Programa da conferência
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Sessão de Pósteres n.º 2
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Arborização urbana reflete padrões espaciais de metais pesados em área sob influência industrial 1: Universidade Federal do Espírito Santo, Brazil; 2: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brazil; 3: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal A contaminação atmosférica por metais pesados em áreas urbanas industrializadas representa um importante desafio ambiental, especialmente em cidades com histórico prolongado de atividade industrial. Nesse contexto, espécies da arborização urbana podem ser utilizadas para avaliar a deposição de poluentes. O presente estudo teve como objetivo investigar a concentração de metais pesados na casca de Terminalia catappa L. e sua distribuição e associação com padrões de deposição atmosférica em ambiente urbano. O estudo foi conduzido em Volta Redonda, município com intensa atividade siderúrgica no estado do Rio de Janeiro, Brasil. Amostras de casca foram coletadas em duas regiões com diferentes potenciais de exposição à deposição atmosférica, nas regiões Sudeste e Noroeste. As concentrações de cádmio (Cd), chumbo (Pb), cobre (Cu), cromo (Cr) e níquel (Ni) foram determinadas por espectrometria de absorção atômica com forno de grafite. Dados climatológicos da região foram utilizados para caracterizar a direção predominante dos ventos. Os resultados evidenciaram diferenças consistentes entre as regiões, com concentrações significativamente mais elevadas na região Sudeste, onde foram observados valores de 0,17 mg/kg para Cd, 3,34 mg/kg para Pb, 3,36 mg/kg para Cu, 1,17 mg/kg para Cr e 1,75 mg/kg para Ni. Os boxplots mostraram pouca sobreposição, indicando diferenças consistentes entre as áreas. A análise de componentes principais evidenciou a separação entre as regiões e um gradiente de contaminação associado aos metais analisados. A proximidade entre os vetores indica que esses elementos apresentam comportamento semelhante, sugerindo origem comum relacionada à atividade industrial. Considerando a direção predominante dos ventos (Oeste–Leste), o padrão observado é consistente com a hipótese de transporte atmosférico de partículas industriais, contribuindo para a diferenciação entre as áreas avaliadas. Nesse contexto, a casca de Terminalia catappa evidenciou sensibilidade na detecção de variações espaciais de contaminação, o que sugere seu potencial como biomonitor passivo. Portanto, a distribuição de metais pesados apresentou padrões consistentes em ambientes urbanos industrializados, possivelmente influenciados por fatores meteorológicos, e espécies arbóreas com elevada capacidade de retenção de partículas podem atuar como biomonitores passivos, contribuindo para o monitoramento ambiental, a compreensão dos processos de dispersão de poluentes e o suporte à gestão da qualidade do ar. As Zonas Permanentes de Proteção Social Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Geografia, Universidade do Minho, Portugal As interfaces urbano-florestais (IUF) são territórios dotados de vulnerabilidades relacionadas com os incêndios florestais e apresentam um elevado risco de ignição de incêndios florestais, pelo que urge gerir estes territórios por forma a torná-los mais resilientes aos referidos incêndios. Após uma pesquisa bibliográfica relacionada com a proteção contra incêndios em áreas de interface urbano florestal, procedeu-se à revisão e sistematização da legislação florestal relativa às IUF, bem como dos planos e programas em curso ou em preparação, com o objetivo de contextualizar uma proposta de introdução do conceito de Zona Permanente de Proteção Social (ZPPS). O risco de incêndio na IUF envolve fatores geográficos como a demografia, orografia, declives, exposições e histórico da área ardida, mas que são indissociáveis do tipo de combustível e do modo de inserção das estruturas no espaço. A largura das faixas de proteção imposta ou recomendada nos diversos países não difere grandemente. Nos Estados Unidos da América e Canadá, a largura recomendada para faixa de proteção em torno de uma habitação é de 30m, enquanto para vários países europeus como a França, a Grécia ou Portugal, esta largura é de 50m. Os estudos que suportam estas definições são essencialmente norte americanos, e indicam que a probabilidade de ignição de um edifício afastado a mais de 30 m de um contínuo florestal é praticamente nula. As ZPPS devem ser faixas de proteção permanentes e estruturais no espaço e no tempo que, deverão ter uma faixa de 5m desprovida de qualquer estrato vegetativo ou comunidade vegetativa, preferencialmente com solo mineral ou outro material naturalizado e ou permeável. As ZPPS espacialmente definem-se como uma faixa de proteção dos 0 a 5m sem combustível, entre os 5 a 15 m uma faixa de proteção em que devem estar presentes apenas o(s) estrato(s) herbáceo(s) e ou estrato(s) arbustivo(s). Na faixa de proteção entre os 15 a 30m, deverá privilegiar-se a presença de árvores autóctones como Quercus robur – carvalho-alvarinho, Quercus suber – sobreiro e Quercus rotundifolia – azinheira. Acrescenta-se ainda que existem um conjunto de outras espécies florestais que devem ser utilizadas como o Quercus pyrenaica – carvalho-negral e Quercus faginea – carvalho-cerquinho. As espécies resinosas de folha curta são um importante aliado no comportamento do fogo na paisagem, pelo que têm uma importante função no mosaico florestal ou na paisagem, pelo que destacam-se as espécies como Pseudotsuga menziesii – Pseudotsuga, Pinus sylvestris – pinheiro-silvestre, Pinus nigra – pinheiro-larício e Pinus radiata – pinheiro-de-monterrey, desde que se garanta a descontinuidade vertical permanente entre os estratos herbáceos e arbustivos na época estival em relação ao estrato arbóreo. Entre os 15 a 30m, deverá privilegiar-se a presença de árvores, sem qualquer espaçamento entre copas, garantindo a maior área de ensombramento em permanência, de modo a diminuir os estratos herbáceos e arbustivos, devido ao ensombramento, potenciando as condições climáticas desfavoráveis à ocorrência do fogo, como temperaturas (⁰C) / ventos (km/h) abaixo do referencial 30 e humidades (%) acima do referencial 30. Com as ZPPS, garante-se estrutural e espacialmente uma faixa de proteção de 30m à floresta, ao edificado, infraestruturas, pessoas e bens. Interface Urbano-Florestal, classificação do solo e proteção do edificado: contributos para a evolução dos critérios de gestão do risco de incêndio rural Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Geografia, Universidade do Minho, Portugal A expansão da Interface Urbano-Florestal (IUF) constitui um dos principais desafios ao ordenamento do território e à gestão integrada de fogos rurais em Portugal, aumentando a exposição de pessoas, bens e infraestruturas aos incêndios. O atual enquadramento jurídico, nomeadamente o Decreto-Lei n.º 82/2021, estabelece critérios de proteção do edificado assentes, em grande medida, na classificação do solo e na existência de faixas de gestão de combustível. Esta abordagem, predominantemente prescritiva, não reflete a complexidade dos fatores que condicionam a sobrevivência das edificações perante incêndios rurais, justificando a evolução para modelos de avaliação do risco baseados no desempenho global das medidas de proteção. Redimensionamento da faixa de proteção associada ao condicionamento à edificação em solo rústico: impactos territoriais, operacionais e económicos da transição de 50 m para 30 m Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Geografia, Universidade do Minho, Portugal A prevenção estrutural dos incêndios rurais constitui um dos pilares do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), influenciando diretamente o ordenamento do território, a gestão florestal e o licenciamento urbanístico. O Decreto-Lei n.º 82/2021 estabelece condicionamentos à edificação em solo rústico associados à existência de territórios florestais, tendo o Regulamento de Gestão de Combustível do ICNF admitido a adaptação territorial da largura das faixas de proteção de 50 m para 30 m. Este redimensionamento poderá reduzir significativamente os condicionamentos territoriais e os custos de gestão de combustível, sem comprometer a eficácia da proteção do edificado quando integrado numa abordagem multifatorial de avaliação do risco. Nos Estados Unidos e no Canadá, a largura recomendada para a faixa de proteção em torno do edificado é, em regra, de 30 m. Governança florestal em Portugal: instabilidade política, diferentes modelos e caminhos para a codificação legislativa florestal UTAD, Portugal O enquadramento jurídico florestal português caracteriza-se pela sua desatualização, dispersão e fragmentação normativa, reflexo das sucessivas reformas legislativas conjunturais e de um processo de codificação florestal que, embora iniciado, pelo menos desde 1839, continua por concluir. Ora, num contexto de crescente reconhecimento internacional da importância da governança florestal para o desenvolvimento sustentável do território, esta realidade constitui um obstáculo estrutural à implementação de medidas e políticas públicas florestais eficazes e coerentes. Este trabalho analisa a governança florestal em Portugal numa perspetiva histórica e comparativa, abrangendo o período compreendido entre 1839 e 2015, com base em fonte primária, nomeadamente registos parlamentares do Arquivo Histórico da Assembleia da República, Diários do Governo e Diário da República, e recorrendo à análise diacrónica, à análise PESTEL adaptada ao contexto das políticas públicas florestais e à correlação de Pearson entre a variação de Chefes de Governo e a produção legislativa de codificação florestal. No plano nacional, os resultados evidenciam uma correlação negativa moderada (r = −0,161) entre a variação de Chefes de Governo e o número de diplomas aprovados, e uma correlação positiva significativa entre a estabilidade governativa e as propostas de lei aprovadas (r = 0,540) e as iniciativas governamentais de codificação florestal (r = 0,684). Estes valores demonstram que a instabilidade política constitui um obstáculo estrutural à aprovação de instrumentos legislativos de médio e longo prazo no setor florestal. Já a análise PESTEL identifica como fatores determinantes: a adoção recorrente de medidas conjunturais desencadeadas por eventos disruptivos como os grandes incêndios rurais; a complexidade do modelo de governança florestal com elevado número de agentes com atuação processual e riscos de sobreposição de competências; e a dificuldade de obtenção de consensos técnicos e políticos necessários que transcendam os ciclos governativos. Ao nível comparativo, a análise do enquadramento jurídico florestal de França, dotada de Código Florestal, com uma estrutura bipartida em parte legislativa e regulamentar; de Espanha, com a Ley de Montes e o Plano Florestal Espanhol 2022–2032; e da Roménia, também com Código Florestal desde 2008, evidencia que a adoção de instrumentos jurídicos sistematizados se associa a uma maior coerência normativa, a uma governança florestal mais eficiente e a um maior alinhamento com os compromissos europeus e internacionais em matéria de gestão sustentável das florestas. Conclui-se assim que a ausência de um Código Florestal em Portugal não é um mero problema técnico-jurídico, mas essencialmente um desafio de governança. A codificação florestal constitui uma condição necessária para a clareza e segurança jurídica, para a literacia jurídica dos seus destinatários e para a coerência das medidas e políticas públicas florestais, contribuindo de forma estrutural e transversal para uma gestão sustentável do território e para o reforço das conexões entre floresta, pessoas e território. Da vulnerabilidade à resiliência: mitigação de riscos associados a matrizes florestais não-hospitaleiras através de corredores multifuncionais 1: Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-139 Faro, Portugal; 2: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves" (CEABN- InBIO), Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017, Portugal A floresta portuguesa, e em particular as paisagens de produção intensiva, enfrenta um ciclo crónico de vulnerabilidade. A homogeneização da paisagem, marcada pelo predomínio de povoamentos exóticos monoespecíficos (como o caso de Eucalyptus spp.), aliada ao despovoamento e ao consequente abandono e negligência da gestão silvícola, consolidou uma matriz florestal estruturalmente simplificada. Condição esta que agrava a suscetibilidade a incêndios rurais de grande escala e aos processos subsequentes de degradação e perda de solo. Os atuais modelos de gestão territorial, revelam-se ineficazes para travar este declínio sistémico e para proteger o equilíbrio ecológico. Face a este diagnóstico, sugere-se uma mudança de paradigma: a transição de um modelo de conservação em prol de uma gestão florestal ativa, planeada e estruturada. O presente trabalho, centrado no estudo de caso de Monchique (Faro, Portugal), propõe o contributo para o desenho de uma Infraestrutura Verde (IV), materializada sob forma de uma Rede de Corredores Verdes Multifuncionais. Com recurso a um modelo de análise holística eco-cultural da paisagem, esta rede atua de forma complementar à Estrutura Ecológica Municipal, advogando o conceito de multifuncionalidade. O objetivo central é a rutura da matriz de resistência ecológica e interrupção do risco de incêndio, imposto pela referida homogeneização. Este tipo de infraestrutura, para além do contributo ambiental, sustenta-se em pilares de valorização socioeconómica e cultural da paisagem, assentes na sua reabilitação. Sugere-se a promoção da heterogeneidade vegetal e a gestão horizontal de combustíveis através de práticas não consuntivas; a sustentabilidade da reconversão dos mosaicos florestais, através da criação de modelos de gestão apoiados em mercados emergentes como a venda de créditos de carbono e a revitalização da silvopastorícia; e a atratividade cultural e a sua integração em lógicas de bioeconomia e remuneração por serviços de ecossistema; viabilizadas por mecanismos de financiamento atuais (e.g., Fundo Ambiental, Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e Programa de Transformação da Paisagem (PTP)). Procura-se, deste modo, visar que a resiliência e a sustentabilidade do setor florestal não se alcançam pela supressão da atividade produtiva ou pela imposição de regimes intransigentes, mas pela metamorfose da floresta num sistema dinâmico, onde a mitigação do risco impulsiona um mosaico rentável, dinâmico e polivalente. Extração de Arbutina a partir de folhas de Arbutus unedo: Comparação de Métodos 1: IPC/ESAC, Coimbra; 2: CERNAS /IPC, Coimbra; 3: CERES, FCTUC, Coimbra Arbutus unedo L. é uma espécie mediterrânica que prospera numa variedade de solos, desde xisto, calcário e granito até areias costeiras, desempenhando um importante papel cultural, ambiental e económico a nível nacional. Existem alguns desafios associados ao seu cultivo: a) alcançar uma escala de produção baseada em resultados de I&D; b) adquirir capacidade organizacional em termos de produção e comercialização; c) obter apoio financeiro para dar continuidade aos trabalhos de I&D, particularmente no âmbito das plantas medicinais. Devido às suas propriedades antissépticas, em especial à presença de arbutina, as folhas do medronheiro têm sido utilizadas na medicina tradicional para tratar nefrite, cistite e pielonefrite. Mais recentemente, a arbutina tem sido utilizada na cosmética para reduzir manchas escuras e hiperpigmentação. Este trabalho envolveu o desenvolvimento de um método para a análise de arbutina em folhas de medronheiro por HPLC de fase reversa, utilizando uma coluna C18 e deteção por ultravioleta, com o objetivo de comparar a eficiência de extração entre as técnicas de ultrassons e moagem por bolas. Foi preparada uma solução padrão-mãe de arbutina a 500 µg/ml a partir do respetivo padrão de Arbutina 98% (CAS 497-76-7), dissolvido em metanol grau HPLC. A curva de calibração foi obtida para concentrações na gama de 20,0–200,0 µg/ml, com sete níveis de concentração (R² = 0,9983). Folhas de um medronheiro adulto foram secas a 65 °C, moídas, peneiradas e extraídas num banho ultrassónico numa mistura H₂O:CH₃OH (95:5). Em alternativa, discos de folhas do mesmo medronheiro adulto com 5 mm de diâmetro foram excisados, sem secagem prévia, e macerados a 4,5 m/s durante 10 segundos num disruptor celular FastPrep120 (Savant Bio 101). Os resultados obtidos, expressos em mg de arbutina/g de peso seco a 65 °C, foram de 14,3 ± 2,4 (n=6; CV=16,5%) com ultrassons e 22,3 ± 4,0 (n=3; CV=17,9%) com o moinho de bolas, tendo este último método sido escolhido pela sua simplicidade, rapidez e eficiência para futura avaliação do teor de arbutina em diferentes clones selecionados a nível nacional. Agradecimentos: Este trabalho foi financiado pelos projetos “Conservação e Melhoramento dos Recursos Genéticos do Medronheiro”, PDR2020, Ref. 784-042742, Operação 7.8.4, e “Forest for Future” (F4F) — Projeto-Piloto para a Constituição de uma Rede Regional de Valorização do Setor Florestal na Região Centro (Pilar PP16). Biomassa florestal residual e bioeconomia territorial: modelo de valorização em cascata desenvolvido no âmbito do projeto RESIST 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: Mota-Engil BCircle A biomassa florestal residual (BFR) pode constituir um recurso estratégico, mas continua insuficientemente mobilizada em Portugal. Embora a sua valorização possa contribuir para a redução do risco de incêndio, para a gestão ativa da floresta e para o reforço da resiliência territorial, este potencial permanece condicionado pela dispersão da propriedade, pela heterogeneidade dos materiais, pelos custos logísticos e pela fraca articulação entre produção, pré-processamento, tecnologia e mercado. Em Portugal, a BFR permanece concentrada em usos energéticos