Programa da conferência
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T3.1 - A ambição
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Dois séculos de cartografia florestal portuguesa - do desenho aos conceitos ICNF, Portugal Enquadrado num projecto de investigação, esta apresentação é um contributo para a epistemologia florestal explorando a cartografia dos últimos dois séculos, sendo que o conhecimento florestal não se concretizou sem respaldo cartográfico. Como contribuiu a cartografia de temática florestal para o desenvolvimento da epistemologia florestal? Que ensinamentos para o futuro? Os arquivos cartográficos florestais são assim essenciais. A cartografia nacional desta temática inicia-se no século XIX com a AGM, enrobustece-se com os SF no final do século XIX e desenvolve-se no sec. XX em diálogo com outros processos cartográficos (CAF, SROA, processos ultramarinos, etc.) Importa assim para a historiografia da ciência (florestal) analisar a evolução dos conceitos associados ao desenho da floresta e terminologia empregue. O acervo cartográfico conservado no ICNF (6000 peças) é base neste processo. Far-se-á uma apresentação sumária do mesmo e desenvolve-se uma visão percorrendo 200 anos de produção cartográfica em suporte analógico. Apresentar-se-ão ligações a outros acervos desenvolvidos no período abordando igualmente a temática florestal, evidenciando a partilha de conceitos e de autores/actores. Analisa-se esta informação de forma a encontrar respostas às questões formuladas. No final, tecem-se conclusões antevendo no futuro próximo o desenvolvimento de uma nova etapa de planeamento florestal nacional. DESCRIÇÃO A forma como se cartografou e identificou a floresta não foi sempre igual, reflectindo-se portanto sobre o processo que permitiu a evolução do conceito de floresta até ao final do século XX. O acervo cartográfico florestal do ICNF foi até ao momento analisado de forma parcelar fazendo-se agora uma abordagem holística, relevando as ligações com outros processos. A apresentação da análise em causa será dividida em 4 fases, correspondendo a diferentes períodos de produção e de autores: 1) De 1800 a 1881: o período compreendendo a AGM 2) De 1881 a 1938: do período final da monarquia até à aprovação do PPF. Período onde se edificam os SF e avança a arborização das serras e o trabalho de correção do regime torrencial (Norte, Centro e ilhas adjacentes). Os autores de cartografia têm também outras formações para além da silvícola. 3) De 1938 até à 1980: a florestação no Estado Novo e o 25 de Abril. A fase onde fruto da aprovação do PPF e da necessidade de aumentar o ciclo de arborização, os SF operam a “massificação” da produção cartográfica e ocorrem processos de diálogo técnico com outras instituições de produção cartográfica. 4) As últimas décadas do século XX, a produção cartográfica diminui e passa maioritariamente a desenvolver funções associadas ao Inventário Florestal Nacional, a área técnica de eleição da Autoridade Florestal na viragem do século. Neste período emergem outras temáticas de produção cartográfica associadas à conservação da natureza, aos fogos florestais e à fitossanidade. O processo cartográfico florestal português (que na sua máxima expressão abrange continente, ilhas e ex-territórios ultramarinos) envolve procedimentos diferenciados de trabalho de campo, normas para processamento de desenho em gabinete, concepções diferenciadas de hierarquia das estruturas responsáveis pela produção e processos diversificados de disponibilização da informação final. Can production forests deliver multiple ecosystem services? Evidence from a Mediterranean management landscape 1: RAIZ – Forest and Paper Research Institute, Quinta de S. Francisco, Rua José Estevão, 3800-783 Aveiro, Portugal; 2: Navigator Forest Portugal, Zona Industrial da Mitrena, 2910-738 Setúbal, Portugal; 3: Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, 1349-017, Lisboa, Portugal Human well-being depends on forest ecosystem services (ES), yet these benefits are increasingly threatened in Mediterranean regions by climate change and land-use pressures. In Portugal, forests