Programa da conferência
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Simpósio 2a - Floresta Urbana: conhecimento multifacetado para promover a resiliência
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Inventário arbóreo urbano: composição e diversidade em diferentes contextos geográficos em Portugal Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves” (CEABN), InBIO, Instituto Superior de Agronomia | Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal O registo e o inventário arbóreo constituem instrumentos fundamentais de apoio ao planeamento e à gestão urbana, sendo, por isso, essencial investir no conhecimento das árvores nas cidades. Estes inventários permitem quantificar os benefícios ambientais proporcionados pelo arvoredo urbano e constituem uma ferramenta crucial para o planeamento e o desenvolvimento sustentável das cidades. A legislação publicada em 2021 (Lei n.º 59/2021, de 18 de agosto), que veio reforçar a importância destes levantamentos, determina que todos os municípios elaborem um inventário completo do património arbóreo urbano existente, tanto em domínio público como privado. Ainda neste domínio, a legislação voltou a ser renovada com o Programa de Ação para a Resiliência e Restauração da Natureza em Áreas Urbanas (Pro Nat.Urbe), publicado em abril de 2026, elaborado no quadro da lei europeia do restauro da natureza (Regulamento EU 2024/1991), que estabelece metas concretas até 2035 para o aumento das áreas verdes em contexto urbano. O Pro Nat.Urbe, ao promover a integração de soluções baseadas na natureza nas políticas públicas, reconhece o papel da arborização urbana na mitigação e adaptação às alterações climáticas, nomeadamente através da redução das ilhas de calor urbano e da melhoria do conforto térmico. De forma a contribuir para a concretização dos objetivos acima referidos, iremos enumerar e sistematizar as iniciativas que a equipa do Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves” (CEABN/ISA/ULisboa), desde 2019, tem vindo a implementar. Têm sido desenvolvidos trabalhos de caracterização da floresta urbana e avaliação dos seus benefícios ambientais, recorrendo a metodologias reconhecidas internacionalmente, como a plataforma i-Tree® (em quatro municípios Lisboa, Almada, Cascais e Coimbra). Acresce que, em colaboração com vários municípios e entidades, foram já elaborados inventários arbóreos urbanos em 38 municípios. A identificação e georreferenciação de cerca de 267 mil árvores urbanas, correspondentes a aproximadamente 900 taxa, permitiu realizar uma meta-análise com a caracterização da composição de espécies e diversidade arbórea nacional e identificar as espécies dominantes pelas diferentes regiões. Estas quantificações permitem identificar métricas de caracterização do arvoredo em classes de desenvolvimento, jovem/adulto ou em fase de substituição assim como identificar indivíduos com potencial de árvores a serem classificadas. Estes levantamentos pretendem contribuir, por um lado, para o estabelecimento de estratégias de mitigação dos efeitos das alterações climáticas e, por outro, propor medidas de resiliência urbana através da floresta urbana. Com o referido trabalho o CEABN pretende contribuir com uma base para a manutenção e gestão sustentável do arvoredo urbano, bem como para delinear directrizes em futuras plantações. Abandono, biodiversidade e manutenção dos espaços verdes urbanos CEABN, Portugal A crescente valorização do papel desempenhado pelo desenho urbano e pela manutenção dos espaços verdes na sustentabilidade das cidades tem vindo a transformar a forma como se pensa a relação entre ecossistemas urbanos, biodiversidade e qualidade de vida. À medida que os desafios ambientais se intensificam, torna‑se cada vez mais evidente que as práticas de gestão da vegetação influenciam não apenas o desempenho ecológico dos espaços verdes, mas também a perceção pública e a aceitação social de abordagens mais naturais ou eco‑centradas. Persistem, contudo, incertezas significativas sobre até que ponto os residentes urbanos estão dispostos a apoiar modelos de gestão que alteram profundamente a estética, o uso e a identidade destes espaços. Este trabalho sintetiza os resultados de três estudos desenvolvidos entre 2022 e 2024 - dois já publicados nas revistas Landscape and Urban Planning e Urban Forestry & Urban Greening, e um atualmente