convencionais. Em 2020, a produção elétrica e a cogeração representavam mais de 70% do consumo nacional deste recurso. Esta realidade contrasta com a trajetória europeia, orientada para cadeias de maior valor acrescentado, como bioprodutos, biomateriais e biocombustíveis avançados. O desafio nacional não é apenas remover sobrantes, mas convertê-los em matéria-prima de maior valor acrescentado. Neste contexto, o modelo desenvolvido no âmbito do RESIST propõe uma abordagem territorial integrada para transformar a BFR de passivo operacional da gestão florestal em recurso estratégico para cadeias regionais de bioeconomia. O modelo incide nas Comunidades Intermunicipais da Região de Coimbra e do Médio Tejo, abrangendo 30 municípios, mais de 768 000 ha e cerca de 680 000 habitantes, num território com forte expressão florestal, elevada vulnerabilidade ao fogo e ativos logísticos, tecnológicos e industriais relevantes. A abordagem assenta numa arquitetura modular e em cascata, organizada em hubs intermunicipais e corredores funcionais. Na CIM RC, a rede intermunicipal de 10 parques e 13 contentores de biomassa permite estruturar dois corredores complementares, um interior, com potencial de fornecimento de 72 567 t/ano de BFR, e um litoral, com 108 190 t/ano. Esta infraestrutura tem potencial para aproximar o pré-processamento das fontes, reduzir custos de transporte e apoiar, de forma faseada, operações de triagem, estilhaçamento, secagem, acondicionamento e controlo de qualidade, criando condições para o futuro abastecimento regular dos módulos de valorização. A robustez do modelo resulta na capacidade potencial de mobilizar uma ampla rede de mais de 40 entidades na CIM RC, incluindo atores técnicos, institucionais e industriais, o que demonstra que o território possui competências, infraestruturas e procura suficientes para sustentar toda a cadeia de valor da BFR, desde a recolha até à colocação de bioprodutos no mercado. A cadeia integra quatro rotas de valorização — gaseificação, pirólise lenta, destilação a vapor e extração de taninos — organizadas em cascata para maximizar o valor da BFR, com destaque para a pirólise na valorização de frações lenhosas via produção de biochar. Embora localizada fora da área de intervenção do RESIST, aunidade de biochar em desenvolvimento em Boticas constitui um exemplo relevante de produção descentralizada e modular, ao articular fluxos locais de biomassa, pré-tratamento, conversão termoquímica e potenciais aplicações ambientais e materiais. O modelo RESIST é estratégico para territórios florestais vulneráveis por integrar a BFR numa cadeia de valor em cascata, dependente da articulação entre recursos, infraestruturas e procura, posicionando-a como matéria-prima qualificada para a bioeconomia. Da Fragmentação à Coerência: Perspetivas técnicas sobre o Planeamento da Floresta Urbana em Portugal 1: Department of Architecture (DiDA) - University of Florence, Italy; 2: Centre for Applied Ecology “Professor Baeta Neves” (CEABN), InBIO, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, Lisbon, Portugal Em Portugal, os diversos instrumentos de planeamento da floresta urbana, tais como os Planos de Arborização Urbana, os Planos Verdes ou os Planos de Gestão da Estrutura Verde Urbana, tendem a ser desenvolvidos de forma isolada, sem integração com os restantes instrumentos de planeamento municipal. Esta fragmentação, que se manifesta como uma desarticulação entre estes planos e os restantes instrumentos de planeamento municipal integrado, não é exclusiva de Portugal, verificando-se igualmente noutros contextos europeus. Para melhor compreender esta desarticulação, foi seguido um trabalho de investigação tendo por base as seguintes perguntas: i) Como é que os profissionais lidam com esta desarticulação? ii) Quais são as verdadeiras lacunas entre o que é projetado e a sua implementação; iii) Quais os conflitos existentes durante a elaboração e implementação dos planos de arborização; e iv) Que condições devem existir para que um município possa fazer a transição de instrumentos de planeamento isolados para uma abordagem integrada de planeamento da natureza urbana, tal como sugerido pela UE. A investigação utiliza uma abordagem de teoria fundamentada qualitativa, através de entrevistas semiestruturadas com profissionais que desenvolveram os planos de arborização urbana nos municípios do Porto, Vila Franca de Xira, Lisboa e Lagos, e que constituem os quatro casos de estudo analisados neste trabalho. Através da abordagem de grounded theory, os profissionais são classificados como co-construtores do modelo teórico de compreensão. Nestas entrevistas foram recolhidas informações sobre a diferença entre os objetivos inicialmente estabelecidos para os planos e as atividades que foram implementadas. A análise dos quatro casos de estudo identificou: a) os desafios comuns que afetam os 4 casos; b) quais as especificidades contextuais; c) de que forma os instrumentos normativos interagem com os ciclos políticos; d) como funcionam os processos participativos; e) quais as estratégias adaptativas necessárias para contornar as restrições financeiras e administrativas. Para além disto, e com base na recolha de informação sistemática junto dos profissionais, nomeadamente aquela referente aos constrangimentos que enfrentam, esta investigação definiu as condições estruturais, políticas, económicas, sociais, técnicas e relacionais que possibilitam ou dificultam uma transição real para o planeamento integrado da natureza urbana, coerente com as orientações europeias de restauro ecológico e com as orientações da comunidade científica internacional. Este trabalho preenche uma lacuna entre a literatura sobre o ordenamento do território, frequentemente normativa e prescritiva, e a experiência adquirida pelos profissionais na implementação de planos de arborização e de gestão do verde urbano, geralmente não prescritivos. Os resultados obtidos permitem identificar as condições necessárias para que estes instrumentos possam evoluir para uma abordagem integrada de planeamento da natureza urbana, coerente com as orientações europeias. *Esta contribuição insere-se na tese de doutoramento "Piani del verde e green infrastructures – Strumenti e pratiche per la gestione ecologica degli insediamenti urbani" do Programa Urban Future Studies (University of Florence), orientada pela Prof.ª A. Lambertini (DIDA), co-orientada pela Dr.ª C. Borghi (DAGRI) e pelo Dr. L. Nofroni (DIDA), coordenada pelos Prof. G. Chirici (DAGRI) e G. De Luca (DIDA), com direção científica do Prof. S. Mancuso (DAGRI). Micropropagation and slow growth germplasm conservation of Ilex aquifolium L. 1: CBPBI - Centro de Biotecnologia de Plantas da Beira Interior, Portugal; 2: CERNAS-IPCB - Centro de Estudos em Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Instituto Politécnico de Castelo Branco. Castelo Branco, Portugal; 3: The Navigator Company, Setúbal, Portugal; 4: Viveiros Aliança, Herdade de Espirra, Pegões, Portugal; 5: CIBIO (Research Center in Biodiversity and Genetic Resources) - InBIO (Research Network in Biodiversity and Evolutionary Biology), University of Porto. Campus Agrário de Vairão. Vairão, Portugal; 6: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO. Campus de Vairão. Vairão, Portugal.; 7: MHNC-UP - Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto – Herbário PO, Universidade do Porto. Porto, Portugal; 8: proMetheus - Research Unit in Materials, Energy and Environment for Sustainability, Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Viana do Castelo, Portugal; 9: Departamento de Biologia, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto. Porto, Portugal Ilex aquifolium L., commonly known as European Holly, is a dioecious tree species of significant ecological and ethnobotanical value. Due to its critical decline caused by overexploitation for ornamental purposes and habitat loss, I. aquifolium has been legally protected in Portugal since 1989 (Decree-Law No. 423/89), which strictly prohibits the collection, transport, or sale of wild specimens. Given its legal protection and the critical decline of wild populations, the development of efficient biotechnological tools is crucial to ensure its long-term survival and genetic diversity. The aim of this study was a development of an efficient micropropagation protocol and a slow growth conservation assay. The establishment was done from an adult plant tree from Monchique mountains. Nodal segments were cultured on Woody Plant Medium (WPM) supplemented with different cytokinins to evaluate their effects on shoot induction and multiplication. The experimental design evaluated 2-isopentenyladenine (2iP), 6-benzylaminopurine (BAP), and kinetin (KIN), each tested at concentrations of 0.5, 1.0, and 2.0 mg/L. For the rooting assay, indole-3-butyric acid (IBA) was applied at 1, 3, and 5 mg/L. During the multiplication stage, the best results were obtained with 0.5 mg/L BAP, yielding a maximum shoot length of 20 mm and a multiplication rate of 2.7, although the explants exhibited mild hyperhydricity. The highest rooting efficiency was achieved using 5 mg/L IBA, which resulted in 97% and 100% rooting after 7 and 30 days, respectively. At acclimatization phase, under a relative humidity control environment, 100% of survival was achieved. Regarding slow growth conservation, viable explants were successfully retrieved after 12 months of cold storage across different conservation interval times. This study establishes the baseline protocol for micropropagation and conservation of I. aquifolium as essential tools for the preservation of this species. Funding: These studies were supported by the TransForm Mobilisation Agenda (PRR 02/C05-i01/2022), funded by the European Union through the Recovery and Resilience Plan (RRP) and the NextGenerationEU fund, under component C5 – Capitalisation and Business Innovation Monitoring cork oak natural regeneration in Mediterranean forests to sustain cork production under climate and management pressures 1: Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro Centro de Investigacao e de Tecnologias Agro-Ambientais e Biologicas, Portugal; 2: Amorim Florestal, S.A. Cork oak (Quercus suber L.) forests are emblematic Mediterranean socio-ecological systems, supporting biodiversity conservation, rural economies, cork production and cultural heritage. Their long-term sustainability depends on the vitality of adult trees and, critically, on successful natural regeneration, which ensures stand renewal and the continued provision of cork as a high-value non-wood forest product. This study was conducted within the R&D&I framework of the Mobilising Agenda TransForm – Digital Transformation of the Forestry Sector towards a Resilient, Low-Carbon Economy, supported by the Portuguese Recovery and Resilience Plan and NextGenerationEU funds. As part of the collaborative project Resilient Forest Management, a network of permanent plots has been established across Portugal to monitor forest dynamics and environmental responses. Within this framework, research and pilot plots located in cork oak forests in northern Portugal were used to assess tree- and stand-level dynamics, with particular focus on early regeneration processes. The main objectives were to assess natural regeneration dynamics and compare two sampling designs commonly used in ecological and forestry monitoring: Line Transects and Radial Clusters. Over the two-year study period, both methods were applied to evaluate acorn density, seedling emergence and seedling mortality. The results confirmed the central role of acorn availability in regeneration success and revealed clear differences between sampling approaches and demonstrated that sampling design can strongly influence regeneration estimates. In particular, less spatially representative methods may underestimate early regeneration patterns. The findings indicate that the Radial Cluster design provides a more representative and efficient assessment of cork oak regeneration than traditional line transects. Its adoption within the TransForm permanent plot network can therefore improve the robustness of regeneration monitoring and support the early detection of changes in stand dynamics. The study also highlights the complex interaction between biological, environmental and management drivers, including acorn production, drought stress and stand structure, particularly stand density. Years with high acorn production and favourable canopy conditions supported initial seedling emergence, but summer drought emerged as the main bottleneck for regeneration success. High temperatures, irregular rainfall and prolonged dry periods may severely limit seedling survival, while local soil constraints, such as compaction and low fertility, can further reduce recruitment potential. Overall, these results reinforce the importance of systematic and consistent monitoring of natural regeneration as a priority for adaptive cork oak forest management. In a context of increasing climatic variability and management pressures, reliable natural regeneration data are essential for identifying early warning signs of ecosystem decline, guiding timely management responses, safeguarding cork production, promoting stand resilience and preserving the ecological, economic and cultural legacy of cork oak landscapes. Intra-annual growth carry-over under rising summer VPD in Mediterranean Pinus pinaster forests 1: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 2: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Vila Real, Portugal In northern Portugal, maritime pine (Pinus pinaster Ait.) stands are increasingly threatened by rising summer Vapor Pressure Deficit (VPD) and declining seasonal rainfall. Utilizing multi-decadal tree-ring width chronologies (1965–2023) from mature stands in the Tâmega River basin, this study examined how summer atmospheric aridity, seasonal precipitation, and intra-annual growth legacies interact to shape latewood formation. Our analyses demonstrate that summer VPD imposes a persistent, additive constraint on latewood width alongside summer precipitation, operating as a co-limiting driver rather than replacing rainfall controls. While lagged climate memory from prior years has attenuated in recent decades, current-year VPD sensitivity has remained remarkably stable. Crucially, tests of intra-annual growth coordination showed that the earlywood-to-latewood carry-over did not collapse under intensifying atmospheric stress. Instead, this biological legacy strengthened after 2000, acting independently of VPD and serving as the primary structural determinant of latewood growth. These findings highlight that internal growth carry-over plays a key role in buffering secondary growth against summer atmospheric aridification in Mediterranean maritime pine forests. Rede de monitorização de longo prazo de pinheiro-bravo no Norte de Portugal: Síntese e potencial da base de dados Data-Pinaster 1: Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 2: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Vila Real, Portugal A monitorização de longo prazo das florestas é fundamental para apoiar estratégias de gestão florestal adaptativa, sustentando o desenvolvimento de modelos silvícolas ajustados às condições atuais e capazes de responder aos desafios futuros, com base em informação recolhida ao longo de décadas de evolução observada dos povoamentos. O pinheiro-bravo (Pinus pinaster Ait.) é uma das espécies florestais mais representativas em Portugal, desempenhando um papel central na produção lenhosa, nas economias rurais e na provisão de serviços de ecossistema. Reconhecendo a importância de séries temporais de longa duração para apoiar a gestão sustentável desta espécie, foi criada, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), na década de 1990, a base de dados Data-Pinaster, a qual sustentou o desenvolvimento de importantes ferramentas de apoio à gestão florestal do pinhal-bravo (e.g., Tabelas de Produção e o simulador ModisPinaster), permitindo o ensaio de modelos de silvicultura e propostas de intervenções orientadas para objetivos diversos. Recentemente, esta infraestrutura de dados foi atualizada no âmbito das atividades de I&D+i da Agenda Mobilizadora TransForm – Transformação Digital do Setor Florestal para uma Economia Resiliente e de Baixo Carbono, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelo programa NextGenerationEU. Neste contexto, um subconjunto de parcelas Data-Pinaster foi integrado na plataforma PlotConnect, desenvolvida no âmbito do TransForm, contribuindo para a digitalização, harmonização e monitorização de longo prazo de dados florestais de pinheiro-bravo. Esta comunicação apresenta a base de dados Data-Pinaster enquanto rede de monitorização de longo prazo na bacia hidrográfica do rio Tâmega, abrangendo os concelhos de Mondim de Basto, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Chaves, no distrito de Vila Real. Adicionalmente, é realizada a caracterização do subconjunto de nove parcelas permanentes dessa base, distribuídas pelos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Chaves, que integram a plataforma PlotConnect. Estas parcelas foram selecionadas para recolha complementar de dados dendrocronológicos, constituindo um suporte consistente para a análise do desenvolvimento dos povoamentos, da dinâmica estrutural e das respostas do crescimento radial ao longo do tempo. Os nove pinhais monitorizados são povoamentos puros e equiénios, apresentando uma idade média de 55 anos, com valores compreendidos entre 32 e 71 anos. As parcelas selecionadas abrangem um amplo gradiente de densidade, variando entre 175 e 2 013 árvores ha⁻¹. Com a quantificação de atributos estruturais ao longo deste gradiente de densidade, é possível estabelecer uma base robusta para avaliar o desenvolvimento e a resiliência dos povoamentos de pinheiro-bravo face às alterações ambientais e climáticas. A integração