Programa da conferência
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Simpósio 7b - A floresta como promotora de saúde física, mental e bem-estar
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Comunicar para valorizar: o papel da comunicação na promoção de produtos florestais de base natural a partir da experiência do Projeto Integrado RN21 ForestWISE, Portugal A Resina Natural é, em grande medida, uma matéria-prima invisível. Está na origem de soluções para áreas tão distintas como adesivos, revestimentos, vernizes, calçado, ou tintas, mas esse percurso raramente é percecionado pelo consumidor final. E quando uma matéria-prima não é visível, dificilmente o seu valor florestal, industrial, ambiental e territorial é reconhecido. Não basta existir potencial; é preciso criar reconhecimento, porque só se valoriza verdadeiramente aquilo que se conhece. Este trabalho analisa o papel da comunicação na divulgação e promoção de produtos florestais de base natural, a partir da experiência do Projeto Integrado RN21, que fez da sensibilização do público geral um dos eixos da revitalização da fileira da Resina Natural. Mais do que comunicar resultados técnicos, a estratégia procurou tornar visível a cadeia de valor, mostrando que a Resina Natural liga floresta, indústria, investigação, inovação, território e bioeconomia, aproximando mundos frequentemente afastados: de um lado, produtores, empresas, investigadores e entidades públicas; do outro, consumidores, marcas e mercados que procuram soluções mais sustentáveis, mas nem sempre conhecem a origem ou o potencial destas matérias-primas. Para o efeito foi concebida uma campanha multimeios que articulou canais de natureza e alcance distintos desde artigos de imprensa aos spots de rádio, dos mupis urbanos aos conteúdos digitais protagonizados por uma figura pública, fazendo a mensagem circular à escala nacional e local, em territórios de tradição resineira, com linguagens ajustadas a cada público. A monitorização das métricas de desempenho de cada meio foi complementada por um estudo de perceção aplicado a uma amostra representativa da população de Portugal Continental (n = 1050). Os dados mostram que o tema regressou ao espaço público, mais de 17 milhões de oportunidades de contacto em publicidade exterior, acima de um milhão de ouvintes em rádios nacionais e 247 mil pessoas alcançadas no digital, contribuindo para que exista hoje uma base de reconhecimento consistente: metade dos portugueses sabe o que é a Resina Natural e 78% associa a sua extração ao nosso país. Mais expressiva ainda é a resposta de quem contactou com a campanha: 85% reconhece um impacto positivo no seu conhecimento ou perceção, 71% escolheria produtos identificados com uma marca associada à Resina Natural e mais de metade atribui um valor acrescido a produtos resultantes do aproveitamento sustentável da floresta portuguesa. Estes resultados salientam o papel da comunicação na transformação de uma matéria-prima técnica numa narrativa compreensível, valorizável e mobilizadora, que permite construir contexto, confiança e reconhecimento. A comunicação assume, assim, um papel estrutural, e não meramente acessório, na promoção de produtos de base natural, e os resultados aqui apresentados evidenciam a capacidade diferenciadora da comunicação e indiciam a sua possível aplicação para outros produtos do setor florestal, cuja notoriedade pública não acompanha ainda o seu potencial. Voluntariado para a conservação na MONTIS: uma ferramenta com duplo significado 1: MONTIS - Associação para a Gestão e Conservação da Natureza; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa A MONTIS foi fundada, em 2014, com a Missão de “Produzir biodiversidade através de uma gestão sustentável do património natural, participada, transparente e aberta a todos”, diferenciando-se pelo “foco na compra e gestão concreta de terrenos, numa visão a longo prazo, com uma lógica adaptativa e baseada na análise concreta de resultados”. O modelo adotado, que gere terrenos marginais - onde a