Programa da conferência
Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
|
Vista diária |
| Sessão | ||
T2.4 - Os desafios
| ||
| Apresentações | ||
Planeamento da reflorestação de produtos lenhosos e não lenhosos com base na informação climática em Portugal 1: Instituto Politécnico de Castelo Branco. Escola Superior Agrária, Portugal; 2: Centro de Estudos em Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade-Instituto Politécnico de Castelo Branco (CERNAS –IPCB). Quinta da Senhora de Mércules, 6001-909 Castelo Branco, Portugal; 3: MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora, Portugal; 4: Centro de Estudos Florestais (CEF), Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia (ISA). Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal Este estudo explora o potencial de reflorestação em Portugal que poderá equilibrar a produção lenhosa e não lenhosa em futuros cenários de alterações climáticas. Foram usados Modelos de Envelope Ecológicos (MEE) com três objetivos principais: (1) modelar a distribuição atual de espécies florestais portuguesas chave — eucalipto, pinheiro-bravo, pinheiros-manso, castanheiro e sobreiro — com base na sua adequação à produção lenhosa e não lenhosa, (2) projetar a sua distribuição potencial para os anos de 2070 e 2090 em dois cenários de aquecimento global (Shared Socioeconomic Pathway – SSP): SSP2–4.5 (moderado) e SSP5–8.5 (elevadas emissões) e (3) gerar mapas integrados de distribuição de espécies, identificando zonas de elevada adequabilidade, tanto atuais como futuras, para apoiar o planeamento da reflorestação, incluindo florestas mistas e em mosaico, refletindo a compatibilidade climática sob limiares fixos. Os MEE atuais das espécies foram produzidos utilizando um modelo Booleano aditivo com um conjunto de variáveis ambientais (relacionadas com a temperatura, a precipitação, a altitude e o solo) específicas para cada espécie. Os atuais Modelos de Envelope Ecológicos das espécies foram validados com recurso a dados de Inventário Florestal Nacional (IFN6) e da Carta de Uso e Ocupação do Solo (COS) para 2018, tendo-se obtido uma boa concordância (>99%). Prevê-se que, até ao final do século XXI, ocorram reduções acentuadas na aptidão das espécies, especialmente para o castanheiro (36–44%) e o pinheiro-bravo (25–35%). A incorporação de medidas de silvicultura preventiva no planeamento da reflorestação é essencial para garantir a produção de plantações mais resilientes e mais próximas dos ecossistemas naturais, apostando em florestas mistas e em mosaico, de acordo com a adequabilidade das espécies em futuros cenários de aquecimento global. Trabalho financiado FCT: CERNAS, UID/681/2025 (https://doi.org/10.54499/UID/00681/2025), CEF, UID/00239/2025 (10.54499/UID/00239/2025) e UID/PRR/00239/2025 (10.54499/UID/PRR/00239/2025), Laboratório Associado TERRA, LA/P/0092/2020 (10.54499/LA/P/0092/2020), MED (https://doi.org/10.54499/UID/05183/2025) e Laboratório Associado CHANGE (https://doi.org/10.54499/LA/P/0121/2020). Percentis baixos da altura da base da copa expressam melhor a base da copa do povoamento do que a correspondente média Centro de Estudos Florestais (CEF), Instituto Superior de Agronomia (ISA), Universidade de Lisboa, Portugal A altura da base da copa (CBH) é uma variável fundamental na avaliação do potencial de transição do fogo de superfície para fogo de copas. Apesar da sua relevância operacional, a CBH é frequentemente estimada como a média da altura da base da copa das árvores do povoamento, assumindo que este valor representa adequadamente a estrutura vertical do combustível. No entanto, a continuidade vertical do combustível relevante para a transição inicial do fogo de superfície para a copa depende sobretudo dos estratos inferiores da copa e não da posição média da distribuição. Neste estudo, avaliou-se a relação entre a CBH derivada da densidade aparente da copa (CBD) e a distribuição empírica da altura da base da copa (hbc) em povoamentos regulares de Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) em Portugal. Foram analisadas 838 medições provenientes de 169 parcelas permanentes da base de dados PINASTER. Para cada povoamento foi identificada a altura em que a CBD ultrapassa o limiar crítico de 0,012 kg m⁻³ e determinada a sua posição na distribuição de hbc. Os resultados demonstraram que a CBH associada à continuidade vertical do combustível não corresponde à média da distribuição de hbc, ocorrendo tipicamente em percentis baixos, frequentemente próximos do percentil 10. Observou-se ainda que o percentil correspondente varia com a estrutura do povoamento, sendo geralmente mais baixo em povoamentos mais densos e com maior área basal. Conclui-se que a utilização exclusiva da média tende a sobrestimar a altura efetiva à qual existe continuidade vertical suficiente para suportar a propagação do fogo. Embora a CBH associada à continuidade do combustível corresponda frequentemente a percentis próximos do percentil 10, a sua posição varia em função da estrutura do povoamento, não existindo um percentil universalmente aplicável. Os percentis baixos da distribuição