Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 6 | |
Da vulnerabilidade à resiliência: mitigação de riscos associados a matrizes florestais não-hospitaleiras através de corredores multifuncionais 1: Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-139 Faro, Portugal; 2: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves" (CEABN- InBIO), Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017, Portugal A floresta portuguesa, e em particular as paisagens de produção intensiva, enfrenta um ciclo crónico de vulnerabilidade. A homogeneização da paisagem, marcada pelo predomínio de povoamentos exóticos monoespecíficos (como o caso de Eucalyptus spp.), aliada ao despovoamento e ao consequente abandono e negligência da gestão silvícola, consolidou uma matriz florestal estruturalmente simplificada. Condição esta que agrava a suscetibilidade a incêndios rurais de grande escala e aos processos subsequentes de degradação e perda de solo. Os atuais modelos de gestão territorial, revelam-se ineficazes para travar este declínio sistémico e para proteger o equilíbrio ecológico. Face a este diagnóstico, sugere-se uma mudança de paradigma: a transição de um modelo de conservação em prol de uma gestão florestal ativa, planeada e estruturada. O presente trabalho, centrado no estudo de caso de Monchique (Faro, Portugal), propõe o contributo para o desenho de uma Infraestrutura Verde (IV), materializada sob forma de uma Rede de Corredores Verdes Multifuncionais. Com recurso a um modelo de análise holística eco-cultural da paisagem, esta rede atua de forma complementar à Estrutura Ecológica Municipal, advogando o conceito de multifuncionalidade. O objetivo central é a rutura da matriz de resistência ecológica e interrupção do risco de incêndio, imposto pela referida homogeneização. Este tipo de infraestrutura, para além do contributo ambiental, sustenta-se em pilares de valorização socioeconómica e cultural da paisagem, assentes na sua reabilitação. Sugere-se a promoção da heterogeneidade vegetal e a gestão horizontal de combustíveis através de práticas não consuntivas; a sustentabilidade da reconversão dos mosaicos florestais, através da criação de modelos de gestão apoiados em mercados emergentes como a venda de créditos de carbono e a revitalização da silvopastorícia; e a atratividade cultural e a sua integração em lógicas de bioeconomia e remuneração por serviços de ecossistema; viabilizadas por mecanismos de financiamento atuais (e.g., Fundo Ambiental, Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e Programa de Transformação da Paisagem (PTP)). Procura-se, deste modo, visar que a resiliência e a sustentabilidade do setor florestal não se alcançam pela supressão da atividade produtiva ou pela imposição de regimes intransigentes, mas pela metamorfose da floresta num sistema dinâmico, onde a mitigação do risco impulsiona um mosaico rentável, dinâmico e polivalente. | |