Programa da conferência
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T2.2 - Os desafios
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Paisagem, abandono rural e incêndios: limites das políticas públicas em Portugal 1: Universidade of Aveiro, Portugal; 2: Centro PINUS Os incêndios rurais ocorridos em Portugal Continental em 2024 evidenciaram, uma vez mais, a forte vulnerabilidade estrutural de determinados territórios do Centro e Norte do país perante episódios meteorológicos extremos. Apesar da redução relativa do número total de ocorrências, a área ardida concentrou-se num curto período temporal e em territórios marcados pela continuidade florestal, reduzida fragmentação agrícola e elevada acumulação de combustível vegetal. A severidade observada em distritos como Viseu, Aveiro, Vila Real ou Braga sugere que o problema dos incêndios rurais não pode ser interpretado apenas como resultado de condições climáticas extremas ou da ocorrência de ignições, mas também como expressão territorial de transformações estruturais profundas das paisagens rurais portuguesas. Partindo da análise espacial e temporal dos incêndios de 2024, este trabalho procura discutir criticamente a evolução das políticas públicas de gestão coletiva da floresta e da paisagem em Portugal nas últimas duas décadas. Em particular, analisa-se a forma como sucessivos governos procuraram responder ao problema da fragmentação fundiária, do abandono agrícola e da crescente continuidade florestal através de instrumentos como as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) e, mais recentemente, as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). As ZIF, criadas após os grandes incêndios de 2003 e 2005, procuraram promover formas de gestão conjunta em territórios marcados pela micropropriedade e pela dispersão parcelar, apostando na coordenação entre proprietários e na profissionalização da gestão florestal. Após os incêndios de 2017, emerge um novo paradigma centrado na “gestão da paisagem”, traduzido no Programa de Transformação da Paisagem, que inclui as AIGP, procurando reforçar a diversificação dos usos do solo, a redução da continuidade dos combustíveis e a reconstrução de mosaicos agroflorestais mais resilientes ao fogo. Contudo, os padrões territoriais observados em 2024 sugerem que estas políticas continuam a enfrentar limitações estruturais profundas. Apesar da evolução conceptual das políticas públicas, da gestão florestal para a gestão integrada da paisagem, persistem territórios particularmente vulneráveis aos grandes incêndios, marcados por despovoamento, envelhecimento demográfico, retração da atividade agrícola e fraca capacidade de gestão ativa do território. Neste contexto, a persistência de incêndios severos em áreas de forte continuidade florestal sugere que os instrumentos de gestão coletiva têm revelado dificuldades em contrariar os processos socioeconómicos que alimentam a vulnerabilidade estrutural das paisagens rurais portuguesas. O trabalho defende, assim, que a prevenção estrutural dos incêndios rurais exige mais do que instrumentos técnicos de coordenação fundiária ou gestão florestal. Exige igualmente políticas capazes de enfrentar os processos de abandono rural, fragilidade económica e simplificação territorial que continuam a moldar a paisagem portuguesa e a aumentar a exposição de determinados territórios aos grandes incêndios. Atlas de Área Queimada de Portugal (BAAP): nova cartografia baseada numa série temporal Landsat consistente para Portugal continental (1985–2025) 1: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 2: GRAS Global Risk Assessment Services GmbH, 50672 Köln, Deutschland, Germany A disponibilidade de séries temporais consistentes de cartografia de área ardida é fundamental para compreender a dinâmica do fogo, avaliar alterações nos regimes do fogo num contexto de mudanças climáticas e transformações do uso do solo, e apoiar a gestão florestal. Em Portugal, embora exista cartografia oficial de áreas ardidas, alterações metodológicas ao longo do tempo e a reduzida representação de fogos associados ao período