Programa da conferência
Visão geral e detalhes das sessões desta conferência. Por favor, selecione uma data ou uma sala, para que sejam exibidas apenas as sessões de acordo com esse critério. Por favor, selecione uma sessão para aceder a informação detalhada sobre a mesma.
|
Vista diária |
| Sessão | ||
Simpósio 7a - A floresta como promotora de saúde física, mental e bem-estar
| ||
| Apresentações | ||
O papel das florestas e parques urbanos na promoção da saúde, bem-estar e sustentabilidade. Contributos do projeto NATURELAB Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Portugal A natureza é hoje reconhecida como determinante para a sustentabilidade, a resiliência climática e a saúde humana, embora continue insuficientemente integrada nas políticas públicas e nas práticas de planeamento territorial. Num contexto de urbanização acelerada, eventos climáticos extremos e perda de biodiversidade, torna-se essencial adotar abordagens que articulem água, natureza e sociedade, reconhecendo ecossistemas e bem-estar humano como sistemas interdependentes. Neste enquadramento, as Soluções Baseadas na Natureza (SBN) afirmam-se como estratégias custo-efetivas para proteger, restaurar e gerir ecossistemas, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, a adaptação climática e a promoção da saúde. A evidência científica demonstra que o contacto com a natureza beneficia a saúde física e mental, através da redução do stress, da atividade física, da coesão social e da mitigação do calor urbano, do ruído e da poluição atmosférica. As Intervenções Baseadas na Natureza (IBN), como banhos de floresta, movimento em espaços verdes ou horticultura terapêutica, emergem como estratégias promissoras de saúde pública. Esta comunicação apresenta a abordagem do projeto europeu NATURELAB, em implementação em Portugal, Grécia, Países Baixos, Alemanha e Peru, que investiga o papel das SBN e das IBN na melhoria da qualidade de vida das comunidades e na promoção de territórios resilientes e inclusivos. O projeto valoriza infraestruturas verdes e azuis e integra a observação e monitorização de parâmetros ambientais, incluindo ciclo da água, qualidade do ar, ambiente sonoro, radiação solar e outros indicadores relevantes. O NATURELAB desenvolve atividades em 15 locais experimentais, envolvendo stakeholders e decisores em processos participativos, como entrevistas a informadores-chave, grupos focais e eventos de política pública. Durante 2026 e parte de 2027, serão implementadas IBN em florestas e áreas protegidas, parques urbanos e espaços de horticultura terapêutica, envolvendo 745 participantes em 5 países. Em Portugal, as IBN decorrem em 6 locais experimentais, nos municípios de Sintra e Esposende, envolvendo 360 adolescentes e adultos sem diagnóstico de doença mental, mas com condições de saúde suscetíveis de beneficiar de uma intervenção preventiva. Os participantes serão integrados em grupos, com sessões semanais de IBN em contexto natural, ao longo de 12 semanas. Outros participantes integrarão um grupo de controlo, com sessões informativas sobre natureza e saúde. Os resultados a avaliar incluem indicadores de bem-estar, saúde mental, qualidade de vida, autoestima, ligação à natureza e parâmetros fisiológicos. A metodologia do NATURELAB assenta numa abordagem interdisciplinar, articulando benefícios ambientais, sociais e de saúde. Entre os resultados destacam-se: quadro de indicadores para avaliar o potencial terapêutico dos espaços naturais; orientações sobre benefícios para a saúde associados a espaços verdes e azuis; boas práticas para jardins terapêuticos sustentáveis e resilientes; programas normalizados de IBN em espaços terapêuticos; ferramentas para integrar cuidados baseados na natureza nos sistemas de saúde pública; e recomendações para governação e políticas públicas, incluindo policy briefs. Assim, o NATURELAB reforça bases científicas e operacionais para integrar as SBN no planeamento urbano, na saúde pública e nas estratégias de adaptação climática, promovendo comunidades mais saudáveis, resilientes e inclusivas. Perceção pública e o papel vital das florestas e espaços urbanos na saúde e bem-estar em Portugal 1: Centre for Applied Ecology “Prof. Baeta Neves” (CEABN-InBIO), School of Agriculture, University of Lisbon, Portugal; 2: Centre for the Research and Technology of Agro-Environmental and Biological Sciences (CITAB), Department of Forest Sciences and Landscape Architecture, University of Trás-Os-Montes Alto Douro (UTAD), Quinta dos Prados, Apartado 1013, 5000-911 Vila Real, Portugal; Câmara Municipal de Vila Real, Avenida Carvalho Araújo, 5000-657 Vila Real, Portugal; 3: NatureMinded Consulting, Belgium O atual estilo de vida urbano tem conduzido a um progressivo afastamento da população relativamente à natureza e a um consequente aumento do stress crónico, tornando as florestas e espaços verdes urbanos infraestruturas essenciais para mitigar riscos de saúde pública e alinhar o planeamento urbano com as expectativas de bem-estar dos cidadãos. Os benefícios para a saúde encontram-se sustentados por evidências científicas robustas: a nível fisiológico, a permanência em contexto florestal reduz a pressão arterial, o ritmo cardíaco e os níveis de cortisol; do ponto de vista mental e emocional, estes espaços promovem a melhoria do humor, atenuam sintomas de ansiedade e depressão e combatem a fadiga atencional, favorecendo o descanso cognitivo. Os resultados de um