Programa da conferência
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Vista diária |
| Data: Terça-feira, 06.10.2026 | |
| 9:30a11:00 | Sessão oficial de abertura do 10CFN Localização: Auditório ISCAC Moderação/coordenação de sessão: José Gaspar |
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| 11:00a11:30 | Pausa para café Localização: Átrio ISCAC |
| 11:30a11:45 | “Ao Viandante” – O curioso périplo de um poema inspirado pela Festa da Árvore de 1913 Localização: Auditório ISCAC Moderação/coordenação de sessão: José Gaspar |
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“Ao Viandante” – O inesperado périplo de um poema inspirado pela Festa da Árvore de 1913 CEGOT - Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Coimbra, Portugal Encontra-se junto de algumas árvores notáveis, em várias localidades portuguesas, um poema intitulado “Ao Viandante” ou “Oração da Árvore”, cuja autoria é atribuída a Albano Alberto de Mira Saraiva ou, alternativamente, a Alberto da Veiga Simões, nos casos em que não é omissa. Em treze versos singelos, a árvore dirige-se na primeira pessoa àquele que passa, suplicando que não lhe faça mal, pois oferece-lhe calor no inverno, sombra fresca no verão e frutos sumarentos. Dá-lhe o travejamento da sua casa, as tábuas da sua cama e da sua mesa e a porta da casa que habita; o cabo da enxada com que trabalha e o casco do barco em que navega; a madeira do seu berço e, enfim, o seu próprio caixão. Presença essencial na vida humana, do nascimento até à morte, a árvore é ainda “o pão da bondade e a flor da beleza”, merecedora do respeito do viandante. Circulam versões deste poema em vários países europeus, como a Alemanha (Gebet des Waldes, atribuído a R. Lohrmann), a Eslovénia (Molitva Šume, atribuído a Khalil Gibran), a Espanha (Al Pasajero, traduzido do português, mas de autor omisso), a França (Prière de la Forêt, de suposta origem espanhola) e o Reino Unido (To the Wayfarer, traduzido do português, de autor omisso). Uma versão deste poema foi apresentada na Exposição Internacional de Paris, em 1937, no pavilhão da Jugoslávia, à entrada da secção florestal, pelo que é mencionada por vezes a sua “antiga origem” jugoslava. Em 1954, a FAO publicou versões deste poema em francês e inglês, numa obra dedicada ao Dia da Árvore, atribuindo-lhe uma origem alemã. Mais recentemente, um artigo publicado na revista húngara Erdészeti Lapok, em 2008, procurou esclarecer a origem do poema, confrontando versões em várias línguas, mas sem fazer, porém, qualquer referência a uma possível origem portuguesa. Nesta comunicação procuramos demonstrar a origem deste conhecido poema, cujo autor inequívoco foi o inspetor escolar Albano Alberto de Mira Saraiva, então em funções em Arganil, por ocasião da Festa da Árvore de 9 de março de 1913, celebrada a nível nacional, como um dos grandes eventos cívicos da I República. O poema foi reproduzido em placas gravadas, destinadas a serem colocadas em árvores na berma das estradas, uma das quais, afortunadamente, foi conservada pelo Eng.º Silvicultor José Resina Rodrigues. Esta placa chegou aos nossos dias como testemunho singular de um movimento internacional, introduzido em Portugal no início do século XX, que fomentou um sentimento popular favorável à árvore, através de plantações festivas e ritualizadas, com as crianças das escolas primárias. Seria este o poema escolhido para o cartaz do Dia da Árvore, em 1970, que assinalou o recomeço oficial desta comemoração em Portugal. A sua difusão internacional, apesar dos equívocos quanto à origem e ao autor, é um fenómeno que tem conhecido um novo fôlego, através das redes sociais de comunicação à distância. |
| 11:45a12:45 | Sessão Plenária 1: Filipe Costa e Silva Localização: Auditório ISCAC Moderação/coordenação de sessão: Leónia Nunes |
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A árvore para além da ciência Universidade de Lisboa, Portugal O que é conhecer uma árvore? Estudamos a sua classificação botânica, a ecologia, anatomia, fisiologia, bioquímica, genética e todas as demais ciências que espreitam à lupa tudo o que se deixa medir e quantificar. Ainda assim, algo invisível se nos escapa por entre os marcadores moleculares, a equação da fotossíntese e a área basal por hectare. A maneira como olhamos uma árvore está fortemente condicionada pelo nosso contexto social e cultural. A sociedade contemporânea, nascida do materialismo científico do século XIX, olha para as árvores como em geral olha para tudo o resto, de uma forma puramente utilitária ou, na melhor das hipóteses, com algum interesse estético. Por vezes, no entanto, fruto de uma difusa reminiscência, talvez de uma reavivada memória dos tempos de infância, este homem urbano que caminha orgulhoso pela sua cidade de betão, consegue descobrir na árvore algum dos seus valores simbólicos e entende então através dela uma nova concepção do espaço e do tempo. As árvores, pela sua dimensão e biomassa e pelo seu tempo de vida, são o elo principal no fluxo de energia e dominam as relações e os processos dos ciclos biogeoquímicos dos ecossistemas florestais. Mas, também, por outra perspectiva, a sua forma e dimensão permitem que encaremos as árvores como monumentos naturais de arquitectura orgânica. Desde tempos imemoriais que a humanidade, inspirada na imagem e nos ensinamentos subtis da natureza das árvores, soube incorporar os seus elementos de estrutura, harmonia e estética, no desenvolvimento das suas civilizações. Das colunas dos templos aos mastros dos navios, a árvore está presente como símbolo de transcendência nessa viagem do homem através dos tempos. As árvores, na sua verticalidade, imobilidade e intemporalidade, sobressaem singularmente na biosfera e, de alguma forma, destacam-se das outras plantas do reino vegetal como o homem se destaca no reino animal. Então, muito para além do admirável conhecimento científico, as árvores são seres extraordinários que marcam a paisagem e atravessam o tempo, testemunhas perenes da efémera vida humana. |
| 12:45a13:00 | Placa comemorativa Localização: Campus da ESAC |
| 13:00a14:00 | Almoço Localização: Átrio ESAC |
| 14:00a15:30 | Simpósio 7a - A floresta como promotora de saúde física, mental e bem-estar Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Maria Conceição Colaço Moderação/coordenação de sessão: Inês Marques Duarte Moderação/coordenação de sessão: Leónia Nunes |
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O papel das florestas e parques urbanos na promoção da saúde, bem-estar e sustentabilidade. Contributos do projeto NATURELAB Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Portugal A natureza é hoje reconhecida como determinante para a sustentabilidade, a resiliência climática e a saúde humana, embora continue insuficientemente integrada nas políticas públicas e nas práticas de planeamento territorial. Num contexto de urbanização acelerada, eventos climáticos extremos e perda de biodiversidade, torna-se essencial adotar abordagens que articulem água, natureza e sociedade, reconhecendo ecossistemas e bem-estar humano como sistemas interdependentes. Neste enquadramento, as Soluções Baseadas na Natureza (SBN) afirmam-se como estratégias custo-efetivas para proteger, restaurar e gerir ecossistemas, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, a adaptação climática e a promoção da saúde. A evidência científica demonstra que o contacto com a natureza beneficia a saúde física e mental, através da redução do stress, da atividade física, da coesão social e da mitigação do calor urbano, do ruído e da poluição atmosférica. As Intervenções Baseadas na Natureza (IBN), como banhos de floresta, movimento em espaços verdes ou horticultura terapêutica, emergem como estratégias promissoras de saúde pública. Esta comunicação apresenta a abordagem do projeto europeu NATURELAB, em implementação em Portugal, Grécia, Países Baixos, Alemanha e Peru, que investiga o papel das SBN e das IBN na melhoria da qualidade de vida das comunidades e na promoção de territórios resilientes e inclusivos. O projeto valoriza infraestruturas verdes e azuis e integra a observação e monitorização de parâmetros ambientais, incluindo ciclo da água, qualidade do ar, ambiente sonoro, radiação solar e outros indicadores relevantes. O NATURELAB desenvolve atividades em 15 locais experimentais, envolvendo stakeholders e decisores em processos participativos, como entrevistas a informadores-chave, grupos focais e eventos de política pública. Durante 2026 e parte de 2027, serão implementadas IBN em florestas e áreas protegidas, parques urbanos e espaços de horticultura terapêutica, envolvendo 745 participantes em 5 países. Em Portugal, as IBN decorrem em 6 locais experimentais, nos municípios de Sintra e Esposende, envolvendo 360 adolescentes e adultos sem diagnóstico de doença mental, mas com condições de saúde suscetíveis de beneficiar de uma intervenção preventiva. Os participantes serão integrados em grupos, com sessões semanais de IBN em contexto natural, ao longo de 12 semanas. Outros participantes integrarão um grupo de controlo, com sessões informativas sobre