em revisão - que analisam o papel da manutenção na conservação da biodiversidade e a receptividade a abordagens eco‑centradas no contexto dos espaços verdes urbanos. A investigação recorreu a conjoint analysis, entrevistas semiestruturadas e revisão bibliográfica comparativa, tendo como caso de estudo a cidade de Hangzhou, na China, um território marcado por forte expansão urbana e por políticas ambientais inovadoras. Os resultados mostram que a relação entre intensidade de manutenção e biodiversidade é mais complexa do que frequentemente assumido. Embora algumas práticas de elevada intervenção apresentem impactos negativos claros, outras revelam efeitos mais subtis ou mesmo neutros, sugerindo que a gestão pode ser calibrada de forma mais estratégica para maximizar benefícios ecológicos sem comprometer a funcionalidade dos espaços. Paralelamente, identificámos diferenças marcantes entre grupos de utilizadores: profissionais das áreas da ecologia e gestão da vegetação demonstram maior abertura a estéticas menos controladas e a modelos de gestão menos interventivos, enquanto residentes leigos tendem a preferir cenários híbridos, onde elementos “selvagens” são combinados com níveis moderados de manutenção visível. Estes cenários intermédios foram consistentemente avaliados de forma mais favorável do que versões totalmente “selvagens”, revelando uma procura por equilíbrio entre naturalidade e ordem. Concluímos que estas diferenças de perceção devem ser integradas no planeamento das florestas urbanas e no desenho dos parques urbanos, de modo a garantir que as estratégias de gestão conciliam expectativas sociais diversas com a necessidade de preservar e reforçar os serviços de ecossistema. A adoção de abordagens híbridas, flexíveis e sensíveis ao contexto poderá constituir um caminho promissor para promover cidades mais resilientes, biodiversas e socialmente inclusivas. Diversidade de proveniências como fator de resiliência da floresta urbana: o caso de Lisboa 1: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", Instituto Superior de Agronomia (CEABN-ISA), Universidade de Lisboa, Portugal; 2: Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP). Colégio de S. Jerónimo, 1º Piso Largo D. Dinis - 3000-395 Coimbra, Portugal; 3: Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-189 Faro, Portugal A adaptação às alterações climáticas constitui um dos principais desafios para a gestão da floresta urbana. A resiliência dos organismos vivos resulta, em grande medida, da sua capacidade de manter o seu funcionamento perante perturbações externas e da sua plasticidade ecológica, entendida como a capacidade de ajustar características fisiológicas, morfológicas ou fenológicas em resposta às condições ambientais. Espécies com maior plasticidade tendem a apresentar uma maior capacidade de adaptação a ambientes variáveis, contribuindo para a manutenção das suas funções ecológicas em cenários de stress. As árvores de arruamento nas cidades constituem uma infraestrutura verde que assegura múltiplos serviços de ecossistema, nomeadamente o ensombramento e arrefecimento do espaço público, o sequestro de carbono, a retenção de poluentes atmosféricos, a redução do escoamento superficial, o suporte à biodiversidade e a valorização estética e social dos espaços urbanos. As espécies utilizadas em arborização urbana apresentam origens biogeográficas muito diversificadas, refletindo histórias evolutivas associadas a diferentes regimes climáticos. Estas diferenças traduzem-se em distintos níveis de plasticidade ecológica, influenciando a capacidade de resposta a fenómenos extremos como secas prolongadas, ondas de calor, geadas ou precipitações intensas. Entre os indicadores utilizados para caracterizar essas condições encontra-se a hardiness zone, definida pela USDA Agricultural Research Service com base na média das temperaturas mínimas extremas anuais observadas ao longo de um período de referência de 30 anos. Embora concebida para avaliar a resistência ao frio, esta classificação constitui também um indicador indireto das condições climáticas às quais as espécies estiveram historicamente sujeitas. Este trabalho analisa a composição específica do arvoredo de arruamento da cidade de Lisboa, relacionando a origem biogeográfica das espécies mais representativas com as respetivas hardiness zones de proveniência. Foram identificadas