inquérito nacional realizado em Portugal em 2024, com 927 respostas válidas, corroboram a elevada perceção pública acerca destes benefícios. O estudo revelou que 99% dos respondentes reconhecem que os espaços verdes urbanos influenciam positivamente a saúde física e mental. Quando questionados sobre as vantagens consideradas mais importantes, a melhoria da qualidade do ar foi a mais referida (38%), seguida pelo conforto urbano (28%) e pela promoção da biodiversidade (17%). O inquérito evidenciou igualmente padrões de comportamento significativos: 80% dos portugueses visitam espaços verdes pelo menos uma vez por semana. As principais motivações estão diretamente associadas ao bem-estar, sendo o relaxamento o fator predominante (citado por 42% dos utilizadores diários), seguido pela prática de atividade física e pela interação social. A acessibilidade revelou-se um determinante crítico, com 85% dos inquiridos a alcançar um espaço verde em menos de 15 minutos e 77% a residir a menos de 300 metros destes espaços. Do ponto de vista social, estes espaços contribuem para o combate à solidão e para o fortalecimento da coesão comunitária. Com vista a potenciar estes efeitos benéficos da natureza, metodologias como o Forestminds (Metsämieli), desenvolvidas na Finlândia em 2014, têm vindo a ser dinamizadas em Portugal desde 2024, recorrendo a exercícios de atenção plena e psicologia cognitivo-comportamental para reforçar a resiliência psicológica da população. Banhos de floresta ou Shinrin Yoku – experiências de conexão com a natureza Camara Municipal de Lisboa, Portugal BANHOS DE FLORESTA OU SHIRIN YOKU – experiências de conexão com a natureza O Shinrin Yoku, conhecido em português como Banhos de Floresta, é uma prática certificada criada no Japão na década de 1980 pelo Serviço Nacional de Saúde do governo japonês como resposta ao aumento do stress e dos problemas de saúde mental associados ao estilo de vida urbano intenso e acelerado. Esta atividade convida as pessoas a desacelerar do ruído e da poluição da cidade, a estar presentes e a conectarem-se com a natureza através dos sentidos: os cheiros, os sons, as sensações, os aromas, a luz e ainda, através da intuição, memórias e espiritualidade. No final do passeio as pessoas sentem-se tranquilas, energizadas e com ligação à beleza e à biodiversidade dos espaços naturais. A atividade de banhos de floresta iniciou-se pela primeira vez em contexto público em 2021, com uma guia certificada pelo Forest Therapy Hub, Sofia Velez. A iniciativa nasceu num momento particularmente sensível: a saída gradual do confinamento provocado pela pandemia, quando muitas pessoas sentiam necessidade de reencontrar equilíbrio emocional, contacto humano e ligação à natureza. Desenvolveram-se passeios aos sábados destinados à comunidade em geral e, durante a semana, sessões orientadas para as juntas de freguesias e universidades seniores. Estes encontros proporcionavam um espaço de desaceleração e presença, permitindo aos participantes entrar em contacto consigo próprios, com a floresta e com os outros, através de caminhadas conscientes e práticas de atenção sensorial. Num período marcado pelo isolamento social, ansiedade e fadiga emocional, os banhos de floresta revelaram-se uma experiência profundamente reparadora. Monsanto tornou-se um lugar de acolhimento e regeneração dentro da cidade, onde o silêncio, os ritmos naturais e a partilha em grupo ajudavam a reconstruir vínculos humanos e a restaurar o bem-estar físico e psicológico. Fostering a collaborative educational environment with public bodies in Central Italy and Northern Portugal, developing people's health and wellness with forest bathing activities. 1: Centre for Applied Ecology “Prof. Baeta Neves”, InBIO - Research Network in Biodiversity and Evolutionary Biology, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017, Lisboa, Portugal; 2: School of Agriculture, Polytechnic University of Coimbra, 3045-601, Coimbra, Portugal In the 2020, the first national park in Italy, Sibillini Mountains National Park (SMNP) was equipped with a forest bathing path in each municipality of the park. Updating sessions for training the hiking guides of the National Park, were organized in collaboration with their association. In 2023 and 2024, funded by the Marche Region, the Camerino Union of Mountain Municipalities organised vocational training for more than 40 new forest bathing guides. The principal objective of these interventions was to:
In 2024 the management of Parque da Devesa, in Vila Nova de Famalição showed its interest about forest bathing activities, and a forest bathing session was experienced. Parque da Devesa - a green urban area, extended for 27 ha and crossed by the Pelhe River - offers to the citizens a wide range of activities linked to the use of this large green space, practically adjacent to the centre of the town, with a population of over 130,000 inhabitants. In 2025, after evaluating the site, the opportunities and constraints related with forest bathing activities, two cycles of immersions in the forest atmosphere were organized in collaboration with the Parque da Devesa and the Municipality of Vila Nova de Famalicão. The first cycle was in March 2025, and the second in the following May, each cycle at different times and on different days of the week. Mood states, self-assessed by participants, before and after of the immersions in the forest atmosphere were recorded, as at the