ausência de viabilidade económica deu lugar ao abandono - assenta numa utilização estratégica de recursos escassos, tirando partido e atuando sobre os processos naturais para obter maior diversidade biológica e maior resiliência, nomeadamente em relação ao fogo, procurando um resultado socialmente mais útil e que seja replicável. Este modelo centra-se na gestão direta de terrenos, da MONTIS ou de terceiros com os quais tem acordos de gestão a 10 anos, prorrogáveis, tendo em vista objetivos de conservação e, muito particularmente, envolvendo a comunidade, com o objetivo final de levar a conservação da natureza e biodiversidade a todos. Nesse âmbito a MONTIS recorre a vários tipos de voluntariado - mensal, corporativo, académico e jovem/ longa duração -, com os quais conseguiu acumular apoios de mais de 6 mil pessoas, que plantaram cerca de 50 mil plantas, apoiaram a regeneração natural de mais de 5 mil árvores nativas, e participaram em cerca de 70 atividades de abertura e manutenção de acessos, 35 de engenharia natural e perto de 50 de controlo de invasoras (mais cerca de 60 manhãs de voluntariado da nossa “gestora da paisagem”). Ou seja, mais de 6 mil pessoas que quiseram “dar uma mão à natureza” e que, em contrapartida, foram capacitadas para apoiar a gestão e conservação da natureza, aumentando a sua consciencialização e reconexão com a paisagem e os ecossistemas florestais. Recentemente, demos início a um programa de turismo voluntário (turismo com propósito), com um impulso do Turismo de Portugal na sua estruturação e divulgação. Nesta tipologia realizámos já uma ação piloto e preparámos um catálogo que descreve as propriedades, enquadrando-as na sua envolvente, e o que pode ser feito em cada uma, procurando atrair este tipo de turistas preocupados com a sua pegada ecológica. Estamos também a estruturar e divulgar a possibilidade de receber contributos com talento, na preparação de candidaturas, procura de financiamentos, traduções, elaboração de planos de gestão, etc.. Por fim, já este ano, demos início, com o apoio da EDP Energia Solidária, ao programa “Escolas na Natureza”, um “sonho” antigo da MONTIS que, numa abordagem inovadora através do “aprender fazendo”, combina educação ambiental prática, inclusão social e ciência cidadã, articulando escolas de diferentes níveis de ensino e localizações, instituições de solidariedade social e autarquias em torno de objetivos comuns. Este projeto-piloto, de carácter replicável, contará com o apoio científico e técnico de várias instituições do Ensino Superior para a preparação da programação e materiais de ensino e divulgação e a monitorização de biodiversidade. Note-se que estas atividades de voluntariado não substituem o trabalho habitual da MONTIS, mas ampliam o seu alcance, explorando novas dimensões pedagógicas e sociais, apoiando uma cidadania ambiental informada e participativa e conferindo aos participantes um sentimento de pertença, de contributo para a recuperação ecológica e a dinamização económica associada à valorização de recursos locais e ao turismo, em simultâneo com o usufruto da natureza. Conexões sustentáveis entre sociedade e território: o caso do voluntariado ambiental em Cascais Cascais Ambiente, Portugal A degradação dos ecossistemas e a perda de biodiversidade exigem soluções participativas que promovam a conservação e a gestão sustentável do território. Nesse contexto, o voluntariado ambiental é uma ferramenta-chave para envolver a comunidade, capacitar cidadãos e educar para a sustentabilidade. A avaliação destas iniciativas permite medir a sua eficácia tanto na recuperação ecológica como na sensibilização e transformação social. Analisa-se o impacto ambiental, técnico e social dos projetos de voluntariado ambiental Oxigénio e Natura Observa, implementados pela Cascais Ambiente no Parque Natural de Sintra-Cascais (concelho de Cascais). Procura-se quantificar o esforço real de restauro ecológico e avaliar as dinâmicas sociais, a perceção e a motivação dos voluntários participantes. As ações desenvolvidas