espécies oriundas de diferentes regiões climáticas do mundo, abrangendo predominantemente zonas de rusticidade entre 7 e 11, enquanto Lisboa se situa aproximadamente numa zona equivalente a 10a. A partir desta caracterização é explorada a heterogeneidade das proveniências das espécies e discutida a sua potencial relevância para a adaptação da floresta urbana a cenários de crescente incerteza climática. Em suma, para além da diversidade de espécies, a diversidade de proveniências representa também uma diversidade de histórias evolutivas e adaptações climáticas. A sua relação com a resiliência da floresta urbana constitui uma perspetiva que merece ser explorada e aprofundada, contribuindo para fundamentar futuras estratégias de gestão do arvoredo urbano. Resilientes ou vulneráveis? Respostas das árvores dos jardins históricos de Lisboa às alterações climáticas 1: Centro de Ecologia Aplicada Professor Baeta Neves (CEABN-InBIO), Instituto Superior de Agronomia (ISA/ULisboa); 2: Centro de Investigação em Agronomia, Alimentos, Ambiente e Paisagem (LEAF - Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food), Instituto Superior de Agronomia (ISA/ULisboa); 3: Agência para o Clima, I.P.; 4: Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c), Faculdade de Ciências (FC/ULisboa) As árvores urbanas desempenham um papel fundamental na regulação climática, na promoção da biodiversidade e no bem-estar da população, sobretudo nas cidades do sul da Europa como Lisboa, cada vez mais expostas a eventos climáticos extremos. Este estudo avalia a vulnerabilidade de 318 espécies arbóreas (19.579 espécimes) em 63 jardins históricos de Lisboa, tendo como referência as condições climáticas atuais (2020) e projeções para 2050 e 2090. A análise baseou-se em dados disponibilizados pela Climate Assessment Tool (CAT), desenvolvida pela Climate Change Alliance of Botanic Gardens em colaboração com o Botanic Gardens Conservation International (BGCI), e adaptada ao contexto do arvoredo urbano de Lisboa. A ferramenta compara as condições climáticas das áreas de ocorrência das espécies com cenários climáticos futuros, permitindo avaliar a sua adequação climática, bem como os níveis de vulnerabilidade e resiliência. Os resultados deste estudo evidenciam uma predominância de espécies da região Paleártica, muitas delas nativas. Mais de 50% destas espécies apresentam elevada vulnerabilidade, podendo esse valor atingir 77% nos cenários mais pessimistas. Em contraste, várias espécies de origem neotropical revelam uma maior capacidade de adaptação. Estes resultados evidenciam a necessidade de integrar critérios climáticos no planeamento e gestão urbana, contribuindo para apoiar decisores, projetistas e técnicos municipais na transição de uma conservação passiva para uma abordagem proativa centrada na resiliência. Evaluating urban tree monumentality: a socio-political, spatial and ecological analysis of a contested jacaranda tree in Lisbon 1: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves" (CEABN), Instituto Superior de Agronomia, University of Lisbon, Lisbon, Portugal; 2: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Associated Laboratory TERRA, Instituto Superior de Agronomia, University of Lisbon, Lisbon, Portugal; 3: Laboratory of Plant Pathology "Veríssimo de Almeida", Instituto Superior de Agronomia, University of Lisbon, Lisbon, Portugal; 4: Independent Researcher; 5: Institute of Philosophy of the NOVA University of Lisbon (IFILNOVA); 6: University of Padua This study is framed within a broader strategic effort to develop a citywide network of monumental trees in Lisbon. Within urban ecosystems, monumental trees—including those formally classified in Portugal as Trees of Public Interest (AIP) under Law n. 53/2012—function as key elements of sustainable planning. However, current management approaches remain largely reactive, focusing on the protection of existing specimens rather than on the identification of future candidates. In this context, the project proposes a shift towards a more proactive framework by assessing monumentality beyond purely biological criteria. Jacaranda mimosifolia represents a fascinating paradox within Lisbon’s urban forest. Despite being an allochthonous species native to South America, it has become one of the city's most iconic visual symbols. According to the municipal street