natureza e saúde. Os resultados a avaliar incluem indicadores de bem-estar, saúde mental, qualidade de vida, autoestima, ligação à natureza e parâmetros fisiológicos. A metodologia do NATURELAB assenta numa abordagem interdisciplinar, articulando benefícios ambientais, sociais e de saúde. Entre os resultados destacam-se: quadro de indicadores para avaliar o potencial terapêutico dos espaços naturais; orientações sobre benefícios para a saúde associados a espaços verdes e azuis; boas práticas para jardins terapêuticos sustentáveis e resilientes; programas normalizados de IBN em espaços terapêuticos; ferramentas para integrar cuidados baseados na natureza nos sistemas de saúde pública; e recomendações para governação e políticas públicas, incluindo policy briefs. Assim, o NATURELAB reforça bases científicas e operacionais para integrar as SBN no planeamento urbano, na saúde pública e nas estratégias de adaptação climática, promovendo comunidades mais saudáveis, resilientes e inclusivas. Perceção pública e o papel vital das florestas e espaços urbanos na saúde e bem-estar em Portugal 1: Centre for Applied Ecology “Prof. Baeta Neves” (CEABN-InBIO), School of Agriculture, University of Lisbon, Portugal; 2: Centre for the Research and Technology of Agro-Environmental and Biological Sciences (CITAB), Department of Forest Sciences and Landscape Architecture, University of Trás-Os-Montes Alto Douro (UTAD), Quinta dos Prados, Apartado 1013, 5000-911 Vila Real, Portugal; Câmara Municipal de Vila Real, Avenida Carvalho Araújo, 5000-657 Vila Real, Portugal; 3: NatureMinded Consulting, Belgium O atual estilo de vida urbano tem conduzido a um progressivo afastamento da população relativamente à natureza e a um consequente aumento do stress crónico, tornando as florestas e espaços verdes urbanos infraestruturas essenciais para mitigar riscos de saúde pública e alinhar o planeamento urbano com as expectativas de bem-estar dos cidadãos. Os benefícios para a saúde encontram-se sustentados por evidências científicas robustas: a nível fisiológico, a permanência em contexto florestal reduz a pressão arterial, o ritmo cardíaco e os níveis de cortisol; do ponto de vista mental e emocional, estes espaços promovem a melhoria do humor, atenuam sintomas de ansiedade e depressão e combatem a fadiga atencional, favorecendo o descanso cognitivo. Os resultados de um inquérito nacional realizado em Portugal em 2024, com 927 respostas válidas, corroboram a elevada perceção pública acerca destes benefícios. O estudo revelou que 99% dos respondentes reconhecem que os espaços verdes urbanos influenciam positivamente a saúde física e mental. Quando questionados sobre as vantagens consideradas mais importantes, a melhoria da qualidade do ar foi a mais referida (38%), seguida pelo conforto urbano (28%) e pela promoção da biodiversidade (17%). O inquérito evidenciou igualmente padrões de comportamento significativos: 80% dos portugueses visitam espaços verdes pelo menos uma vez por semana. As principais motivações estão diretamente associadas ao bem-estar, sendo o relaxamento o fator predominante (citado por 42% dos utilizadores diários), seguido pela prática de atividade física e pela interação social. A acessibilidade revelou-se um determinante crítico, com 85% dos inquiridos a alcançar um espaço verde em menos de 15 minutos e 77% a residir a menos de 300 metros destes espaços. Do ponto de vista social, estes espaços contribuem para o combate à solidão e para o fortalecimento da coesão comunitária. Com vista a potenciar estes efeitos benéficos da natureza, metodologias como o Forestminds (Metsämieli), desenvolvidas na Finlândia em 2014, têm vindo a ser dinamizadas em Portugal desde 2024, recorrendo a exercícios de atenção plena e psicologia cognitivo-comportamental para reforçar a resiliência psicológica da população. Banhos de floresta ou Shinrin Yoku – experiências de conexão com a natureza Camara Municipal de Lisboa, Portugal BANHOS DE FLORESTA OU SHIRIN YOKU – experiências de conexão com a natureza O Shinrin Yoku, conhecido em português como Banhos de Floresta, é uma prática certificada criada no Japão na década de 1980 pelo Serviço Nacional de Saúde do governo japonês como resposta ao aumento do stress e dos problemas de saúde mental associados ao estilo de vida urbano intenso e acelerado. Esta atividade convida as pessoas a desacelerar do ruído e da poluição da cidade, a estar presentes e a conectarem-se com a natureza através dos sentidos: os cheiros, os sons, as sensações, os aromas, a luz e ainda, através da intuição, memórias e espiritualidade. No final do passeio as pessoas sentem-se tranquilas, energizadas e com ligação à beleza e à biodiversidade dos espaços naturais. A atividade de banhos de floresta iniciou-se pela primeira vez em contexto público em 2021, com uma guia certificada pelo Forest Therapy Hub, Sofia Velez. A iniciativa nasceu num momento particularmente sensível: a saída gradual do confinamento provocado pela pandemia, quando muitas pessoas sentiam necessidade de reencontrar equilíbrio emocional, contacto humano e ligação à natureza. Desenvolveram-se passeios aos sábados destinados à comunidade em geral e, durante a semana, sessões orientadas para as juntas de freguesias e universidades seniores. Estes encontros proporcionavam um espaço de desaceleração e presença, permitindo aos participantes entrar em contacto consigo próprios, com a floresta e com os outros, através de caminhadas conscientes e práticas de atenção sensorial. Num período marcado pelo isolamento social, ansiedade e fadiga emocional, os banhos de floresta revelaram-se uma experiência profundamente reparadora. Monsanto tornou-se um lugar de acolhimento e regeneração dentro da cidade, onde o silêncio, os ritmos naturais e a partilha em grupo ajudavam a reconstruir vínculos humanos e a restaurar o bem-estar físico e psicológico. Fostering a collaborative educational environment with public bodies in Central Italy and Northern Portugal, developing people's health and wellness with forest bathing activities. 1: Centre for Applied Ecology “Prof. Baeta Neves”, InBIO - Research Network in Biodiversity and Evolutionary Biology, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017, Lisboa, Portugal; 2: School of Agriculture, Polytechnic University of Coimbra, 3045-601, Coimbra, Portugal In the 2020, the first national park in Italy, Sibillini Mountains National Park (SMNP) was equipped with a forest bathing path in each municipality of the park. Updating sessions for training the hiking guides of the National Park, were organized in collaboration with their association. In 2023 and 2024, funded by the Marche Region, the Camerino Union of Mountain Municipalities organised vocational training for more than 40 new forest bathing guides. The principal objective of these interventions was to:
In 2024 the management of Parque da Devesa, in Vila Nova de Famalição showed its interest about forest bathing activities, and a forest bathing session was experienced. Parque da Devesa - a green urban area, extended for 27 ha and crossed by the Pelhe River - offers to the citizens a wide range of activities linked to the use of this large green space, practically adjacent to the centre of the town, with a population of over 130,000 inhabitants. In 2025, after evaluating the site, the opportunities and constraints related with forest bathing activities, two cycles of immersions in the forest atmosphere were organized in collaboration with the Parque da Devesa and the Municipality of Vila Nova de Famalicão. The first cycle was in March 2025, and the second in the following May, each cycle at different times and on different days of the week. Mood states, self-assessed by participants, before and after of the immersions in the forest atmosphere were recorded, as at the end of the activities an evaluation of the activities was assessed by participants, with scores and answers to open questions. Vila Nova de Famalicão Municipality also organised a theoretical and practical training, for municipal and external staff, to increase the number of tutors of immersions in the forest atmosphere. Many training participants had high qualifications (15 degrees · 3 postgraduate degrees · 5 master's degrees · 2 doctorates · 3 other training programs) in various disciplines (psychology, letters, education, medicine, environment, biology, engineering, architecture). The experiential and educational environment created has proven to be so cooperative, that a collaboration with the Psychology Department of the University of Minho has already been started, with the aim of investigating the impact of the future activities that will be developed by the trained tutors, who are already practicing. In this paper we examine and evaluate the results of the self-assessment of participants' mood changes during the immersion in the forest environment performed in 2025, and the assessment of the vocational training. From burned landscapes to collective healing: restorative community practices for post-wildfire recovery 1: CoLAB ForestWISE - Collaborative Laboratory for Integrated