destas parcelas na plataforma de gestão de parcelas florestais permanentes Plotconnect reforça o conhecimento científico sobre a dinâmica dos povoamentos de pinheiro-bravo, ampliando a capacidade de acompanhar a sua evolução estrutural, sob condições de silvicultura média, avaliar efeitos de competição e investigar de que forma a densidade poderá mediar o impacto de condições ambientais extremas no crescimento das árvores. Genomic Approaches for the Identification of Molecular Markers for Productive Traits in Cork Oak (Quercus suber) 1: Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo (CEBAL)/Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), Beja, Portugal; 2: MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development , CEBAL, 7801-908, Beja, Portugal; 3: CHANGE – Global Change and Sustainability Institute, CEBAL, 7801-908, Beja, Portugal; 4: MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora, Portugal. Cork oak (Quercus suber L.) is an ecologically and economically important evergreen tree species native to the Mediterranean basin. Cork oak trees are found in a unique woodland ecosystem (known as ‘montado’ in Portugal and ‘dehesa’ in Spain), representing one of the most important agro-silvo-pastoral systems in the Mediterranean region, providing essential ecological, economic, and social benefits. These systems play a crucial role in biodiversity conservation, carbon sequestration, risk prevention, soil protection, and sustainable cork production. Cork oak has the ability to produce cork in a sustainable manner being the basis for a unique industry worldwide with a wide range of applications, harnessing its distinctive chemical and physical properties, and remaining one of the most non-wood forest products used worldwide. Cork production is closely linked to the physical development of the cork oak, particularly trunk diameter, which determines when the tree is ready for the first harvest. The first extraction only occurs after approximately 19–25 years of growth, once the legally required diameter is reached, while subsequent extractions only occur every 9–12 years. This relationship allows phenotypic traits such as trunk diameter and height to be used as indicators of potential cork production. Hence, the integration of phenotypic data with high-throughput sequencing technologies allows genotype–phenotype association studies aimed at identifying molecular markers linked to desirable traits, with potential relevance for selection and improvement strategies. In this context, the aim of this study is to identify molecular markers associated with cork productivity. In order to achieve this goal, the F1 cork oak population was selected as the genomic resource. This population is the only known cork oak population in which the progenitors of each offspring are identified, all originating from selected high-quality cork-producing parents. The F1 cork oak population is approximately 12 years old and has been phenotypically characterized during the last years, annually registering the height and diameter for each tree, traits directly associated with cork production. A subset of individuals from this population was selected, focusing on the five largest families. In total, 147 individuals were sampled and sequenced using whole-genome resequencing (WGRS), providing a high-resolution dataset. The collected phenotypic data and the genomic data are currently being analyzed, in order to identify molecular markers associated with cork production traits. Through the use of the unique F1 cork oak population, this work provides a robust framework for studying trait inheritance while establishing a valuable foundation for future research into the resilience and sustainability of this species. Overall, this work is expected to contribute to the generation of genomic resources, providing valuable tools for future breeding and conservation programs of cork oak species. Acknowledgments: Work supported by Interreg Spain-Portugal (POCTEP) through FEDER under the project “SOS_PRODEHESAMONTADO (0086_SOS_PRODEHESAMONTADO_4_E). Authors acknowledge FCT for funding: LM (CEECINST/00131/2018), AU ( https://doi.org/10.54499/CEECINST/00100/2021/CP2774/CT0001), AF (UI/BD/153511/2022; https://doi.org/10.54499/UI/BD/153511/2022), the R&D unit MED (https://doi.org/10.54499/UID/05183/2025), and the Associate Laboratory CHANGE (https://doi.org/10.54499/LA/P/0121/2020). Comparativo da situação fundiária em Glebas Públicas Federais na Amazónia Legal: complexidade e prioridades para gestão florestal 1: CEGAFI UnB, Brazil; 2: Universidade de Brasília, UnB O projecto GovFun Mais Amazónia (CEGAFI, 2023) identificou 2.325 imóveis cadastrados na base de GPFs, totalizando aproximadamente 88,9 milhões de hectares distribuídos nos nove estados da Amazónia Legal, uma extensão territorial com impacto direto no equilíbrio climático global. A gestão dessas áreas é complexa devido a sobreposições com as categorias fundiárias, como terras indígenas, unidades de conservação, projectos de assentamento, territórios quilombolas e imóveis privados certificados. O Sistema de Regularização e Titulação de Terras (SRTT) trazia uma número menor de glebas, reduzindo o universo para 2.111 imóveis, dos quais apenas 901 convergiam com os dados da base de glebas, evidenciando a complexidade estrutural dessas áreas e as lacunas sistémicas nos cadastros oficiais. Foram aplicados filtros e procedimentos de saneamento para eliminar duplicações e sobreposições entre bases, em processo partilhado entre equipas técnicas da UnB e do INCRA. Na segunda etapa, foi iniciada a verificação in loco nas Superintendências Regionais do INCRA. Além disso, os dados espaciais das glebas públicas federais foram cruzados com o Cadastro Nacional de Florestas Públicas (CNFP) e identificadas as Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs). Este cruzamento apontou FPNDs, classificadas como Tipo B, sobrepostas com áreas já destinadas, o que indicas que deveriam estar classificadas como Tipo A. Essa análise abrange toda Amazónia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O Amazonas e o Pará destacam-se com a maior extensão e complexidade, com 408.643,26 km² e 374.806,89 km², com sobreposições múltiplas e expressiva presença de imóveis particulares certificados em Glebas Públicas Federais. Em todos os estados, o SRTT apresentou registos fracionados e sem saneamento sistemático, com diferentes destinações e nomenclaturas inconsistentes para um mesmo imóvel, dificultando a identificação da situação fundiária real e comprometendo a gestão florestal. Conclui-se que a desatualização das bases cadastrais é um entrave direto à gestão das Florestas Públicas, tornando-as vulneráveis à exploração irregular. A conclusão das etapas de verificação in loco e cruzamento de dados com florestas Tipo A e B é condição necessária para identificar destinações ainda não formalizadas e priorizar ações de regularização. A harmonização entre INCRA, SFB, ICMBio e FUNAI no âmbito da Câmara Técnica de Destinação e Regularização Fundiária permanece a via institucional indispensável para avançar na governança florestal da Amazónia Legal. A regularização eficaz destas glebas é, portanto, uma estratégia de conservação necessária para a manutenção da Amazónia. Summer Branch Drop in Urban Trees: Contributions to Integrated Tree-Risk Assessment 1: UC, ISISE, ARISE, Department of Civil Engineering, University of Coimbra, 3030-788, Coimbra, Portugal; 2: UTAD, CITAB, Centre for the Research and Technology of Agro-Environmental and Biological Sciences, University of Trás-os-Montes and Alto Douro, 5000-801, Vila Real, Portugal; 3: SERQ, Innovation and Competence Forest Centre, 6100-711, Sertã, Portugal Summer Branch Drop (SBD) refers to the sudden failure of mature branches during summer, often in the absence of strong winds or visible external signs of structural instability. This phenomenon has been associated with heat, water stress, increased branch weight, internal wood decay, and site-related stress factors. Although widely referenced in arboriculture literature, SBD remains inconsistently defined, and its underlying mechanisms are still not fully understood. This knowledge gap is especially significant because the unpredictable nature of SBD can limit the effectiveness of routine tree inspections and complicate the timely identification of risk-mitigation measures. Building on previously documented cases of SBD in Portuguese urban trees, this work proposes an integrated framework for urban tree-risk assessment. Rather than describing isolated failure events, the aim is to discuss how information obtained from visual inspection, dendrometric characterisation, phytosanitary assessment, non-destructive diagnostic methods, and site-condition analysis can be combined to support more robust decision-making in municipal tree management. The proposed approach considers SBD as a multifactorial process resulting from the interaction of biological, structural, and environmental factors. These factors should be understood as interacting components that may reduce branch mechanical safety margins and increase uncertainty in routine tree-risk assessment. Visual assessment remains essential in tree inspection; however, SBD cases show that it may be insufficient when deterioration is internal, localised, or poorly expressed externally. In this context, non-destructive techniques, such as acoustic tomography and drilling resistance, can provide complementary information on the presence and severity of internal wood degradation, contributing to a more objective interpretation of mechanical strength loss. The integration of biological information, including the identification of decay fungi when present, further reinforces the need to connect phytosanitary diagnosis with biomechanical interpretation. Overall, SBD assessment requires a multidisciplinary, evidence-based framework capable of integrating tree morphology, structural defects, internal wood condition, biological agents, environmental stressors, and site constraints. The systematic incorporation of these procedures into municipal monitoring programmes may reduce uncertainty in tree failure assessment, improve the prioritisation of interventions, and support technical decisions that balance public safety with the conservation of valuable urban trees. Gestão de florestas públicas e regularização dos Povos e Comunidades Tradicionais na Amazónia Legal: limites institucionais e oportunidades estratégicas 1: CEGAFI-UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, Brazil; 2: UNIVERSIDADE DE BRASILIA- UnB A presença simultânea de grandes extensões de Florestas Públicas Não Destinadas (FPND) e de territórios de Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) na Amazónia Legal suscita incertezas quanto à segurança fundiária, à eficácia da conservação e ao combate à grilagem e à desflorestação ilegal. As Glebas Públicas Federais (GPF) sob gestão do INCRA concentram uma área expressiva, cuja afetação e regularização fundiária constituem instrumentos essenciais para o ordenamento territorial, a gestão florestal e a implementação integrada de políticas públicas ambientais e agrárias. Neste contexto, o estudo analisa dados produzidos pelo Projeto Govfun+Amazónia, parceria institucional entre o INCRA e a UnB que tem como um dos objetivos subsidiar a implementação de políticas públicas de ordenamento territorial, além de apoiar o Programa Territórios da Floresta desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A investigação adotou uma abordagem qualitativa baseada em análise bibliográfica e documental dos materiais produzidos pelo Projeto Govfun+AM, com observância aos critérios e diretrizes do Programa Territórios da Floresta (MMA). Foram analisados relatórios técnicos, normativos em vigor, bases fundiárias, registos cartoriais, cadastros oficiais e materiais cartográficos relativos às áreas tituladas em GPF e às áreas prioritárias do programa, com enfoque na identificação de PCT em FPND. O tratamento dos dados envolveu sistematização, padronização e cruzamento de informações fundiárias e geoespaciais, visando aperfeiçoar a malha fundiária, identificar sobreposições cartográficas, ocupação consolidada e áreas remanescentes. O Plano de Ação para Prevenção e Controlo do Desmatamento na Amazónia Legal (PPCDAm 2023-2027) estabelece a meta de afetação de 29,5 milhões de hectares de florestas públicas federais até 2027. Contudo, na ausência de integração com políticas de regularização de PCT, tal medida pode intensificar conflitos fundiários, considerando que a institucionalização de áreas protegidas se revela um dos mecanismos de combate à desflorestação. Neste contexto, a sistematização documental em curso no Projeto Govfun+AM localizou 2.240 registos e reconstituiu cerca de 1.600 parcelas tituladas em GPF prioritárias no estado do Maranhão, identificando áreas que ainda constituem FPND passíveis de afetação aos PCT, bem como áreas já destinadas a agricultores familiares que deveriam ser excluídas da procura do Programa Territórios da Floresta. Define-se área remanescente como a fração residual que ainda não recebeu afetação específica. Tal conceituação revela-se fundamental para qualificar a gestão fundiária e florestal e transformar acervos fragmentados numa base territorial consistente, apta a subsidiar decisões de afetação pública. O Programa Territórios da Floresta visa atuar de forma estratégica e articulada na preservação ambiental e na proteção dos direitos dos PCT. Para tal, prevê a emissão de Contratos de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) em modalidade coletiva e por prazo indeterminado sobre as áreas de FPND, pactuados conjuntamente entre o MMA, o MDA e os PCT interessados. Desta forma, o Projeto Govfun+AM e o Programa Territórios da Floresta constituem iniciativas estratégicas para aperfeiçoar a gestão florestal. An Integrated Approach for Estimating Wildfire Carbon Emissions Using Bi-Temporal Point Clouds and Sentinel-2 Imagery 1: Forest Research Centre, Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Department of Geographical Sciences, University of Maryland, College Park, MD, United States of America (USA). Wildfires are the major reason for biomass loss and ecosystem change in Mediterranean forest landscapes, significantly impacting carbon dynamics and affecting post-fire recovery. Therefore, accurate assessment of wildfire carbon emissions is essential for understanding wildfire impacts and improving forest monitoring strategies in fire-prone regions. The study investigates the use of multitemporal LiDAR-based aboveground biomass consumption (understory and overstory) from a suite of bitemporal point cloud structural change metrics. The final objective of the study is developing models to estimate combustion completeness using spectral relationships from Sentinel-2 indices and multitemporal LiDAR-based fuel consumption by forest type and fire severity levels. The study also addresses several methodological challenges, including differences in sensor characteristics and point density between Airborne Laser Scanning (ALS) and Unmanned Laser Scanning (ULS) datasets and the complex topography of the study area. The study was conducted in the municipality of Lousã, central Portugal, using the August 2025 wildfire as a case study across different forest types, shrublands and fire severity levels. Pre-fire biomass conditions were estimated using countrywide ALS data acquired in July 2024 by “Direção Geral do Territorio” (DGT), while the estimation of post-fire biomass was derived from ULS data collected in October-November 2025 over an area of approximately 1,500 ha. In both cases, pre-existing ALS-based biomass models were applied to quantify biomass consumption before and after the fire. Fire severity indices were computed from pre- and post-fire Sentinel-2 Level 2A imagery. Biomass losses were analyzed in relation to fire severity indices, vegetation structure, and forest composition. This study is expected to contribute to improving combustion completeness factors currently used in the Portuguese National Inventory Reports on greenhouse gases, providing more accurate estimates of biomass consumption and wildfire-related emissions across different forest types and fire severity levels. Como evoluem as rolhas de cortiça em contacto de longa duração com vinho em garrafa 1: Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 3: Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Center, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 4: Amorim Cork, Rua dos Corticeiros 850, 4535-387 Santa Maria de Lamas, Portugal A cortiça é desde há muito utilizada como vedante em garrafas de vinho devido às suas propriedades que asseguram a estanquicidade do vedante (por exemplo, baixa permeabilidade a líquidos e gases, assim como capacidade mecânica de recuperação dimensional após inserção na garrafa e manutenção da força compressiva contra a parede interior do gargalo). No entanto há casos em que as rolhas fraturam e se desintegram quando são retiradas com saca-rolhas, apresentando também uma contração de volume. Este facto mostra que houve alteração de propriedades da rolha, provavelmente em resultado de uma alteração química dos componentes estruturais da cortiça por contacto com a solução etanólica. Para estudar este fenómeno, analisou-se o efeito químico de soluções etanol-água sobre a cortiça em condições reativas com diferentes severidades que possam ser associadas a diferentes tempos de engarrafamento. Utilizando cortiça livre de extrativos, ou seja, cortiça apenas contendo os seus componentes químicos estruturais, efetuaram-se tratamentos em autoclave com soluções água-etanol com diferentes temperaturas e tempos de contacto, determinando a perda de massa resultante da degradação da suberina e da lenhina e polissacáridos. Em condições de severidade baixa ou moderada (correspondentes a fatores de