Programa da conferência
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Simpósio 14a - Agenda transForm: Inovação e digitalização na gestão de florestas resilientes
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Análise de características morfológicas e fisiológicas para seleção precoce de tolerância à seca em Eucalyptus spp. 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P.; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 3: Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 4: ALTRI Florestal, S.A.; 5: RAIZ: Instituto de Investigação da Floresta e Papel, The Navigator Company As plantações de Eucalyptus spp. ocupam 844 mil hectares em Portugal (26% da área florestal). O aumento da frequência e severidade de secas e ondas de calor tem reduzido a produtividade e provocado mortalidade localizada, ameaçando a sustentabilidade das plantações de eucalipto e reforçando a necessidade de materiais mais tolerantes ao défice hídrico. A geração contínua de novos genótipos e o agravamento da escassez hídrica, tornam essenciais ferramentas de seleção simples, rápidas e escaláveis, capazes de identificar indicadores precoces de tolerância à seca e apoiar o desenvolvimento de protocolos de seleção. Neste contexto, a monitorização de parâmetros morfológicos e fisiológicos assume particular relevância. Este trabalho avaliou vinte genótipos de Eucalyptus spp. em ambiente controlado (INIAV, Oeiras), incluindo catorze clones de E. globulus e seis híbridos. Entre setembro e outubro de 2024, as plantas foram mantidas em condições ótimas, para avaliar o potencial produtivo e os padrões de alocação de biomassa, e em condições de stress hídrico severo, com supressão total de rega monitorização da dinâmica de abscisão foliar, condutância estomática (gs) e evapotranspiração (ET). Em condições ótimas, observaram-se diferenças significativas entre genótipos na capacidade de crescimento radicular e da parte aérea, bem como nos respetivos padrões de alocação de carbono. A área foliar inicial mostrou-se positivamente associada à capacidade de investimento em nova biomassa radicular (R²=0,399; p=0,0042), enquanto a área foliar específica (SLA) se correlacionou positivamente com a produção total de biomassa (R²=0,45; p<0,001), indicando que genótipos com maior SLA apresentam maior potencial de crescimento, tanto a nível da parte aérea como radicular. Sob stress hídrico severo, os materiais diferiram significativamente no número de dias necessário para atingir 50% (TQ50%) e 100% (TQ100%) de perda foliar. TQ100% variou entre ~23 dias e ~33 dias, distinguindo materiais mais sensíveis dos mais tolerantes à desidratação. Verificou-se uma correlação negativa significativa entre SLA e TQ100% (R²=0,34; p<0.001), indicando que materiais com folhas estruturalmente mais densas mantiveram a área foliar funcional durante mais tempo, um padrão consistente com estratégias de conservação hídrica associadas a maior investimento em tecidos foliares. A variação da gs e ET foi consistente com estes padrões, evidenciando estratégias funcionais contrastantes entre materiais. A partir do 8.º dia de seca severa, verificaram-se correlações positivas significativas entre ET e TQ100% (p<0,005) e entre gs e TQ100% (p<0,05), sugerindo que uma regulação estomática menos restritiva favoreceu uma manutenção mais prolongada da área foliar. Genótipos com maior gs média sob seca severa tenderam também a apresentar maior capacidade de produção de biomassa foliar nova em condições ótimas. Em conjunto, estes padrões sugerem que a preservação de alguma capacidade de assimilação de carbono sob stress pode favorecer uma recuperação mais robusta e maior capacidade de crescimento pós‑stress. Os resultados demonstram que SLA, TQ50%, TQ100% e variáveis fisiológicas associadas à transpiração constituem indicadores sensíveis e operacionalizáveis para seleção precoce de materiais mais robustos ao défice hídrico. Esta abordagem integrada contribui para o desenvolvimento de protocolos de seleção adaptados a cenários climáticos futuros na Península Ibérica. Economia circular no setor florestal: resíduos e subprodutos da pasta e papel como soluções sustentáveis para a fertilidade do solo 1: RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, Quinta de S. Francisco, Rua José Estevão, 3800‑783 Aveiro, Portugal; 2: The Navigator Company, Península