Forest & Fire Management, Quinta de Prados, 5001-801, Vila Real, Portugal; 2: Forest Research Centre, Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture (ISA), University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017, Lisboa, Portugal; 3: Centre for Applied Ecology ‘Prof. Baeta Neves’, InBIO, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisbon, Portugal; 4: Municipality of Santa Comba Dão, Largo do Município No. 13, 3440-337 Santa Comba Dão, Portugal; 5: Parques de Sintra - Monte da Lua S.A, Parque de Monserrate 2710-405 Sintra; 6: Joint Research Centre (JRC), European Commission; 7: Prototopia Foundation, Brussels, Belgium Post-fire recovery is commonly assessed through ecological restoration, infrastructure reconstruction and economic recovery. However, while landscapes can regenerate and damaged assets can be rebuilt, the emotional and social impacts experienced by affected communities often remain insufficiently addressed. Loss of family members, friends, animals, homes, memories and sense of place may persist long after the flames are extinguished, affecting wellbeing, social cohesion and community resilience. Despite growing recognition of environmental trauma and ecological grief, these dimensions remain largely absent from post-fire recovery strategies. This work presents an innovative experience developed in Santa Comba Dão, Portugal, one of the municipalities most severely affected by the 2017 wildfires. Seven years after the disaster, a collaborative initiative brought together the artistic project Lament, the FIRE-RES project, local authorities, researchers, psychologists, firefighters and community members. The initiative explored how art and community engagement can support emotional recovery and strengthen resilience in wildfire-affected territories. The approach combined artistic co-creation, community participation and action-research, giving rise to a set of restorative community practices designed to create safe spaces for reflection, dialogue and collective healing. Through storytelling, creative workshops and collaborative mapping exercises, residents, students, volunteer firefighters and local leaders contributed to the creation of a Collective Scar Map, integrating memories, emotions and representations of the territory. The process enabled participants to share experiences of loss while identifying sources of hope, solidarity and resilience. Results revealed that emotional impacts remained highly present years after the wildfire, highlighting the need to complement conventional recovery measures with approaches that acknowledge environmental trauma and collective grief. Participants valued the opportunity to share experiences, preserve memories and rebuild connections with both their community and landscape. Beyond documenting trauma, the process strengthened social bonds, fostered trust and helped transform memories of disaster into narratives of resilience and collective agency. The initiative was subsequently recognised by the European Commission as a Green Deal Success Story for its innovative integration of art, science and community engagement in post-disaster recovery. A key outcome was the development of the Toolkit “Art and Community Engagement as Restorative Practices in Contexts of Environmental Trauma and Grief”, providing practical guidance for replicating similar approaches in other wildfire-affected regions. The findings suggest that post-fire recovery should be understood not only as the restoration of ecosystems and infrastructures, but also as a process of rebuilding wellbeing, social cohesion and community identity. Beyond supporting emotional recovery, the experience invites reflection on how communities reconnect with damaged landscapes after extreme wildfire events. By addressing trauma, memory, grief and collective resilience, restorative community practices contribute not only to healing people, but also to rebuilding relationships between communities, forests and territories in a changing climate, supporting broader discussions on Mental Health and Psychosocial Support, ecological grief and planetary health. |
| 14:00a15:30 | Simpósio 10 - Pinheiro-manso: do conhecimento ecológico à inovação na produção de pinhão Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Hélder Viana Moderação/coordenação de sessão: Dulcineia Wessel Moderação/coordenação de sessão: Cláudia Neves |
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Pinheiro-manso na Região Centro: conhecimento, valorização e novas oportunidades para a fileira 1: CERNAS-IPV, Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Viseu, Viseu Portugal; 2: LAQV-REQUIMTE, Departamento de Química, Universidade de Aveiro, Portugal; 3: CISeD, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu, Instituto Politécnico de Viseu, Viseu, Portugal; 4: Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, Tondela, Portugal Nos últimos anos, a área ocupada por povoamentos de pinheiro-manso (Pinus pinea L.) tem aumentado significativamente na Região Centro de Portugal, reforçando a importância económica desta espécie e criando oportunidades para a valorização dos recursos associados à sua cadeia de valor. Neste contexto, foi desenvolvido um projeto promovido pela Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões (CIM VDL), em colaboração com produtores, empresas e instituições de investigação, com o objetivo de fortalecer a competitividade da fileira e promover uma utilização mais eficiente e diversificada dos recursos disponíveis. O trabalho desenvolvido assentou numa abordagem participativa e multiactor, envolvendo diferentes intervenientes da cadeia de valor. Entre as principais atividades destacam-se o acompanhamento de produtores da Região Centro, a identificação de constrangimentos e necessidades do setor e a caracterização biométrica da pinha e do pinhão ao longo de duas campanhas consecutivas. Estes estudos permitiram gerar informação sobre a qualidade da produção regional e apoiar futuras estratégias de valorização e certificação. Paralelamente, foi efetuado um levantamento micológico em 9 municípios dos distritos de Viseu, Guarda e Coimbra, tendo sido identificadas 80 espécies ou géneros de cogumelos silvestres, dos quais cerca de 30% apresentam interesse alimentar e 15% elevado valor económico. Os fungos micorrízicos representaram cerca de 41% dos registos efetuados, evidenciando o potencial destes organismos para contribuir para a produtividade e sustentabilidade dos povoamentos de pinheiro-manso. Através de ferramentas de análise multicritério foi possível avaliar a aptidão do território para esta espécie, demonstrando-se que cerca de 64% da Região Centro apresenta condições favoráveis para a expansão da sua área de cultivo, reforçando o potencial estratégico do pinheiro-manso no contexto regional. O projeto procurou ainda identificar oportunidades de valorização económica dos diferentes componentes da árvore, incluindo pinhão, pinha, resina e subprodutos. Neste âmbito foram exploradas aplicações em setores como a alimentação, nutracêuticos, cosmética, alimentação animal e outros produtos de valor acrescentado, contribuindo para o desenvolvimento de soluções alinhadas com os princípios da bioeconomia circular. A abordagem colaborativa e co-criativa desenvolvida ao longo dos últimos anos permitiu estabelecer bases sólidas para uma fileira do pinheiro-manso mais inovadora, resiliente e competitiva. A continuidade destas dinâmicas multiator será determinante para converter conhecimento em inovação e valor, reforçando a valorização da pinha, do pinhão e dos recursos associados, e capacitando o setor para enfrentar os desafios ambientais, económicos e de mercado do futuro. Agradecimentos: Os autores agradecem o apoio financeiro do Forest4Future PP21 – Projeto piloto de valorização da pinha e do pinhão da região Centro (CENTRO 08-5864-FSE-000031) e do Biofeed (2022.02102.PTDC) através da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Élia Fogeiro agradece a bolsa de doutoramento FCT 2021.08009.BD. Agradece-se ainda ao Instituto Politécnico de Viseu, Universidade de Aveiro e ao apoio da FCT/MCTES ao Centro de Investigação em Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade — CERNAS (UID/00681/2025, DOI 10.54499/UID/00681/2025) e ao Laboratório Associado para a Química Verde - Tecnologias e Processos Limpos — LAQV-REQUIMTE (UID/50006/2025, DOI 10.54499/UID/50006/2025). Potencial de expansão do pinheiro-manso na Região Centro de Portugal: avaliação da aptidão ecológica através de análise multicritério 1: CISeD Research Centre in Digital Services, Polytechnic Institute of Viseu, 3504-510 Viseu, Portugal; 2: CERNAS-IPV – Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu, Campus Politécnico de Repeses, 3504-510 Viseu, Portugal O pinheiro-manso (Pinus pinea L.) tem vindo a assumir um papel crescente na valorização dos espaços florestais mediterrânicos, constituindo uma espécie de interesse para a diversificação da produção florestal e para a ocupação sustentável de territórios sujeitos a condições edafoclimáticas exigentes. Na Região Centro