Programa da conferência
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Vista diária |
| Data: Quarta-feira, 07.10.2026 | |
| 9:00a10:00 | Sessão Plenária 2: Margarida Tomé Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: José Gaspar |
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Modelos de crescimento da floresta, um apoio necessário para a gestão florestal sustentável num ambiente em mudança Instituto Superior de Agronomia, Lisboa A gestão florestal sustentável visa garantir que os bens e serviços fornecidos pelas florestas atualmente se mantenham ou aumentem no futuro, assegurando a sua utilização pelas gerações futuras. Embora frequentemente considerada um conceito recente, esta preocupação existe há séculos entre os profissionais da área florestal. Em 1713, Hans von Carlowitz introduziu o termo “sustentabilidade” na obra Silvicultura Oeconomica, defendendo a utilização dos recursos naturais sem comprometer a sua continuidade. O que é realmente novo, principalmente desde o Millennium Ecosystem Assessment, é a sistematização dos benefícios proporcionados pelas florestas, designados por serviços dos ecossistemas, os quais são geralmente classificados em quatro categorias: serviços de produção, de regulação, culturais e de suporte. Além disso, tornou-se necessário demonstrar que a gestão aplicada contribui para a manutenção ou melhoria destes serviços, o que exige a definição e monitorização de indicadores ao longo do tempo. No entanto, implementar a sustentabilidade das florestas não é tarefa fácil, uma vez que o impacto das decisões de gestão florestal só se torna visível a longo prazo. Os gestores florestais têm de prever, com muitos anos de antecedência, os efeitos das opções de gestão tomadas hoje, num ambiente em constante mudança. Como fazer essa previsão? Podemos basear-nos na observação prolongada da evolução de diferentes florestas através de parcelas permanentes e ensaios de campo. Contudo, essa observação não resolve totalmente o problema porque, em primeiro lugar, exigiria demasiado tempo e, em segundo lugar, não permitiria observar todas as alternativas possíveis. Foi daí que surgiu a ideia de utilizar os dados recolhidos para desenvolver modelos de crescimento da floresta, ou seja, ferramentas informáticas que, utilizando toda a informação científica disponível, prevêm a evolução de uma floresta ou de uma região ao longo do tempo e sob diferentes cenários de gestão florestal, clima ou política florestal. O modelo consegue simular o impacto das práticas florestais, bem como alterações em variáveis de controlo como o clima, os incêndios, as pragas ou as operações silvícolas. As decisões de gestão florestal são tomadas a diferentes escalas espaciais, desde o povoamento florestal até à unidade de gestão ou mesmo ao país. Por essa razão, existem simuladores florestais adaptados a essas diferentes escalas. A silvicultura e a gestão florestal evoluíram significativamente nos últimos anos e constituem hoje áreas científicas complexas, apoiadas na ecologia e nas ciências florestais, com o objetivo de garantir um fornecimento sustentável de serviços dos ecossistemas florestais: serviços de provisão, regulação, culturais e de suporte. Cada sistema florestal e cada opção de gestão conduz a uma combinação distinta desses serviços. A gestão florestal deve, por isso, considerar todos os intervenientes, desde o proprietário da floresta até à sociedade em geral. Aquilo que é benéfico para os primeiros nem sempre satisfaz as expectativas da sociedade. No que diz respeito aos modelos de crescimento florestal, devemos considerar duas abordagens distintas: os modelos empíricos e os modelos baseados em processos. Os modelos empíricos resultam do ajustamento estatístico de funções de crescimento às variáveis cuja evolução se pretende simular. Incluem ainda diversos algoritmos para representar eventos e operações florestais, como a mortalidade das árvores ou os desbastes. Já os modelos baseados em processos procuram compreender a evolução da floresta através da descrição das interações entre planta e solo e entre carbono, nutrientes e água. Estes modelos têm a capacidade de responder aos impactos das alterações climáticas e da intensificação da silvicultura. Cada um destes tipos de modelos têm vantagens e inconvenientes que serão discutidos nesta apresentação com base em aplicações dos dois tipos de modelos a alguns casos reais. |
| 10:00a11:30 | Simpósio 17a - Governança florestal e gestão do território em diferentes contextos: abordagens comparativas para o desenvolvimento sustentável Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Tamiel Khan Baiocchi Jacobson Moderação/coordenação de sessão: Fabrício Alvim Carvalho Moderação/coordenação de sessão: João C. Azevedo |
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OPF, serviços aos proprietários e digitalização: contributos para a gestão florestal ativa 1: INIAV, Portugal; 2: ISA, Portugal A principal missão das OPF é incentivar uma gestão florestal mais ativa, que enfrente problemas como incêndios, escassez de mão-de-obra, baixa rentabilidade e alterações climáticas. Apesar de terem uma ampla cobertura territorial, sobretudo no Norte e Centro, as OPF associam apenas 16% dos proprietários florestais, colocando-se o desafio de identificar vias de promoção do associativismo e qual o contributo provável da digitalização destas instituições para essa promoção. No âmbito da Agenda Transform (P1.9) procurou-se identificar potenciais efeitos da adoção da transição digital na prestação de serviços pelas OPF e na promoção da gestão florestal ativa pelos proprietários. Para tal, levou-se a cabo a identificação: dos contextos socioeconómicos de intervenção das OPF; dos serviços prestados por 17 OPF associadas da Forestis que participaram no inquérito de diagnóstico tecnológico realizado no âmbito do mesmo projeto; do perfil e práticas de proprietários aderentes e não aderentes de OPF e das tecnologias digitais emergentes para a gestão florestal e atuação das OPF. Neste estudo, realizaram-se entrevistas a técnicos de seis OPF sobre a transição digital, e a 10 especialistas do setor florestal, abordando tecnologias digitais de adoção mais expectável no contexto português. Na análise da relação entre OPF e serviços, destacam-se três resultados: (1) os serviços mais procurados pelos proprietários variam conforme o contexto territorial das OPF; (2) os serviços que mais ocupam os técnicos das associações são semelhantes entre as OPF, sobressaindo a coordenação das equipas de sapadores como a atividade principal comum, o que reflete o impacto das políticas públicas e de procedimentos burocráticos; (3) o leque de serviços prestados depende da dimensão das OPF e a comercialização de madeira é um serviço recente prestado por um escasso número de OPF. Apesar da centralidade para as OPF da promoção da gestão florestal ativa, a diferença entre proprietários aderentes de OPF e não aderentes está mais ligada a fatores estruturais, técnicos, de trabalho e de relação com as políticas florestais do que à intensidade de realização das intervenções silvícolas. No atual contexto de relação entre as OPF e os proprietários, as tecnologias digitais têm potencial para facilitar a elaboração de projetos, o planeamento e a execução das operações florestais e a comercialização da madeira, ampliando e disponibilizando o conhecimento, a informação e o registo das atividades, das intervenções e dos produtos, porém podem não conduzir à redução de custos nem resolver limitações estruturais ou burocráticas. Os técnicos das OPF reconhecem que a angariação e aconselhamento dos proprietários requer tempo e presença nos povoamentos florestais, e esperam que as ferramentas digitais otimizem o tempo de trabalho das equipas técnicas. O sucesso dos projetos de gestão florestal depende do envolvimento tanto dos proprietários já ligados às OPF, com canais de comunicação estabelecidos, quanto daqueles que ainda não participam do movimento associativo, mas buscam soluções para gerir suas propriedades. Conclui-se que é fundamental discutir, avaliar e promover soluções digitais diversificadas para beneficiar toda a floresta portuguesa e seus proprietários, não devendo o avanço digital descurar o desenvolvimento de inovações adaptadas ou adaptáveis à pequena propriedade. Este trabalho obteve apoio financeiro da Agenda Transform (P1.9), através do PRR e Fundos Europeus NextGeneration. Conhecer para transformar: parceria institucional CEGAFI-UnB e INCRA no processo de gestão das Florestas públicas no Brasil 1: CEGAFI- UnB, Brazil; 2: Universidade de Braília, Brazil; 3: INCRA, Brazil O Brasil, dada a sua dimensão territorial de escala continental, concentra uma série de elementos que conferem complexidade à gestão florestal e fundiária. Com o propósito de aperfeiçoar processos e normas de governança fundiária, florestal e territorial, bem como de orientar a tomada de decisão, o INCRA tem promovido diversas iniciativas em parceria com o CEGAFI-UnB. Esta cooperação técnico-científica, desenvolvida no âmbito dos projectos GovFun BR, Mais Amazónia e GovFun Mais Amazónia, associa investigação aplicada à gestão da informação e à inteligência territorial, recuperando o historial de afectação de terras públicas e produzindo diagnósticos e estudos que relacionam aspectos como segurança jurídica, conflitos, complexidade e sobreposições cadastrais, diversidade socioambiental e gestão florestal sustentável. A especialização metodológica desenvolvida nesta parceria entre o INCRA e o CEGAFI-UnB foi construída a partir do desenvolvimento dos projectos em etapas distintas, porém complementares e sequenciais, envolvendo levantamento documental de acervos fundiários literais e gráficos, avaliação de aspectos dominiais, cadastrais e informações gráficas, bem como das sobreposições resultantes das bases de dados públicas. O ponto de partida, com o GovFun BR, consistiu no levantamento de terras públicas federais e dos estágios das respectivas afectações fora da Amazónia Legal Brasileira; o Mais Amazónia produziu diversas análises a partir de processos titulatórios; e o GovFun Mais Amazónia reforça o processo de ordenamento e gestão florestal e territorial. Os resultados obtidos contribuem para a governança florestal ao ampliar a capacidade do Estado de conhecer, ordenar e monitorizar a afectação de terras públicas, condição indispensável para compatibilizar desenvolvimento económico, conservação ambiental e justiça agrária. O GovFun BR catalogou 159.699 documentos titulatórios e 571 glebas públicas em 17 estados e no Distrito Federal, fora da Amazónia Legal. O Mais Amazónia diagnosticou 46 000 requerimentos de regularização fundiária na Amazónia Legal, e o GovFun Mais Amazónia catalogou já mais de 150 000 documentos titulatórios em 2 625 glebas públicas na Amazónia, reconstituiu 2 200 perímetros de parcelas afectadas, e construiu o protótipo do novo cadastro rural do INCRA. Deste modo, as iniciativas não apenas organizam informação: produzem capacidade institucional para orientar decisões públicas em contextos de forte pressão fundiária e ambiental. Os projectos desenvolvem investigação sobre as relações entre floresta, terra, produção, direitos territoriais, conservação e desenvolvimento sustentável. Em conjunto, estas iniciativas aproximam a Universidade da administração pública, demonstrando que a cooperação entre academia e Estado pode transformar dados dispersos em conhecimento estratégico e conhecimento estratégico em políticas territoriais mais justas, transparentes e sustentáveis. A parceria evidencia a importância de aprofundar esta proximidade, nomeadamente sob a perspectiva de qualificar informações e processos de modo a integrar acções distintas de regularização fundiária e regularização ambiental num processo consolidado e sistémico de gestão florestal eficiente, orientado para o desenvolvimento sustentável. Desafio para a Governança Florestal no Estado do Pará 1: CEGAFI UnB, Brazil; 2: Universidade de Brasília, UnB As sobreposições entre Glebas Públicas Federais (GPFs) e Florestas Públicas Não Destinadas (FPND) no Estado do Pará constituem um dos principais desafios à governança florestal na Amazónia Legal. A indefinição quanto à destinação dessas áreas gera insegurança jurídica que favorece a grilagem e o desflorestamento, comprometendo o acesso a políticas públicas, o ordenamento fundiário e a gestão ambiental. O presente estudo investigou as implicações das sobreposições entre as GPFs e as FPND, analisando a extensão territorial, a dinâmica temporal e os dados espaciais, com vista a subsidiar estratégias de aperfeiçoamento das políticas públicas orientadas para a conservação das florestas públicas e para a governança fundiária, contribuindo para o debate comparativo sobre governança de florestas públicas em contextos de pressão territorial. A investigação utilizou uma abordagem qualitativa, descritiva e documental assente no cruzamento de bases de dados geoespaciais oficiais do SIGEF e do SFB. A análise comparou a evolução das sobreposições entre diferentes categorias fundiárias, Territórios Indígenas, Territórios Quilombolas, Unidades de Conservação e GPFs e o cadastro de FPNDs entre 2022 e 2024, permitindo identificar padrões de resolução e de concentração de sobreposições. A abordagem qualitativa orientou a interpretação dos resultados com base no referencial teórico e na análise documental das políticas públicas. Os dados foram sistematizados em tabelas e gráficos, evidenciando a distribuição territorial dos conflitos fundiários e a distribuição dos requerimentos de regularização de posses por gleba. Os resultados revelam que, em 2024, as sobreposições entre GPFs e FPNDs no Pará atingiram 6,12 milhões de hectares, uma redução de 20,04% relativamente a 2022; contudo, essa redução foi ainda inferior às registadas nas demais categorias fundiárias face às FPNDs no mesmo período. Foram identificados 55.078 títulos emitidos recolhidos pelo Projecto GOVFUN Mais Amazónia até 2026, dos quais 95% correspondem a minifúndios e pequenas propriedades. A análise espacial aponta que 46,7% dos requerimentos se concentram em apenas dez glebas. Além disso, 36,5% do desflorestamento registado na Amazónia Legal (PRODES/INPE - 2024) ocorreu em áreas de FPNDs, demonstrando que a indefinição fundiária acarreta consequências gravosas para o ambiente. As sobreposições não constituem um mero problema cartográfico, mas antes um vazio institucional que alimenta a indefinição, a ocupação irregular e o desflorestamento como forma de apropriação territorial. O conflito de competências entre os organismos, aliado à ausência de normativos, gera uma paralisia institucional que inviabiliza a regularização fundiária, bloqueia o acesso às políticas públicas e amplia a vulnerabilidade na gestão das FPNDs. Conclui-se que a superação deste cenário requer a destinação prioritária das áreas, a integração dos sistemas e a criação de um protocolo interinstitucional entre o INCRA, o SFB e os demais organismos responsáveis. O estudo evidencia que a ausência de coordenação e de gestão florestal constitui um vector de degradação ambiental. Gestão dos recursos florestais e sustentabilidade socioeconómica no Parque Nacional do Limpopo, Moçambique: desafios da conservação transfronteiriça e da participação das comunidades locais 1: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal, Portugal; 2: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Vila Real,; 3: Instituto Superior Politécnico de Gaza, Moçambique; 4: Universidade Eduardo Mondlane, Maputo, Moçambique O Parque Nacional do Limpopo (PNL), integrado no Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo (PTGL), constitui uma das mais relevantes iniciativas de conservação da biodiversidade na África Austral, promovendo a conectividade ecológica entre Moçambique, África do Sul e Zimbabué. Para além da proteção da fauna selvagem, o PNL desempenha um papel fundamental na conservação dos ecossistemas florestais e de savana, assegurando a manutenção de serviços dos ecossistemas essenciais, como a proteção do solo, a regulação do ciclo hidrológico, o armazenamento de carbono e o fornecimento de recursos naturais utilizados pelas comunidades locais. Contudo, a implementação deste modelo de conservação em territórios tradicionalmente ocupados e geridos pelas populações locais tem gerado desafios significativos ao nível da governança, da gestão dos recursos florestais e da sustentabilidade socioeconómica. O presente estudo analisa a evolução institucional do PNL e avalia de que forma as restrições impostas ao acesso e utilização dos recursos naturais, incluindo recursos florestais lenhosos e não lenhosos, influenciam as perceções das comunidades locais relativamente à gestão da área protegida. A investigação recorreu a uma abordagem metodológica mista. Numa primeira fase foi realizada uma análise histórica e documental da institucionalização e evolução do PNL, com especial enfoque nas estratégias de conservação, ordenamento e gestão dos recursos naturais. Numa segunda fase foram aplicados 345 questionários a agregados familiares e realizadas entrevistas semiestruturadas a sete informantes-chave, procurando compreender as perceções da população sobre os impactos da conservação, os mecanismos de participação e a distribuição de benefícios. Os resultados evidenciam que a estratégia de conservação transfronteiriça contribuiu para a recuperação da fauna selvagem, para a preservação dos ecossistemas florestais e para o reforço da conectividade ecológica regional. Contudo, persistem constrangimentos relevantes associados à limitação do acesso a recursos florestais tradicionalmente utilizados para produção do carvão vegetal, construção, alimentação e atividades geradoras de rendimento, bem como ao aumento dos conflitos entre humanos e fauna selvagem. Apesar de demonstrarem uma clara compreensão da importância da conservação da biodiversidade e da gestão sustentável dos recursos naturais, os residentes percecionam uma reduzida influência nos processos de decisão e um acesso limitado aos benefícios decorrentes do turismo e das iniciativas de conservação. Os resultados sugerem que a sustentabilidade do PNL depende da capacidade de conciliar os objetivos de conservação da biodiversidade com a gestão sustentável dos recursos florestais e o desenvolvimento local. O reforço de modelos de cogestão, a valorização do conhecimento ecológico local e a criação de mecanismos transparentes de participação e partilha de benefícios constituem elementos essenciais para promover uma governança mais inclusiva, aumentar a legitimidade social das políticas de conservação e assegurar a sustentabilidade ecológica e socioeconómica desta área protegida. Governança florestal e Desenvolvimento Territorial Sustentável na Amazônia Legal 1: Universidade de Brasília, Brazil; 2: Faculdade UnB Planaltina - FUP/UnB, Brazil; 3: Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais - PPGCA/UnB; 4: Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar - CEGAFI/UnB Realizámos um diagnóstico pormenorizado sobre a malha fundiária e a governação territorial na Amazónia Legal, através da análise técnica de mais de 41 mil processos prioritários, distribuídos por 381 municípios, abrangendo uma extensão superior a 5,4 milhões de hectares. A estrutura agrária é marcada pela predominância de minifúndios e pequenas propriedades, que representam cerca de 90% das solicitações analisadas, embora as médias propriedades detenham a maior parcela da área total. Sob a ótica da gestão territorial sustentável, identificámos estrangulamentos críticos, como a ausência de georreferenciação em mais de 67% dos processos, e a baixa adesão ao Cadastro Ambiental Rural, comprometendo a boa governança florestal e a capacidade de monitorização do uso do solo. Constatámos que a integração de mecanismos de governança ambiental e fundiária é essencial para combater o desflorestamento ilegal e promover inclusão produtiva, uma vez que a precariedade dominial impede o acesso a créditos rurais. Apenas 5,4% dos produtores titulados a acederem efetivamente a linhas de financiamento à assistência técnica e extensão rural de base agroecológica, cuja cobertura na região Norte é de 10%, e é inadequada à realidade das populações tradicionais. No contexto socioeconómico, a titulação de terras atua como indutor de investimentos e valorização imobiliária, sendo um pré-requisito para a implementação de infraestruturas básicas, saúde e educação nas comunidades rurais. Além disso, a introdução do Índice de Demanda por Regularização Fundiária permitiu mensurar a pressão sobre as glebas públicas federais e orientar políticas públicas descentralizadas, evidenciando que em áreas de elevada procura, como em certas regiões do Tocantins, o valor da terra chegou a duplicar em período de cinco anos. As implicações para o Estado indicam a urgência de unificar bases de dados federais, como o SIGEF e o SNCR, e simplificar fluxos administrativos para eliminar a significativa parcela de sobreposições espaciais com áreas protegidas e territórios de populações tradicionais, que em estados como Roraima e Amapá atingem patamares críticos de 46% e 62%, respetivamente. Estas sobreposições diminuem o rigor e a precisão dos dados de desflorestação e constituem um entrave à gestão integrada do território, levando a conflitos socioambientais, grilagem de terras e perda de biodiversidade. Verificámos ainda que 19% dos processos cumprem integralmente os requisitos legais iniciais, o que reforça a necessidade de saneamento das bases de dados. Concluímos que a regularização fundiária é o alicerce indispensável para a gestão florestal e a segurança jurídica, para o ordenamento justo do território e a mitigação de conflitos socioambientais. O desenvolvimento territorial sustentável na Amazónia depende de uma governação robusta que converta a regularização da posse num vetor de conservação ambiental, estabilidade social e inclusão produtiva baseada em preceitos agroecológicos, assegurando a resiliência dos ecossistemas e a eficácia das estratégias de planeamento de longo prazo. Governança da terra e controle do desmatamento: análise comparativa das destinações de florestas públicas na Amazônia Legal (2020-2025) 1: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Brazil; 2: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Brazil O histórico do desmatamento na Amazônia Legal demonstra uma correlação direta entre a estruturação da governança fundiária e a variação das taxas de supressão vegetal. O Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) estabeleceu, desde 2004, um ambiente de integração institucional focado em comando e controle e na destinação de terras públicas. Contudo, a persistência do desmatamento em Florestas Públicas Não Destinadas (FPND) evidenciou a imprescindibilidade de estratégias que priorizassem a regularização fundiária e a gestão florestal, culminando nas Leis nº 11.284/2006 e nº 11.952/2009. O presente estudo analisa, por meio de uma abordagem descritiva e comparativa, a evolução institucional da Câmara Técnica de Destinação e Regularização Fundiária de Terras Públicas Federais. O objetivo é avaliar os impactos das mudanças de gestão federal sobre a conservação ambiental e a titulação de terras rurais. Observou-se que, entre 2019 e 2022, a interrupção do PPCDAm e a flexibilização normativa, que redefiniu o conceito de florestas públicas sob uma ótica estritamente produtivista, resultaram em aumentos sucessivos no desmatamento. Nesse triênio (2020-2022), o colegiado deliberou a destinação de 3,96 milhões de hectares de floresta pública para regularização fundiária e 3,33 milhões para concessão florestal. A partir de 2023, a reativação do PPCDAm e a retomada das destinações de natureza coletiva alteraram o cenário. No período 2023-2025, a governança voltou-se à proteção das FPNDs. O colegiado deliberou pela destinação de 6,1 milhões de hectares (29,7% do total existente) de FPND para a realização de estudos, criação de Unidades de Conservação e Concessão Florestal, além do montante de 2,28 milhões (10,9%) para estudos e regularização de territórios indígenas. Os resultados demonstram que a priorização de destinações para conservação ambiental e de interesse social não prejudicou a política de regularização fundiária individual. Pelo contrário, enquanto no triênio 2020-2022 foram emitidos 6.314 títulos definitivos, no triênio 2023-2025 esse número subiu para 6.511. Conclui-se que a governança da terra, quando coordenada com ações de comando e controle, permite compatibilizar a titulação de ocupações legítimas com a conservação florestal, sendo fundamental acelerar o processo de regularização fundiária como componente estratégico da segurança territorial e ambiental na Amazônia. |
| 10:00a11:30 | Simpósio 14a - Agenda transForm: Inovação e digitalização na gestão de florestas resilientes Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Mariana Ferreira Amaro |
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Análise de características morfológicas e fisiológicas para seleção precoce de tolerância à seca em Eucalyptus spp. 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P.; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 3: Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 4: ALTRI Florestal, S.A.; 5: RAIZ: Instituto de Investigação da Floresta e Papel, The Navigator Company As plantações de Eucalyptus spp. ocupam 844 mil hectares em Portugal (26% da área florestal). O aumento da frequência e severidade de secas e ondas de calor tem reduzido a produtividade e provocado mortalidade localizada, ameaçando a sustentabilidade das plantações de eucalipto e reforçando a necessidade de materiais mais tolerantes ao défice hídrico. A geração contínua de novos genótipos e o agravamento da escassez hídrica, tornam essenciais ferramentas de seleção simples, rápidas e escaláveis, capazes de identificar indicadores precoces de tolerância à seca e apoiar o desenvolvimento de protocolos de seleção. Neste contexto, a monitorização de parâmetros morfológicos e fisiológicos assume particular relevância. Este trabalho avaliou vinte genótipos de Eucalyptus spp. em ambiente controlado (INIAV, Oeiras), incluindo catorze clones de E. globulus e seis híbridos. Entre setembro e outubro de 2024, as plantas foram mantidas em condições ótimas, para avaliar o potencial produtivo e os padrões de alocação de biomassa, e em condições de stress hídrico severo, com supressão total de rega monitorização da dinâmica de abscisão foliar, condutância estomática (gs) e evapotranspiração (ET). Em condições ótimas, observaram-se diferenças significativas entre genótipos na capacidade de crescimento radicular e da parte aérea, bem como nos respetivos padrões de alocação de carbono. A área foliar inicial mostrou-se positivamente associada à capacidade de investimento em nova biomassa radicular (R²=0,399; p=0,0042), enquanto a área foliar específica (SLA) se correlacionou positivamente com a produção total de biomassa (R²=0,45; p<0,001), indicando que genótipos com maior SLA apresentam maior potencial de crescimento, tanto a nível da parte aérea como radicular. Sob stress hídrico severo, os materiais diferiram significativamente no número de dias necessário para atingir 50% (TQ50%) e 100% (TQ100%) de perda foliar. TQ100% variou entre ~23 dias e ~33 dias, distinguindo materiais mais sensíveis dos mais tolerantes à desidratação. Verificou-se uma correlação negativa significativa entre SLA e TQ100% (R²=0,34; p<0.001), indicando que materiais com folhas estruturalmente mais densas mantiveram a área foliar funcional durante mais tempo, um padrão consistente com estratégias de conservação hídrica associadas a maior investimento em tecidos foliares. A variação da gs e ET foi consistente com estes padrões, evidenciando estratégias funcionais contrastantes entre materiais. A partir do 8.º dia de seca severa, verificaram-se correlações positivas significativas entre ET e TQ100% (p<0,005) e entre gs e TQ100% (p<0,05), sugerindo que uma regulação estomática menos restritiva favoreceu uma manutenção mais prolongada da área foliar. Genótipos com maior gs média sob seca severa tenderam também a apresentar maior capacidade de produção de biomassa foliar nova em condições ótimas. Em conjunto, estes padrões sugerem que a preservação de alguma capacidade de assimilação de carbono sob stress pode favorecer uma recuperação mais robusta e maior capacidade de crescimento pós‑stress. Os resultados demonstram que SLA, TQ50%, TQ100% e variáveis fisiológicas associadas à transpiração constituem indicadores sensíveis e operacionalizáveis para seleção precoce de materiais mais robustos ao défice hídrico. Esta abordagem integrada contribui para o desenvolvimento de protocolos de seleção adaptados a cenários climáticos futuros na Península Ibérica. Economia circular no setor florestal: resíduos e subprodutos da pasta e papel como soluções sustentáveis para a fertilidade do solo 1: RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, Quinta de S. Francisco, Rua José Estevão, 3800‑783 Aveiro, Portugal; 2: The Navigator Company, Península da Mitrena, 2910‑738 Setúbal, Portugal; 3: Navigator Forest Portugal, Zona Industrial da Mitrena, 2910‑738 Setúbal, Portugal; 4: MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, 7006‑554 Évora, Portugal; 5: Instituto Superior de Agronomia - Universidade de Lisboa, Portugal; 6: LEAF/TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, 1349‑017 Lisboa, Portugal As lamas biológicas, as cinzas de biomassa e as lamas de cal da indústria da pasta e papel apresentam características interessantes não só pela sua composição química, mas também pelo papel que podem assumir no modelo da Economia Circular. Com efeito, a Economia Circular tem foco na aplicação de princípios que visam o alcance da meta “do berço ao berço” (Cradle to Cradle, C2C) para que se possa diminuir o uso de recursos naturais e que o máximo de materiais que sobram de processos de produção ou de consumo seja utilizados como matéria-prima de novos processos (Pegorin et al., 2022). Este modelo tem uma ação mais abrangente ultrapassando o âmbito e o foco estritos das ações de gestão de resíduos e de reciclagem, minimizando a extração de recursos e maximizando a reutilização, aumentando a eficiência e desenvolvendo novos modelos de negócio. No âmbito do Projeto P3.3-Novos Processos de Valorização de Resíduos da Industrial de Pasta e Papel da Agenda transForm foram desenvolvidas e validadas soluções de base circular "destinadas à fertilização e correção da acidez do solo, incluindo duas formulações peletizadas: um corretivo alcalinizante e um fertilizante organomineral. Para o corretivo alcalinizante formulado a partir de lamas biológicas, cinzas de biomassa e lamas de cal foram realizados ensaios laboratoriais, testes em estufa e implementados ensaios de campo para aferir a eficácia na correção da acidez do solo, a resposta de diferentes culturas e a segurança ambiental. Em paralelo, foram efetuados testes semi-operacionais para avaliar o desempenho do produto, incluindo métodos de distribuição e aplicação mecanizada, uniformidade de espalhamento, comportamento do pellet e rendimentos operacionais associados. Para o fertilizante organomineral formulado a partir de lamas biológicas e de cinzas de biomassa, os trabalhos focaram-se na caracterização físico-química do produto, na definição da formulação mais adequada e na avaliação do seu comportamento agronómico em condições controladas. Foram realizados ensaios de incubação de solo para avaliar a dinâmica de libertação de nutrientes, a evolução das propriedades químicas do solo e a estabilidade do azoto orgânico. Complementarmente, foram conduzidos ensaios em condições controladas com plantas, em ambiente de estufa, com o objetivo de avaliar a resposta das culturas, o efeito na nutrição vegetal e a ausência de fitotoxicidade. O conjunto de resultados relativo ao corretivo alcalinizante permitiu elaborar um parecer técnico integrado sobre a viabilidade técnica, agronómica e operacional desta solução, suportando a sua preparação para registo, escala produtiva e aplicação em sistemas agroflorestais. Os resultados obtidos para o fertilizante organomineral permitiram aferir a sua viabilidade agronómica, bem como a sua segurança ambiental, sustentando o seu potencial de utilização em sistemas agrícolas e agroflorestais. A opção metodológica por ensaios em condições controladas assegurou robustez científica numa fase de desenvolvimento prévia ao pedido de registo no âmbito da Portaria nº 185/2022. Pegorin et al. 2022. Caminhos e interações da economia circular: estudo baseado em revisão integrativa de literatura e análise bibliométrica. XLVI EnANPAD Este estudo foi financiado através da Agenda Mobilizadora "TransForm - Transformação digital do setor florestal para uma economia resiliente e hipocarbónica", investimento apoiado pelo PRR - Plano de Recuperação e Resiliência e pelos Fundos Europeus NextGeneration EU. Rede de parcelas florestais permanentes: Nova abordagem na obtenção de conhecimento aplicado à gestão florestal 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal e Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Vila Real, Portugal; 3: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal; 4: Instituto Superior de Agronomia (ISA), Lisboa, Portugal; 5: Universidade de Évora, Évora, Portugal; 6: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), Portugal; 7: Instituto de Investigação da Floresta e do Papel (RAIZ), Portugal; 8: Sonae Arauco, Portugal; 9: Altri Florestal, Portugal; 10: The Navigator Company, Portugal; 11: União da Floresta Mediterrânica (UNAC), Portugal; 12: E-REDES, Portugal; 13: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Portugal; 14: Centro PINUS, Portugal A disponibilidade de dados consistentes, harmonizados e de longo prazo é essencial para apoiar a gestão florestal, avaliar o desempenho de diferentes modelos silvícolas e responder aos desafios associados às alterações climáticas, à produtividade, à resiliência e à sustentabilidade dos ecossistemas florestais. Diversos estudos demonstram que a compreensão da resposta das florestas às alterações climáticas exige séries temporais extensas e observações sistemáticas em parcelas permanentes. No entanto, verifica-se a existência de uma lacuna na recolha de informação de longo prazo assente em parcelas permanentes, bem como dificuldades em garantir a continuidade de estudos de parcelas experimentais, cuja informação se encontra dispersa por diferentes entidades, em diferentes formatos, protocolos de recolha e níveis de acessibilidade, dificultando a sua integração e utilização conjunta. Neste contexto, o projeto Rede de Parcelas Florestais Experimentais, desenvolvido no âmbito da Agenda transForm, visa organizar uma infraestrutura colaborativa de monitorização florestal, baseada na identificação, caracterização e integração de parcelas existentes, na harmonização de protocolos de recolha de dados e no desenvolvimento de uma plataforma digital de suporte à gestão, consulta e partilha de informação. A iniciativa procura reforçar a ligação entre a produção de conhecimento científico e a sua aplicação prática na gestão florestal, promovendo uma abordagem mais integrada, interoperável e orientada para as necessidades dos diferentes agentes do setor. A metodologia adotada inclui a construção de uma base de dados estruturada sobre parcelas existentes, a definição de metadados comuns, a organização da rede por tipologias de ensaio, espécies e objetivos de monitorização, bem como o desenvolvimento da plataforma PlotConnect, concebida para facilitar o registo, a gestão, a consulta e a partilha de dados entre entidades. Paralelamente, são definidos princípios de governança, níveis de acesso e mecanismos de colaboração que asseguram a utilização responsável da informação e a valorização dos dados produzidos. Esta rede pretende assim contribuir para consolidar uma infraestrutura nacional de conhecimento aplicado, capaz de apoiar análises comparativas, monitorização contínua e processos de tomada de decisão mais informados. Ao integrar parcelas, dados, protocolos e entidades numa estrutura comum, o projeto representa uma nova abordagem para potenciar o conhecimento gerado por redes de parcelas permanentes e experimentais, reforçando o seu contributo para a inovação, a transferência de conhecimento e a gestão sustentável da floresta portuguesa. Impactes da polinização suplementar em massa na produção de pinha em pinheiro-manso: estudo exploratório 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV), Avenida da República, Quinta do Marquês, 2780-157 Oeiras, Portugal; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 3: Pine Flavour, Lda, ZIL de Grândola, Lt 27, 7570-261 Grândola; 4: Centro de Competências do Pinheiro-manso e Pinhão; 5: Albatroz Engenharia, Rua Maria 53, 1º Esquerdo 1170-210 Lisboa, Portugal; 6: UNAC-União da Floresta Mediterrânica, Rua Mestre Lima de Freitas, n.º 1 1549-012 Lisboa A produção de pinha em pinheiro‑manso apresenta elevada variabilidade interanual, influenciada por fatores climáticos e fisiológicos que podem antecipar ou atrasar fases críticas do ciclo reprodutivo. Face ao decréscimo produtivo observado na última década, torna‑se urgente testar estratégias que reforcem o sucesso reprodutivo da espécie. A polinização suplementar em massa, desenvolvida nas décadas de 1980–1990 em pomares de sementes de várias coníferas, demonstrou aumentar a eficiência da polinização e a produção, constituindo uma base metodológica sólida para aplicação noutras espécies. A técnica consiste na manipulação artificial de grandes quantidades de pólen junto das estruturas femininas no momento em que elas estão receptivas. Neste estudo, testou‑se esta abordagem em pinheiro‑manso utilizando o equipamento de vibração mecanizada para colheita de pinha desenvolvido no âmbito da Agenda Transform. A máquina integra um sistema automatizado que ajusta intensidade e tempo de vibração, e foi usada como plataforma para indução de libertação de pólen em massa. O ensaio foi instalado em 2024 numa herdade da região de Grândola, num povoamento adulto equiénio de regeneração natural. Selecionaram‑se dois talhões homogéneos, cada um com uma parcela controlo (C) e outra vibrada (V) cuja produção de pinha foi avaliada sem o efeito da polinização em massa. Na parcela V, três árvores centrais foram submetidas a vibração durante a primavera de 2024. As parcelas, distanciadas 650 m, foram alinhadas perpendicularmente aos ventos dominantese aí foram instalados 18 coletores de pólen por parcela para avaliar orientação e distribuição da nuvem polínica. Procedeu‑se também ao inventário das árvores (altura, DAP, diâmetros e altura de copa). A vibração foi aplicada duas vezes, com 7 dias de intervalo, durante 5 segundos a 1000 rpm e caudal de 40 L/min. O momento das intervenções foi definido com base na recetividade feminina observada em flores de árvores enxertadas próximas. Em junho de 2026 serão recolhidas imagens com aeronaves não tripuladas para quantificação indireta do número de pinhas, usando algoritmos de deteção automática desenvolvidos também no âmbito da Agenda. No final de 2026 serão colhidas todas as pinhas das parcelas C e V para validar os dados de produção de pinha analisados indirectamente nas imagens e avaliar o sucesso da polinização em massa. Os dados recolhidos indicam que as parcelas C e V apresentaram árvores morfometricamente semelhantes (DAP: 51,4±0,3 cm em C; 49,7±0,28 cm em V; altura: 4,7±0,03 m em C; 4,4±0,03 m em V). O peso médio de pinhas por árvore foi 1,7±0,19 kg em C e 1,0±0,1 kg em V. Observou‑se um aumento significativo (t‑test P=0,008) de 45% na disponibilidade de pólen na parcela vibrada (27±2,7 grãos/mm²) face à parcela controlo (19±1,9 grãos/mm²). A nuvem de pólen deslocou‑se preferencialmente para NO, coincidindo com os ventos dominantes, e o alcance da libertação induzida ultrapassou os 100 m. A integração de tecnologia digital e monitorização de precisão permitirá avaliar a resposta produtiva e testar a viabilidade da vibração mecanizada como técnica complementar para aumentar a produção. Este estudo constitui a primeira aplicação conhecida desta abordagem em pinheiro‑manso, configurando uma solução inovadora com potencial para mitigar a quebra produtiva abrindo novas possibilidades para o uso de tecnologias avançadas em operações silvícolas. Da ciência ao território: rede de parcelas demonstrativas para gestão adaptativa e florestas resilientes na Serra da Lousã 1: Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal; 2: RCM2+ Research Centre for Asset Management and Systems Engineering, ISEC/IPC, Coimbra, Portugal Os territórios florestais mediterrânicos enfrentam atualmente desafios crescentes associados às alterações climáticas e à ocorrência de distúrbios de elevada severidade, incluindo incêndios, secas e tempestades. Esta realidade reforça a importância de promover modelos de gestão adaptativa e mecanismos eficazes de transferência de conhecimento que aproximem a ciência da prática e apoiem decisões de gestão mais resilientes. Apesar do desenvolvimento de princípios e estratégias de silvicultura adaptativa, a sua aplicação em contexto operacional e a transferência desse conhecimento para proprietários, técnicos e decisores continuam a constituir desafios relevantes. O presente trabalho enquadra-se na Agenda transForm – Melhor Floresta, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do eixo Gestão de Florestas Resilientes, que visa desenvolver e demonstrar soluções inovadoras para aumentar a resiliência das florestas portuguesas perante as alterações climáticas. Neste contexto, foi implementada uma área piloto na Serra da Lousã, concebida como laboratório vivo para demonstração e disseminação de estratégias de gestão florestal adaptativa. A área piloto localiza-se em terrenos baldios sob gestão comunitária, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), abrangendo aproximadamente 730 ha. A sua seleção decorreu da relevância ecológica e territorial associada aos impactos de eventos meteorológicos extremos e à necessidade de testar e demonstrar itinerários silvícolas orientados para a adaptação climática. Neste âmbito, foi instalada uma rede constituída por dez parcelas demonstrativas integradas num percurso interpretativo com cerca de 10 km, abrangendo povoamentos com composições específicas, estruturas e históricos de gestão diferenciados. Os povoamentos, maioritariamente instalados pelos serviços florestais na década de 1940, conciliam atualmente funções produtivas, culturais e recreativas, sendo geridos segundo princípios de coberto contínuo e promoção de estruturas mistas e mais diversificadas. As parcelas foram caracterizadas através de inventário florestal convencional, complementado com tecnologias de aquisição remota, nomeadamente LiDAR móvel terrestre e UAV multiespectral, permitindo uma avaliação integrada da composição, estrutura e estado dos povoamentos e demonstrando novas metodologias de monitorização aplicadas à gestão adaptativa. A rede de parcelas e o percurso demonstrativo constituem suporte para ações de transferência de conhecimento dirigidas a públicos diferenciados, incluindo estudantes, técnicos e parceiros institucionais. As visitas e atividades já realizadas evidenciaram elevado interesse e reconhecimento do potencial destas abordagens para aproximar ciência, tecnologia e gestão operacional. Assim, a experiência da Serra da Lousã demonstra o valor dos laboratórios vivos e da cooperação entre múltiplos atores no desenvolvimento de soluções baseadas na natureza, com potencial de replicação noutras regiões e contributo para territórios florestais mais resilientes e sustentáveis. Desafios para a apicultura de precisão - estudo de caso em florestas de eucalipto 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, INIAV, Oeiras, Portugal; 2: Centre for the Research and Technology of Agroenvironmental and Biological Sciences, CITAB, Inov4Agro, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD, Vila Real, Portugal.; 3: MAJA - Soluções Florestais, Óbidos, Portugal.; 4: Altri Florestal, Óbidos, Portugal A boa gestão das agroflorestas e em particular das florestas contribui para a possibilidade de práticas apícolas mais sustentáveis. Por outro lado, a existência de apiários em florestas associa-se a práticas que promovem a resiliência dos agroecossistemas. Para este efeito, cada vez mais, o apicultor pode contar com novas ferramentas tecnológicas que permitem otimizar a gestão do apiário, facilitando a promoção da saúde e do bem-estar das abelhas e contribuindo de forma decisiva para o aumento da produção de produtos apícolas e do serviço de polinização. Assim, a incorporação no setor apícola da Internet of Things (IoT) tem sido considerada uma estratégia promissora para lidar com os desafios contemporâneos do setor. A utilização de balanças automáticas é a tecnologia mais recorrente para a monitorização remota das colónias, possibilitando aos apicultores poupança nas deslocações aos apiários e redução de perturbação nas colónias, uma vez que, sem ação física de abertura das colmeias, têm conhecimento do seu interior. A transmissão e o upload de dados são parâmetros importantes a considerar. Os sensores podem operar de forma autónoma com comunicação direta com a cloud ou funcionar dentro de redes locais instaladas no apiário. O tipo de software, a transmissão e o upload de dados, são parâmetros importantes a considerar para a praticabilidade destas tecnologias. Os dados recolhidos permitem ao apicultor utilizar esta informação para tomar decisões sobre a gestão das colmeias e, com a possibilidade de alertas automáticos, podem informá-lo sobre potenciais ações. Com uma abordagem integrada que combina práticas sustentáveis e uso de tecnologia, o estudo que se apresenta teve como principal objetivo, monitorizar remotamente a dinâmica e desenvolvimento de colónias da abelha melífera em apiários em ecossistemas florestais de eucalipto. Neste sentido, em dois apiários instalados em florestas de eucalipto na zona centro de Portugal, durante 2 anos, recorreu-se a sistemas de monitorização tecnológica, para averiguar da praticabilidade dos mesmos e da sua ajuda para a tomada de decisão à distância. Os resultados obtidos serão apresentados e discutidos, de forma a que se possa contribuir para o conhecimento se estas ferramentas permitem satisfaz as necessidades dos apicultores. |
| 10:00a11:30 | Simpósio 5a - Produtos Florestais Não Lenhosos: uma oportunidade para os proprietários florestais Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Margarida Tomé Moderação/coordenação de sessão: Tiago Ferreira Lima |
