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Da gestão de combustível à gestão integrada do risco: uma nova abordagem à proteção do edificado na Interface Urbano-Florestal
Hugo Torrinha
Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Geografia, Universidade do Minho, Portugal
A crescente expansão da Interface Urbano-Florestal (IUF), associada às alterações da ocupação do solo, à acumulação de combustíveis e ao aumento da perigosidade de incêndio rural, exige uma evolução dos atuais modelos de prevenção estrutural. Em Portugal, a proteção do edificado continua fortemente dependente da aplicação de faixas de gestão de combustível definidas por critérios predominantemente prescritivos, enquanto a evidência científica internacional demonstra que a sobrevivência das construções depende da interação entre múltiplos fatores relacionados com a perigosidade, a vulnerabilidade e a exposição. A integração destas variáveis permitirá desenvolver modelos territorialmente mais eficientes, conciliando a segurança das populações, a sustentabilidade económica das intervenções e a valorização do espaço rural. A metodologia integrou análise espacial multicritério em ambiente SIG, recorrendo a cartografia de ocupação do solo (COS 2023), cartografia do edificado, histórico de ignições e áreas ardidas (1990-2024), modelos de perigosidade e enquadramento jurídico do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais. Previamente, realizou-se uma revisão sistemática da literatura científica internacional relativa ao comportamento do fogo em áreas de interface, sobrevivência de edificações e modelos de espaço defensável. Os resultados, obtidos pela análise geoespacial, em software SIG, demonstram que, a recorrência dos incêndios, a regeneração dos combustíveis e a expansão da IUF constituem fatores determinantes da evolução da perigosidade. Verificou-se igualmente que a redução da faixa de proteção de 50 m para 30 m permite diminuir a área sujeita a gestão obrigatória de combustível, reduzindo significativamente os encargos económicos, sem comprometer a proteção do edificado quando associada à implementação de medidas complementares, designadamente espaços defensáveis permanentes, compartimentação da vegetação, utilização de espécies menos inflamáveis, adaptação construtiva e melhoria da acessibilidade operacional. Hoje em dia, com os simuladores de comportamento do fogo (SCF), como o FlamMap, sabe-se que, há caminhos preferenciais do fogo que, incidem nas comunidades de herbáceas curtas, provenientes do abandono agrícola. Conclui-se que as faixas de proteção devem ser estruturais no tempo e no espaço, uma vez que, com a análise do histórico da área ardia, conjuntamente com os SCF, percebe-se que, tem de se introduzir um modelo de faixas de proteção multifatorial do edificado, pessoas, bens e floresta que, complemente os atuais instrumentos de gestão de combustível e promova uma evolução do paradigma da prevenção dos incêndios rurais, conciliando ordenamento do território, segurança das populações, sustentabilidade económica e resiliência da Interface Urbano-Florestal.