Programa da conferência
Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
|
Vista diária |
| Sessão | ||
Simpósio 8 - Cortiça: produto e material do futuro
| ||
| Apresentações | ||
Dendroecological insights into cork oak growth and remote sensing signals 1: Instituto Superior de Agronomia, Portugal; 2: Universidade de Coimbra, Portugal Climate change is expected to increase the frequency, duration, and severity of droughts across the Mediterranean region, with significant consequences for forest ecosystems. Cork oak (Quercus suber L.) is a species of high ecological, cultural, and economic value in Portugal and has evolved several adaptations to seasonal water scarcity. However, future drought conditions may exceed the limits of these adaptations, increasing the risk of growth decline and mortality. Understanding how climate influences cork oak growth, and resilience is therefore essential for developing effective management and adaptation strategies. Dendroecology provides a powerful approach for investigating tree responses to environmental change. By analysing annual growth rings, it is possible to reconstruct growth patterns over time and relate them to past climatic conditions. Tree-ring width reflects xylem formation and growth, which is closely linked to water transport, carbon allocation, and overall tree vitality. Favorable conditions generally promote wider rings, whereas drought and other stressors often result in reduced radial growth. In Mediterranean tree species, tree rings can therefore serve as natural archives of climate-growth relationships and help identify early signals of decline, including processes associated with cambial limitations and hydraulic dysfunction. Remote sensing complements dendroecological approaches by enabling the monitoring of vegetation condition across large spatial and temporal scales. Satellite-derived vegetation indices provide information on canopy greenness and photosynthetic activity and are widely used as indicators of forest health. However, canopy-level spectral responses may not always correspond directly to radial growth or field-based physiological measurements, suggesting potential decoupling between remotely sensed indicators and tree-level processes. This study examined branch radial growth in cork oak populations distributed across the main range of the species in Portugal. The objectives were to: (1) identify the periods of water availability most strongly associated with radial growth; (2) determine the topographic, soil, and climatic factors that influence growth variability; and (3) investigate the relationship between remotely sensed vegetation indices and radial growth, in order to clarify the links between canopy condition, growth dynamics, and drought resilience. Preliminary results indicate that radial growth is primarily influenced by cumulative water availability during the two preceding years, suggesting a legacy effect of climatic conditions on woody growth. A decoupling was observed between canopy health and radial growth responses, with radial growth exhibiting greater plasticity in both resistance and resilience to drought. Estudo da relação entre a humidade da cortiça e a evolução fenológica do sobreiro (Quercus suber L.) para a definição da época ótima de Descortiçamento. Associação de Produtores Florestais do Concelho de Coruche e Limítrofes (APFC), Portugal A humidade da cortiça no momento da extração constitui um fator determinante tanto na valorização comercial da cortiça como na preservação da integridade fisiológica do sobreiro (Quercus suber L.). O conhecimento da dinâmica da humidade ao longo do ciclo vegetativo, bem como da sua relação com os estados fenológicos da árvore, constitui um contributo essencial para a definição de critérios técnico-científicos que poderá auxiliar na calendarização da extração. Com o objetivo de disponibilizar ferramentas de suporte técnico-científico ao setor, foi desenvolvido um estudo de monitorização sistemática da evolução da humidade da cortiça ao longo de seis anos consecutivos (2021–2026), em três locais distintos geograficamente e representativos do concelho de Coruche. Este trabalho tem como principais objetivos avaliar a evolução da humidade média da cortiça na árvore de janeiro até à data da extração e relacionar com a espessura da cortiça bem como enquadrar temporalmente os diferentes estados fenológicos do sobreiro. Pretende