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O invisível que sustenta a floresta: uma síntese da ecologia, micossilvicultura e fileira dos macrofungos em Portugal 1: Departamento de Biologia/ Escola das Ciências e Tecnologia/ Universidade de Évora, MED & CHANGE - MED – Mediterranean Institute for Agriculture Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute; 2: MED & CHANGE - MED – Mediterranean Institute for Agriculture Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute; 3: CEF - Centro de Estudos Florestais/ Instituto Superior de Agronomia/ Universidade de Lisboa; 4: CEABN - Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves”, InBIO/ Instituto Superior de Agronomia/ Universidade de Lisboa Os macrofungos constituem um dos Produtos Florestais Não Lenhosos (PFNL) com maior relevância ecológica e crescente interesse económico em Portugal, especialmente em zonas rurais. Para além do seu valor alimentar e comercial, desempenham funções essenciais nos ecossistemas florestais, participando na decomposição da matéria orgânica, na ciclagem de nutrientes e no estabelecimento de associações micorrízicas com a maioria das espécies arbóreas. Portugal possui 44 espécies espontâneas, produtoras de cogumelos e trufas comestíveis, com elevado valor comercial em mercados. Apesar deste potencial, a fileira nacional dos cogumelos permanece pouco estruturada, marcada pela informalidade da colheita e comercialização e pela reduzida integração deste recurso na gestão florestal. O presente trabalho apresenta uma síntese integradora do capítulo dedicado aos macrofungos, publicado no manual “Produtos Florestais Não Lenhosos de Portugal Continental”. O trabalho baseou-se numa revisão técnico-científica e documental. A informação foi sistematizada para abordar a biologia e ecologia dos cogumelos silvestres comestíveis, a sua importância histórica em Portugal, principais espécies e distribuição, condições de produtividade, princípios da micossilvicultura, organização da fileira em Portugal e na Europa, bem como o enquadramento legal, cadeia de valor, processamento, principais desafios e as entidades de apoio técnico aos produtores. A síntese evidencia que Portugal reúne condições ecológicas favoráveis ao desenvolvimento de diversas espécies de elevado valor comercial, mas que a inexistência de regulamentação específica, de mecanismos de certificação de origem e de circuitos comerciais organizados limita a valorização económica da fileira e a retenção de rendimento nos territórios rurais. Evidencia ainda que a adoção de práticas de micossilvicultura, associada ao desenvolvimento de plantas micorrizadas e à proteção do solo, constitui uma oportunidade para aumentar a produtividade, conservar a biodiversidade e reforçar a multifuncionalidade dos ecossistemas florestais. Conclui-se que os macrofungos silvestres comestíveis representam um recurso com elevado potencial ecológico e económico, mas ainda pouco conhecido, pouco aproveitado e insuficientemente integrado na gestão florestal em Portugal. A revisão evidencia uma fileira existente, mas marcada por informalidade, fraca rastreabilidade, insuficiente enquadramento legal, ausência de certificação de origem e perdas potenciais de valor para proprietários, territórios rurais e economia nacional. A sistematização deste conhecimento poderá apoiar novas linhas de investigação, contribuir para o desenvolvimento de instrumentos legais e técnicos mais adequados, capacitar produtores e gestores florestais e promover práticas de micossilvicultura orientadas para uma valorização mais sustentável e transparente deste PFNL. CORTIÇA – o produto florestal não lenhoso mais emblemático de Portugal Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Portugal - Laboratório Associado TERRA Os povoamentos de sobreiro são uma componente importante da economia das regiões onde ocorrem, sendo também considerados “zonas-chave” de serviços do ecossistema, com ênfase na biodiversidade. O sobreiro foi declarado Árvore Nacional de Portugal a 22 de dezembro de 2011 por unanimidade na Assembleia da República que reconheceu a sua importância económica, social, ambiental e cultural para o país. O sobreiro ocupa 22% da área florestal no país, sendo uma das três espécies mais frequentes, juntamente com o pinheiro bravo (22%) e o eucalipto (26%) (ICNF, 2019). Portugal é o país com a maior representação da área mundial desta espécie (37%), possui a maior produção anual de cortiça (55%) e concentra a exportação mais elevada (64%). A cortiça constitui a matéria prima de uma indústria sectorial com importante relevância económica e social. Em Portugal, em 2021, a indústria da cortiça alcançou um volume de negócios de 1.853 milhões de euros e um valor acrescentado bruto de 364 milhões de euros (correspondendo a 0,4 e 0,3% do total nacional, respetivamente), o que representa quase metade (47%) do volume total de negócios das indústrias florestais. Segundo dados de 2021 da APCOR, a cortiça é a base do trabalho de 815 empresas que operam em Portugal, das quais 232 são indústrias de preparação, 472 são indústrias para a produção de rolhas e 111 relativas a outros produtos, sendo que 622 empresas da indústria da cortiça empregavam 8012 pessoas. Portugal é líder mundial em termos de exportações de produtos de cortiça (Tabela 1. Área de sobreiro e produção de cortiça na Europa e no Mundo). Em 2024, a sua quota foi de 57,9%, seguida de Espanha com 18,8%. As exportações mundiais totais de cortiça atingiram 1.908,1 milhões de euros em 2024, representando um aumento de cerca de 14,8% em relação a 2020, o que equivale a 246,3 milhões de euros. Nesta apresentação, compilou-se o conhecimento científico atual sobre o sobreiro e a cortiça em Portugal, disponibilizando-o para a linha da frente: gestores agrícolas e florestais, assim como aos alunos e investigadores das ciências agroflorestais. Modelação da produção de árvore individual de seiva de Bétula e de Ácer em Portugal: Dois anos de trabalho de campo após publicação do capítulo 1: Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 2: Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves” (CEABN), InBIO, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 3: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal Ao longo das últimas décadas, a Silvicultura em Portugal tem evoluído imenso em eficiência e escala para produção de madeira e fibra de papel, sobretudo de pinho e de eucalipto. No entanto, as florestas de montanha continuam subaproveitadas. A ocorrência de condicionantes como o Regime Florestal, Reserva Ecológica Nacional e Áreas Protegidas limita a exploração intensiva ou a alteração de usos do solo, reduzindo as opções de rendimento . A escassez de rentabilidade tem provocado abandono rural, o que agrava o risco de incêndio da paisagem. Por outro lado, existem espécies endógenas mais bem-adaptadas que têm sido pouco exploradas. Por estas razões, urge encontrar alternativas para aumentar a rentabilidade das explorações em montanha, e que respeitem as condicionantes presentes. O vidoeiro (Betula pubescens) e o padreiro (Acer pseudoplatanus) são duas espécies nativas de altitude muito valorizadas internacionalmente, tanto pela madeira como pela seiva. A seiva é uma substância aquosa extraída das árvores após o inverno, cobiçada para fins alimentares (p.ex. xarope de ácer ou seiva de betula), medicinais, cosméticos, etc. Sem antecedentes na literatura para o Mediterrâneo, o capítulo da Seiva (no livro “Os Produtos Florestais Não Lenhosos”, a lançar oficialmente neste simpósio) reportou o primeiro caso de estudo de produção de seiva (de bétula, no Gerês), e traçou uma avaliação geográfica preliminar das regiões nacionais com maior potencial produtivo para cada uma das duas espécies nativas, tendo por base os seus habitats naturais em Portugal (segundo Diretiva Habitats) bem como as condições climáticas reportadamente necessárias para ocorrer a produção de seiva. Ao cruzar as condições bioclimáticas (para ocorrência das duas espécies) com a ocorrência regular de neve, são realçadas zonas potenciais para a produção de seiva, p.ex. Serras do Gerês, Barroso, Montesinho e Estrela. Restava testar no terreno como as espécies responderiam em diferentes regiões do território. Dois anos depois da sua publicação, e no âmbito de uma tese de doutoramento, foram reunidos dados de produção de seiva ao nível da árvore individual de duas campanhas sucessivas em três povoamentos adultos de cada espécie (seis ao todo) localizados nas regiões de Corno de Bico, Serra do Gerês e Serra da Estrela. Cruzando os dados de produção com extensos dados de inventário nas correspondentes parcelas, foram desenvolvidos modelos de produção da seiva da árvore individual, os quais serão apresentados e discutidos, comparando com as predições iniciais do capítulo. Apesar de preliminares – aguarda-se dados da campanha de 2027 -, podemos adiantar o seguinte: i) padreiro apenas produziu na Serra da Estrela, confirmando a necessidade de ocorrência de neve; ii) principal factor preditor é a altura total da árvore; ii) bidoeiros produziram 4,8 vezes mais seiva que os padreiros, com uma média de 23,5 litros de seiva entre parcelas em 2025 e 2026. Apesar de várias limitações, como a grande irregularidade dos povoamentos (mistos, não ordenados, multi-equénios), motivada pelas restrições ambientais das áreas protegidas de cada parcela, os resultados preliminares são otimistas para uma futura fileira em Portugal. É justamente nestas situações sob restrições a outros usos do solo que o potencial dos Produtos Florestais Não Lenhosos é maior. Simulações da Gestão Florestal e a disponibilidade de Produtos Não Lenhosos com o StandsSIM Web App Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; Portugal O StandsSIM é um simulador de crescimento florestal, desenvolvido no âmbito dos trabalhos de investigação no grupo ForChange, do CEF (Centro de Estudos Florestais), que permite realizar predições a longo prazo, para os povoamentos florestais das principais espécies do sector florestal nacional, a diferentes escalas. O StandsSIM.md, movido pela gestão florestal, é sujeito a contínuos desenvolvimentos, incorporando novos resultados da investigação e integrando modelos de crescimento florestal para novas espécies, para diferentes estruturas dos povoamentos ou para povoamentos mistos. As simulações são produzidas com os recursos disponibilizados pela ferramenta permitindo a definição de alternativas de gestão através da caracterização climática e topográfica da estação, dos padrões de silvicultura desenhados pelo utilizador com a correspondente calendarização de operações, dos seus respetivos custos, do valor de mercado dos produtos florestais, entre outros. Quaisquer cenários que sejam considerados condicionam os modelos e sub-modelos de crescimento florestal, de forma integrada e conjugada, conduzindo os povoamentos florestais a evoluções distintas ao longo dos anos. O StandsSIM Web App, baseado no programa científico referido, é disponibilizado através da plataforma sIMfLOR.online (www.simflor.online), permitindo simular a evolução de qualquer povoamento florestal através dos diferentes aparelhos Web (mobile a desktop). Os utilizadores ficam habilitados a realizar, de forma rápida e facilitada, nas suas áreas pessoais, diferentes simulações com elevada usabilidade, robustez, integridade e com os recursos necessários (dados e funcionalidades) disponibilizados de forma automatizada e/ou personalizada. Os resultados das simulações podem ser comparados, consultados e reciclados, de modo a selecionar as mais apropriadas opções de gestão florestal. O StandsSIM Web App (v2.1.x) foi lançado numa primeira fase (2024) com os modelos de crescimento para Eucalyptus globulus, Castanea sativa (povoamentos florestais), Pinus pinaster e Pinus pinea permitindo testar e optimizar padrões de silvicultura para a promoção de diferentes objetivos de gestão florestal incluindo a produção de Produtos Lenhosos (madeira, pasta de papel). Em 2026, uma nova versão (v2.2.x) veio permitir a simulação de alguns Produtos Florestais Não Lenhosos. Para o Pinus pinea foi operacionalizada a produção de pinhas, disponibilizando ao longo das simulações as variáveis climáticas necessárias para as equações que integram o módulo de produção de pinha: i) a que determina a probabilidade de formação de pinha para valores maiores ou iguais a 0.6, dependendo da precipitação acumulada de janeiro a maio 4 anos antes; e ii) a que reflete o desenvolvimento das pinhas formadas (kg) e depende da precipitação acumulada nos meses de janeiro a maio 3 anos antes. A simulação de cortiça para o sobreiro e de bolota de azinheira, resulta da integração dos modelos de crescimento para Quercus suber (baseado no programa científico SUBER v~5.5) e Quercus rotundifolia (com produção de bolotas). O programa SUBER incluí o crescimento de cortiça no seu módulo de predição. O modelo da azinheira (BALLOTA) recorre a equações de crescimento em diâmetro espanholas, combinadas com equações de volume e biomassa nacionais e de um algoritmo responsável pela produção de bolota que combina um modelo português de produção de bolota com diferentes resultados disponíveis em várias publicações sobre a espécie. Valorização do pinheiro-bravo para produção de resina: variabilidade e conservação genética em ensaio policlonal 1: INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária; 2: BioISI – Instituto de Biosistemas e Ciências Integrativas, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa; 3: Centro PINUS; 4: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Instituto para a Inovação, Capacitação e Sustentabilidade da Produção Agroalimentar (Inov4Agro), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; 5: ESAC – Escola Superior Agrária de Coimbra; 6: LEAF – Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa O pinheiro bravo (Pinus pinaster Ait.), tradicionalmente valorizado pela produção de madeira, tem vindo a ganhar renovado interesse no setor florestal nacional, destacando-se o seu potencial para a produção de resina e para o desenvolvimento de novos produtos de base biológica. No âmbito do projeto PRR Resina Natural 21 (RN21), têm sido desenvolvidas ações com vista ao reforço da capacidade produtiva do pinhal, nomeadamente através da seleção e melhoramento genético de árvores superiores para a produção de resina. Neste contexto, foi instalado um ensaio policlonal no Perímetro Florestal da Alva de Pataias (Alcobaça) com o objetivo de avaliar e conservar ex situ a variabilidade genética da espécie. O ensaio integra cerca de 420 genótipos provenientes de sete regiões de proveniência de P. pinaster, cujos materiais foram recolhidos no campo e posteriormente clonados por enxertia. O delineamento experimental Linha-Coluna Resolúvel inclui sete repetições, que permitem a estimativa de parâmetros genéticos relevantes, como a variabilidade genética e a heritabilidade em sentido lato, bem como a previsão dos ganhos genéticos de seleção associados ao potencial produtivo em resina. Paralelamente, foi realizada a caracterização molecular destes materiais, utilizando o array multi-espécie Axiom 4TREE, com aproximadamente 13400 marcadores moleculares (Single Nucleotide Polimorphism-SNP) desenvolvidos para P. pinaster. A análise preliminar dos resultados evidencia a existência de variabilidade genética, fundamental para sustentar estratégias de melhoramento. Numa fase posterior, e após a obtenção de dados fenotípicos de produção de resina, será possível realizar estudos de associação genótipo-fenótipo (Genome Wide Association Studies-GWAS), com vista à identificação de marcadores associados ao potencial produtivo de resina. O ensaio estabelecido constitui uma infraestrutura estratégica para a seleção genética e para o desenvolvimento do programa de melhoramento genético para a produção de resina. Este trabalho apresenta a estrutura experimental e os primeiros resultados de genotipagem que suportam o desenvolvimento de estratégias de seleção genética mais eficientes e economicamente sustentáveis, com vista ao aumento do potencial produtivo em resina do pinheiro-bravo em Portugal. Nova técnica de resinagem com método mecanizado de incisão circular: inovação, eficiência operacional e valorização da fileira da resina natural 1: Resipinus - Associação de Destiladores e Exploradores de Resina, Portugal; 2: CoLAB Forestwise - Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; 3: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista (CIFAP), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal; 4: CEF - Centro Estudos Florestais, Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal, Lisboa, Portugal; 5: Departamento de Engenharia Mecânica, Instituto Politécnico de Leiria, Leiria, Portugal; 6: Instituto de Investigação Aplicada, Instituto Politécnico de Coimbra, Coimbra, Portugal A resinagem constitui uma atividade estratégica para a valorização do pinhal, ao gerar rendimento complementar aos proprietários, promover emprego rural e reforçar a presença humana nos territórios florestais. Além da importância económica, contribui para a gestão ativa dos povoamentos, a vigilância da floresta e a redução do risco de incêndio, através da manutenção das áreas intervencionadas e do controlo da vegetação espontânea. Contudo, a fileira da resina enfrenta constrangimentos ligados à escassez de mão de obra, à exigência física das operações, à irregularidade da produção e à necessidade de maior eficiência e qualidade da matéria-prima. Neste contexto, a modernização da atividade e a adoção de soluções técnicas inovadoras são fundamentais para aumentar a atratividade e competitividade da resinagem em Portugal. Neste âmbito, foi analisado o método mecanizado de incisão circular (RMC), uma técnica inovadora de extração de resina, tanto em resinagem à vida como à morte. O método utiliza uma ferramenta do tipo berbequim, equipada com broca circular adaptada, que permite realizar incisões controladas no tronco e conduzir a resina para um saco fechado de recolha. A operação inclui várias etapas: descarrasque, quando necessário; riscagem da fiada; execução da incisão; aplicação de pasta estimulante em todo o perímetro da abertura; colocação do saco de recolha com bocal circular; e posterior retirada e armazenamento da resina até à entrega na indústria de primeira transformação. As incisões são realizadas de forma ascendente, podendo assumir disposição vertical ou em zigzag, com periodicidade ajustada às condições meteorológicas, ao estado vegetativo da árvore e à região. A aplicação do método RMC deve respeitar os requisitos técnicos e legais previstos no Decreto-Lei n.º 181/2015, de 28 de agosto, nomeadamente quanto às dimensões mínimas das árvores, profundidade das incisões, largura e altura das fiadas, distâncias entre incisões e obrigações de registo e comunicação da atividade através do Sistema de Informação da Resina. A utilização de saco fechado constitui uma das principais diferenças face aos métodos tradicionais, permitindo reduzir impurezas, melhorar a qualidade da resina recolhida, facilitar o transporte e diminuir perdas durante o processo de extração. Os resultados esperados apontam para ganhos operacionais relevantes, associados à redução do esforço físico, à uniformização das incisões, à melhoria das condições de trabalho e ao potencial aumento da eficiência das equipas de resinagem. Simultaneamente, a técnica permite compatibilizar a exploração da resina com a conservação da vitalidade das árvores e com boas práticas silvícolas, desde que aplicada de acordo com os limites técnicos definidos. A mecanização parcial da operação poderá ainda contribuir para atrair novos operadores, qualificar a atividade e reforçar a ligação entre inovação tecnológica, gestão florestal ativa e bioeconomia rural. Conclui-se que o método mecanizado de incisão circular representa uma alternativa promissora para a modernização da resinagem em Portugal. A sua adoção poderá contribuir para aumentar a competitividade da fileira da resina natural, melhorar a qualidade do produto, valorizar o pinhal e reforçar a sustentabilidade económica e territorial dos espaços florestais. A consolidação desta técnica dependerá, contudo, da formação dos operadores, da monitorização dos seus efeitos produtivos e fitossanitários e da articulação com políticas públicas de apoio à gestão ativa do pinhal. |
| 10:00a11:30 | T1.2 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Anabela Isidoro |
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Forest modeling and inventory for planted and natural forests: challenges and tools University of Georgia, United States of America Accurately monitoring natural resources is vital for sustainable forest management, but it is challenging due to the high variability of the populations and environmental conditions (e.g., land use changes, naturalized species, wind disturbances). Recently, the rapid expansion and increasing availability of open-source databases (e.g., aerial photographs, LiDAR point cloud, long-term measurements from national forest inventories) offer opportunities to characterize site conditions and quantify uncertainty of growth and yield for diverse forests. In this presentation, common challenges in forest modeling and inventory will be discussed (e.g., non-sampled or sparsely sampled domains, subject-specific predictions across a large number of groups). Approaches to address these challenges will also be presented, such as the calibration of growth and yield models and the integration of remotely sensed data into forest inventory (e.g., small area estimation). Examples will be drawn from loblolly pine plantations in the southeastern United States, as well as mixed-species tropical forests in the Caribbean and Pacific Islands. Fertilização à plantação de Eucalyptus globulus com adubo organomineral produzido a partir de lamas da indústria de pasta e papel 1: Universidade de Lisboa, Lab. Associado TERRA, Centro de Investigação LEAF, Tapada da Ajuda 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Altri Florestal, S.A., Quinta do Furadouro, 2510-582 Olho Marinho, Portugal; 3: Agristarbio, Environmental Solutions S.A., Praça das Indústrias, ED AIP 28, 1300-307 Lisboa A valorização de subprodutos industriais constitui uma estratégia relevante para promover a economia circular e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais. Neste contexto, foi desenvolvido pela Agristarbio um adubo organomineral inovador, produzido a partir de lamas provenientes de fábricas de pasta de papel, visando simultaneamente a valorização destes materiais e a melhoria da fertilidade dos solos. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o potencial deste adubo na instalação de povoamentos de Eucalyptus globulus, comparando o seu desempenho com o de um adubo mineral convencional e analisando ainda os efeitos da época de aplicação e da utilização complementar de adubo de libertação controlada (ALC). O ensaio foi instalado no outono com nove modalidades de fertilização, combinando: i) aplicação ou não de ALC 9-20-18 à plantação; ii) utilização de adubo mineral 8-24-8 ou adubo organomineral 6-18-6; iii) aplicação de duas doses de adubo organomineral (dose equivalente a 100% e dose equivalente a 75% do adubo mineral); e iv) aplicação dos adubos (mineral e organomineral) no outono, à plantação, ou apenas na primavera seguinte. Avaliou-se a altura das plantas, o diâmetro do colo e a sobrevivência em abril, julho e novembro do ano seguinte à plantação. Em abril, antes da adubação das modalidades adubadas na primavera, observaram-se diferenças significativas no crescimento das plantas. As modalidades com aplicação de ALC associada ao adubo organomineral apresentaram os melhores resultados. Em contraste, as modalidades sem ALC apresentaram menores valores de crescimento, embora sem diferenças significativas na sobrevivência. Em julho verificou-se uma redução acentuada da sobrevivência em todas as modalidades. Ainda assim, as modalidades com ALC e adubadas na primavera apresentaram melhor desempenho, destacando-se as adubadas com organomineral, com alturas médias das plantas superiores a 116 cm, diâmetros do colo superiores a 13 mm e uma sobrevivência média de 73%, significativamente superior ao desempenho da modalidade com ALC e adubadas na primavera com adubo mineral (105 cm, 11,7 mm e 68%, respetivamente). Na avaliação final, realizada em novembro, confirmou-se a superioridade das modalidades com ALC e fertilizadas na primavera com o adubo organomineral produzido a partir das lamas da indústria papeleira. As duas modalidades de adubo organomineral (doses equivalentes a 100% e a 75% do mineral) originaram, respetivamente, maior altura (191,94 e 191,25 cm) e maior diâmetro do colo (36,96 e 35,54 mm) das plantas, bem como maiores taxas de sobrevivência (72%), quando comparado com a modalidade adubo mineral (172,6 cm, 33,4 mm e 66%, respetivamente). Destaca-se ainda que a modalidade organomineral correspondente a apenas 75% da dose de adubo mineral originou plantas significativamente maiores do que a modalidade 100% mineral. Pelo contrário, as modalidades sem ALC e fertilizadas apenas no outono apresentaram o pior desempenho. Os resultados obtidos demonstram o elevado potencial do adubo organomineral desenvolvido pela Agristarbio para a fertilização de Eucalyptus globulus à plantação, evidenciando que a valorização de lamas da indústria de pasta de papel poderá constituir uma solução sustentável e eficaz para a fertilização florestal. A aplicação deste fertilizante na primavera revelou-se particularmente vantajosa, promovendo simultaneamente maior crescimento inicial das plantas e maior sobrevivência após o primeiro verão. Interações entre características do solo e comunidades de artrópodes em habitats florestais do Parque Natural de Montesinho CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal. Os artrópodes desempenham um papel essencial no funcionamento dos ecossistemas, contribuindo para processos como a decomposição da matéria orgânica, reciclagem de nutrientes e controlo biológico. Contudo, o atual declínio da biodiversidade, particularmente acentuado neste grupo, constitui uma preocupação crescente. A diversidade e abundância de artrópodes estão associadas a múltiplos fatores ambientais, sendo o solo um dos mais determinantes. Simultaneamente, os artrópodes edáficos influenciam as propriedades do solo, estabelecendo interações ecológicas com impacto potencial no ecossistema. O Parque Natural de Montesinho (PNM), um dos principais espaços protegidos do nordeste de Portugal, integra habitats florestais emblemáticos, como carvalhais, azinhais e pinhais, onde o conhecimento sobre artrópodes é ainda limitado. Neste contexto, este trabalho analisou as associações entre características edáficas e comunidades de artrópodes em três habitats florestais do PNM. Foram realizadas quatro campanhas de amostragem, uma por estação do ano, entre julho de 2023 e abril de 2024, recorrendo a armadilhas de queda instaladas em azinhal, carvalhal e pinhal. As armadilhas permaneceram no campo durante sete dias, sendo posteriormente efetuada a triagem e identificação dos exemplares recolhidos. Nos mesmos pontos foram recolhidas amostras compostas de solo (0–10 cm), posteriormente secas e crivadas (2 mm) para análise físico-química. Os três habitats apresentaram solos de textura franco-arenosa, com diferenças físico-químicas significativas. O pinhal (Pinus pinaster) apresentou maiores teores de matéria orgânica, carbono total e razão C/N, sugerindo menor taxa de mineralização, enquanto o carvalhal (Quercus pyrenaica) revelou maior humidade, menor densidade aparente e menor razão C/N, compatíveis com maior mineralização. O azinhal (Quercus rotundifolia) apresentou valores intermédios para a maioria dos parâmetros. Foram capturados 5 511 artrópodes, distribuídos por 17 ordens taxonómicas e cinco grupos funcionais. A abundância média foi mais elevada no pinhal e mais reduzida no carvalhal, verificando-se um padrão sazonal comum, com menor atividade em fevereiro e pico em abril. A abundância total esteve positivamente associada ao pH e à razão C/N, enquanto o habitat não apresentou efeito significativo. Contudo, os grupos funcionais responderam de forma diferenciada: predadores foram mais abundantes no azinhal, fitófagos no carvalhal e pinhal, e omnívoros evidenciaram associações com pH, razão C/N, DAP e teor de potássio. Os decompositores responderam positivamente à razão C/N, enquanto os parasitoides não apresentaram diferenças significativas entre habitats. Os resultados sugerem que as características edáficas desempenham um papel relevante na estruturação das comunidades de artrópodes no PNM, embora os grupos funcionais apresentem respostas distintas aos fatores ambientais. Restauração ecológica de áreas suscetíveis à desertificação: valorização florestal de lamas de ETAR em ensaios com Quercus suber no município de Alfândega da Fé utad, Portugal A desertificação, a degradação dos solos, a perda de fertilidade e o aumento da frequência de secas constituem desafios relevantes para os territórios mediterrânicos, em particular nas regiões interiores do Norte de Portugal. Neste contexto, a restauração ecológica de áreas florestais degradadas assume importância estratégica, permitindo melhorar a funcionalidade dos ecossistemas, reforçar a resiliência às alterações climáticas e valorizar soluções de economia circular. A utilização de lamas de ETAR, devidamente tratadas e estabilizadas, pode constituir uma alternativa para melhorar as condições edáficas e apoiar o estabelecimento de espécies florestais adaptadas a condições de maior aridez. Este trabalho teve como objetivo instalar e consolidar uma rede de ensaios permanentes para avaliar o crescimento inicial e a mortalidade de Quercus suber L. em áreas suscetíveis à desertificação no município de Alfândega da Fé. As intervenções decorreram em duas áreas distintas, Pombal e Vales e Gebelim e Soeima, no âmbito do projeto GREENValue, envolvendo a conversão ou enriquecimento florestal com sobreiro. Foram testados três tratamentos: T1 — lama estabilizada com cal viva, aplicada à dose de 4 t/ha; T2 — lama compostada/vermicompostada, aplicada à dose de 2 t/ha; e T3 — testemunha, sem aplicação de lamas. Foi instalada uma rede de parcelas circulares permanentes, distribuídas aleatoriamente, com medições realizadas em fevereiro de 2024, após a plantação, e em maio de 2025, cerca de um ano depois. Nas plantas jovens foram avaliados a altura e o diâmetro do colo, enquanto nas árvores adultas foram medidos a altura total e o diâmetro à altura do peito. Os dados foram analisados através de estatística descritiva, análise de variância, testes pós-hoc e testes não paramétricos, permitindo comparar o efeito dos tratamentos no crescimento anual. Os resultados evidenciaram efeitos significativos dos tratamentos nas plantas jovens, quer no incremento anual em altura, quer no incremento em diâmetro do colo. A testemunha apresentou crescimento substancialmente inferior aos tratamentos com lamas, enquanto o composto de lamas revelou vantagem estatística face à lama estabilizada no incremento em altura. Nas plantas adultas, verificaram-se igualmente efeitos significativos dos tratamentos no incremento em altura e em DAP, com T1 e T2 a superarem claramente a testemunha, embora sem diferenças estatisticamente relevantes entre os dois tipos de lamas. A mortalidade no primeiro ano foi reduzida nas plantas jovens e inexistente nas árvores adultas, sugerindo boa capacidade de adaptação inicial do sobreiro às condições dos ensaios. Conclui-se que a aplicação de lamas de ETAR, em particular sob a forma compostada, apresenta potencial para apoiar a restauração ecológica de áreas florestais suscetíveis à desertificação, promovendo o crescimento inicial de Quercus suber e valorizando subprodutos orgânicos em contexto florestal. A rede de ensaios instalada constitui uma base relevante para monitorização a longo prazo, permitindo aprofundar a avaliação dos efeitos das lamas no solo, na sobrevivência das plantas e na recuperação funcional dos ecossistemas. Estes resultados reforçam a importância de integrar soluções de economia circular, gestão florestal adaptativa e restauro ecológico nas estratégias de valorização dos territórios interiores mediterrânicos. Do inventário florestal clássico ao LiDAR: potencial dos Modelos de Altura da Copa na caracterização estrutural de povoamentos florestais do nordeste de Portugal CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal, Portugal A gestão florestal exige informação cada vez mais rigorosa, espacialmente explícita e actualizada, expondo limitações operacionais dos métodos clássicos de inventário, particularmente em áreas extensas ou de difícil acesso. Neste contexto, a tecnologia LiDAR surge como uma ferramenta promissora para a caracterização tridimensional da vegetação e para a estimativa indirecta de variáveis dendrométricas tradicionalmente obtidas em campo. O presente trabalho teve como objectivo avaliar o potencial de métricas derivadas do Modelo de Altura da Copa (CHM, Canopy Height Model) na caracterização estrutural de povoamentos florestais e na estimativa de variáveis dendrométricas à escala da parcela. O estudo incidiu em povoamentos de pinheiro-bravo (Pinus pinaster), carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e azinheira (Quercus rotundifolia), localizados nos concelhos de Bragança e Vimioso. Foram comparadas quatro abordagens: (i) inventário florestal clássico de campo; (ii) segmentação de árvores individuais a partir de um CHM de 5 cm de resolução (CHM05), obtido por LiDAR embarcado num VANT DJI Matrice 300 RTK equipado com sensor Zenmuse L1; (iii) extracção de métricas zonais directamente do CHM05; e (iv) extracção das mesmas métricas a partir de um CHM de 50 cm (CHM50), derivado dos dados LiDAR de cobertura nacional disponibilizados pela Direção-Geral do Território. O processamento incluiu a geração de nuvens de pontos LAS, modelos digitais de terreno e superfície, produção dos CHM e extracção automática de métricas estruturais em ambiente QGIS/Python. Foram analisadas estatísticas básicas de altura, percentis da distribuição vertical, grau de coberto, Rumple Index (RI), Foliage Height Diversity (FHD) e métricas de acumulação estrutural da vegetação. Os resultados demonstraram que a correspondência directa árvore-a-árvore entre inventário de campo e segmentação automática de copas apresenta limitações operacionais em povoamentos densos e estruturalmente complexos. Em contrapartida, a abordagem baseada em métricas agregadas à escala da parcela revelou maior robustez metodológica e melhor capacidade de representação da estrutura dos povoamentos. As métricas associadas à estrutura vertical dominante, nomeadamente a altura média e os percentis superiores (p75, p90 e p95), apresentaram as relações mais consistentes com as variáveis dendrométricas clássicas, particularmente volume e área basal. Para o pinheiro-bravo, modelos de regressão múltipla baseados em métricas derivadas do CHM atingiram coeficientes de determinação próximos de 0,90 na estimativa do volume. Apesar da diferença substancial de resolução espacial e densidade da nuvem de pontos entre o CHM05 (≈350 pontos/m²) e o CHM50 (≈10 pontos/m²), os resultados evidenciaram padrões globalmente consistentes entre ambas as fontes de informação. Os dados LiDAR de cobertura nacional demonstraram capacidade relevante para suportar estimativas estruturais à escala da parcela e da paisagem, reforçando o seu potencial para aplicações de monitorização e gestão florestal. Conclui-se que as métricas estruturais derivadas do CHM constituem uma alternativa operacionalmente eficiente para complementar o inventário florestal clássico, permitindo integrar trabalho de campo, detecção remota, SIG e automatização computacional em metodologias reprodutíveis de monitorização florestal. Será o pinheiro-bravo o maior produtor de resina em Portugal Continental? 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Portugal; 3: CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Portugal O atual interesse pela resinagem em Portugal tem impulsionado o desenvolvimento da técnica, com o objetivo de aumentar a produção de resina por árvore, assegurar o aproveitamento da fração volátil e melhorar a sua qualidade. Este reforço da produção nacional de resina natural está intrinsecamente ligado à espécie utilizada. Assim, entre as espécies de pinheiro existentes em Portugal, importa identificar quais apresentam maior potencial resinífero. Para responder a esta questão, no âmbito do projeto RN21, foi instalada uma rede de parcelas permanentes de monitorização da produção de resina, distribuídas por povoamentos de pinheiro-bravo, pinheiro-silvestre, pinheiro-larício, pinheiro-insigne, pinheiro-manso e pinheiro-de-Alepo. As parcelas foram estabelecidas em povoamentos puros, compostos por árvores nunca anteriormente resinadas, e cujas dimensões cumprem os requisitos definidos na legislação aplicável à resinagem em Portugal continental (Decreto-Lei n.º 181/2015, de 18 de agosto). Todos os povoamentos apresentam boas condições de acessibilidade. A resinagem foi realizada recorrendo ao método tradicional, com aplicação de pasta estimulante à base de ácido sulfúrico e recolha da resina em sacos de plástico abertos. As renovas foram efetuadas com uma periodicidade de 21 dias. As primeiras cinco parcelas foram instaladas em 2023, tendo sido adicionadas mais seis em 2024, embora se tenha registado a desistência de um dos proprietários. Na campanha de 2025, apenas seis das dez parcelas ativas em 2024 permaneceram em produção, sendo esta redução atribuída à dificuldade em encontrar resineiros e à desistência de alguns proprietários. Em cada campanha, e para cada parcela, foram realizadas duas pesagens de resina: uma em meados de julho e outra no final da campanha. Os resultados obtidos indicam que o pinheiro-bravo se destaca como a principal espécie resinífera em Portugal continental, apresentando as maiores produções. Ainda assim, o pinheiro-de-Alepo, em condições comparáveis, revela valores produtivos próximos dos observados para o pinheiro-bravo. |
| 10:00a11:30 | Sessão de demonstração em restauro florestal Localização: Campus da ESAC Moderação/coordenação de sessão: Joaquim Sande Silva Moderação/coordenação de sessão: Manuel Alte da Veiga |
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Sessão de demonstração em restauro florestal 1: Instituto Politécnico de Coimbra, Rua da Misericórdia, Lagar dos Cortiços, S. Martinho do Bispo, 3045-093 Coimbra Coimbra, Portugal.; 2: Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS), Instituto Politécnico de Coimbra, Bencanta, 3045-601 Coimbra, Portugal. A sessão irá incluir uma visita a uma parcela da Mata da ESAC com o objetivo de assistir a uma demonstração de técnicas de restauro florestal. Será feita uma pequena apresentação da história da Mata e de como evoluiu até ao momento presente, assim como do objetivo da intervenção, a cargo da equipa de sapadores de Montemor-o-Velho. Será feito um pequeno percurso de cerca de uma hora máximo, dentro da Mata, onde serão apresentadas diversas situações relacionadas com intervenções anteriores. Haverá pequenas paragens para explicação de cada situação. O percurso terminará no local de partida onde será possível ver o resultado do trabalho da equipa de sapadores decorrido durante o tempo de percurso. Será feito o contraste entre a opção menos comum e menos popular de restaurar o coberto florestal, versus limpar toda a vegetação (opção generalizada), com o objetivo de prevenir os incêndios. |
| 11:30a12:00 | Pausa para café Localização: Átrio ESAC |
| 11:30a12:00 | Apresentação do livro "ecossisTEMAS: História de Impacto" Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Apresentação do livro «ecossisTEMAS: História de Impacto» por Mariana Serra (FSC Portugal). |
| 12:00a13:30 | Simpósio 17b - Governança florestal e gestão do território em diferentes contextos: abordagens comparativas para o desenvolvimento sustentável Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Tamiel Khan Baiocchi Jacobson Moderação/coordenação de sessão: Fabrício Alvim Carvalho Moderação/coordenação de sessão: João C. Azevedo |
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Modelos colaborativos no planeamento e gestão florestal: a governança participativa do projeto LIFE ResLand no Parque Natural de Sintra-Cascais Cascais Ambiente, Portugal A gestão de territórios florestais periurbanos, face aos crescentes impactos das alterações climáticas, exige abordagens colaborativas transdisciplinares que integrem o conhecimento local e a participação ativa de diferentes partes interessadas. No Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC), no concelho de Cascais, a elevada vulnerabilidade a incêndios rurais e a perda de biodiversidade exigem uma mudança de paradigma na governança do território. Neste contexto, o projeto LIFE ResLand propõe um modelo de resiliência climática baseado na gestão ativa e colaborativa, assumindo que a sustentabilidade a longo prazo das intervenções florestais depende criticamente do envolvimento e corresponsabilização dos proprietários rurais privados na replicação das boas práticas de gestão florestal. Este trabalho analisa a eficácia da metodologia de envolvimento dos proprietários rurais e outros atores locais na governança descentralizada implementada no âmbito das ações preparatórias (WP2) do LIFE ResLand. Quantifica-se o envolvimento dos múltiplos atores e avaliam-se os desafios de comunicação, perceções e motivações para o planeamento e gestão de um território florestal resiliente. Adotou-se uma abordagem participativa "bottom-up", desenvolvida entre outubro de 2023 e junho de 2024. O processo envolveu a realização de cinco reuniões temáticas orientadas (focus groups) e de cinco visitas de campo, envolvendo 167 participantes representativos de: proteção civil, proprietários rurais, silvopastorícia, turismo de natureza e utilizadores do PNSC. As sessões incluíram apresentações técnicas detalhadas, dinâmicas de grupo, debates e cartografia para recolha de contributos e questionários de satisfação. Complementarmente, realizaram-se sessões de capacitação técnica focadas na transferência de conhecimento prático. As dinâmicas participativas resultaram em 176 contributos enquadráveis nos eixos estratégicos do projeto LIFE ResLand (gestão florestal, silvopastorícia, proteção, recreio e lazer). A proteção civil sublinhou a necessidade de adaptar o planeamento da descontinuidade da vegetação aos ventos dominantes e de substituir o Pinus halepensis por espécies nativas mais resilientes. O setor silvopastoril, propôs a monitorização tecnológica para evitar a sobrepastagem. O envolvimento dos proprietários rurais revelou os desafios mais complexos da governança: embora reconheçam a importância da gestão florestal na resiliência das suas propriedades, apontaram os elevados custos financeiros e a burocracia como principais obstáculos à gestão ativa. O mecanismo de remuneração dos serviços de ecossistema emergiu como uma ferramenta para viabilizar a sustentabilidade económica e a gestão à escala da paisagem. Adicionalmente, os utilizadores do PNSC e as empresas de turismo de natureza reforçaram a necessidade de melhorar comunicação e sensibilização para a conservação dos valores naturais. Os resultados confirmam que a resiliência florestal e a adaptação climática são indissociáveis da dimensão social da governança. A abordagem participativa é fundamental para reduzir conflitos e aumentar a aceitação social das intervenções florestais. Apesar dos proprietários enfrentarem os maiores desafios, a sua inclusão precoce no projeto mitiga conflitos e identifica a necessidade de estratégias de comunicação mais simplificadas e reuniões informais. Este modelo de governança estabelece uma base sólida para a gestão colaborativa e a sustentabilidade a longo prazo da paisagem florestal. Plataforma de dados abertos para governação fundiária na Amazónia Legal: integração entre o Atlas Fundiário e o PRODES/INPE como instrumento de gestão territorial 1: Universidade de Brasília, Brazil; 2: Faculdade UnB Planaltina - FUP/UnB; 3: Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais - PPGCA/UnB; 4: Centro de Gestão e Inovação da Agriculra Familiar - CEGAFI/UnB A fragmentação dos sistemas de informação fundiária e ambiental na Amazónia Legal produz falhas estruturais de governação territorial com consequências diretas sobre as métricas de desflorestação utilizadas em acordos climáticos internacionais. Dados dispersos em sistemas incompatíveis – SIGEF, CNFP, FUNAI, ICMBio e INPE (Sistema de Gestão Fundiária, Cadastro Nacional de Florestas Públicas, Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) –, impedem que gestores, investigadores e a sociedade civil identifiquem onde a desflorestação ocorre, sobre que categoria fundiária incide e qual a sua natureza jurídica. Esta opacidade favorece a usurpação de terras, dificulta a fiscalização e distorce os indicadores que orientam políticas públicas e compromissos climáticos. A ausência de destinação formal de terras públicas, um hiato de governação que ainda abrange mais de 50 milhões de hectares na Amazónia Legal, é um vetor estrutural da desflorestação e um fator de amplificação de conflitos mediados por sobreposições cadastrais. Os programas de regularização fundiária, quando desacompanhados de assistência técnica, podem, paradoxalmente, intensificar a supressão de vegetação. Neste trabalho, apresentamos uma plataforma de dados abertos de governação fundiária para a Amazónia Legal, desenvolvida no âmbito do Projeto Mais Amazónia (INCRA/UnB), que integra 242 camadas fundiárias vetoriais: glebas federais, terras indígenas, unidades de conservação, territórios quilombolas, assentamentos e propriedades privadas certificadas (SIGEF/SNCI) (Sistema Nacional de Certificação de Imóveis Rurais), cobrindo os nove estados brasileiros, com dados do PRODES/INPE (835.900 polígonos, 2008–2025), alojados no ArcGIS Online e acessíveis através de painéis de controlo (dashboards) públicos organizados por eixos de governação: destinação de glebas, áreas protegidas, passivo titulatório, sobreposições fundiárias e desflorestação. O Painel de Desflorestação e Governação Fundiária permite-nos quantificar e espacializar a relação entre a ausência de destinação formal e a desflorestação, distinguindo, pela primeira vez à escala nacional, a desflorestação inequivocamente ilegal daquela ocorrida em zonas de ambiguidade jurídica — onde as imprecisões cadastrais distorcem estatísticas nacionais e internacionais. Através da interseção entre o PRODES e as glebas federais não destinadas (FPND, Florestas Públicas Não Destinadas), identificámos 229.211 eventos (46.916,97 km² desde 2008). O cruzamento com o SIGEF revelou 10.886,95 km² em zonas de ambiguidade legal — propriedades tituladas dentro de FPND, desflorestação potencialmente lícita classificada como ilegal — e 56.672,73 km² sem regularização. Estimamos que aproximadamente 18,8% da desflorestação em FPND possa estar incorretamente classificada, com impacto direto sobre as metas do Acordo de Paris. No período 2019–2024, registámos 21.445,09 km² desflorestados em FPND, com um pico em 2022 (5.154 km²) e uma queda em 2023–2024, consistente com a retoma do PPCDAm (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal). Consideramos que a plataforma contribui para superar o défice de interoperabilidade entre os órgãos de governação fundiária e qualifica a regularização e a monitorização como instrumentos integrados de desenvolvimento territorial sustentável. Cadastro Territorial Rural como infraestrutura para gestão territorial e ambiental no Brasil INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Brazil
A gestão territorial e ambiental depende de informação fundiária confiável, integrada e atualizada, capaz de relacionar sujeitos, direitos, responsabilidades e unidades espaciais. No Brasil, apesar dos avanços em instrumentos cadastrais e territoriais, a administração de terras ainda é marcada por fragmentação institucional, redundâncias, lacunas de representação e dificuldade de articulação entre dimensões jurídicas, agrárias, ambientais, produtivas e sociais. Este artigo discute como o projeto de modernização do Cadastro Territorial Rural (CTR), conduzido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), instituição federal responsável pela política cadastral rural, e baseado no Land Administration Domain Model (LADM/ISO 19152) e em princípios Fit-for-Purpose, pode apoiar a gestão territorial e ambiental no contexto brasileiro.