de Portugal, a espécie ocupa atualmente cerca de 11.715 ha, representando aproximadamente 5,5% da área nacional, existindo um interesse crescente na sua instalação devido à valorização económica da fileira do pinhão. O presente trabalho teve como objetivo identificar áreas com potencial para a expansão sustentável do pinheiro-manso na Região Centro através da modelação da aptidão ecológica da espécie, recorrendo a Análise de Decisão Multicritério (MCDA). Foram integradas variáveis biofísicas consideradas determinantes para o desenvolvimento da espécie, incluindo fatores climáticos, topográficos, edáficos e de ocupação do solo. Os diferentes critérios foram normalizados e ponderados através do método Analytic Hierarchy Process (AHP), permitindo a construção de um índice de aptidão ecológica e a elaboração de cartografia de suporte à decisão. Os resultados evidenciam uma distribuição heterogénea da aptidão ecológica no território, identificando áreas com potencial elevado para a instalação de novos povoamentos, particularmente em zonas de influência mediterrânica e com condições edafoclimáticas favoráveis ao crescimento da espécie. Paralelamente, foram identificadas áreas onde as limitações ambientais condicionam o seu desenvolvimento e produtividade. A cartografia produzida constitui uma ferramenta de apoio ao ordenamento florestal e ao planeamento de investimentos na fileira do pinhão, permitindo antecipar tendências de expansão da cultura e orientar estratégias de instalação de novos povoamentos. Os resultados obtidos contribuem para uma gestão mais eficiente e sustentável do território, promovendo a valorização económica e ambiental do pinheiro-manso na Região Centro de Portugal. Palavras-chave: Pinus pinea; aptidão ecológica; análise multicritério; SIG; ordenamento florestal; fileira do pinhão. Os autores agradecem o apoio do projeto FRUCTHOR-IA (S2/1.1/E0170), cofinanciado pelo Programa Interreg Sudoe 2021-2027 (FEDER). Produção de pinheiro-manso: variabilidade, gestão e caminhos para sistemas mais resilientes 1: 1) Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV), Avenida da República, Quinta do Marquês, 2780-157 Oeiras, Portugal; 2: 2) Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal A produção de pinha em Pinus pinea caracteriza‑se por uma elevada variabilidade interanual, resultante da forte influência de fatores climáticos, fisiológicos e edáficos ao longo de um ciclo reprodutivo particularmente longo, com duração aproximada de quatro anos. A quebra produtiva registada na última década tem sido agravada pelo prolongamento dos períodos secos e pela redução da precipitação de primavera, refletindo os impactos crescentes das alterações climáticas sobre o crescimento vegetativo, a fenologia reprodutiva e o desenvolvimento das pinhas. Construir sistemas mais resilientes exige articular conhecimento tradicional, inovação tecnológica e monitorização contínua, reforçando a capacidade adaptativa da espécie e da fileira face a pressões climáticas e económicas emergentes. Este trabalho sintetiza os principais avanços obtidos em vários projetos de gestão adaptativa desenvolvidos nas últimas duas décadas, com foco na fertilização, rega e gestão de sistemas mistos de pinheiro‑manso e sobreiro no âmbito dos projetos PINEA, FERTIPINEA e CORKNUT. Particular atenção é dada aos povoamentos enxertados, que representam uma fração significativa das novas plantações instaladas em Portugal nos últimos 30 anos. Os ensaios de fertirrigação em povoamentos enxertados demonstraram que a aplicação contínua de água e nutrientes pode aumentar a produção, embora limitada pelo ciclo reprodutivo de safras e contra-safras da espécie. Após cinco anos de tratamento, observou‑se um aumento de 65% na produção de pinhas, mas apenas em anos de safra. O incremento não resultou de uma maior formação de flores femininas, mas sim de uma maior sobrevivência destas, refletindo o melhor estado fisiológico das árvores fertirrigadas. Os resultados evidenciam que a capacidade de acumulação interna de recursos é determinante para o sucesso reprodutivo, mesmo sob seca extrema, e que a aplicação de água e nutrientes pode elevar o potencial produtivo. Verificou‑se ainda que a disponibilidade de água e nutrientes prolongou ligeiramente a janela de recetividade feminina, aumentando o potencial de polinização e consequentemente da fecundação e do sucesso reprodutivo. Não havendo diferenças na disponibilidade de pólen entre o controlo (sem fertirrega) e os tratamentos fertirrigados, observou‑se uma sincronização perfeita entre o pico de recetividade da flor e a máxima concentração de pólen no ar, sugerindo que a sincronia reprodutiva é fortemente controlada por fatores ambientais, possivelmente mais pela temperatura do que pela disponibilidade hídrica. Relativamente aos sistemas mistos, a rede instalada abrangeu povoamentos puros e mistos de pinheiro‑manso e sobreiro, tanto de regeneração natural como de plantações. Os dados preliminares indicam que a produção de pinha tende a ser superior em sistemas mistos, provavelmente devido à redução da competição intraespecífica, quer ao nível radicular, quer no espaço aéreo, em consonância com o carácter heliófilo da espécie. O investimento em fertirrigação deve ser cuidadosamente ponderado face aos custos e à necessidade de uso sustentável da água nos sistemas mediterrânicos. Uma silvicultura orientada para povoamentos mistos e para a diversificação de produtos poderá constituir uma estratégia vantajosa num contexto de incerteza climática e de elevada volatilidade dos mercados florestais. Sanidade do pinheiro-manso: situação atual e desafios para a fileira 1: INIAV I.P., National Institute of Agricultural and Veterinary Research, I.P., Quinta do Marquês, 2780-159, Oeiras, Portugal; 2: GREEN-IT Bioresources for Sustainability, ITQB NOVA, Av. da República, 2780-157 Oeiras, Portugal; 3: CESAM and Department of Biology, University of Aveiro, Campus Universitário de Santiago, 3810-193 Aveiro, Portugal Sanidade do pinheiro-manso: situação atual e desafios para a fileira Helena Bragança a,b, Ana Cristina Silva a,b,c, Ana Farinha a, Pedro Naves a,b a INIAV I.P., National Institute of Agricultural and Veterinary Research, I.P., Quinta do Marquês, 2780-159, Oeiras, Portugal b GREEN-IT Bioresources for Sustainability, ITQB NOVA, Av. da República, 2780-157 Oeiras, Portugal c CESAM and Department of Biology, University of Aveiro, Campus Universitário de Santiago, 3810-193 Aveiro, Portugal O pinheiro-manso (Pinus pinea L.) possui uma importância ecológica e valor económico de elevada relevância para o país. O pinhão é um produto altamente valorizado: as produções anuais podem atingir 600–700 toneladas, com mais de 90% destinadas à exportação. Mas este recurso é frágil. O ciclo de desenvolvimento das pinhas ultrapassa três anos, criando uma janela de exposição prolongada a agentes abióticos e bióticos, nomeadamente insetos e fungos fitopatogénicos. Nas últimas décadas, as quebras na produção de pinha e de pinhão agravaram-se em toda a Península Ibérica, com um impacto direto na sustentabilidade da fileira. Embora não sejam os únicos responsáveis por esta diminuição da produção, pragas e doenças têm contribuído para quebras de produção de pinha e pinhão. Em relação aos insetos, duas pragas concentram a maior preocupação. A lagarta-da-pinha, Dioryctria mendacella (Lepidoptera: Pyralidae), é uma praga autóctone cujo impacto tem vindo a aumentar, podendo destruir até 70% das pinhas maduras numa exploração. Mais recente é o sugador de pinhas, Leptoglossus occidentalis (Hemiptera: Coreidae), um percevejo exótico invasor que ataca os pinhões ainda em desenvolvimento. O problema agrava-se porque as duas espécies coincidem no mesmo hospedeiro e no mesmo período de ataque, com efeitos cumulativos sobre a produção. Não há uma solução simples. Este cenário exige uma investigação orientada para planos de gestão integrados, isto é, que articulem o controlo de insetos e fungos com os condicionalismos abióticos e os fatores fisiológicos do hospedeiro (por ex. limitações à polinização). A inovação tecnológica, nomeadamente a digitalização da monitorização de pragas através de armadilhas inteligentes, abre novas oportunidades para tornar esta gestão mais eficaz. Relativamente às doenças fúngicas, na última década a doença da seca dos ápices tem-se tornado um problema recorrente, com impacto direto na produção de pinha e pinhão. Embora não seja normalmente um fator de mortalidade, a doença ao afetar as zonas apicais da planta onde se encontram os órgãos reprodutores, impede o desenvolvimento da pinha ou afeta a pinha já formada ao longo do seu ciclo. Os resultados dos ensaios já efetuados apontam para que haja um complexo de fungos que no seu conjunto, ou nalguns casos isoladamente, causem este síndrome, sendo Sydowia polyspora, Pestalotiopsis pini e Diplodia sapinea os fungos mais frequentemente associados a esta doença. Não existem produtos eficazes para o combate a estes fungos, pelo que as boas práticas de gestão e uma deteção precoce, são medidas de controlo que podem minimizar o avanço da doença