de inverno, principalmente nos anos iniciais da série temporal, condicionam as análises de recorrência, frequência e sazonalidade do fogo. Neste contexto, este trabalho apresenta o Burned Area Atlas of Portugal (BAAP), um novo atlas anual de área ardida para Portugal continental cobrindo o período 1985–2025, produzido a partir do arquivo Landsat através de metodologias de deep learning (aprendizagem profunda) e análise multitemporal de imagens de satélite. A metodologia foi desenvolvida com o objetivo de garantir consistência temporal ao longo de todo o período, melhorando simultaneamente a deteção de áreas queimadas de verão e de inverno. Foram produzidas imagens compostas multibanda anuais, baseados em critérios de alteração espectral associados ao fogo, posteriormente utilizados como dados de entrada para uma arquitetura convolucional do tipo U-Net. O treino do modelo recorreu a anos contrastantes, que representam a variabilidade do regime do fogo, condições sazonais e contextos paisagísticos. O processo de classificação integra ainda várias abordagens inovadoras, incluindo filtragem temporal de séries espectrais, modelação em ensemble (treino de 10 modelos independentes), e inclusão de variáveis espectrais interanuais para evitar a classificação repetida de área ardidas entre anos consecutivos. A validação com dados oficiais independentes para o período 2022–2025 revelou elevados níveis de desempenho, com valores anuais médios de Matthews Correlation Coefficient (MCC) e F1-score próximos de 0,84 e 0,83, respetivamente. O desempenho foi superior durante a época de verão (maio a outubro), refletindo uma maior separabilidade espectral das áreas ardidas, enquanto os resultados do restante período anual apresentaram maior incerteza devido à menor severidade do fogo, maior cobertura de nuvens e limitações na datação temporal dos eventos. Ainda assim, o atlas reproduz de forma robusta a distribuição espacial e temporal das áreas ardidas em Portugal. No período 1985–2025, o BAAP estima uma área ardida total próxima de 4 952 100 ha, dos quais 295 200 ha (cerca de 6%) ocorreram durante a época de inverno. O produto melhora significativamente a representação dos fogos de inverno e de baixa intensidade ao longo da série, frequentemente sub-representados em outros produtos de áreas queimadas para Portugal. Para além do seu valor enquanto registo histórico, o BAAP constitui uma base sólida para múltiplas aplicações à escala nacional, incluindo análise de frequência e recorrência do fogo, avaliação do tempo desde o último fogo, caracterização de regimes de fogo, modelação ecológica, análise de perigosidade e apoio ao planeamento e gestão do território. O atlas será disponibilizado em regime de acesso livre, permitindo a sua utilização transversal pela comunidade científica e técnica do sector florestal e de planeamento do território. Encontra-se igualmente em curso o alargamento da série temporal até 1975, através da integração do arquivo Landsat MSS. Metas anuais de fogo sob prescrição em Áreas de Elevada Recorrência: estratégia para a governança do risco e resiliência rural em Portugal 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: AGIF, Portugal A exclusão sistemática do fogo em ecossistemas mediterrânicos tem-se revelado uma estratégia inviável e contrária ao seu equilíbrio ecológico, contribuindo para a acumulação crítica de combustível e a ocorrência de grandes incêndios rurais em condições de elevada severidade. É urgente diminuir o impacto dos incêndios e aumentar a resiliência dos espaços rurais. Neste contexto, o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) enfrenta o desafio estratégico de transitar de um modelo focado quase exclusivamente na supressão imediata para uma abordagem de gestão ativa do fogo. O presente trabalho propõe metas anuais de fogo sob prescrição — englobando fogo planeado (fogo controlado e queimadas autorizadas) e fogo de gestão — especificamente direcionadas para áreas não arborizadas de elevada recorrência de incêndios, visando apoiar a governança do risco e aumentar a resiliência do território rural. A