Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC | |
| Apresentação 2 | |
As Zonas Permanentes de Proteção Social Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Geografia, Universidade do Minho, Portugal As interfaces urbano-florestais (IUF) são territórios dotados de vulnerabilidades relacionadas com os incêndios florestais e apresentam um elevado risco de ignição de incêndios florestais, pelo que urge gerir estes territórios por forma a torná-los mais resilientes aos referidos incêndios. Após uma pesquisa bibliográfica relacionada com a proteção contra incêndios em áreas de interface urbano florestal, procedeu-se à revisão e sistematização da legislação florestal relativa às IUF, bem como dos planos e programas em curso ou em preparação, com o objetivo de contextualizar uma proposta de introdução do conceito de Zona Permanente de Proteção Social (ZPPS). O risco de incêndio na IUF envolve fatores geográficos como a demografia, orografia, declives, exposições e histórico da área ardida, mas que são indissociáveis do tipo de combustível e do modo de inserção das estruturas no espaço. A largura das faixas de proteção imposta ou recomendada nos diversos países não difere grandemente. Nos Estados Unidos da América e Canadá, a largura recomendada para faixa de proteção em torno de uma habitação é de 30m, enquanto para vários países europeus como a França, a Grécia ou Portugal, esta largura é de 50m. Os estudos que suportam estas definições são essencialmente norte americanos, e indicam que a probabilidade de ignição de um edifício afastado a mais de 30 m de um contínuo florestal é praticamente nula. As ZPPS devem ser faixas de proteção permanentes e estruturais no espaço e no tempo que, deverão ter uma faixa de 5m desprovida de qualquer estrato vegetativo ou comunidade vegetativa, preferencialmente com solo mineral ou outro material naturalizado e ou permeável. As ZPPS espacialmente definem-se como uma faixa de proteção dos 0 a 5m sem combustível, entre os 5 a 15 m uma faixa de proteção em que devem estar presentes apenas o(s) estrato(s) herbáceo(s) e ou estrato(s) arbustivo(s). Na faixa de proteção entre os 15 a 30m, deverá privilegiar-se a presença de árvores autóctones como Quercus robur – carvalho-alvarinho, Quercus suber – sobreiro e Quercus rotundifolia – azinheira. Acrescenta-se ainda que existem um conjunto de outras espécies florestais que devem ser utilizadas como o Quercus pyrenaica – carvalho-negral e Quercus faginea – carvalho-cerquinho. As espécies resinosas de folha curta são um importante aliado no comportamento do fogo na paisagem, pelo que têm uma importante função no mosaico florestal ou na paisagem, pelo que destacam-se as espécies como Pseudotsuga menziesii – Pseudotsuga, Pinus sylvestris – pinheiro-silvestre, Pinus nigra – pinheiro-larício e Pinus radiata – pinheiro-de-monterrey, desde que se garanta a descontinuidade vertical permanente entre os estratos herbáceos e arbustivos na época estival em relação ao estrato arbóreo. Entre os 15 a 30m, deverá privilegiar-se a presença de árvores, sem qualquer espaçamento entre copas, garantindo a maior área de ensombramento em permanência, de modo a diminuir os estratos herbáceos e arbustivos, devido ao ensombramento, potenciando as condições climáticas desfavoráveis à ocorrência do fogo, como temperaturas (⁰C) / ventos (km/h) abaixo do referencial 30 e humidades (%) acima do referencial 30. Com as ZPPS, garante-se estrutural e espacialmente uma faixa de proteção de 30m à floresta, ao edificado, infraestruturas, pessoas e bens. | |