no nosso país. Trabalhos de investigação em curso permitiram já alguns resultados promissores para entender o estabelecimento da doença e o seu controlo. Potencial do pinheiro-manso no desenvolvimento de ingredientes bioativos e nutracêuticos inovadores 1: CERNAS-IPV, Escola Superior Agrária de Viseu, Instituto Politécnico de Viseu, Viseu Portugal; 2: LAQV-REQUIMTE, Departamento de Química, Universidade de Aveiro, Aveiro, Portugal O pinheiro-manso (Pinus pinea L.) é uma espécie florestal de elevada relevância económica e ecológica na região Mediterrânica. Em Portugal, nas últimas décadas, a área ocupada por esta espécie aumentou significativamente, impulsionada pela elevada procura e valorização do pinhão nos mercados internacionais (ICNF, 2019). A área ocupada pelo pinheiro-manso em Portugal corresponde, segundo a Carta de Ocupação do Solo (COS 2018), a cerca de 211502 ha – dos quais 120 ha em regime de agrofloresta e 11595 ha em florestas de alto-fuste – onde a região Centro (NUT II) representa 11715 ha (Direção-Geral do Território, 2020). De acordo com dados do censo agrícola de 2019, processados pelo Instituto Nacional de Estatística, a área plantada sob regime agrícola em Portugal aumentou de 41693 ha para 105093 ha no período entre 2009 e 2019 (INE, 2021). Apesar da importância do pinheiro-manso, a sua valorização continua centrada quase exclusivamente no pinhão. Após a sua extração, permanece uma quantidade considerável de biomassa sob a forma de pinha remanescente, que é frequentemente tratada como resíduo. A procura de novas aplicações para este subproduto constitui uma oportunidade para promover a sustentabilidade e competitividade do setor, em linha com os princípios da bioeconomia circular. O projeto Pineaceutic 2.0 surge neste contexto com o objetivo de desenvolver conhecimento, processos e produtos inovadores que permitam a valorização da pinha de pinheiro-manso enquanto fonte de compostos bioativos com potencial aplicação na área dos nutracêuticos. O projeto assenta numa abordagem integrada que combina a caracterização da matéria-prima, o desenvolvimento de processos sustentáveis de extração, a avaliação do potencial biológico dos extratos obtidos e a sua incorporação em novos ingredientes e formulações nutracêuticas. A iniciativa resulta da colaboração entre entidades do sistema científico e tecnológico e o setor empresarial, promovendo a transferência de conhecimento e a criação de soluções inovadoras para a valorização e reforço da competitividade da fileira do pinheiro-manso. Referências Direção-Geral do Território (2020). Uso e Ocupação do Solo em Portugal Continental—Análise Temática 1 (COS). ICNF (2019) 6° Inventário Florestal Nacional (IFN6). Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas – ICNF INE (2021). Recenseamento Agrícola—Análise dos principais resultados—2019. Instituto Nacional de Estatística, I. P. Agradecimentos Os autores agradecem o apoio financeiro do projeto Pineaceutic 2.0- Demonstração do potencial ativo de novo ingrediente nutracêutico à base de Pinus pinea, financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do Programa Regional do Centro (CENTRO2030-FEDER-01488500, Projeto nº18489), bem como a colaboração da empresa Labotanic na execução do projeto. Agradecem ainda ao Instituto Politécnico de Viseu, Universidade de Aveiro e ao apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (FCT/MCTES) ao Centro de Investigação em Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade — CERNAS (UID/00681/2025, DOI 10.54499/UID/00681/2025) e ao Laboratório Associado para a Química Verde - Tecnologias e Processos Limpos — LAQV-REQUIMTE (UID/50006/2025, DOI 10.54499/UID/50006/2025). Susana M. Cardoso agradece à FCT/MCTES o contrato de trabalho no âmbito do Programa de Estímulo ao Emprego Científico – Concurso Institucional. A4P para o reforço da sustentabilidade e do conhecimento da cultura do Pinheiro manso Qta. da Regada, Portugal A cultura do pinheiro-manso (Pinus pinea L.) tem registado, desde a década de 1990, uma evolução significativa na Região Centro de Portugal, em particular nos territórios das CIMs Coimbra , Viseu, Dão Lafões, Beiras e Serra da Estrela e em menor escala na Região de Aveiro. A transição de povoamentos dispersos e de reduzida expressão produtiva para a produção de pinha e pinhão exigiu novas abordagens de instalação, condução e gestão dos povoamentos, assentes numa visão da espécie como cultura florestal de elevada vocação frutícola. Neste contexto, foi criada, em 2024, a A4P-Associação Portuguesa de Produtores de Pinus pinea, com o objetivo de promover a organização da fileira, representar os produtores junto das entidades públicas e científicas e estimular a produção e transferência de conhecimento técnico. A Associação integra atualmente cerca de 30 associados, representando aproximadamente 1 500 hectares de povoamentos de pinheiro-manso. Em colaboração com a Escola Superior Agrária de Viseu e outras entidades do sistema científico e tecnológico nacional, encontram-se em desenvolvimento diversas linhas de trabalho consideradas estratégicas para a sustentabilidade da cultura. Entre estas destacam-se a melhoria genética e a seleção de material vegetal adaptado às condições edafoclimáticas da Região Centro. O desenvolvimento de boas práticas de gestão da fertilidade dos solos e da nutrição das árvores; o estudo das causas da mortalidade precoce das pinhas jovens e da irregularidade produtiva; a valorização dos produtos e subprodutos da fileira; e a introdução das melhores tecnologias disponíveis na colheita e processamento da pinha. A natureza perene do pinheiro-manso, caracterizada por um ciclo vegetativo longo e por forte influencia das condições ambientais na produção, evidencia a necessidade de programas de investigação de médio e longo prazo, capazes de produzir conhecimento robusto e transferível para os produtores. Neste enquadramento a A4P assume-se como uma plataforma de articulação entre produtores, instituições e entidades públicas, promoverndo uma abordagem integrada baseada na inovação, na sustentabilidade ambiental e na valorização económica da fileira do pinhão Palavras - chave : Pinus pinea, pinheiro-manso;pinhão ; sustentabilidade ; transferencia de conhecimento ;associação de produtores. Enquadramento da fileira do pinheiro-manso: desafios e implicações para a competitividade ICNF, Portugal A fileira do pinheiro-manso (Pinus pinea L.) é um pilar da economia agroflorestal mediterrânica, gerando um produto de elevado valor: o pinhão. A fileira da pinha e do pinhão sofreu na última década importantes evoluções resultantes do aumento da área ocupada por esta espécie e melhorias na gestão destes ecossistemas, nas técnicas da enxertia e da apanha mecânica da pinha. Esta atratividade reside nas características únicas da sua principal exploração: a produção de semente – o pinhão – para a indústria alimentar, o que tem permitido um rápido desenvolvimento da fileira do pinheiro-manso. A produção da pinha assume um papel central na bioeconomia ao transformar um recurso florestal num modelo de economia circular. A fileira gera alto valor económico (pinhão) e aplica inovação sustentável ao converter sobrantes (essencialmente cascas) em energia e novos biomateriais. A competitividade do setor enfrenta desafios como a imprevisibilidade de produção e os elevados custos na colheita, exigindo modernização técnica, aplicação de boas práticas e certificação para garantir a uma maior valia económica e sustentabilidade. Em 2015 o enquadramento legal desta fileira foi alterado, com a publicação do Decreto-Lei n.º 77/2015, de 12 de maio, que entrou em vigor a 10 de agosto de 2015. Este diploma introduziu mecanismos de rastreabilidade das atividades desenvolvidas pelos operadores na cadeia de abastecimento da pinha de pinheiro-manso, através da comunicação prévia num sistema de informação, o que permite colmatar lacunas de informação e acautelar os riscos iminentes. Por outro lado, este regime jurídico possibilita conhecer a atividade dos operadores económicos intervenientes ao longo da cadeia de produção e da sua localização no território. A comunicação prévia, ou declaração de pinha, com a indicação dos locais de origem e de destino destes produtos, as quantidades, a sua localização geográfica o que permite assegurar a rastreabilidade da pinha. É ainda possível monitorizar a circulação da pinha, desde a colheita até ao seu destino final, conferindo maior transparência aos circuitos de comercialização das pinhas e melhorar o conhecimento pelas autoridades e pelos agentes económicos do setor. Onze anos após a aplicação deste regime jurídico é possível realizar uma análise dos operadores intervenientes ao longo da cadeia de produção e da sua localização. É ainda possível produzir um conjunto de indicadores desta fileira, ao nível das quantidades declaradas na produção, bem como o respetivo destino da pinha. Estes indicadores são de elevada relevância não só para suporte da decisão política, como também para o planeamento de ações de caráter informativo e preventivo, de acompanhamento e monitorização da fileira da pinha, nomeadamente para o controlo fitossanitário. Adicionalmente é possível estabelecer medidas de adequação à competitividade e desenvolvimento desta importante fileira florestal pelo seu valor na contribuição das florestas para sistemas agroalimentares sustentáveis. |