ainda aferir se existe uma relação entre a variação da humidade da cortiça e os estados fenológicos de mudança da folha que antecedem o início da extração. Os dados foram recolhidos em três propriedades com várias folhas de extração, o que permite uma avaliação em contínuo a cada ano dos mesmos parâmetros e nas mesmas explorações. Os dados de humidade são recolhidos a partir de janeiro até à extração, por recolha semanal de um provete de cortiça em árvores previamente selecionadas e que correspondem a árvores com amostragem da qualidade da cortiça realizada no ano que antecede a extração, permitindo assim a comparação com parâmeros de qualidade e calibre. Nos mesmos locais são monitorizados três estados fenológicos correspondentes à mudança da folha (por iniciar, a decorrer e mudança terminada). Os provetes recolhidos são avaliados em laboratório e determinada a espessura da cortiça e o teor de humidade na metade interior do provete (barriga da cortiça) e na metade exterior do provete (costa da cortiça). Para a análise, considerou-se apenas a humidade da barriga da cortiça, por estar menos sujeito às variações ambientais. Ao longo do período de amostragem, desde janeiro até ao momento da extração, a humidade média da barriga da cortiça apresentou uma evolução positiva, revelando uma estreita associação com o processo de renovação da copa do sobreiro. O aumento mais acentuado da humidade média foi observado quando o sobreiro concluiu a renovação foliar, sugerindo uma relação direta entre estes dois fenómenos. Foi também verificado uma relação positiva entre o teor de humidade da barriga e a espessura da cortiça. Apesar de diferenças interanuais nos valores da humidade média da barriga e na fenologia foliar, os padrões temporais de evolução da humidade da cortiça foram semelhantes de ano para ano. Uma monitorização durante um maior período temporal, permitirá obter resultados passíveis de aumentar o conhecimento sobre a variação da humidade da cortiça ao longo do desenvolvimento fenológico foliar do sobreiro e relacionar estes acontecimentos com a época de extração da cortiça, o que permitirá o desenvolvimento de ferramentas mais eficazes para a gestão da extração e comercialização da cortiça, com vantagens para a manutenção da vitalidade do montado. Descortiçamento em condições de seca severa: Efeitos fisiológicos e impactos nas reservas de carbono 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P.; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 3: Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Santarém; 4: Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Instituto Politécnico de Santarém; 5: Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 6: UCIBIO - Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas, Departamento de Ciências da Vida, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade NOVA de Lisboa; 7: Laboratorio Associado Instituto para a Saúde e Bioeconomia - i4HB, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade NOVA de Lisboa O descortiçamento é uma prática ancestral e economicamente vital para a sustentabilidade dos montados de sobro. No entanto, os impactos fisiológicos na árvore e as suas interações com as condições climáticas no ano de descortiçamento, não são ainda suficientemente conhecidos. Este estudo investigou os efeitos a curto e médio prazo do descortiçamento nas relações hídricas e no metabolismo do carbono do sobreiro (Quercus suber L.) durante um ano seco em que a precipitação anual acumulada correspondeu a aproximadamente 51% da média local. O estudo foi realizado num montado de sobro localizado no centro de Portugal, e incluiu doze sobreiros adultos, distribuídos por dois grupos: árvores descortiçadas e não descortiçadas (controlo). A monitorização decorreu entre abril e setembro de 2015, incluindo medições de fluxo de seiva, potencial hídrico foliar (mínimo e de madrugada), e evaporação e respiração do tronco. Adicionalmente, ao longo dos 65 dias após o descortiçamento (30 de junho), foram recolhidas amostras de folhas e de floema secundário, de madrugada e ao meio-dia, para quantificação da dinâmica de hidratos dos carbono não estruturais (non-structural carbohydrates, NSC), nomeadamente, amido, sacarose, glucose, frutose, rafinose e galactose, e dos compostos fenólicos totais. Complementarmente, para duas datas de amostragem, procedeu-se à caracterização do perfil metabolómico