metodologia fundamentou-se na análise de 23 anos de histórico de incêndios (2001-2023) para delimitar as Áreas de Elevada Recorrência do Fogo (AERF). Foram identificadas áreas prioritárias (AERFpr), com recorrência igual ou superior a três vezes e manchas contínuas superiores a 10 ha, e áreas potenciais (AERFpo), que integram uma envolvente operacional de 200 metros para facilitar o planeamento e a segurança das intervenções. O estudo utilizou variáveis como o número de anos desde o último fogo (NAUF) e o intervalo médio de recorrência para definir janelas de oportunidade técnica e de segurança. As áreas prioritárias totalizam 99.222 ha, enquanto as áreas potenciais se estendem por 157.365 ha em Portugal continental. Com base num ciclo de gestão de oito anos, propõe-se uma meta anual de tratamento de 19.671 ha em matos, vegetação esparsa e pastagens. Esta meta subdivide-se em 12.403 ha/ano de fogo planeado (fogo controlado e queimadas) nas áreas prioritárias e 7.268 ha/ano a serem geridos como fogo de gestão nas áreas potenciais, aproveitando estrategicamente as ignições que ocorram dentro de condições de prescrição meteorológica pré-definidas. A expansão do uso do fogo sob prescrição nos territórios cartografados pretende transformar um risco persistente numa oportunidade preventiva, pretendendo legitimar práticas culturais de uso do fogo, como as queimadas pastoris. Para fortalecer a governança do risco, recomendam-se as seguintes ações:
A adoção destas metas é fundamental para assegurar a continuidade operacional e a eficácia das políticas de prevenção estrutural. O uso planeado do "fogo bom" permite diminuir a severidade dos incêndios rurais e o impacto de eventos meteorológicos extremos, garantindo a sustentabilidade da gestão agro-silvo-pastoril e a proteção do património natural. Uma abordagem multimodelo para avaliar a vulnerabilidade de infraestruturas críticas a fogos rurais 1: Univ Coimbra, ADAI, Departamento de Engenharia Mecânica, Rua Luís Reis Santos, Pólo II, 3030-788 Coimbra, Portugal; 2: CESAM & Departamento de Ambiente e Planeamento, Universidade de Aveiro, 3810-193 Aveiro, Portugal A resiliência de infraestruturas críticas face à ameaça crescente de fogos rurais constitui um pilar fundamental da segurança e da estabilidade económica de qualquer país. Nas últimas décadas, as alterações socioeconómicas e climáticas conduziram a um alargamento das regiões vulneráveis aos fogos rurais, colocando em risco infraestruturas já existentes cuja conceção não contemplou a nova magnitude desse risco. Este trabalho apresenta uma avaliação exaustiva da vulnerabilidade de uma instalação crítica de geração de energia, através de uma metodologia que emprega diferentes modelos para o cálculo da radiação, temperatura do ar, deposição de cinzas e fagulhas na instalação, decorrentes de um potencial incêndio na zona circundante. Por motivos de confidencialidade, todos os dados espaciais foram anonimizados. Delinearam-se duas zonas geográficas: 1) de Paisagem (20x15km²) para simular interações de larga escala e 2) Direta (4x3km²) focada na vulnerabilidade estrutural. Foram usados dados orográficos de alta resolução (50cm) e de vegetação obtidos de diversas fontes e reclassificados de acordo com os modelos de combustível de Scott & Burgan. Utilizaram-se diferentes simuladores para o estudo, criando cenários com múltiplas ignições simultâneas e meteorologia típica: WindStation (campo de vento tridimensional), FireStation (comportamento do fogo), DISPERFIRE (dispersão de poluentes atmosféricos) e FlamMap (projeção de partículas incandescentes). Os resultados demonstraram que a infraestrutura apresenta uma vulnerabilidade estrutural reduzida face ao impacto térmico direto, com probabilidade de dano significativo de média a baixa. Tal deve-se à escassa continuidade horizontal da vegetação no perímetro imediato, o que impede a manutenção de frentes de fogo intensas junto aos edifícios. O fluxo de calor radiante incidente, avaliado por meio de uma adaptação da metodologia australiana Bushfire Attack Level, situou-se abaixo de 19kW/m², um nível considerado