severidade até 4,6), que se podem extrapolar para os casos de contacto de rolhas sem envelhecimento em garrafa ou com envelhecimento de duração moderada, verificou-se que a perda de massa total é de 11%, mostrando a suberina grande estabilidade, com uma despolimerização menor que 5% do seu valor inicial, e a lenhina com 18%. Tais valores não configuram impacto significativo nas propriedades da cortiça e, portanto, no desempenho das rolhas nestas condições. Para envelhecimento em garrafa de muito longa duração, que se pode aproximar às condições reativas que foram testadas com severidade mais alta (até 5,1), a perda de massa total atinge 41% com uma despolimerização da suberina que aumenta até 43% do seu teor inicial, o que introduz fragilidades mecânicas a nível da parede celular das células de cortiça. Embora as alterações não se estendam uniformemente a toda a rolha, verifica-se uma diminuição da rigidez das paredes celulares e o seu correspondente colapso ou enrugamento acentuado, assim como a diminuição da espessura, o que explica fraturas e desintegração das rolhas, assim como a sua contração volumétrica. Integração de sensores orbitais para a monitorização do coberto por floresta urbana utilizando Google Earth Engine 1: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR; 2: UTAD, CITAB, Portugal A expansão urbana acelerada intensificou processos de fragmentação da cobertura vegetal, impermeabilização do solo e desigualdades sociais, comprometendo serviços ecossistêmicos essenciais fornecidos pelas florestas urbanas. A monitorização do coberto por infraestruturas verdes torna-se assim fundamental no apoio a ações de arborização urbana, mitigação das ilhas de calor, promoção da conectividade ecológica e fortalecimento da resiliência climática das cidades. Nesse contexto, o uso integrado da deteção remota, computação em nuvem e algoritmos de aprendizagem apresenta elevado potencial para análises espaciais em larga escala aplicadas às florestas urbanas e ao planejamento territorial. O presente estudo tem como objetivo avaliar o desempenho da integração multissensorial entre dados Sentinel-1 (SAR), Sentinel-2 (óptico) e NDVI na classificação supervisionada da cobertura do solo urbano em capitais brasileiras, utilizando o ambiente Google Earth Engine (GEE). A classificação foi realizada por meio do algoritmo Random Forest, considerando quatro classes temáticas principais: floresta urbana, cobertura herbácea, áreas aquáticas e edificadas. Foram avaliados sete tratamentos distintos (S1+S2+NDVI; S1+NDVI; S1+S2; NDVI; S2+NDVI; S2; S1), permitindo analisar o efeito da integração entre sensores ópticos, radar e índices espectrais sobre a acurácia do mapeamento. A validação estatística foi realizada por meio de matrizes de confusão e análise do índice Kappa de Cohen, variância do Kappa, erro-padrão e teste Z bicaudal. Os resultados demonstraram superioridade do tratamento S1+S2+NDVI, que apresentou acurácia global de 88,89% e índice Kappa de 0,84. O cenário S1+NDVI apresentou desempenho semelhante, com acurácia de 88,33% e Kappa de 0,83, sem diferença estatisticamente significativa em relação ao tratamento principal. O tratamento S1+S2 alcançou acurácia de 87,22% e Kappa de 0,81, enquanto os tratamentos S2+NDVI e S2 apresentaram acurácia de 84,44% e Kappa de 0,77. O NDVI isolado alcançou acurácia de 85,56% e Kappa de 0,79. Em contraste, o tratamento baseado exclusivamente em dados SAR (S1) apresentou desempenho significativamente inferior, com acurácia de 58,33% e índice Kappa de 0,40. Os resultados evidenciam que a integração multissensorial constitui uma estratégia robusta para o mapeamento da cobertura arbórea urbana em ambientes complexos e heterogêneos. Ficou demonstrado que as ambiguidades espectrais entre classes com vegetação e superfícies urbanizadas são baixas. Além de melhorar a precisão do mapeamento, a abordagem proposta fornece respostas credíveis para a monitorização da cobertura arbórea, avaliação da infraestrutura verde urbana, identificação de áreas prioritárias para arborização, mitigação de ilhas de calor e apoio à formulação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e resiliência das cidades. Community-level modelling of Quercus lusitanica Lam. shrublands for conservation, climate-change assessment and restoration planning 1: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 2: CIBIO – Research Centre in Biodiversity and Genetic Resources, InBIO Associate Laboratory, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 3: Floradata – Biodiversidade, Ambiente e Recursos Naturais, Lda., Campo 24 de Agosto, 129, Escritório 704, 4300-504 Porto, Portugal; 4: Departmento de Biologia, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Rua do Campo Alegre s/n, 4169-007 Porto, Portugal; 5: Centre of Geographical Studies, Institute of Geography and Spatial Planning, University of Lisbon, Lisboa, Portugal; 6: PROMETHEUS – Research Unit in Materials, Energy and Environment for Sustainability, Polytechnic Institute of Viana do Castelo, Viana do Castelo, Portugal; 7: MHNC-UP – Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, Herbarium PO, University of Porto, Praça Gomes Teixeira, 4099-002 Porto, Portugal Quercus lusitanica Lam. is an Iberian endemic dwarf oak that forms distinctive shrubland communities across Atlantic and Mediterranean landscapes. Although often regarded as a marginal or secondary oak, it plays an important ecological role in open woodlands, heathlands, forest gaps and drought-adapted shrublands. Its communities occur along marked climatic, edaphic and successional gradients, making them particularly relevant for conservation, climate-change assessment and restoration planning. However, their floristic composition, ecological drivers and potential responses to environmental change remain insufficiently understood at the community level. We used Joint Species Distribution Models to analyse plant assemblages associated with Q. lusitanica across its distribution range. Unlike single-species models, this approach considers co-occurrence patterns among species and identifies groups of taxa structured by shared environmental responses. An extensive vegetation dataset was combined with climatic and soil predictors to assess the main gradients controlling species turnover and community differentiation. The models revealed a strong environmental structuring of Q. lusitanica communities. Climate and soil properties emerged as the main drivers of assemblage composition, with temperature-related variables, soil acidity and soil texture showing particularly important effects. These results confirm the broad ecological amplitude of Q. lusitanica, which occurs both in drought-prone Mediterranean shrublands and in more Atlantic, temperate and early-successional vegetation mosaics. The species therefore appears not only as a characteristic element of rare Iberian oak shrublands, but also as a pioneer or transitional component in heathlands, degraded forest margins and recovering woodland systems. By modelling entire assemblages rather than isolated taxa, this work provides a more realistic framework for assessing the conservation value and vulnerability of Q. lusitanica vegetation under environmental change. The results can support the identification of priority areas for habitat protection, the definition of floristically coherent restoration targets and the anticipation of community-level responses to climate change. This approach reinforces the importance of integrating community ecology, biogeography and predictive modelling in the conservation and recovery of rare Mediterranean oak habitats. Continuous monitoring of permanent forest plots of Quercus rotundifolia in the south of Portugal 1: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e CREATE, Portugal; 2: Universidade de Évora e CREATE, Portugal; 3: CERNA, Portugal; 4: ICNF, Portugal; 5: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e CITAB, Portugal; 6: Colab Forestwise, Portugal Quercus rotundifolia Lam., one of the dominant tree species in the montado ecosystem, plays a fundamental role in sustaining montado systems across the Iberian Peninsula. As part of the PRR1.3 project within the Transform Agenda, permanent forest plots of this species were established at Herdade da Mitra, University of Évora, with the aim of integrating them into both the national Transform network of permanent forest plots and the ICP Forests monitoring network. The intensive monitoring plots were established and equipped with IoT technologies to support continuous ecosystem monitoring. The instrumentation also includes sap flow sensors, dendrometers and other environmental monitoring devices, generating important information for improving adaptive management strategies and increasing ecosystem resilience. The first results reveal how structural and functional variables influence the growth responses of Q. rotundifolia, providing a basis for the development of new modelling strategies. Acknowledgements: This work is funded by Agenda Transform, project no. C644865735-00000007, following the Mobilization Agendas for Business Innovation (Notice No. 02/C05-i01/2021), supported by the Recovery and Resilience Plan (PRR) and European Funds NextGeneration EU. We also thank to national Funds by FCT –Portuguese Foundation for Science and Technology, under the projects UID/04033/2025: Centre for the Research and Technology of Agro-Environmental and Biological Sciences and LA/P/0126/2020 (https://doi.org/10.54499/LA/P/0126/2020), and by national funds through FCT – Portuguese Foundation for Science and Technology, I.P., in the framework of the UID/06107/2025 – Center for sci-tech Research in EArth sysTem and Energy (CREATE), DOI https://doi.org/10.54499/UID/06107/2025. Património arbóreo com potencial para classificação como Arvoredo de Interesse Público ou Municipal e proposta de uma rota turístico-educativa no município de Arcos de Valdevez 1: Instituto Politécnico de Viana do Castelo/Escola Superior Agrária, Portugal; 2: PROMETHEUS - Unidade de Investigação em Materiais, Energia e Ambiente para a Sustentabilidade/IPVC, Portugal; 3: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I.P., Portugal As árvores monumentais constituem um património valioso pelos bens e serviços que prestam à sociedade. Apesar da sua importância, este património continua a ser subvalorizado nas políticas públicas e insuficientemente reconhecido por parte da sociedade civil. A importância da sua proteção está consagrada em estratégias e diretivas europeias, tendo Portugal estabelecido um quadro legal específico para a sua salvaguarda há mais de um século. É essencial adotar medidas de proteção eficazes, reforçar capacidades técnicas e institucionais e envolver ativamente as comunidades locais na sua conservação. Alguns estudos provam que o envolvimento dos cidadãos pode ser determinante para a proteção destas árvores, bem como para o aumento da literacia científica e ambiental. Este estudo teve como objetivos: i) Inventariar os exemplares e conjuntos arbóreos com potencial para classificação como Arvoredo de Interesse Municipal (AIM), bem como Arvoredo de Interesse Público (AIP) no município de Arcos de Valdevez, incentivando a participação ativa da sociedade civil através de uma iniciativa de ciência cidadã; ii) Propor a classificação de árvores e conjuntos como AIM e AIP, de acordo com os critérios definidos na legislação em vigor, com vista a reforçar a sua proteção jurídica; iii) Propor uma rota turística e educativa, que promova o conhecimento, a valorização e a sensibilização da comunidade residente e dos visitantes para a importância e a urgência da preservação do património arbóreo municipal. A inventariação dos elementos do património arbóreo do município de Arcos de Valdevez baseou-se numa metodologia que integrou abordagem participativa - ciência cidadã - com levantamento técnico de campo, focado na recolha de dados sobre localização, registo fotográfico, valores dendrométricos e aspetos históricos, ecológicos, culturais e paisagísticos. Foram inventariados 44 exemplares isolados e 8 conjuntos arbóreos. Entre o património arbóreo inventariado, 31 exemplares e 7 conjuntos detêm potencial para classificação como AIM, sendo que, entre estes, 14 exemplares isolados apresentam características compatíveis com os critérios e parâmetros estabelecidos na legislação para a classificação como AIP. Com vista a promover o património arbóreo no contexto das dinâmicas culturais, educativas e ambientais do território, foi proposta uma rota turística temática. O conhecimento da localização do património arbóreo e dos atributos que justificam a sua classificação é indispensável, tal como a sensibilização para a sua salvaguarda e proteção. Análise de Sobrevivência aplicada a municípios da Amazônia Legal incluídos na lista prioritária para ações de prevenção, controle e redução do desmatamento 1: Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade de Brasília – PPGCA/UnB, Brasil; 2: Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar da Universidade de Brasília – CEGAFI/UnB, Brasil; 3: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Brasil; 4: Instituto Brasília Ambiental – IBRAM, Distrito Federal, Brasil Em razão da prolongada incidência de taxas elevadas de desmatamento na Amazônia Legal, o governo brasileiro passou a instituir uma lista anual de municípios prioritários para ações de prevenção, controle e redução do desmatamento. A medida visa articular esforços nas esferas federal, estadual e municipal para intensificar ações de combate aos ilícitos sobre a floresta. A primeira lista foi publicada em 2008, contendo 36 municípios. O município que constar na lista é submetido a várias restrições econômicas, ambientais e territoriais, tornando um desafio persistente a exclusão da lista. O objetivo do presente trabalho foi analisar o tempo de permanência dos municípios na lista prioritária, estimando a probabilidade de permanência global via método de Kaplan-Meier, utilizando ferramenta Python. Para isso, acessamos as portarias que listaram os municípios incluídos/excluídos da lista prioritária entre 2008 e 2024 e aplicamos a Análise de Sobrevivência aos 36 municípios inicialmente listados. Foram estimadas a função de sobrevivência, que é a probabilidade de um município continuar na lista por um tempo t (16 anos) e a função de risco, que representa a taxa na qual os municípios saem da lista em um determinado tempo t. O estimador de Kaplan-Meier é orientado pelos dados, considerando tantos intervalos de tempo quantos forem o número de falhas distintas. Os marcos referenciais que definem os intervalos do cálculo são os tempos exatos em que o município sai da lista. A probabilidade de permanência mediana dos 36 municípios na lista prioritária foi superior a 65% para o período de dezesseis anos, refletindo a lentidão para exclusão de municípios da lista. No segundo ano de vigência da lista, a probabilidade de permanência baixou para 97%, permanecendo assim por três anos, quando a probabilidade atingiu 75% no quinto ano. Entre o quinto e o décimo ano do período analisado, a probabilidade manteve se estável, permanecendo em 72%. Entre o 10º e o 16º ano, a probabilidade de permanência atingiu 66%, refletindo número de exclusões mais constantes que o observado no intervalo intermediário. Os dois períodos de maior estabilidade na movimentação de exclusão da lista foram entre o quinto e o 10º ano (2013 a 2018) e entre o 10º e o 13º ano (2018 a 2021). Fica evidente que se os municípios que apresentam maiores taxas de desmatamento não receberem incentivos apropriados, ou não adotarem estratégias para conter o desmatamento nos anos iniciais de sua inclusão na lista prioritária, dificilmente atingirão índices que os qualifiquem a sair desta lista. Dos 36 municípios incluídos na lista, apenas 11 foram excluídos ao longo de 16 anos. A taxa de função de risco aumentou de forma acentuada nos primeiros cinco anos do período, sugerindo que a probabilidade de algum município sair da lista prioritária aumenta até o quinto ano, diminuindo a partir desse tempo. No quarto e quinto ano após a inclusão na lista, as taxas foram 11% e 10% respectivamente. De modo geral, o tempo de permanência da maioria dos municípios na lista prioritária é maior do que o tempo do intervalo analisado. Concluímos que a exclusão dos municípios da lista pode ser significativamente baixa e incomum, ou que o período de 16 anos de acompanhamento é insuficiente para a maioria dos municípios conseguirem reverter a situação de estarem entre os mais desmatados da Amazônia Legal. A Microrreserva do Vale do Rio Cabrão como modelo municipal de conservação, restauro ecológico e gestão florestal multifuncional 1: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 2: CIBIO – Research Centre in Biodiversity and Genetic Resources, InBIO Associate Laboratory, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 3: Departamento de Biologia, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto, Rua do Campo Alegre s/n, 4169-007 Porto, Portugal; 4: Município de Estarreja, 3864-001 Estarreja, Portugal; 5: cE3c – Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute, Faculty of Sciences, University of Lisbon, 1749-016 Lisboa, Portugal; 6: Associação Florestal do Baixo Vouga, 3850-109 Albergaria-a-Velha, Portugal; 7: CESAM – Centre for Environmental and Marine Studies, Department of Biology, University of Aveiro, 3810-193 Aveiro, Portugal; 8: MHNC-UP - Herbário PO, Universidade do Porto, Portugal As microrreservas podem constituir instrumentos ágeis de conservação e restauro em paisagens florestais privadas, permitindo proteger valores naturais de pequena escala sem excluir a gestão produtiva envolvente. Neste contexto, a Microrreserva do Vale do Rio Cabrão constitui a primeira área integrada na futura Rede Municipal de Microrreservas do concelho de Estarreja, surgindo como um projeto-piloto de conservação da natureza, restauro