de hbc constituem, por isso, uma representação mais consistente da base da copa quando o objetivo é caracterizar a continuidade vertical do combustível, oferecendo uma alternativa complementar às métricas tradicionalmente utilizadas na modelação do comportamento do fogo. Estes resultados estabelecem uma ligação direta entre definições físicas de continuidade vertical do combustível e a estrutura empírica dos povoamentos, contribuindo para uma representação mais realista da base da copa em aplicações de comportamento do fogo. Assessing long-term spatial patterns of oak mortality using the national database of cutting requests Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", Portugal Cork oak (Quercus suber L.) and holm oak (Quercus rotundifolia Lam.) are key species in Mediterranean oak woodlands and silvopastoral systems in the Iberian Peninsula named montados in Portugal and dehesas in Spain. Montados and dehesas have high ecological and socio-economic value, but these systems, among other challenges, are threatened by high adult oak mortality. Previous research focused on identifying mortality drivers such as pathogens, effects of climatic change, or inadequate management practices, but oak mortality spatial and temporal variability received less attention. Here we use the national database of cutting requests from the Portuguese Forest Authority (ICNF) as a proxy for cork and holm oak mortality to characterize spatial patterns and identify main regional areas of mortality in Portugal for the between 1997 and 2019. We use a structured data selection protocol for retaining mortality-related records for both oak species. We use Average Nearest Neighbor (ANN), Incremental Spatial Autocorrelation (ISA), and Getis–Ord Gi* hotspot analysis at two complementary scales: local (1 km) and regional (10 km) for oak mortality spatial analysis. Results show that oak mortality is strongly spatially aggregated and deviates significantly from a random spatial distribution. There are areas consistently concentrating high oak mortality, although spatial patterns vary with scale. Cork oak shows areas concentrating high mortality namely in Ribatejo region with additional mortality concentration in southern and coastal regions in Alentejo. In contrast, holm oak shows more fragmented mortality spatial patterns, with recurrent areas of high mortality in the regions of Alentejo (Évora and Beja districts) and Beira Baixa, (Castelo Branco). Our results suggest that public administration records on tree mortality may be used to get ecological insights and support spatial monitoring of oak mortality. Additionally, identification of areas concentrating high oak mortality will contribute to prioritize ground truth measurements, and potential conservation and forest management strategies. Finally, identifying areas that consistently concentrate high oak mortality may also contribute to identify and integrate main environmental and management variables driving oak mortality in such regions. Conta de cultura do pinhal-bravo com resinagem: rentabilidade, emprego rural e bioeconomia em territórios de baixa densidade 1: Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Portugal; 2: Departamento de Matemática, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC-TEC), Portugal; 3: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista (CIFAP), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Portugal; 4: RESIPINUS, Portugal; 5: Centro PINUS, Portugal O pinheiro-bravo (Pinus pinaster Ait.) ocupa cerca de 713 000 ha em Portugal continental e sustenta fileiras chave como a madeira e a resina, com forte relevância económica e social em territórios rurais de baixa densidade. A resinagem, quando integrada na gestão dos povoamentos, pode acrescentar valor económico, gerar emprego local e contribuir para a redução do risco de incêndio, ao promover maior presença de trabalhadores na floresta e a manutenção de áreas com controlo de vegetação espontânea. Contudo, a decisão de investir nesta atividade exige ferramentas que articulem a dimensão técnico silvícola com a análise económico financeira, permitindo ao proprietário e aos decisores públicos avaliar a viabilidade e comparar modelos de gestão alternativos. Neste contexto, foi desenvolvido um modelo de conta de cultura em formato Excel para a exploração conjunta de madeira e resina em pinhal bravo, com base em dados técnico económicos da literatura, tabelas de custos de referência da CAOF, consulta de mercado e simulações de crescimento com o modelo ModisPinaster. O modelo permite configurar cenários combinando origem do povoamento (plantação ou condução da regeneração natural), qualidade de estação (baixa, média, alta), número e idade dos desbastes, opções de resinagem (vida ou morte) e horizonte de 40 anos. A conta de cultura integra fluxos anuais de custos de instalação e de exploração e de rendimentos provenientes da venda de madeira e da concessão da resinagem, permitindo calcular indicadores como o Valor Atual Líquido, a Anuidade, a Taxa Interna de Rentabilidade e o rácio Benefício Custo, através do método