nos projetos de voluntariado integraram metodologias práticas de conservação, incluindo o controlo de vegetação exótica invasora, a plantação de espécies autóctones, a promoção da regeneração natural, a recuperação de habitats degradados, a propagação de flora nativa e o apoio à visitação. Para monitorizar e caracterizar o desempenho dos projetos, recolheram-se e analisaram-se indicadores quantitativos de participação (número de voluntários, horas de trabalho e quantidade de espécies plantadas) e métricas ecológicas de área recuperada. Complementarmente, aplicaram-se questionários estruturados aos voluntários envolvidos para realizar uma análise qualitativa baseada na sua satisfação, motivações e taxas de retenção/desistência ao longo do período em estudo. Desde a sua génese, em 2008, e até 2025, o Projeto Oxigénio (contínuo e aberto à população) recuperou 110 hectares de território vulnerável, registando o envolvimento acumulado de mais de 43 370 voluntários. Em 2025, o projeto realizou 68 ações, mobilizando 3117 participantes e resultando na plantação de 1431 exemplares de flora autóctone. Os questionários revelaram uma satisfação muito elevada (82% classificaram a experiência como "muito satisfatória"). As principais motivações foram a recuperação da biodiversidade (93%), a salvaguarda do património natural (84%), as atividades de lazer (81%) e a promoção da saúde e bem-estar (63%). Por sua vez, em 2025 o projeto Natura Observa (focado em jovens dos 16 aos 30 anos, nos meses de junho a agosto) envolveu 108 voluntários, gerando um total de 23 410 horas de trabalho operacional. Apesar de 20% das 280 vagas iniciais terem ficado por preencher, devido a constrangimentos de divulgação, observou-se uma forte fidelização: a taxa de desistência fixou-se em 2% e 55% dos voluntários repetiram a participação em pelo menos uma quinzena, embora 60% integrassem o projeto pela primeira vez. Os resultados demonstram que o voluntariado ambiental constitui uma estratégia robusta e eficaz para a conservação prática dos ecossistemas e para o incremento da literacia ambiental na comunidade. O impacto combinado dos projetos Oxigénio e Natura Observa traduz-se em benefícios ecológicos tangíveis e num valioso capital social. Estes resultados validam o modelo de gestão partilhada da Cascais Ambiente, consolidando-o como uma referência de cidadania ativa e um pilar replicável para impulsionar a resiliência florestal e a sustentabilidade do território a longo prazo. OIGP´s e Forestminds - Na recuperação da Interligação funcional, saúde vs floresta Bosque Projetos de Engenharia, Unipessoal, Lda, Portugal Os territórios florestais vulneráveis são áreas caracterizadas por um elevado risco de incêndio rural, abandono rural, minifúndio e fragmentação da propriedade. As Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP) apresentam-se como uma solução para estes territórios através de intervenções estruturais desenhadas para proteger e transformar estas áreas ao mesmo tempo que dinamiza atividades para as comunidades locais. A presente proposta estabelece uma sinergia entre a resiliência biofísica, assegurada pelas OIGP através da gestão do território e biodiversidade, e a resiliência mental, promovida pelo programa ForestMinds. Nos territórios vulneráveis do Programa de Transformação da Paisagem (PTP), o ForestMinds atua como a camada de valorização humana que justifica e sustenta a intervenção a longo prazo. Ao transformar a floresta gerida num "espaço de saúde", criamos evidência tangível dos serviços de ecossistemas, mitigando as disrupções sociais e climáticas atuais através do bem-estar, da coesão comunitária e da dinamização económica baseada no ecoturismo terapêutico. Estas intervenções, são ainda mais pertinentes dado que a sociedade atual sofre de altos níveis de "défice de natureza", fadiga digital e stress crónico. A floresta intervencionada e ordenada torna-se num ativo estratégico para mitigar estes desafios. Em vez de ser um cenário de risco pós-incêndio, a floresta transformada