da Mitrena, 2910‑738 Setúbal, Portugal; 3: Navigator Forest Portugal, Zona Industrial da Mitrena, 2910‑738 Setúbal, Portugal; 4: MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, 7006‑554 Évora, Portugal; 5: Instituto Superior de Agronomia - Universidade de Lisboa, Portugal; 6: LEAF/TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, 1349‑017 Lisboa, Portugal As lamas biológicas, as cinzas de biomassa e as lamas de cal da indústria da pasta e papel apresentam características interessantes não só pela sua composição química, mas também pelo papel que podem assumir no modelo da Economia Circular. Com efeito, a Economia Circular tem foco na aplicação de princípios que visam o alcance da meta “do berço ao berço” (Cradle to Cradle, C2C) para que se possa diminuir o uso de recursos naturais e que o máximo de materiais que sobram de processos de produção ou de consumo seja utilizados como matéria-prima de novos processos (Pegorin et al., 2022). Este modelo tem uma ação mais abrangente ultrapassando o âmbito e o foco estritos das ações de gestão de resíduos e de reciclagem, minimizando a extração de recursos e maximizando a reutilização, aumentando a eficiência e desenvolvendo novos modelos de negócio. No âmbito do Projeto P3.3-Novos Processos de Valorização de Resíduos da Industrial de Pasta e Papel da Agenda transForm foram desenvolvidas e validadas soluções de base circular "destinadas à fertilização e correção da acidez do solo, incluindo duas formulações peletizadas: um corretivo alcalinizante e um fertilizante organomineral. Para o corretivo alcalinizante formulado a partir de lamas biológicas, cinzas de biomassa e lamas de cal foram realizados ensaios laboratoriais, testes em estufa e implementados ensaios de campo para aferir a eficácia na correção da acidez do solo, a resposta de diferentes culturas e a segurança ambiental. Em paralelo, foram efetuados testes semi-operacionais para avaliar o desempenho do produto, incluindo métodos de distribuição e aplicação mecanizada, uniformidade de espalhamento, comportamento do pellet e rendimentos operacionais associados. Para o fertilizante organomineral formulado a partir de lamas biológicas e de cinzas de biomassa, os trabalhos focaram-se na caracterização físico-química do produto, na definição da formulação mais adequada e na avaliação do seu comportamento agronómico em condições controladas. Foram realizados ensaios de incubação de solo para avaliar a dinâmica de libertação de nutrientes, a evolução das propriedades químicas do solo e a estabilidade do azoto orgânico. Complementarmente, foram conduzidos ensaios em condições controladas com plantas, em ambiente de estufa, com o objetivo de avaliar a resposta das culturas, o efeito na nutrição vegetal e a ausência de fitotoxicidade. O conjunto de resultados relativo ao corretivo alcalinizante permitiu elaborar um parecer técnico integrado sobre a viabilidade técnica, agronómica e operacional desta solução, suportando a sua preparação para registo, escala produtiva e aplicação em sistemas agroflorestais. Os resultados obtidos para o fertilizante organomineral permitiram aferir a sua viabilidade agronómica, bem como a sua segurança ambiental, sustentando o seu potencial de utilização em sistemas agrícolas e agroflorestais. A opção metodológica por ensaios em condições controladas assegurou robustez científica numa fase de desenvolvimento prévia ao pedido de registo no âmbito da Portaria nº 185/2022. Pegorin et al. 2022. Caminhos e interações da economia circular: estudo baseado em revisão integrativa de literatura e análise bibliométrica. XLVI EnANPAD Este estudo foi financiado através da Agenda Mobilizadora "TransForm - Transformação digital do setor florestal para uma economia resiliente e hipocarbónica", investimento apoiado pelo PRR - Plano de Recuperação e Resiliência e pelos Fundos Europeus NextGeneration EU. Rede de parcelas florestais permanentes: Nova abordagem na obtenção de conhecimento aplicado à gestão florestal 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal e Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Vila Real, Portugal; 3: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal; 4: Instituto Superior de Agronomia (ISA), Lisboa, Portugal; 5: Universidade de Évora, Évora, Portugal; 6: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), Portugal; 