ecológico e envolvimento comunitário. A sua criação resultou de uma parceria entre o Município de Estarreja, a União das Freguesias de Canelas e Fermelã, a Associação Florestal do Baixo Vouga, responsável pela gestão da propriedade, e a empresa Bondalti, que financia a implementação das ações previstas no plano de gestão. A área de intervenção localiza-se numa propriedade florestal com cerca de 12 ha, dos quais 8 ha foram classificados como microrreserva e 4 ha mantidos em produção de eucalipto. A delimitação da área protegida teve por base a salvaguarda das linhas de água, a valorização de habitats de elevado interesse ecológico e a integração de áreas de reduzida aptidão produtiva, demonstrando que é possível compatibilizar objetivos de produção florestal com a conservação da biodiversidade. Os trabalhos de caracterização ecológica identificaram mais de 160 espécies nativas, incluindo 80 espécies de fauna e 90 de flora vascular. A área alberga espécies protegidas pelas Diretivas Habitats e Aves, bem como vários elementos florísticos de relevo. Entre os valores mais relevantes encontram-se a salamandra-lusitânica, a lontra, o lagarto-d’água e várias espécies florísticas raras ou endémicas da Península Ibérica como Cheirolophus uliginosus, Anarrhinum longipedicellatum, Drosophyllum lusitanicum. O local alberga ainda habitats de elevado valor de conservação, incluindo galerias ripícolas, pequenas zonas húmidas e turfosas, charnecas secas e núcleos de carvalhal galaico-português dominados por Quercus orocantabrica. O plano de gestão integra um conjunto de ações de restauro ecológico orientadas para a recuperação da funcionalidade ecológica do vale, nomeadamente o controlo de espécies exóticas invasoras, incluindo Acacia melanoxylon e Acacia dealbata, a recuperação da galeria ripícola, a valorização de habitats húmidos e a reflorestação com espécies autóctones, privilegiando o carvalho-alvarinho (Quercus orocantabrica). Estas intervenções procuram recuperar funcionalidade ecológica do vale, reforçando a conectividade ripícola, a qualidade dos habitats húmidos, a resiliência ao fogo e a provisão de serviços de ecossistema. A componente participativa permitiu articular proprietários, autarquia, associações locais, comunidade científica e agentes económicos, transformando a microrreserva num laboratório vivo de governança, ensino, monitorização e sensibilização ambiental. A experiência deste projeto demonstra que pequenas áreas de elevado valor ecológico podem funcionar como unidades estratégicas de conservação e restauro em paisagens florestais produtivas, sobretudo quando integradas em modelos de gestão colaborativa entre proprietários, autarquias, associações locais, comunidade científica e agentes económicos. O projeto está a contribuir para a criação de um regulamento municipal dedicado às microrreservas e para a futura Rede Municipal de Microrreservas de Estarreja, configurando um modelo replicável de governança territorial, valorização da biodiversidade e gestão florestal multifuncional. Contributo da resinagem para o sequestro de carbono em povoamentos de Pinus pinaster: uma simulação para o Vale do Tâmega. CERNA. Regia Douro Park – Parque de Ciência e tecnologia de Vila Real. 5000-033 Vila Real, Portugal. A resina constitui um produto de elevado valor económico nos povoamentos de pinheiro-bravo, podendo complementar ou mesmo superar a importância económica da madeira em cenários de resinagem plurianual. Simultaneamente, o carbono armazenado na resina e a pegada de carbono associada à sua exploração podem influenciar o balanço global de carbono destes sistemas florestais. Contudo, a ausência de modelos de produção de resina, de avaliação de risco e de contabilização integral do carbono armazenado nos produtos resinosos pode conduzir à subvalorização desta atividade. O presente trabalho teve como objetivo quantificar o contributo da resinagem para o sequestro de carbono em povoamentos de Pinus pinaster e discutir o seu potencial contributo para a valorização económica da floresta. Utilizando como referência povoamentos com as características médias das tabelas de produção de pinheiro-bravo para o Vale do Tâmega (Moreira & Fonseca, 2002) e recorrendo ao modelo de simulação florestal ModisPinaster (Fonseca et al., 2009), foi estimado o sequestro de carbono através da biomassa lenhosa e da produção de resina, considerando um fator de expansão de biomassa de 1,6 para converter a biomassa do tronco em biomassa arbórea total. Os resultados indicam que um povoamento de qualidade média apresenta, aos 30 anos, um sequestro acumulado de 81,82 t C ha⁻¹. Até aos 55 anos, o sequestro total poderá atingir 153,24 t C ha⁻¹ na biomassa lenhosa (viva e removida), acrescido de 24,3 t C ha⁻¹ associados à produção de resina sob resinagem à vida, totalizando 177,54 t C ha⁻¹. Após a consideração das emissões associadas à exploração da resina, o saldo líquido estimado é de 176,68 t C ha⁻¹. Mesmo assumindo reduções do crescimento radial até 25% decorrentes da resinagem antes dos 40 anos, correspondentes a uma perda estimada de 21,1 t C ha⁻¹ na biomassa arbórea, o balanço global de carbono mantém-se positivo. Os resultados demonstram que a resinagem pode contribuir significativamente para o sequestro de carbono e para a valorização económica dos povoamentos de Pinus pinaster, reforçando o interesse de modelos de gestão orientados para a coprodução de madeira, resina e carbono. Os resultados evidenciam ainda a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre os efeitos da resinagem na produtividade e no balanço de carbono, de forma a otimizar modelos de gestão que maximizem simultaneamente a produção, o armazenamento de carbono e a rentabilidade económica. Multiplex SNP genotyping of Pinus pinaster Ait.: development and implementation of a bioinformatic pipeline for parentage inference Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. Open pollination is widely used in forest tree breeding programs, often resulting in progeny with unknown paternal origin. The main objective of this study was to investigate paternal relationships and infer relatedness among Pinus pinaster Ait. individuals using an optimized multiplex amplicon sequencing approach targeting 69 polymorphic SNP loci. To achieve this objective, a custom bioinformatic pipeline was implemented in R for the processing of multiplex paired-end MiSeq sequencing data obtained from the DNA of 137 individual trees. The specific workflow included read quality assessment, filtering of low-quality reads based on Phred score, ambiguous nucleotide content and minimum sequence length, followed by automated assignment of reads to locus-specific primer pairs using IUPAC-compatible matching with a maximum of one mismatch. Reverse-read information was processed in the appropriate orientation and combined with forward-read information to support genotype calling for each sample and locus. Reads matching the expected primer and control regions were extracted and used to determine the nucleotide state at the target polymorphic position. The pipeline accounted for homozygous and heterozygous profiles, as well as INDEL-type variation when present, generating per-sample genotype calls in an allele-pair format. Matched reads were additionally exported as locus-specific FASTA files to support traceability, alignment inspection and validation of ambiguous or unexpected amplification patterns. The final output consisted of a multi-locus SNP genotype matrix compiling the genetic profiles obtained for the analysed individuals. This matrix was subsequently subjected to parentage analysis using dedicated software, resulting in the successful assignment of 36 out of 49 offspring to candidate pollen donors within the studied population. In addition, the SNP profiles enabled the verification and reassignment of clone identities for 17 trees with missing or inconsistent records. Together, the assignment of offspring to candidate pollen donors, the inference of genetic relationships within the breeding population to support pedigree reconstruction and inbreeding avoidance, and the verification of germplasm identity demonstrate the value of integrating a SNP marker panel, multiplex sequencing, bioinformatic processing and parentage analysis in the management of the Portuguese maritime pine breeding program. CarbonWise: uma plataforma integrada para quantificação, certificação e transacção de créditos de carbono em ecossistemas florestais e agroflorestais 1: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", Instituto Superior de Agronomia, ULisboa, Portugal; 2: Bee2Solutions A crescente regulamentação europeia sobre sustentabilidade, nomeadamente o Regulamento UE 2024/3012, e o desenvolvimento do Mercado Voluntário de Carbono em Portugal abrem uma oportunidade sem precedentes para valorizar economicamente o papel dos ecossistemas florestais e agroflorestais no sequestro e armazenamento de carbono. Contudo, a falta de ferramentas padronizadas, transparentes e interoperáveis tem limitado a participação dos proprietários e gestores florestais neste mercado emergente. O CarbonWise é um projeto de inovação tecnológica integrado na Agenda Mobilizadora CircularTech (PRR/NextGenerationEU), no qual o Instituto Superior de Agronomia participa como parceiro científico responsável pelo desenvolvimento da metodologia de quantificação do sequestro e armazenamento de carbono. Esta metodologia combina dados de inventário florestal, imagens de satélite do programa Copernicus, dados LiDAR e modelos de simulação de base processual, como o CO2Fix, com técnicas de inteligência artificial, para estimar de forma rigorosa e automatizada o carbono sequestrado em florestas e agroflorestais. Os resultados desta componente metodológica alimentam a Plataforma CarbonWise, que suporta todo o ciclo de vida de projetos de carbono, desde a candidatura e submissão até à auditoria, monitorização contínua e certificação, e a Plataforma de Transacção de Créditos de Carbono, baseada em tecnologia blockchain, que garante rastreabilidade e transparência nas transações. Do ponto de vista da política florestal, o CarbonWise representa um instrumento com potencial para alterar o quadro de incentivos à gestão florestal em Portugal. Ao tornar acessível a certificação de carbono a silvicultores, proprietários privados e comunidades gestoras de baldios, a plataforma pode contribuir para a diversificação das fontes de rendimento associadas à floresta, reforçando a viabilidade económica de práticas de gestão ativa e sustentável. Neste sentido, alinha-se com os objetivos da Estratégia Nacional para as Florestas e com a necessidade de criar mecanismos que tornem a floresta portuguesa economicamente resiliente e capaz de responder simultaneamente aos desafios climáticos e à valorização do território rural. Este trabalho foi financiado pelo PRR/IAPMEI/Aviso 02/C05-i01/2022, CIRCULARTECH (Contribute to solving a problem that humanity has faced since the industrial revolution: waste) – Carbon WISE Estimativa do impacte económico do nemátodo-da-madeira-do-pinheiro 1: INIAV, Portugal; 2: ICNF, Portugal O surgimento do nemátodo-da-madeira-do-pinheiro (NMP), organismo de quarentena responsável pela Doença-da-murchidão-do-pinheiro, colocou em risco uma das fileiras florestais com maior contributo para a economia nacional. Para além da mortalidade causada nos pinhais, foram impostas medidas de prevenção e controlo, com elevados custos, que acautelassem as preocupações da Comissão Europeia relativamente à dispersão da doença no resto da Europa. Existem estudos económicos detalhados das principais fileiras florestais, com estimativas dos serviços dos ecossistemas e dos custos com os incêndios rurais, mas faltam estimativas dos custos económicos com a prevenção e controlo dos principais organismos de quarentena da floresta. O objetivo do presente trabalho é estimar os custos diretos e indiretos, com a prevenção, a prospeção, a monitorização e o controlo do NMP. A metodologia desenvolvida servirá de base para o apuramento dos impactes económicos de outras pragas e doenças da floresta, em particular as regulamentadas por normativos europeus. Seguiu-se uma metodologia de contabilização: dos custos diretos com as ações de prospeção e controlo, incluindo tratamentos da madeira (custos diretos); e das perdas na atividade económica devido aos cortes antecipados, desvalorização do preço de venda da madeira, e substituição do abastecimento nacional (custos indiretos). Os custos diretos foram apurados de acordo com o programa nacional de prospeção e monitorização do NMP, decorrentes de obrigações ou condicionantes associadas ao cumprimento do disposto no Decreto-Lei n.º 123/2015, de 3 de julho. Incluíram-se nestes custos, os cortes por motivos fitossanitários e os encargos associados ao tratamento da madeira, suportados pelos agentes económicos, decorrente das ações fitossanitárias visando o controlo do NMP. Os custos indiretos do corte prematuro serão apurados a partir da perda de rendimentos líquidos futuros de exploração, deduzidos do rendimento líquido da madeira paga ao produtor, à data do corte. Serão considerados os efeitos desse corte antecipado sobre a desvalorização da madeira e os acréscimos dos custos com as operações florestais. Nos custos indiretos incluíram-se ainda os efeitos da substituição do abastecimento nacional pelas importações, a partir do diferencial entre os preços doméstico e de importação, e do efeito na procura industrial (pela elasticidade procura-preço), com a consequente perda de rendimento nacional (valor acrescentado bruto). A informação sobre as quantidades e preços, foi obtida a partir de fontes de informação secundária de entidades oficiais, relatórios técnicos, e de informação cedida pela AIMMP, ANEFA, Centro Pinus, Forestis e serviços do ICNF. Houve ainda uma reunião com os citados agentes do setor, onde foram discutidas as formas de avaliação dos custos parciais e fontes de informação. No Congresso será apresentada a metodologia de apuramento dos custos, as fontes de informação, e a estimativa final dos valores parciais apurados e do custo total Estimativa do volume de Eucalipto-comum com imagens de satélite do Programa Copernicus e aprendizagem automática para Portugal 1: RAIZ—Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, Quinta de S. Francisco, Rua José Estevão (EN 230-1),3800-783 Aveiro, Portugal.; 2: NOVA Information Management School (NOVA IMS), Universidade NOVA de Lisboa, Campus de Campolide, 1070-312 Lisboa, Portugal A estimativa do volume de madeira é fundamental para o planeamento e gestão dos povoamentos, sendo tradicionalmente suportada por inventários de campo exigentes em tempo e recursos. Neste contexto, a deteção remota por satélite constitui uma alternativa complementar, permitindo aumentar a frequência e cobertura da monitorização. O presente trabalho tem como objetivo avaliar o potencial da utilização de dados do Programa Copernicus, em conjugação com 2793 parcelas de inventário florestal operacional recolhidas entre 2018 e 2023, para a estimativa do volume total em povoamentos de eucalipto (Eucalyptus globulus) numa área do centro de Portugal. Como variáveis explicativas, foram utilizadas séries temporais de imagens Sentinel-2 e Sentinel-1 entre 2018 e 2023. Calcularam-se os índices de vegetação por diferença normalizada (NDVI) e o rácio normalizado de área queimada (NBR) com imagens Sentinel-2. Nas imagens Sentinel-1 através da dupla polarização, determinaram-se os percentis 50 e os intervalos interquartis. A altimetria e os declives foram extraídos do Shuttle Radar Topography Mission (SRTM). Posteriormente efetuou-se a reamostragem dos pixéis para uma resolução espacial de 20 metros. A modelação foi realizada com o algoritmo florestas aleatórias (Random Forest), de aprendizagem máquina, treinados com parcelas de inventário florestal entre 2018 e 2022, com o objetivo de predizer o volume no ano 2023. Os resultados evidenciam uma boa capacidade explicativa do modelo (R² ≈ 0,87), enquanto que o erro quadrático médio foi de 31,36 m3/ha para o ano 2023, demonstrando o potencial destas abordagens na estimativa de variáveis dendrométricas à escala da paisagem. No entanto, observam-se limitações associadas à variabilidade dos dados e à ausência de variáveis estruturais da vegetação, sugerindo a utilização de variáveis da estrutura vertical. A produção desta cartografia espacialmente explícita do volume total evidenciou padrões coerentes com a distribuição dos povoamentos. Esta abordagem apresenta-se como uma ferramenta promissora para apoio à decisão em gestão florestal, nomeadamente na monitorização contínua dos recursos florestais e otimização dos inventários. Como perspetivas futuras destacam-se a integração de novas fontes de dados com o GEDI e IceSat-2, o aumento da diversidade das parcelas de inventário e a exploração de diferentes abordagens de modelação, visando melhorar a robustez e precisão das estimativas. Urban Tree Nurseries as a Foundation for Resilient Cities: Certification, Plant Quality and Phytosanitary Strategies 1: Laboratório de Patologia Vegetal 'Veríssimo de Almeida', Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 2: Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 3: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal Urban forests are widely recognised as key nature-based solutions to improve sustainability and resilience of cities. This is particularly the case of southern Europe cities increasingly exposed to heat and drought extremes but also to heavy precipitation, which do affect tree health and survival, and the delivery of ecosystem services. While considerable attention has been given to post-planting management, the success of urban green infrastructure largely depends on the quality (morphological, phytosanitary) of the planting material, which places nurseries at a crucial position within the urban forestry supply chain. In this context, the