A proposta parte da integração de dados de sistemas cadastrais existentes e da articulação com os registros de imóveis e outras instituições. A partir dessa integração, o CTR busca representar imóveis rurais, parcelas, partes interessadas e direitos, restrições e responsabilidades, incluindo situações formais e informais, posses, ocupações tradicionais e diferentes níveis de precisão geométrica. Também está prevista a obtenção colaborativa de dados sobre posses, entendidas como imóveis associados a relações jurídicas informais existentes. Ao permitir a gestão integrada dessas informações, o CTR pode reduzir inconsistências entre a unidade registral da propriedade e o conceito agrário de imóvel rural, qualificar análises de sobreposição, apoiar a resolução de conflitos e fortalecer decisões públicas relacionadas ao ordenamento territorial, à conservação e ao uso sustentável da terra.
A articulação com instituições responsáveis pela gestão ambiental é componente relevante do projeto. Bases ambientais, registros declaratórios e instrumentos de monitoramento podem reunir informações sobre áreas protegidas, vegetação nativa, áreas consolidadas, passivos ambientais e ações de recuperação. Quando conectadas a um cadastro territorial mais abrangente, essas informações deixam de operar como camadas isoladas e passam a integrar uma infraestrutura de governança capaz de associar responsabilidades ambientais a sujeitos, direitos e unidades espaciais mais bem definidas. Isso pode melhorar a rastreabilidade das obrigações ambientais e apoiar regularização, recuperação de áreas degradadas, monitoramento de passivos e planejamento de paisagens rurais resilientes.
Por outro lado, a passividade ou a descontinuidade do projeto tende a perpetuar a gestão em silos, a baixa interoperabilidade entre bases públicas, a insegurança sobre limites e responsabilidades e a dificuldade de transformar dados cadastrais em ações efetivas sobre o território. Esse cenário pode prejudicar o controle do desmatamento, atrasar a regularização ambiental, ampliar conflitos fundiários e limitar políticas territoriais integradas. Assim, o avanço do CTR no Brasil representa uma oportunidade estratégica para conectar administração de terras, gestão territorial, gestão ambiental e desenvolvimento sustentável, aproximando conservação, segurança fundiária e uso responsável dos recursos naturais.
Wildfire governance improves when stakeholders become co-creators: lessons from Policy Clinics in rural–urban and community–protected area interfaces in Portugal 1: CoLAB ForestWISE - Collaborative Laboratory for Integrated Forest & Fire Management, Quinta de Prados, 5001-801, Vila Real, Portugal; 2: Forest Research Centre (CEF), Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture (ISA), University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017, Lisboa, Portugal; 3: Centre for Applied Ecology ‘Prof. Baeta Neves’ (CEABN), InBIO, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal Increasing wildfire risk requires governance approaches capable of connecting policy objectives, territorial realities and local knowledge. Within the European FIRE-RES project, the Policy Clinics methodology (Innovation Action 4.5) was implemented and replicated in the Portuguese Living Lab across two contrasting socio-ecological contexts: the rural–urban interface of Lousã and the community land–protected area interface of the Peneda-Gerês region. The aim was to evaluate how participatory policy analysis can support the co-creation of locally relevant solutions for more fire-resilient territories. The methodology combined Policy Coherence Analysis (PolCA) with the participatory OPERA approach. Semi-structured interviews with key stakeholders were used to identify synergies, overlaps and conflicts among policy instruments, legal frameworks and territorial management functions related to wildfire resilience. These inputs informed the development and validation of Policy Coherence Matrices (PCM), later consolidated into collective matrices that supported the identification of priority governance challenges. These challenges were subsequently discussed in multi-actor workshops involving public authorities, land managers, community representatives and technical experts. Through the OPERA co-creation approach, participants collectively analysed root causes, prioritised actions and co-created solutions. Although the two case studies addressed different territorial realities, common governance barriers emerged. In Lousã, discussions focused on socio-economic constraints affecting compliance with fuel management legislation and on perceived tensions between wildfire prevention and Natura 2000 conservation objectives. In Gerês, the debate centred on grazing regulations, the adequacy of forest regime legislation to current wildfire risk conditions and the management of community lands within protected areas. Across both territories, participants highlighted weak institutional coordination, limited policy coherence, demographic decline, insufficient technical support and unstable funding mechanisms as key barriers to implementation. A major outcome was the convergence of solutions into three complementary domains: (i) technical resources, knowledge transfer and capacity building; (ii) governance, communication and policy adaptation; and (iii) financial mechanisms, including incentives and compensation schemes supporting sustainable land management. Similar priorities emerged in both territories, demonstrating the capacity of the methodology to identify shared governance needs while respecting local specificities. Results demonstrate that Policy Clinics provide a robust and transferable framework for moving from policy diagnosis to stakeholder-driven action. Beyond identifying governance barriers, the approach enabled local actors to become active co-creators of solutions. The findings highlight the value of comparative and participatory governance approaches for addressing complex territorial challenges across different forest and land-use contexts, empowering communities and stakeholders to become active co-creators of more coherent, inclusive and fire-resilient landscapes. Reconstituição cartográfica de parcelas em glebas públicas federais na Amazônia Legal como instrumento de destinação de terras e gestão florestal 1: CEGAFI- UnB, Brazil; 2: INCRA, Brazil; 3: MMA, Brazil; 4: Universidade de Brasília A ocupação da Amazónia Legal brasileira insere-se num contexto histórico marcado por ocupações tradicionais, colonização, expansão agropecuária e afetação de terras públicas, atravessado pela necessidade de combater as alterações climáticas. Complexidade, construída ao longo de séculos, está associada à afetação de Florestas Públicas e de glebas públicas mediante arrecadação, afetação e titulação de parcelas, sem que tenha sido constituída uma base cartográfica digital auditável. A ausência dessa base histórica qualificada dificulta o reconhecimento da localização precisa das parcelas tituladas, a verificação de sobreposições, a identificação de áreas remanescentes, a gestão florestal e a formulação de políticas públicas integradas. É neste contexto que a presente iniciativa do Projeto GovFun Mais Amazónia — uma parceria entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária , o Centro de Estudos em Governança Fundiária da Universidade de Brasília (CEGAFI-UnB) e o Ministério do Ambiente e das Alterações Climáticas — apresenta um projeto-piloto de reconstituição cartográfica de parcelas tituladas como instrumento de qualificação das áreas afetas a Florestas Públicas. O projeto-piloto não se limita à transformação de informação analógica em dados digitais (vetorização). A metodologia aplicada vai mais longe: realiza uma análise do contexto histórico associado ao período de emissão das peças técnicas, promove a recuperação de sistemas e referenciais, procede à análise de confrontantes e de dados técnicos e matemáticos que permitem, inclusivamente, reconstruir poligonais cuja mera vetorização reproduziria os erros originais sem os resolver no espaço territorial. A metodologia compreende a análise e a catalogação de dados a partir de acervos físicos, a leitura das peças técnicas em articulação com o contexto da organização espacial, a reconstituição da poligonal com recurso a bases oficiais e a classificação das parcelas segundo o grau de fiabilidade: reconstituída, reconstituída com reservas ou não reconstituível. Todo o processo observa o rigor técnico e científico necessário à validação e à posterior replicação da metodologia desenvolvida. Os resultados iniciais demonstram a elevada eficácia da ação como instrumento de apoio à decisão para a aplicação de políticas públicas, designadamente o Programa Territórios das Florestas. A reconstituição de parcelas em quatro glebas públicas federais no estado do Maranhão alcançou uma taxa de sucesso de 97,5%, tendo apenas 2,5% das poligonais permanecido não reconstituídas em virtude de falhas na descrição do perímetro, da precariedade de peças originais e outras inconsistências. Estes resultados permitiram orientar a resposta ao pedido de regularização territorial de uma comunidade tradicional em Florestas Públicas Não Destinadas e apoiar o INCRA no planeamento de ações destinadas à conclusão de processos de afetação de terras públicas. A experiência revelou que inconsistências aparentemente graves podem ser resolvidas mediante uma análise sistémica do mosaico de lotes, demonstrando que a base reconstituída funciona como uma camada histórica de controlo, capaz de identificar sobreposições, áreas remanescentes e situações que requerem saneamento cadastral ou registal. Acresce ainda a possibilidade de evolução através da automatização de etapas repetitivas e da construção de uma base estruturada para a interoperabilidade institucional, contribuindo para o reforço do processo de gestão florestal. |
| 12:00a13:30 | Simpósio 14b - Agenda transForm: Inovação e digitalização na gestão de florestas resilientes Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Nuno Almeida Ribeiro |
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CORKFITS 2026: Tree Spatial Growth Model for Cork Oak (Quercus suber L.) Stands 1: Universidade de Évora, Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal; 2: Universidade de Évora, Departamento de Biologia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004516 Évora, Portugal; 3: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Agronomia, Apartado 1013, Quinta de Prados, 5001-801 Vila Real, Portugal; 4: CREATE – Center for Sci-Tech Research in Earth System and Energy, Universidade de Évora, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal; 5: Faculty of Forestry and Wood Sciences, Czech University of Life Sciences Prague, 16500 Prague, Czech Republic Given the importance of innovation and digitalization for the sustainable management of forests, the new version of the cork oak spatial tree growth model, CORKFITS 2026, is presented. This updated simulator has been rebuilt using modern online technologies, allowing it to be delivered more easily to final users and supporting practical use in forest management, planning, and decision-making. The new version includes improved data input and results visualization interfaces, enhances tree-level simulation, is better suited for complex stands, and increases the capacity to explore and compare alternative management scenarios. CORKFITS 2026 is based on the potential increment modifier principle: z = zpot × modifier + ε where zpot represents potential growth as a function of site conditions, modifier is a reduction factor depending on the spatial competition index and debarking intensity, and ε represents random error. The simulator includes several sub-growth models, covering cork growth, stem development, tree height and crown dynamics, as well as cork production and survival models. The presented model is particularly relevant in the current context of management planning and digital support tools needed to restore and improve cork productivity in cork oak stands, which cover approximately 713,000 ha in Portugal. Beyond their large spatial extent, cork oak stands represent a significant economic factor, especially in rural areas, where cork production contributes to local employment, income generation, and the maintenance of traditional multifunctional land-use systems. Acknowledgements: This work is funded by Agenda Transform, project no. C644865735-00000007, following the Mobilization Agendas for Business Innovation (Notice No. 02/C05-i01/2021), supported by the Recovery and Resilience Plan (PRR) and European Funds NextGeneration EU. ForestSTATS - A floresta em números, acessível a todos 1: Biond, Associação das bioindústrias de base florestal; 2: Centro de Estudos Florestais/Instituto Superior de Agronomia; 3: Colab Forestwise; 4: Forestis, Associação Florestal de Portugal O ForestSTATS é uma plataforma digital agregadora de estatísticas florestais, que foi desenvolvida, pelo consórcio do projeto 1.8 da Agenda transForm, para colmatar uma lacuna identificada pelos agentes interessados, ao pesquisar e procurar aceder a dados sobre o setor florestal, que são disponibilizados por múltiplas fontes oficiais, de forma dispersa e em diferentes formatos. Trata-se de um repositório de informação que reúne atualmente mais de 450 variáveis organizadas em 13 áreas temáticas, abrangendo domínios como incêndios rurais, recursos e sanidade florestal, produção, biomassa, biodiversidade, ordenamento do território, economia e áreas protegidas. Para cada variável, os dados são harmonizados numa estrutura uniforme, identificando nos metadados, a fonte, entidade responsável, periodicidade e data da última atualização. No âmbito das suas funcionalidades, o ForestSTATS é uma ferramenta de conhecimento e transparência, concebido para uma vasta tipologia de utilizadores, desde o público em geral a investigadores, empresas, gestores florestais e decisores políticos, permitindo diferentes níveis de análise e contribuindo para decisões mais informadas e sustentáveis. Oferecendo uma interface intuitiva e de acesso a dados abertos, que podem ser visualizados de forma tabular, gráficos dinâmicos, mapas, partilhar filtros e exportação de dados. A plataforma permite também visualizar indicadores‑chave e explorar infográficos dedicados a variáveis relevantes do setor florestal. Neste contexto, e com recurso ao serviço API do INE para garantir a atualização contínua dos dados, foi introduzida de forma dinâmica, a variável balança comercial para o setor florestal, abrangendo informação sobre matérias‑primas florestais e produtos transformados, como pasta de papel, mobiliário e painéis de madeira. Esta solução dá continuidade à informação anteriormente disponibilizada de forma estruturada nas Contas Económicas da Silvicultura publicadas pelo INE, entretanto ausente no atual modelo de Contas da Floresta. NATUREYE: Sistemas de Apoio à Decisão para Aumento da Resiliência das Infraestruturas Face ao Risco de Incêndio Rural REN - Redes Energéticas Nacionais, SGPS, S.A., Portugal A crescente severidade, frequência e complexidade dos incêndios rurais, têm vindo a expor limitações estruturais nos modelos tradicionais de prevenção, deteção e resposta. Estes desafios assumem particular relevância em territórios atravessados por infraestruturas energéticas, onde a continuidade do serviço, a segurança das populações e a proteção dos ecossistemas dependem de uma gestão do risco cada vez mais integrada, antecipatória e suportada por conhecimento científico e tecnológico. Neste contexto, foi desenvolvido o NATUREYE, um sistema integrado de apoio à decisão orientado para a monitorização, previsão e gestão do risco de incêndio rural. A solução assenta numa arquitetura tecnológica que integra dados multissensoriais provenientes de diferentes fontes, incluindo uma rede de câmaras multiespectrais instaladas em infraestruturas de muito alta tensão, dados meteorológicos em tempo real e informação geoespacial detalhada, nomeadamente topografia, uso e ocupação do solo e caracterização do combustível florestal. Esta integração permite construir uma representação dinâmica e contextualizada das condições de risco no território. O sistema permite a deteção precoce de ignições e a monitorização contínua da evolução dos incêndios, assegurando a validação técnica dos alertas por operadores especializados, reduzindo significativamente a ocorrência de falsos positivos. Um dos seus principais elementos diferenciadores reside na integração de modelos avançados de simulação do comportamento do fogo, cientificamente validados, que incorporam variáveis críticas como a velocidade e direção do vento, temperatura, humidade relativa, topografia e tipologia e distribuição do combustível. Estes modelos permitem gerar cenários preditivos de propagação espacial e temporal, identificando áreas potencialmente afetadas, infraestruturas em risco e impactos prováveis, num horizonte temporal relevante para apoio à decisão operacional. A componente operacional do sistema é suportada pelo CENTRODEC, que funciona como centro físico de suporte à decisão, assegurando a monitorização contínua, a validação e interpretação da informação e a comunicação estruturada aos decisores. Esta articulação entre plataforma tecnológica e centro operacional reforça a capacidade de resposta em tempo real, promovendo decisões mais informadas, coordenadas e eficazes em cenários de elevada complexidade e pressão temporal. A capacidade de antecipação proporcionada pelo NATUREYE constitui um contributo determinante para a definição de prioridades de intervenção, otimização da mobilização de meios e reforço da proteção de infraestruturas críticas. Para além da sua aplicação direta, o sistema promove uma abordagem preventiva e integrada à gestão do território, contribuindo para a redução da área ardida, a preservação dos ecossistemas florestais e a valorização do papel da floresta enquanto sumidouro de carbono. A sua natureza modular e escalável permite ainda a integração futura de outros riscos naturais, como cheias ou eventos meteorológicos extremos, reforçando a resiliência territorial e alinhando-se com as estratégias de transição digital, sustentabilidade e adaptação às alterações climáticas. O projeto enquadra-se na Agenda transForm, Agenda Mobilizadora do PRR integrada na Componente 5 (C5) – Capitalização e Inovação Empresarial, contribuindo para a transformação digital da fileira florestal e para a promoção de uma economia resiliente e de baixo carbono. Sistema integrado de apoio à gestão, certificação e mapeamento florestal 2BForest, Portugal Num setor florestal cada vez mais complexo, como o português, é necessário adotar soluções digitais capazes de integrar informação, apoiar a tomada de decisão e simplificar processos de rastreabilidade e certificação florestal. Neste contexto, a digitalização assume-se como um eixo estratégico para impulsionar a gestão ativa da floresta e reforçar a capacidade de resposta das entidades do setor. Entre as principais necessidades da gestão florestal no país, destacam-se: (1) a criação de um cadastro florestal completo, com vista a uma gestão holística da paisagem num contexto de abandono rural e fragmentação da propriedade; (2) a disponibilização de informação geográfica atualizada, para apoiar a elaboração de planos de gestão florestal e projetos de (re)arborização; e (3) a simplificação dos processos de auditoria e certificação florestal, através da disponibilização de ferramentas operacionais acessíveis a gestores, técnicos e proprietários. A estes desafios acrescem ainda a baixa literacia digital de parte dos proprietários mais idosos e o reduzido interesse das gerações mais jovens pelo setor. Face a estas dificuldades, a 2BForest desenvolveu um sistema integrado de apoio à gestão, certificação e mapeamento florestal. Este sistema, criado no âmbito do projeto P1.7 – Bases de dados geográficas e aplicações para a gestão florestal, integrado na Agenda transForm, tem como objetivo facilitar a utilização de soluções digitais em contexto real e transformar os dados disponíveis em informação útil para apoiar a decisão, tanto no gabinete como no terreno. No presente trabalho, apresentam-se os resultados obtidos no projeto P1.7, materializados em três soluções distintas, mas interoperáveis: (1) a plataforma ForestSIM®, que integra funcionalidades avançadas de apoio à gestão e certificação florestal; (2) a aplicação móvel ForestSIM Mobile®, disponibilizada gratuitamente para apoiar proprietários florestais; e (3) a aplicação ForestCAD®, concebida para facilitar o mapeamento de propriedades florestais com recurso a drones (UAV) e equipamentos GPS. A ForestSIM foi reestruturada no projeto P1.7 para dar resposta às crescentes exigências da certificação florestal nacional e internacional, integrando funcionalidades como a gestão de membros, propriedades e parcelas, a elaboração de planos de gestão, a calendarização de operações com previsão orçamental, a monitorização de áreas de conservação, a exportação de relatórios e ferramentas de edição e visualização cartográfica. A ForestSIM Mobile foi concebida para disponibilizar, num único ambiente móvel, um acesso simplificado à plataforma ForestSIM, bem como um conjunto de ferramentas gratuitas para visualização de mapas, consulta de custos de operações florestais, cotações de produtos, notícias setoriais com curadoria da 2BForest, notificações de risco de incêndio, fórum de discussão pública e solicitação de orçamentos a prestadores de serviços. A ForestCAD, por sua vez, foi desenvolvida para apoiar o cadastro e o mapeamento simplificado de propriedades florestais, permitindo importar pontos capturados por UAV ou equipamentos GPS, gerar e editar polígonos, associar fotografias georreferenciadas, descarregar mapas-base para utilização em modo offline e exportar os resultados para a ForestSIM ou para o QGIS. Em conjunto, estas três soluções ilustram como a digitalização pode responder às necessidades identificadas, contribuindo para uma gestão florestal mais ativa, eficiente e informada em Portugal. Utilização de deep learning e imagens UAV para avaliação de danos por tempestade e sucesso de plantações pós distúrbio 1: Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal; 2: RCM2+ Research Centre for Asset Management and Systems Engineering, ISEC/IPC, Coimbra, Portugal As florestas mediterrânicas encontram-se entre os ecossistemas mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas e à ação cumulativa de múltiplos agentes de perturbação, incluindo incêndios, secas, pragas e eventos meteorológicos extremos. O aumento da frequência e intensidade destes fenómenos tem evidenciado limitações nos modelos convencionais de monitorização e gestão florestal, reforçando a necessidade de abordagens mais integradas, adaptativas e sustentadas em evidência científica. Neste contexto, as tecnologias associadas a veículos aéreos não tripulados (UAV) e algoritmos de deep learning apresentam elevado potencial para automatizar processos tradicionalmente dependentes de inventário de campo, frequentemente condicionados pela acessibilidade do terreno, tempo de execução e custos operacionais. O presente trabalho enquadra-se na Agenda transForm – Melhor Floresta, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que visa desenvolver soluções inovadoras e estratégias de gestão florestal adaptativa para aumentar a resiliência dos ecossistemas florestais e apoiar a resposta aos desafios colocados pelas alterações climáticas. Neste contexto, avaliou-se a aplicação da arquitetura Mask R-CNN na deteção automática de árvores em povoamentos de Pinus pinaster recorrendo a imagens RGB e multiespectrais adquiridas por UAV. Foram considerados dois cenários representativos de perturbações florestais no centro de Portugal. O primeiro incidiu na deteção de árvores derrubadas após um evento meteorológico extremo na Serra da Lousã, visando apoiar a quantificação de danos e a resposta pós-tempestade. O segundo focou-se na deteção de árvores jovens em plantações instaladas após incêndio na Serra do Açor, permitindo avaliar o sucesso inicial da restauração florestal. As imagens adquiridas com um DJI Mavic 3M foram processadas para geração de ortomosaicos de elevada resolução, posteriormente utilizados em ambiente ArcGIS Pro para treino e aplicação de modelos de segmentação por instância baseados em Mask R-CNN. O processo incluiu anotação manual, criação de bases de treino, definição de conjuntos independentes de validação e análise do desempenho através de métricas de precisão e deteção. Os resultados evidenciaram desempenho elevado na identificação de árvores derrubadas, com valores de precisão próximos de 90%, demonstrando elevada capacidade do modelo para reconhecer padrões associados a danos florestais em ambientes estruturalmente complexos. Na identificação de árvores jovens em plantações recentes, os modelos alcançaram taxas de deteção superiores a 90% em parcelas validadas, permitindo identificar indivíduos e extrair métricas espaciais relevantes para avaliação da instalação e distribuição das plantações. Os resultados confirmam o potencial da integração entre UAV e deep learning como ferramenta operacional de monitorização florestal, contribuindo para reduzir esforço de campo, acelerar processos de avaliação e apoiar decisões de gestão em contextos de perturbação e recuperação florestal. O trabalho evidencia ainda o contributo da inovação tecnológica e da digitalização para o desenvolvimento de estratégias de gestão mais resilientes e adaptadas aos desafios atuais da floresta portuguesa. Estudo comparativo de abordagens de visão computacional aplicadas à avaliação do sucesso de plantações florestais 1: Politécnico de Coimbra, Rua da Misericórdia, Lagar dos Cortiços, S. Martinho do Bispo, 3045-093 Coimbra, Portugal; 2: RCM2+- Centro de Investigação em Gestão de Ativos e Engenharia de Sistemas, Coimbra, Portugal, Rua Pedro Nunes-Quinta da Nora, 3030-199 Coimbra, Portugal; 3: CISE- Centro de Investigação em Sistemas Electromecatrónicos, Universidade da Beira Interior, 6201-001 Covilhã, Portugal No contexto da adaptação das florestas aos impactos das alterações climáticas, a monitorização do restauro de áreas florestais afetadas por distúrbios, nomeadamente incêndios florestais, assume particular relevância. Neste âmbito, as plantações florestais constituem uma das principais estratégias de intervenção, sendo a sua monitorização uma componente essencial da gestão florestal adaptativa. Tradicionalmente, a avaliação do sucesso destas intervenções baseia-se na recolha de indicadores em campo, tais como o número de árvores sobreviventes e o grau de desenvolvimento das respetivas copas. Contudo, este tipo de monitorização apresenta limitações significativas, sendo frequentemente moroso, dispendioso e logisticamente desafiante, especialmente quando é realizada em áreas extensas ou de difícil acesso. A presente investigação propõe uma abordagem alternativa baseada em técnicas de deteção remota e visão computacional, com o objetivo de avaliar o sucesso de plantações realizadas no âmbito do projeto Floresta Serra do Açor, no distrito de Coimbra, Portugal. Para tal, foram produzidas milhares de imagens aéreas através de voos realizados com um drone DJI Mavic 3. Estas imagens foram sujeitas a um processo de seleção e processamento, com vista à sua utilização nas fases de treino, validação e teste dos modelos desenvolvidos. Neste contexto, foram avaliadas diferentes arquiteturas de aprendizagem profunda, nomeadamente YOLO, U-Net e Mask R-CNN, com o intuito de comparar o seu desempenho na deteção e segmentação de árvores. Com base no conjunto de dados obtido, foi possível estimar o número de árvores e o volume das suas copas. Os resultados demonstraram um desempenho elevado dos modelos testados: o modelo YOLO alcançou valores próximos de 90% no indicador F1 para a contagem de árvores, enquanto o modelo Mask R-CNN apresentou desempenhos superiores a 85% na estimativa da área de copa. Estes resultados evidenciam o potencial da metodologia proposta como alternativa eficaz às abordagens tradicionais de monitorização. A sua aplicação no contexto do projeto “Melhor Floresta”, inserido na Agenda Transform, poderá contribuir para a redução dos custos operacionais e do tempo de trabalho de campo. Adicionalmente, permitirá aumentar a frequência de monitorização e melhorar o acompanhamento da evolução das plantações, constituindo um suporte relevante para a tomada de decisão em gestão florestal. |
| 12:00a13:30 | Simpósio 5b - Produtos Florestais Não Lenhosos: uma oportunidade para os proprietários florestais Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Margarida Tomé Moderação/coordenação de sessão: Tiago Ferreira Lima |
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Medronho – Produtos Diretos com Fileira Estabelecida (em construção) 1: IPC/ESAC - Instituto Politécnico de Coimbra/Escola Superior Agrária de Coimbra; 2: CERNAS/IPC - Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Instituto Politécnico de Coimbra; 3: UC - Universidade de Coimbra; 4: GreenClon Lda.; 5: INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P.; 6: BioISI - Biosystems and Integrative Sciences Institute, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; 7: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development & CHANGE Global Change and Sustainability Institute, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Universidade de Évora; 8: UAlg - Universidade do Algarve; 9: Arbutus - Associação para a Promoção do Medronho; 10: CCDRC - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, I.P.; 11: Departamento de Biologia & CESAM, Universidade de Aveiro; 12: Medronhalva Lda. O medronheiro (Arbutus unedo L.) é uma espécie mediterrânica autóctone com elevada relevância ecológica, económica e social em Portugal, destacando-se pela sua adaptação a diferentes condições edafoclimáticas, resiliência aos incêndios florestais e contributo para a biodiversidade e para a dinâmica económica em territórios rurais. Tradicionalmente associado à produção de aguardente de medronho, o fruto apresenta atualmente um potencial de valorização mais amplo, abrangendo aplicações agroalimentares, gastronómicas, farmacêuticas e ornamentais. Este capítulo reúne o contributo de autores pertencentes a várias instituições e organizações nacionais, centrando-se na descrição dos vários aspetos envolvidos no setor do medronheiro e do medronho, desde o solo até ao fruto fresco ou à sua utilização pela indústria alimentar. É apresentada uma síntese abrangente do conhecimento disponível sobre a espécie, abordando a sua distribuição geográfica, exigências edoafoclimáticas, bem como os avanços alcançados no melhoramento genético, conservação de recursos genéticos e produção de material vegetal certificado. São igualmente descritas as principais práticas culturais associadas à instalação e gestão de pomares, incluindo aspetos relacionados com a preparação do solo, densidade de plantação, fertilização, controlo da vegetação e poda, visando aumentar a produtividade e a qualidade do fruto. O setor do medronho é analisado numa perspetiva integrada, com especial destaque para a produção de aguardente, produto emblemático cuja qualidade depende de fatores como o estado de maturação dos frutos, as condições de fermentação, a tecnologia de destilação e a diversidade microbiológica associada às fermentações espontâneas. Paralelamente, são apresentadas alternativas de valorização do fruto para o consumo em fresco e para o desenvolvimento de produtos alimentares inovadores, incluindo snacks, chutneys e marshmallows, beneficiando da riqueza do medronho em compostos bioativos e antioxidantes. Por fim, discutem-se os principais desafios estratégicos do setor, que se pretende estruturar e afirmar como fileira, nomeadamente a necessidade do aumento da capacidade de produção do fruto, a melhoria das práticas culturais, a valorização dos produtos transformados, a certificação, a organização dos produtores e o reforço da investigação e desenvolvimento aplicados ao universo do medronheiro e aos produtos resultantes da transformação do medronho. Em súmula, este trabalho evidencia o potencial do medronheiro como recurso endógeno de elevado valor acrescentado, capaz de contribuir para a sustentabilidade económica, ambiental e social dos territórios rurais portugueses. Agradecimentos: O CERNAS - Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Instituto Politécnico de Coimbra, financiado por fundos nacionais através da FCT I.P., Ref. UID/00681/2025 (https://doi.org/10.54499/UID/00681/2025). MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development (https://doi.org/10.54499/UID/05183/2025) & CHANGE Global Change and Sustainability Institute, Instituto de Investigação e Formação Avançada, (https://doi.org/10.54499/LA/P/0121/2020), Universidade de Évora. Transform, PRR, Portar. nº43-A/2022, AVISO N.º 02/C05-i01/2022 – “Agenda para a transformação digital das cadeias de valor florestais numa economia portuguesa mais resiliente e hipocarbónica” https://transform.forestwise.pt/. A sobrevivência à plantação de medronheiro em condições de stresse hídrico: simulação em viveiro 1: IPC/ESAC, Coimbra; 2: Centro de Ecologia Funcional, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra; 3: CERNAS / IPC, Coimbra O medronheiro (Arbutus unedo L.) é uma espécie autóctone reconhecida pela sua resiliência aos incêndios rurais, particularidade que a torna relevante em programas de florestação e reflorestação, sendo frequentemente utilizada em faixas de proteção na interface floresta-aldeia e em zonas industriais. A espécie apresenta boa adaptação a solos degradados, contribuindo para a sua recuperação e, simultaneamente, para o aumento do rendimento dos proprietários florestais através da produção de fruto. No contexto das alterações climáticas, o período de plantação tende a tornar-se progressivamente mais curto e incerto. O presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito das micorrizas, da utilização de agentes retentores de água e do respetivo modo de aplicação na sobrevivência de plantas de medronheiro sob condições de stresse hídrico simuladas em estufa (sem rega e sem rede de sombra), bem como o potencial de transferência dos resultados para condições de campo. Foram utilizadas plantas micropropagadas provenientes do mesmo clone, de forma a reduzir o efeito da variabilidade genética na resposta aos tratamentos. As plantas foram instaladas em vasos de 2,8 L, utilizando um substrato de textura grosseira e baixo teor de matéria orgânica. Testaram-se duas condições hídricas: substrato húmido (simulando ocorrência de precipitação) e substrato à capacidade de campo (simulando uma rega de 2 L/planta). Os agentes retentores de água foram aplicados na forma seca (2 g/planta) ou pré-hidratados (2 g/300 mL). Avaliou-se ainda a adição de fertilizante, a prévia imersão do torrão da planta numa suspensão de esporos de Pisolithus arhizus e a aplicação de uma mistura de algas e vitaminas. No total, foram utilizadas 225 plantas distribuídas em três blocos completos casualizados, cada um com 15 tratamentos compostos por cinco plantas distribuídas aleatoriamente. Os melhores resultados de sobrevivência (80%, após 98 dias sob stresse hídrico, sem rega nem cobertura) foram obtidos no tratamento que combinou substrato à capacidade de campo, aplicação do agente retentor de água na forma seca e prévia imersão do torrão numa suspensão de esporos de Pisolithus arhizus. Os resultados sugerem que a antecipação da plantação no outono, após a ocorrência das primeiras chuvas, associada à prévia imersão do torrão em suspensão de esporos de Pisolithus arhizus, à aplicação de agente retentor de água na forma seca (2 g/planta, operacionalmente mais simples e de menor custo) e à realização de uma rega de aproximadamente 2 L/planta, poderá aumentar o sucesso da instalação das plantas. Este tratamento permitiu obter 80% de sobrevivência após 98 dias sob stresse hídrico. Melhoramento do medronheiro: resultados de ensaios de progénies 1: IPC/ESAC, Coimbra; 2: CERNAS, Coimbra; 3: Altri Florestal, S.A, Olho Marinho; 4: The Navigator Company, Herdade de Espirra; 5: CCDRC, Castelo Branco; 6: GreenClon Lda, Cantanhede O medronheiro (Arbutus unedo L.) é uma espécie autóctone, com vasta distribuição de norte a sul do país. Apresenta elevada plasticidade, com adaptação a diferentes tipos de solo e rocha-mãe. A sua resiliência aos incêndios florestais e crescente valor económico justificam o seu uso frequentemente em sistemas multifuncionais, incluindo faixas de proteção de áreas florestais, rede viária, aldeias e zonas industriais. O programa de melhoramento desta espécie é ainda muito recente, particularmente quando comparado com outras espécies fruteiras. Plantas adultas foram selecionadas com base na produção e qualidade do fruto e posteriormente multiplicadas por micropropagação. Foram instalados ensaios de campo em diferentes condições ambientais para avaliação dos genótipos (Projeto ProDeR). Partindo dos resultados obtidos em campo e na prospeção de acessos, foi instalado na ESAC um pomar produtor de semente de 1.ª geração, constituído por 50 genótipos, certificado pelo ICNF (categoria de “qualificado”, código ARBUQ001) e registado na plataforma GRIN-Global, com os códigos PRT 674 a PRT 724 através do Projeto PDR2020-784-042742. Foram igualmente instaladas áreas de reserva ex situ para assegurar a conservação dos recursos genéticos (PDR2020, Transform), garantindo a sua disponibilidade para futura integração no programa de melhoramento, como resposta a fatores bióticos, abióticos e económicos. Com plantas obtidas a partir de semente de 1ª geração, têm vindo a ser instalados ensaios de progénies/famílias (2022 e 2024; PDR2020, Transform), em diferentes condições ambientais (blocos completos casualizados), com o objetivo de selecionar os melhores indivíduos dentro das melhores famílias, visando a constituição do pomar de 2.ª geração. Na avaliação das arvores progenitoras/famílias, numa fase precoce, a taxa de sobrevivência evidencia a resiliência e apresenta também um interesse do ponto de vista económico. Os parâmetros observados incluíram a taxa de sobrevivência e o acréscimo em altura. No ensaio instalado em 2022 foi também avaliada a densidade foliar e a florescência. A taxa média de sobrevivência apresentou elevada variação entre locais (36,9% em Penamacor, 61,6% na Bogalheira, 69,9% em Vale Formoso, 77,3% no Furadouro e 90,3% em Machio). O resultado observado em Penamacor poderá estar associado à data tardia de plantação e ao tipo de adubo utilizado (14:12:9). Para cada local e para os parâmetros estudados, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as progénies, não existindo, nesta fase, base para inferir variância genética relevante. Os valores positivos da Aptidão Geral à Combinação constituem um indicador de tendência evidenciada pelas progénies/famílias; contudo, na ausência de diferenças genéticas significativas, sugere-se a necessidade de avaliações em fases mais avançadas do ciclo vegetativo, particularmente no que respeita à produção e qualidade do fruto. Agradecimentos - Financiamento através dos projetos Transform, PRR, Portar. nº43-A/2022, AVISO N.º 02/C05-i01/2022 PDR2020 Ref. 784-042742 – Recursos Genéticos ProDeR medida 4.1, Cooperação para a Inovação, Ref. 53106 CERNAS financiado por fundos nacionais através da FCT I.P., Ref UID/00681/2025, DOI https://doi.org/10.54499/UID/00681/2025 Mel e Apicultura - Produtos Indiretos com Fileira Estabelecida 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, INIAV, Oeiras; 2: Centro de Investigação e de Tecnologia Agro-Ambientais e Biológicas, CITAB, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real; 3: Centro de Estudos Florestais, CEF, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa; 4: Federação Nacional dos Apicultores de Portugal, FNAP No contexto dos Produtos Florestais Não Lenhosos (PFNL), a apicultura assume-se como uma atividade estratégica pela sua ligação funcional aos ecossistemas florestais, e pela valorização económica dos territórios rurais. A produção de mel e outros produtos apícolas contribui para a sustentabilidade das áreas florestais e para a fixação de populações em regiões de baixa densidade. Esta comunicação pretende refletir sobre as interações entre recursos florestais, produção apícola e gestão territorial, discutindo os principais fatores ecológicos, silvícolas e socioeconómicos que influenciam a sustentabilidade e competitividade da atividade em Portugal. A diversidade florística proporcionada por espécies florestais nos estratos arbóreos, como o eucalipto, o castanheiro, o sobreiro, e arbustivos e herbáceos, como a urze, o tomilho e o rosmaninho constitui um fator determinante para a produtividade apícola e para a qualidade diferenciada do mel português. Neste contexto, a otimização do produto apícola depende da implementação de modelos silvícolas que promovam habitats favoráveis às abelhas, assegurando a continuidade da floração, a diversidade de recursos nectaríferos e poliníferos e a conectividade ecológica das áreas florestais. As prescrições culturais eficientes assumem, assim, um papel central na compatibilização entre produção florestal e atividade apícola. Práticas como a gestão do sobcoberto, a manutenção de mosaicos paisagísticos, a redução do uso de pesticidas e a calendarização adequada das operações silvícolas, podem potenciar simultaneamente a produtividade florestal e o rendimento apícola. Contudo, persistem incompatibilidades e tradeoffs entre a apicultura e outros PFNL, nomeadamente em sistemas de uso múltiplo do território, onde atividades como, a produção de biomassa, a pastorícia ou a recolha intensiva de recursos naturais podem comprometer a disponibilidade alimentar das colónias ou aumentar fatores de perturbação ambiental. O mercado nacional de mel apresenta crescente valorização, impulsionada pela procura de produtos naturais, diferenciados e de origem certificada. Apesar deste potencial, o setor enfrenta limitações relacionadas com a fragmentação da produção, a concorrência de mel importado a baixo custo, as dificuldades de certificação e comercialização e a vulnerabilidade das colónias a doenças, alterações climáticas e incêndios rurais. Perante este cenário, os desafios estratégicos da apicultura portuguesa passam pela promoção de políticas integradas de gestão florestal sustentável, reforço da investigação aplicada, valorização das cadeias curtas de comercialização e capacitação técnica dos apicultores. A integração da apicultura nos instrumentos de ordenamento e gestão florestal poderá constituir uma oportunidade relevante para aumentar a resiliência dos ecossistemas, promover serviços de ecossistema e reforçar a competitividade do setor no contexto da bioeconomia e da transição ecológica. Boas práticas na instalação de medronheiro: influência do solo, preparação do terreno e mitigação da seca na sobrevivência das plantas 1: IPC/ESAC, Coimbra; 2: CERNAS /IPC, Coimbra; 3: CIM|RC, Comunidade Intermunicipal, Coimbra; 4: C. Municipal da Pampilhosa da Serra O medronheiro (Arbutus unedo L.) apresenta elevada plasticidade ecológica, incluindo tolerância a solos delgados, pedregosos, frequentemente ácidos e pobres em nutrientes, sendo uma espécie mediterrânica com interesse no âmbito dos produtos florestais não lenhosos. É utilizado na recuperação de áreas degradadas, contribuindo para a proteção do solo contra a erosão e em faixas de gestão de combustível, associadas à proteção contra incêndios rurais devido à sua capacidade de regeneração vegetativa. Face à crescente irregularidade da precipitação, caracterizada por episódios de chuva intensa e períodos prolongados de seca, torna-se fundamental adotar boas práticas na instalação de espécies florestais, de modo a reduzir o risco de erosão, conservar água no solo, proteger os recursos hídricos e aumentar o sucesso da plantação. Nos ensaios já instalados foram identificadas várias causas de insucesso, destacando-se solos de textura pesada, encharcamento prolongado sem drenagem adequada e épocas de plantação desadequadas. Serão igualmente apresentados os resultados de sobrevivência de um ensaio instalado na Pampilhosa da Serra em 06/02/2025, destinado a avaliar o efeito de diferentes tratamentos na resiliência ao défice hídrico, comparativamente ao controlo, utilizando um delineamento experimental em blocos completos casualizados (5 plantas/tratamento x 4 blocos). O ano experimental foi caracterizado por uma primavera húmida, com precipitação até ao final de abril, favorecendo o crescimento da parte aérea, particularmente nos tratamentos com adubação, seguida de um período seco prolongado com temperaturas elevadas, agravado pela ocorrência de incêndios na região. Os resultados demonstraram que: 1) a aplicação de mulch (biomassa) promoveu consistentemente a sobrevivência; 2) o pior resultado (45%; P<0,05) ocorreu no tratamento com adubação sem a aplicação de mulch (adubo de libertação controlada aplicado ao fundo da cova - 9:20:8 +14CaO+3MgO+0,1B; 30g/planta, complementado com superfosfato 18%,140 g/planta aplicado a 20 cm da planta); 3) os tratamentos com a mesma fertilização associada a mulch ou mulch + hidroretentor apresentaram sobrevivências de 55% e 70%, respetivamente. Embora a fertilização tenha promovido maior desenvolvimento foliar, poderá ter limitado o desenvolvimento radicular, reduzindo a tolerância ao défice hídrico. Os melhores resultados (100±0%; P<0,05) foram observados em tratamentos com aplicação de mulch na caldeira e combinado com: i) imersão prévia das plantas numa suspensão de esporos de Pisolithus arhizus; ou ii) aplicação de agente retentor de água (2 g/planta) associada à colocação de uma unidade comercial de micorrizas/Mycoshell (endomicorrizas) no fundo da cova. Os resultados obtidos evidenciam a importância de práticas que promovam o desenvolvimento radicular e o estabelecimento de associações simbióticas, aumentando a resiliência das plantas ao stress hídrico. Agradecimentos - Financiamento através dos projetos CARB2SOIL, PRR-C05-i03-I-000030-LA3.1, Aviso: 03/c05-i03/2021 CERNAS financiado por fundos nacionais através da FCT I.P., Ref UID/00681/2025, DOI https://doi.org/10.54499/UID/00681/2025. Rastreabilidade e certificação como instrumentos de valorização da resina natural de pinheiro-bravo no contexto da bioeconomia ForestWISE, Portugal A valorização dos produtos florestais não lenhosos constitui um dos desafios da bioeconomia florestal, exigindo modelos capazes de garantir a origem da matéria-prima, promover práticas de gestão sustentável e reforçar a confiança dos mercados. No caso da resina natural de pinheiro-bravo (Pinus pinaster), a inexistência de mecanismos harmonizados de diferenciação e rastreabilidade limita a valorização económica do produto e dificulta o reconhecimento do seu contributo para uma economia de base biológica. No âmbito do Projeto Integrado RN21 foi desenvolvido um modelo de valorização da resina natural assente na articulação entre certificação florestal, cadeia de custódia e rastreabilidade digital, materializado através da marca Resinae® – Pinaster Natural Resin. O objetivo consiste em assegurar a identificação inequívoca da origem da matéria-prima, promover a transparência ao longo da cadeia de valor e criar condições para diferenciar a resina natural produzida na Europa. O modelo estabelece critérios técnicos aplicáveis a todos os operadores da cadeia, desde a extração da resina até à transformação industrial e incorporação em produtos finais. Estes requisitos incluem a utilização de matéria-prima proveniente de florestas geridas de forma sustentável e certificadas segundo referenciais internacionalmente reconhecidos, bem como a certificação da cadeia de custódia das entidades envolvidas, garantindo elevados padrões ambientais, sociais e de governação. Como complemento ao processo de certificação, foi desenvolvido um sistema digital de rastreabilidade que permite acompanhar cada lote de produção ao longo da cadeia de valor. Através de identificadores únicos é possível registar a proveniência da resina, os operadores intervenientes, as certificações associadas e as diferentes etapas de transformação, assegurando transparência e verificabilidade da informação. O desenvolvimento do modelo resultou de uma abordagem colaborativa envolvendo produtores, indústria transformadora, entidades certificadoras e centros de investigação de Portugal e Espanha, promovendo uma visão integrada da fileira da resina. Como validação da implementação do sistema foi desenvolvida uma prova de conceito no setor do calçado e do textil destinada a validar a integração dos derivados da resina natural em produtos de elevado valor acrescentado. O modelo desenvolvido demonstra que a integração entre certificação florestal, cadeia de custódia e rastreabilidade digital constitui um instrumento eficaz para aumentar a diferenciação e a competitividade da resina natural de pinheiro-bravo. A sua aplicação poderá contribuir para reforçar a gestão ativa dos povoamentos, promover a bioeconomia e criar novas oportunidades de valorização dos produtos florestais não lenhosos, constituindo uma abordagem potencialmente replicável a outras fileiras florestais. |