| 14:00a15:30 | Simpósio 15 - O papel da certificação florestal no restauro ecológico Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Sofia Ferreira |
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Restauro Florestal em Portugal: uma nova política baseada em indicadores e numa implementação adaptativa 1: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Portugal; 2: CE3C - Centro para a Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais & CHANGE - Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal; 3: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Região autónoma da Madeira, Portugal; 4: Direção Regional dos Recursos Florestais e Ordenamento Territorial (DRRFOT), Região Autónoma dos Açores, Portugal O Plano Nacional de Restauro da Natureza estabelece um novo quadro de política florestal orientado por metas ecológicas mensuráveis e por uma abordagem adaptativa. Com um horizonte temporal de 2030 a 2050, visa promover a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas florestais, medida através de indicadores definidos no Regulamento (UE) 2024/1991. A estratégia assenta em dois eixos estruturantes: (i) resposta a perturbações e (ii) implementação de silvicultura próxima da natureza, articulados com a gestão integrada da paisagem e o risco de incêndio. O eixo (i) estrutura uma resposta imediata a eventos extremos (incêndios, tempestades e agentes bióticos). Privilegia a avaliação pós‑evento, a estabilização do solo e mitigação da erosão, e a prevenção de espécies exóticas. Estas intervenções definem uma janela crítica de atuação para salvaguardar as funções ecológicas, sendo determinantes para evitar a degradação irreversível. O eixo (ii) promove a transformação estrutural dos povoamentos, de modelos uniformes para sistemas mais diversos e resilientes, baseados na regeneração natural, heterogeneidade etária e adequação ecológica das espécies. Esta abordagem suporta diretamente a biodiversidade e a funcionalidade dos ecossistemas. A operacionalização desta política inicia‑se em áreas piloto, concebidas como unidades de demonstração e aprendizagem para testar modelos silvícolas, soluções pós‑perturbação e metodologias de monitorização. Estas áreas permitem validar opções técnicas, aferir custos e benefícios e ajustar práticas antes da sua generalização, funcionando como plataforma para capacitação de agentes e transferência de conhecimento. O Plano assenta em indicadores integrados — aves comuns de áreas florestais, manutenção de madeira morta, estrutura etária heterogénea, conectividade, carbono do solo, espécies autóctones e diversidade — cuja evolução deverá ser positiva. Para os avaliar, propõe-se uma nova ferramenta nacional de monitorização, integrando dados de inventários, cartografia e observação de campo, permitindo acompanhar a execução, avaliar a eficácia e suportar ciclos de gestão adaptativa. A política de restauro é implementada numa trajetória faseada: uma fase inicial até 2030, focada na capacitação, áreas piloto e validação; uma fase de expansão (2031–2040), orientada para a massificação das intervenções; e uma fase de consolidação até 2050, que garante a estabilização dos resultados. Este percurso articula-se com instrumentos de gestão territorial e modelos de intervenção agregada, vitais perante a forte fragmentação fundiária. A estratégia reconhece a necessidade de compatibilizar objetivos ecológicos com a realidade mediterrânica, assegurando uma gestão florestal que não agrave a perigosidade de incêndio, integrando a lógica de mosaico e gestão de combustíveis. Nas Regiões Autónomas, a abordagem é diferenciada: na Madeira, centrada na conservação da Laurissilva, mitigação do risco de incêndio e controlo de invasoras; nos Açores, na gestão de formações dominadas por espécies introduzidas e recuperação de núcleos de vegetação nativa. Em ambos os casos, a adaptação das medidas e dos sistemas de monitorização garante a coerência com os objetivos nacionais. Em síntese, a política de restauro florestal em Portugal assenta numa lógica incremental e adaptativa, suportada por áreas piloto e por uma monitorização robusta, visando reforçar a biodiversidade, a resiliência e a multifuncionalidade dos ecossistemas florestais. Da ciência à política: contributos da Rede de Conhecimento para o Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN) CE3C - Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal No âmbito do Regulamento do Restauro da Natureza da UE, foi criado em Portugal um grupo de trabalho sob coordenação interministerial para desenvolver o Plano Nacional de Restauro da Natureza. O Plano deve basear-se no conhecimento científico gerado a nível nacional e internacional nas últimas décadas e na experiência adquirida nos projetos de restauro implementados em Portugal, garantindo a coerência ecológica, o rigor metodológico e a eficácia na definição de metas, indicadores e medidas de restauro. Nesta comunicação, é apresentada uma atualização sobre o progresso dos trabalhos e sobre o envolvimento científico e contributos da rede nacional de especialistas “Rede de Conhecimento para o Restauro da Natureza”. Esta rede é constituída por mais de 200 especialistas de todo o país, com conhecimento científico e técnico, e valências de investigação, em restauro de ecossistemas e temas complementares, e é constituída maioritariamente por investigadores (mais de 80%). Estes especialistas contribuíram para os diferentes temas abordados nos artigos do Regulamento, nomeadamente através da participação em reuniões gerais da Rede e em reuniões temáticas na sua área de especialidade; disponibilização de dados de biodiversidade, mapeamento de habitats e avaliação do seu estado de conservação; disponibilização e síntese de informação sobre indicadores e comentários sobre os relatórios de diagnóstico produzidos; disponibilização de informação sobre projetos de restauro implementados em Portugal; proposta de medidas de restauro a implementar; proposta de metodologias para a definição de áreas de referência; sugestão de ferramentas de modelação para a priorização de áreas a restaurar e integração de cenários. Para além dos contributos já dados, o apoio da Rede de Conhecimento, a médio e a longo prazo, aos trabalhos do Plano Nacional de Restauro é crucial para o sucesso da sua implementação. O papel da Certificação Florestal FSC® no restauro ecológico FSC Portugal, Portugal Num contexto de crescente urgência ambiental, o restauro ecológico assume hoje um papel central nas agendas internacionais e europeias, impulsionado pela Década das Nações Unidas para a Recuperação dos Ecossistemas (2021–2030) e pelas ambiciosas metas do Plano da União Europeia de Restauro da Natureza. Neste enquadramento, torna-se fundamental identificar instrumentos que permitam traduzir compromissos políticos em ações concretas no terreno. A certificação florestal FSC destaca-se como uma ferramenta prática, estruturada e verificável para apoiar o restauro de ecossistemas florestais. Embora seja um sistema voluntário, integra requisitos exigentes que já pressupõem a incorporação de práticas de conservação e restauro. A Norma de Gestão Florestal do FSC, baseada em Princípios e Critérios internacionais, promove uma abordagem de gestão ativa e responsável, assente na identificação, proteção e, sempre que necessário, na recuperação de valores ambientais. Estes incluem áreas de alto valor de conservação, habitats prioritários, linhas de água, solos e outras componentes estruturantes para o funcionamento dos ecossistemas. A implementação destas medidas, verificadas por uma entidade externa, contribui diretamente para o aumento da resiliência dos sistemas florestais e para a mitigação de impactos ambientais. Paralelamente, o Procedimento de Serviços de Ecossistemas do FSC reforça esta abordagem ao permitir avaliar e demonstrar, de forma robusta e também auditada por terceira parte, os impactos positivos das práticas de gestão e restauro. Através desta ferramenta, é possível evidenciar ganhos concretos ao nível da biodiversidade, carbono, água, solo e outras funções ecológicas, tornando visíveis os benefícios gerados e criando condições para atrair investimento, estabelecer parcerias e comunicar resultados com credibilidade. A certificação FSC permite assim apoiar o cumprimento das metas e a implementação dos Planos Nacionais de Restauro, uma vez que esta está alinhada com a Lei do Restauro da Natureza, respondendo a requisitos de monitorização e aos indicadores florestais definidos, nomeadamente ao nível da estrutura florestal, biodiversidade, conectividade e reservas de carbono. Restauro ecológico em Portugal: da Rede Natura 2000 à gestão florestal responsável – contributos da WWF Portugal WWF Portugal, Portugal O restauro ecológico assume um papel central na resposta simultânea às crises da perda de biodiversidade e das