cover about 36% of the mainland, yet ES assessments are fragmented across individual services and land-use types. This study develops an ES assessment approach based on the CICES framework to define ES at the management-unit scale, establishing a baseline for a 582 ha landscape in the Middle Tagus region. The study area represents a Mediterranean forest management area, dominated by eucalyptus (65%), cork oak (9%), stone pine (4%), maritime pine (3%), and a riparian forest of alders and willows (2%) classified as high conservation value. The region has a sub-humid mesothermal climate with severe summer water deficits. Five CICES-based indicators were selected: wood production, carbon (C) stock, water regulation, water quality, and biodiversity maintenance. Field campaigns in 2024/2025 combined forest inventory, soil sampling for C assessment, eDNA-based biodiversity analysis, and hydrological monitoring. Forest inventories used National Forest Inventory allometric equations to estimate biomass in plots for major land uses. Litter and soil sampling (0–30 cm) evaluated organic C stocks, eDNA samples from air, vegetation, and water were collected and analyzed. Water monitoring was conducted through a hydrometric station located at the catchment outlet and with monthly water quality sampling. Results show that managed forests are highly productive and significant C reservoirs. Regarding provisioning services, mean annual increment of even-aged forests ranged from 0.6 m³ ha⁻¹year⁻¹ (cork oak) to 14.5 m³ ha⁻¹ year⁻¹ (first-rotation eucalyptus) and uneven-aged cork oak stands had an annual increment of 0.6 m³ ha⁻¹year⁻¹. Considering regulatory ecosystem services, aboveground and belowground C stocks in biomass reached 117 t. ha⁻¹ in eucalyptus, and C storage varied from 5 to 28 t.ha⁻¹ over five years across land uses. Soil organic C averaged 35 ± 12 t.ha⁻¹. The biodiversity assessment revealed a highly diverse community of over 630 taxa, dominated by invertebrates (85%). Riparian area was a biodiversity hotspot (262 taxa, 163 unique), while stone pine (62 unique taxa) and cork oak (47 unique taxa) also contributed. Notably, plantation stands shared substantial biodiversity with native systems, and eucalyptus areas supported relevant proportions of pollinator insects, suggesting that production cycles do not necessarily hinder ecological richness. These results suggest that managed production forests, mainly if management is made at landscape level, can simultaneously deliver high productivity, significant C storage, and substantial biodiversity, challenging conventional trade-offs between provisioning and regulating services. The proposed framework provides a practical basis for integrating ES into forest management. However, high costs and technical complexity of baseline assessments remain a barrier to adoption, limiting access to C markets and PES schemes. This highlights the need for scalable, cost-efficient monitoring solutions. Acknowledgments: This study was funded under the Mobilizing Agenda “TransForm – Digital transformation of the forest sector towards a resilient and low-carbon economy,” supported by the PRR (Recovery and Resilience Plan) and the European Union’s NextGenerationEU funds. B-READY4FUTURE: uma abordagem inovadora de capacitação para a gestão integrada da floresta e dos fogos rurais 1: Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo - CoLAB ForestWISE; 2: Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais - AGIF A crescente complexidade dos incêndios rurais, particularmente dos eventos extremos, exige níveis crescentes de qualificação técnica e capacidade de decisão em todas as fases do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), desde o planeamento e prevenção até à supressão e recuperação pós-evento. O Plano Nacional de Qualificação do SGIFR (PNQ_SGIFR) identificou uma oferta de formação superior reduzida, dispersa e insuficiente para responder às necessidades dos profissionais do setor. Neste contexto, foi desenvolvido o projeto B-READY4FUTURE – Programa de Formação Nacional para Capacitação e Reforço de Competências ao nível