present study examines the functioning of the micro scale ornamental nursery at the Instituto Superior de Agronomia (ISA) and its potential for certification, with particular attention to its role in supplying the local market with high-quality trees for urban environments. The certification framework, regulated at the national level, ensures traceability, phytosanitary standards and legal compliance, and can therefore play a decisive role in increasing the reliability of planting material used in urban projects. The work included the technical assessment of ten woody ornamental species used as mother plants in the Tapada da Ajuda Botanical Park. Mother plants were evaluated in terms of their morphological characteristics, phytosanitary condition, and compliance with certification requirements. At the same time, the nursery’s infrastructure, propagation techniques and management practices were analysed, complemented by a SWOT approach to identify its main strengths, limitations and development opportunities. The results suggest that most of the evaluated specimens fulfil the criteria required for certification, indicating a solid potential to produce high-quality planting stock. Nevertheless, some constraints were identified, particularly related to infrastructure, available human resources and technology issues, which are common in micro to small scale nursery systems. The study also highlights the relevance of maintaining consistent records, improving phytosanitary monitoring and progressively adopting more sustainable practices, including alternative substrates, more efficient water use and integrated pest management. Promote inventories is also crucial to support certification and optimize propagation. Overall, this work underscores the importance of connecting nursery production with urban forestry objectives. It shows that plant quality, certification processes and phytosanitary control are not marginal concerns, but central elements to minimize losses of planted material and build more resilient urban forests. Strengthening nursery practices should therefore be seen as a strategic, upstream intervention to support healthier, more adaptable and sustainable urban green infrastructures. Da Irrigação à Resiliência: Respostas Fisiológicas e Estruturais de Tipuana tipu em Ambiente Urbano Mediterrânico - Evidência a Partir de Lisboa 1: Environmental Research Institute from the State of São Paulo, São Paulo, Brazil; 2: Center of Nuclear Energy in Agriculture, University of São Paulo, São Paulo, Brazil; 3: Department of Agriculture and Forest Sciences, University of Tuscia, Viterbo, Italy; 4: Higher School of Agriculture Luiz de Queiroz, University of São Paulo, São Paulo, Brazil; 5: Institute of Geosciences, University of São Paulo, São Paulo, Brazil; 6: United States Department of Agriculture Forest Service, Pacific Southwest Research Station, Riverside, CA, United States; 7: Center for Ecological Research and Forestry Applications (CREAF), Bellaterra, Barcelona, Spain; 8: Lamont-Doherty Earth Observatory of Columbia University, Palisades, NY 10964, United States; 9: Laboratório de Patologia Vegetal 'Veríssimo de Almeida', Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 10: Departamento de Estrutura Verde, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal; 11: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal As florestas urbanas assumem um papel central na adaptação das cidades às alterações climáticas, sobretudo em regiões mediterrânicas, onde o aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, como ondas de calor e secas, tem vindo a comprometer a sobrevivência e o desempenho das árvores. A irrigação tem sido progressivamente adotada como estratégia de gestão, embora persistam incertezas quanto aos seus efeitos a médio e longo prazo, em particular no que respeita a um possível compromisso entre crescimento e estabilidade mecânica. Neste contexto, o presente estudo avalia a resposta de árvores adultas de Tipuana tipu, espécie reconhecida pela sua tolerância à seca e amplamente utilizada em meio urbano, a seis anos de irrigação, na cidade de Lisboa. A abordagem segue uma perspetiva dendroecológica multiproxy, integrando a análise da largura dos anéis de crescimento, da densidade da madeira e de isótopos estáveis de carbono e oxigénio, o que permite caracterizar, em simultâneo, respostas estruturais e fisiológicas. Foram consideradas árvores sob regime de precipitação natural e árvores sujeitas a irrigação automática, em condições edafoclimáticas comparáveis. Os resultados evidenciam um aumento significativo da taxa de crescimento nas árvores irrigadas, acompanhado por alterações na condutância estomática e por uma maior assimilação de carbono. De forma menos expectável, não se observaram diferenças relevantes na densidade da madeira, sugerindo que o incremento de crescimento não se traduziu numa perda de integridade estrutural. Este conjunto de resultados coloca em causa o pressuposto, frequentemente referido, de um trade-off entre crescimento e qualidade da madeira, em contexto urbano. No caso de Tipuana tipu, a irrigação parece favorecer simultaneamente o desempenho fisiológico e a estabilidade mecânica. Esta combinação de atributos contribui para a manutenção, ou mesmo reforço, dos serviços de ecossistema, como o sequestro de carbono e o arrefecimento urbano, sem evidência de aumento do risco de rutura estrutural ou de maior vulnerabilidade a agentes bióticos. Do ponto de vista aplicado, o estudo fornece suporte científico relevante para a gestão da floresta urbana, indicando que sistemas de irrigação corretamente dimensionados e eficientes podem constituir uma estratégia eficaz para reforçar a resiliência das cidades. Estes resultados são particularmente relevantes para espécies já consideradas tolerantes à seca, para as quais a irrigação pode representar não apenas um fator de sobrevivência, mas também de otimização funcional. Concentração de mercúrio atmosférico em Unidade de Conservação de Proteção Integral no Distrito Federal (DF-Brasil) 1: Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural, Faculdade UnB Planaltina, Universidade de Brasília, Brasil; 2: Instituto Brasília Ambiental; 3: Programa de Pós Graduação em Ciências Ambientais, Universidade de Brasília, Faculdade UnB Planaltina, Brasil A industrialização e queima de combustíveis fósseis amplificaram o ciclo biogeoquímico do Hg e seus impactos ambientais. O Hg atmosférico (Hgatm) oriundo de emissões veiculares é depositado em ecossistemas terrestres e aquáticos, permeando teias tróficas e bioacumulando em níveis tróficos superiores. O Hgatm emitido em rodovias é importante variável para determinação da intensidade da deposição de Hg, e consequente contaminação por Hg, em ecossistemas protegidos por unidades de conservação (UCs). Neste sentido, nosso objetivo foi quantificar e analisar as concentrações de Hgatm ao longo de rodovias marginais (BR-020, DF-128, DF-205, DF-345) e no interior da Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESEC-AE), em diferentes horários, alturas e distâncias da rodovia. Utilizamos analisador de mercúrio portátil Lumex RA-915M para determinar a concentração de Hgatm em pontos nas rodovias e nas áreas centrais da ESEC-AE. As concentrações de Hgatm ao longo das rodovias variaram entre 0 e 12,50 ng/m³, sendo 4,40 ng Hg/m3 pela manhã e 3,83 ng Hg/m3 no início da tarde. Observamos enriquecimento significativo de Hgatm no final da tarde (4,95 ng Hg/m3), horário de pico do tráfego, onde ocorre emissão conjunta devido a combustão fóssil e ressuspensão mecânica do Hg particulado depositado nas rodovias. As concentrações de Hgatm não defiriram em relação a diferentes alturas, e, maiores concentrações ocorreram sob baixas velocidades de vento e elevada umidade relativa do ar. Considerando as áreas internas da ESEC-AE, observamos forte influência das emissões rodoviárias nas concentrações de Hgatm (determinado via Krigagem) que incidem sobre a UC, principalmente nas rodovias BR-020, que apresentou fluxo mais intenso. As concentrações de Hgatm apresentaram alta variabilidade espacial (entre 2,0 e 7,0 ng/m3) nas áreas internas da UC, com média geral de 4,26 ng/m³. Obtivemos métricas inconstantes nas mensurações de Hgatm em diferentes fitofisionomias, onde observamos picos de concentração (outliers) de até 25 ng/m3 em uma mata de galeria. No entanto, consideramos haver influência do gradiente altitudinal e da direção dos ventos predominantes da região. Nossos resultados demonstram que as concentrações de Hgatm nas rodovias que margeiam a ESEC-AE, dependem, majoritariamente, da intensidade do tráfego, que varia significativamente durante o dia. Observamos que há acumulam de Hgatm em áreas internas da ESEC-AE, principalmente em fitofisionomias com vegetação mais densa e úmida. Assim, concluímos que o Hgatm emitido em rodovias e que incide sobre a ESEC-AE depende da intensidade do tráfego, de processos de ressuspensão mecânica, da densidade vegetal da fitofisionomia e das condições meteorológicas locais. Esses fatores atuam conjuntamente na modulação temporal e espacial do Hgatm em ambientes rodoviários urbanos e periurbanos sob influência antrópica. Nossos resultados contribuem para a compreensão do ciclo antropogênico do Hg e dos impactos ecológicos em ecossistemas associados a rodovias e subsidia tomadas de decisão em relação a políticas públicas ambientais e de gestão de Ucs. Evidenciamos e ressaltamos a necessidade de monitoramento contínuo de emissões veiculares em rodovias marginais a UCs para auxiliar na condução de políticas públicas referentes as emissões de Hgatm. Eucalyptus nitens basic wood density variation: a scientific review and application to the pulpwood supply chain in Galicia and Portugal 1: MaderaPlus Calidad Forestal S.L., Parque Tecnológico de Galicia, Rúa de Vigo, 2 32900, San Cibrao das Viñas Ourense, Espanha; 2: Altri Florestal SA, Quinta do Furadouro, 2510-582 Olho Marinho, Portugal Basic wood density is one of the most determining attributes for transforming forest biomass into industrial value. In the pulp and paper industry, this parameter links forest production with logistics, pulp yield, specific wood consumption, and the stability of the manufacturing process. Understanding the physical and genetic properties of the Shining Gum (E. nitens) is essential for optimizing its use in the pulp and paper industry. Scientific evidence shows that the basic density of Eucalyptus nitens is a complex property with multifactorial variability. This discussion is especially relevant because this species combines high productivity and tolerance to cold environments with a density that is generally lower than that of Eucalyptus globulus at young ages. Thus, E. nitens can provide volume and production reliability in cold or humid areas, but its industrial value depends on understanding and managing the variability of its wood density and other traits associated with pulp quality. This study aims to synthesize existing knowledge on the variation of basic density of E. nitens within trees, between trees at the same site, and between sites, contrasting methodologies and quantitative results after a comprehensive analysis of over 100 scientific articles. Furthermore, it discusses how this variability could be incorporated into a practical model for optimizing the supply to pulp mills in Galicia and Portugal. A technical and scientific basis is provided for designing a study in the production area to transform density variability into a supply chain management variable. Projeto FREE-B: compreender e conservar as populações silvestres de Apis mellifera em áreas naturais 1: CIMO – Centro de Investigação de Montanha, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253, Bragança, Portugal; 2: Université Paris-Saclay, CNRS, IRD, UMR Évolution, Génomes, Comportement et Écologie, Gif-sur-Yvette, França; 3: Department of Ecology, Swedish University of Agricultural Sciences, Uppsala, Suécia; 4: Faculty of Biological Sciences, Kazimierz Wielki University, Powstańców Wielkopolskich 10, Bydgoszcz 85-090, Polónia; 5: Honey Bee Watch, Irlanda; 6: Galway, Ireland. Zoology, School of Natural Sciences and Ryan Institute, University of Galway, Galway, Irlanda A abelha melífera (Apis mellifera), espécie nativa da Europa, África e Médio Oriente, desempenha um papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas através dos serviços de polinização que presta. Atualmente, a grande maioria das colónias presentes na Europa vive em colmeias e está sujeita a intervenções humanas frequentes com objetivos produtivos. No entanto, até às décadas de 1970–1980, antes da invasão do ácaro parasita Varroa destructor, uma parte significativa das colónias habitava cavidades naturais, como árvores ocas, ou estruturas construídas pelo ser humano, incluindo muros, paredes e telhados, vivendo sem qualquer intervenção humana. A invasão do parasita V. destructor provocou o colapso das populações silvestres, levando ao desaparecimento de grande parte das colónias. Como consequência, a A. mellifera no seu estado selvagem foi recentemente classificada pela União Internacional de Conservação da Natureza como ameaçada na UE. Apesar deste declínio, estudos recentes demonstram que ainda persistem colónias que vivem e se reproduzem em habitats naturais. Estas colónias de vida livre constituem sistemas naturais únicos, sujeitos aos processos de seleção natural e são potencialmente portadoras de adaptações importantes para a sobrevivência da espécie à V. destructor. Por isso, têm despertado um crescente interesse científico devido ao seu potencial contributo para a manutenção da diversidade genética e para a resiliência da abelha melífera. Contudo, o conhecimento sobre a sua distribuição, demografia, diversidade genética, patosfera e ecologia permanece muito limitado. É neste contexto que surge o projeto europeu Biodiversa+ “FREE-B: Studying FREE-living honey Bee colonies in Europe: nature-based solutions to safeguard diversity, ensure resilience, and promote transformative change in beekeeping”, que tem como objetivo principal colmatar estas lacunas de conhecimento. O projeto reúne investigadores de vários países para localizar, monitorizar e caracterizar colónias silvestres, ou de vida livre, longo de um gradiente geográfico, que se estende desde o sul da Europa até à Escandinávia. Através de uma abordagem multidisciplinar que combina prospeções de campo, monitorização participativa, ciência cidadã e análises genómicas, sanitárias e ecológicas, o FREE-B procura compreender os fatores que permitem a persistência destas colónias em diferentes contextos ambientais. Para além da recolha de dados científicos, o FREE-B promove o envolvimento de cidadãos, apicultores e entidades locais na identificação e monitorização de colónias de vida livre, contribuindo para aumentar o conhecimento público sobre a importância destas populações. Ao melhorar a compreensão da sua ecologia, adaptação e sobrevivência, o projeto pretende fornecer bases científicas sólidas para a conservação das abelhas em estado selvagem e apoiar o desenvolvimento de estratégias que reforcem a sustentabilidade da apicultura europeia perante os desafios ambientais atuais e futuros. Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto Free-B (Ref. FCT: BiodivNBS/0004/2023). Operational benchmarking of geospatial foundation model embeddings for multi-component forest biomass estimation 1: Forest Research Centre, Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Department of Geographical Sciences, University of Maryland, College Park, MD, United States of America (USA); 3: Centre of Technology and Systems/UNINOVA and Associated Laboratory of Intelligent Systems School of Science and Technology NOVA University of Lisbon Lisbon, Portugal Forest biomass plays a central role in ecosystem functioning, carbon storage, and climate regulation, making accurate large-scale biomass estimation essential for forest monitoring and carbon accounting. Remote sensing approaches have traditionally relied on manually derived predictors based on optical, radar, and structural variables extracted from individual Earth observation sensors. Recently, geospatial foundation models have introduced an alternative paradigm based on satellite embeddings, where high-dimensional latent representations are learned from large volumes of multi-source Earth observation data. Despite their increasing availability, systematic evaluations of their predictive performance and operational applicability for forest biomass estimation remain limited. In this study, we benchmark geospatial foundation model embeddings against conventional multi-sensor remote sensing predictors for the estimation of four forest biomass components: aboveground biomass density (AGBD), belowground biomass density (BGBD), shrub biomass density (SBD), and forest floor biomass density (FFBD). The analysis was conducted using 4,689 Spanish National Forest Inventory (SNFI) plots distributed across Mediterranean forest ecosystems. Three predictor families were evaluated within a unified modelling framework: (i) traditional predictors derived from Sentinel-1, Sentinel-2, and ALOS-2/PALSAR-2 observations, (ii) AlphaEarth embeddings, and (iii) TESSERA embeddings. Gradient boosted decision tree models were implemented using XGBoost, with hyperparameter adjustment, progressive feature selection, and bootstrap-based performance assessment. Model performance was evaluated through 10,000 bootstrap iterations using relative RMSE and relative MAE metrics. Results showed that embedding-based predictor families consistently matched or exceeded the performance of traditional predictors across most biomass components, although predictor-family behaviour varied depending on the target biomass pool. AlphaEarth embeddings achieved the lowest relative error values for AGBD, while TESSERA embeddings produced the best performance for BGBD, FFBD, and