através de uma metodologia não direcionada (GC-MS). Os resultados mostram que, imediatamente após o descortiçamento, o fluxo de seiva nas árvores descortiçadas diminuiu ca. de 55% comparativamente às árvores controlo, sem se observarem sinais de recuperação ao longo dos 65 dias subsequentes. Esta redução foi acompanhada por um decréscimo acentuado de amido e sacarose no floema secundário, sem alterações correspondentes no conteúdo de NSC foliar nem nos potenciais hídricos. Este padrão sugere uma rápida remobilização de reservas de carbono para suportar as elevadas exigências respiratórias associadas à formação do felogénio traumático e à reconstituição da camada geradora de cortiça. Esta interpretação é ainda reforçada pelo aumento transitório no teor de hexoses (glucose e frutose) do floema secundário e pelo pico na respiração do tronco, observados em simultâneo nos dias imediatamente após o descortiçamento. O estado hídrico das árvores manteve-se semelhante entre tratamentos, indicando que a depleção de NSC no floema secundário não resultou de disfunção hidráulica nem de limitação da assimilação foliar. A análise metabolómica não direcionada revelou alterações a curto prazo no metabolismo do floema secundário, contrastando com uma resposta limitada ao nível das folhas, o que sugere que a ocorrência de ajustamentos metabólicos está predominantemente localizada no tronco. Em conjunto, os resultados suportam, pela primeira vez com evidência bioquímica, a hipótese de "crise de carbono" proposta por J.V. Natividade em 1950, demonstrando que o descortiçamento em anos de seca severa pode comprometer significativamente a resiliência fisiológica das árvores. Estes resultados sublinham a necessidade de integrar o contexto climático nas decisões de gestão do descortiçamento. O desenvolvimento de índices baseados em défices de precipitação e demanda evaporativa poderá constituir uma ferramenta útil para orientar o calendário das operações de extração, minimizando o stress fisiológico das árvores. From aureus to Xylella: exploring genetic diversity in cork bioactivity 1: UCIBIO Applied Molecular Biosciences Unit, Department of Life Sciences, NOVA School of Science and Technology, Universidade NOVA de Lisboa, 2829-516 Caparica, Portugal; 2: Associate Laboratory i4HB Institute for Health and Bioeconomy, NOVA School of Science and Technology, Universidade NOVA de Lisboa, 2829-516 Caparica, Portugal; 3: National Institute for Agricultural and Veterinary Research, INIAV, I.P., Av. da República Quinta do Marquês, 2780-159 Oeiras, Portugal; 4: Forest Research Centre, Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal Cork, the outer bark of Quercus suber, is one of the most important non-timber forest products in the Mediterranean region and a key component of montado ecosystems. Its harvesting is considered a sustainable practice because the bark regenerates naturally after extraction. Cork extractives are known to contain phenolic and other bioactive compounds with antioxidant, anti-inflammatory, and antimicrobial properties, making cork a promising natural resource for agricultural, industrial, and biomedical applications. However, the chemical composition and bioactivity of cork extractives are highly variable among individual trees and are also influenced by environmental conditions, including drought and other climate-related stresses. Such variability is closely associated with cork quality, reinforcing the importance of understanding the mechanisms underlying cork bioactivity and the factors that shape it. In this context, cork extractives may also represent useful indicators for assessing cork quality. The Q. suber genetic trial established at Monte Fava (Portugal) provides a unique opportunity to investigate these questions, since trees from different provenances grow under the same environmental conditions, minimising environmental variability and enabling a stronger focus on genetic influences. This approach is particularly relevant under current climate change scenarios, as recent studies suggest that cork chemical composition may depend more strongly on genetic background than on ambient conditions alone. The aim of this work was to evaluate the bioactive potential of cork extractives obtained from different Q. suber provenances from the Monte Fava genetic trial. Different extraction procedures were tested to characterise the bioactive profile of