tree inventory, Lisbon hosts 3,981 specimens, making it the second most frequent species and accounting for approximately 5% of the total street tree population. Its abundance produces a profound sensory transformation of the urban landscape during the flowering season. At the same time, the presence of jacarandas increasingly intersects with socio-political dimensions. Recent conflicts, such as the 2025 controversy involving the redevelopment of 5 de Outubro Avenue, demonstrate how these trees can act as catalysts for civic mobilization, reflecting their integration into Lisbon's collective visual identity. This study adopts a mixed-methods approach around a specific case study: an exceptionally large, enigmatic, and controversial jacaranda specimen in Lisbon’s historic center, currently under pressure from urban development. To evaluate its potential eligibility for AIP classification, the analysis expands across three complementary axes. The socio-political and historiographical dimension explores the tree’s cultural significance through interviews, surveys and archival research, highlighting how local narratives and collective perceptions shape its value. The spatial dimension analyses the distribution of jacarandas across the city using GIS, linking their presence to socio-economic patterns and broader processes of urban landscape formation. The ecological dimension considers the species’ long-term performance under Mediterranean climate conditions, including its resilience to drought stress and potential risks associated with future shifts in invasiveness. The results indicate that the value attributed to urban trees cannot be understood solely through their biological characteristics. Rather, monumentality emerges from the intersection of ecological function, spatial context and socio-cultural meaning. The case study further illustrates how certain species, although non-native, may become embedded in the visual identity and collective memory of a city, while simultaneously raising ecological and management challenges. In Lisbon, Jacaranda mimosifolia transcends its biological status, positioning itself as a complex biocultural entity. Transitioning to a proactive management of "future monumental trees" requires balancing aesthetic value against ecological risks. Ultimately, protecting specimens like the case-study jacaranda is a vital negotiation regarding the visual identity, socio-ecological resilience, and democratic space of the future city. Os dragoeiros em contexto urbano no Arquipélago da Madeira: hipóteses das causas de perda de vitalidade 1: Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM, Quinta Vila Passos, 9054-505 Funchal, Portugal; 2: Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM, Quinta Vila Passos, 9054-505 Funchal, Portugal; 3: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda 1349-017 Lisboa, Portugal; 4: Natureza Verde, Rua das Flores, 14, 4770-573, S. Cosme do Vale, Vila Nova de Famalição, Portugal; 5: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda 1349-017 Lisboa, Portugal No universo da globalização acelerada e crescente, a atividade fitossanitária florestal manifesta-se pela importância que a floresta encerra e a necessidade de a tornar mais resiliente às crescentes ameaças externas, tamponando a entrada de agentes bióticos nocivos através da prevenção e deteção precoce dos mesmos. No entanto, as ameaças podem também advir de fatores internos, impercetíveis e muitas vezes pouco questionados. Nos dragoeiros, a presença de raízes adventícias nas ramificações da copa, a clorose das folhas, a instabilidade dos caules, a resposta lenta à aplicação de fitofármacos, a morte de exemplares sem causa aparente, a inexistência de agentes bióticos nocivos nos tecidos analisados laboratorialmente, abre um amplo leque de múltiplas hipóteses que importa considerar e testar. A partir de um inventário de dragoeiros em vários locais, inlcuindo o recurso a imagens de drone, são consideradas várias hipóteses sobre as quais se desenvolveu o presente trabalho, nomeadamente: alelopatia, ensombramento da copa, alterações climáticas, condições edafoclimáticas, presença de agentes bióticos nocivos, e uso de fitofármacos. Este trabalho pretende conhecer as possíveis limitações que, atualmente, conduzem à perda de vitalidade dos dragoeiros em contexto urbano na Madeira. | ||