seguro para materiais de construção resilientes, como o betão. Adicionalmente, as simulações indicam que as temperaturas do ar no perímetro permanecem geralmente abaixo dos 50-60°C. O estudo identifica a projeção de fagulhas como o principal mecanismo de ignição potencial. A sua modelação revelou que, em alguns cenários, estas podem alcançar até 450m da frente de fogo. Adicionalmente, as concentrações de material particulado e a deposição de cinzas mostraram-se altamente dependentes da direção do vento e da localização da ignição. Cenários associados a ventos do quadrante sul originam os impactos mais significativos, traduzindo-se em maiores taxas de deposição de cinzas, com potencial para comprometer a eficiência operacional, a integridade funcional e a segurança dos sistemas de admissão e filtragem de ar. Conclui-se que a resiliência destas unidades exige a integração dinâmica do fogo no planeamento operacional, recomendando-se a adoção de boas práticas de proteção passiva. Financiamento Financiamento parcial FCT (ror.org/00snfqn58) e proj. UID/50022/2025, doi.org/10.54499/UID/50022/2025; LA/P/0079/2020, doi.org/10.54499/LA/P/0079/2020, UID/50017/2025, doi.org/10.54499/UID/50017/2025, LA/P/0094/2020 doi.org/10.54499/LA/P/0094/2020 e doi.org/10.54499/2023.17415.ICDT. Para efeitos de Acesso Aberto, o autor aplicou uma licença de direitos de autor pública CC-BY (creativecommons.org/licenses/by/4.0) a qualquer versão do Manuscrito Aceite pelo Autor (AAM) resultante desta submissão. Igualdade de género na gestão de fogos rurais: evidências para um sistema mais inclusivo 1: Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo - CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais - AGIF, Portugal A promoção da igualdade entre mulheres e homens assume-se como um princípio estruturante das políticas públicas, representando um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa e estando alinhado com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Alinhado com estas orientações, o projeto FoR-IG– Primeiro Diagnóstico sobre Igualdade de Género no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), desenvolvido, entre 2024 e 2026, pelo CoLAB ForestWISE e promovido pela AGIF e pela CIG, revela-se como um instrumento de apoio à tomada de decisão e à formulação de políticas públicas para uma maior igualdade de género no SGIFR. Nesta comunicação são apresentados alguns dos resultados obtidos no projeto FoR-IG, que teve como principal objetivo caracterizar a situação da igualdade de género nas entidades do SGIFR, identificar barreiras estruturais, organizacionais e culturais e propor recomendações para a promoção de ambientes laborais mais inclusivos e igualitários. A investigação adotou uma abordagem metodológica mista, combinando métodos quantitativos e qualitativos. Foi realizada uma revisão de literatura, tendo também sido conduzidas entrevistas exploratórias a pessoas de entidades de gestão do fogo internacionais, e aplicados inquéritos por questionário e por entrevista a pessoas trabalhadoras do SGIFR. No final deste processo, foram realizados Focus Groups, envolvendo pessoas trabalhadoras do SGIFR nos perfis de liderança, técnico e operacional, com o objetivo de aprofundar a discussão sobre as barreiras e as oportunidades para a igualdade de género no sistema. Os resultados evidenciam uma reduzida representatividade feminina nas entidades do SGIFR, tanto a nível horizontal como vertical, verificando-se ainda segregação nos cargos. Identificaram-se igualmente dificuldades de conciliação entre vida profissional, pessoal e familiar, sobretudo associadas a cargos de liderança e operacionais, que exigem maior disponibilidade e deslocações e contam com maior imprevisibilidade. Estas dificuldades têm impacto acrescido sobre as mulheres devido às responsabilidades com as tarefas domésticas e de cuidado de filhos/as, que ainda recaem sobretudo sobre estas. Foram ainda observadas dinâmicas interpessoais não igualitárias no âmbito laboral, incluindo desvalorização das competências femininas, distribuição diferenciada de funções e situações de assédio