| 12:00a13:30 | Simpósio 1 - Presente e futuro dos Sistemas de Apoio à Decisão na gestão florestal: integração dos serviços de ecossistema Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Jose Borges Moderação/coordenação de sessão: Fernando Pérez-Rodriguez |
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Serviços de Ecossistema e Sistemas de Apoio à Decisão na Gestão Florestal: uma revisão do estado da arte e perspetivas futuras 1: Instituto Superior de Agronomia, Portugal; 2: University of Ljubljana, Slovenia; 3: Techical University in Zvolen, Slovakia; 4: University of Aveiro, Portugal; 5: University of Tirana, Albania; 6: ETH Zurich, Switzerland; 7: Faculty of Sciences, University of Porto, Portugal; 8: National Institute for Research and Development in Forestry "Marin Drăcea", Romania; 9: Instanbul University, Turkey; 10: Martin-Luther Universitat, Germany; 11: Warsaw University of Life Sciences, Poland; 12: Karadeniz Tecnhical University, Turkey; 13: Fora, Campus Universitario Duques de Soria, Spain; 14: Biosens Institut, Serbia A crescente complexidade dos desafios associados à gestão florestal sustentável exige abordagens capazes de integrar múltiplos objetivos, interesses e escalas espaciais e temporais. Neste contexto, os Sistemas de Apoio à Decisão assumem um papel fundamental na avaliação de alternativas de gestão, promovendo decisões mais transparentes, robustas e alinhadas com os princípios da sustentabilidade. Paralelamente, o reconhecimento dos serviços de ecossistema como elementos centrais da multifuncionalidade das florestas tem impulsionado o desenvolvimento de metodologias que permitam a sua quantificação, valorização e integração nos processos de planeamento e decisão. Este trabalho apresenta uma revisão sistemática da literatura científica sobre a integração dos serviços de ecossistema em Sistemas de Apoio à Decisão aplicados à gestão florestal. São analisados os principais tipos de serviços bem como as metodologias utilizadas para a sua avaliação. Adicionalmente, procede-se à identificação e caracterização das técnicas de tomada de decisão mais frequentemente empregues em diferentes casos de estudo, incluindo métodos multicritério, abordagens participativas, otimização matemática, análise espacial e técnicas híbridas. A revisão evidencia uma tendência crescente para a integração de múltiplos serviços de ecossistema nos processos de decisão, recorrendo a ferramentas que conciliam objetivos económicos, ambientais e sociais. Contudo, persistem desafios relacionados com a disponibilidade e qualidade dos dados, a representação das incertezas, a consideração de impactos de longo prazo e a efetiva participação das diferentes partes interessadas. Os resultados permitem identificar tendências emergentes, lacunas de conhecimento e oportunidades de investigação futura, contribuindo para o desenvolvimento de Sistemas de Apoio à Decisão mais eficazes na promoção da gestão florestal sustentável e resiliente face às alterações globais. O trabalho enquadra-se nos objetivos do Simpósio 1 – Presente e futuro dos Sistemas de Apoio à Decisão na gestão florestal: integração dos serviços de ecossistema, fornecendo uma visão abrangente sobre o estado atual da investigação e os caminhos para a sua evolução. Enhancing the climate resilience and establishment of Mediterranean forest stands: The TERRASAFE.PT case study 1: CESAM, Departamento de Ambiente e Ordenamento, Universidade de Aveiro, Portugal; 2: Geobiotech- Departamento de Geobiociências, Geoengenharia e Geotecnologias, Universidade de Aveiro, Portugal; 3: GOVCOPP - Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo, Universidade de Aveiro, Portugal Climate change, desertification and recurrent droughts pose severe threats to Mediterranean forest ecosystems, limiting post-planting survival and long-term stand productivity. Under the TERRASAFE.PT project, innovative management solutions are being deployed to improve forest resilience and promote tree establishment in the semi-arid, desertification-prone region of Castelo Branco, Portugal. Field trials were installed in two contrasting forest systems: a Pinus pinaster (pine) plantation and a Quercus suber (cork oak) grove. Within each system, the efficacy of two soil-conditioning solutions, biochar and agrobiogel, is evaluated against tree performance. The experimental layout consists of plots containing 90 trees each, divided equally into three distinct cohorts: 30 trees treated with biochar, 30 with agrobiogel, and 30 untreated controls. Forest monitoring is conducted monthly during the initial six months post-planting, shifting to quarterly assessments in the following years. Key monitored parameters include plant vegetative growth, mortality rates, and soil moisture dynamics within the root zone. Preliminary laboratory assays indicated that these integrated soil treatments significantly boost water retention capacity. This suggests a high potential to mitigate summer drought stress in young forest stands. The ongoing field monitoring will deliver critical data on tree physiological performance under real-world environmental pressures, providing a scalable model for climate-smart forest restoration and sustainable silviculture. Co-criação de paisagens resilientes e oferta de serviços de ecossistema. O Living Lab de Vale do Sousa 1: Instituto Superior de Agronomia, Portugal; 2: Católica Porto Business School, Portugal Com início em 2002 e com recurso ao financiamento de vários projetos ao longo de 24 anos desenvolveu-se uma iniciativa de colaboração entre o Instituto Superior de Agronomia (ISA) e a Associação Florestal de Vale do Sousa (AFVS) de criação de Living Lab na paisagem florestal de Vale do Sousa no Noroeste de Portugal e com cerca de 28 940 ha. Esta comunicação descreve esta iniciativa que envolveu a implementação de cinco inventários florestais (o mais recente em curso) e voo LiDAR bem como de questionários, entrevistas, Focus groups e workshops junto de partes interessadas por forma a caracterizar os contextos ecológico e socioeconómico do Vale do Sousa e a co-criar com estas partes interessadas - proprietários florestais privados não industriais, indústria florestal, fundos de investimento, ONGs, administração pública florestal e de conservação da natureza, câmaras municipais, proteção civil, bombeiros, empresas de prestação de serviços florestais - mosaicos paisagísticos mais resilientes. A eficácia da solução do problema de planeamento de gestão para oferta de um leque alargado de serviços de ecossistema em Vale do Sousa requer uma abordagem inovadora a nível da paisagem que envolva as partes interessadas e a AFVS é responsável pelo desenvolvimento e implementação do Plano de Gestão Florestal em Zonas de Intervenção Florestal no Living Lab. Esta comunicação faz uma síntese da inovação desenvolvida em colaboração com partes interessdas em planeamento da gestão florestal, instrumentos de apoio à decisão e oferta de serviços de ecossistema. O papel das abordagens participativas na melhoria da tomada de decisão no setor florestal: a experiência do CoLAB ForestWISE Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo - CoLAB ForestWISE Alinhada com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, que preconiza uma tomada de decisão, a todos os níveis, responsável, inclusiva, participativa e representativa, esta comunicação apresenta uma reflexão sobre o contributo das abordagens participativas para a melhoria da tomada de decisão no setor da floresta e dos fogos rurais, com base na experiência desenvolvida pelo CoLAB ForestWISE. Ao longo das últimas décadas, a integração das perceções sociais e das visões dos diversos atores sobre o território e do conhecimento baseado na prática tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante na esfera pública e política. Esta evolução reflete o reconhecimento da crescente importância da integração destes saberes nos processos de tomada de decisão e na formulação de políticas públicas. Neste contexto, a participação pública e o envolvimento dos diversos atores, através de diferentes metodologias e formatos, afirmaram-se não apenas como um direito democrático, mas também como uma resposta às limitações dos modelos de decisão centralizados. As abordagens participativas passaram, assim, a constituir mecanismos promotores de diálogo, aprendizagem mútua e construção de consensos entre diferentes setores, disciplinas e comunidades. Por outro lado, organizações públicas e privadas têm vindo a reconhecer que projetos e políticas com incorporam processos participativos tendem a alcançar melhores resultados quando comparados com processos de decisão centralizados e institucionais. Esta evidência traduz-se numa maior legitimidade e adesão às decisões tomadas, num reforço da coresponsabilização dos atores na sua implementação e avaliação, bem como no fortalecimento das capacidades dos diversos atores para liderarem projetos inovadores e adequados aos seus contextos e especificidades territoriais. Contudo, são ainda limitados os estudos que avaliam de forma sistemática os resultados e o impacto das abordagens participativas na gestão sustentável dos recursos naturais, evidenciando os seus benefícios, constrangimentos, desafios e fatores de (in)sucesso de forma a evidenciar o potencial destas abordagens para o futuro. Nos últimos anos, o CoLAB ForestWISE, enquanto laboratório colaborativo, tem-se afirmado como uma entidade de interface, promotora de pontes e colaborações para a melhoria da gestão integrada da floresta e do fogo, contando com todos os parceiros e atores do setor. Neste contexto, tem desenvolvido experiência no âmbito do desenvolvimento e operacionalização de abordagens participativas que promovem co-desenho de políticas e soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável da floresta e ao, mesmo tempo, potenciam comunidades mais responsáveis, ativas e informadas na gestão e valorização do território. Esta comunicação apresenta uma análise e reflexão crítica sobre diferentes iniciativas desenvolvidas pelo CoLAB ForestWISE no âmbito das políticas públicas para o setor florestal e da revitalização do território, assentes no desenho e operacionalização de abordagens participativas. Os resultados desta análise salientam fatores-chave a ter em conta no envolvimento dos atores na (co)decisão. Destacam-se i) o reforço da comunicação e confiança entre múltiplos atores; ii) a garantia de equidade no processo, com recurso a metodologias que favoreçam a inclusão e participação efetiva na decisão; e iii) o desenho adequado dos processos participativos, com adequada representação de atores com interesse e influência na implementação das decisões. Förecast – Integración de sensores remotos e inteligencia artificial para Inventarios forestales 1: fora forest technologies sll, Spain; 2: Instituto Universitario de Investigación Gestión Forestal Sostenible iuFOR La gestión forestal sostenible requiere información actualizada y precisa sobre el estado y evolución de los bosques. Los inventarios forestales continuos (IFC) son clave, pero tradicionalmente adolecen de incertidumbre espacial y temporal. Förecast 3.0, plataforma web operativa desde 2019 (TRL9), integra LiDAR, imágenes Sentinel-2 y modelos de inteligencia artificial para ofrecer IFC en tiempo real, con una filosofía clara: poner a disposición de gestores y técnicos un gran volumen de información y metodologías complejas de manera sencilla, para que puedan utilizarlas directamente en su toma de decisiones, sin necesidad de ser expertos en sensores remotos. La herramienta responde a tres preguntas fundamentales: qué especies hay (identificación mediante CNN, ResNet y LSTM, en prototipado), cuántas existencias (biomasa, volumen, carbono, etc.) y cuándo se producen cambios (detección mensual de perturbaciones). El cálculo de existencias emplea el enfoque basado en área (ABA) y procesa masivamente nubes de puntos LiDAR (hasta 9 Tb de datos). La detección de cambios utiliza mosaicos mensuales libres de nubes y neblinas de Sentinel-2, con superresolución a 10 m, y clasifica las cortas en siete niveles de probabilidad. Los resultados se descargan en formatos SIG estándar. En un ejemplo sobre 2600 ha, la plataforma completó el inventario en menos de 3 horas, generando cartografía continua de más de 20 variables dasométricas (densidad, área basimétrica, altura dominante, volumen, biomasa, carbono, carga de combustible, etc.). La identificación de especies alcanzó una exactitud del 93% en validación (cinco clases). La integración de los módulos permite actualizar automáticamente las estimaciones de existencias tras detectar perturbaciones, gracias al cruce de polígonos de corta con el inventario LiDAR. Förecast 3.0 constituye un sistema de apoyo a la decisión que facilita la planificación forestal, la estimación de servicios ecosistémicos (secuestro de carbono, producción de madera, regulación hídrica indirecta) y la adaptación al cambio climático. Sus principales retos futuros incluyen mejorar la predicción de densidades en masas irregulares o mixtas, detectar cambios sutiles (plagas, claras ligeras) y generalizar la clasificación de especies. Su capacidad para operar en cualquier punto de España (y ya en México) y para trabajar con o sin datos de campo la convierte en una herramienta única para la gestión forestal operativa y basada en evidencia científica. Biöpatch – Integración de conectividad, fragmentación y biodiversidad en la toma de decisiones 1: fora forest technologies sll, Spain; 2: Instituto Universitario de Investigación Gestión Forestal Sostenible iuFOR La pérdida de biodiversidad y la fragmentación de hábitats son desafíos clave para la conservación forestal. Aunque existen marcos normativos (Directiva Hábitats, Estrategia UE 2030), los gestores forestales carecen a menudo de herramientas accesibles que integren análisis de conectividad y biodiversidad. Biöpatch es una aplicación web diseñada para profesionales del sector que combina, en un visor interactivo, el análisis de conectividad estructural y funcional, la evaluación de la biodiversidad y el cálculo del Índice de Biodiversidad Potencial (IBP). La herramienta cuenta con seis módulos: mapas base, capa de trabajo filtrable, adición de polígonos para simular escenarios, conectividad estructural, conectividad funcional y biodiversidad. Para la conectividad estructural calcula métricas como el Índice de Fragmentación (F), Tamaño Medio de Parche (MPS), Distancia Media al Vecino (MNN), Densidad de Borde (ED), Índice Integral de Conectividad (IIC) y Densidad de Área Forestal (FAD). Para la conectividad funcional emplea distancia entre centroides y rutas por resistencia, calculando la Probabilidad de Conectividad (PC), el Área Conexa Equivalente (ECA) y los índices delta (dPC), además de corredores óptimos para cinco grupos de especies. El módulo de biodiversidad evalúa el estado de conservación según la Directiva Hábitats y calcula el IBP, que cuantifica el potencial de una masa forestal para albergar biodiversidad en función de sus características estructurales. Los resultados permiten identificar áreas fragmentadas, zonas prioritarias para la mejora y corredores ecológicos clave. La simulación de escenarios en tiempo real facilita la comparación de alternativas de gestión. La integración de conectividad, biodiversidad e IBP proporciona una base objetiva para la toma de decisiones, con implicaciones directas en la provisión de servicios ecosistémicos: aumenta la resiliencia frente al cambio climático, favorece la conservación de especies, mejora la regulación hídrica y del suelo, y potencia servicios culturales y recreativos. Biöpatch se posiciona como un sistema de apoyo a la decisión accesible, riguroso y operativo, que traslada análisis complejos a un entorno web fácil de usar, permitiendo descargar los resultados en formatos SIG estándar. Su capacidad para evaluar escenarios de mejora y cuantificar su contribución a los servicios ecosistémicos la convierte en una herramienta clave para la gestión forestal sostenible del futuro. |
| 13:30a14:30 | Almoço Localização: Átrio ESAC |
| 14:30a15:30 | Sessão Plenária 3: Felipe Bravo Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Maria Emília Silva |
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Sustainable forest management and climate change: from (on the way, more or less) mitigation to (absent) adaptation. But, adapting what: forest or management? Instituto Universitario de Gestión Forestal Sostenible, Universidad de Valladolid, Espanha In recent decades, there has been extensive debate among scientists and forest managers regarding the impacts of climate change and how the forestry sector should respond. Two points have garnered a certain degree of consensus: (i) forests play a necessary role as a nature-based solution for climate change mitigation, and (ii) adaptation to the new climate scenario is necessary. Until now, mitigation through forest management has been the focus of the debate, and certain successes have been observed, such as the quantification of CO₂ sequestered in forests (carbon credits) and the identification and reduction, to the extent possible, of risks associated with climate change. However, adaptation to climate change has been largely absent from the debate to the point where we must ask whether it is possible to adapt forests themselves or whether it is our silvicultural methods that need to be adapted. This presentation will review the role of forest management in mitigating climate change and will explore various alternatives, some of which have already been tested, for adapting both ecosystems and forest management to the changing and uncertain reality of climate change. The need for well-established data, information, and knowledge that should be openly available will be discussed as an indispensable source for making decisions based on the best available scientific knowledge, so that these decisions are acceptable to society, scientifically sound, and economically viable. |
| 15:30a17:00 | Simpósio 17c - Governança florestal e gestão do território em diferentes contextos: abordagens comparativas para o desenvolvimento sustentável Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Tamiel Khan Baiocchi Jacobson Moderação/coordenação de sessão: Fabrício Alvim Carvalho Moderação/coordenação de sessão: João C. Azevedo |
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Uso sustentável de florestas – gestão florestal reconhecendo direitos 1: CEGAFI-UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, Brazil; 2: UNIVERSIDADE DE BRASILIA- UnB; 3: INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA- INCRA A regularização fundiária de terrenos públicos na Amazónia Legal é tema central no panorama jurídico e político brasileiro e constitui um desafio complexo na gestão florestal. Na Amazónia Legal, o debate fundiário evidencia conflitos entre a função social da propriedade, a ocupação em terrenos públicos e as políticas públicas de titulação, num contexto marcado por grilagem, ocupações tradicionais, desflorestação e disputas territoriais. Uma gestão florestal ineficiente não combate a desflorestação e gera conflitos possessórios, ao passo que a titulação pode funcionar como instrumento de ordenamento e responsabilização ambiental, sobretudo se preservados os direitos das comunidades locais. Do envolvimento à ação: processos participativos como ferramenta na implementação de intervenções florestais no projeto RESIST CoLAB ForestWISE, Portugal Apesar do reconhecimento generalizado da importância do envolvimento dos diversos agentes na tomada de decisão na gestão florestal, persistem desafios na tradução deste envolvimento em intervenções concretas no território. No contexto de territórios marcados pelo despovoamento e envelhecimento da população, pela fragmentação fundiária e reduzida dimensão da propriedade e pela baixa gestão ativa, a participação dos diversos intervenientes assume um papel potencialmente crítico, mas cuja operacionalização tem estado aquém de um verdadeiro envolvimento e compromisso com o território. Este trabalho analisa o papel dos processos participativos enquanto promotores de uma maior adesão às Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP) e Condomínios de Aldeia (CA), implementados na Região de Coimbra, no âmbito do projeto RESIST - Regions for climate change resilience through Innovation, Science and Technology. A abordagem metodológica adotada combina coordenação institucional, planeamento técnico e envolvimento ativo das comunidades, estruturando-se em cinco componentes: estrutura de governação e envolvimento; avaliação do risco de incêndio e planeamento técnico; transformação da paisagem; valorização da biomassa e modelos de negócio sustentáveis e desenvolvimento económico. O processo participativo foi adaptado a cada contexto territorial e incluiu reuniões e visitas técnicas, workshops, ações de sensibilização, visitas de campo e focus group. Para além dos objetivos de sensibilização das comunidades e promoção de um compromisso local com a transformação da paisagem, as técnicas participativas utilizadas foram orientadas para responder a constrangimentos concretos da gestão florestal, nomeadamente a identificação de proprietários, a fragmentação da propriedade, a falta de confiança nas entidades e políticas públicas e a reduzida adesão a iniciativas no contexto da gestão agrupada. A implementação do projeto RESIST em Portugal inclui cerca de 15 casos de estudo distribuídos pela Região Metropolitana de Coimbra, financiando a intervenção em aproximadamente 10 ha em cada caso de estudo. O CoLAB ForestWISE esteve envolvido no desenho e implementação da abordagem participativa em 12 casos de estudo. Os resultados evidenciam que os processos participativos desempenham um papel determinante na viabilização das ações no terreno, permitindo mobilizar mais de 20 entidades e assegurar níveis significativos de envolvimento local. Este processo facilitou a implementação de intervenções em cerca de 110 ha, incluindo controlo de espécies exóticas, redução de densidades, reconversão do uso do solo e introdução de espécies autóctones, contribuindo para a criação de paisagens mais diversificadas e resilientes ao fogo. Os processos participativos revelaram-se fundamentais para superar bloqueios estruturais à gestão do território, promovendo confiança, corresponsabilização e alinhamento entre objetivos técnicos e expectativas locais. O financiamento da primeira intervenção foi fundamental para a adesão, persistindo a preocupação face à continuidade das intervenções, sobretudo ao nível da sustentabilidade económica, da manutenção das operações a longo prazo, e da confiança e mobilização dos proprietários. Conclui-se que a eficácia dos processos participativos dependeu da resposta a problemas concretos e empenho de facilitadores locais, assegurando uma governança à escala local essencial para operacionalizar políticas públicas e reduzir o risco de incêndio. O Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica como ferramenta de governança florestal e desenvolvimento territorial sustentável no Brasil Universidade Federal de Juiz de Fora, Brazil A Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do Brasil. Por isso, é o único bioma com legislação específica, a “Lei da Mata Atlântica” (Lei Federal nº 11.428/2006), que institui critérios rigorosos para a sua proteção, conservação e uso sustentável. O Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA) é um destes mecanismos. Obrigatório para todos os municípios no bioma Mata Atlântica. Onde devem constar as ações e áreas prioritárias para a conservação, manejo, fiscalização e recuperação da vegetação nativa e da biodiversidade, baseando-se no mapeamento da vegetação e participação da sociedade. A implantação de um PMMA passa obrigatoriamente por três etapas: (1) elaboração do diagnóstico técnico-científico, (2) aprovação do diagnóstico em Conselho de Meio Ambiente, e (3) implementação. Neste trabalho apresentamos o exemplo de caso do PMMA da cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Cujo diagnóstico técnico-científico (etapa 2) foi elaborado pelos autores deste trabalho, em um convênio firmado com a Prefeitura (2022-2023). Apresentamos alguns dos seus principais produtos e ganhos para o município. A compilação de dados da flora resultou na excepcional riqueza de 2243 espécies, das quais 59 ameaçadas de extinção. A partir das análises SWOT (Força, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) foram definidos os principais vetores de pressão nas florestas do município: especulação imobiliária, mineração, falta de fiscalização, invasão de terras públicas, incêndios e espécies exóticas. Estes parâmetros foram usados para a produção de mapas de priorização das áreas de conservação e restauração, validando áreas previamente definidas no último Plano Diretor do município (2018), sugerindo a formação de dois corredores florestais em áreas de pressão imobiliária, e a proposição de novas unidades de conservação em áreas periurbanas (rurais). No âmbito da governança, foi apresentada uma ampla revisão da legislação federal e estadual, e com análise da estrutura executiva e da legislação municipal, Planos e Programas existentes aderentes aos ODS da Agenda 2030 da ONU. Foram apresentadas sugestões de aprimoramento das políticas ambientais municipais vigentes, e de criação de novas políticas de descarbonização e mudanças climáticas com base em programas mundiais de cidades sustentáveis. O diagnóstico técnico-científico do PMMA possibilitou à cidade receber o selo de “cidade árvore” no programa “Tree Cities of the World” da ONU. Fragmentação cadastral como limitador da gestão de florestas e terras públicas no Brasil 1: CEGAFI UnB, Brazil; 2: Universidade de Brasília A fragmentação cadastral e a consequente insegurança jurídica na Amazônia Legal condicionam a governança territorial e gestão florestal em um contexto de forte complexidade fundiária, extensas áreas públicas e intensificação de conflitos em torno do uso e da ocupação das florestas. Experiências acumuladas em projetos de cooperação entre o Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar (CEGAFI/UnB) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), como GOVFUN-BR, Mais Amazônia e GOVFUN+AMAZÔNIA, evidenciaram limites estruturais na articulação entre sistemas de informação territorial, com recorrência de sobreposições, lacunas cadastrais e inconsistências entre registros literais e espaciais. A falta de integração entre o Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR) e o Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF) compromete a produção de informação territorial coerente, dificulta a distinção entre terras públicas e privadas e amplia a margem para múltiplas interpretações sobre limites e direitos, afetando diretamente órgãos fundiários e ambientais, sistemas de justiça, gestores públicos e comunidades que dependem da terra e da floresta. Nesse contexto, esta pesquisa analisa de que forma a fragmentação e as sobreposições entre as informações literais e espaciais do SNCR, do SIGEF e do SICAR condicionam a gestão territorial e Florestal na Amazônia Legal. Com abordagem qualitativa e documental, voltada à análise de concepções institucionais e instrumentos de governança territorial. Parte-se do levantamento de legislação, atos normativos, manuais, relatórios técnicos, modelos de dados e documentos institucionais relativos ao SNCR e ao SIGEF, com ênfase em materiais produzidos por INCRA, SFB, MMA, MDA, IBGE e CEGAI/UnB. Examinadas as finalidades institucionais, bases normativas e funções de cada sistema no ordenamento fundiário e ambiental, mapeando-se suas estruturas informacionais literais (titularidade, situação jurídica, identificação do imóvel) e espaciais (polígonos, vértices, limites, geometrias) para subsidiar matrizes comparativas de correspondência entre categorias, critérios de classificação, formas de preenchimento, mecanismos de atualização e regras de validação. A pesquisa converge com a literatura em apontar a fragmentação como entrave estrutural à governança territorial e Florestal. Mostrando que a multiplicidade de cadastros e registros, com critérios distintos e baixa interoperabilidade, gera sobreposições, lacunas e inconsistências que comprometem a distinção entre terras públicas e privadas, favorecem a grilagem e fragiliza a gestão ambiental. O Brasil permanece preso a um mosaico de bases parciais e pouco interoperáveis e apontam a necessidade de uma arquitetura nacional de cadastros territorial inspirada na norma internacional ISO que define um modelo conceitual de referência para o domínio de administração de terras (LADM) e na perspectiva do Cadastro Territorial Multifinalitário. O estudo confirma que a fragmentação cadastral não é apenas problema técnico, mas parte da configuração política do território, pois amplia conflitos, dificulta a responsabilização por ilícitos e fragiliza a capacidade estatal de planejar o uso do solo. Reforçando a necessidade de integrar sistemas cadastrais, validar registros e sanear sobreposições para fortalecer a governança florestal, a segurança jurídica e o alinhamento entre políticas fundiárias, ambientais e objetivos de desenvolvimento sustentável. Sobreposições territoriais em unidades de conservação de Rondónia: desafios para a gestão florestal e os direitos territoriais 1: CEGAFI-UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, Brazil; 2: UNIVERSIDADE DE BRASILIA- UnB A Amazónia Legal brasileira enfrenta grandes desafios decorrentes de sobreposições fundiárias que afetam tanto a conservação da biodiversidade como os direitos territoriais das comunidades tradicionais. Em particular em Rondónia, estado que concentra 83 Unidades de Conservação (UC), distribuídas por 6 milhões de hectares, persistem sobreposições com Glebas Públicas Federais, Projetos de Assentamento, Terras Indígenas (TI), Territórios Quilombolas e Imóveis Particulares Certificados. Este cenário decorre de fragilidades históricas da governança fundiária na região, caracterizada pela ausência de planeamento territorial integrado e pela execução fragmentada das políticas públicas de regularização fundiária e ambiental. O objetivo deste estudo é analisar de que forma as lacunas de governança dificultam a consolidação das UC. A investigação adotou uma metodologia qualitativa, baseada em análise bibliográfica, documental e geoespacial. Procedeu-se ao levantamento das principais legislações federais e estaduais que regem a criação, a gestão e a regularização das UC. Os dados geoespaciais foram obtidos mediante cruzamento das bases de dados oficiais do INCRA, ICMBio, FUNAI, SFB e MMA, o que permitiu identificar, quantificar e mensurar as sobreposições entre UC e outras categorias fundiárias, bem como avaliar os indicadores de gestão territorial por meio de planos de maneio e conselhos gestores. As análises revelam que as 83 UC correspondem a uma área de 5.997.775 ha. As diversas sobreposições identificadas superam os 7 milhões de hectares, uma vez que diferentes categorias fundiárias se sobrepõem simultaneamente nas mesmas regiões. De entre essas sobreposições, destaca-se que 1,2 milhão de hectares de TI estão sobrepostos às UC, predominantemente em UC de proteção integral, gerando incompatibilidade entre regimes jurídicos: enquanto a Lei n.º 9.985/2000 veda a presença humana permanente em UC de proteção integral, a Constituição Federal assegura os direitos originários indígenas. Quanto aos instrumentos de gestão, apenas 32% das UC dispõem de plano de maneio e 44% possuem conselho gestor, o que indica uma fragilidade na capacidade de mediação de conflitos e na gestão florestal. A fragmentação institucional e a ausência de instrumentos normativos constituem os principais obstáculos à consolidação das UC. A incompatibilidade dos regimes jurídicos entre UC de proteção integral e TI evidencia a urgência da revisão dos limites ou a possibilidade de reclassificar essas UC para a categoria de uso sustentável. Ademais, a persistência dessas sobreposições sem qualquer solução institucional favorece os conflitos territoriais e enfraquece a proteção ambiental e a gestão florestal. Conclui-se que a consolidação fundiária e a governança florestal integrada entre os órgãos gestores são condições essenciais para o equilíbrio entre a conservação ambiental, os direitos territoriais e o desenvolvimento sustentável no estado de Rondónia. |
| 15:30a17:00 | Simpósio 8 - Cortiça: produto e material do futuro Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Carla Nogueira Moderação/coordenação de sessão: Clara Pinto |
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Dendroecological insights into cork oak growth and remote sensing signals 1: Instituto Superior de Agronomia, Portugal; 2: Universidade de Coimbra, Portugal Climate change is expected to increase the frequency, duration, and severity of droughts across the Mediterranean region, with significant consequences for forest ecosystems. Cork oak (Quercus suber L.) is a species of high ecological, cultural, and economic value in Portugal and has evolved several adaptations to seasonal water scarcity. However, future drought conditions may exceed the limits of these adaptations, increasing the risk of growth decline and mortality. Understanding how climate influences cork oak growth, and resilience is therefore essential for developing effective management and adaptation strategies. Dendroecology provides a powerful approach for investigating tree responses to environmental change. By analysing annual growth rings, it is possible to reconstruct growth patterns over time and relate them to past climatic conditions. Tree-ring width reflects xylem formation and growth, which is closely linked to water transport, carbon allocation, and overall tree vitality. Favorable conditions generally promote wider rings, whereas drought and other stressors often result in reduced radial growth. In Mediterranean tree species, tree rings can therefore serve as natural archives of climate-growth relationships and help identify early signals of decline, including processes associated with cambial limitations and hydraulic dysfunction. Remote sensing complements dendroecological approaches by enabling the monitoring of vegetation condition across large spatial and temporal scales. Satellite-derived vegetation indices provide information on canopy greenness and photosynthetic activity and are widely used as indicators of forest health. However, canopy-level spectral responses may not always correspond directly to radial growth or field-based physiological measurements, suggesting potential decoupling between remotely sensed indicators and tree-level processes. This study examined branch radial growth in cork oak populations distributed across the main range of the species in Portugal. The objectives were to: (1) identify the periods of water availability most strongly associated with radial growth; (2) determine the topographic, soil, and climatic factors that influence growth variability; and (3) investigate the relationship between remotely sensed vegetation indices and radial growth, in order to clarify the links between canopy condition, growth dynamics, and drought resilience. Preliminary results indicate that radial growth is primarily influenced by cumulative water availability during the two preceding years, suggesting a legacy effect of climatic conditions on woody growth. A decoupling was observed between canopy health and radial growth responses, with radial growth exhibiting greater plasticity in both resistance and resilience to drought. Estudo da relação entre a humidade da cortiça e a evolução fenológica do sobreiro (Quercus suber L.) para a definição da época ótima de Descortiçamento. Associação de Produtores Florestais do Concelho de Coruche e Limítrofes (APFC), Portugal A humidade da cortiça no momento da extração constitui um fator determinante tanto na valorização comercial da cortiça como na preservação da integridade fisiológica do sobreiro (Quercus suber L.). O conhecimento da dinâmica da humidade ao longo do ciclo vegetativo, bem como da sua relação com os estados fenológicos da árvore, constitui um contributo essencial para a definição de critérios técnico-científicos que poderá auxiliar na calendarização da extração. Com o objetivo de disponibilizar ferramentas de suporte técnico-científico ao setor, foi desenvolvido um estudo de monitorização sistemática da evolução da humidade da cortiça ao longo de seis anos consecutivos (2021–2026), em três locais distintos geograficamente e representativos do concelho de Coruche. Este trabalho tem como principais objetivos avaliar a evolução da humidade média da cortiça na árvore de janeiro até à data da extração e relacionar com a espessura da cortiça bem como enquadrar temporalmente os diferentes estados fenológicos do sobreiro. Pretende ainda aferir se existe uma relação entre a variação da humidade da cortiça e os estados fenológicos de mudança da folha que antecedem o início da extração. Os dados foram recolhidos em três propriedades com várias folhas de extração, o que permite uma avaliação em contínuo a cada ano dos mesmos parâmetros e nas mesmas explorações. Os dados de humidade são recolhidos a partir de janeiro até à extração, por recolha semanal de um provete de cortiça em árvores previamente selecionadas e que correspondem a árvores com amostragem da qualidade da cortiça realizada no ano que antecede a extração, permitindo assim a comparação com parâmeros de qualidade e calibre. Nos mesmos locais são monitorizados três estados fenológicos correspondentes à mudança da folha (por iniciar, a decorrer e mudança terminada). Os provetes recolhidos são avaliados em laboratório e determinada a espessura da cortiça e o teor de humidade na metade interior do provete (barriga da cortiça) e na metade exterior do provete (costa da cortiça). Para a análise, considerou-se apenas a humidade da barriga da cortiça, por estar menos sujeito às variações ambientais. Ao longo do período de amostragem, desde janeiro até ao momento da extração, a humidade média da barriga da cortiça apresentou uma evolução positiva, revelando uma estreita associação com o processo de renovação da copa do sobreiro. O aumento mais acentuado da humidade média foi observado quando o sobreiro concluiu a renovação foliar, sugerindo uma relação direta entre estes dois fenómenos. Foi também verificado uma relação positiva entre o teor de humidade da barriga e a espessura da cortiça. Apesar de diferenças interanuais nos valores da humidade média da barriga e na fenologia foliar, os padrões temporais de evolução da humidade da cortiça foram semelhantes de ano para ano. Uma monitorização durante um maior período temporal, permitirá obter resultados passíveis de aumentar o conhecimento sobre a variação da humidade da cortiça ao longo do desenvolvimento fenológico foliar do sobreiro e relacionar estes acontecimentos com a época de extração da cortiça, o que permitirá o desenvolvimento de ferramentas mais eficazes para a gestão da extração e comercialização da cortiça, com vantagens para a manutenção da vitalidade do montado. Descortiçamento em condições de seca severa: Efeitos fisiológicos e impactos nas reservas de carbono 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P.; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 3: Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Santarém; 4: Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Instituto Politécnico de Santarém; 5: Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 6: UCIBIO - Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas, Departamento de Ciências da Vida, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade NOVA de Lisboa; 7: Laboratorio Associado Instituto para a Saúde e Bioeconomia - i4HB, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade NOVA de Lisboa O descortiçamento é uma prática ancestral e economicamente vital para a sustentabilidade dos montados de sobro. No entanto, os impactos fisiológicos na árvore e as suas interações com as condições climáticas no ano de descortiçamento, não são ainda suficientemente conhecidos. Este estudo investigou os efeitos a curto e médio prazo do descortiçamento nas relações hídricas e no metabolismo do carbono do sobreiro (Quercus suber L.) durante um ano seco em que a precipitação anual acumulada correspondeu a aproximadamente 51% da média local. O estudo foi realizado num montado de sobro localizado no centro de Portugal, e incluiu doze sobreiros adultos, distribuídos por dois grupos: árvores descortiçadas e não descortiçadas (controlo). A monitorização decorreu entre abril e setembro de 2015, incluindo medições de fluxo de seiva, potencial hídrico foliar (mínimo e de madrugada), e evaporação e respiração do tronco. Adicionalmente, ao longo dos 65 dias após o descortiçamento (30 de junho), foram recolhidas amostras de folhas e de floema secundário, de madrugada e ao meio-dia, para quantificação da dinâmica de hidratos dos carbono não estruturais (non-structural carbohydrates, NSC), nomeadamente, amido, sacarose, glucose, frutose, rafinose e galactose, e dos compostos fenólicos totais. Complementarmente, para duas datas de amostragem, procedeu-se à caracterização do perfil metabolómico através de uma metodologia não direcionada (GC-MS). Os resultados mostram que, imediatamente após o descortiçamento, o fluxo de seiva nas árvores descortiçadas diminuiu ca. de 55% comparativamente às árvores controlo, sem se observarem sinais de recuperação ao longo dos 65 dias subsequentes. Esta redução foi acompanhada por um decréscimo acentuado de amido e sacarose no floema secundário, sem alterações correspondentes no conteúdo de NSC foliar nem nos potenciais hídricos. Este padrão sugere uma rápida remobilização de reservas de carbono para suportar as elevadas exigências respiratórias associadas à formação do felogénio traumático e à reconstituição da camada geradora de cortiça. Esta interpretação é ainda reforçada pelo aumento transitório no teor de hexoses (glucose e frutose) do floema secundário e pelo pico na respiração do tronco, observados em simultâneo nos dias imediatamente após o descortiçamento. O estado hídrico das árvores manteve-se semelhante entre tratamentos, indicando que a depleção de NSC no floema secundário não resultou de disfunção hidráulica nem de limitação da assimilação foliar. A análise metabolómica não direcionada revelou alterações a curto prazo no metabolismo do floema secundário, contrastando com uma resposta limitada ao nível das folhas, o que sugere que a ocorrência de ajustamentos metabólicos está predominantemente localizada no tronco. Em conjunto, os resultados suportam, pela primeira vez com evidência bioquímica, a hipótese de "crise de carbono" proposta por J.V. Natividade em 1950, demonstrando que o descortiçamento em anos de seca severa pode comprometer significativamente a resiliência fisiológica das árvores. Estes resultados sublinham a necessidade de integrar o contexto climático nas decisões de gestão do descortiçamento. O desenvolvimento de índices baseados em défices de precipitação e demanda evaporativa poderá constituir uma ferramenta útil para orientar o calendário das operações de extração, minimizando o stress fisiológico das árvores. From aureus to Xylella: exploring genetic diversity in cork bioactivity 1: UCIBIO Applied Molecular Biosciences Unit, Department of Life Sciences, NOVA School of Science and Technology, Universidade NOVA de Lisboa, 2829-516 Caparica, Portugal; 2: Associate Laboratory i4HB Institute for Health and Bioeconomy, NOVA School of Science and Technology, Universidade NOVA de Lisboa, 2829-516 Caparica, Portugal; 3: National Institute for Agricultural and Veterinary Research, INIAV, I.P., Av. da República Quinta do Marquês, 2780-159 Oeiras, Portugal; 4: Forest Research Centre, Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal Cork, the outer bark of Quercus suber, is one of the most important non-timber forest products in the Mediterranean region and a key component of montado ecosystems. Its harvesting is considered a sustainable practice because the bark regenerates naturally after extraction. Cork extractives are known to contain phenolic and other bioactive compounds with antioxidant, anti-inflammatory, and antimicrobial properties, making cork a promising natural resource for agricultural, industrial, and biomedical applications. However, the chemical composition and bioactivity of cork extractives are highly variable among individual trees and are also influenced by environmental conditions, including drought and other climate-related stresses. Such variability is closely associated with cork quality, reinforcing the importance of understanding the mechanisms underlying cork bioactivity and the factors that shape it. In this context, cork extractives may also represent useful indicators for assessing cork quality. The Q. suber genetic trial established at Monte Fava (Portugal) provides a unique opportunity to investigate these questions, since trees from different provenances grow under the same environmental conditions, minimising environmental variability and enabling a stronger focus on genetic influences. This approach is particularly relevant under current climate change scenarios, as recent studies suggest that cork chemical composition may depend more strongly on genetic background than on ambient conditions alone. The aim of this work was to evaluate the bioactive potential of cork extractives obtained from different Q. suber provenances from the Monte Fava genetic trial. Different extraction procedures were tested to characterise the bioactive profile of cork, including water extractions, ethanol:dichloromethane extractions, and sequential extractions combining both solvents. Antioxidant activity was assessed using Folin-Ciocalteu and TEAC/Trolox assays, while antimicrobial activity was evaluated against clinically and agriculturally relevant bacteria, namely Enterococcus faecalis, Escherichia coli, Staphylococcus aureus, and Xylella fastidiosa. These microorganisms were selected due to their relevance in antimicrobial resistance and plant disease emergence, representing important challenges for public health and Mediterranean agriculture. The results revealed significant differences among provenances and extraction methods regarding antioxidant and antimicrobial activities. Spanish provenances generally displayed higher antioxidant capacity, while Italian provenances showed lower reducing activity. Several extracts exhibited inhibitory effects against Gram-positive bacteria, particularly E. faecalis (10-2.5 mg/mL) and S. aureus (10-1.25 mg/mL), while also demonstrating activity against X. fastidiosa (1.25 mg/mL). Overall, this work highlights the potential of cork as a sustainable source of natural bioactive compounds and reinforces the importance of genetic diversity in shaping cork quality and bioactivity. These findings contribute to the valorisation of cork industry by-products and support the search for environmentally friendly alternatives to synthetic antioxidants and antimicrobials in the context of increasing antimicrobial resistance and climate change pressures. A importância da fertilização do solo no Montado e no sobreiral: pode o fósforo ser um factor limitante? 1: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora.; 2: CEF - Centro de Estudos Florestais; MED - Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento A gestão da fertilidade do solo em sistemas florestais mediterrânicos é fundamental para garantir a resiliência e a produtividade, especialmente perante cenários de alterações climáticas e distúrbios como incêndios. Este trabalho apresenta uma revisão bibliográfica e uma análise experimental sobre o papel do fósforo (P) como factor limitante no desenvolvimento e crescimento de espécies do género Quercus. A componente de revisão bibliográfica baseia-se em ensaios de fertilização, maioritariamente portugueses, desde a década de 1960, impulsionados pela Engenheira Silvicultora Arlinda Franco de Oliveira (na época como funcionária da então Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas), na Mata Nacional de Leiria em pinheiro-bravo e em eucalipto, até aos mais recentes manuais de recomendação de fertilização conduzidos por equipas multidisciplinares, envolvendo as principais unidades de investigação florestal nacional, como: INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (ex Estação Florestal Nacional, com espólios resultantes das extinções da Estação de Experimentação do Sobreiro e do Eucalipto - Alcobaça e da Estação de Experimentação do Pinheiro Bravo - Mata Nacional de Leiria), UNAC - União da Floresta Mediterrânica, CEF - Centro de Estudos Florestais e MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (ex ICAAM - Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas). Aqueles estudos mais recentes abordam a fertilização do sobreiro, Montado e pinheiro-manso, sobretudo a Sul do Tejo. O delineamento experimental baseia-se em dados de dois ensaios distintos conduzidos a Sul do Tejo: (i) - Projecto de Agricultura de Precisão (AP) na Herdade Experimental da Mitra (Unviersidade de Évora), em Cambissolos sob Montado de azinho com pastoreio rotacional de bovinos (0,6 cabeças normais por hectare); e (ii) - Estudo de recuperação pós-incêndio na Serra do Caldeirão (Algarve), em Leptossolos de um sobreiral ardido em 2004. As metodologias de amostragem foram ajustadas às características do solo de cada região, com recolhas a 0-20 cm na Mitra e 0-5 cm na Serra Algarvia, reflectindo as diferenças de solos (ex: espessura efectiva e horizontes do solo). Os resultados revelam uma elevada variabilidade intraparcelar nos teores de fósforo (expresso em P2O5). Na Mitra, embora os valores médios de P2O5 (90-117 mg/kg de solo) se situem acima da média nacional para solos de sequeiro, os coeficientes de variação superiores a 60% justificam a adopção de tecnologias AP, como a aplicação a taxa variável (VRT) para optimizar a fertilização. Por outro lado, na Serra do Caldeirão, os Leptossolos apresentaram teores muito baixos (frequentemente < 18 mg de P2O5/kg de solo), independentemente da gestão florestal aplicada. Pensa-se que o fósforo será um dos principais factores limitantes à regeneração do sobreiro, crescimento radicular e, por consequência, resiliência à seca e crescimento aéreo, em sistemas mediterrânicos de sequeiro. Conclui-se que o teor de fósforo disponível no solo é um parâmetro indispensável na monitorização de sistemas com componente florestal, podendo ser usado como indicador da qualidade do solo. A sua aplicação permitirá aumentar a sustentabilidade deste tipo de sistemas mediterrânicos. Agradecimentos: a todos os funcionários do Instituto Superior de Agronomia e da UÉvora que permitiram a realização do presente estudo, nomeadamente aos Prof.s Erika Santos e Henrique Ribeiro e ao Inv. Diego Aran. Montados sob pressão: alterações globais e implicações para a gestão Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Portugal Introdução O montado é um sistema agrossilvopastoril de elevado valor ecológico e económico que enfrenta pressões crescentes decorrentes das alterações globais. Portugal registou um aquecimento significativo nas últimas décadas, com anomalias de temperatura que acompanham a tendência global mas com maior amplitude, colocando estes ecossistemas perante desafios sem precedentes. A mortalidade de árvores e a expansão de matos são fenómenos documentados à escala global, incluindo nas zonas mediterrânicas, e o montado de sobro (Quercus suber) não é excepção. Pressões combinadas e não linearidade das respostas O montado está sujeito a uma combinação de factores de stress, seca e stress hídrico, perda de vitalidade, fogo e matorralização, cuja actuação simultânea dificulta respostas simples de gestão. A investigação desenvolvida nos últimos anos demonstrou que a interacção entre a seca e a presença de arbustos, nomeadamente a esteva (Cistus ladanifer), é não linear e dependente do contexto: em determinadas condições, a esteva compete com o sobreiro pelos recursos hídricos superficiais, reduzindo a transpiração e o crescimento dos sobreiros; noutras condições, ou em fases de recuperação pós-seca, os efeitos são distintos ou não significativos. Esta complexidade reflecte-se também no incremento do tronco, que responde de forma diferenciada consoante a presença de arbustos e a intensidade da seca. Efeitos dos arbustos em múltiplas dimensões Os arbustos actuam em múltiplas dimensões do funcionamento do ecossistema. A identidade das espécies arbustivas influência a probabilidade de sobrevivência e regeneração dos sobreiros: plântulas estabelecidas sob coberto diverso de arbustos apresentam maior sobrevivência a longo prazo do que as associadas a Cistus ladanifer, sendo os efeitos modulados pelo stress hídrico e pelo encharcamento. Por outro lado, em zonas com pastoreio, os arbustos funcionam como ilhas de infiltração de água, com condutividade hidráulica do solo significativamente superior à das áreas de pastagem adjacentes, o que pode ter implicações relevantes para o balanço hídrico do sistema. O efeito dos arbustos no crescimento de plântulas de sobreiro depende ainda do contexto local: em duas zonas com características diferentes de solo e cobertura arbustiva verificaram-se efeitos contrastantes da presença dos arbustos no crescimento dos sobreiros. Gestão adaptativa como resposta Face à variabilidade e complexidade das respostas observadas, a gestão adaptativa surge como uma necessidade fundamental. A aplicação de ensombramento artificial em plântulas de sobreiro demonstrou reduzir o risco acumulado de mortalidade em 42%, com melhorias significativas na actividade fotossintética, no vigor foliar (NDVI), na eficiência quântica à luz e na reflectância fotoquímica. Estes resultados sugerem que intervenções simples e de baixo custo podem ter impacto relevante na regeneração do montado em cenários de aridificação crescente. Conclusão No montado, não existem respostas únicas: as relações entre seca, arbustos e sobreiros são mediadas por contextos locais, interacções entre factores e compromissos entre serviços de ecossistema. A investigação de longo prazo e a monitorização contínua são ferramentas indispensáveis para suportar decisões de gestão informadas e adaptadas à crescente variabilidade climática. Financiamento: FCT — UID/00239 (CEF/TERRA); Interreg SUDOE — COOPTREE (S1/2.7/F0122) |