converte-se num "Atelier a Céu Aberto", um refúgio seguro para a reabilitação comunitária e humana. O Forestminds e um método originário da Finlândia e agora dinamizado em Portugal, que utiliza ferramentas de mindfulness, psicologia positiva e terapia cognitivo-comportamental para intensificar os efeitos curativos da floresta e promover a resiliência psicológica. Esta abordagem integrada transforma a floresta ordenada num ativo estratégico de saúde pública. Neste sentido, entender a ligação "Saúde vs Floresta" é reconhecer a abordagem One Health (Uma Só Saúde): não existe saúde humana sustentável num ecossistema degradado, e a recuperação dos ecossistema só é sustentável através da demonstração do seu valor vital para o bem-estar e para a saúde das populações que o habitam. Aldeias e Regionalismo: que futuro queremos? 1: Earth Watchers - B.A.&M.C. Comunicação Lda, Portugal; 2: Olegário - Packaging & Labels SA Aldeias e Regionalismo: que futuro queremos? (Simpósio 7) Autores e afiliações: Susana Carvalho1*, Vitor Baeta1, João Henriques Baeta2, José Carlos Baeta Coelho2 1.Earth Watchers - BA&MC Comunicação Lda. 2.Olegário - Packaging & Labels, S.A. * susana.carvalho@earthwatchers.net As aldeias do interior de Portugal, para além da sua importância histórica e cultural, tiveram no passado um papel fundamental nas dimensões económica, ambiental e social. Com uma população pobre, mas ativa, protegiam o território, cuidavam dos solos com uma agricultura de subsistência, conviviam com a floresta e os animais, que lhes davam o sustento. Comunidades capacitadas e solidárias, cujos saberes passavam de geração em geração, organizaram-se em coletividades, constituindo comissões ou sociedades de melhoramentos, definindo regras, prioridades e dialogando com o poder local para conseguir benefícios para o seu lugar. A Sociedade de Melhoramentos de Roda Cimeira é a mais antiga coletividade do concelho de Góis (e 2ª mais antiga do distrito de Coimbra), fundada em 1928, na aldeia de Roda Cimeira, freguesia de Alvares. A caminho do centenário, esta sociedade propôs à Câmara Municipal de Góis um projeto ambicioso e alargado ao concelho, com o intuito de unir esforços, através de trabalho de cooperação, para vencer alguns dos principais desafios desta região do interior. Com este projeto, pretende-se desenvolver um trabalho conjunto e em rede, respondendo aos diversos desafios, fortalecer uma economia local protegendo o território, capacitando as comunidades e tornando-as mais resilientes para o futuro, valorizando o papel das aldeias enquanto espaços de proximidade, resiliência e qualidade de vida. Tendo como público-alvo as coletividades e os residentes ativos das aldeias, o poder local, a academia, empresas, associações e ONGs, o programa pressupõe três fases: i) convocação - apresentar a ideia e reunir vontades. Identificar os interessados e selecionar os grandes temas a trabalhar (maio a julho2026); ii) mobilização - desenvolvimento dos projetos em equipas (set. 2026 a set.2027); e iii) implementação – 2028 em diante. Com uma metodologia de constituição de Grupos de Trabalho por temas, condução de workshops e reuniões presenciais e à distância, serão convidados especialistas externos, da academia e de outras entidades públicas e privadas, para apoio, orientação e monitorização contínuas. O resultado pretendido é a concretização e implementação de vários projetos, através de um Plano de Ação, com temas já previamente aprovados: Floresta, Água, Turismo de Natureza, Infraestruturas – energia e comunicações (tema transversal), e que se pretende apresentar e debater no âmbito deste congresso. A implementação dos projetos será feita a partir do 2º semestre de 2028, após apresentação numa Cimeira em Góis, aberta ao público em geral. A partir desta experiência, serão avaliados os resultados, através da análise de casos de sucesso e aspetos a corrigir, e apontar melhorias, assim como a necessidade de aprofundar ou estender os temas, introduzir novos temas, acolher mais coletividades e comunidades. | ||