moral e/ou sexual, bem como insuficiência de condições para o seu reporte. Com base nos resultados obtidos, o diagnóstico propõe uma reflexão centrada na transformação institucional do SGIFR, defendendo a integração da perspetiva de género nas políticas, na prática e na cultura organizacional. São, ainda, apresentadas recomendações e medidas que podem apoiar/inspirar o desenho e teste de soluções no ecossistema do SGIFR, promovidas pelas entidades do setor e com envolvimento das pessoas trabalhadoras, que atuem na promoção da representatividade feminina horizontal e vertical, na mitigação da influência dos aspetos do trabalho na conciliação e na promoção de dinâmicas interpessoais igualitárias. Monitorização de polinizadores em áreas florestais do Parque Natural de Sintra-Cascais: uma década de conhecimento para apoiar a gestão sustentável Cascais Ambiente, Portugal Num contexto de alterações globais, incluindo mudanças climáticas, fragmentação de habitats e intensificação da gestão da paisagem, a monitorização de insetos polinizadores constitui uma ferramenta essencial para avaliar a integridade ecológica e apoiar estratégias de gestão sustentável em ecossistemas florestais mediterrânicos. No concelho de Cascais, parcialmente integrado no Parque Natural de Sintra-Cascais, decorre desde 2015 um programa contínuo de monitorização de borboletas diurnas, complementado em 2023 pela integração na Rede de Estações de Borboletas Noturnas (REBN). Em 2024, no âmbito do projeto LIFE ResLand, este esforço foi alargado a outros grupos de insetos polinizadores, permitindo avaliar a resposta da biodiversidade a intervenções de gestão orientadas para o aumento da resiliência da paisagem ao fogo. Este trabalho visa avaliar a evolução temporal da riqueza específica e frequência relativa de polinizadores em áreas florestais e peri-florestais do concelho de Cascais, analisar a resposta de diferentes grupos de insetos a intervenções de gestão ecológica e produzir conhecimento aplicado que sustente decisões de conservação e gestão florestal multifuncional. A monitorização decorre mensalmente entre fevereiro e novembro, em 23 transectos até 500 m, distribuídos por diferentes tipologias de habitat, incluindo galerias ripícolas, floresta nativa, matos e culturas forrageiras. As amostragens são efetuadas através de registo visual, rede entomológica, aspirador entomológico, documentação fotográfica e identificação taxonómica com base em bibliografia especializada e plataformas de referência. São igualmente registadas variáveis ambientais, incluindo temperatura, nebulosidade e intensidade do vento. Ao longo de onze anos foi construída uma base de dados robusta sobre a ocorrência de lepidópteros no município, sobretudo no Parque Natural de Sintra-Cascais, permitindo atualizar o inventário municipal de 229 para 378 espécies (janeiro de 2026), incluindo espécies de interesse de conservação constantes do Plano Setorial da Rede Natura 2000. No âmbito do LIFE ResLand, o primeiro ano de monitorização registou 185 espécies de polinizadores pertencentes a seis ordens, das quais 111 identificadas ao nível específico. No segundo ano foram registadas 310 espécies, correspondendo a um aumento global de 59,7%, com incrementos em Coleoptera (+50,8%), Diptera (+47,6%), Hemiptera (+66,7%), Hymenoptera (+45,3%) e Orthoptera (+16,7%), embora se tenha observado uma diminuição em Lepidoptera (-22,5%). Estes resultados sugerem uma resposta ecológica positiva das comunidades de polinizadores às intervenções implementadas, nomeadamente abertura de clareiras, fogo controlado e promoção da silvopastorícia. A experiência de Cascais demonstra que programas de monitorização ecológica de longo prazo, articulados com gestão ativa da paisagem e sensibilização pública - reforçada desde 2013 pelo Borboletário João Pedro Cardoso da Conceição - constituem uma base sólida para gerar conhecimento científico aplicado. Esta abordagem integrada contribui para soluções concretas de gestão florestal sustentável, promovendo paisagens mais resilientes, funcionais e favoráveis à conservação dos polinizadores. | ||