cork, including water extractions, ethanol:dichloromethane extractions, and sequential extractions combining both solvents. Antioxidant activity was assessed using Folin-Ciocalteu and TEAC/Trolox assays, while antimicrobial activity was evaluated against clinically and agriculturally relevant bacteria, namely Enterococcus faecalis, Escherichia coli, Staphylococcus aureus, and Xylella fastidiosa. These microorganisms were selected due to their relevance in antimicrobial resistance and plant disease emergence, representing important challenges for public health and Mediterranean agriculture. The results revealed significant differences among provenances and extraction methods regarding antioxidant and antimicrobial activities. Spanish provenances generally displayed higher antioxidant capacity, while Italian provenances showed lower reducing activity. Several extracts exhibited inhibitory effects against Gram-positive bacteria, particularly E. faecalis (10-2.5 mg/mL) and S. aureus (10-1.25 mg/mL), while also demonstrating activity against X. fastidiosa (1.25 mg/mL). Overall, this work highlights the potential of cork as a sustainable source of natural bioactive compounds and reinforces the importance of genetic diversity in shaping cork quality and bioactivity. These findings contribute to the valorisation of cork industry by-products and support the search for environmentally friendly alternatives to synthetic antioxidants and antimicrobials in the context of increasing antimicrobial resistance and climate change pressures. A importância da fertilização do solo no Montado e no sobreiral: pode o fósforo ser um factor limitante? 1: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora.; 2: CEF - Centro de Estudos Florestais; MED - Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento A gestão da fertilidade do solo em sistemas florestais mediterrânicos é fundamental para garantir a resiliência e a produtividade, especialmente perante cenários de alterações climáticas e distúrbios como incêndios. Este trabalho apresenta uma revisão bibliográfica e uma análise experimental sobre o papel do fósforo (P) como factor limitante no desenvolvimento e crescimento de espécies do género Quercus. A componente de revisão bibliográfica baseia-se em ensaios de fertilização, maioritariamente portugueses, desde a década de 1960, impulsionados pela Engenheira Silvicultora Arlinda Franco de Oliveira (na época como funcionária da então Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas), na Mata Nacional de Leiria em pinheiro-bravo e em eucalipto, até aos mais recentes manuais de recomendação de fertilização conduzidos por equipas multidisciplinares, envolvendo as principais unidades de investigação florestal nacional, como: INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (ex Estação Florestal Nacional, com espólios resultantes das extinções da Estação de Experimentação do Sobreiro e do Eucalipto - Alcobaça e da Estação de Experimentação do Pinheiro Bravo - Mata Nacional de Leiria), UNAC - União da Floresta Mediterrânica, CEF - Centro de Estudos Florestais e MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (ex ICAAM - Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas). Aqueles estudos mais recentes abordam a fertilização do sobreiro, Montado e pinheiro-manso, sobretudo a Sul do Tejo. O delineamento experimental baseia-se em dados de dois ensaios distintos conduzidos a Sul do Tejo: (i) - Projecto de Agricultura de Precisão (AP) na Herdade Experimental da Mitra (Unviersidade de Évora), em Cambissolos sob Montado de azinho com pastoreio rotacional de bovinos (0,6 cabeças normais por hectare); e (ii) - Estudo de recuperação pós-incêndio na Serra do Caldeirão (Algarve), em Leptossolos de um sobreiral ardido em 2004. As metodologias de amostragem foram ajustadas às características do solo de cada região, com recolhas a 0-20 cm na Mitra e 0-5 cm na Serra Algarvia, reflectindo as diferenças de solos (ex: espessura efectiva e horizontes do solo). Os resultados revelam uma elevada variabilidade intraparcelar nos teores de fósforo (expresso em P2O5). Na Mitra, embora os valores médios de P2O5 (90-117 mg/kg de solo) se situem acima da média nacional para solos de sequeiro, os coeficientes de variação superiores a 60% justificam a adopção de tecnologias AP, como a aplicação a taxa variável (VRT) para optimizar a fertilização. Por outro lado, na Serra do