| 15:30a17:00 | T2.2 - Os desafios Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Joaquim Sande Silva |
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Paisagem, abandono rural e incêndios: limites das políticas públicas em Portugal 1: Universidade of Aveiro, Portugal; 2: Centro PINUS Os incêndios rurais ocorridos em Portugal Continental em 2024 evidenciaram, uma vez mais, a forte vulnerabilidade estrutural de determinados territórios do Centro e Norte do país perante episódios meteorológicos extremos. Apesar da redução relativa do número total de ocorrências, a área ardida concentrou-se num curto período temporal e em territórios marcados pela continuidade florestal, reduzida fragmentação agrícola e elevada acumulação de combustível vegetal. A severidade observada em distritos como Viseu, Aveiro, Vila Real ou Braga sugere que o problema dos incêndios rurais não pode ser interpretado apenas como resultado de condições climáticas extremas ou da ocorrência de ignições, mas também como expressão territorial de transformações estruturais profundas das paisagens rurais portuguesas. Partindo da análise espacial e temporal dos incêndios de 2024, este trabalho procura discutir criticamente a evolução das políticas públicas de gestão coletiva da floresta e da paisagem em Portugal nas últimas duas décadas. Em particular, analisa-se a forma como sucessivos governos procuraram responder ao problema da fragmentação fundiária, do abandono agrícola e da crescente continuidade florestal através de instrumentos como as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) e, mais recentemente, as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). As ZIF, criadas após os grandes incêndios de 2003 e 2005, procuraram promover formas de gestão conjunta em territórios marcados pela micropropriedade e pela dispersão parcelar, apostando na coordenação entre proprietários e na profissionalização da gestão florestal. Após os incêndios de 2017, emerge um novo paradigma centrado na “gestão da paisagem”, traduzido no Programa de Transformação da Paisagem, que inclui as AIGP, procurando reforçar a diversificação dos usos do solo, a redução da continuidade dos combustíveis e a reconstrução de mosaicos agroflorestais mais resilientes ao fogo. Contudo, os padrões territoriais observados em 2024 sugerem que estas políticas continuam a enfrentar limitações estruturais profundas. Apesar da evolução conceptual das políticas públicas, da gestão florestal para a gestão integrada da paisagem, persistem territórios particularmente vulneráveis aos grandes incêndios, marcados por despovoamento, envelhecimento demográfico, retração da atividade agrícola e fraca capacidade de gestão ativa do território. Neste contexto, a persistência de incêndios severos em áreas de forte continuidade florestal sugere que os instrumentos de gestão coletiva têm revelado dificuldades em contrariar os processos socioeconómicos que alimentam a vulnerabilidade estrutural das paisagens rurais portuguesas. O trabalho defende, assim, que a prevenção estrutural dos incêndios rurais exige mais do que instrumentos técnicos de coordenação fundiária ou gestão florestal. Exige igualmente políticas capazes de enfrentar os processos de abandono rural, fragilidade económica e simplificação territorial que continuam a moldar a paisagem portuguesa e a aumentar a exposição de determinados territórios aos grandes incêndios. Atlas de Área Queimada de Portugal (BAAP): nova cartografia baseada numa série temporal Landsat consistente para Portugal continental (1985–2025) 1: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 2: GRAS Global Risk Assessment Services GmbH, 50672 Köln, Deutschland, Germany A disponibilidade de séries temporais consistentes de cartografia de área ardida é fundamental para compreender a dinâmica do fogo, avaliar alterações nos regimes do fogo num contexto de mudanças climáticas e transformações do uso do solo, e apoiar a gestão florestal. Em Portugal, embora exista cartografia oficial de áreas ardidas, alterações metodológicas ao longo do tempo e a reduzida representação de fogos associados ao período de inverno, principalmente nos anos iniciais da série temporal, condicionam as análises de recorrência, frequência e sazonalidade do fogo. Neste contexto, este trabalho apresenta o Burned Area Atlas of Portugal (BAAP), um novo atlas anual de área ardida para Portugal continental cobrindo o período 1985–2025, produzido a partir do arquivo Landsat através de metodologias de deep learning (aprendizagem profunda) e análise multitemporal de imagens de satélite. A metodologia foi desenvolvida com o objetivo de garantir consistência temporal ao longo de todo o período, melhorando simultaneamente a deteção de áreas queimadas de verão e de inverno. Foram produzidas imagens compostas multibanda anuais, baseados em critérios de alteração espectral associados ao fogo, posteriormente utilizados como dados de entrada para uma arquitetura convolucional do tipo U-Net. O treino do modelo recorreu a anos contrastantes, que representam a variabilidade do regime do fogo, condições sazonais e contextos paisagísticos. O processo de classificação integra ainda várias abordagens inovadoras, incluindo filtragem temporal de séries espectrais, modelação em ensemble (treino de 10 modelos independentes), e inclusão de variáveis espectrais interanuais para evitar a classificação repetida de área ardidas entre anos consecutivos. A validação com dados oficiais independentes para o período 2022–2025 revelou elevados níveis de desempenho, com valores anuais médios de Matthews Correlation Coefficient (MCC) e F1-score próximos de 0,84 e 0,83, respetivamente. O desempenho foi superior durante a época de verão (maio a outubro), refletindo uma maior separabilidade espectral das áreas ardidas, enquanto os resultados do restante período anual apresentaram maior incerteza devido à menor severidade do fogo, maior cobertura de nuvens e limitações na datação temporal dos eventos. Ainda assim, o atlas reproduz de forma robusta a distribuição espacial e temporal das áreas ardidas em Portugal. No período 1985–2025, o BAAP estima uma área ardida total próxima de 4 952 100 ha, dos quais 295 200 ha (cerca de 6%) ocorreram durante a época de inverno. O produto melhora significativamente a representação dos fogos de inverno e de baixa intensidade ao longo da série, frequentemente sub-representados em outros produtos de áreas queimadas para Portugal. Para além do seu valor enquanto registo histórico, o BAAP constitui uma base sólida para múltiplas aplicações à escala nacional, incluindo análise de frequência e recorrência do fogo, avaliação do tempo desde o último fogo, caracterização de regimes de fogo, modelação ecológica, análise de perigosidade e apoio ao planeamento e gestão do território. O atlas será disponibilizado em regime de acesso livre, permitindo a sua utilização transversal pela comunidade científica e técnica do sector florestal e de planeamento do território. Encontra-se igualmente em curso o alargamento da série temporal até 1975, através da integração do arquivo Landsat MSS. Metas anuais de fogo sob prescrição em Áreas de Elevada Recorrência: estratégia para a governança do risco e resiliência rural em Portugal 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: AGIF, Portugal A exclusão sistemática do fogo em ecossistemas mediterrânicos tem-se revelado uma estratégia inviável e contrária ao seu equilíbrio ecológico, contribuindo para a acumulação crítica de combustível e a ocorrência de grandes incêndios rurais em condições de elevada severidade. É urgente diminuir o impacto dos incêndios e aumentar a resiliência dos espaços rurais. Neste contexto, o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) enfrenta o desafio estratégico de transitar de um modelo focado quase exclusivamente na supressão imediata para uma abordagem de gestão ativa do fogo. O presente trabalho propõe metas anuais de fogo sob prescrição — englobando fogo planeado (fogo controlado e queimadas autorizadas) e fogo de gestão — especificamente direcionadas para áreas não arborizadas de elevada recorrência de incêndios, visando apoiar a governança do risco e aumentar a resiliência do território rural. A metodologia fundamentou-se na análise de 23 anos de histórico de incêndios (2001-2023) para delimitar as Áreas de Elevada Recorrência do Fogo (AERF). Foram identificadas áreas prioritárias (AERFpr), com recorrência igual ou superior a três vezes e manchas contínuas superiores a 10 ha, e áreas potenciais (AERFpo), que integram uma envolvente operacional de 200 metros para facilitar o planeamento e a segurança das intervenções. O estudo utilizou variáveis como o número de anos desde o último fogo (NAUF) e o intervalo médio de recorrência para definir janelas de oportunidade técnica e de segurança. As áreas prioritárias totalizam 99.222 ha, enquanto as áreas potenciais se estendem por 157.365 ha em Portugal continental. Com base num ciclo de gestão de oito anos, propõe-se uma meta anual de tratamento de 19.671 ha em matos, vegetação esparsa e pastagens. Esta meta subdivide-se em 12.403 ha/ano de fogo planeado (fogo controlado e queimadas) nas áreas prioritárias e 7.268 ha/ano a serem geridos como fogo de gestão nas áreas potenciais, aproveitando estrategicamente as ignições que ocorram dentro de condições de prescrição meteorológica pré-definidas. A expansão do uso do fogo sob prescrição nos territórios cartografados pretende transformar um risco persistente numa oportunidade preventiva, pretendendo legitimar práticas culturais de uso do fogo, como as queimadas pastoris. Para fortalecer a governança do risco, recomendam-se as seguintes ações:
A adoção destas metas é fundamental para assegurar a continuidade operacional e a eficácia das políticas de prevenção estrutural. O uso planeado do "fogo bom" permite diminuir a severidade dos incêndios rurais e o impacto de eventos meteorológicos extremos, garantindo a sustentabilidade da gestão agro-silvo-pastoril e a proteção do património natural. Uma abordagem multimodelo para avaliar a vulnerabilidade de infraestruturas críticas a fogos rurais 1: Univ Coimbra, ADAI, Departamento de Engenharia Mecânica, Rua Luís Reis Santos, Pólo II, 3030-788 Coimbra, Portugal; 2: CESAM & Departamento de Ambiente e Planeamento, Universidade de Aveiro, 3810-193 Aveiro, Portugal A resiliência de infraestruturas críticas face à ameaça crescente de fogos rurais constitui um pilar fundamental da segurança e da estabilidade económica de qualquer país. Nas últimas décadas, as alterações socioeconómicas e climáticas conduziram a um alargamento das regiões vulneráveis aos fogos rurais, colocando em risco infraestruturas já existentes cuja conceção não contemplou a nova magnitude desse risco. Este trabalho apresenta uma avaliação exaustiva da vulnerabilidade de uma instalação crítica de geração de energia, através de uma metodologia que emprega diferentes modelos para o cálculo da radiação, temperatura do ar, deposição de cinzas e fagulhas na instalação, decorrentes de um potencial incêndio na zona circundante. Por motivos de confidencialidade, todos os dados espaciais foram anonimizados. Delinearam-se duas zonas geográficas: 1) de Paisagem (20x15km²) para simular interações de larga escala e 2) Direta (4x3km²) focada na vulnerabilidade estrutural. Foram usados dados orográficos de alta resolução (50cm) e de vegetação obtidos de diversas fontes e reclassificados de acordo com os modelos de combustível de Scott & Burgan. Utilizaram-se diferentes simuladores para o estudo, criando cenários com múltiplas ignições simultâneas e meteorologia típica: WindStation (campo de vento tridimensional), FireStation (comportamento do fogo), DISPERFIRE (dispersão de poluentes atmosféricos) e FlamMap (projeção de partículas incandescentes). Os resultados demonstraram que a infraestrutura apresenta uma vulnerabilidade estrutural reduzida face ao impacto térmico direto, com probabilidade de dano significativo de média a baixa. Tal deve-se à escassa continuidade horizontal da vegetação no perímetro imediato, o que impede a manutenção de frentes de fogo intensas junto aos edifícios. O fluxo de calor radiante incidente, avaliado por meio de uma adaptação da metodologia australiana Bushfire Attack Level, situou-se abaixo de 19kW/m², um nível considerado seguro para materiais de construção resilientes, como o betão. Adicionalmente, as simulações indicam que as temperaturas do ar no perímetro permanecem geralmente abaixo dos 50-60°C. O estudo identifica a projeção de fagulhas como o principal mecanismo de ignição potencial. A sua modelação revelou que, em alguns cenários, estas podem alcançar até 450m da frente de fogo. Adicionalmente, as concentrações de material particulado e a deposição de cinzas mostraram-se altamente dependentes da direção do vento e da localização da ignição. Cenários associados a ventos do quadrante sul originam os impactos mais significativos, traduzindo-se em maiores taxas de deposição de cinzas, com potencial para comprometer a eficiência operacional, a integridade funcional e a segurança dos sistemas de admissão e filtragem de ar. Conclui-se que a resiliência destas unidades exige a integração dinâmica do fogo no planeamento operacional, recomendando-se a adoção de boas práticas de proteção passiva. Financiamento Financiamento parcial FCT (ror.org/00snfqn58) e proj. UID/50022/2025, doi.org/10.54499/UID/50022/2025; LA/P/0079/2020, doi.org/10.54499/LA/P/0079/2020, UID/50017/2025, doi.org/10.54499/UID/50017/2025, LA/P/0094/2020 doi.org/10.54499/LA/P/0094/2020 e doi.org/10.54499/2023.17415.ICDT. Para efeitos de Acesso Aberto, o autor aplicou uma licença de direitos de autor pública CC-BY (creativecommons.org/licenses/by/4.0) a qualquer versão do Manuscrito Aceite pelo Autor (AAM) resultante desta submissão. Igualdade de género na gestão de fogos rurais: evidências para um sistema mais inclusivo 1: Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo - CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais - AGIF, Portugal A promoção da igualdade entre mulheres e homens assume-se como um princípio estruturante das políticas públicas, representando um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa e estando alinhado com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Alinhado com estas orientações, o projeto FoR-IG– Primeiro Diagnóstico sobre Igualdade de Género no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), desenvolvido, entre 2024 e 2026, pelo CoLAB ForestWISE e promovido pela AGIF e pela CIG, revela-se como um instrumento de apoio à tomada de decisão e à formulação de políticas públicas para uma maior igualdade de género no SGIFR. Nesta comunicação são apresentados alguns dos resultados obtidos no projeto FoR-IG, que teve como principal objetivo caracterizar a situação da igualdade de género nas entidades do SGIFR, identificar barreiras estruturais, organizacionais e culturais e propor recomendações para a promoção de ambientes laborais mais inclusivos e igualitários. A investigação adotou uma abordagem metodológica mista, combinando métodos quantitativos e qualitativos. Foi realizada uma revisão de literatura, tendo também sido conduzidas entrevistas exploratórias a pessoas de entidades de gestão do fogo internacionais, e aplicados inquéritos por questionário e por entrevista a pessoas trabalhadoras do SGIFR. No final deste processo, foram realizados Focus Groups, envolvendo pessoas trabalhadoras do SGIFR nos perfis de liderança, técnico e operacional, com o objetivo de aprofundar a discussão sobre as barreiras e as oportunidades para a igualdade de género no sistema. Os resultados evidenciam uma reduzida representatividade feminina nas entidades do SGIFR, tanto a nível horizontal como vertical, verificando-se ainda segregação nos cargos. Identificaram-se igualmente dificuldades de conciliação entre vida profissional, pessoal e familiar, sobretudo associadas a cargos de liderança e operacionais, que exigem maior disponibilidade e deslocações e contam com maior imprevisibilidade. Estas dificuldades têm impacto acrescido sobre as mulheres devido às responsabilidades com as tarefas domésticas e de cuidado de filhos/as, que ainda recaem sobretudo sobre estas. Foram ainda observadas dinâmicas interpessoais não igualitárias no âmbito laboral, incluindo desvalorização das competências femininas, distribuição diferenciada de funções e situações de assédio moral e/ou sexual, bem como insuficiência de condições para o seu reporte. Com base nos resultados obtidos, o diagnóstico propõe uma reflexão centrada na transformação institucional do SGIFR, defendendo a integração da perspetiva de género nas políticas, na prática e na cultura organizacional. São, ainda, apresentadas recomendações e medidas que podem apoiar/inspirar o desenho e teste de soluções no ecossistema do SGIFR, promovidas pelas entidades do setor e com envolvimento das pessoas trabalhadoras, que atuem na promoção da representatividade feminina horizontal e vertical, na mitigação da influência dos aspetos do trabalho na conciliação e na promoção de dinâmicas interpessoais igualitárias. Monitorização de polinizadores em áreas florestais do Parque Natural de Sintra-Cascais: uma década de conhecimento para apoiar a gestão sustentável Cascais Ambiente, Portugal Num contexto de alterações globais, incluindo mudanças climáticas, fragmentação de habitats e intensificação da gestão da paisagem, a monitorização de insetos polinizadores constitui uma ferramenta essencial para avaliar a integridade ecológica e apoiar estratégias de gestão sustentável em ecossistemas florestais mediterrânicos. No concelho de Cascais, parcialmente integrado no Parque Natural de Sintra-Cascais, decorre desde 2015 um programa contínuo de monitorização de borboletas diurnas, complementado em 2023 pela integração na Rede de Estações de Borboletas Noturnas (REBN). Em 2024, no âmbito do projeto LIFE ResLand, este esforço foi alargado a outros grupos de insetos polinizadores, permitindo avaliar a resposta da biodiversidade a intervenções de gestão orientadas para o aumento da resiliência da paisagem ao fogo. Este trabalho visa avaliar a evolução temporal da riqueza específica e frequência relativa de polinizadores em áreas florestais e peri-florestais do concelho de Cascais, analisar a resposta de diferentes grupos de insetos a intervenções de gestão ecológica e produzir conhecimento aplicado que sustente decisões de conservação e gestão florestal multifuncional. A monitorização decorre mensalmente entre fevereiro e novembro, em 23 transectos até 500 m, distribuídos por diferentes tipologias de habitat, incluindo galerias ripícolas, floresta nativa, matos e culturas forrageiras. As amostragens são efetuadas através de registo visual, rede entomológica, aspirador entomológico, documentação fotográfica e identificação taxonómica com base em bibliografia especializada e plataformas de referência. São igualmente registadas variáveis ambientais, incluindo temperatura, nebulosidade e intensidade do vento. Ao longo de onze anos foi construída uma base de dados robusta sobre a ocorrência de lepidópteros no município, sobretudo no Parque Natural de Sintra-Cascais, permitindo atualizar o inventário municipal de 229 para 378 espécies (janeiro de 2026), incluindo espécies de interesse de conservação constantes do Plano Setorial da Rede Natura 2000. No âmbito do LIFE ResLand, o primeiro ano de monitorização registou 185 espécies de polinizadores pertencentes a seis ordens, das quais 111 identificadas ao nível específico. No segundo ano foram registadas 310 espécies, correspondendo a um aumento global de 59,7%, com incrementos em Coleoptera (+50,8%), Diptera (+47,6%), Hemiptera (+66,7%), Hymenoptera (+45,3%) e Orthoptera (+16,7%), embora se tenha observado uma diminuição em Lepidoptera (-22,5%). Estes resultados sugerem uma resposta ecológica positiva das comunidades de polinizadores às intervenções implementadas, nomeadamente abertura de clareiras, fogo controlado e promoção da silvopastorícia. A experiência de Cascais demonstra que programas de monitorização ecológica de longo prazo, articulados com gestão ativa da paisagem e sensibilização pública - reforçada desde 2013 pelo Borboletário João Pedro Cardoso da Conceição - constituem uma base sólida para gerar conhecimento científico aplicado. Esta abordagem integrada contribui para soluções concretas de gestão florestal sustentável, promovendo paisagens mais resilientes, funcionais e favoráveis à conservação dos polinizadores. |
| 15:30a17:00 | T1.3 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Nuno Almeida Ribeiro |
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Study of carbon sequestration dynamics in Quercus stands with different edaphoclimatic features 1: CREATE – Center for Sci-Tech Research in Earth System and Energy, Universidade de Évora, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal; 2: Universidade de Évora, Departamento de Biologia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004516 Évora, Portugal; 3: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Agronomia, Apartado 1013, Quinta de Prados, 5001-801 Vila Real; 4: Universidade de Évora, Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal Native woodlands of the genus Quercus play an essential role in biodiversity conservation and climate change mitigation, functioning as carbon reservoirs and providing high-value ecosystem services. However, anthropogenic pressure, progressive climate change, and the structural degradation of forests compromise the ecological stability of these systems, making it essential to identify their regulating factors. This study analyzes carbon sequestration dynamics in forest stands dominated by Quercus faginea Lam. and Quercus pyrenaica Willd., distributed across regions of mainland Portugal under distinct edaphoclimatic conditions. The Q. faginea plots are located in Ansião (NUTS III - Região de Coimbra), while the Q. pyrenaica plots are located in Sabugal (NUTS III - Beiras e Serra da Estrela) and Valpaços (NUTS III - Terras de Trás-os-Montes). The central objective is to identify and quantify how physiological, edaphic, climatic, and structural factors determine carbon retention capacity in these ecosystems. The methodology is based on continuous monitoring of instrumented plots over a one-year period, with systematic collection of dendrometric, ecophysiological, and edaphoclimatic data, complemented by floristic inventories. This functional approach prioritizes analysis at the individual tree scale and its interactions with the environment. The results reveal water availability as a determining factor in carbon fixation efficiency: in Ansião, the higher soil field capacity translates into greater carbon sequestration and a denser understory. In Sabugal and Valpaços, the stands are at distinct successional stages: Valpaços exhibits high canopy density and species diversity, constituting a suitable study stand for assessing the ecology of the target species. Sabugal exhibits moderate density but is subject to grazing, with a sparse shrub understory. Based on these results, the aim is to: (i) systematically quantify the main determinants of carbon sequestration potential; (ii) propose integrated metrics of ecological quality and carbon fixation capacity, applicable in forest management; and (iii) contribute to close-to-nature silviculture models that reconcile productivity, biodiversity conservation, and ecological resilience. Occupying only 2% of mainland Portugal's forested area, oak woodlands respond in an integrated manner to challenges of profitability, fire regime, and nature conservation, which underlies the relevance of this study. Acknowledgements: This work is funded by Agenda Transform, project no. C644865735-00000007, following the Mobilization Agendas for Business Innovation (Notice No. 02/C05-i01/2021), supported by the Recovery and Resilience Plan (PRR) and European Funds NextGeneration EU. Impactes e sinergias da resinagem nos serviços de ecossistema - Conservação da biodiversidade: Um caso de estudo no norte de Portugal. 1: CERNA. Regia Douro Park – Parque de Ciência e tecnologia de Vila Real. 5000-033 Vila Real, Portugal.; 2: Titulo individual; 3: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista, Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 5000-801 Vila Real, Portugal.; 4: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 5000-801 Vila Real, Portugal.; 5: Laboratório de Ecologia Fluvial e Terrestre, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 5000-801 Vila Real, Portugal.; 6: RESIPINUS – Associação de Destiladores e Exploradores de Resina. 2415-371 Leiria, Portugal. Os pinhais mediterrânicos constituem ecossistemas de elevada relevância ecológica, económica e social, assegurando múltiplos serviços de ecossistema, nomeadamente produção de madeira e resina natural, proteção do solo, regulação hidrológica, sequestro de carbono e manutenção da biodiversidade. No contexto atual de crescente vulnerabilidade aos incêndios florestais, abandono rural e alterações climáticas, a resinagem poderá assumir um papel relevante enquanto atividade promotora de gestão florestal ativa. Contudo, os seus efeitos sobre a biodiversidade e os serviços de ecossistema permanecem ainda insuficientemente documentados em Portugal. O presente trabalho avaliou os impactes e sinergias da resinagem e da gestão florestal associada na biodiversidade em povoamentos de Pinus pinaster no norte de Portugal. O estudo decorreu nos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Chaves, tendo sido selecionadas 30 locais de amostragem distribuídos por duas tipologias de gestão: 15 parcelas em pinhal resinado e 15 em pinhal não resinado. As amostragens realizaram-se entre março e novembro, abrangendo a época de resinagem. A avaliação da biodiversidade integrou flora, aves, morcegos, mamíferos terrestres e répteis, recorrendo a metodologias padronizadas de monitorização ecológica. Os dados foram analisados através de modelos lineares generalizados mistos (GLMM), análises multivariadas e índices ecológicos de diversidade. Os resultados mostram que a resinagem não originou diferenças estatisticamente significativas na riqueza específica da flora nem na riqueza, atividade e diversidade das comunidades faunísticas avaliadas. Contudo, os povoamentos resinados apresentaram alterações na composição florística e simplificação estrutural do subcoberto vegetal, traduzidas numa menor diversidade de Shannon-Wiener, maior dominância de espécies e menor altura média da vegetação, embora sem redução significativa da riqueza específica ou da cobertura vegetal. Foram registadas 51 espécies de aves, 12 espécies ou grupos fónicos de morcegos, 9 espécies de mamíferos terrestres e a presença de um réptil (Psammodromus algirus). Entre as espécies identificadas destacam-se táxones com elevado interesse conservacionista, nomeadamente Accipiter gentilis, Streptopelia turtur, Rhinolophus euryale, Myotis blythii/Myotis myotis e Canis lupus. Os resultados estatísticos não revelaram diferenças significativas na riqueza específica e atividade de fauna, entre os dois tipos de pinhal. Os resultados sugerem que os principais efeitos ecológicos observados decorrem sobretudo da intensidade das práticas de gestão florestal associadas e não da resinagem em si, sendo esta compatível com modelos de gestão florestal de baixa a média intensidade integrados numa matriz paisagística heterogénea. A simplificação estrutural do subcoberto poderá ainda contribuir para a redução da continuidade vertical do combustível vegetal, favorecendo potencialmente a diminuição do risco e severidade dos incêndios florestais. Conclui-se que a resinagem poderá constituir um instrumento de valorização económica e gestão ativa dos pinhais mediterrânicos, compatível com a conservação da biodiversidade e com a manutenção de serviços de ecossistema num contexto de alterações climáticas. Development of atypical flowers and unseasonal flowering events: Insights into the reproductive plasticity of Oaks 1: CBMA (Centre of Molecular and Environmental Biology), University of Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal; 2: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 3: CIBIO (Research Center in Biodiversity and Genetic Resources) – InBIO (Research Network in Biodiversity and Evolutionary Biology), University of Porto, Campus Agrário de Vairão, Rua Padre Armando Quintas, 4485-661 Vairão, Portugal; 4: Department of Biology, Faculty of Sciences, University of Porto, Rua do Campo Alegre s/n, 4169-007 Porto, Portugal; 5: MHNC-UP—Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto – Herbário PO, Universidade do Porto, Praça Gomes Teixeira, 4099-002 Porto, Portugal The development of unisexual flowers depends on the intricate coordination of flower organ identity and sex determination mechanisms. Unisexual flowering has emerged several times throughout evolution, being observed in 10% of flowering plants, and is thought to increase adaptive fitness by promoting cross-breeding and gene flow. Oaks (genus Quercus) are generally considered as strictly monoecious, with each individual tree displaying fully segregated male and female flowers in separate inflorescences. However, previous reports of atypical flowering across the genus contrast with this classical view, suggesting that oak flowering may be more flexible than traditionally assumed. The molecular mechanisms that coordinate floral development have been extensively characterized in model species, with most flower-promoting cues being integrated in the expression of FLOWERING LOCUS T (FT) in the leaves. The FT protein migrates to the meristems, and orchestrates the conversion from a vegetative to a reproductive state. Following floral initiation, the identity of each floral organ is specified by different combinations of transcription factors, as outlined by the ABCDE-model. However, despite the great economic and ecological importance of the Quercus genus, studies on the processes that control flower development in oaks are scarce. In this work, recurrent hermaphroditic flowering in Quercus orocantabrica and Q. ilex is reported, occurring in several individuals and over several years. Unseasonal flowering events throughout the growth season were also detected, generally associated with an increased frequency of hermaphroditic flowers. In addition, a differential expression of B- and C-class genes in male and female flowers was detected, with B-class genes being predominantly expressed in male flowers. The B-class gene PISTILLATA is exclusively expressed in male flowers of Q. suber and Q. ilex, while being expressed in both male and hermaphroditic flowers of Q. orocantabrica, tightly associating the expression of this gene to the initiation and development of stamens. The C-class gene SHATTERPROOF is expressed in both flowers of Q. suber and Q. ilex, but is not detected in Q. orocantabrica male flowers, despite the absence of significant morphological differences between the flowers of these species. Collectively, these results support a reinterpretation of oak reproductive biology, based on a versatile and responsive system reliant on distinctly complex regulatory processes. Efeitos da plantação de espécies autóctones nas propriedades físicas do solo e no armazenamento de carbono na Reserva da Faia Brava, NE de Portugal 1: CIMO, LA SusTEC, Universidade Politécnica de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal; 2: Cordenação de Engenharia Ambiental (COEAM), Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Francisco Beltrão, 85601-970, Paraná, Brasil O solo constitui um sistema dinâmico e complexo, fundamental para a sustentação dos serviços ecossistémicos terrestres e para a regulação do ciclo global do carbono, representando o maior reservatório de carbono nos ecossistemas terrestres. A avaliação das suas propriedades físicas, químicas e biológicas é, por isso, indispensável para monitorizar o seu estado de conservação e antecipar trajetórias de degradação ou recuperação. O presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da instalação de espécies arbóreas autóctones nas propriedades físico-hídricas do solo e no armazenamento de carbono orgânico na Reserva Natural Privada de Faia Brava, localizada no Nordeste de Portugal. A amostragem foi realizada em sete parcelas experimentais (P0, P1, P2, P3, P4, P6 e P7), sujeitas a plantação recente de espécies autóctones. Em cada parcela foram definidos aleatoriamente oito pontos de amostragem, distribuídos equitativamente entre a zona plantada (ZP) e o solo original não intervencionado (SO), utilizado como controlo. As amostras foram recolhidas em três profundidades: 0–5 cm, 5–10 cm e 10–20 cm. Em laboratório, foram determinados os seguintes indicadores: permeabilidade saturada, densidade aparente, porosidade total (macroporosidade e microporosidade), capacidade máxima para a água, capacidade de campo, estabilidade de agregados (frações de 0,25 mm e 0,40 mm) e carbono orgânico armazenado. Os resultados evidenciaram que a permeabilidade do solo se manteve superior a 25 cm h⁻¹ em ambas as situações (ZP e SO), correspondendo à classe de permeabilidade muito rápida, sem diferenças significativas entre tratamentos. A densidade aparente registou valores inferiores a 1,5 g cm⁻³ em ambos os casos, não indicando compactação relevante. Contudo, a porosidade total, a capacidade máxima para a água, a capacidade de campo e a estabilidade dos agregados da fração 0,25 mm apresentaram valores significativamente superiores no SO comparativamente à ZP, sugerindo que as operações de mobilização do solo associadas à plantação induziram uma deterioração da estrutura porosa e da coesão agregada. O armazenamento de carbono orgânico foi igualmente superior no solo original, o que evidencia o papel da perturbação mecânica do solo no estímulo à mineralização da matéria orgânica e na consequente libertação de CO₂ para a atmosfera. Os resultados obtidos indicam que, embora a plantação de espécies autóctones constitua uma estratégia de restauro ecológico com potencial a médio e longo prazo, as operações de preparação do terreno provocam, numa fase inicial, uma degradação temporária da qualidade física do solo e uma redução no seu potencial de sequestro de carbono. Estes dados sublinham a necessidade de adotar práticas de mobilização mínima do solo em projetos de reflorestação, de forma a mitigar os impactos negativos sobre as funções edáficas e o balanço de carbono nos ecossistemas restaurados. Restauro e monitorização da conectividade transversal entre habitats ripícolas e florestais. Caso de estudo na serra da Gardunha no âmbito do LIFE Alnus Taejo 1: MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute. Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento, Escola de Ciências e Tecnologia, Universidade de Évora, Portugal; 2: EcoSalix - Sistemas Ecológicos de Engenharia Natural, Lda., Portugal; 3: Universidade de Évora, Portugal; 4: LEAF - Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Center, Associated Laboratory TERRA. Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 5: CTAEX, Centro Tecnológico Nacional Agroalimentario, Ctra. Villafranco-Balboa Km. 1,2 - 06195 Badajoz, Espanha.; 6: Ambienta, Ingeniería y Servicios Agrarios y Forestales S.L.; 7: Escuela Técnica Superior de Ingeniería de Montes, Florestal y del Medio Natural, Universidad Politécnica de Madrid, Espanha.; 8: Fundación Cesefor, Espanha Os ecossistemas ripícolas são estruturas importantes na conectividade longitudinal e transversal de habitats com um papel determinantes na conservação da biodiversidade e resiliência da paisagem. Neste trabalho apresenta-se um caso de estudo no âmbito do projeto LIFE ALNUS TAEJO project – “Conservation and restoration of Mediterranean alder forests, priority habitat 91E0*, in the International Tagus River Basin” – aims to conserve and restore riparian ecosystems dominated by alder (Alnus glutinosa). Na serra da Gardunha foram aplicadas ações de restauro ecológico no âmbito do projeto citado, apresentando-se os resultados de aplicação de medidas controlo de espécies exóticas invasoras, concretamente de Acacia dealbata, e criação de uma zona tampão de transição entre habitats florestais e o habitat listado na Diretiva Habitats 91E0, onde se incluem os amiais ripícolas. A solução de restauro foi desenhada com base no conhecimento das geosséries ripícolas, permitindo uma recuperação com base na vegetação natural climatófila e ripícola do território biogeográfico em questão. Numa fase inicial foi efetuada uma caracterização ecológica detalhada da área de estudo, incluindo a avaliação do índice de qualidade do habitat fluvial, da conectividade dos bosques ripícolas, das pressões ambientais existentes, bem como a realização de levantamentos fitossociológicos e cartografia da vegetação. Esta análise permitiu identificar e delimitar áreas invadidas por espécies exóticas invasoras, principalmente Acacia dealbata e Arundo donax, consideradas entre os principais fatores de degradação destes ecossistemas. Com base neste diagnóstico foram implementadas ações de restauro assentes em soluções baseadas na natureza, incluindo o controlo de espécies invasoras, a criação de uma zona tampão de transição entre os habitats florestais envolventes e os amiais ripícolas, bem como a plantação de espécies autóctones características da geossérie Galio broteriani-Alneto glutinosae geosigmetum. A conceção das intervenções teve por base o conhecimento da vegetação potencial e das dinâmicas ecológicas naturais do território, procurando restabelecer os gradientes ecológicos entre o bosque ripícola e os habitats florestais adjacentes. Foram realizadas ações de descasque de acacial de Acacia dealbata e seguida de corte após cerca de 1 ano numa área de 2000 m2, a qual foi posteriormente plantada com as espécies características das séries identificadas. Dos resultados da monitorização das intervenções, salienta-se o sucesso das plantações estimado em 90% potenciando a evolução da biodiversidade e da estrutura da vegetação na direção da vegetação de referência seguida nas parcelas de controlo. A regeneração de Acacia dealbata verificou-se inferior a 10%, registando-se contudo um aumento na colonização de espécies nitrófilas e ruderais de cerca de 20% em algumas parcelas de monitorização. Agradecimentos: Os autores agradecem o apoio financeiro do programa LIFE da Comissão Europeia, através do projeto LIFE ALNUS TAEJO (LIFE20 NAT/ES/000021), bem como da unidade de I&D MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development (DOI: 10.54499/UID/05183/2025) e do Laboratório Associado CHANGE – Global Change and Sustainability Institute (DOI: 10.54499/LA/P/0121/2020). Revisão do Plano de Gestão da Pesca Lúdico-Desportiva da Zona de Pesca Lúdica do rio Mente 1: ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte; Departamento Regional de Gestão e Valorização da Floresta; Divisão de Extensão e Competitividade Florestal; Parque Florestal, 5000-567 Vila Real; 2: ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte; Departamento Regional de Gestão e Valorização da Floresta; Divisão de Gestão Florestal do Norte Litoral; Parque Florestal, 5000-567 Vila Real; 3: CITAB-UTAD - Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento Florestal, 5000-801 Vila Real, Portugal; 4: CIBIO, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, InBIO Laboratório Associado, Campus de Vairão, Universidade do Porto, 4485-661 Vairão, Portugal Este estudo apresenta os resultados da revisão do Plano de Gestão e Exploração da Zona de Pesca Lúdica (ZPL) do rio Mente, implementado em 2020, avaliando a adequação do modelo de ordenamento e gestão após cinco anos de aplicação. A investigação incidiu sobre as massas de água do rio Mente e principais tributários integrados no Parque Natural de Montesinho (PNM), abrangendo oito estações de amostragem distribuídas pelo rio Mente, rio Mousse e ribeira da Aveleda/rio de Vale de Madeiros. A metodologia replicou o protocolo aplicado em 2019, integrando a avaliação da qualidade hidromorfológica e ripária através da metodologia River Habitat Survey (RHS) bem como a monitorização das comunidades piscícolas por pesca elétrica, num total de 24 amostragens. Foram ainda analisados parâmetros de idade, crescimento, condição corporal e relação das espécies com os diferentes tipos de habitat, visando reforçar estratégias de gestão sustentável dos recursos aquícolas. Os resultados confirmam a elevada heterogeneidade e qualidade ecológica destes ecossistemas aquáticos e ribeirinhos, classificados entre seminaturais e significativamente modificados, refletindo simultaneamente a influência da ação humana e das alterações globais. A truta-de-rio (Salmo trutta) manteve ampla distribuição espacial, ocorrendo em todas as estações do rio Mente e do rio Mousse. A população apresenta crescimento isométrico e uma estrutura demográfica equilibrada, com cerca de 52% de indivíduos imaturos (≤2 anos) e 44% de exemplares reprodutores, evidenciando capacidade de renovação populacional e resiliência ecológica. O rio Mousse continua a assumir um papel determinante na conservação desta espécie. Destaca-se igualmente o aumento expressivo da população de boga, com predominância de indivíduos juvenis, sugerindo forte recrutamento recente. Em contrapartida, verificou-se uma expansão significativa do lagostim-sinal (Pacifastacus leniusculus), atualmente presente em todas as estações do rio Mente e na confluência do rio Mousse, situação que reforça a necessidade de monitorização e controlo desta espécie invasora. Os resultados obtidos sustentam a manutenção do modelo de gestão atualmente em vigor, reforçando a importância de uma abordagem integrada entre conservação da natureza e valorização sustentável da pesca lúdica. As medidas propostas permanecem alinhadas com os objetivos de conservação do projeto POSEUR-03-2215-FC-000096 – “ Conservação e Gestão das Comunidades de Mexilhão-de-Rio (Margaritifera margaritifera)”, contribuindo para a preservação dos ecossistemas fluviais de montanha e dos seus recursos endógenos. |