alterações climáticas, particularmente em países mediterrânicos como Portugal, onde a degradação dos ecossistemas é acentuada por pressões como incêndios florestais, espécies invasoras, desertificação e fragmentação do território. Em Portugal, estima-se que mais de 800 espécies estejam ameaçadas e uma proporção significativa dos habitats apresente estado de conservação inadequado ou mau, evidenciando a necessidade urgente de ações de recuperação. O restauro ecológico, entendido como o processo de apoiar a recuperação de ecossistemas degradados, permite reforçar a sua estrutura, funções e resiliência, assegurando simultaneamente a provisão de serviços de ecossistema essenciais para o bem-estar humano. A Rede Natura 2000 constitui um enquadramento particularmente relevante para a implementação de ações de restauro em Portugal, uma vez que dispõe de cartografia atualizada de habitats, avaliação do seu estado de conservação, e planos de gestão com medidas de conservação definidas ao nível das Zonas Especiais de Conservação (ZEC). Este conhecimento do estado atual permite identificar prioridades de restauro ao nível de habitats e espécies-alvo, facilitando a operacionalização de ações no terreno e a monitorização dos seus resultados. Paralelamente, a integração do restauro ecológico com instrumentos de gestão florestal responsável, como a certificação FSC, assume um papel crescente na promoção de práticas compatíveis com a conservação da biodiversidade, contribuindo para a manutenção de áreas de alto valor de conservação, e recuperação de ecossistemas degradados, especialmente em paisagens multifuncionais como o montado. A WWF Portugal tem vindo a desenvolver um conjunto de projetos que operacionalizam estas abordagens integradas de restauro ecológico. Destaca-se a iniciativa “D-EVOLUÇÃO”, que visa restaurar ecossistemas degradados em áreas prioritárias do país, mobilizando atores públicos e privados e alinhando-se com metas europeias como a Lei do Restauro da Natureza. Esta iniciativa integra vários projetos, abrangendo ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos, em que promove intervenções em várias ZEC da Rede Natura 2000, como a Serra do Caldeirão, combinando ações de controlo de espécies invasoras, promoção de regeneração natural, plantação de espécies autóctones e gestão da carga combustível para aumentar a resiliência aos incêndios. Estas ações refletem uma abordagem baseada na gestão adaptativa, que combina restauro, integração de conhecimento científico e envolvimento de stakeholders locais. Para além dos benefícios ecológicos, estas iniciativas contribuem para a adaptação às alterações climáticas, bem como para o uso sustentável do território, reforçando a relação entre comunidades e natureza. Em síntese, o restauro ecológico em Portugal, particularmente no contexto da Rede Natura 2000 articulado com instrumentos de gestão florestal responsável como o FSC, representa uma oportunidade estratégica para recuperar a funcionalidade dos ecossistemas, travar a perda de biodiversidade e reforçar a resiliência do território. Os projetos de restauro da WWF Portugal demonstram o potencial de abordagens integradas e colaborativas para alcançar estes objetivos, contribuindo para o cumprimento das metas nacionais e europeias de restauro da natureza. Indicadores de serviços de ecossistema: cruzando os requisitos dos sistemas de certificação com o Plano Nacional de Restauro da Natureza num caso prático de monitorização Antarr Sustainable Productive Forest, S.A, Portugal O restauro ecológico emerge como uma prioridade incontornável no quadro das políticas ambientais contemporâneas. A multiplicação de orientações a nível europeu e nacional, a par de exigências crescentes da academia e do mercado, cria uma necessidade real de ferramentas que articulem a gestão florestal responsável com objetivos mensuráveis de recuperação ecológica - e que sejam viáveis a nível operacional. Deparada com este desafio, a Antarr, empresa com mais de 10 000 ha sob gestão, encontrou na certificação dos serviços de ecossistemas um quadro de referência com potencial para operacionalizar e monitorizar o restauro ao nível das suas unidades de gestão florestal, integrando as suas métricas no Plano de Gestão de Valores Naturais Antarr. Em 2026, surgiu a necessidade de adaptar esse referencial, à medida que novas dimensões emergiam do trabalho de campo e das métricas que o Plano Nacional de Restauro da Natureza começa agora a formalizar. Esta comunicação oral explora o alinhamento entre três perspetivas:
Discutimos a coerência, complementaridade e lacunas destas três abordagens, apresentamos os nossos resultados para uma área piloto e refletimos sobre o potencial de replicabilidade e adaptação desta metodologia a outros contextos de gestão certificada. Esperamos abrir o debate de como a certificação florestal pode evoluir de instrumento de demonstração de conformidade para ferramenta estratégica de apoio ao restauro articulando, numa linguagem comum e auditável, os compromissos dos gestores florestais com os objetivos nacionais e europeus de recuperação da natureza. |
| 14:00a15:30 | T1.1 - A floresta portuguesa Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Pedro Bingre do Amaral |
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A engenharia florestal e as consequências da padronização espécie-densidade no ordenamento florestal Conselho Nacional Especialidade de Engenharia Florestal - Ordem dos Engenheiros A gestão do espaço florestal em Portugal enfrenta uma crise silenciosa que ameaça a sustentabilidade do território: a crescente vulgarização das opções silvícolas através do apoio normativo e financeiro ao binómio rígido de "uma espécie, uma densidade". Este trabalho propõe uma discussão crítica sobre a relevância deste tema, focando-se nas consequências diretas da diminuição da importância da engenharia florestal no ordenamento do território, e nos prejuízos que daí decorrem para os proprietários, para o património florestal e para o cumprimento das metas da conta nacional de carbono. O declínio da relevância da engenharia florestal manifesta-se quando as diretrizes de planeamento se transformam em matrizes burocráticas de aplicação quase automática. Ao condicionar os incentivos e as aprovações de projetos a pacotes tecnológicos predefinidos, o sistema abdica do diagnóstico minucioso da estação e da prescrição personalizada. O engenheiro florestal deixa de atuar como um gestor adaptativo e decisor técnico para ser remetido a um papel de mero executor de formulários administrativos. Este esvaziamento da autonomia intelectual e técnica da profissão impede a aplicação de soluções complexas que a ciência florestal preconiza, como a silvicultura próxima da natureza, a gestão de estruturas irregulares ou a introdução de modelos multiespécies. As consequências desta menorização técnica refletem-se imediatamente nos proprietários florestais. Privados de um aconselhamento de engenharia verdadeiramente adaptado à realidade biofísica e socioeconómica da sua propriedade, os produtores são empurrados para soluções homogéneas de alto risco. A rigidez do binómio espécie-densidade traduz-se frequentemente em perdas financeiras por via de custos de instalação desadequados ou pela quebra de rendimento face à vulnerabilidade dos povoamentos a pragas, doenças e incêndios rurais. Por fim, o recuo do critério da engenharia florestal gera um impacto severo no património florestal nacional e compromete as obrigações internacionais do Estado. A simplificação estrutural da floresta reduz de forma drástica a resiliência da paisagem. Num contexto de emergência climática, em que o país é obrigado a apresentar "prova" e rigor na contabilidade do balanço nacional de carbono, a ausência de uma engenharia florestal forte e interventiva torna-se um passivo ambiental. Povoamentos desenhados por matrizes administrativas e desprovidos de condução técnica contínua estão mais expostos à degradação e a incêndios severos, transformando potenciais sumidouros em fontes massivas de emissões de gases de efeito de estufa. Conclui-se que o 10º Congresso Florestal Nacional é o espaço crucial para debater a inversão desta rota. Urge restaurar a centralidade e a autoridade científica da engenharia florestal nas políticas públicas, substituindo o facilitismo da receita standard por modelos flexíveis e dinâmicos de decisão, essenciais para garantir o futuro económico e ambiental da floresta portuguesa. Contribuição para uma história florestal portuguesa 1: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora; 2: CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda, Universidade de Lisboa, Lisboa; 3: RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel - Direcção de Investigação e Consultoria Florestal; 4: CEIS20 - Centro de Estudos Interdisciplinares, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal; 5: Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal; 6: APHES - Associação Portuguesa de História Económica e Social, Rua Miguel Lupi 20, 1249-078 Lisboa A presente comunicação procura contribuir para o aprofundamento da