da Gestão Integrada de Fogos Rurais, financiado pelo Fundo Ambiental no âmbito do investimento RE-C08-i05 – Programa MAIS Floresta do PRR. Este trabalho apresenta o modelo desenvolvido e discute o seu contributo enquanto abordagem inovadora de formação aplicada ao setor florestal. O Programa foi concebido através de uma abordagem colaborativa do CoLAB ForestWISE com oito Instituições de Ensino Superior nacionais e mais de 35 especialistas com experiência científica, técnica e operacional nas áreas da floresta e do fogo. A abordagem metodológica adotada na construção do Programa de Formação, como resposta às necessidades de qualificação identificadas no PNQ_SGIFR, integrou o desenvolvimento curricular orientado por competências, a criação de microcredenciais com créditos de Ensino Superior e a sua operacionalização em formato b-learning, conjugando sessões online, sessões presenciais, atividades de campo e em laboratório, articuladas com a valorização da experiência profissional dos formandos. A aplicação integrada deste modelo à gestão integrada da floresta e do fogo constitui uma abordagem diferenciadora no contexto florestal nacional. Foi implementado um percurso formativo mínimo de 684 horas, composto por microcredenciais obrigatórias e por microcredenciais ou módulos de formação certificada opcionais, abrangendo áreas como comportamento do fogo, suscetibilidade ao fogo, gestão do fogo rural, prevenção estratégica, proteção contra incêndios rurais, meteorologia, biodiversidade e serviços dos ecossistemas, entre outras. O Programa registou mais de 200 inscritos, integrando técnicos de Organizações de Produtores Florestais (OPF), Administração Local e Central e entidades gestoras de Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). Foram realizadas mais de 88 mil horas de formação, com mais de 100 formandos a concluírem as 684 horas de formação. A avaliação efetuada pelos participantes evidenciou perceções positivas relativamente à adequação dos conteúdos, valorização profissional e aquisição de competências para novas funções. O B-READY4FUTURE demonstrou o potencial de uma abordagem inovadora de capacitação no setor florestal, integrando múltiplas Instituições de Ensino Superior, formação certificada, microcredenciais e metodologias híbridas orientadas para profissionais no ativo. Para além do reforço das competências técnicas, o programa promoveu a criação de uma rede colaborativa entre técnicos, especialistas e instituições, aproximando ciência, ensino e prática operacional. Os resultados obtidos sugerem potencial de continuidade e replicação deste modelo noutras áreas da gestão florestal e dos riscos naturais. Plano de Paisagem de Cascais: uma estratégia integrada para a resiliência periurbana, gestão do risco e valorização dos serviços dos ecossistemas Cascais Ambiente, Portugal O incêndio rural de outubro de 2018, no Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC), no concelho de Cascais, evidenciou a elevada vulnerabilidade ao fogo das paisagens periurbanas e a ausência de modelos integrados de ordenamento e gestão do território rural, revelando a necessidade de novas abordagens metodológicas de planeamento de escala alargada. O Plano de Paisagem de Cascais (PPC) surge como instrumento estratégico para responder à fragmentação ecológica, ao aumento do risco de incêndio rural e à perda de biodiversidade. Trata-se de um modelo integrado de planeamento e ordenamento da paisagem que visa aumentar, de forma sustentável, a resiliência ecológica, funcional e socioeconómica do território periurbano face às alterações climáticas. O PPC abrange 2357 ha no noroeste do concelho de Cascais, englobando áreas integradas no Parque Natural de Sintra‑Cascais. O trabalho integrou análise biofísica, socioeconómica e histórica da paisagem, com avaliação da evolução do uso do solo (1947–2015), caracterização de habitats naturais, análise do histórico de incêndios (1989–2018) e identificação de serviços dos ecossistemas. O território foi estruturado em seis unidades territoriais da paisagem, para as quais foram desenvolvidos modelos de gestão diferenciados e articulados com