| 17:00a18:00 | Mesa Redonda 2 - Tendências e desafios das ciências e da investigação florestal Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: João C. Azevedo Com a participação de Margarida Tomé, Universidade de Lisboa Giovanni Sanesi, Università degli Studi di Bari Aldo Moro Filipe Costa e Silva, Universidade de Lisboa Felipe Bravo, Universidad de Valladolid José Gaspar, Universidade Politécnica de Coimbra |
| 18:00a18:30 | Performance Musical pelos Alunos do Curso Profissional de Jazz da EACMC Localização: Átrio ESAC |
| 18:30a19:30 | Sessão de Pósteres n.º 2 Localização: Átrio ESAC |
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Arborização urbana reflete padrões espaciais de metais pesados em área sob influência industrial 1: Universidade Federal do Espírito Santo, Brazil; 2: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brazil; 3: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal A contaminação atmosférica por metais pesados em áreas urbanas industrializadas representa um importante desafio ambiental, especialmente em cidades com histórico prolongado de atividade industrial. Nesse contexto, espécies da arborização urbana podem ser utilizadas para avaliar a deposição de poluentes. O presente estudo teve como objetivo investigar a concentração de metais pesados na casca de Terminalia catappa L. e sua distribuição e associação com padrões de deposição atmosférica em ambiente urbano. O estudo foi conduzido em Volta Redonda, município com intensa atividade siderúrgica no estado do Rio de Janeiro, Brasil. Amostras de casca foram coletadas em duas regiões com diferentes potenciais de exposição à deposição atmosférica, nas regiões Sudeste e Noroeste. As concentrações de cádmio (Cd), chumbo (Pb), cobre (Cu), cromo (Cr) e níquel (Ni) foram determinadas por espectrometria de absorção atômica com forno de grafite. Dados climatológicos da região foram utilizados para caracterizar a direção predominante dos ventos. Os resultados evidenciaram diferenças consistentes entre as regiões, com concentrações significativamente mais elevadas na região Sudeste, onde foram observados valores de 0,17 mg/kg para Cd, 3,34 mg/kg para Pb, 3,36 mg/kg para Cu, 1,17 mg/kg para Cr e 1,75 mg/kg para Ni. Os boxplots mostraram pouca sobreposição, indicando diferenças consistentes entre as áreas. A análise de componentes principais evidenciou a separação entre as regiões e um gradiente de contaminação associado aos metais analisados. A proximidade entre os vetores indica que esses elementos apresentam comportamento semelhante, sugerindo origem comum relacionada à atividade industrial. Considerando a direção predominante dos ventos (Oeste–Leste), o padrão observado é consistente com a hipótese de transporte atmosférico de partículas industriais, contribuindo para a diferenciação entre as áreas avaliadas. Nesse contexto, a casca de Terminalia catappa evidenciou sensibilidade na detecção de variações espaciais de contaminação, o que sugere seu potencial como biomonitor passivo. Portanto, a distribuição de metais pesados apresentou padrões consistentes em ambientes urbanos industrializados, possivelmente influenciados por fatores meteorológicos, e espécies arbóreas com elevada capacidade de retenção de partículas podem atuar como biomonitores passivos, contribuindo para o monitoramento ambiental, a compreensão dos processos de dispersão de poluentes e o suporte à gestão da qualidade do ar. As Zonas Permanentes de Proteção Social Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Geografia, Universidade do Minho, Portugal As interfaces urbano-florestais (IUF) são territórios dotados de vulnerabilidades relacionadas com os incêndios florestais e apresentam um elevado risco de ignição de incêndios florestais, pelo que urge gerir estes territórios por forma a torná-los mais resilientes aos referidos incêndios. Após uma pesquisa bibliográfica relacionada com a proteção contra incêndios em áreas de interface urbano florestal, procedeu-se à revisão e sistematização da legislação florestal relativa às IUF, bem como dos planos e programas em curso ou em preparação, com o objetivo de contextualizar uma proposta de introdução do conceito de Zona Permanente de Proteção Social (ZPPS). O risco de incêndio na IUF envolve fatores geográficos como a demografia, orografia, declives, exposições e histórico da área ardida, mas que são indissociáveis do tipo de combustível e do modo de inserção das estruturas no espaço. A largura das faixas de proteção imposta ou recomendada nos diversos países não difere grandemente. Nos Estados Unidos da América e Canadá, a largura recomendada para faixa de proteção em torno de uma habitação é de 30m, enquanto para vários países europeus como a França, a Grécia ou Portugal, esta largura é de 50m. Os estudos que suportam estas definições são essencialmente norte americanos, e indicam que a probabilidade de ignição de um edifício afastado a mais de 30 m de um contínuo florestal é praticamente nula. As ZPPS devem ser faixas de proteção permanentes e estruturais no espaço e no tempo que, deverão ter uma faixa de 5m desprovida de qualquer estrato vegetativo ou comunidade vegetativa, preferencialmente com solo mineral ou outro material naturalizado e ou permeável. As ZPPS espacialmente definem-se como uma faixa de proteção dos 0 a 5m sem combustível, entre os 5 a 15 m uma faixa de proteção em que devem estar presentes apenas o(s) estrato(s) herbáceo(s) e ou estrato(s) arbustivo(s). Na faixa de proteção entre os 15 a 30m, deverá privilegiar-se a presença de árvores autóctones como Quercus robur – carvalho-alvarinho, Quercus suber – sobreiro e Quercus rotundifolia – azinheira. Acrescenta-se ainda que existem um conjunto de outras espécies florestais que devem ser utilizadas como o Quercus pyrenaica – carvalho-negral e Quercus faginea – carvalho-cerquinho. As espécies resinosas de folha curta são um importante aliado no comportamento do fogo na paisagem, pelo que têm uma importante função no mosaico florestal ou na paisagem, pelo que destacam-se as espécies como Pseudotsuga menziesii – Pseudotsuga, Pinus sylvestris – pinheiro-silvestre, Pinus nigra – pinheiro-larício e Pinus radiata – pinheiro-de-monterrey, desde que se garanta a descontinuidade vertical permanente entre os estratos herbáceos e arbustivos na época estival em relação ao estrato arbóreo. Entre os 15 a 30m, deverá privilegiar-se a presença de árvores, sem qualquer espaçamento entre copas, garantindo a maior área de ensombramento em permanência, de modo a diminuir os estratos herbáceos e arbustivos, devido ao ensombramento, potenciando as condições climáticas desfavoráveis à ocorrência do fogo, como temperaturas (⁰C) / ventos (km/h) abaixo do referencial 30 e humidades (%) acima do referencial 30. Com as ZPPS, garante-se estrutural e espacialmente uma faixa de proteção de 30m à floresta, ao edificado, infraestruturas, pessoas e bens. Interface Urbano-Florestal, classificação do solo e proteção do edificado: contributos para a evolução dos critérios de gestão do risco de incêndio rural Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Geografia, Universidade do Minho, Portugal A expansão da Interface Urbano-Florestal (IUF) constitui um dos principais desafios ao ordenamento do território e à gestão integrada de fogos rurais em Portugal, aumentando a exposição de pessoas, bens e infraestruturas aos incêndios. O atual enquadramento jurídico, nomeadamente o Decreto-Lei n.º 82/2021, estabelece critérios de proteção do edificado assentes, em grande medida, na classificação do solo e na existência de faixas de gestão de combustível. Esta abordagem, predominantemente prescritiva, não reflete a complexidade dos fatores que condicionam a sobrevivência das edificações perante incêndios rurais, justificando a evolução para modelos de avaliação do risco baseados no desempenho global das medidas de proteção. Redimensionamento da faixa de proteção associada ao condicionamento à edificação em solo rústico: impactos territoriais, operacionais e económicos da transição de 50 m para 30 m Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Geografia, Universidade do Minho, Portugal A prevenção estrutural dos incêndios rurais constitui um dos pilares do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), influenciando diretamente o ordenamento do território, a gestão florestal e o licenciamento urbanístico. O Decreto-Lei n.º 82/2021 estabelece condicionamentos à edificação em solo rústico associados à existência de territórios florestais, tendo o Regulamento de Gestão de Combustível do ICNF admitido a adaptação territorial da largura das faixas de proteção de 50 m para 30 m. Este redimensionamento poderá reduzir significativamente os condicionamentos territoriais e os custos de gestão de combustível, sem comprometer a eficácia da proteção do edificado quando integrado numa abordagem multifatorial de avaliação do risco. Nos Estados Unidos e no Canadá, a largura recomendada para a faixa de proteção em torno do edificado é, em regra, de 30 m. Governança florestal em Portugal: instabilidade política, diferentes modelos e caminhos para a codificação legislativa florestal UTAD, Portugal O enquadramento jurídico florestal português caracteriza-se pela sua desatualização, dispersão e fragmentação normativa, reflexo das sucessivas reformas legislativas conjunturais e de um processo de codificação florestal que, embora iniciado, pelo menos desde 1839, continua por concluir. Ora, num contexto de crescente reconhecimento internacional da importância da governança florestal para o desenvolvimento sustentável do território, esta realidade constitui um obstáculo estrutural à implementação de medidas e políticas públicas florestais eficazes e coerentes. Este trabalho analisa a governança florestal em Portugal numa perspetiva histórica e comparativa, abrangendo o período compreendido entre 1839 e 2015, com base em fonte primária, nomeadamente registos parlamentares do Arquivo Histórico da Assembleia da República, Diários do Governo e Diário da República, e recorrendo à análise diacrónica, à análise PESTEL adaptada ao contexto das políticas públicas florestais e à correlação de Pearson entre a variação de Chefes de Governo e a produção legislativa de codificação florestal. No plano nacional, os resultados evidenciam uma correlação negativa moderada (r = −0,161) entre a variação de Chefes de Governo e o número de diplomas aprovados, e uma correlação positiva significativa entre a estabilidade governativa e as propostas de lei aprovadas (r = 0,540) e as iniciativas governamentais de codificação florestal (r = 0,684). Estes valores demonstram que a instabilidade política constitui um obstáculo estrutural à aprovação de instrumentos legislativos de médio e longo prazo no setor florestal. Já a análise PESTEL identifica como fatores determinantes: a adoção recorrente de medidas conjunturais desencadeadas por eventos disruptivos como os grandes incêndios rurais; a complexidade do modelo de governança florestal com elevado número de agentes com atuação processual e riscos de sobreposição de competências; e a dificuldade de obtenção de consensos técnicos e políticos necessários que transcendam os ciclos governativos. Ao nível comparativo, a análise do enquadramento jurídico florestal de França, dotada de Código Florestal, com uma estrutura bipartida em parte legislativa e regulamentar; de Espanha, com a Ley de Montes e o Plano Florestal Espanhol 2022–2032; e da Roménia, também com Código Florestal desde 2008, evidencia que a adoção de instrumentos jurídicos sistematizados se associa a uma maior coerência normativa, a uma governança florestal mais eficiente e a um maior alinhamento com os compromissos europeus e internacionais em matéria de gestão sustentável das florestas. Conclui-se assim que a ausência de um Código Florestal em Portugal não é um mero problema técnico-jurídico, mas essencialmente um desafio de governança. A codificação florestal constitui uma condição necessária para a clareza e segurança jurídica, para a literacia jurídica dos seus destinatários e para a coerência das medidas e políticas públicas florestais, contribuindo de forma estrutural e transversal para uma gestão sustentável do território e para o reforço das conexões entre floresta, pessoas e território. Da vulnerabilidade à resiliência: mitigação de riscos associados a matrizes florestais não-hospitaleiras através de corredores multifuncionais 1: Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-139 Faro, Portugal; 2: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves" (CEABN- InBIO), Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017, Portugal A floresta portuguesa, e em particular as paisagens de produção intensiva, enfrenta um ciclo crónico de vulnerabilidade. A homogeneização da paisagem, marcada pelo predomínio de povoamentos exóticos monoespecíficos (como o caso de Eucalyptus spp.), aliada ao despovoamento e ao consequente abandono e negligência da gestão silvícola, consolidou uma matriz florestal estruturalmente simplificada. Condição esta que agrava a suscetibilidade a incêndios rurais de grande escala e aos processos subsequentes de degradação e perda de solo. Os atuais modelos de gestão territorial, revelam-se ineficazes para travar este declínio sistémico e para proteger o equilíbrio ecológico. Face a este diagnóstico, sugere-se uma mudança de paradigma: a transição de um modelo de conservação em prol de uma gestão florestal ativa, planeada e estruturada. O presente trabalho, centrado no estudo de caso de Monchique (Faro, Portugal), propõe o contributo para o desenho de uma Infraestrutura Verde (IV), materializada sob forma de uma Rede de Corredores Verdes Multifuncionais. Com recurso a um modelo de análise holística eco-cultural da paisagem, esta rede atua de forma complementar à Estrutura Ecológica Municipal, advogando o conceito de multifuncionalidade. O objetivo central é a rutura da matriz de resistência ecológica e interrupção do risco de incêndio, imposto pela referida homogeneização. Este tipo de infraestrutura, para além do contributo ambiental, sustenta-se em pilares de valorização socioeconómica e cultural da paisagem, assentes na sua reabilitação. Sugere-se a promoção da heterogeneidade vegetal e a gestão horizontal de combustíveis através de práticas não consuntivas; a sustentabilidade da reconversão dos mosaicos florestais, através da criação de modelos de gestão apoiados em mercados emergentes como a venda de créditos de carbono e a revitalização da silvopastorícia; e a atratividade cultural e a sua integração em lógicas de bioeconomia e remuneração por serviços de ecossistema; viabilizadas por mecanismos de financiamento atuais (e.g., Fundo Ambiental, Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e Programa de Transformação da Paisagem (PTP)). Procura-se, deste modo, visar que a resiliência e a sustentabilidade do setor florestal não se alcançam pela supressão da atividade produtiva ou pela imposição de regimes intransigentes, mas pela metamorfose da floresta num sistema dinâmico, onde a mitigação do risco impulsiona um mosaico rentável, dinâmico e polivalente. Extração de Arbutina a partir de folhas de Arbutus unedo: Comparação de Métodos 1: IPC/ESAC, Coimbra; 2: CERNAS /IPC, Coimbra; 3: CERES, FCTUC, Coimbra Arbutus unedo L. é uma espécie mediterrânica que prospera numa variedade de solos, desde xisto, calcário e granito até areias costeiras, desempenhando um importante papel cultural, ambiental e económico a nível nacional. Existem alguns desafios associados ao seu cultivo: a) alcançar uma escala de produção baseada em resultados de I&D; b) adquirir capacidade organizacional em termos de produção e comercialização; c) obter apoio financeiro para dar continuidade aos trabalhos de I&D, particularmente no âmbito das plantas medicinais. Devido às suas propriedades antissépticas, em especial à presença de arbutina, as folhas do medronheiro têm sido utilizadas na medicina tradicional para tratar nefrite, cistite e pielonefrite. Mais recentemente, a arbutina tem sido utilizada na cosmética para reduzir manchas escuras e hiperpigmentação. Este trabalho envolveu o desenvolvimento de um método para a análise de arbutina em folhas de medronheiro por HPLC de fase reversa, utilizando uma coluna C18 e deteção por ultravioleta, com o objetivo de comparar a eficiência de extração entre as técnicas de ultrassons e moagem por bolas. Foi preparada uma solução padrão-mãe de arbutina a 500 µg/ml a partir do respetivo padrão de Arbutina 98% (CAS 497-76-7), dissolvido em metanol grau HPLC. A curva de calibração foi obtida para concentrações na gama de 20,0–200,0 µg/ml, com sete níveis de concentração (R² = 0,9983). Folhas de um medronheiro adulto foram secas a 65 °C, moídas, peneiradas e extraídas num banho ultrassónico numa mistura H₂O:CH₃OH (95:5). Em alternativa, discos de folhas do mesmo medronheiro adulto com 5 mm de diâmetro foram excisados, sem secagem prévia, e macerados a 4,5 m/s durante 10 segundos num disruptor celular FastPrep120 (Savant Bio 101). Os resultados obtidos, expressos em mg de arbutina/g de peso seco a 65 °C, foram de 14,3 ± 2,4 (n=6; CV=16,5%) com ultrassons e 22,3 ± 4,0 (n=3; CV=17,9%) com o moinho de bolas, tendo este último método sido escolhido pela sua simplicidade, rapidez e eficiência para futura avaliação do teor de arbutina em diferentes clones selecionados a nível nacional. Agradecimentos: Este trabalho foi financiado pelos projetos “Conservação e Melhoramento dos Recursos Genéticos do Medronheiro”, PDR2020, Ref. 784-042742, Operação 7.8.4, e “Forest for Future” (F4F) — Projeto-Piloto para a Constituição de uma Rede Regional de Valorização do Setor Florestal na Região Centro (Pilar PP16). Biomassa florestal residual e bioeconomia territorial: modelo de valorização em cascata desenvolvido no âmbito do projeto RESIST 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: Mota-Engil BCircle A biomassa florestal residual (BFR) pode constituir um recurso estratégico, mas continua insuficientemente mobilizada em Portugal. Embora a sua valorização possa contribuir para a redução do risco de incêndio, para a gestão ativa da floresta e para o reforço da resiliência territorial, este potencial permanece condicionado pela dispersão da propriedade, pela heterogeneidade dos materiais, pelos custos logísticos e pela fraca articulação entre produção, pré-processamento, tecnologia e mercado. Em Portugal, a BFR permanece concentrada em usos energéticos convencionais. Em 2020, a produção elétrica e a cogeração representavam mais de 70% do consumo nacional deste recurso. Esta realidade contrasta com a trajetória europeia, orientada para cadeias de maior valor acrescentado, como bioprodutos, biomateriais e biocombustíveis avançados. O desafio nacional não é apenas remover sobrantes, mas convertê-los em matéria-prima de maior valor acrescentado. Neste contexto, o modelo desenvolvido no âmbito do RESIST propõe uma abordagem territorial integrada para transformar a BFR de passivo operacional da gestão florestal em recurso estratégico para cadeias regionais de bioeconomia. O modelo incide nas Comunidades Intermunicipais da Região de Coimbra e do Médio Tejo, abrangendo 30 municípios, mais de 768 000 ha e cerca de 680 000 habitantes, num território com forte expressão florestal, elevada vulnerabilidade ao fogo e ativos logísticos, tecnológicos e industriais relevantes. A abordagem assenta numa arquitetura modular e em cascata, organizada em hubs intermunicipais e corredores funcionais. Na CIM RC, a rede intermunicipal de 10 parques e 13 contentores de biomassa permite estruturar dois corredores complementares, um interior, com potencial de fornecimento de 72 567 t/ano de BFR, e um litoral, com 108 190 t/ano. Esta infraestrutura tem potencial para aproximar o pré-processamento das fontes, reduzir custos de transporte e apoiar, de forma faseada, operações de triagem, estilhaçamento, secagem, acondicionamento e controlo de qualidade, criando condições para o futuro abastecimento regular dos módulos de valorização. A robustez do modelo resulta na capacidade potencial de mobilizar uma ampla rede de mais de 40 entidades na CIM RC, incluindo atores técnicos, institucionais e industriais, o que demonstra que o território possui competências, infraestruturas e procura suficientes para sustentar toda a cadeia de valor da BFR, desde a recolha até à colocação de bioprodutos no mercado. A cadeia integra quatro rotas de valorização — gaseificação, pirólise lenta, destilação a vapor e extração de taninos — organizadas em cascata para maximizar o valor da BFR, com destaque para a pirólise na valorização de frações lenhosas via produção de biochar. Embora localizada fora da área de intervenção do RESIST, aunidade de biochar em desenvolvimento em Boticas constitui um exemplo relevante de produção descentralizada e modular, ao articular fluxos locais de biomassa, pré-tratamento, conversão termoquímica e potenciais aplicações ambientais e materiais. O modelo RESIST é estratégico para territórios florestais vulneráveis por integrar a BFR numa cadeia de valor em cascata, dependente da articulação entre recursos, infraestruturas e procura, posicionando-a como matéria-prima qualificada para a bioeconomia. Da Fragmentação à Coerência: Perspetivas técnicas sobre o Planeamento da Floresta Urbana em Portugal 1: Department of Architecture (DiDA) - University of Florence, Italy; 2: Centre for Applied Ecology “Professor Baeta Neves” (CEABN), InBIO, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, Lisbon, Portugal Em Portugal, os diversos instrumentos de planeamento da floresta urbana, tais como os Planos de Arborização Urbana, os Planos Verdes ou os Planos de Gestão da Estrutura Verde Urbana, tendem a ser desenvolvidos de forma isolada, sem integração com os restantes instrumentos de planeamento municipal. Esta fragmentação, que se manifesta como uma desarticulação entre estes planos e os restantes instrumentos de planeamento municipal integrado, não é exclusiva de Portugal, verificando-se igualmente noutros contextos europeus. Para melhor compreender esta desarticulação, foi seguido um trabalho de investigação tendo por base as seguintes perguntas: i) Como é que os profissionais lidam com esta desarticulação? ii) Quais são as verdadeiras lacunas entre o que é projetado e a sua implementação; iii) Quais os conflitos existentes durante a elaboração e implementação dos planos de arborização; e iv) Que condições devem existir para que um município possa fazer a transição de instrumentos de planeamento isolados para uma abordagem integrada de planeamento da natureza urbana, tal como sugerido pela UE. A investigação utiliza uma abordagem de teoria fundamentada qualitativa, através de entrevistas semiestruturadas com profissionais que desenvolveram os planos de arborização urbana nos municípios do Porto, Vila Franca de Xira, Lisboa e Lagos, e que constituem os quatro casos de estudo analisados neste trabalho. Através da abordagem de grounded theory, os profissionais são classificados como co-construtores do modelo teórico de compreensão. Nestas entrevistas foram recolhidas informações sobre a diferença entre os objetivos inicialmente estabelecidos para os planos e as atividades que foram implementadas. A análise dos quatro casos de estudo identificou: a) os desafios comuns que afetam os 4 casos; b) quais as especificidades contextuais; c) de que forma os instrumentos normativos interagem com os ciclos políticos; d) como funcionam os processos participativos; e) quais as estratégias adaptativas necessárias para contornar as restrições financeiras e administrativas. Para além disto, e com base na recolha de informação sistemática junto dos profissionais, nomeadamente aquela referente aos constrangimentos que enfrentam, esta investigação definiu as condições estruturais, políticas, económicas, sociais, técnicas e relacionais que possibilitam ou dificultam uma transição real para o planeamento integrado da natureza urbana, coerente com as orientações europeias de restauro ecológico e com as orientações da comunidade científica internacional. Este trabalho preenche uma lacuna entre a literatura sobre o ordenamento do território, frequentemente normativa e prescritiva, e a experiência adquirida pelos profissionais na implementação de planos de arborização e de gestão do verde urbano, geralmente não prescritivos. Os resultados obtidos permitem identificar as condições necessárias para que estes instrumentos possam evoluir para uma abordagem integrada de planeamento da natureza urbana, coerente com as orientações europeias. *Esta contribuição insere-se na tese de doutoramento "Piani del verde e green infrastructures – Strumenti e pratiche per la gestione ecologica degli insediamenti urbani" do Programa Urban Future Studies (University of Florence), orientada pela Prof.ª A. Lambertini (DIDA), co-orientada pela Dr.ª C. Borghi (DAGRI) e pelo Dr. L. Nofroni (DIDA), coordenada pelos Prof. G. Chirici (DAGRI) e G. De Luca (DIDA), com direção científica do Prof. S. Mancuso (DAGRI). Micropropagation and slow growth germplasm conservation of Ilex aquifolium L. 1: CBPBI - Centro de Biotecnologia de Plantas da Beira Interior, Portugal; 2: CERNAS-IPCB - Centro de Estudos em Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Instituto Politécnico de Castelo Branco. Castelo Branco, Portugal; 3: The Navigator Company, Setúbal, Portugal; 4: Viveiros Aliança, Herdade de Espirra, Pegões, Portugal; 5: CIBIO (Research Center in Biodiversity and Genetic Resources) - InBIO (Research Network in Biodiversity and Evolutionary Biology), University of Porto. Campus Agrário de Vairão. Vairão, Portugal; 6: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO. Campus de Vairão. Vairão, Portugal.; 7: MHNC-UP - Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto – Herbário PO, Universidade do Porto. Porto, Portugal; 8: proMetheus - Research Unit in Materials, Energy and Environment for Sustainability, Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Viana do Castelo, Portugal; 9: Departamento de Biologia, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto. Porto, Portugal Ilex aquifolium L., commonly known as European Holly, is a dioecious tree species of significant ecological and ethnobotanical value. Due to its critical decline caused by overexploitation for ornamental purposes and habitat loss, I. aquifolium has been legally protected in Portugal since 1989 (Decree-Law No. 423/89), which strictly prohibits the collection, transport, or sale of wild specimens. Given its legal protection and the critical decline of wild populations, the development of efficient biotechnological tools is crucial to ensure its long-term survival and genetic diversity. The aim of this study was a development of an efficient micropropagation protocol and a slow growth conservation assay. The establishment was done from an adult plant tree from Monchique mountains. Nodal segments were cultured on Woody Plant Medium (WPM) supplemented with different cytokinins to evaluate their effects on shoot induction and multiplication. The experimental design evaluated 2-isopentenyladenine (2iP), 6-benzylaminopurine (BAP), and kinetin (KIN), each tested at concentrations of 0.5, 1.0, and 2.0 mg/L. For the rooting assay, indole-3-butyric acid (IBA) was applied at 1, 3, and 5 mg/L. During the multiplication stage, the best results were obtained with 0.5 mg/L BAP, yielding a maximum shoot length of 20 mm and a multiplication rate of 2.7, although the explants exhibited mild hyperhydricity. The highest rooting efficiency was achieved using 5 mg/L IBA, which resulted in 97% and 100% rooting after 7 and 30 days, respectively. At acclimatization phase, under a relative humidity control environment, 100% of survival was achieved. Regarding slow growth conservation, viable explants were successfully retrieved after 12 months of cold storage across different conservation interval times. This study establishes the baseline protocol for micropropagation and conservation of I. aquifolium as essential tools for the preservation of this species. Funding: These studies were supported by the TransForm Mobilisation Agenda (PRR 02/C05-i01/2022), funded by the European Union through the Recovery and Resilience Plan (RRP) and the NextGenerationEU fund, under component C5 – Capitalisation and Business Innovation Monitoring cork oak natural regeneration in Mediterranean forests to sustain cork production under climate and management pressures 1: Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro Centro de Investigacao e de Tecnologias Agro-Ambientais e Biologicas, Portugal; 2: Amorim Florestal, S.A. Cork oak (Quercus suber L.) forests are emblematic Mediterranean socio-ecological systems, supporting biodiversity conservation, rural economies, cork production and cultural heritage. Their long-term sustainability depends on the vitality of adult trees and, critically, on successful natural regeneration, which ensures stand renewal and the continued provision of cork as a high-value non-wood forest product. This study was conducted within the R&D&I framework of the Mobilising Agenda TransForm – Digital Transformation of the Forestry Sector towards a Resilient, Low-Carbon Economy, supported by the Portuguese Recovery and Resilience Plan and NextGenerationEU funds. As part of the collaborative project Resilient Forest Management, a network of permanent plots has been established across Portugal to monitor forest dynamics and environmental responses. Within this framework, research and pilot plots located in cork oak forests in northern Portugal were used to assess tree- and stand-level dynamics, with particular focus on early regeneration processes. The main objectives were to assess natural regeneration dynamics and compare two sampling designs commonly used in ecological and forestry monitoring: Line Transects and Radial Clusters. Over the two-year study period, both methods were applied to evaluate acorn density, seedling emergence and seedling mortality. The results confirmed the central role of acorn availability in regeneration success and revealed clear differences between sampling approaches and demonstrated that sampling design can strongly influence regeneration estimates. In particular, less spatially representative methods may underestimate early regeneration patterns. The findings indicate that the Radial Cluster design provides a more representative and efficient assessment of cork oak regeneration than traditional line transects. Its adoption within the TransForm permanent plot network can therefore improve the robustness of regeneration monitoring and support the early detection of changes in stand dynamics. The study also highlights the complex interaction between biological, environmental and management drivers, including acorn production, drought stress and stand structure, particularly stand density. Years with high acorn production and favourable canopy conditions supported initial seedling emergence, but summer drought emerged as the main bottleneck for regeneration success. High temperatures, irregular rainfall and prolonged dry periods may severely limit seedling survival, while local soil constraints, such as compaction and low fertility, can further reduce recruitment potential. Overall, these results reinforce the importance of systematic and consistent monitoring of natural regeneration as a priority for adaptive cork oak forest management. In a context of increasing climatic variability and management pressures, reliable natural regeneration data are essential for identifying early warning signs of ecosystem decline, guiding timely management responses, safeguarding cork production, promoting stand resilience and preserving the ecological, economic and cultural legacy of cork oak landscapes. Intra-annual growth carry-over under rising summer VPD in Mediterranean Pinus pinaster forests 1: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 2: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Vila Real, Portugal In northern Portugal, maritime pine (Pinus pinaster Ait.) stands are increasingly threatened by rising summer Vapor Pressure Deficit (VPD) and declining seasonal rainfall. Utilizing multi-decadal tree-ring width chronologies (1965–2023) from mature stands in the Tâmega River basin, this study examined how summer atmospheric aridity, seasonal precipitation, and intra-annual growth legacies interact to shape latewood formation. Our analyses demonstrate that summer VPD imposes a persistent, additive constraint on latewood width alongside summer precipitation, operating as a co-limiting driver rather than replacing rainfall controls. While lagged climate memory from prior years has attenuated in recent decades, current-year VPD sensitivity has remained remarkably stable. Crucially, tests of intra-annual growth coordination showed that the earlywood-to-latewood carry-over did not collapse under intensifying atmospheric stress. Instead, this biological legacy strengthened after 2000, acting independently of VPD and serving as the primary structural determinant of latewood growth. These findings highlight that internal growth carry-over plays a key role in buffering secondary growth against summer atmospheric aridification in Mediterranean maritime pine forests. Rede de monitorização de longo prazo de pinheiro-bravo no Norte de Portugal: Síntese e potencial da base de dados Data-Pinaster 1: Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 2: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Vila Real, Portugal A monitorização de longo prazo das florestas é fundamental para apoiar estratégias de gestão florestal adaptativa, sustentando o desenvolvimento de modelos silvícolas ajustados às condições atuais e capazes de responder aos desafios futuros, com base em informação recolhida ao longo de décadas de evolução observada dos povoamentos. O pinheiro-bravo (Pinus pinaster Ait.) é uma das espécies florestais mais representativas em Portugal, desempenhando um papel central na produção lenhosa, nas economias rurais e na provisão de serviços de ecossistema. Reconhecendo a importância de séries temporais de longa duração para apoiar a gestão sustentável desta espécie, foi criada, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), na década de 1990, a base de dados Data-Pinaster, a qual sustentou o desenvolvimento de importantes ferramentas de apoio à gestão florestal do pinhal-bravo (e.g., Tabelas de Produção e o simulador ModisPinaster), permitindo o ensaio de modelos de silvicultura e propostas de intervenções orientadas para objetivos diversos. Recentemente, esta infraestrutura de dados foi atualizada no âmbito das atividades de I&D+i da Agenda Mobilizadora TransForm – Transformação Digital do Setor Florestal para uma Economia Resiliente e de Baixo Carbono, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelo programa NextGenerationEU. Neste contexto, um subconjunto de parcelas Data-Pinaster foi integrado na plataforma PlotConnect, desenvolvida no âmbito do TransForm, contribuindo para a digitalização, harmonização e monitorização de longo prazo de dados florestais de pinheiro-bravo. Esta comunicação apresenta a base de dados Data-Pinaster enquanto rede de monitorização de longo prazo na bacia hidrográfica do rio Tâmega, abrangendo os concelhos de Mondim de Basto, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Chaves, no distrito de Vila Real. Adicionalmente, é realizada a caracterização do subconjunto de nove parcelas permanentes dessa base, distribuídas pelos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Chaves, que integram a plataforma PlotConnect. Estas parcelas foram selecionadas para recolha complementar de dados dendrocronológicos, constituindo um suporte consistente para a análise do desenvolvimento dos povoamentos, da dinâmica estrutural e das respostas do crescimento radial ao longo do tempo. Os nove pinhais monitorizados são povoamentos puros e equiénios, apresentando uma idade média de 55 anos, com valores compreendidos entre 32 e 71 anos. As parcelas selecionadas abrangem um amplo gradiente de densidade, variando entre 175 e 2 013 árvores ha⁻¹. Com a quantificação de atributos estruturais ao longo deste gradiente de densidade, é possível estabelecer uma base robusta para avaliar o desenvolvimento e a resiliência dos povoamentos de pinheiro-bravo face às alterações ambientais e climáticas. A integração destas parcelas na plataforma de gestão de parcelas florestais permanentes Plotconnect reforça o conhecimento científico sobre a dinâmica dos povoamentos de pinheiro-bravo, ampliando a capacidade de acompanhar a sua evolução estrutural, sob condições de silvicultura média, avaliar efeitos de competição e investigar de que forma a densidade poderá mediar o impacto de condições ambientais extremas no crescimento das árvores. Genomic Approaches for the Identification of Molecular Markers for Productive Traits in Cork Oak (Quercus suber) 1: Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo (CEBAL)/Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), Beja, Portugal; 2: MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development , CEBAL, 7801-908, Beja, Portugal; 3: CHANGE – Global Change and Sustainability Institute, CEBAL, 7801-908, Beja, Portugal; 4: MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora, Portugal. Cork oak (Quercus suber L.) is an ecologically and economically important evergreen tree species native to the Mediterranean basin. Cork oak trees are found in a unique woodland ecosystem (known as ‘montado’ in Portugal and ‘dehesa’ in Spain), representing one of the most important agro-silvo-pastoral systems in the Mediterranean region, providing essential ecological, economic, and social benefits. These systems play a crucial role in biodiversity conservation, carbon sequestration, risk prevention, soil protection, and sustainable cork production. Cork oak has the ability to produce cork in a sustainable manner being the basis for a unique industry worldwide with a wide range of applications, harnessing its distinctive chemical and physical properties, and remaining one of the most non-wood forest products used worldwide. Cork production is closely linked to the physical development of the cork oak, particularly trunk diameter, which determines when the tree is ready for the first harvest. The first extraction only occurs after approximately 19–25 years of growth, once the legally required diameter is reached, while subsequent extractions only occur every 9–12 years. This relationship allows phenotypic traits such as trunk diameter and height to be used as indicators of potential cork production. Hence, the integration of phenotypic data with high-throughput sequencing technologies allows genotype–phenotype association studies aimed at identifying molecular markers linked to desirable traits, with potential relevance for selection and improvement strategies. In this context, the aim of this study is to identify molecular markers associated with cork productivity. In order to achieve this goal, the F1 cork oak population was selected as the genomic resource. This population is the only known cork oak population in which the progenitors of each offspring are identified, all originating from selected high-quality cork-producing parents. The F1 cork oak population is approximately 12 years old and has been phenotypically characterized during the last years, annually registering the height and diameter for each tree, traits directly associated with cork production. A subset of individuals from this population was selected, focusing on the five largest families. In total, 147 individuals were sampled and sequenced using whole-genome resequencing (WGRS), providing a high-resolution dataset. The collected phenotypic data and the genomic data are currently being analyzed, in order to identify molecular markers associated with cork production traits. Through the use of the unique F1 cork oak population, this work provides a robust framework for studying trait inheritance while establishing a valuable foundation for future research into the resilience and sustainability of this species. Overall, this work is expected to contribute to the generation of genomic resources, providing valuable tools for future breeding and conservation programs of cork oak species. Acknowledgments: Work supported by Interreg Spain-Portugal (POCTEP) through FEDER under the project “SOS_PRODEHESAMONTADO (0086_SOS_PRODEHESAMONTADO_4_E). Authors acknowledge FCT for funding: LM (CEECINST/00131/2018), AU ( https://doi.org/10.54499/CEECINST/00100/2021/CP2774/CT0001), AF (UI/BD/153511/2022; https://doi.org/10.54499/UI/BD/153511/2022), the R&D unit MED (https://doi.org/10.54499/UID/05183/2025), and the Associate Laboratory CHANGE (https://doi.org/10.54499/LA/P/0121/2020). Comparativo da situação fundiária em Glebas Públicas Federais na Amazónia Legal: complexidade e prioridades para gestão florestal 1: CEGAFI UnB, Brazil; 2: Universidade de Brasília, UnB O projecto GovFun Mais Amazónia (CEGAFI, 2023) identificou 2.325 imóveis cadastrados na base de GPFs, totalizando aproximadamente 88,9 milhões de hectares distribuídos nos nove estados da Amazónia Legal, uma extensão territorial com impacto direto no equilíbrio climático global. A gestão dessas áreas é complexa devido a sobreposições com as categorias fundiárias, como terras indígenas, unidades de conservação, projectos de assentamento, territórios quilombolas e imóveis privados certificados. O Sistema de Regularização e Titulação de Terras (SRTT) trazia uma número menor de glebas, reduzindo o universo para 2.111 imóveis, dos quais apenas 901 convergiam com os dados da base de glebas, evidenciando a complexidade estrutural dessas áreas e as lacunas sistémicas nos cadastros oficiais. Foram aplicados filtros e procedimentos de saneamento para eliminar duplicações e sobreposições entre bases, em processo partilhado entre equipas técnicas da UnB e do INCRA. Na segunda etapa, foi iniciada a verificação in loco nas Superintendências Regionais do INCRA. Além disso, os dados espaciais das glebas públicas federais foram cruzados com o Cadastro Nacional de Florestas Públicas (CNFP) e identificadas as Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs). Este cruzamento apontou FPNDs, classificadas como Tipo B, sobrepostas com áreas já destinadas, o que indicas que deveriam estar classificadas como Tipo A. Essa análise abrange toda Amazónia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O Amazonas e o Pará destacam-se com a maior extensão e complexidade, com 408.643,26 km² e 374.806,89 km², com sobreposições múltiplas e expressiva presença de imóveis particulares certificados em Glebas Públicas Federais. Em todos os estados, o SRTT apresentou registos fracionados e sem saneamento sistemático, com diferentes destinações e nomenclaturas inconsistentes para um mesmo imóvel, dificultando a identificação da situação fundiária real e comprometendo a gestão florestal. Conclui-se que a desatualização das bases cadastrais é um entrave direto à gestão das Florestas Públicas, tornando-as vulneráveis à exploração irregular. A conclusão das etapas de verificação in loco e cruzamento de dados com florestas Tipo A e B é condição necessária para identificar destinações ainda não formalizadas e priorizar ações de regularização. A harmonização entre INCRA, SFB, ICMBio e FUNAI no âmbito da Câmara Técnica de Destinação e Regularização Fundiária permanece a via institucional indispensável para avançar na governança florestal da Amazónia Legal. A regularização eficaz destas glebas é, portanto, uma estratégia de conservação necessária para a manutenção da Amazónia. Summer Branch Drop in Urban Trees: Contributions to Integrated Tree-Risk Assessment 1: UC, ISISE, ARISE, Department of Civil Engineering, University of Coimbra, 3030-788, Coimbra, Portugal; 2: UTAD, CITAB, Centre for the Research and Technology of Agro-Environmental and Biological Sciences, University of Trás-os-Montes and Alto Douro, 5000-801, Vila Real, Portugal; 3: SERQ, Innovation and Competence Forest Centre, 6100-711, Sertã, Portugal Summer Branch Drop (SBD) refers to the sudden failure of mature branches during summer, often in the absence of strong winds or visible external signs of structural instability. This phenomenon has been associated with heat, water stress, increased branch weight, internal wood decay, and site-related stress factors. Although widely referenced in arboriculture literature, SBD remains inconsistently defined, and its underlying mechanisms are still not fully understood. This knowledge gap is especially significant because the unpredictable nature of SBD can limit the effectiveness of routine tree inspections and complicate the timely identification of risk-mitigation measures. Building on previously documented cases of SBD in Portuguese urban trees, this work proposes an integrated framework for urban tree-risk assessment. Rather than describing isolated failure events, the aim is to discuss how information obtained from visual inspection, dendrometric characterisation, phytosanitary assessment, non-destructive diagnostic methods, and site-condition analysis can be combined to support more robust decision-making in municipal tree management. The proposed approach considers SBD as a multifactorial process resulting from the interaction of biological, structural, and environmental factors. These factors should be understood as interacting components that may reduce branch mechanical safety margins and increase uncertainty in routine tree-risk assessment. Visual assessment remains essential in tree inspection; however, SBD cases show that it may be insufficient when deterioration is internal, localised, or poorly expressed externally. In this context, non-destructive techniques, such as acoustic tomography and drilling resistance, can provide complementary information on the presence and severity of internal wood degradation, contributing to a more objective interpretation of mechanical strength loss. The integration of biological information, including the identification of decay fungi when present, further reinforces the need to connect phytosanitary diagnosis with biomechanical interpretation. Overall, SBD assessment requires a multidisciplinary, evidence-based framework capable of integrating tree morphology, structural defects, internal wood condition, biological agents, environmental stressors, and site constraints. The systematic incorporation of these procedures into municipal monitoring programmes may reduce uncertainty in tree failure assessment, improve the prioritisation of interventions, and support technical decisions that balance public safety with the conservation of valuable urban trees. Gestão de florestas públicas e regularização dos Povos e Comunidades Tradicionais na Amazónia Legal: limites institucionais e oportunidades estratégicas 1: CEGAFI-UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, Brazil; 2: UNIVERSIDADE DE BRASILIA- UnB A presença simultânea de grandes extensões de Florestas Públicas Não Destinadas (FPND) e de territórios de Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) na Amazónia Legal suscita incertezas quanto à segurança fundiária, à eficácia da conservação e ao combate à grilagem e à desflorestação ilegal. As Glebas Públicas Federais (GPF) sob gestão do INCRA concentram uma área expressiva, cuja