7: Instituto de Investigação da Floresta e do Papel (RAIZ), Portugal; 8: Sonae Arauco, Portugal; 9: Altri Florestal, Portugal; 10: The Navigator Company, Portugal; 11: União da Floresta Mediterrânica (UNAC), Portugal; 12: E-REDES, Portugal; 13: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Portugal; 14: Centro PINUS, Portugal A disponibilidade de dados consistentes, harmonizados e de longo prazo é essencial para apoiar a gestão florestal, avaliar o desempenho de diferentes modelos silvícolas e responder aos desafios associados às alterações climáticas, à produtividade, à resiliência e à sustentabilidade dos ecossistemas florestais. Diversos estudos demonstram que a compreensão da resposta das florestas às alterações climáticas exige séries temporais extensas e observações sistemáticas em parcelas permanentes. No entanto, verifica-se a existência de uma lacuna na recolha de informação de longo prazo assente em parcelas permanentes, bem como dificuldades em garantir a continuidade de estudos de parcelas experimentais, cuja informação se encontra dispersa por diferentes entidades, em diferentes formatos, protocolos de recolha e níveis de acessibilidade, dificultando a sua integração e utilização conjunta. Neste contexto, o projeto Rede de Parcelas Florestais Experimentais, desenvolvido no âmbito da Agenda transForm, visa organizar uma infraestrutura colaborativa de monitorização florestal, baseada na identificação, caracterização e integração de parcelas existentes, na harmonização de protocolos de recolha de dados e no desenvolvimento de uma plataforma digital de suporte à gestão, consulta e partilha de informação. A iniciativa procura reforçar a ligação entre a produção de conhecimento científico e a sua aplicação prática na gestão florestal, promovendo uma abordagem mais integrada, interoperável e orientada para as necessidades dos diferentes agentes do setor. A metodologia adotada inclui a construção de uma base de dados estruturada sobre parcelas existentes, a definição de metadados comuns, a organização da rede por tipologias de ensaio, espécies e objetivos de monitorização, bem como o desenvolvimento da plataforma PlotConnect, concebida para facilitar o registo, a gestão, a consulta e a partilha de dados entre entidades. Paralelamente, são definidos princípios de governança, níveis de acesso e mecanismos de colaboração que asseguram a utilização responsável da informação e a valorização dos dados produzidos. Esta rede pretende assim contribuir para consolidar uma infraestrutura nacional de conhecimento aplicado, capaz de apoiar análises comparativas, monitorização contínua e processos de tomada de decisão mais informados. Ao integrar parcelas, dados, protocolos e entidades numa estrutura comum, o projeto representa uma nova abordagem para potenciar o conhecimento gerado por redes de parcelas permanentes e experimentais, reforçando o seu contributo para a inovação, a transferência de conhecimento e a gestão sustentável da floresta portuguesa. Impactes da polinização suplementar em massa na produção de pinha em pinheiro-manso: estudo exploratório 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV), Avenida da República, Quinta do Marquês, 2780-157 Oeiras, Portugal; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 3: Pine Flavour, Lda, ZIL de Grândola, Lt 27, 7570-261 Grândola; 4: Centro de Competências do Pinheiro-manso e Pinhão; 5: Albatroz Engenharia, Rua Maria 53, 1º Esquerdo 1170-210 Lisboa, Portugal; 6: UNAC-União da Floresta Mediterrânica, Rua Mestre Lima de Freitas, n.º 1 1549-012 Lisboa A produção de pinha em pinheiro‑manso apresenta elevada variabilidade interanual, influenciada por fatores climáticos e fisiológicos que podem antecipar ou atrasar fases críticas do ciclo reprodutivo. Face ao decréscimo produtivo observado na última década, torna‑se urgente testar estratégias que reforcem o sucesso reprodutivo da espécie. A polinização suplementar em massa, desenvolvida nas décadas de 1980–1990 em pomares de sementes de várias coníferas, demonstrou aumentar a eficiência da polinização e a produção, constituindo uma base metodológica sólida para aplicação noutras espécies. A técnica consiste na manipulação artificial de grandes quantidades de pólen junto das estruturas femininas no momento em que elas estão receptivas. Neste estudo, testou‑se esta abordagem em