Caldeirão, os Leptossolos apresentaram teores muito baixos (frequentemente < 18 mg de P2O5/kg de solo), independentemente da gestão florestal aplicada. Pensa-se que o fósforo será um dos principais factores limitantes à regeneração do sobreiro, crescimento radicular e, por consequência, resiliência à seca e crescimento aéreo, em sistemas mediterrânicos de sequeiro. Conclui-se que o teor de fósforo disponível no solo é um parâmetro indispensável na monitorização de sistemas com componente florestal, podendo ser usado como indicador da qualidade do solo. A sua aplicação permitirá aumentar a sustentabilidade deste tipo de sistemas mediterrânicos. Agradecimentos: a todos os funcionários do Instituto Superior de Agronomia e da UÉvora que permitiram a realização do presente estudo, nomeadamente aos Prof.s Erika Santos e Henrique Ribeiro e ao Inv. Diego Aran. Montados sob pressão: alterações globais e implicações para a gestão Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Portugal Introdução O montado é um sistema agrossilvopastoril de elevado valor ecológico e económico que enfrenta pressões crescentes decorrentes das alterações globais. Portugal registou um aquecimento significativo nas últimas décadas, com anomalias de temperatura que acompanham a tendência global mas com maior amplitude, colocando estes ecossistemas perante desafios sem precedentes. A mortalidade de árvores e a expansão de matos são fenómenos documentados à escala global, incluindo nas zonas mediterrânicas, e o montado de sobro (Quercus suber) não é excepção. Pressões combinadas e não linearidade das respostas O montado está sujeito a uma combinação de factores de stress, seca e stress hídrico, perda de vitalidade, fogo e matorralização, cuja actuação simultânea dificulta respostas simples de gestão. A investigação desenvolvida nos últimos anos demonstrou que a interacção entre a seca e a presença de arbustos, nomeadamente a esteva (Cistus ladanifer), é não linear e dependente do contexto: em determinadas condições, a esteva compete com o sobreiro pelos recursos hídricos superficiais, reduzindo a transpiração e o crescimento dos sobreiros; noutras condições, ou em fases de recuperação pós-seca, os efeitos são distintos ou não significativos. Esta complexidade reflecte-se também no incremento do tronco, que responde de forma diferenciada consoante a presença de arbustos e a intensidade da seca. Efeitos dos arbustos em múltiplas dimensões Os arbustos actuam em múltiplas dimensões do funcionamento do ecossistema. A identidade das espécies arbustivas influência a probabilidade de sobrevivência e regeneração dos sobreiros: plântulas estabelecidas sob coberto diverso de arbustos apresentam maior sobrevivência a longo prazo do que as associadas a Cistus ladanifer, sendo os efeitos modulados pelo stress hídrico e pelo encharcamento. Por outro lado, em zonas com pastoreio, os arbustos funcionam como ilhas de infiltração de água, com condutividade hidráulica do solo significativamente superior à das áreas de pastagem adjacentes, o que pode ter implicações relevantes para o balanço hídrico do sistema. O efeito dos arbustos no crescimento de plântulas de sobreiro depende ainda do contexto local: em duas zonas com características diferentes de solo e cobertura arbustiva verificaram-se efeitos contrastantes da presença dos arbustos no crescimento dos sobreiros. Gestão adaptativa como resposta Face à variabilidade e complexidade das respostas observadas, a gestão adaptativa surge como uma necessidade fundamental. A aplicação de ensombramento artificial em plântulas de sobreiro demonstrou reduzir o risco acumulado de mortalidade em 42%, com melhorias significativas na actividade fotossintética, no vigor foliar (NDVI), na eficiência quântica à luz e na reflectância fotoquímica. Estes resultados sugerem que intervenções simples e de baixo custo podem ter impacto relevante na regeneração do montado em cenários de aridificação crescente. Conclusão No montado, não existem respostas únicas: as relações entre seca, arbustos e sobreiros são mediadas por contextos locais, interacções entre factores e compromissos entre serviços de ecossistema. A investigação de longo prazo e a monitorização contínua são ferramentas indispensáveis para suportar decisões de gestão informadas e adaptadas à crescente variabilidade climática. Financiamento: FCT — UID/00239 (CEF/TERRA); Interreg SUDOE — COOPTREE (S1/2.7/F0122) | ||