dos preços constantes. Os resultados evidenciam que a inclusão da resinagem aumenta de forma consistente a rentabilidade dos projetos florestais, ao introduzir entradas de capital regulares que encurtam os intervalos entre receitas de madeira. Os cenários baseados na condução da regeneração natural revelam-se, em geral, mais vantajosos do que os de plantação, por evitarem custos iniciais elevados e explorarem a regeneração existente, especialmente quando associados a desbastes programados e resinagem intensiva nos anos finais (resinagem morte). Observa-se ainda que o impacto relativo da resinagem sobre o Valor Atual Líquido é particularmente relevante em povoamentos com menores diâmetros médios, onde a perda de crescimento em madeira é compensada pelo acréscimo de receita da resina. Este modelo constitui uma ferramenta de apoio à decisão para proprietários, gestores, técnicos e entidades públicas, ao tornar explícitos os compromissos entre produção de madeira, extração de resina, emprego rural e mitigação do risco de incêndio. Ao permitir testar cenários adaptados a diferentes qualidades de estação e estratégias de gestão, contribui para uma bioeconomia florestal mais resiliente e para reforçar as conexões sustentáveis entre floresta, pessoas e território nas regiões dependentes do pinhal bravo. Agradecimentos: Este trabalho é financiado pelo projeto I&D integrado Resina Natural 21 suportado pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência e pelos Fundos Europeus NextGeneration EU, e por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito dos projetos UID/04011/2025 (http://doi.org/10.54499/UID/04011/2025); e UID/50014/2025 (https://doi.org/10.54499/UID/50014/2025) Chestnut microbiome as a resource for biological sisease control and climate resilience 1: Centro de Investigação de Montanha (CIMO), Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal; 2: Deifil Technology Lda., Rua do Talho 80 – Serzedelo, 4830-704 Póvoa de Lanhoso Chestnut trees (Castanea sativa) are important forest and agricultural plants in northern and central Portugal, holding significant ecological, economic, and cultural value. However, chestnut ecosystems are increasingly threatened by a combination of devastating diseases and the growing impacts of climate change. Pathogens such as Phytophthora cinnamomi, responsible for ink disease, Cryphonectria parasitica, the causal agent of chestnut blight, and the more recently emerged Sirococcus (=Gnomoniopsis) smithogilvyi, associated with brown rot of nuts, pose severe and compounding threats to tree health and productivity. These biotic stresses are further intensified by abiotic pressures, particularly drought and extreme temperature events, which weaken tree defenses and create conditions more favorable to pathogen spread. Conventional disease management strategies, largely reliant on chemical inputs, are increasingly recognized as insufficient and environmentally unsustainable, underscoring the urgent need for innovative, nature-based approaches that can simultaneously address disease pressure, promote plant vigor, and enhance resilience to environmental stress. In this context, we sought to develop microbial formulations with biostimulant properties that promote chestnut phytosanitary health and climate resilience, reduce dependence on chemical inputs, and advance a regenerative agricultural model. Microorganisms were isolated from healthy and declining chestnut ecosystems, sampled across reproductive and vegetative chestnut tissues and rhizospheric soil to capture the microbial diversity naturally associated with these environments. A preliminary screening evaluated the biotechnological potential of the recovered isolates. Antagonistic activity against the three pathogens was assessed in vitro using dual-culture assays, with several isolates showing inhibitory effects against one or more pathogens, indicating promising biocontrol potential. Isolates were also screened for plant growth-promoting traits: phosphate solubilization was assessed on Pikovskaya medium, and siderophore production using Chrome Azurol S agar. Multiple isolates tested positive for both traits, suggesting roles in nutrient mobilization, iron acquisition, and enhanced stress tolerance. To further characterise associated microbial communities, bacterial and fungal diversity in the rhizospheric soil is being assessed through 16S rRNA and ITS amplicon sequencing, complemented by qPCR quantification of key pathogens, providing both culture-based and community-level perspectives on the chestnut microbiome. These results revealed a diverse and potentially valuable microbial community naturally associated with chestnut, with promising applications in sustainable disease management and climate adaptation. The most encouraging isolates will be characterised at the molecular and functional level and integrated into microbial consortia, with a view to developing bio-based formulations improving chestnut phytosanitary status and resilience to climate stress, contributing to a more sustainable model of chestnut forest management. | ||