pinheiro‑manso utilizando o equipamento de vibração mecanizada para colheita de pinha desenvolvido no âmbito da Agenda Transform. A máquina integra um sistema automatizado que ajusta intensidade e tempo de vibração, e foi usada como plataforma para indução de libertação de pólen em massa. O ensaio foi instalado em 2024 numa herdade da região de Grândola, num povoamento adulto equiénio de regeneração natural. Selecionaram‑se dois talhões homogéneos, cada um com uma parcela controlo (C) e outra vibrada (V) cuja produção de pinha foi avaliada sem o efeito da polinização em massa. Na parcela V, três árvores centrais foram submetidas a vibração durante a primavera de 2024. As parcelas, distanciadas 650 m, foram alinhadas perpendicularmente aos ventos dominantese aí foram instalados 18 coletores de pólen por parcela para avaliar orientação e distribuição da nuvem polínica. Procedeu‑se também ao inventário das árvores (altura, DAP, diâmetros e altura de copa). A vibração foi aplicada duas vezes, com 7 dias de intervalo, durante 5 segundos a 1000 rpm e caudal de 40 L/min. O momento das intervenções foi definido com base na recetividade feminina observada em flores de árvores enxertadas próximas. Em junho de 2026 serão recolhidas imagens com aeronaves não tripuladas para quantificação indireta do número de pinhas, usando algoritmos de deteção automática desenvolvidos também no âmbito da Agenda. No final de 2026 serão colhidas todas as pinhas das parcelas C e V para validar os dados de produção de pinha analisados indirectamente nas imagens e avaliar o sucesso da polinização em massa. Os dados recolhidos indicam que as parcelas C e V apresentaram árvores morfometricamente semelhantes (DAP: 51,4±0,3 cm em C; 49,7±0,28 cm em V; altura: 4,7±0,03 m em C; 4,4±0,03 m em V). O peso médio de pinhas por árvore foi 1,7±0,19 kg em C e 1,0±0,1 kg em V. Observou‑se um aumento significativo (t‑test P=0,008) de 45% na disponibilidade de pólen na parcela vibrada (27±2,7 grãos/mm²) face à parcela controlo (19±1,9 grãos/mm²). A nuvem de pólen deslocou‑se preferencialmente para NO, coincidindo com os ventos dominantes, e o alcance da libertação induzida ultrapassou os 100 m. A integração de tecnologia digital e monitorização de precisão permitirá avaliar a resposta produtiva e testar a viabilidade da vibração mecanizada como técnica complementar para aumentar a produção. Este estudo constitui a primeira aplicação conhecida desta abordagem em pinheiro‑manso, configurando uma solução inovadora com potencial para mitigar a quebra produtiva abrindo novas possibilidades para o uso de tecnologias avançadas em operações silvícolas. Da ciência ao território: rede de parcelas demonstrativas para gestão adaptativa e florestas resilientes na Serra da Lousã 1: Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal; 2: RCM2+ Research Centre for Asset Management and Systems Engineering, ISEC/IPC, Coimbra, Portugal Os territórios florestais mediterrânicos enfrentam atualmente desafios crescentes associados às alterações climáticas e à ocorrência de distúrbios de elevada severidade, incluindo incêndios, secas e tempestades. Esta realidade reforça a importância de promover modelos de gestão adaptativa e mecanismos eficazes de transferência de conhecimento que aproximem a ciência da prática e apoiem decisões de gestão mais resilientes. Apesar do desenvolvimento de princípios e estratégias de silvicultura adaptativa, a sua aplicação em contexto operacional e a transferência desse conhecimento para proprietários, técnicos e decisores continuam a constituir desafios relevantes. O presente trabalho enquadra-se na Agenda transForm – Melhor Floresta, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do eixo Gestão de Florestas Resilientes, que visa desenvolver e demonstrar soluções inovadoras para aumentar a resiliência das florestas portuguesas perante as alterações climáticas. Neste contexto, foi implementada uma área piloto na Serra da Lousã, concebida como laboratório vivo para demonstração e disseminação de estratégias de gestão florestal adaptativa. A área piloto localiza-se em terrenos baldios sob gestão comunitária, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), abrangendo aproximadamente 730 ha. A sua seleção decorreu da relevância ecológica e territorial associada aos impactos de eventos meteorológicos extremos e à