os instrumentos de gestão territorial em vigor. A metodologia incluiu ainda cartografia de risco, modelação espacial e processos participativos com proprietários rurais e agentes locais, permitindo definir cenários de intervenção e áreas prioritárias para gestão ativa e restauro ecológico. A análise revelou a transição de uma matriz originalmente rural para uma paisagem periurbana fragmentada, marcada pelo abandono agrícola, aumento da área de matos densos e consequente perigosidade de incêndio rural. Mais de 80% da faixa entre o Guincho e a Atrozela ardeu pelo menos uma vez nas últimas décadas, registando-se zonas críticas com uma recorrência superior a três incêndios em seis anos. Para mitigar essa vulnerabilidade, o PPC definiu oito modelos de gestão territorial — incluindo silvopastorícia, mosaicos agroflorestais, recuperação da floresta nativa, gestão das linhas de água e valorização de habitats prioritários — orientados para a proteção, a conservação, a produção e o recreio e lazer. As propostas privilegiam a criação de descontinuidades da vegetação combustível à escala da paisagem, o reforço de corredores ecológicos e dinamização económica através da agricultura local e do ecoturismo. O PPC demonstra que a gestão integrada da paisagem é uma estratégia eficaz para aumentar a resiliência de territórios periurbanos sujeitos a forte pressão urbana e ao risco de incêndio rural. A articulação entre a conservação da natureza, o ordenamento, a economia local e a participação dos proprietários rurais revelam-se essencial para promover paisagens multifuncionais e resilientes. A sustentabilidade da sua implementação depende criticamente da continuidade institucional, do financiamento sustentado e da governança colaborativa eficaz. Melhoramento genético e materiais florestais de reprodução 1: INIAV, Portugal; 2: ICNF; 3: LEAF Instituto Superior de Agronomia, Universidade Lisboa; 4: Instituto Politécnico de Coimbra-Escola Superior Agrária de Coimbra; 5: Instituto Politécnico de Castelo Branco-Escola Superior Agrária de Castelo Branco; 6: Altri; 7: The Navigator Company; 8: Centro PINUS O sucesso dos programas de reflorestação com espécies autóctones ou exóticas depende da disponibilidade de plantas de elevada produtividade e bem-adaptados às condições ambientais, e mais tolerantes aos efeitos de pragas e doenças. O melhoramento genético é uma das ferramentas mais poderosas para atingir estes objetivos. No âmbito do PRR, a Agenda TransForm incluiu o projeto P1.1 “Melhoramento genético e materiais florestais de reprodução”. Este projeto concentrou-se na realização de avanços significativos nos atuais programas de melhoramento de duas espécies florestais, o pinheiro-bravo e o eucalipto, assim como, em assegurar a preservação in situ dos ecossistemas florestais naturais e da biodiversidade de algumas das espécies florestais ameaçadas em Portugal, como alguns carvalhos autóctones e espécies arbóreas associadas, pela via seminal ou vegetativa, com vista à sua conservação ex situ. No caso do melhoramento genético do pinheiro-bravo (P. pinaster) e do eucalipto (Eucalyptus spp), alargou-se significativamente a base genética em ambas as espécies, desenvolveu-se e implementou-se várias ferramentas de seleção genética e protocolos de propagação vegetativa, para assegurar futuros ganhos genéticos significativos. Os critérios de seleção incidiram no aumento em volume, na resiliência à secura, pragas e doenças. Para o pinheiro-bravo, realizou-se uma seleção da informação existente em ensaios e pomares, selecionaram-se os melhores materiais para o crescimento, forma e sanidade e criaram-se as bases para a criação de uma nova geração de melhoramento, através do estabelecimento de novos pomares produtores de semente. Registaram-se, no Catálogo Nacional dos Materiais de Base, novas áreas produtoras de semente, contribuindo-se assim para aumentar a disponibilidade de semente de material selecionado para os viveiros. No eucalipto, o alargamento da base genética nos atuais programas realizou-se pela incorporação de novas espécies para avaliar a sua resiliência climática e/ou resistência a pragas e