Programa da conferência
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Vista diária |
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Simpósio 15 - O papel da certificação florestal no restauro ecológico Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Sofia Ferreira | |
| Apresentação 4 | |
Restauro ecológico em Portugal: da Rede Natura 2000 à gestão florestal responsável – contributos da WWF Portugal WWF Portugal, Portugal O restauro ecológico assume um papel central na resposta simultânea às crises da perda de biodiversidade e das alterações climáticas, particularmente em países mediterrânicos como Portugal, onde a degradação dos ecossistemas é acentuada por pressões como incêndios florestais, espécies invasoras, desertificação e fragmentação do território. Em Portugal, estima-se que mais de 800 espécies estejam ameaçadas e uma proporção significativa dos habitats apresente estado de conservação inadequado ou mau, evidenciando a necessidade urgente de ações de recuperação. O restauro ecológico, entendido como o processo de apoiar a recuperação de ecossistemas degradados, permite reforçar a sua estrutura, funções e resiliência, assegurando simultaneamente a provisão de serviços de ecossistema essenciais para o bem-estar humano. A Rede Natura 2000 constitui um enquadramento particularmente relevante para a implementação de ações de restauro em Portugal, uma vez que dispõe de cartografia atualizada de habitats, avaliação do seu estado de conservação, e planos de gestão com medidas de conservação definidas ao nível das Zonas Especiais de Conservação (ZEC). Este conhecimento do estado atual permite identificar prioridades de restauro ao nível de habitats e espécies-alvo, facilitando a operacionalização de ações no terreno e a monitorização dos seus resultados. Paralelamente, a integração do restauro ecológico com instrumentos de gestão florestal responsável, como a certificação FSC, assume um papel crescente na promoção de práticas compatíveis com a conservação da biodiversidade, contribuindo para a manutenção de áreas de alto valor de conservação, e recuperação de ecossistemas degradados, especialmente em paisagens multifuncionais como o montado. A WWF Portugal tem vindo a desenvolver um conjunto de projetos que operacionalizam estas abordagens integradas de restauro ecológico. Destaca-se a iniciativa “D-EVOLUÇÃO”, que visa restaurar ecossistemas degradados em áreas prioritárias do país, mobilizando atores públicos e privados e alinhando-se com metas europeias como a Lei do Restauro da Natureza. Esta iniciativa integra vários projetos, abrangendo ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos, em que promove intervenções em várias ZEC da Rede Natura 2000, como a Serra do Caldeirão, combinando ações de controlo de espécies invasoras, promoção de regeneração natural, plantação de espécies autóctones e gestão da carga combustível para aumentar a resiliência aos incêndios. Estas ações refletem uma abordagem baseada na gestão adaptativa, que combina restauro, integração de conhecimento científico e envolvimento de stakeholders locais. Para além dos benefícios ecológicos, estas iniciativas contribuem para a adaptação às alterações climáticas, bem como para o uso sustentável do território, reforçando a relação entre comunidades e natureza. Em síntese, o restauro ecológico em Portugal, particularmente no contexto da Rede Natura 2000 articulado com instrumentos de gestão florestal responsável como o FSC, representa uma oportunidade estratégica para recuperar a funcionalidade dos ecossistemas, travar a perda de biodiversidade e reforçar a resiliência do território. Os projetos de restauro da WWF Portugal demonstram o potencial de abordagens integradas e colaborativas para alcançar estes objetivos, contribuindo para o cumprimento das metas nacionais e europeias de restauro da natureza. | |