end of the activities an evaluation of the activities was assessed by participants, with scores and answers to open questions. Vila Nova de Famalicão Municipality also organised a theoretical and practical training, for municipal and external staff, to increase the number of tutors of immersions in the forest atmosphere. Many training participants had high qualifications (15 degrees · 3 postgraduate degrees · 5 master's degrees · 2 doctorates · 3 other training programs) in various disciplines (psychology, letters, education, medicine, environment, biology, engineering, architecture). The experiential and educational environment created has proven to be so cooperative, that a collaboration with the Psychology Department of the University of Minho has already been started, with the aim of investigating the impact of the future activities that will be developed by the trained tutors, who are already practicing. In this paper we examine and evaluate the results of the self-assessment of participants' mood changes during the immersion in the forest environment performed in 2025, and the assessment of the vocational training. From burned landscapes to collective healing: restorative community practices for post-wildfire recovery 1: CoLAB ForestWISE - Collaborative Laboratory for Integrated Forest & Fire Management, Quinta de Prados, 5001-801, Vila Real, Portugal; 2: Forest Research Centre, Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture (ISA), University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017, Lisboa, Portugal; 3: Centre for Applied Ecology ‘Prof. Baeta Neves’, InBIO, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisbon, Portugal; 4: Municipality of Santa Comba Dão, Largo do Município No. 13, 3440-337 Santa Comba Dão, Portugal; 5: Parques de Sintra - Monte da Lua S.A, Parque de Monserrate 2710-405 Sintra; 6: Joint Research Centre (JRC), European Commission; 7: Prototopia Foundation, Brussels, Belgium Post-fire recovery is commonly assessed through ecological restoration, infrastructure reconstruction and economic recovery. However, while landscapes can regenerate and damaged assets can be rebuilt, the emotional and social impacts experienced by affected communities often remain insufficiently addressed. Loss of family members, friends, animals, homes, memories and sense of place may persist long after the flames are extinguished, affecting wellbeing, social cohesion and community resilience. Despite growing recognition of environmental trauma and ecological grief, these dimensions remain largely absent from post-fire recovery strategies. This work presents an innovative experience developed in Santa Comba Dão, Portugal, one of the municipalities most severely affected by the 2017 wildfires. Seven years after the disaster, a collaborative initiative brought together the artistic project Lament, the FIRE-RES project, local authorities, researchers, psychologists, firefighters and community members. The initiative explored how art and community engagement can support emotional recovery and strengthen resilience in wildfire-affected territories. The approach combined artistic co-creation, community participation and action-research, giving rise to a set of restorative community practices designed to create safe spaces for reflection, dialogue and collective healing. Through storytelling, creative workshops and collaborative mapping exercises, residents, students, volunteer firefighters and local leaders contributed to the creation of a Collective Scar Map, integrating memories, emotions and representations of the territory. The process enabled participants to share experiences of loss while identifying sources of hope, solidarity and resilience. Results revealed that emotional impacts remained highly present years after the wildfire, highlighting the need to complement conventional recovery measures with approaches that acknowledge environmental trauma and collective grief. Participants valued the opportunity to share experiences, preserve memories and rebuild connections with both their community and landscape. Beyond documenting trauma, the process strengthened social bonds, fostered trust and helped transform memories of disaster into narratives of resilience and collective agency. The initiative was subsequently recognised by the European Commission as a Green Deal Success Story for its innovative integration of art, science and community engagement in post-disaster recovery. A key outcome was the development of the Toolkit “Art and Community Engagement as Restorative Practices in Contexts of Environmental Trauma and Grief”, providing practical guidance for replicating similar approaches in other wildfire-affected regions. The findings suggest that post-fire recovery should be understood not only as the restoration of ecosystems and infrastructures, but also as a process of rebuilding wellbeing, social cohesion and community identity. Beyond supporting emotional recovery, the experience invites reflection on how communities reconnect with damaged landscapes after extreme wildfire events. By addressing trauma, memory, grief and collective resilience, restorative community practices contribute not only to healing people, but also to rebuilding relationships between communities, forests and territories in a changing climate, supporting broader discussions on Mental Health and Psychosocial Support, ecological grief and planetary health. | ||