doenças. Intensificaram-se os cruzamentos intraespecíficos de E. globulus, as redes de ensaios e bases de dados de registos fenotípicos. Melhoraram-se os protocolos de fenotipagem e de seleção precoce, especialmente para a resistência à secura, resistência a pragas e doenças e de aumento de capacidade de enraizamento e sanidade em viveiro. Contribuiu-se ainda para implementar melhorias nos protocolos de clonagem e de melhor gestão de pomares para produção intensiva de semente. No que respeita à conservação genética e recuperação de vários carvalhos autóctones e espécies arbóreas associadas, desenvolveram-se novas metodologias de mapeamento por deteção remota de elevada resolução e realizaram-se estudos de genómica para permitir uma melhor caracterização da diversidade genética. Desenvolveram-se metodologias de multiplicação com vista a facilitar a sua produção em viveiro e aumentar a sua disponibilidade no mercado. No caso do medronheiro, contribuiu-se para aumentar a capacidade de fornecimento de semente, de modo a responder à crescente procura de mercado. Para tal, procedeu-se à instalação de novos ensaios de descendência e lançaram-se as bases para a constituição de um novo pomar de 2ª geração. Estas medidas permitirão um incremento na produção de fruto, processamento e extração da semente de elevada qualidade para mercado, bem como, assegurar a conservação dos recursos genéticos ex situ do medronheiro. Um produto esquecido, um futuro possível: o alcatrão de pinheiro-bravo na bioeconomia 1: CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda, Lisboa; 2: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Évora; 3: Mota-Engil BCircle, Lda, Alverca A produção de alcatrão vegetal em Portugal teve início em 1790, na Marinha Grande, recorrendo como matéria-prima à madeira proveniente do Pinhal de Leiria. Este produto era obtido através da combustão lenta de achas de pinheiro-bravo (Pinus pinaster Ait.), processo que originava simultaneamente subprodutos com valor económico, nomeadamente o carvão e a água russa. A atividade atingiu o seu auge ao longo do século XIX, em estreita associação com o desenvolvimento da construção naval e da indústria de cordoaria. No entanto, a progressiva substituição dos navios de madeira por embarcações metálicas, aliada ao baixo rendimento do processo produtivo e às alterações na gestão do Pinhal de Leiria, conduziu ao declínio e posterior abandono desta atividade. No contexto atual da bioeconomia e da transição para modelos de economia circular, o alcatrão vegetal ressurge como um subproduto com potencial de valorização, particularmente no âmbito de processos modernos de conversão termoquímica da biomassa. Neste enquadramento, o presente trabalho tem como objetivo analisar o potencial de integração da produção de alcatrão vegetal em sistemas contemporâneos de pirólise, posicionando este produto numa lógica de valorização integral de biomassa residual. A abordagem adotada assenta numa análise técnico-conceptual suportada em três eixos principais: (i) revisão dos processos históricos de produção de alcatrão, (ii) caracterização dos fluxos de produtos resultantes da pirólise de biomassa lenhosa e (iii) aplicação exploratória a um caso de estudo real — a central de biochar de Carvalhelhos (Boticas), promovida pela Mota-Engil BCircle. Neste contexto, a produção de biochar assume-se como o principal vetor de valorização, sendo o alcatrão vegetal considerado um subproduto com potencial de aplicação em nichos de mercado específicos. Os resultados exploratórios sugerem que a valorização integrada dos subprodutos da pirólise, incluindo o alcatrão vegetal, poderá contribuir para melhorar a viabilidade económica dos sistemas de produção de biochar, ao aumentar o aproveitamento global da biomassa processada e reforçar os princípios da economia circular. Assim, este trabalho propõe uma reinterpretação contemporânea de uma prática tradicional, posicionando o alcatrão vegetal como um elemento complementar em cadeias de valor baseadas na bioeconomia, com particular relevância em regiões com elevada disponibilidade de biomassa, como o Norte de Portugal. | ||