SBD. Feature-selection analyses further revealed differences in predictor-retention behavior between traditional and embedding-based predictor families. In addition to predictive benchmarking, selected predictor subsets were transferred to wall-to-wall raster products to generate spatially continuous biomass prediction maps across Mediterranean forest landscapes. This study provides an integrated evaluation of geospatial foundation model embeddings for multi-component forest biomass estimation and contributes to the emerging assessment of foundation-model-based Earth observation products for operational forest monitoring applications. A Customised NSGA-II Algorithm for Decision Support in Multi-Objective Forest Management Planning 1: Coimbra Institute of Engineering, Polytechnic University of Coimbra; 2: Coimbra Agriculture School, Polytechnic University of Coimbra; 3: RCM2+, Polytechnic University of Coimbra, Rua Pedro Nunes, 3030-199 Coimbra, Portugal; 4: Institute of Systems and Robotics, Department of Electrical and Computer Engineering, University of Coimbra Forest management increasingly requires decision-support approaches capable of addressing trade-offs between production, ecological resilience, economic feasibility and long-term sustainability. This is relevant in Mediterranean landscapes, where land fragmentation, recurrent fires, climate change and landscape-scale planning increase uncertainty in silvicultural decisions. In this context, this work presents a Web-oriented decision-support approach for multi-objective forest management planning, based on a customised version of the Non-Dominated Sorting Genetic Algorithm II (NSGA-II). The approach was developed to help forest managers explore alternative management compositions before implementing a specific plan. The system includes two modules: one simulates management options for each stand, considering composition, species proportions, yield class, age class, harvest-age intervals and silvicultural system; the other applies a customised NSGA-II algorithm to identify solutions that address conflicting objectives. In the case analysed, the optimisation problem aimed to maximise total harvested timber volume over the planning horizon and minimise the standard deviation of harvest volumes between periods, while ensuring that all solutions complied with validity constraints. The methodological innovation lies in adapting NSGA-II to the structure of forest planning problems. The algorithm incorporates a customised initial population and a specialised mutation operator designed to reduce invalid solutions and improve the exploration of feasible combinations of stands, species compositions and harvest ages. It was implemented in Python using the PyMoo framework and tested through a semi-hypothetical case study in the Coimbra region, Portugal. The study area was organised according to landscape-planning principles, although the optimisation focused on the forest matrix. Fourteen stands were included, resulting in a high-dimensional chromosome with 437 genes. The customised NSGA-II was compared with the standard NSGA-II using different combinations of population size, number of generations, crossover probability and mutation probability. Performance was assessed through non-dominated solutions, spacing, computational time and hypervolume. The results show that the customised algorithm consistently generated a larger and more diverse set of valid solutions. With 200 individuals and 500 generations, it produced 123 non-dominated solutions in approximately 50 seconds, compared with 98 obtained by the standard algorithm in a similar runtime. It also showed a more stable hypervolume convergence pattern and a denser Pareto front, indicating better exploration of the solution space and improved representation of trade-offs between timber production and temporal regularity of harvests. The results demonstrate the potential of customised evolutionary algorithms to support forest planning in complex and uncertain contexts. By providing a set of Pareto-optimal alternatives rather than a single prescriptive solution, the proposed approach enables managers and decision-makers to compare trade-offs, assess silvicultural pathways and integrate technical analysis into planning. Its integration into Web-based systems may increase accessibility for practitioners and small landowners. Overall, this work contributes to more transparent, flexible and sustainability-oriented tools for adaptive forest management at stand and landscape levels. Cálculo del capital natural aportado por proyectos de absorción de CO2 con metodología Reads Grupo Sylvestris, S.L., Espanha Cada vez está más aceptado que la puesta en marcha de determinados proyectos debe evaluarse desde un punto de vista más amplio que la mera rentabilidad financiera. La valoración del capital natural potencialmente detraído por una determinada actividad industrial es un ejemplo de ello. Motor Verde + Floresta es una iniciativa promovida por Fundación Repsol y Grupo Sylvestris que pretende potenciar la creación de nuevos sumideros de carbono mediante trabajos de repoblación forestal. Si bien el indicador principal de estos proyectos es el cálculo exante de toneladas de CO2 equivalente, con el fin de ir más allá a la hora de entender y valorar los impactos ambientales positivos, desde MV+F se decidió probar a calcular los beneficios que un proyecto puede llegar a generar en el capital natural a través Reads, una metodología innovadora desarrollada por un consorcio de universidades y empresas, que adopta el Protocolo de Capital Natural y sigue la norma ISO 14008:2019, de valoración monetaria de los impactos ambientales. Gracias a esta metodología, avalada por expertos del Centro Mundial de Monitoreo de la Conservación de Naciones Unidas, la Capitals Coalition y la Unión Europea, se han podido calcular los beneficios totales, por proyecto y por tonelada de CO2. Colónias silvestres de Apis mellifera em montado de azinho: resultados preliminares do projeto FREE-B em Portugal 1: CIMO – Centro de Investigação de Montanha, LA SuSusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253, Bragança, Portugal; 2: Université Paris-Saclay, CNRS, IRD, UMR Évolution, Génomes, Comportement et Écologie, Gif-sur-Yvette, França; 3: Department of Ecology, Swedish University of Agricultural Sciences, Uppsala, Suécia; 4: Faculty of BiologicalSciences, Kazimierz Wielki University, Powstańców Wielkopolskich 10, Bydgoszcz 85-090, Polónia; 5: Honey Bee Watch, Galway, Irlanda; 6: Zoology, School of Natural Sciences and Ryan Institute, National University of Ireland, Galway, Galway, Irlanda As colónias de abelha melífera (Apis mellifera) que habitam cavidades naturais e sobrevivem sem intervenção humana, constituem modelos de elevado interesse para o estudo da ecologia, adaptação e conservação desta espécie. No âmbito do projeto “FREE-B-Studying FREE-living honey Bee colonies in Europe: nature-based solutions to safeguard diversity, ensure resilience, and promote transformative change in beekeeping“ , investigadores de vários países estão a estudar estas colónias ao longo de um gradiente que se estende do sul da Europa até à Escandinávia. Em Portugal, o local de estudo situa-se na Herdade da Granja, Idanha-a-Nova. A Herdade da Granja, localizada junto à Barragem Marechal Carmona, possui cerca de 186 ha dominados por montado de azinho (Quercus ilex), integrando árvores maduras com cavidades naturais e áreas de regeneração natural. A conjugação de abundantes locais de nidificação com uma elevada disponibilidade de recursos florais cria um habitat particularmente favorável à instalação e sobrevivência de colónias silvestres, ou de vida livre, de A. mellifera. Durante os trabalhos de prospeção realizados em 2025 foram identificadas 13 cavidades ocupadas por colónias de abelha, correspondendo a uma densidade de 1,1 colónias/km², superior aos valores médios reportados para o norte da Europa (0,26 colónias/km²). Todas as colónias estavam instaladas em cavidades naturais de azinheiras de grande porte, evidenciando uma forte associação entre a ocorrência destas populações e a disponibilidade de árvores maduras. As árvores ocupadas apresentam um perímetro médio à altura do peito de 1,74 m (intervalo: 1,50 – 2,00 m), à altura da entrada do ninho de 1,93 m (intervalo: 1,74 – 2,22 m), enquanto a altura da entrada dos ninhos é em média, 1,97 m (intervalo: 1,34 – 3,19 m). A entrada dos ninhos encontra-se maioritariamente orientada para o quadrante noroeste. A monitorização realizada em março de 2026 revelou uma taxa de mortalidade no Inverno de 61,5%, um valor que, de acordo com os apicultores locais, não difere substancialmente das perdas observadas em colónias domésticas durante o mesmo período, tendo permanecido ativas 5 das 13 colónias identificadas em 2025. Contudo, os levantamentos efetuados em maio de 2026 demonstraram a reocupação de 3 cavidades e permitiram a descoberta de uma nova cavidade ocupada, totalizando 7 colónias ativas. Estes resultados sugerem que, apesar da elevada mortalidade observada, a recolonização poderá desempenhar um papel importante na manutenção destas populações. Foram ainda recolhidas amostras biológicas das colónias sobreviventes para caracterização genética e identificação de patogénios, cujos resultados serão comparados com os de colónias provenientes de apiários da região. Os resultados obtidos demonstram que os montados de azinho podem constituir habitats relevantes para a manutenção de populações silvestres de A. mellifera em Portugal. O acompanhamento destas colónias contribuirá para uma melhor compreensão dos fatores associados à sua sobrevivência e resiliência, fornecendo informação importante para a conservação da abelha melífera ibérica e dos ecossistemas mediterrânicos. Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto Free-B (Ref. FCT: BiodivNBS/0004/2023). Floresta Digital: inteligência artificial acessível para a monitorização e gestão florestal 1: Escola Superior Agrária / Instituto Politécnico de Coimbra; 2: Instituto Superior de Engenharia / instituto Politécnico de Coimbra; 3: RCM2+ Centro de Investigação em Gestão de Ativos e Engenharia de Sistemas As alterações climáticas, associadas à maior frequência de incêndios e eventos extremos, e a fragmentação da propriedade florestal colocam desafios à gestão florestal em Portugal. Apesar dos avanços na deteção remota, no LiDAR e na inteligência artificial (IA), a sua aplicação permanece limitada por constrangimentos técnicos e económicos, dificultando a adoção por técnicos e pequenos proprietários. O presente trabalho divulga a iniciativa Floresta Digital e descreve a estratégia adotada para integrar tecnologias emergentes na monitorização e gestão florestal. A iniciativa resultou da convergência de interesses científicos de docentes do Instituto Politécnico de Coimbra, integrados no centro RCM2+, com competências em Engenharia Florestal e IA. Inicialmente voluntária, a sua evolução foi sustentada por projetos de investigação, dissertações e parcerias com entidades do setor. Inspirada nos princípios da gestão adaptativa, a estratégia organiza-se em torno do ciclo observar–antecipar–adaptar, transformando dados em conhecimento útil para apoio à decisão. A sua operacionalização assenta em quatro eixos: infraestruturas digitais para recolha, integração e análise de dados; validação em contexto operacional; capacitação dos agentes do setor e democratização do acesso às tecnologias digitais; e promoção da adoção e replicação das abordagens desenvolvidas. A estratégia apoia-se em dois laboratórios vivos: o Projeto Floresta da Serra do Açor (FSA), dedicado ao restauro florestal à escala da paisagem, e a rede de parcelas demonstrativas da Serra da Lousã, orientada para a monitorização de distúrbios e adaptação climática. Estas infraestruturas permitem recolher dados reais, desenvolver metodologias, validar ferramentas e promover aprendizagem. Um dos principais resultados é a Plataforma Floresta Digital, aplicação web livre para utilização de metodologias avançadas de monitorização, análise e apoio à decisão. Desenvolvida com arquitetura modular em Python e Docker, assegura escalabilidade, manutenção e integração de novos simuladores, permitindo que técnicos e proprietários utilizem ferramentas baseadas em IA sem equipamento especializado. Atualmente, a plataforma integra cinco simuladores em desenvolvimento. O Simulador de Volume do Sobreiro estima a área e o volume de cortiça a partir de imagens com modelos como a Mask R-CNN; o Simulador de Volume do Pinheiro segmenta troncos em fotografias e extrai altura, DAP e volume. À escala dos povoamentos, o Simulador de Crescimento do Pinheiro-Bravo projeta plantações, o Simulador de Alternativas de Gestão compara cenários, e o Simulador de Monitorização de Plantações usa deteção automática de árvores em fotografias aéreas para acompanhar plantações e apoiar decisões pós-plantação. A integração de modelos de inteligência artificial constituiu um dos principais desafios técnicos do projeto, sobretudo devido à elevada exigência computacional associada a estes modelos. Para ultrapassar esta limitação, os simuladores foram desenvolvidos com uma interface comum de gestão de simulações, que permite registar o histórico de execuções por utilizador, gerir dados de entrada e resultados, comparar cenários e exportar informação de forma simples e estruturada. O Floresta Digital constitui um exemplo de inovação interdisciplinar para a transformação digital do setor florestal, articulando ciência florestal, IA, laboratórios vivos e ferramentas acessíveis para apoiar uma gestão mais resiliente, informada e adaptada aos desafios futuros. Resilient Trees: Old-Growth forests and Veteran Trees for Biodiversity and Resilient Landscapes 1: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Rua Tenente Raul D’Andrade 1-3, 7000-613 Évora; 2: CREATE – Center for Sci-Tech Research in Earth System and Energy, Universidade de Évora, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal; 3: Universidade de Évora, Departamento de Biologia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora; 4: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Agronomia, Apartado 1013, Quinta de Prados, 5001-801 Vila Real; 5: Universidade de Évora, Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora Integrado nos processos em curso de transformação da paisagem associados à necessidade de criar mosaicos de restauro de ecossistemas florestais nativos, de acordo com a nova Lei do Restauro da Natureza, apresenta-se o projeto Interreg Europe, cofinanciado pela União Europeia, Resilient Trees, que, a nível nacional, tem como parceiros a Universidade de Évora e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas a que se somam mais sete parceiros europeus. As florestas primárias e árvores monumentais são elementos insubstituíveis e raros de alto valor de conservação do património natural e cultural europeu. A presença desses recursos longevos: garante a preservação de espécies ameaçadas de extinção, fornece serviços de ecossistema essenciais e contribui para a resiliência do ecossistema, a adaptação climática e o bem-estar humano. Este projeto tem como objetivo reforçar a proteção da biodiversidade através da melhoria e implementação de políticas públicas relacionadas com árvores e bosquetes seculares (veteran trees and old-growth forests). Através de parcerias colaborativas entre autoridades políticas, instituições científicas e ONG, pretende-se promover a criação de uma rede de valores florestais estratégicos, por forma a aumentar a resiliência das nossas paisagens. Abraçando a diversidade das regiões europeias onde ocorrem árvores e bosquetes seculares - desde reservas florestais de elevado valor de conservação até paisagens culturais – pretende-se restaurar e preservar a biodiversidade florestal. Embora as diretrizes da Comissão Europeia sobre florestas antigas forneçam uma estrutura operacional, a sua implementação regional depende do desenvolvimento de critérios científicos e técnicos claros. Aspetos-chave permanecem pouco desenvolvidos, incluindo, identificação de bosquetes e árvores seculares e a sua gestão. As áreas ocupadas de sobreiros e azinheiras podem encaixar-se como um exemplo de ecossistemas florestais com a presença de exemplares arbóreos com algumas centenas de anos e que constituem uma referência na paisagem e repositórios de elevada biodiversidade. No presente trabalho, apresentam-se os resultados das sessões participativas realizadas em Portugal com diversas partes interessadas no âmbito da preservação de árvores e bosquetes seculares e árvores monumentais. Com base nos contributos recolhidos, são ainda discutidas propostas para a revisão do regime de proteção atualmente aplicado ao sobreiro e à azinheira, considerando a possibilidade da sua extensão a outras espécies de carvalhos. Acknowledgements: This work was supported by the Resilient Trees project (CUP J63C25000200007), funded by the INTERREG Europe programme through the European Regional Development Fund (ERDF). Desenvolvimento de um painel biocompósito para isolamento térmico e acústico à base de biomassa florestal residual e micélio fúngico 1: SerQ – Innovation and Competence Forest Centre, Sertã, 6100-711, Portugal; 2: University of Coimbra, ISISE, ARISE, Department of Civil Engineering, Coimbra, 3030-788, Portugal; 3: Centro de Ecologia Funcional, departamento de Ciências da Vida, universidade de Coimbra, 3000-456 A gestão da vegetação e a redução da carga combustível geram quantidades significativas de biomassa florestal residual, cuja valorização continua a representar um importante desafio para o sector florestal. Neste contexto, o projeto Value2Prevent teve como objetivo desenvolver uma solução inovadora para o setor da construção sustentável, baseada na utilização de biomassa florestal residual e micélio fúngico para a produção de um painel biocompósito de