necessidade de testar e demonstrar itinerários silvícolas orientados para a adaptação climática. Neste âmbito, foi instalada uma rede constituída por dez parcelas demonstrativas integradas num percurso interpretativo com cerca de 10 km, abrangendo povoamentos com composições específicas, estruturas e históricos de gestão diferenciados. Os povoamentos, maioritariamente instalados pelos serviços florestais na década de 1940, conciliam atualmente funções produtivas, culturais e recreativas, sendo geridos segundo princípios de coberto contínuo e promoção de estruturas mistas e mais diversificadas. As parcelas foram caracterizadas através de inventário florestal convencional, complementado com tecnologias de aquisição remota, nomeadamente LiDAR móvel terrestre e UAV multiespectral, permitindo uma avaliação integrada da composição, estrutura e estado dos povoamentos e demonstrando novas metodologias de monitorização aplicadas à gestão adaptativa. A rede de parcelas e o percurso demonstrativo constituem suporte para ações de transferência de conhecimento dirigidas a públicos diferenciados, incluindo estudantes, técnicos e parceiros institucionais. As visitas e atividades já realizadas evidenciaram elevado interesse e reconhecimento do potencial destas abordagens para aproximar ciência, tecnologia e gestão operacional. Assim, a experiência da Serra da Lousã demonstra o valor dos laboratórios vivos e da cooperação entre múltiplos atores no desenvolvimento de soluções baseadas na natureza, com potencial de replicação noutras regiões e contributo para territórios florestais mais resilientes e sustentáveis. Desafios para a apicultura de precisão - estudo de caso em florestas de eucalipto 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, INIAV, Oeiras, Portugal; 2: Centre for the Research and Technology of Agroenvironmental and Biological Sciences, CITAB, Inov4Agro, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD, Vila Real, Portugal.; 3: MAJA - Soluções Florestais, Óbidos, Portugal.; 4: Altri Florestal, Óbidos, Portugal A boa gestão das agroflorestas e em particular das florestas contribui para a possibilidade de práticas apícolas mais sustentáveis. Por outro lado, a existência de apiários em florestas associa-se a práticas que promovem a resiliência dos agroecossistemas. Para este efeito, cada vez mais, o apicultor pode contar com novas ferramentas tecnológicas que permitem otimizar a gestão do apiário, facilitando a promoção da saúde e do bem-estar das abelhas e contribuindo de forma decisiva para o aumento da produção de produtos apícolas e do serviço de polinização. Assim, a incorporação no setor apícola da Internet of Things (IoT) tem sido considerada uma estratégia promissora para lidar com os desafios contemporâneos do setor. A utilização de balanças automáticas é a tecnologia mais recorrente para a monitorização remota das colónias, possibilitando aos apicultores poupança nas deslocações aos apiários e redução de perturbação nas colónias, uma vez que, sem ação física de abertura das colmeias, têm conhecimento do seu interior. A transmissão e o upload de dados são parâmetros importantes a considerar. Os sensores podem operar de forma autónoma com comunicação direta com a cloud ou funcionar dentro de redes locais instaladas no apiário. O tipo de software, a transmissão e o upload de dados, são parâmetros importantes a considerar para a praticabilidade destas tecnologias. Os dados recolhidos permitem ao apicultor utilizar esta informação para tomar decisões sobre a gestão das colmeias e, com a possibilidade de alertas automáticos, podem informá-lo sobre potenciais ações. Com uma abordagem integrada que combina práticas sustentáveis e uso de tecnologia, o estudo que se apresenta teve como principal objetivo, monitorizar remotamente a dinâmica e desenvolvimento de colónias da abelha melífera em apiários em ecossistemas florestais de eucalipto. Neste sentido, em dois apiários instalados em florestas de eucalipto na zona centro de Portugal, durante 2 anos, recorreu-se a sistemas de monitorização tecnológica, para averiguar da praticabilidade dos mesmos e da sua ajuda para a tomada de decisão à distância. Os resultados obtidos serão apresentados e discutidos, de forma a que se possa contribuir para o conhecimento se estas ferramentas permitem satisfaz as necessidades dos apicultores. | ||