afetação e regularização fundiária constituem instrumentos essenciais para o ordenamento territorial, a gestão florestal e a implementação integrada de políticas públicas ambientais e agrárias. Neste contexto, o estudo analisa dados produzidos pelo Projeto Govfun+Amazónia, parceria institucional entre o INCRA e a UnB que tem como um dos objetivos subsidiar a implementação de políticas públicas de ordenamento territorial, além de apoiar o Programa Territórios da Floresta desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A investigação adotou uma abordagem qualitativa baseada em análise bibliográfica e documental dos materiais produzidos pelo Projeto Govfun+AM, com observância aos critérios e diretrizes do Programa Territórios da Floresta (MMA). Foram analisados relatórios técnicos, normativos em vigor, bases fundiárias, registos cartoriais, cadastros oficiais e materiais cartográficos relativos às áreas tituladas em GPF e às áreas prioritárias do programa, com enfoque na identificação de PCT em FPND. O tratamento dos dados envolveu sistematização, padronização e cruzamento de informações fundiárias e geoespaciais, visando aperfeiçoar a malha fundiária, identificar sobreposições cartográficas, ocupação consolidada e áreas remanescentes. O Plano de Ação para Prevenção e Controlo do Desmatamento na Amazónia Legal (PPCDAm 2023-2027) estabelece a meta de afetação de 29,5 milhões de hectares de florestas públicas federais até 2027. Contudo, na ausência de integração com políticas de regularização de PCT, tal medida pode intensificar conflitos fundiários, considerando que a institucionalização de áreas protegidas se revela um dos mecanismos de combate à desflorestação. Neste contexto, a sistematização documental em curso no Projeto Govfun+AM localizou 2.240 registos e reconstituiu cerca de 1.600 parcelas tituladas em GPF prioritárias no estado do Maranhão, identificando áreas que ainda constituem FPND passíveis de afetação aos PCT, bem como áreas já destinadas a agricultores familiares que deveriam ser excluídas da procura do Programa Territórios da Floresta. Define-se área remanescente como a fração residual que ainda não recebeu afetação específica. Tal conceituação revela-se fundamental para qualificar a gestão fundiária e florestal e transformar acervos fragmentados numa base territorial consistente, apta a subsidiar decisões de afetação pública. O Programa Territórios da Floresta visa atuar de forma estratégica e articulada na preservação ambiental e na proteção dos direitos dos PCT. Para tal, prevê a emissão de Contratos de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) em modalidade coletiva e por prazo indeterminado sobre as áreas de FPND, pactuados conjuntamente entre o MMA, o MDA e os PCT interessados. Desta forma, o Projeto Govfun+AM e o Programa Territórios da Floresta constituem iniciativas estratégicas para aperfeiçoar a gestão florestal. An Integrated Approach for Estimating Wildfire Carbon Emissions Using Bi-Temporal Point Clouds and Sentinel-2 Imagery 1: Forest Research Centre, Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Department of Geographical Sciences, University of Maryland, College Park, MD, United States of America (USA). Wildfires are the major reason for biomass loss and ecosystem change in Mediterranean forest landscapes, significantly impacting carbon dynamics and affecting post-fire recovery. Therefore, accurate assessment of wildfire carbon emissions is essential for understanding wildfire impacts and improving forest monitoring strategies in fire-prone regions. The study investigates the use of multitemporal LiDAR-based aboveground biomass consumption (understory and overstory) from a suite of bitemporal point cloud structural change metrics. The final objective of the study is developing models to estimate combustion completeness using spectral relationships from Sentinel-2 indices and multitemporal LiDAR-based fuel consumption by forest type and fire severity levels. The study also addresses several methodological challenges, including differences in sensor characteristics and point density between Airborne Laser Scanning (ALS) and Unmanned Laser Scanning (ULS) datasets and the complex topography of the study area. The study was conducted in the municipality of Lousã, central Portugal, using the August 2025 wildfire as a case study across different forest types, shrublands and fire severity levels. Pre-fire biomass conditions were estimated using countrywide ALS data acquired in July 2024 by “Direção Geral do Territorio” (DGT), while the estimation of post-fire biomass was derived from ULS data collected in October-November 2025 over an area of approximately 1,500 ha. In both cases, pre-existing ALS-based biomass models were applied to quantify biomass consumption before and after the fire. Fire severity indices were computed from pre- and post-fire Sentinel-2 Level 2A imagery. Biomass losses were analyzed in relation to fire severity indices, vegetation structure, and forest composition. This study is expected to contribute to improving combustion completeness factors currently used in the Portuguese National Inventory Reports on greenhouse gases, providing more accurate estimates of biomass consumption and wildfire-related emissions across different forest types and fire severity levels. Como evoluem as rolhas de cortiça em contacto de longa duração com vinho em garrafa 1: Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 3: Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Center, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 4: Amorim Cork, Rua dos Corticeiros 850, 4535-387 Santa Maria de Lamas, Portugal A cortiça é desde há muito utilizada como vedante em garrafas de vinho devido às suas propriedades que asseguram a estanquicidade do vedante (por exemplo, baixa permeabilidade a líquidos e gases, assim como capacidade mecânica de recuperação dimensional após inserção na garrafa e manutenção da força compressiva contra a parede interior do gargalo). No entanto há casos em que as rolhas fraturam e se desintegram quando são retiradas com saca-rolhas, apresentando também uma contração de volume. Este facto mostra que houve alteração de propriedades da rolha, provavelmente em resultado de uma alteração química dos componentes estruturais da cortiça por contacto com a solução etanólica. Para estudar este fenómeno, analisou-se o efeito químico de soluções etanol-água sobre a cortiça em condições reativas com diferentes severidades que possam ser associadas a diferentes tempos de engarrafamento. Utilizando cortiça livre de extrativos, ou seja, cortiça apenas contendo os seus componentes químicos estruturais, efetuaram-se tratamentos em autoclave com soluções água-etanol com diferentes temperaturas e tempos de contacto, determinando a perda de massa resultante da degradação da suberina e da lenhina e polissacáridos. Em condições de severidade baixa ou moderada (correspondentes a fatores de severidade até 4,6), que se podem extrapolar para os casos de contacto de rolhas sem envelhecimento em garrafa ou com envelhecimento de duração moderada, verificou-se que a perda de massa total é de 11%, mostrando a suberina grande estabilidade, com uma despolimerização menor que 5% do seu valor inicial, e a lenhina com 18%. Tais valores não configuram impacto significativo nas propriedades da cortiça e, portanto, no desempenho das rolhas nestas condições. Para envelhecimento em garrafa de muito longa duração, que se pode aproximar às condições reativas que foram testadas com severidade mais alta (até 5,1), a perda de massa total atinge 41% com uma despolimerização da suberina que aumenta até 43% do seu teor inicial, o que introduz fragilidades mecânicas a nível da parede celular das células de cortiça. Embora as alterações não se estendam uniformemente a toda a rolha, verifica-se uma diminuição da rigidez das paredes celulares e o seu correspondente colapso ou enrugamento acentuado, assim como a diminuição da espessura, o que explica fraturas e desintegração das rolhas, assim como a sua contração volumétrica. Integração de sensores orbitais para a monitorização do coberto por floresta urbana utilizando Google Earth Engine 1: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR; 2: UTAD, CITAB, Portugal A expansão urbana acelerada intensificou processos de fragmentação da cobertura vegetal, impermeabilização do solo e desigualdades sociais, comprometendo serviços ecossistêmicos essenciais fornecidos pelas florestas urbanas. A monitorização do coberto por infraestruturas verdes torna-se assim fundamental no apoio a ações de arborização urbana, mitigação das ilhas de calor, promoção da conectividade ecológica e fortalecimento da resiliência climática das cidades. Nesse contexto, o uso integrado da deteção remota, computação em nuvem e algoritmos de aprendizagem apresenta elevado potencial para análises espaciais em larga escala aplicadas às florestas urbanas e ao planejamento territorial. O presente estudo tem como objetivo avaliar o desempenho da integração multissensorial entre dados Sentinel-1 (SAR), Sentinel-2 (óptico) e NDVI na classificação supervisionada da cobertura do solo urbano em capitais brasileiras, utilizando o ambiente Google Earth Engine (GEE). A classificação foi realizada por meio do algoritmo Random Forest, considerando quatro classes temáticas principais: floresta urbana, cobertura herbácea, áreas aquáticas e edificadas. Foram avaliados sete tratamentos distintos (S1+S2+NDVI; S1+NDVI; S1+S2; NDVI; S2+NDVI; S2; S1), permitindo analisar o efeito da integração entre sensores ópticos, radar e índices espectrais sobre a acurácia do mapeamento. A validação estatística foi realizada por meio de matrizes de confusão e análise do índice Kappa de Cohen, variância do Kappa, erro-padrão e teste Z bicaudal. Os resultados demonstraram superioridade do tratamento S1+S2+NDVI, que apresentou acurácia global de 88,89% e índice Kappa de 0,84. O cenário S1+NDVI apresentou desempenho semelhante, com acurácia de 88,33% e Kappa de 0,83, sem diferença estatisticamente significativa em relação ao tratamento principal. O tratamento S1+S2 alcançou acurácia de 87,22% e Kappa de 0,81, enquanto os tratamentos S2+NDVI e S2 apresentaram acurácia de 84,44% e Kappa de 0,77. O NDVI isolado alcançou acurácia de 85,56% e Kappa de 0,79. Em contraste, o tratamento baseado exclusivamente em dados SAR (S1) apresentou desempenho significativamente inferior, com acurácia de 58,33% e índice Kappa de 0,40. Os resultados evidenciam que a integração multissensorial constitui uma estratégia robusta para o mapeamento da cobertura arbórea urbana em ambientes complexos e heterogêneos. Ficou demonstrado que as ambiguidades espectrais entre classes com vegetação e superfícies urbanizadas são baixas. Além de melhorar a precisão do mapeamento, a abordagem proposta fornece respostas credíveis para a monitorização da cobertura arbórea, avaliação da infraestrutura verde urbana, identificação de áreas prioritárias para arborização, mitigação de ilhas de calor e apoio à formulação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e resiliência das cidades. Community-level modelling of Quercus lusitanica Lam. shrublands for conservation, climate-change assessment and restoration planning 1: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 2: CIBIO – Research Centre in Biodiversity and Genetic Resources, InBIO Associate Laboratory, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 3: Floradata – Biodiversidade, Ambiente e Recursos Naturais, Lda., Campo 24 de Agosto, 129, Escritório 704, 4300-504 Porto, Portugal; 4: Departmento de Biologia, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Rua do Campo Alegre s/n, 4169-007 Porto, Portugal; 5: Centre of Geographical Studies, Institute of Geography and Spatial Planning, University of Lisbon, Lisboa, Portugal; 6: PROMETHEUS – Research Unit in Materials, Energy and Environment for Sustainability, Polytechnic Institute of Viana do Castelo, Viana do Castelo, Portugal; 7: MHNC-UP – Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, Herbarium PO, University of Porto, Praça Gomes Teixeira, 4099-002 Porto, Portugal Quercus lusitanica Lam. is an Iberian endemic dwarf oak that forms distinctive shrubland communities across Atlantic and Mediterranean landscapes. Although often regarded as a marginal or secondary oak, it plays an important ecological role in open woodlands, heathlands, forest gaps and drought-adapted shrublands. Its communities occur along marked climatic, edaphic and successional gradients, making them particularly relevant for conservation, climate-change assessment and restoration planning. However, their floristic composition, ecological drivers and potential responses to environmental change remain insufficiently understood at the community level. We used Joint Species Distribution Models to analyse plant assemblages associated with Q. lusitanica across its distribution range. Unlike single-species models, this approach considers co-occurrence patterns among species and identifies groups of taxa structured by shared environmental responses. An extensive vegetation dataset was combined with climatic and soil predictors to assess the main gradients controlling species turnover and community differentiation. The models revealed a strong environmental structuring of Q. lusitanica communities. Climate and soil properties emerged as the main drivers of assemblage composition, with temperature-related variables, soil acidity and soil texture showing particularly important effects. These results confirm the broad ecological amplitude of Q. lusitanica, which occurs both in drought-prone Mediterranean shrublands and in more Atlantic, temperate and early-successional vegetation mosaics. The species therefore appears not only as a characteristic element of rare Iberian oak shrublands, but also as a pioneer or transitional component in heathlands, degraded forest margins and recovering woodland systems. By modelling entire assemblages rather than isolated taxa, this work provides a more realistic framework for assessing the conservation value and vulnerability of Q. lusitanica vegetation under environmental change. The results can support the identification of priority areas for habitat protection, the definition of floristically coherent restoration targets and the anticipation of community-level responses to climate change. This approach reinforces the importance of integrating community ecology, biogeography and predictive modelling in the conservation and recovery of rare Mediterranean oak habitats. Continuous monitoring of permanent forest plots of Quercus rotundifolia in the south of Portugal 1: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e CREATE, Portugal; 2: Universidade de Évora e CREATE, Portugal; 3: CERNA, Portugal; 4: ICNF, Portugal; 5: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e CITAB, Portugal; 6: Colab Forestwise, Portugal Quercus rotundifolia Lam., one of the dominant tree species in the montado ecosystem, plays a fundamental role in sustaining montado systems across the Iberian Peninsula. As part of the PRR1.3 project within the Transform Agenda, permanent forest plots of this species were established at Herdade da Mitra, University of Évora, with the aim of integrating them into both the national Transform network of permanent forest plots and the ICP Forests monitoring network. The intensive monitoring plots were established and equipped with IoT technologies to support continuous ecosystem monitoring. The instrumentation also includes sap flow sensors, dendrometers and other environmental monitoring devices, generating important information for improving adaptive management strategies and increasing ecosystem resilience. The first results reveal how structural and functional variables influence the growth responses of Q. rotundifolia, providing a basis for the development of new modelling strategies. Acknowledgements: This work is funded by Agenda Transform, project no. C644865735-00000007, following the Mobilization Agendas for Business Innovation (Notice No. 02/C05-i01/2021), supported by the Recovery and Resilience Plan (PRR) and European Funds NextGeneration EU. We also thank to national Funds by FCT –Portuguese Foundation for Science and Technology, under the projects UID/04033/2025: Centre for the Research and Technology of Agro-Environmental and Biological Sciences and LA/P/0126/2020 (https://doi.org/10.54499/LA/P/0126/2020), and by national funds through FCT – Portuguese Foundation for Science and Technology, I.P., in the framework of the UID/06107/2025 – Center for sci-tech Research in EArth sysTem and Energy (CREATE), DOI https://doi.org/10.54499/UID/06107/2025. Património arbóreo com potencial para classificação como Arvoredo de Interesse Público ou Municipal e proposta de uma rota turístico-educativa no município de Arcos de Valdevez 1: Instituto Politécnico de Viana do Castelo/Escola Superior Agrária, Portugal; 2: PROMETHEUS - Unidade de Investigação em Materiais, Energia e Ambiente para a Sustentabilidade/IPVC, Portugal; 3: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I.P., Portugal As árvores monumentais constituem um património valioso pelos bens e serviços que prestam à sociedade. Apesar da sua importância, este património continua a ser subvalorizado nas políticas públicas e insuficientemente reconhecido por parte da sociedade civil. A importância da sua proteção está consagrada em estratégias e diretivas europeias, tendo Portugal estabelecido um quadro legal específico para a sua salvaguarda há mais de um século. É essencial adotar medidas de proteção eficazes, reforçar capacidades técnicas e institucionais e envolver ativamente as comunidades locais na sua conservação. Alguns estudos provam que o envolvimento dos cidadãos pode ser determinante para a proteção destas árvores, bem como para o aumento da literacia científica e ambiental. Este estudo teve como objetivos: i) Inventariar os exemplares e conjuntos arbóreos com potencial para classificação como Arvoredo de Interesse Municipal (AIM), bem como Arvoredo de Interesse Público (AIP) no município de Arcos de Valdevez, incentivando a participação ativa da sociedade civil através de uma iniciativa de ciência cidadã; ii) Propor a classificação de árvores e conjuntos como AIM e AIP, de acordo com os critérios definidos na legislação em vigor, com vista a reforçar a sua proteção jurídica; iii) Propor uma rota turística e educativa, que promova o conhecimento, a valorização e a sensibilização da comunidade residente e dos visitantes para a importância e a urgência da preservação do património arbóreo municipal. A inventariação dos elementos do património arbóreo do município de Arcos de Valdevez baseou-se numa metodologia que integrou abordagem participativa - ciência cidadã - com levantamento técnico de campo, focado na recolha de dados sobre localização, registo fotográfico, valores dendrométricos e aspetos históricos, ecológicos, culturais e paisagísticos. Foram inventariados 44 exemplares isolados e 8 conjuntos arbóreos. Entre o património arbóreo inventariado, 31 exemplares e 7 conjuntos detêm potencial para classificação como AIM, sendo que, entre estes, 14 exemplares isolados apresentam características compatíveis com os critérios e parâmetros estabelecidos na legislação para a classificação como AIP. Com vista a promover o património arbóreo no contexto das dinâmicas culturais, educativas e ambientais do território, foi proposta uma rota turística temática. O conhecimento da localização do património arbóreo e dos atributos que justificam a sua classificação é indispensável, tal como a sensibilização para a sua salvaguarda e proteção. Análise de Sobrevivência aplicada a municípios da Amazônia Legal incluídos na lista prioritária para ações de prevenção, controle e redução do desmatamento 1: Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade de Brasília – PPGCA/UnB, Brasil; 2: Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar da Universidade de Brasília – CEGAFI/UnB, Brasil; 3: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Brasil; 4: Instituto Brasília Ambiental – IBRAM, Distrito Federal, Brasil Em razão da prolongada incidência de taxas elevadas de desmatamento na Amazônia Legal, o governo brasileiro passou a instituir uma lista anual de municípios prioritários para ações de prevenção, controle e redução do desmatamento. A medida visa articular esforços nas esferas federal, estadual e municipal para intensificar ações de combate aos ilícitos sobre a floresta. A primeira lista foi publicada em 2008, contendo 36 municípios. O município que constar na lista é submetido a várias restrições econômicas, ambientais e territoriais, tornando um desafio persistente a exclusão da lista. O objetivo do presente trabalho foi analisar o tempo de permanência dos municípios na lista prioritária, estimando a probabilidade de permanência global via método de Kaplan-Meier, utilizando ferramenta Python. Para isso, acessamos as portarias que listaram os municípios incluídos/excluídos da lista prioritária entre 2008 e 2024 e aplicamos a Análise de Sobrevivência aos 36 municípios inicialmente listados. Foram estimadas a função de sobrevivência, que é a probabilidade de um município continuar na lista por um tempo t (16 anos) e a função de risco, que representa a taxa na qual os municípios saem da lista em um determinado tempo t. O estimador de Kaplan-Meier é orientado pelos dados, considerando tantos intervalos de tempo quantos forem o número de falhas distintas. Os marcos referenciais que definem os intervalos do cálculo são os tempos exatos em que o município sai da lista. A probabilidade de permanência mediana dos 36 municípios na lista prioritária foi superior a 65% para o período de dezesseis anos, refletindo a lentidão para exclusão de municípios da lista. No segundo ano de vigência da lista, a probabilidade de permanência baixou para 97%, permanecendo assim por três anos, quando a probabilidade atingiu 75% no quinto ano. Entre o quinto e o décimo ano do período analisado, a probabilidade manteve se estável, permanecendo em 72%. Entre o 10º e o 16º ano, a probabilidade de permanência atingiu 66%, refletindo número de exclusões mais constantes que o observado no intervalo intermediário. Os dois períodos de maior estabilidade na movimentação de exclusão da lista foram entre o quinto e o 10º ano (2013 a 2018) e entre o 10º e o 13º ano (2018 a 2021). Fica evidente que se os municípios que apresentam maiores taxas de desmatamento não receberem incentivos apropriados, ou não adotarem estratégias para conter o desmatamento nos anos iniciais de sua inclusão na lista prioritária, dificilmente atingirão índices que os qualifiquem a sair desta lista. Dos 36 municípios incluídos na lista, apenas 11 foram excluídos ao longo de 16 anos. A taxa de função de risco aumentou de forma acentuada nos primeiros cinco anos do período, sugerindo que a probabilidade de algum município sair da lista prioritária aumenta até o quinto ano, diminuindo a partir desse tempo. No quarto e quinto ano após a inclusão na lista, as taxas foram 11% e 10% respectivamente. De modo geral, o tempo de permanência da maioria dos municípios na lista prioritária é maior do que o tempo do intervalo analisado. Concluímos que a exclusão dos municípios da lista pode ser significativamente baixa e incomum, ou que o período de 16 anos de acompanhamento é insuficiente para a maioria dos municípios conseguirem reverter a situação de estarem entre os mais desmatados da Amazônia Legal. A Microrreserva do Vale do Rio Cabrão como modelo municipal de conservação, restauro ecológico e gestão florestal multifuncional 1: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 2: CIBIO – Research Centre in Biodiversity and Genetic Resources, InBIO Associate Laboratory, University of Porto, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 3: Departamento de Biologia, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto, Rua do Campo Alegre s/n, 4169-007 Porto, Portugal; 4: Município de Estarreja, 3864-001 Estarreja, Portugal; 5: cE3c – Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute, Faculty of Sciences, University of Lisbon, 1749-016 Lisboa, Portugal; 6: Associação Florestal do Baixo Vouga, 3850-109 Albergaria-a-Velha, Portugal; 7: CESAM – Centre for Environmental and Marine Studies, Department of Biology, University of Aveiro, 3810-193 Aveiro, Portugal; 8: MHNC-UP - Herbário PO, Universidade do Porto, Portugal As microrreservas podem constituir instrumentos ágeis de conservação e restauro em paisagens florestais privadas, permitindo proteger valores naturais de pequena escala sem excluir a gestão produtiva envolvente. Neste contexto, a Microrreserva do Vale do Rio Cabrão constitui a primeira área integrada na futura Rede Municipal de Microrreservas do concelho de Estarreja, surgindo como um projeto-piloto de conservação da natureza, restauro ecológico e envolvimento comunitário. A sua criação resultou de uma parceria entre o Município de Estarreja, a União das Freguesias de Canelas e Fermelã, a Associação Florestal do Baixo Vouga, responsável pela gestão da propriedade, e a empresa Bondalti, que financia a implementação das ações previstas no plano de gestão. A área de intervenção localiza-se numa propriedade florestal com cerca de 12 ha, dos quais 8 ha foram classificados como microrreserva e 4 ha mantidos em produção de eucalipto. A delimitação da área protegida teve por base a salvaguarda das linhas de água, a valorização de habitats de elevado interesse ecológico e a integração de áreas de reduzida aptidão produtiva, demonstrando que é possível compatibilizar objetivos de produção florestal com a conservação da biodiversidade. Os trabalhos de caracterização ecológica identificaram mais de 160 espécies nativas, incluindo 80 espécies de fauna e 90 de flora vascular. A área alberga espécies protegidas pelas Diretivas Habitats e Aves, bem como vários elementos florísticos de relevo. Entre os valores mais relevantes encontram-se a salamandra-lusitânica, a lontra, o lagarto-d’água e várias espécies florísticas raras ou endémicas da Península Ibérica como Cheirolophus uliginosus, Anarrhinum longipedicellatum, Drosophyllum lusitanicum. O local alberga ainda habitats de elevado valor de conservação, incluindo galerias ripícolas, pequenas zonas húmidas e turfosas, charnecas secas e núcleos de carvalhal galaico-português dominados por Quercus orocantabrica. O plano de gestão integra um conjunto de ações de restauro ecológico orientadas para a recuperação da funcionalidade ecológica do vale, nomeadamente o controlo de espécies exóticas invasoras, incluindo Acacia melanoxylon e Acacia dealbata, a recuperação da galeria ripícola, a valorização de habitats húmidos e a reflorestação com espécies autóctones, privilegiando o carvalho-alvarinho (Quercus orocantabrica). Estas intervenções procuram recuperar funcionalidade ecológica do vale, reforçando a conectividade ripícola, a qualidade dos habitats húmidos, a resiliência ao fogo e a provisão de serviços de ecossistema. A componente participativa permitiu articular proprietários, autarquia, associações locais, comunidade científica e agentes económicos, transformando a microrreserva num laboratório vivo de governança, ensino, monitorização e sensibilização ambiental. A experiência deste projeto demonstra que pequenas áreas de elevado valor ecológico podem funcionar como unidades estratégicas de conservação e restauro em paisagens florestais produtivas, sobretudo quando integradas em modelos de gestão colaborativa entre proprietários, autarquias, associações locais, comunidade científica e agentes económicos. O projeto está a contribuir para a criação de um regulamento municipal dedicado às microrreservas e para a futura Rede Municipal de Microrreservas de Estarreja, configurando um modelo replicável de governança territorial, valorização da biodiversidade e gestão florestal multifuncional. Contributo da resinagem para o sequestro de carbono em povoamentos de Pinus pinaster: uma simulação para o Vale do Tâmega. CERNA. Regia Douro Park – Parque de Ciência e tecnologia de Vila Real. 5000-033 Vila Real, Portugal. A resina constitui um produto de elevado valor económico nos povoamentos de pinheiro-bravo, podendo complementar ou mesmo superar a importância económica da madeira em cenários de resinagem plurianual. Simultaneamente, o carbono armazenado na resina e a pegada de carbono associada à sua exploração podem influenciar o balanço global de carbono destes sistemas florestais. Contudo, a ausência de modelos de produção de resina, de avaliação de risco e de contabilização integral do carbono armazenado nos produtos resinosos pode conduzir à subvalorização desta atividade. O presente trabalho teve como objetivo quantificar o contributo da resinagem para o sequestro de carbono em povoamentos de Pinus pinaster e discutir o seu potencial contributo para a valorização económica da floresta. Utilizando como referência povoamentos com as características médias das tabelas de produção de pinheiro-bravo para o Vale do Tâmega (Moreira & Fonseca, 2002) e recorrendo ao modelo de simulação florestal ModisPinaster (Fonseca et al., 2009), foi estimado o sequestro de carbono através da biomassa lenhosa e da produção de resina, considerando um fator de expansão de biomassa de 1,6 para converter a biomassa do tronco em biomassa arbórea total. Os resultados indicam que um povoamento de qualidade média apresenta, aos 30 anos, um sequestro acumulado de 81,82 t C ha⁻¹. Até aos 55 anos, o sequestro total poderá atingir 153,24 t C ha⁻¹ na biomassa lenhosa (viva e removida), acrescido de 24,3 t C ha⁻¹ associados à produção de resina sob resinagem à vida, totalizando 177,54 t C ha⁻¹. Após a consideração das emissões associadas à exploração da resina, o saldo líquido estimado é de 176,68 t C ha⁻¹. Mesmo assumindo reduções do crescimento radial até 25% decorrentes da resinagem antes dos 40 anos, correspondentes a uma perda estimada de 21,1 t C ha⁻¹ na biomassa arbórea, o balanço global de carbono mantém-se positivo. Os resultados demonstram que a resinagem pode contribuir significativamente para o sequestro de carbono e para a valorização económica dos povoamentos de Pinus pinaster, reforçando o interesse de modelos de gestão orientados para a coprodução de madeira, resina e carbono. Os resultados evidenciam ainda a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre os efeitos da resinagem na produtividade e no balanço de carbono, de forma a otimizar modelos de gestão que maximizem simultaneamente a produção, o armazenamento de carbono e a rentabilidade económica. Multiplex SNP genotyping of Pinus pinaster Ait.: development and implementation of a bioinformatic pipeline for parentage inference Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. Open pollination is widely used in forest tree breeding programs, often resulting in progeny with unknown paternal origin. The main objective of this study was to investigate paternal relationships and infer relatedness among Pinus pinaster Ait. individuals using an optimized multiplex amplicon sequencing approach targeting 69 polymorphic SNP loci. To achieve this objective, a custom bioinformatic pipeline was implemented in R for the processing of multiplex paired-end MiSeq sequencing data obtained from the DNA of 137 individual trees. The specific workflow included read quality assessment, filtering of low-quality reads based on Phred score, ambiguous nucleotide content and minimum sequence length, followed by automated assignment of reads to locus-specific primer pairs using IUPAC-compatible matching with a maximum of one mismatch. Reverse-read information was processed in the appropriate orientation and combined with forward-read information to support genotype calling for each sample and locus. Reads matching the expected primer and control regions were extracted and used to determine the nucleotide state at the target polymorphic position. The pipeline accounted for homozygous and heterozygous profiles, as well as INDEL-type variation when present, generating per-sample genotype calls in an allele-pair format. Matched reads were additionally exported as locus-specific FASTA files to support traceability, alignment inspection and validation of ambiguous or unexpected amplification patterns. The final output consisted of a multi-locus SNP genotype matrix compiling the genetic profiles obtained for the analysed individuals. This matrix was subsequently subjected to parentage analysis using dedicated software, resulting in the successful assignment of 36 out of 49 offspring to candidate pollen donors within the studied population. In addition, the SNP profiles enabled the verification and reassignment of clone identities for 17 trees with missing or inconsistent records. Together, the assignment of offspring to candidate pollen donors, the inference of genetic relationships within the breeding population to support pedigree reconstruction and inbreeding avoidance, and the verification of germplasm identity demonstrate the value of integrating a SNP marker panel, multiplex sequencing, bioinformatic processing and parentage analysis in the management of the Portuguese maritime pine breeding program. CarbonWise: uma plataforma integrada para quantificação, certificação e transacção de créditos de carbono em ecossistemas florestais e agroflorestais 1: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", Instituto Superior de Agronomia, ULisboa, Portugal; 2: Bee2Solutions A crescente regulamentação europeia sobre sustentabilidade, nomeadamente o Regulamento UE 2024/3012, e o desenvolvimento do Mercado Voluntário de Carbono em Portugal abrem uma oportunidade sem precedentes para valorizar economicamente o papel dos ecossistemas florestais e agroflorestais no sequestro e armazenamento de carbono. Contudo, a falta de ferramentas padronizadas, transparentes e interoperáveis tem limitado a participação dos proprietários e gestores florestais neste mercado emergente. O CarbonWise é um projeto de inovação tecnológica integrado na Agenda Mobilizadora CircularTech (PRR/NextGenerationEU), no qual o Instituto Superior de Agronomia participa como parceiro científico responsável pelo desenvolvimento da metodologia de quantificação do sequestro e armazenamento de carbono. Esta metodologia combina dados de inventário florestal, imagens de satélite do programa Copernicus, dados LiDAR e modelos de simulação de base processual, como o CO2Fix, com técnicas de inteligência artificial, para estimar de forma rigorosa e automatizada o carbono sequestrado em florestas e agroflorestais. Os resultados desta componente metodológica alimentam a Plataforma CarbonWise, que suporta todo o ciclo de vida de projetos de carbono, desde a candidatura e submissão até à auditoria, monitorização contínua e certificação, e a Plataforma de Transacção de Créditos de Carbono, baseada em tecnologia blockchain, que garante rastreabilidade e transparência nas transações. Do ponto de vista da política florestal, o CarbonWise representa um instrumento com potencial para alterar o quadro de incentivos à gestão florestal em Portugal. Ao tornar acessível a certificação de carbono a silvicultores, proprietários privados e comunidades gestoras de baldios, a plataforma pode contribuir para a diversificação das fontes de rendimento associadas à floresta, reforçando a viabilidade económica de práticas de gestão ativa e sustentável. Neste sentido, alinha-se com os objetivos da Estratégia Nacional para as Florestas e com a necessidade de criar mecanismos que tornem a floresta portuguesa economicamente resiliente e capaz de responder simultaneamente aos desafios climáticos e à valorização do território rural. Este trabalho foi financiado pelo PRR/IAPMEI/Aviso 02/C05-i01/2022, CIRCULARTECH (Contribute to solving a problem that humanity has faced since the industrial revolution: waste) – Carbon WISE Estimativa do impacte económico do nemátodo-da-madeira-do-pinheiro 1: INIAV, Portugal; 2: ICNF, Portugal O surgimento do nemátodo-da-madeira-do-pinheiro (NMP), organismo de quarentena responsável pela Doença-da-murchidão-do-pinheiro, colocou em risco uma das fileiras florestais com maior contributo para a economia nacional. Para além da mortalidade causada nos pinhais, foram impostas medidas de prevenção e controlo, com elevados custos, que acautelassem as preocupações da Comissão Europeia relativamente à dispersão da doença no resto da Europa. Existem estudos económicos detalhados das principais fileiras florestais, com estimativas dos serviços dos ecossistemas e dos custos com os incêndios rurais, mas faltam estimativas dos custos económicos com a prevenção e controlo dos principais organismos de quarentena da floresta. O objetivo do presente trabalho é estimar os custos diretos e indiretos, com a prevenção, a prospeção, a monitorização e o controlo do NMP. A metodologia desenvolvida servirá de base para o apuramento dos impactes económicos de outras pragas e doenças da floresta, em particular as regulamentadas por normativos europeus. Seguiu-se uma metodologia de contabilização: dos custos diretos com as ações de prospeção e controlo, incluindo tratamentos da madeira (custos diretos); e das perdas na atividade económica devido aos cortes antecipados, desvalorização do preço de venda da madeira, e substituição do abastecimento nacional (custos indiretos). Os custos diretos foram apurados de acordo com o programa nacional de prospeção e monitorização do NMP, decorrentes de obrigações ou condicionantes associadas ao cumprimento do disposto no Decreto-Lei n.º 123/2015, de 3 de julho. Incluíram-se nestes custos, os cortes por motivos fitossanitários e os encargos associados ao tratamento da madeira, suportados pelos agentes económicos, decorrente das ações fitossanitárias visando o controlo do NMP. Os custos indiretos do corte prematuro serão apurados a partir da perda de rendimentos líquidos futuros de exploração, deduzidos do rendimento líquido da madeira paga ao produtor, à data do corte. Serão considerados os efeitos desse corte antecipado sobre a desvalorização da madeira e os acréscimos dos custos com as operações florestais. Nos custos indiretos incluíram-se ainda os efeitos da substituição do abastecimento nacional pelas importações, a partir do diferencial entre os preços doméstico e de importação, e do efeito na procura industrial (pela elasticidade procura-preço), com a consequente perda de rendimento nacional (valor acrescentado bruto). A informação sobre as quantidades e preços, foi obtida a partir de fontes de informação secundária de entidades oficiais, relatórios técnicos, e de informação cedida pela AIMMP, ANEFA, Centro Pinus, Forestis e serviços do ICNF. Houve ainda uma reunião com os citados agentes do setor, onde foram discutidas as formas de avaliação dos custos parciais e fontes de informação. No Congresso será apresentada a metodologia de apuramento dos custos, as fontes de informação, e a estimativa final dos valores parciais apurados e do custo total Estimativa do volume de Eucalipto-comum com imagens de satélite do Programa Copernicus e aprendizagem automática para Portugal 1: RAIZ—Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, Quinta de S. Francisco, Rua José Estevão (EN 230-1),3800-783 Aveiro, Portugal.; 2: NOVA Information Management School (NOVA IMS), Universidade NOVA de Lisboa, Campus de Campolide, 1070-312 Lisboa, Portugal A estimativa do volume de madeira é fundamental para o planeamento e gestão dos povoamentos, sendo tradicionalmente suportada por inventários de campo exigentes em tempo e recursos. Neste contexto, a deteção remota por satélite constitui uma alternativa complementar, permitindo aumentar a frequência e cobertura da monitorização. O presente trabalho tem como objetivo avaliar o potencial da utilização de dados do Programa Copernicus, em conjugação com 2793 parcelas de inventário florestal operacional recolhidas entre 2018 e 2023, para a estimativa do volume total em povoamentos de eucalipto (Eucalyptus globulus) numa área do centro de Portugal. Como variáveis explicativas, foram utilizadas séries temporais de imagens Sentinel-2 e Sentinel-1 entre 2018 e 2023. Calcularam-se os índices de vegetação por diferença normalizada (NDVI) e o rácio normalizado de área queimada (NBR) com imagens Sentinel-2. Nas imagens Sentinel-1 através da dupla polarização, determinaram-se os percentis 50 e os intervalos interquartis. A altimetria e os declives foram extraídos do Shuttle Radar Topography Mission (SRTM). Posteriormente efetuou-se a reamostragem dos pixéis para uma resolução espacial de 20 metros. A modelação foi realizada com o algoritmo florestas aleatórias (Random Forest), de aprendizagem máquina, treinados com parcelas de inventário florestal entre 2018 e 2022, com o objetivo de predizer o volume no ano 2023. Os resultados evidenciam uma boa capacidade explicativa do modelo (R² ≈ 0,87), enquanto que o erro quadrático médio foi de 31,36 m3/ha para o ano 2023, demonstrando o potencial destas abordagens na estimativa de variáveis dendrométricas à escala da paisagem. No entanto, observam-se limitações associadas à variabilidade dos dados e à ausência de variáveis estruturais da vegetação, sugerindo a utilização de variáveis da estrutura vertical. A produção desta cartografia espacialmente explícita do volume total evidenciou padrões coerentes com a distribuição dos povoamentos. Esta abordagem apresenta-se como uma ferramenta promissora para apoio à decisão em gestão florestal, nomeadamente na monitorização contínua dos recursos florestais e otimização dos inventários. Como perspetivas futuras destacam-se a integração de novas fontes de dados com o GEDI e IceSat-2, o aumento da diversidade das parcelas de inventário e a exploração de diferentes abordagens de modelação, visando melhorar a robustez e precisão das estimativas. Urban Tree Nurseries as a Foundation for Resilient Cities: Certification, Plant Quality and Phytosanitary Strategies 1: Laboratório de Patologia Vegetal 'Veríssimo de Almeida', Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 2: Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 3: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal Urban forests are widely recognised as key nature-based solutions to improve sustainability and resilience of cities. This is particularly the case of southern Europe cities increasingly exposed to heat and drought extremes but also to heavy precipitation, which do affect tree health and survival, and the delivery of ecosystem services. While considerable attention has been given to post-planting management, the success of urban green infrastructure largely depends on the quality (morphological, phytosanitary) of the planting material, which places nurseries at a crucial position within the urban forestry supply chain. In this context, the present study examines the functioning of the micro scale ornamental nursery at the Instituto Superior de Agronomia (ISA) and its potential for certification, with particular attention to its role in supplying the local market with high-quality trees for urban environments. The certification framework, regulated at the national level, ensures traceability, phytosanitary standards and legal compliance, and can therefore play a decisive role in increasing the reliability of planting material used in urban projects. The work included the technical assessment of ten woody ornamental species used as mother plants in the Tapada da Ajuda Botanical Park. Mother plants were evaluated in terms of their morphological characteristics, phytosanitary condition, and compliance with certification requirements. At the same time, the nursery’s infrastructure, propagation techniques and management practices were analysed, complemented by a SWOT approach to identify its main strengths, limitations and development opportunities. The results suggest that most of the evaluated specimens fulfil the criteria required for certification, indicating a solid potential to produce high-quality planting stock. Nevertheless, some constraints were identified, particularly related to infrastructure, available human resources and technology issues, which are common in micro to small scale nursery systems. The study also highlights the relevance of maintaining consistent records, improving phytosanitary monitoring and progressively adopting more sustainable practices, including alternative substrates, more efficient water use and integrated pest management. Promote inventories is also crucial to support certification and optimize propagation. Overall, this work underscores the importance of connecting nursery production with urban forestry objectives. It shows that plant quality, certification processes and phytosanitary control are not marginal concerns, but central elements to minimize losses of planted material and build more resilient urban forests. Strengthening nursery practices should therefore be seen as a strategic, upstream intervention to support healthier, more adaptable and sustainable urban green infrastructures. Da Irrigação à Resiliência: Respostas Fisiológicas e Estruturais de Tipuana tipu em Ambiente Urbano Mediterrânico - Evidência a Partir de Lisboa 1: Environmental Research Institute from the State of São Paulo, São Paulo, Brazil; 2: Center of Nuclear Energy in Agriculture, University of São Paulo, São Paulo, Brazil; 3: Department of Agriculture and Forest Sciences, University of Tuscia, Viterbo, Italy; 4: Higher School of Agriculture Luiz de Queiroz, University of São Paulo, São Paulo, Brazil; 5: Institute of Geosciences, University of São Paulo, São Paulo, Brazil; 6: United States Department of Agriculture Forest Service, Pacific Southwest Research Station, Riverside, CA, United States; 7: Center for Ecological Research and Forestry Applications (CREAF), Bellaterra, Barcelona, Spain; 8: Lamont-Doherty Earth Observatory of Columbia University, Palisades, NY 10964, United States; 9: Laboratório de Patologia Vegetal 'Veríssimo de Almeida', Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 10: Departamento de Estrutura Verde, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal; 11: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal As florestas urbanas assumem um papel central na adaptação das cidades às alterações climáticas, sobretudo em regiões mediterrânicas, onde o aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, como ondas de calor e secas, tem vindo a comprometer a sobrevivência e o desempenho das árvores. A irrigação tem sido progressivamente adotada como estratégia de gestão, embora persistam incertezas quanto aos seus efeitos a médio e longo prazo, em particular no que respeita a um possível compromisso entre crescimento e estabilidade mecânica. Neste contexto, o presente estudo avalia a resposta de árvores adultas de Tipuana tipu, espécie reconhecida pela sua tolerância à seca e amplamente utilizada em meio urbano, a seis anos de irrigação, na cidade de Lisboa. A abordagem segue uma perspetiva dendroecológica multiproxy, integrando a análise da largura dos anéis de crescimento, da densidade da madeira e de isótopos estáveis de carbono e oxigénio, o que permite caracterizar, em simultâneo, respostas estruturais e fisiológicas. Foram consideradas árvores sob regime de precipitação natural e árvores sujeitas a irrigação automática, em condições edafoclimáticas comparáveis. Os resultados evidenciam um aumento significativo da taxa de crescimento nas árvores irrigadas, acompanhado por alterações na condutância estomática e por uma maior assimilação de carbono. De forma menos expectável, não se observaram diferenças relevantes na densidade da madeira, sugerindo que o incremento de crescimento não se traduziu numa perda de integridade estrutural. Este conjunto de resultados coloca em causa o pressuposto, frequentemente referido, de um trade-off entre crescimento e qualidade da madeira, em contexto urbano. No caso de Tipuana tipu, a irrigação parece favorecer simultaneamente o desempenho fisiológico e a estabilidade mecânica. Esta combinação de atributos contribui para a manutenção, ou mesmo reforço, dos serviços de ecossistema, como o sequestro de carbono e o arrefecimento urbano, sem evidência de aumento do risco de rutura estrutural ou de maior vulnerabilidade a agentes bióticos. Do ponto de vista aplicado, o