isolamento térmico e acústico. O trabalho envolveu a recolha e processamento de biomassa proveniente de operações de gestão florestal, posteriormente utilizada como substrato para o crescimento controlado de fungos selecionados. O desenvolvimento do biomaterial baseou-se na capacidade do micélio para colonizar e agregar partículas lignocelulósicas, funcionando como ligante natural e permitindo a obtenção de um compósito sem recurso a adesivos sintéticos. Com base neste biomaterial, foi desenvolvida uma solução multicamada constituída por um núcleo de biomassa colonizada por micélio e por camadas exteriores de madeira maciça, formando um painel destinado a aplicações de isolamento em espaços interiores. A montagem do produto foi efetuada recorrendo exclusivamente a elementos de madeira, reforçando o carácter biológico e sustentável da solução desenvolvida. Foram realizados ensaios laboratoriais para avaliar o desempenho térmico, acústico e a durabilidade do material, permitindo validar a sua aptidão para aplicações não estruturais na construção. Os resultados obtidos demonstraram a viabilidade técnica da utilização de biomassa florestal residual e micélio fúngico no desenvolvimento de materiais de construção de base biológica, com potencial para contribuir para a redução da utilização de materiais convencionais de maior impacto ambiental A solução proposta contribui para a valorização de recursos florestais de reduzido valor económico, promovendo a bioeconomia circular e criando alternativas sustentáveis para o aproveitamento da biomassa resultante das operações de gestão florestal e prevenção de incêndios. . Gestão de florestas públicas para o desenvolvimento sustentável: a experiência do Programa Territórios da Floresta 1: UNIMONTES, Brasil; 2: MMA, Brazil; 3: CEGAFI- UnB, Brazil A governança ambiental e a regularização fundiária na Amazônia Legal constituem desafios estruturais para a consolidação do desenvolvimento sustentável no Brasil. Nesse cenário, o Programa Territórios da Floresta surge como uma política pública interministerial estratégica, instituída conjuntamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Amparado legalmente pela Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei nº 11.284/2006), regulamentada pelo Decreto nº 12.046/2024 e pela Portaria Interministerial MMA/MDA nº 1.309/2025, o programa atua diretamente na intersecção entre a conservação dos ecossistemas florestais e a garantia de direitos socioambientais. Seu objetivo central consiste em reconhecer e regularizar o uso e a ocupação tradicional exercidos por povos e comunidades tradicionais (PCTs) em áreas de florestas públicas federais não destinadas (FPFND). O principal instrumento jurídico de consolidação dessa política é o Contrato de Concessão de Direito Real de Uso (CCDRU), celebrado na modalidade coletiva. Por possuir uma finalidade de interesse social e público, o CCDRU é concedido com dispensa de processo licitatório, assegurando a permanência das comunidades nos territórios e a sustentabilidade dos recursos naturais. A operacionalização do programa estrutura-se em um rito administrativo rigoroso e de caráter participativo, subdividido em etapas sequenciais que vão da identificação das glebas públicas federais com áreas de florestas sem destinação formal, passando pela declaração de concordância dos PCTs com o prosseguimento do processo administrativo, até à celebração do CCDRU. Portanto, em síntese são observadas as seguintes etapas: 1) procedimentos prévios junto à Câmara Técnica de Destinação e Regularização Fundiária (CTD); 2) mobilização social; 3) levantamento de informações e elaboração de peças técnicas; 4) reconhecimento formal do uso e ocupação tradicional; 5) celebração do CCDRU. Em suma, a experiência do Programa Territórios da Floresta consolida um modelo de governança florestal que protege o patrimônio ambiental amazônico contra o desmatamento e a grilagem. Portanto, ao converter áreas vulneráveis em espaços juridicamente protegidos e manejados de forma sustentável, a iniciativa promove a justiça social, salvaguardando a sociobiodiversidade e os modos de vida dos povos e comunidades tradicionais. Monitorização digital integrada do pinheiro-manso (Pinus pinea L.) 1: CISeD Research Centre in Digital Services, Polytechnic Institute of Viseu, 3504-510 Viseu, Portugal.; 2: CERNAS-IPV – Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu, Campus Politécnico de Repeses, 3504-510 Viseu, Portugal. O pinheiro-manso (Pinus pinea L.) é uma espécie emblemática da região mediterrânica, com elevada relevância económica na produção de pinhão e desempenhando funções ecossistémicas fundamentais na conservação do solo, sequestro de carbono, manutenção da biodiversidade e valorização da paisagem. A produtividade dos povoamentos apresenta uma elevada variabilidade interanual, frequentemente associada à queda prematura das pinhas, fenómeno influenciado por fatores climáticos, edáficos, nutricionais e fisiológicos cuja interação permanece ainda insuficientemente compreendida. Uso de resistógrafo para estimação comparativa de densidade de madeira de eucalipto em Portugal Altri Florestal, S.A., Quinta do Furadouro, 2510-582 Olho Marinho A densidade da madeira é um parâmetro essencial do potencial de utilização de um grande conjunto de árvores de produção, incluindo Eucalyptus. Tradicionalmente, a sua determinação recorre a métodos laboratoriais, geralmente demorados, dispendiosos, e baseados em amostragens destrutivas. Estas limitações condicionam a sua aplicação em larga escala e em tempo útil, no normal decorrer das operações. Neste contexto, a estimação de densidade através de medições de resistografia apresenta-se como uma abordagem promissora para a triagem e hierarquização do potencial de diferentes materiais genéticos, precedendo uma análise laboratorial mais detalhada. Deste modo, para avaliar a aplicabilidade desta técnica em plantas de diversos clones e híbridos de eucalipto (Eucalyptus globulus) em Portugal, foram instalados dois ensaios, um na Quinta do Furadouro (Óbidos, Leiria) e outro na propriedade de Pinheirinho (Tábua, Coimbra), ambos em árvores de nove anos (plantação em 2017). Foi utilizado um resistógrafo IML RESI PD400, que permite recolher informação de resistência à perfuração e à rotação da agulha, face a velocidades constantes das mesmas. Fizeram-se, (sempre que permitido pela árvore/equipamento), perfurações bark-to-bark (casca-a-casca), a uma velocidade de perfuração de 150 cm/min e 2500 rpm. (Por vezes foi necessário alterar estes parâmetros para fazer uma medição com sucesso. O software abaixo indicado está preparado para normalizar os parâmetros de medição de modo a poder calcular estimativas de densidade.) Até ao momento, a amostragem do ensaio da Quinta do Furadouro foi concluída (consistindo em 460 medições), e esperamos finalizar o ensaio de Pinheirinho nas próximas semanas. Os perfis de resistência obtidos foram posteriormente recolhidos e tratados com os softwares IML Studio e IML PD-Tools Pro, sendo depois esses perfis analisados através da aplicação web FQ RESI v4.7.0, desenvolvida pela empresa Forest Quality Pty Ltd, onde foram estimados valores de densidade que permitiram estabelecer com alguma confiança um quadro comparativo entre materiais. Sendo que, até ao momento, os valores estimados de densidade encontram-se entre 460,85 e 686,10 kg/m3. Por fim, a precisão das estimativas de densidade e dos rankings de comparação de densidade entre materiais está já a ser testada através de um conjunto de análises laboratoriais convencionais realizadas a um subconjunto destas mesmas plantas em estudo. Uso de LiDAR móvel (HMLS) na estimativa dendrométrica e de biomassa em povoamentos de pinheiro-bravo (Pinus pinaster). 1: Altri Florestal; 2: ESAC, Portugal; 3: RCM2+ Research Centre for Asset Management and Systems Engineering, ISEC/IPC A avaliação rápida e precisa dos recursos florestais é essencial face às crescentes exigências sociais e aos impactos das alterações climáticas. Este estudo compara a utilização de um sistema de varrimento laser móvel manual (Hand-held Mobile Laser Scanning, HMLS) com métodos de inventário florestal tradicional (IFT) e métodos de medição destrutivos, visando a estimativa de variáveis dendrométricas, biomassa aérea (AGB) e carbono em povoamentos de Pinus pinaster. Avaliação da diversidade e da dominância estrutural da floresta urbana de Lamego: contributos para a gestão e resiliência urbana 1: UTAD, CITAB, Vila Real; 2: UTAD; 3: Câmara Municipal de Lamego A crescente urbanização mundial tem provocado alterações significativas na cobertura do solo, originando problemas como ilhas de calor, degradação da qualidade do ar, aumento do escoamento superficial e perda de biodiversidade. Neste contexto, a floresta urbana desempenha um papel fundamental na mitigação destes impactos. Contudo, os benefícios proporcionados pelas árvores urbanas dependem da composição, estrutura e diversidade das comunidades arbóreas. O presente estudo teve como objetivo caracterizar a diversidade, a estrutura e a dominância da arborização urbana da cidade de Lamego, de forma a fornecer informação relevante para o planeamento e a gestão da floresta urbana. Foram inventariadas 477 árvores, correspondentes a 44 espécies, 33 géneros e 22 famílias botânicas. As três espécies mais dominantes concentraram 48% do total de indivíduos, 61% da área basal e 55% da área de copa. A diversidade foi avaliada através do número de indivíduos, da área basal e da área de copa. A diversidade foi analisada através dos índices de Shannon-Weaver e Simpson, complementados por indicadores de dominância e pela avaliação da distribuição taxonómica segundo os critérios de Santamour. Esta abordagem baseia-se na regra 10-20-30, segundo a qual nenhuma espécie, género ou família deverá representar mais de 10%, 20% e 30% da população arbórea, respetivamente. Os valores do índice de Shannon foram de 2,73 para a contagem de indivíduos, 2,24 para a área basal e 2,54 para a área de copa. Para o índice de Simpson, os valores obtidos foram de 0,89, 0,81 e 0,87, respetivamente. Os resultados evidenciaram uma forte concentração taxonómica e estrutural. Acer pseudoplatanus representou mais de 20% dos indivíduos e 24% da área de copa, enquanto Tilia tomentosa concentrou 36% da área basal. Ao nível de género, os maiores valores corresponderam a Acer (28%), Tilia (43%) e Acer (28%), respetivamente. Para as famílias, destacaram-se Sapindaceae (35%), Malvaceae (43%) e Sapindaceae (31%), demonstrando o incumprimento dos limites recomendados pelos critérios de diversificação. Conclui-se que a avaliação da floresta urbana deve integrar simultaneamente indicadores de diversidade e de estrutura, uma vez que os índices tradicionais podem não refletir integralmente os padrões de dominância presentes na comunidade arbórea. A forte concentração estrutural observada demonstra que a diversidade baseada exclusivamente na abundância de indivíduos pode conduzir a interpretações sobrestimadas da diversidade da floresta urbana. Os resultados obtidos fornecem informação relevante para o planeamento e gestão da arborização urbana de Lamego, apoiando estratégias orientadas para o aumento da diversidade estrutural e para o reforço da resiliência urbana. Otimização da gestão de pinheiro bravo por regeneração natural: impacto da resinagem 1: Departamento de Matemática, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC-TEC), Portugal; 2: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista (CIFAP), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e CITAB (Centro de Pesquisa e Tecnologia em Ciências Agroambientais e Biológicas), Portugal; 3: Centro Pinus - Associação para a Valorização da Floresta de Pinho, Portugal; 4: Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal As florestas desempenham um papel essencial no desenvolvimento sustentável, proporcionando uma ampla gama de benefícios ambientais. Para reforçar a sua componente socioeconómica, torna-se fundamental o desenvolvimento de modelos robustos capazes de identificar e gerir sistemas produtivos otimizados. Este trabalho tem como objetivo definir um modelo de otimização para a gestão de povoamentos de pinheiro bravo, baseado na regeneração natural, em uma estação de qualidade média localizada no Norte de Portugal. Pretende-se maximizar a rentabilidade, tendo em conta o fator tempo, e considerando diferentes restrições técnicas e produtivas, contemplando a resinagem. Os cenários considerados para cada parcela da área de estudo envolvem a produção de madeira através de configurações distintas de densidade de árvores por hectare, combinadas com várias opções de desbaste realizadas em diferentes idades, conjugadas ou não com a extração de resina, que pode ser mais ou menos intensiva. Como rendimentos, foram considerados os provenientes da venda de madeira e de resina. Os custos incluem a preparação do povoamento, nomeadamente a abertura de faixas, bem como os custos operacionais da sua gestão. Os dados técnico-económicos foram suportados na literatura da especialidade, nas tabelas de custos de referência para arborização, rearborização, beneficiação e exploração florestal, desenvolvidas pela Comissão de Acompanhamento para as Operações Florestais, e na consulta ao mercado. As simulações da evolução da floresta ao longo do ciclo produtivo e da distribuição diamétrica foram geradas pela plataforma ModisPinaster. O modelo de otimização desenvolvido permite identificar a rentabilidade associada a cada cenário e incorporar objetivos complementares, como a redução do período de recuperação do investimento, contribuindo para mitigar o risco financeiro e a vulnerabilidade a fatores externos. Esta abordagem constitui uma mais-valia para apoiar o processo de tomada de decisão, ao permitir identificar estratégias ótimas que promovam a melhoria do sistema de produção atual e dos resultados globais. Agradecimentos: O presente trabalho recebeu apoio financeiro do Projeto Integrado RN21 – Inovação na Fileira da Resina Natural para Reforço da Bioeconomia Nacional, cofinanciado pelo Fundo Ambiental através da Componente 12 – Promoção da Bioeconomia Sustentável – Investimento TC-C12-i01 – Bioeconomia Sustentável – Aviso N.º 01/C12-i01/2021 e N.º 02/C12-i01/2021, dos fundos europeus atribuídos a Portugal pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) da União Europeia (EU), enquadrado no Next Generation UE, para o período de 2021 – 2026. Gestão florestal adaptativa pós-incêndio no Baldio de Relva: contributos para uma paisagem mais resiliente no território do Alvão UTAD, Portugal Os espaços florestais comunitários assumem um papel relevante na gestão sustentável da paisagem, sobretudo em territórios de montanha sujeitos a riscos naturais, abandono rural e recorrência de incêndios. O presente trabalho teve como objetivo elaborar uma proposta de Plano de Gestão Florestal para o Baldio de Relva, situado na União de Freguesias de Borbela e Lamas de Olo, concelho de Vila Real, no contexto territorial do Alvão. A área em estudo apresenta cerca de 12,6 ha e encontra-se parcialmente integrada no Parque Natural do Alvão e na ZEC Alvão/Marão, o que reforça a necessidade de compatibilizar objetivos produtivos, ecológicos e legais. A metodologia assentou na caracterização territorial, biofísica, legal e funcional da propriedade, recorrendo à análise cartográfica, enquadramento em instrumentos de gestão territorial e florestal, observação de campo e interpretação das condicionantes ambientais existentes. Foram considerados fatores como relevo, altitude, declive, clima, solos, flora, fauna, riscos fitossanitários, incêndios, infraestruturas e enquadramento socioeconómico. O incêndio florestal de 2025, que afetou a totalidade do baldio, foi assumido como o principal fator condicionante da proposta de gestão, tornando prioritária a estabilização do solo, a redução da erosão, a avaliação da regeneração natural e a prevenção de nova recorrência do fogo. Apesar da reduzida dimensão e da relativa homogeneidade edafoclimática da área, propôs-se a divisão do Baldio de Relva em duas parcelas de gestão, definidas com base nas condicionantes legais. A Parcela 1, integrada em áreas classificadas, foi orientada para funções de conservação, proteção do solo e valorização de espécies autóctones, através de um modelo silvícola misto com Castanea sativa, Prunus avium e Arbutus unedo. A Parcela 2, com maior flexibilidade de intervenção, foi direcionada para uma produção lenhosa moderada, baseada na condução de Pinus pinaster em mistura com Castanea sativa, evitando a reinstalação de povoamentos contínuos, monoespecíficos e vulneráveis ao fogo. A proposta privilegia a regeneração natural sempre que esta se revele viável, recorrendo à plantação apenas em situações de insuficiência ou má distribuição da regeneração. Defende-se uma gestão adaptativa, com intervenções progressivas ao longo do tempo: estabilização do solo e avaliação dos danos nos primeiros anos, condução da regeneração e controlo de invasoras numa fase intermédia, e desbastes seletivos e consolidação de mosaicos vegetais numa fase posterior. A manutenção de matos em mosaico, a valorização de folhosas autóctones, a redução da continuidade horizontal e vertical dos combustíveis e a utilização de técnicas de baixo impacto constituem medidas centrais para aumentar a resiliência ecológica e reduzir a perigosidade de incêndio. O trabalho contribui para a reflexão sobre novos modelos de silvicultura em áreas comunitárias pós-incêndio, demonstrando que a gestão florestal não deve limitar-se à produção lenhosa, mas integrar conservação da biodiversidade, proteção do solo, adaptação climática, serviços de ecossistema e valorização multifuncional da paisagem. Conclui-se que o Baldio de Relva pode constituir um exemplo de gestão florestal adaptativa, orientada para a recuperação ecológica e para a construção de uma paisagem mais diversa, funcional e resistente ao fogo. | ||