Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 1 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 2 | |
Caracterização anatómica da madeira de 5 espécies da floresta natural de Moçambique e sua vulnerabilidade às mudanças climáticas 1: UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 2: UCM - Universidade Católica de Moçambique Moçambique tem uma área florestal de 41 milhões de hectares, constituindo uma das mais significativas áreas de floresta nativa na África Austral, a qual desempenha um papel essencial na subsistência de necessidades básicas das populações rurais e um contributo imenso na economia do país, com mais de 200 milhões de dólares em divisas através das exportações. Adicionalmente, é geradora de emprego a uma parte significativa da população e fornecedora de serviços ecossistémicos vitais, tais como produtos florestais não lenhosos, regulação da água, sequestro de carbono, prevenção da erosão dos solos e conservação da biodiversidade. No entanto, a África Austral é uma das regiões mais vulneráveis do mundo às alterações climáticas, sendo Moçambique um dos países mais sensíveis. Esta vulnerabilidade é agravada pela sobre exploração das florestas naturais, estando todo este importante património natural seriamente ameaçado. Neste contexto, são objetivos deste trabalho caracterizar anatomicamente 5 das mais importantes espécies produtoras de madeira de excelente qualidade, produzidas em Moçambique, e identificar, com base nessas características anatómicas, a vulnerabilidade dessas espécies a eventos climáticos extremos, como sejam as secas, ciclones e inundações. Foram selecionadas as seguintes espécies: Spirostachys africana, Afzelia quanzensis , Millettia stuhlmannii , Pterocarpus angolensis e Colophospermum mopane, a primeira considerada madeira preciosa e as restantes de 1ª classe. O material de estudo foi colhido em diversas florestas nativas localizadas nos distritos de Sofala, Maputo e Inhambane e a caracterização anatómica seguiu a metodologia sugerida pela IAWA (International Association of Wood Anatomists). Afzelia quanzensis, Millettia stuhlmannii, Pterocarpus angolensis e Colophospermum mopane apresentam vasos grandes e solitários, com placas de perfuração simples, pontuações aureoladas guarnecidas e fibras de paredes espessas. Estas características conferem uma eficiente capacidade de transporte e resistência a embolismo, a par de uma grande resistência à seca. Já a Spirostachys africana possui vasos pequenos e agrupados, com pontuações aureoladas não guarnecidas e fibras de paredes finas, conferindo uma menor eficiência hídrica e uma maior suscetibilidade a embolia e vulnerabilidade a fenómenos de seca. Assim, é expectável que esta espécie possa vir a ser particularmente afetada pelas alterações climáticas, devendo a sua distribuição restringir-se a locais com abastecimento regular de água, ou, com períodos de seca relativamente limitados. De um modo geral quase todas as espécies exibem uma elevada densidade e abundância de parênquima axial (em quantidade e diversidade), isto é, não só uma elevada resistência mecânica como um grande investimento em substâncias de reserva acumuladas em células de parênquima, o que as torna particularmente resistentes aos efeitos adversos dos ciclones. Só a Spirostachys africana se demarca das restantes espécies. Como apresenta menor quantidade de parênquima axial e limitado ao tipo difuso apotraqueal, revela um reduzido investimento em substâncias de reserva que poderão ser posteriormente utilizadas em períodos críticos, revelando uma maior vulnerabilidade ao stress induzido pelos ciclones. Relativamente às cheias, os resultados não foram conclusivos, já que não foi possível estabelecer qualquer relação direta entre as características anatómicas e a sua vulnerabilidade a este evento climático extremo. | |