estudo fornece suporte científico relevante para a gestão da floresta urbana, indicando que sistemas de irrigação corretamente dimensionados e eficientes podem constituir uma estratégia eficaz para reforçar a resiliência das cidades. Estes resultados são particularmente relevantes para espécies já consideradas tolerantes à seca, para as quais a irrigação pode representar não apenas um fator de sobrevivência, mas também de otimização funcional. Concentração de mercúrio atmosférico em Unidade de Conservação de Proteção Integral no Distrito Federal (DF-Brasil) 1: Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural, Faculdade UnB Planaltina, Universidade de Brasília, Brasil; 2: Instituto Brasília Ambiental; 3: Programa de Pós Graduação em Ciências Ambientais, Universidade de Brasília, Faculdade UnB Planaltina, Brasil A industrialização e queima de combustíveis fósseis amplificaram o ciclo biogeoquímico do Hg e seus impactos ambientais. O Hg atmosférico (Hgatm) oriundo de emissões veiculares é depositado em ecossistemas terrestres e aquáticos, permeando teias tróficas e bioacumulando em níveis tróficos superiores. O Hgatm emitido em rodovias é importante variável para determinação da intensidade da deposição de Hg, e consequente contaminação por Hg, em ecossistemas protegidos por unidades de conservação (UCs). Neste sentido, nosso objetivo foi quantificar e analisar as concentrações de Hgatm ao longo de rodovias marginais (BR-020, DF-128, DF-205, DF-345) e no interior da Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESEC-AE), em diferentes horários, alturas e distâncias da rodovia. Utilizamos analisador de mercúrio portátil Lumex RA-915M para determinar a concentração de Hgatm em pontos nas rodovias e nas áreas centrais da ESEC-AE. As concentrações de Hgatm ao longo das rodovias variaram entre 0 e 12,50 ng/m³, sendo 4,40 ng Hg/m3 pela manhã e 3,83 ng Hg/m3 no início da tarde. Observamos enriquecimento significativo de Hgatm no final da tarde (4,95 ng Hg/m3), horário de pico do tráfego, onde ocorre emissão conjunta devido a combustão fóssil e ressuspensão mecânica do Hg particulado depositado nas rodovias. As concentrações de Hgatm não defiriram em relação a diferentes alturas, e, maiores concentrações ocorreram sob baixas velocidades de vento e elevada umidade relativa do ar. Considerando as áreas internas da ESEC-AE, observamos forte influência das emissões rodoviárias nas concentrações de Hgatm (determinado via Krigagem) que incidem sobre a UC, principalmente nas rodovias BR-020, que apresentou fluxo mais intenso. As concentrações de Hgatm apresentaram alta variabilidade espacial (entre 2,0 e 7,0 ng/m3) nas áreas internas da UC, com média geral de 4,26 ng/m³. Obtivemos métricas inconstantes nas mensurações de Hgatm em diferentes fitofisionomias, onde observamos picos de concentração (outliers) de até 25 ng/m3 em uma mata de galeria. No entanto, consideramos haver influência do gradiente altitudinal e da direção dos ventos predominantes da região. Nossos resultados demonstram que as concentrações de Hgatm nas rodovias que margeiam a ESEC-AE, dependem, majoritariamente, da intensidade do tráfego, que varia significativamente durante o dia. Observamos que há acumulam de Hgatm em áreas internas da ESEC-AE, principalmente em fitofisionomias com vegetação mais densa e úmida. Assim, concluímos que o Hgatm emitido em rodovias e que incide sobre a ESEC-AE depende da intensidade do tráfego, de processos de ressuspensão mecânica, da densidade vegetal da fitofisionomia e das condições meteorológicas locais. Esses fatores atuam conjuntamente na modulação temporal e espacial do Hgatm em ambientes rodoviários urbanos e periurbanos sob influência antrópica. Nossos resultados contribuem para a compreensão do ciclo antropogênico do Hg e dos impactos ecológicos em ecossistemas associados a rodovias e subsidia tomadas de decisão em relação a políticas públicas ambientais e de gestão de Ucs. Evidenciamos e ressaltamos a necessidade de monitoramento contínuo de emissões veiculares em rodovias marginais a UCs para auxiliar na condução de políticas públicas referentes as emissões de Hgatm. Eucalyptus nitens basic wood density variation: a scientific review and application to the pulpwood supply chain in Galicia and Portugal 1: MaderaPlus Calidad Forestal S.L., Parque Tecnológico de Galicia, Rúa de Vigo, 2 32900, San Cibrao das Viñas Ourense, Espanha; 2: Altri Florestal SA, Quinta do Furadouro, 2510-582 Olho Marinho, Portugal Basic wood density is one of the most determining attributes for transforming forest biomass into industrial value. In the pulp and paper industry, this parameter links forest production with logistics, pulp yield, specific wood consumption, and the stability of the manufacturing process. Understanding the physical and genetic properties of the Shining Gum (E. nitens) is essential for optimizing its use in the pulp and paper industry. Scientific evidence shows that the basic density of Eucalyptus nitens is a complex property with multifactorial variability. This discussion is especially relevant because this species combines high productivity and tolerance to cold environments with a density that is generally lower than that of Eucalyptus globulus at young ages. Thus, E. nitens can provide volume and production reliability in cold or humid areas, but its industrial value depends on understanding and managing the variability of its wood density and other traits associated with pulp quality. This study aims to synthesize existing knowledge on the variation of basic density of E. nitens within trees, between trees at the same site, and between sites, contrasting methodologies and quantitative results after a comprehensive analysis of over 100 scientific articles. Furthermore, it discusses how this variability could be incorporated into a practical model for optimizing the supply to pulp mills in Galicia and Portugal. A technical and scientific basis is provided for designing a study in the production area to transform density variability into a supply chain management variable. Projeto FREE-B: compreender e conservar as populações silvestres de Apis mellifera em áreas naturais 1: CIMO – Centro de Investigação de Montanha, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253, Bragança, Portugal; 2: Université Paris-Saclay, CNRS, IRD, UMR Évolution, Génomes, Comportement et Écologie, Gif-sur-Yvette, França; 3: Department of Ecology, Swedish University of Agricultural Sciences, Uppsala, Suécia; 4: Faculty of Biological Sciences, Kazimierz Wielki University, Powstańców Wielkopolskich 10, Bydgoszcz 85-090, Polónia; 5: Honey Bee Watch, Irlanda; 6: Galway, Ireland. Zoology, School of Natural Sciences and Ryan Institute, University of Galway, Galway, Irlanda A abelha melífera (Apis mellifera), espécie nativa da Europa, África e Médio Oriente, desempenha um papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas através dos serviços de polinização que presta. Atualmente, a grande maioria das colónias presentes na Europa vive em colmeias e está sujeita a intervenções humanas frequentes com objetivos produtivos. No entanto, até às décadas de 1970–1980, antes da invasão do ácaro parasita Varroa destructor, uma parte significativa das colónias habitava cavidades naturais, como árvores ocas, ou estruturas construídas pelo ser humano, incluindo muros, paredes e telhados, vivendo sem qualquer intervenção humana. A invasão do parasita V. destructor provocou o colapso das populações silvestres, levando ao desaparecimento de grande parte das colónias. Como consequência, a A. mellifera no seu estado selvagem foi recentemente classificada pela União Internacional de Conservação da Natureza como ameaçada na UE. Apesar deste declínio, estudos recentes demonstram que ainda persistem colónias que vivem e se reproduzem em habitats naturais. Estas colónias de vida livre constituem sistemas naturais únicos, sujeitos aos processos de seleção natural e são potencialmente portadoras de adaptações importantes para a sobrevivência da espécie à V. destructor. Por isso, têm despertado um crescente interesse científico devido ao seu potencial contributo para a manutenção da diversidade genética e para a resiliência da abelha melífera. Contudo, o conhecimento sobre a sua distribuição, demografia, diversidade genética, patosfera e ecologia permanece muito limitado. É neste contexto que surge o projeto europeu Biodiversa+ “FREE-B: Studying FREE-living honey Bee colonies in Europe: nature-based solutions to safeguard diversity, ensure resilience, and promote transformative change in beekeeping”, que tem como objetivo principal colmatar estas lacunas de conhecimento. O projeto reúne investigadores de vários países para localizar, monitorizar e caracterizar colónias silvestres, ou de vida livre, longo de um gradiente geográfico, que se estende desde o sul da Europa até à Escandinávia. Através de uma abordagem multidisciplinar que combina prospeções de campo, monitorização participativa, ciência cidadã e análises genómicas, sanitárias e ecológicas, o FREE-B procura compreender os fatores que permitem a persistência destas colónias em diferentes contextos ambientais. Para além da recolha de dados científicos, o FREE-B promove o envolvimento de cidadãos, apicultores e entidades locais na identificação e monitorização de colónias de vida livre, contribuindo para aumentar o conhecimento público sobre a importância destas populações. Ao melhorar a compreensão da sua ecologia, adaptação e sobrevivência, o projeto pretende fornecer bases científicas sólidas para a conservação das abelhas em estado selvagem e apoiar o desenvolvimento de estratégias que reforcem a sustentabilidade da apicultura europeia perante os desafios ambientais atuais e futuros. Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto Free-B (Ref. FCT: BiodivNBS/0004/2023). Operational benchmarking of geospatial foundation model embeddings for multi-component forest biomass estimation 1: Forest Research Centre, Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Department of Geographical Sciences, University of Maryland, College Park, MD, United States of America (USA); 3: Centre of Technology and Systems/UNINOVA and Associated Laboratory of Intelligent Systems School of Science and Technology NOVA University of Lisbon Lisbon, Portugal Forest biomass plays a central role in ecosystem functioning, carbon storage, and climate regulation, making accurate large-scale biomass estimation essential for forest monitoring and carbon accounting. Remote sensing approaches have traditionally relied on manually derived predictors based on optical, radar, and structural variables extracted from individual Earth observation sensors. Recently, geospatial foundation models have introduced an alternative paradigm based on satellite embeddings, where high-dimensional latent representations are learned from large volumes of multi-source Earth observation data. Despite their increasing availability, systematic evaluations of their predictive performance and operational applicability for forest biomass estimation remain limited. In this study, we benchmark geospatial foundation model embeddings against conventional multi-sensor remote sensing predictors for the estimation of four forest biomass components: aboveground biomass density (AGBD), belowground biomass density (BGBD), shrub biomass density (SBD), and forest floor biomass density (FFBD). The analysis was conducted using 4,689 Spanish National Forest Inventory (SNFI) plots distributed across Mediterranean forest ecosystems. Three predictor families were evaluated within a unified modelling framework: (i) traditional predictors derived from Sentinel-1, Sentinel-2, and ALOS-2/PALSAR-2 observations, (ii) AlphaEarth embeddings, and (iii) TESSERA embeddings. Gradient boosted decision tree models were implemented using XGBoost, with hyperparameter adjustment, progressive feature selection, and bootstrap-based performance assessment. Model performance was evaluated through 10,000 bootstrap iterations using relative RMSE and relative MAE metrics. Results showed that embedding-based predictor families consistently matched or exceeded the performance of traditional predictors across most biomass components, although predictor-family behaviour varied depending on the target biomass pool. AlphaEarth embeddings achieved the lowest relative error values for AGBD, while TESSERA embeddings produced the best performance for BGBD, FFBD, and SBD. Feature-selection analyses further revealed differences in predictor-retention behavior between traditional and embedding-based predictor families. In addition to predictive benchmarking, selected predictor subsets were transferred to wall-to-wall raster products to generate spatially continuous biomass prediction maps across Mediterranean forest landscapes. This study provides an integrated evaluation of geospatial foundation model embeddings for multi-component forest biomass estimation and contributes to the emerging assessment of foundation-model-based Earth observation products for operational forest monitoring applications. A Customised NSGA-II Algorithm for Decision Support in Multi-Objective Forest Management Planning 1: Coimbra Institute of Engineering, Polytechnic University of Coimbra; 2: Coimbra Agriculture School, Polytechnic University of Coimbra; 3: RCM2+, Polytechnic University of Coimbra, Rua Pedro Nunes, 3030-199 Coimbra, Portugal; 4: Institute of Systems and Robotics, Department of Electrical and Computer Engineering, University of Coimbra Forest management increasingly requires decision-support approaches capable of addressing trade-offs between production, ecological resilience, economic feasibility and long-term sustainability. This is relevant in Mediterranean landscapes, where land fragmentation, recurrent fires, climate change and landscape-scale planning increase uncertainty in silvicultural decisions. In this context, this work presents a Web-oriented decision-support approach for multi-objective forest management planning, based on a customised version of the Non-Dominated Sorting Genetic Algorithm II (NSGA-II). The approach was developed to help forest managers explore alternative management compositions before implementing a specific plan. The system includes two modules: one simulates management options for each stand, considering composition, species proportions, yield class, age class, harvest-age intervals and silvicultural system; the other applies a customised NSGA-II algorithm to identify solutions that address conflicting objectives. In the case analysed, the optimisation problem aimed to maximise total harvested timber volume over the planning horizon and minimise the standard deviation of harvest volumes between periods, while ensuring that all solutions complied with validity constraints. The methodological innovation lies in adapting NSGA-II to the structure of forest planning problems. The algorithm incorporates a customised initial population and a specialised mutation operator designed to reduce invalid solutions and improve the exploration of feasible combinations of stands, species compositions and harvest ages. It was implemented in Python using the PyMoo framework and tested through a semi-hypothetical case study in the Coimbra region, Portugal. The study area was organised according to landscape-planning principles, although the optimisation focused on the forest matrix. Fourteen stands were included, resulting in a high-dimensional chromosome with 437 genes. The customised NSGA-II was compared with the standard NSGA-II using different combinations of population size, number of generations, crossover probability and mutation probability. Performance was assessed through non-dominated solutions, spacing, computational time and hypervolume. The results show that the customised algorithm consistently generated a larger and more diverse set of valid solutions. With 200 individuals and 500 generations, it produced 123 non-dominated solutions in approximately 50 seconds, compared with 98 obtained by the standard algorithm in a similar runtime. It also showed a more stable hypervolume convergence pattern and a denser Pareto front, indicating better exploration of the solution space and improved representation of trade-offs between timber production and temporal regularity of harvests. The results demonstrate the potential of customised evolutionary algorithms to support forest planning in complex and uncertain contexts. By providing a set of Pareto-optimal alternatives rather than a single prescriptive solution, the proposed approach enables managers and decision-makers to compare trade-offs, assess silvicultural pathways and integrate technical analysis into planning. Its integration into Web-based systems may increase accessibility for practitioners and small landowners. Overall, this work contributes to more transparent, flexible and sustainability-oriented tools for adaptive forest management at stand and landscape levels. Cálculo del capital natural aportado por proyectos de absorción de CO2 con metodología Reads Grupo Sylvestris, S.L., Espanha Cada vez está más aceptado que la puesta en marcha de determinados proyectos debe evaluarse desde un punto de vista más amplio que la mera rentabilidad financiera. La valoración del capital natural potencialmente detraído por una determinada actividad industrial es un ejemplo de ello. Motor Verde + Floresta es una iniciativa promovida por Fundación Repsol y Grupo Sylvestris que pretende potenciar la creación de nuevos sumideros de carbono mediante trabajos de repoblación forestal. Si bien el indicador principal de estos proyectos es el cálculo exante de toneladas de CO2 equivalente, con el fin de ir más allá a la hora de entender y valorar los impactos ambientales positivos, desde MV+F se decidió probar a calcular los beneficios que un proyecto puede llegar a generar en el capital natural a través Reads, una metodología innovadora desarrollada por un consorcio de universidades y empresas, que adopta el Protocolo de Capital Natural y sigue la norma ISO 14008:2019, de valoración monetaria de los impactos ambientales. Gracias a esta metodología, avalada por expertos del Centro Mundial de Monitoreo de la Conservación de Naciones Unidas, la Capitals Coalition y la Unión Europea, se han podido calcular los beneficios totales, por proyecto y por tonelada de CO2. Colónias silvestres de Apis mellifera em montado de azinho: resultados preliminares do projeto FREE-B em Portugal 1: CIMO – Centro de Investigação de Montanha, LA SuSusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253, Bragança, Portugal; 2: Université Paris-Saclay, CNRS, IRD, UMR Évolution, Génomes, Comportement et Écologie, Gif-sur-Yvette, França; 3: Department of Ecology, Swedish University of Agricultural Sciences, Uppsala, Suécia; 4: Faculty of BiologicalSciences, Kazimierz Wielki University, Powstańców Wielkopolskich 10, Bydgoszcz 85-090, Polónia; 5: Honey Bee Watch, Galway, Irlanda; 6: Zoology, School of Natural Sciences and Ryan Institute, National University of Ireland, Galway, Galway, Irlanda As colónias de abelha melífera (Apis mellifera) que habitam cavidades naturais e sobrevivem sem intervenção humana, constituem modelos de elevado interesse para o estudo da ecologia, adaptação e conservação desta espécie. No âmbito do projeto “FREE-B-Studying FREE-living honey Bee colonies in Europe: nature-based solutions to safeguard diversity, ensure resilience, and promote transformative change in beekeeping“ , investigadores de vários países estão a estudar estas colónias ao longo de um gradiente que se estende do sul da Europa até à Escandinávia. Em Portugal, o local de estudo situa-se na Herdade da Granja, Idanha-a-Nova. A Herdade da Granja, localizada junto à Barragem Marechal Carmona, possui cerca de 186 ha dominados por montado de azinho (Quercus ilex), integrando árvores maduras com cavidades naturais e áreas de regeneração natural. A conjugação de abundantes locais de nidificação com uma elevada disponibilidade de recursos florais cria um habitat particularmente favorável à instalação e sobrevivência de colónias silvestres, ou de vida livre, de A. mellifera. Durante os trabalhos de prospeção realizados em 2025 foram identificadas 13 cavidades ocupadas por colónias de abelha, correspondendo a uma densidade de 1,1 colónias/km², superior aos valores médios reportados para o norte da Europa (0,26 colónias/km²). Todas as colónias estavam instaladas em cavidades naturais de azinheiras de grande porte, evidenciando uma forte associação entre a ocorrência destas populações e a disponibilidade de árvores maduras. As árvores ocupadas apresentam um perímetro médio à altura do peito de 1,74 m (intervalo: 1,50 – 2,00 m), à altura da entrada do ninho de 1,93 m (intervalo: 1,74 – 2,22 m), enquanto a altura da entrada dos ninhos é em média, 1,97 m (intervalo: 1,34 – 3,19 m). A entrada dos ninhos encontra-se maioritariamente orientada para o quadrante noroeste. A monitorização realizada em março de 2026 revelou uma taxa de mortalidade no Inverno de 61,5%, um valor que, de acordo com os apicultores locais, não difere substancialmente das perdas observadas em colónias domésticas durante o mesmo período, tendo permanecido ativas 5 das 13 colónias identificadas em 2025. Contudo, os levantamentos efetuados em maio de 2026 demonstraram a reocupação de 3 cavidades e permitiram a descoberta de uma nova cavidade ocupada, totalizando 7 colónias ativas. Estes resultados sugerem que, apesar da elevada mortalidade observada, a recolonização poderá desempenhar um papel importante na manutenção destas populações. Foram ainda recolhidas amostras biológicas das colónias sobreviventes para caracterização genética e identificação de patogénios, cujos resultados serão comparados com os de colónias provenientes de apiários da região. Os resultados obtidos demonstram que os montados de azinho podem constituir habitats relevantes para a manutenção de populações silvestres de A. mellifera em Portugal. O acompanhamento destas colónias contribuirá para uma melhor compreensão dos fatores associados à sua sobrevivência e resiliência, fornecendo informação importante para a conservação da abelha melífera ibérica e dos ecossistemas mediterrânicos. Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto Free-B (Ref. FCT: BiodivNBS/0004/2023). Floresta Digital: inteligência artificial acessível para a monitorização e gestão florestal 1: Escola Superior Agrária / Instituto Politécnico de Coimbra; 2: Instituto Superior de Engenharia / instituto Politécnico de Coimbra; 3: RCM2+ Centro de Investigação em Gestão de Ativos e Engenharia de Sistemas As alterações climáticas, associadas à maior frequência de incêndios e eventos extremos, e a fragmentação da propriedade florestal colocam desafios à gestão florestal em Portugal. Apesar dos avanços na deteção remota, no LiDAR e na inteligência artificial (IA), a sua aplicação permanece limitada por constrangimentos técnicos e económicos, dificultando a adoção por técnicos e pequenos proprietários. O presente trabalho divulga a iniciativa Floresta Digital e descreve a estratégia adotada para integrar tecnologias emergentes na monitorização e gestão florestal. A iniciativa resultou da convergência de interesses científicos de docentes do Instituto Politécnico de Coimbra, integrados no centro RCM2+, com competências em Engenharia Florestal e IA. Inicialmente voluntária, a sua evolução foi sustentada por projetos de investigação, dissertações e parcerias com entidades do setor. Inspirada nos princípios da gestão adaptativa, a estratégia organiza-se em torno do ciclo observar–antecipar–adaptar, transformando dados em conhecimento útil para apoio à decisão. A sua operacionalização assenta em quatro eixos: infraestruturas digitais para recolha, integração e análise de dados; validação em contexto operacional; capacitação dos agentes do setor e democratização do acesso às tecnologias digitais; e promoção da adoção e replicação das abordagens desenvolvidas. A estratégia apoia-se em dois laboratórios vivos: o Projeto Floresta da Serra do Açor (FSA), dedicado ao restauro florestal à escala da paisagem, e a rede de parcelas demonstrativas da Serra da Lousã, orientada para a monitorização de distúrbios e adaptação climática. Estas infraestruturas permitem recolher dados reais, desenvolver metodologias, validar ferramentas e promover aprendizagem. Um dos principais resultados é a Plataforma Floresta Digital, aplicação web livre para utilização de metodologias avançadas de monitorização, análise e apoio à decisão. Desenvolvida com arquitetura modular em Python e Docker, assegura escalabilidade, manutenção e integração de novos simuladores, permitindo que técnicos e proprietários utilizem ferramentas baseadas em IA sem equipamento especializado. Atualmente, a plataforma integra cinco simuladores em desenvolvimento. O Simulador de Volume do Sobreiro estima a área e o volume de cortiça a partir de imagens com modelos como a Mask R-CNN; o Simulador de Volume do Pinheiro segmenta troncos em fotografias e extrai altura, DAP e volume. À escala dos povoamentos, o Simulador de Crescimento do Pinheiro-Bravo projeta plantações, o Simulador de Alternativas de Gestão compara cenários, e o Simulador de Monitorização de Plantações usa deteção automática de árvores em fotografias aéreas para acompanhar plantações e apoiar decisões pós-plantação. A integração de modelos de inteligência artificial constituiu um dos principais desafios técnicos do projeto, sobretudo devido à elevada exigência computacional associada a estes modelos. Para ultrapassar esta limitação, os simuladores foram desenvolvidos com uma interface comum de gestão de simulações, que permite registar o histórico de execuções por utilizador, gerir dados de entrada e resultados, comparar cenários e exportar informação de forma simples e estruturada. O Floresta Digital constitui um exemplo de inovação interdisciplinar para a transformação digital do setor florestal, articulando ciência florestal, IA, laboratórios vivos e ferramentas acessíveis para apoiar uma gestão mais resiliente, informada e adaptada aos desafios futuros. Resilient Trees: Old-Growth forests and Veteran Trees for Biodiversity and Resilient Landscapes 1: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Rua Tenente Raul D’Andrade 1-3, 7000-613 Évora; 2: CREATE – Center for Sci-Tech Research in Earth System and Energy, Universidade de Évora, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal; 3: Universidade de Évora, Departamento de Biologia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora; 4: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Agronomia, Apartado 1013, Quinta de Prados, 5001-801 Vila Real; 5: Universidade de Évora, Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora Integrado nos processos em curso de transformação da paisagem associados à necessidade de criar mosaicos de restauro de ecossistemas florestais nativos, de acordo com a nova Lei do Restauro da Natureza, apresenta-se o projeto Interreg Europe, cofinanciado pela União Europeia, Resilient Trees, que, a nível nacional, tem como parceiros a Universidade de Évora e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas a que se somam mais sete parceiros europeus. As florestas primárias e árvores monumentais são elementos insubstituíveis e raros de alto valor de conservação do património natural e cultural europeu. A presença desses recursos longevos: garante a preservação de espécies ameaçadas de extinção, fornece serviços de ecossistema essenciais e contribui para a resiliência do ecossistema, a adaptação climática e o bem-estar humano. Este projeto tem como objetivo reforçar a proteção da biodiversidade através da melhoria e implementação de políticas públicas relacionadas com árvores e bosquetes seculares (veteran trees and old-growth forests). Através de parcerias colaborativas entre autoridades políticas, instituições científicas e ONG, pretende-se promover a criação de uma rede de valores florestais estratégicos, por forma a aumentar a resiliência das nossas paisagens. Abraçando a diversidade das regiões europeias onde ocorrem árvores e bosquetes seculares - desde reservas florestais de elevado valor de conservação até paisagens culturais – pretende-se restaurar e preservar a biodiversidade florestal. Embora as diretrizes da Comissão Europeia sobre florestas antigas forneçam uma estrutura operacional, a sua implementação regional depende do desenvolvimento de critérios científicos e técnicos claros. Aspetos-chave permanecem pouco desenvolvidos, incluindo, identificação de bosquetes e árvores seculares e a sua gestão. As áreas ocupadas de sobreiros e azinheiras podem encaixar-se como um exemplo de ecossistemas florestais com a presença de exemplares arbóreos com algumas centenas de anos e que constituem uma referência na paisagem e repositórios de elevada biodiversidade. No presente trabalho, apresentam-se os resultados das sessões participativas realizadas em Portugal com diversas partes interessadas no âmbito da preservação de árvores e bosquetes seculares e árvores monumentais. Com base nos contributos recolhidos, são ainda discutidas propostas para a revisão do regime de proteção atualmente aplicado ao sobreiro e à azinheira, considerando a possibilidade da sua extensão a outras espécies de carvalhos. Acknowledgements: This work was supported by the Resilient Trees project (CUP J63C25000200007), funded by the INTERREG Europe programme through the European Regional Development Fund (ERDF). Desenvolvimento de um painel biocompósito para isolamento térmico e acústico à base de biomassa florestal residual e micélio fúngico 1: SerQ – Innovation and Competence Forest Centre, Sertã, 6100-711, Portugal; 2: University of Coimbra, ISISE, ARISE, Department of Civil Engineering, Coimbra, 3030-788, Portugal; 3: Centro de Ecologia Funcional, departamento de Ciências da Vida, universidade de Coimbra, 3000-456 A gestão da vegetação e a redução da carga combustível geram quantidades significativas de biomassa florestal residual, cuja valorização continua a representar um importante desafio para o sector florestal. Neste contexto, o projeto Value2Prevent teve como objetivo desenvolver uma solução inovadora para o setor da construção sustentável, baseada na utilização de biomassa florestal residual e micélio fúngico para a produção de um painel biocompósito de isolamento térmico e acústico. O trabalho envolveu a recolha e processamento de biomassa proveniente de operações de gestão florestal, posteriormente utilizada como substrato para o crescimento controlado de fungos selecionados. O desenvolvimento do biomaterial baseou-se na capacidade do micélio para colonizar e agregar partículas lignocelulósicas, funcionando como ligante natural e permitindo a obtenção de um compósito sem recurso a adesivos sintéticos. Com base neste biomaterial, foi desenvolvida uma solução multicamada constituída por um núcleo de biomassa colonizada por micélio e por camadas exteriores de madeira maciça, formando um painel destinado a aplicações de isolamento em espaços interiores. A montagem do produto foi efetuada recorrendo exclusivamente a elementos de madeira, reforçando o carácter biológico e sustentável da solução desenvolvida. Foram realizados ensaios laboratoriais para avaliar o desempenho térmico, acústico e a durabilidade do material, permitindo validar a sua aptidão para aplicações não estruturais na construção. Os resultados obtidos demonstraram a viabilidade técnica da utilização de biomassa florestal residual e micélio fúngico no desenvolvimento de materiais de construção de base biológica, com potencial para contribuir para a redução da utilização de materiais convencionais de maior impacto ambiental A solução proposta contribui para a valorização de recursos florestais de reduzido valor económico, promovendo a bioeconomia circular e criando alternativas sustentáveis para o aproveitamento da biomassa resultante das operações de gestão florestal e prevenção de incêndios. . Gestão de florestas públicas para o desenvolvimento sustentável: a experiência do Programa Territórios da Floresta 1: UNIMONTES, Brasil; 2: MMA, Brazil; 3: CEGAFI- UnB, Brazil A governança ambiental e a regularização fundiária na Amazônia Legal constituem desafios estruturais para a consolidação do desenvolvimento sustentável no Brasil. Nesse cenário, o Programa Territórios da Floresta surge como uma política pública interministerial estratégica, instituída conjuntamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Amparado legalmente pela Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei nº 11.284/2006), regulamentada pelo Decreto nº 12.046/2024 e pela Portaria Interministerial MMA/MDA nº 1.309/2025, o programa atua diretamente na intersecção entre a conservação dos ecossistemas florestais e a garantia de direitos socioambientais. Seu objetivo central consiste em reconhecer e regularizar o uso e a ocupação tradicional exercidos por povos e comunidades tradicionais (PCTs) em áreas de florestas públicas federais não destinadas (FPFND). O principal instrumento jurídico de consolidação dessa política é o Contrato de Concessão de Direito Real de Uso (CCDRU), celebrado na modalidade coletiva. Por possuir uma finalidade de interesse social e público, o CCDRU é concedido com dispensa de processo licitatório, assegurando a permanência das comunidades nos territórios e a sustentabilidade dos recursos naturais. A operacionalização do programa estrutura-se em um rito administrativo rigoroso e de caráter participativo, subdividido em etapas sequenciais que vão da identificação das glebas públicas federais com áreas de florestas sem destinação formal, passando pela declaração de concordância dos PCTs com o prosseguimento do processo administrativo, até à celebração do CCDRU. Portanto, em síntese são observadas as seguintes etapas: 1) procedimentos prévios junto à Câmara Técnica de Destinação e Regularização Fundiária (CTD); 2) mobilização social; 3) levantamento de informações e elaboração de peças técnicas; 4) reconhecimento formal do uso e ocupação tradicional; 5) celebração do CCDRU. Em suma, a experiência do Programa Territórios da Floresta consolida um modelo de governança florestal que protege o patrimônio ambiental amazônico contra o desmatamento e a grilagem. Portanto, ao converter áreas vulneráveis em espaços juridicamente protegidos e manejados de forma sustentável, a iniciativa promove a justiça social, salvaguardando a sociobiodiversidade e os modos de vida dos povos e comunidades tradicionais. Monitorização digital integrada do pinheiro-manso (Pinus pinea L.) 1: CISeD Research Centre in Digital Services, Polytechnic Institute of Viseu, 3504-510 Viseu, Portugal.; 2: CERNAS-IPV – Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu, Campus Politécnico de Repeses, 3504-510 Viseu, Portugal. O pinheiro-manso (Pinus pinea L.) é uma espécie emblemática da região mediterrânica, com elevada relevância económica na produção de pinhão e desempenhando funções ecossistémicas fundamentais na conservação do solo, sequestro de carbono, manutenção da biodiversidade e valorização da paisagem. A produtividade dos povoamentos apresenta uma elevada variabilidade interanual, frequentemente associada à queda prematura das pinhas, fenómeno influenciado por fatores climáticos, edáficos, nutricionais e fisiológicos cuja interação permanece ainda insuficientemente compreendida. Uso de resistógrafo para estimação comparativa de densidade de madeira de eucalipto em Portugal Altri Florestal, S.A., Quinta do Furadouro, 2510-582 Olho Marinho A densidade da madeira é um parâmetro essencial do potencial de utilização de um grande conjunto de árvores de produção, incluindo Eucalyptus. Tradicionalmente, a sua determinação recorre a métodos laboratoriais, geralmente demorados, dispendiosos, e baseados em amostragens destrutivas. Estas limitações condicionam a sua aplicação em larga escala e em tempo útil, no normal decorrer das operações. Neste contexto, a estimação de densidade através de medições de resistografia apresenta-se como uma abordagem promissora para a triagem e hierarquização do potencial de diferentes materiais genéticos, precedendo uma análise laboratorial mais detalhada. Deste modo, para avaliar a aplicabilidade desta técnica em plantas de diversos clones e híbridos de eucalipto (Eucalyptus globulus) em Portugal, foram instalados dois ensaios, um na Quinta do Furadouro (Óbidos, Leiria) e outro na propriedade de Pinheirinho (Tábua, Coimbra), ambos em árvores de nove anos (plantação em 2017). Foi utilizado um resistógrafo IML RESI PD400, que permite recolher informação de resistência à perfuração e à rotação da agulha, face a velocidades constantes das mesmas. Fizeram-se, (sempre que permitido pela árvore/equipamento), perfurações bark-to-bark (casca-a-casca), a uma velocidade de perfuração de 150 cm/min e 2500 rpm. (Por vezes foi necessário alterar estes parâmetros para fazer uma medição com sucesso. O software abaixo indicado está preparado para normalizar os parâmetros de medição de modo a poder calcular estimativas de densidade.) Até ao momento, a amostragem do ensaio da Quinta do Furadouro foi concluída (consistindo em 460 medições), e esperamos finalizar o ensaio de Pinheirinho nas próximas semanas. Os perfis de resistência obtidos foram posteriormente recolhidos e tratados com os softwares IML Studio e IML PD-Tools Pro, sendo depois esses perfis analisados através da aplicação web FQ RESI v4.7.0, desenvolvida pela empresa Forest Quality Pty Ltd, onde foram estimados valores de densidade que permitiram estabelecer com alguma confiança um quadro comparativo entre materiais. Sendo que, até ao momento, os valores estimados de densidade encontram-se entre 460,85 e 686,10 kg/m3. Por fim, a precisão das estimativas de densidade e dos rankings de comparação de densidade entre materiais está já a ser testada através de um conjunto de análises laboratoriais convencionais realizadas a um subconjunto destas mesmas plantas em estudo. Uso de LiDAR móvel (HMLS) na estimativa dendrométrica e de biomassa em povoamentos de pinheiro-bravo (Pinus pinaster). 1: Altri Florestal; 2: ESAC, Portugal; 3: RCM2+ Research Centre for Asset Management and Systems Engineering, ISEC/IPC A avaliação rápida e precisa dos recursos florestais é essencial face às crescentes exigências sociais e aos impactos das alterações climáticas. Este estudo compara a utilização de um sistema de varrimento laser móvel manual (Hand-held Mobile Laser Scanning, HMLS) com métodos de inventário florestal tradicional (IFT) e métodos de medição destrutivos, visando a estimativa de variáveis dendrométricas, biomassa aérea (AGB) e carbono em povoamentos de Pinus pinaster. Avaliação da diversidade e da dominância estrutural da floresta urbana de Lamego: contributos para a gestão e resiliência urbana 1: UTAD, CITAB, Vila Real; 2: UTAD; 3: Câmara Municipal de Lamego A crescente urbanização mundial tem provocado alterações significativas na cobertura do solo, originando problemas como ilhas de calor, degradação da qualidade do ar, aumento do escoamento superficial e perda de biodiversidade. Neste contexto, a floresta urbana desempenha um papel fundamental na mitigação destes impactos. Contudo, os benefícios proporcionados pelas árvores urbanas dependem da composição, estrutura e diversidade das comunidades arbóreas. O presente estudo teve como objetivo caracterizar a diversidade, a estrutura e a dominância da arborização urbana da cidade de Lamego, de forma a fornecer informação relevante para o planeamento e a gestão da floresta urbana. Foram inventariadas 477 árvores, correspondentes a 44 espécies, 33 géneros e 22 famílias botânicas. As três espécies mais dominantes concentraram 48% do total de indivíduos, 61% da área basal e 55% da área de copa. A diversidade foi avaliada através do número de indivíduos, da área basal e da área de copa. A diversidade foi analisada através dos índices de Shannon-Weaver e Simpson, complementados por indicadores de dominância e pela avaliação da distribuição taxonómica segundo os critérios de Santamour. Esta abordagem baseia-se na regra 10-20-30, segundo a qual nenhuma espécie, género ou família deverá representar mais de 10%, 20% e 30% da população arbórea, respetivamente. Os valores do índice de Shannon foram de 2,73 para a contagem de indivíduos, 2,24 para a área basal e 2,54 para a área de copa. Para o índice de Simpson, os valores obtidos foram de 0,89, 0,81 e 0,87, respetivamente. Os resultados evidenciaram uma forte concentração taxonómica e estrutural. Acer pseudoplatanus representou mais de 20% dos indivíduos e 24% da área de copa, enquanto Tilia tomentosa concentrou 36% da área basal. Ao nível de género, os maiores valores corresponderam a Acer (28%), Tilia (43%) e Acer (28%), respetivamente. Para as famílias, destacaram-se Sapindaceae (35%), Malvaceae (43%) e Sapindaceae (31%), demonstrando o incumprimento dos limites recomendados pelos critérios de diversificação. Conclui-se que a avaliação da floresta urbana deve integrar simultaneamente indicadores de diversidade e de estrutura, uma vez que os índices tradicionais podem não refletir integralmente os padrões de dominância presentes na comunidade arbórea. A forte concentração estrutural observada demonstra que a diversidade baseada exclusivamente na abundância de indivíduos pode conduzir a interpretações sobrestimadas da diversidade da floresta urbana. Os resultados obtidos fornecem informação relevante para o planeamento e gestão da arborização urbana de Lamego, apoiando estratégias orientadas para o aumento da diversidade estrutural e para o reforço da resiliência urbana. Otimização da gestão de pinheiro bravo por regeneração natural: impacto da resinagem 1: Departamento de Matemática, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC-TEC), Portugal; 2: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista (CIFAP), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e CITAB (Centro de Pesquisa e Tecnologia em Ciências Agroambientais e Biológicas), Portugal; 3: Centro Pinus - Associação para a Valorização da Floresta de Pinho, Portugal; 4: Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal As florestas desempenham um papel essencial no desenvolvimento sustentável, proporcionando uma ampla gama de benefícios ambientais. Para reforçar a sua componente socioeconómica, torna-se fundamental o desenvolvimento de modelos robustos capazes de identificar e gerir sistemas produtivos otimizados. Este trabalho tem como objetivo definir um modelo de otimização para a gestão de povoamentos de pinheiro bravo, baseado na regeneração natural, em uma estação de qualidade média localizada no Norte de Portugal. Pretende-se maximizar a rentabilidade, tendo em conta o fator tempo, e considerando diferentes restrições técnicas e produtivas, contemplando a resinagem. Os cenários considerados para cada parcela da área de estudo envolvem a produção de madeira através de configurações distintas de densidade de árvores por hectare, combinadas com várias opções de desbaste realizadas em diferentes idades, conjugadas ou não com a extração de resina, que pode ser mais ou menos intensiva. Como rendimentos, foram considerados os provenientes da venda de madeira e de resina. Os custos incluem a preparação do povoamento, nomeadamente a abertura de faixas, bem como os custos operacionais da sua gestão. Os dados técnico-económicos foram suportados na literatura da especialidade, nas tabelas de custos de referência para arborização, rearborização, beneficiação e exploração florestal, desenvolvidas pela Comissão de Acompanhamento para as Operações Florestais, e na consulta ao mercado. As simulações da evolução da floresta ao longo do ciclo produtivo e da distribuição diamétrica foram geradas pela plataforma ModisPinaster. O modelo de otimização desenvolvido permite identificar a rentabilidade associada a cada cenário e incorporar objetivos complementares, como a redução do período de recuperação do investimento, contribuindo para mitigar o risco financeiro e a vulnerabilidade a fatores externos. Esta abordagem constitui uma mais-valia para apoiar o processo de tomada de decisão, ao permitir identificar estratégias ótimas que promovam a melhoria do sistema de produção atual e dos resultados globais. Agradecimentos: O presente trabalho recebeu apoio financeiro do Projeto Integrado RN21 – Inovação na Fileira da Resina Natural para Reforço da Bioeconomia Nacional, cofinanciado pelo Fundo Ambiental através da Componente 12 – Promoção da Bioeconomia Sustentável – Investimento TC-C12-i01 – Bioeconomia Sustentável – Aviso N.º 01/C12-i01/2021 e N.º 02/C12-i01/2021, dos fundos europeus atribuídos a Portugal pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) da União Europeia (EU), enquadrado no Next Generation UE, para o período de 2021 – 2026. Gestão florestal adaptativa pós-incêndio no Baldio de Relva: contributos para uma paisagem mais resiliente no território do Alvão UTAD, Portugal Os espaços florestais comunitários assumem um papel relevante na gestão sustentável da paisagem, sobretudo em territórios de montanha sujeitos a riscos naturais, abandono rural e recorrência de incêndios. O presente trabalho teve como objetivo elaborar uma proposta de Plano de Gestão Florestal para o Baldio de Relva, situado na União de Freguesias de Borbela e Lamas de Olo, concelho de Vila Real, no contexto territorial do Alvão. A área em estudo apresenta cerca de 12,6 ha e encontra-se parcialmente integrada no Parque Natural do Alvão e na ZEC Alvão/Marão, o que reforça a necessidade de compatibilizar objetivos produtivos, ecológicos e legais. A metodologia assentou na caracterização territorial, biofísica, legal e funcional da propriedade, recorrendo à análise cartográfica, enquadramento em instrumentos de gestão territorial e florestal, observação de campo e interpretação das condicionantes ambientais existentes. Foram considerados fatores como relevo, altitude, declive, clima, solos, flora, fauna, riscos fitossanitários, incêndios, infraestruturas e enquadramento socioeconómico. O incêndio florestal de 2025, que afetou a totalidade do baldio, foi assumido como o principal fator condicionante da proposta de gestão, tornando prioritária a estabilização do solo, a redução da erosão, a avaliação da regeneração natural e a prevenção de nova recorrência do fogo. Apesar da reduzida dimensão e da relativa homogeneidade edafoclimática da área, propôs-se a divisão do Baldio de Relva em duas parcelas de gestão, definidas com base nas condicionantes legais. A Parcela 1, integrada em áreas classificadas, foi orientada para funções de conservação, proteção do solo e valorização de espécies autóctones, através de um modelo silvícola misto com Castanea sativa, Prunus avium e Arbutus unedo. A Parcela 2, com maior flexibilidade de intervenção, foi direcionada para uma produção lenhosa moderada, baseada na condução de Pinus pinaster em mistura com Castanea sativa, evitando a reinstalação de povoamentos contínuos, monoespecíficos e vulneráveis ao fogo. A proposta privilegia a regeneração natural sempre que esta se revele viável, recorrendo à plantação apenas em situações de insuficiência ou má distribuição da regeneração. Defende-se uma gestão adaptativa, com intervenções progressivas ao longo do tempo: estabilização do solo e avaliação dos danos nos primeiros anos, condução da regeneração e controlo de invasoras numa fase intermédia, e desbastes seletivos e consolidação de mosaicos vegetais numa fase posterior. A manutenção de matos em mosaico, a valorização de folhosas autóctones, a redução da continuidade horizontal e vertical dos combustíveis e a utilização de técnicas de baixo impacto constituem medidas centrais para aumentar a resiliência ecológica e reduzir a perigosidade de incêndio. O trabalho contribui para a reflexão sobre novos modelos de silvicultura em áreas comunitárias pós-incêndio, demonstrando que a gestão florestal não deve limitar-se à produção lenhosa, mas integrar conservação da biodiversidade, proteção do solo, adaptação climática, serviços de ecossistema e valorização multifuncional da paisagem. Conclui-se que o Baldio de Relva pode constituir um exemplo de gestão florestal adaptativa, orientada para a recuperação ecológica e para a construção de uma paisagem mais diversa, funcional e resistente ao fogo. |