Oeiras, Portugal; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 3: Pine Flavour, Lda, ZIL de Grândola, Lt 27, 7570-261 Grândola; 4: Centro de Competências do Pinheiro-manso e Pinhão; 5: Albatroz Engenharia, Rua Maria 53, 1º Esquerdo 1170-210 Lisboa, Portugal; 6: UNAC-União da Floresta Mediterrânica, Rua Mestre Lima de Freitas, n.º 1 1549-012 Lisboa A produção de pinha em pinheiro‑manso apresenta elevada variabilidade interanual, influenciada por fatores climáticos e fisiológicos que podem antecipar ou atrasar fases críticas do ciclo reprodutivo. Face ao decréscimo produtivo observado na última década, torna‑se urgente testar estratégias que reforcem o sucesso reprodutivo da espécie. A polinização suplementar em massa, desenvolvida nas décadas de 1980–1990 em pomares de sementes de várias coníferas, demonstrou aumentar a eficiência da polinização e a produção, constituindo uma base metodológica sólida para aplicação noutras espécies. A técnica consiste na manipulação artificial de grandes quantidades de pólen junto das estruturas femininas no momento em que elas estão receptivas. Neste estudo, testou‑se esta abordagem em pinheiro‑manso utilizando o equipamento de vibração mecanizada para colheita de pinha desenvolvido no âmbito da Agenda Transform. A máquina integra um sistema automatizado que ajusta intensidade e tempo de vibração, e foi usada como plataforma para indução de libertação de pólen em massa. O ensaio foi instalado em 2024 numa herdade da região de Grândola, num povoamento adulto equiénio de regeneração natural. Selecionaram‑se dois talhões homogéneos, cada um com uma parcela controlo (C) e outra vibrada (V) cuja produção de pinha foi avaliada sem o efeito da polinização em massa. Na parcela V, três árvores centrais foram submetidas a vibração durante a primavera de 2024. As parcelas, distanciadas 650 m, foram alinhadas perpendicularmente aos ventos dominantese aí foram instalados 18 coletores de pólen por parcela para avaliar orientação e distribuição da nuvem polínica. Procedeu‑se também ao inventário das árvores (altura, DAP, diâmetros e altura de copa). A vibração foi aplicada duas vezes, com 7 dias de intervalo, durante 5 segundos a 1000 rpm e caudal de 40 L/min. O momento das intervenções foi definido com base na recetividade feminina observada em flores de árvores enxertadas próximas. Em junho de 2026 serão recolhidas imagens com aeronaves não tripuladas para quantificação indireta do número de pinhas, usando algoritmos de deteção automática desenvolvidos também no âmbito da Agenda. No final de 2026 serão colhidas todas as pinhas das parcelas C e V para validar os dados de produção de pinha analisados indirectamente nas imagens e avaliar o sucesso da polinização em massa. Os dados recolhidos indicam que as parcelas C e V apresentaram árvores morfometricamente semelhantes (DAP: 51,4±0,3 cm em C; 49,7±0,28 cm em V; altura: 4,7±0,03 m em C; 4,4±0,03 m em V). O peso médio de pinhas por árvore foi 1,7±0,19 kg em C e 1,0±0,1 kg em V. Observou‑se um aumento significativo (t‑test P=0,008) de 45% na disponibilidade de pólen na parcela vibrada (27±2,7 grãos/mm²) face à parcela controlo (19±1,9 grãos/mm²). A nuvem de pólen deslocou‑se preferencialmente para NO, coincidindo com os ventos dominantes, e o alcance da libertação induzida ultrapassou os 100 m. A integração de tecnologia digital e monitorização de precisão permitirá avaliar a resposta produtiva e testar a viabilidade da vibração mecanizada como técnica complementar para aumentar a produção. Este estudo constitui a primeira aplicação conhecida desta abordagem em pinheiro‑manso, configurando uma solução inovadora com potencial para mitigar a quebra produtiva abrindo novas possibilidades para o uso de tecnologias avançadas em operações silvícolas. | |