história florestal portuguesa, evidenciando a evolução dos padrões de uso e gestão do território florestal desde a fundação do país até à atualidade. Após o reconhecimento de Portugal como reino independente em 1143 (Tratado de Zamora), o território tem sido marcado por alternâncias entre ciclos de arborização e desflorestação, fortemente condicionados por factores políticos, económicos e sociais. Uma das primeiras grandes iniciativas de arborização ocorreu na área hoje ocupada pela Mata Nacional de Leiria, impulsionada ao longo de vários reinados medievais, com destaque para o papel da Ordem de Cister. Também designados por “Abbades Geraes de Alcobaça”, eram, nas palavras de Joaquim Vieira Natividade, uma referência europeia no primor que davam à arboricultura. A este período seguiu-se uma fase prolongada de desflorestação, que se estendeu até meados do século XVIII, associada, entre outros factores, à pressão sobre os recursos lenhosos, contribuindo para que Portugal fosse o segundo país europeu com menor cobertura florestal. A partir da segunda metade do século XVIII, observa-se a emergência de políticas sistemáticas de arborização, ainda que intermitentes devido a eventos como as invasões francesas e a Guerra Civil. No século XIX e início do século XX, a acção dos Serviços Florestais e iniciativas privadas promoveram a expansão do pinheiro-bravo, nomeadamente na fixação de dunas e em áreas degradadas. Este período marca também o início da consolidação de uma política florestal estruturada. Em 1924, com a criação das estações de experimentação do pinheiro-bravo e do sobreiro, inicia-se formalmente a investigação aplicada às principais espécies florestais. Aquelas espécies e, mais tarde, o eucalipto assumem um papel central na economia florestal nacional, sustentando importantes fileiras industriais. Durante o Estado Novo, intensifica-se a intervenção pública e privada na arborização, incluindo a criação de organismos corporativos destinados a articular produção, indústria e investigação, bem como a expansão das políticas florestais aos territórios ultramarinos. Este modelo reforçou a integração do sector florestal na economia nacional. Formam criados, entre outros a Junta Nacional da Cortiça e a Junta Nacional dos Resinosos. Nas últimas décadas, a floresta portuguesa tem enfrentado desafios significativos, nomeadamente o aumento da área ardida e o abandono da gestão ativa, associados a transformações socioeconómicas como o êxodo rural. Simultaneamente, verificou-se um crescimento da investigação em áreas como a deteção remota, modelação e inventariação florestal, embora com menor incidência nos solos florestais. Mais recentemente, assiste-se a uma renovada atenção a esta temática, bem como ao reforço de estratégias de prevenção de incêndios. Atualmente, a floresta ocupa uma parte substancial do território nacional e mantém uma forte ligação aos sistemas naturais e às actividades humanas, desempenhando um papel central na sustentabilidade ecológica e económica. Conclui-se que, embora se observe uma evolução globalmente positiva da silvicultura portuguesa nos últimos dois séculos, os desafios persistentes—em particular os incêndios florestais—exigem a reavaliação dos modelos de gestão. Nesse contexto, práticas tradicionais como a pastorícia e o fogo controlado têm vindo a ser reconsideradas como instrumentos relevantes para uma gestão mais sustentável do território. A Floresta portuguesa: um recurso com potencial para a construção 1: SerQ - Centro de Inovação e Competências da Floresta, Sertã, Portugal; 2: Universidade de Coimbra, ISISE, ARISE, Departmento de Engenharia Civil, Coimbra, Portugal; 3: Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa, Portugal A construção, em particular a de habitação, encontra-se, nos dias de hoje, num momento em que o défice de oferta é significativo face à procura existente no mercado. Para enfrentar este paradigma, o qual também se encontra associado à escassez de mão-de-obra, verifica-se uma aposta crescente no desenvolvimento e utilização de soluções à base da pré-fabricação. É neste ponto que o material madeira sempre demonstrou um enorme potencial, ao qual se acrescenta a cada vez maior consciência da sociedade e dos decisores políticos quanto à utilização de produtos renováveis e sustentáveis. No caso particular de Portugal, a área de floresta representa cerca de 36% do território continental, de acordo com o 6º Inventário Florestal Nacional. Apesar da extensa área disponível, somente cerca de 22% da mesma são Pinheiro bravo, a espécie resinosa tida como referência pelo passado para o setor da construção. Contudo, de acordo com os indicadores do Centro PINUS relativos a 2024, apenas 41% da madeira de Pinheiro bravo consumida se destinou à serração, setor que agrega múltiplas aplicações como paletes, caixas de madeira, entre outros. O presente artigo pretende apresentar o trabalho de uma década de investigação em prol da valorização dos recursos lenhosos existentes na floresta nacional, focando-se no Pinheiro bravo, bem como noutras espécies com menor utilização na construção. A caracterização mecânica de madeira serrada, bem como o desenvolvimento de settings para procedimentos de classificação mecânica por via não destrutiva sustentam o potencial existente na madeira serrada de Pinheiro bravo para aplicações como a madeira lamelada colada. Foram conduzidos diversos estudos de desempenho de colagem, caracterização mecânica de ligações de entalhe múltiplo (finger joint), e vigas de madeira lamelada colada não só envolvendo a utilização do Pinheiro bravo mas também o Choupo, o Eucalipto, entre outras, e inclusive a combinação de múltiplas espécies no mesmo elemento estrutural. O presente artigo agrega um vasto conjunto de resultados de interesse para a fileira industrial que permitirão despoletar um interesse crescente na valorização destes recursos florestais no território nacional, trazendo mais valias em prol do produtor e para a gestão do território. Incêndios rurais em Portugal: concentração espacial e temporal e vulnerabilidade das paisagens rurais em 2024 1: GOVCOPP, Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo, Universidade de Aveiro; 2: URZE, Associação Florestal da Encosta da Serra da Estrela; 3: CESAM, Departamento de Ambiente e Ordenamento, Universidade de Aveiro Os incêndios rurais continuam a constituir uma das principais ameaças às paisagens e aos territórios rurais portugueses. Embora as condições meteorológicas extremas desempenhem um papel determinante na ocorrência dos grandes incêndios, a sua distribuição espacial evidencia vulnerabilidades estruturais associadas às profundas transformações ocorridas nas paisagens rurais nas últimas décadas. Neste contexto, o presente trabalho analisa a distribuição espacial e temporal dos incêndios rurais ocorridos em Portugal Continental durante o ano de 2024, procurando compreender em que medida o abandono agrícola e a redução da atividade agroflorestal contribuem para aumentar a vulnerabilidade territorial ao fogo. A investigação baseia-se numa análise espacial exploratória, recorrendo à informação oficial sobre área ardida, ocorrências e causas dos incêndios, articulada com indicadores de ocupação do solo, estrutura agrária e evolução recente da atividade agrícola. O objetivo não é analisar a eficácia do combate aos incêndios, mas identificar padrões territoriais suscetíveis de explicar a maior propensão de determinados territórios para a propagação de grandes incêndios. Os resultados mostram que a quase totalidade da área ardida em 2024 se concentrou num curto período de setembro, associado a condições meteorológicas particularmente adversas. Contudo, a distribuição espacial da área ardida revela uma forte concentração em territórios do Centro e Norte caracterizados por elevada continuidade florestal, reduzida fragmentação agrícola e perda progressiva do mosaico agroflorestal tradicional. A análise evidencia igualmente que estes territórios registaram, nas últimas décadas, uma redução significativa do número de explorações agrícolas, da superfície agrícola utilizada e da mão de obra familiar, refletindo processos persistentes de despovoamento e abandono rural. Estas transformações favoreceram a homogeneização da paisagem, a acumulação de combustível vegetal e a diminuição da gestão ativa do território, criando condições mais favoráveis à propagação dos incêndios. Os resultados sugerem, assim, que a dimensão dos grandes incêndios não pode ser explicada apenas pelo número de ignições ou pelos episódios meteorológicos extremos. Pelo contrário, a vulnerabilidade das paisagens rurais parece estar intimamente relacionada com alterações estruturais da ocupação e gestão do território, resultantes do declínio da atividade agrícola e agroflorestal. Esta perspetiva reforça a necessidade de integrar as políticas agrícolas, florestais e de desenvolvimento rural numa abordagem territorial orientada para a manutenção do mosaico agroflorestal, da atividade agrícola e da presença humana nas áreas mais vulneráveis ao fogo. Efeitos dos ungulados silvestres no funcionamento dos ecossistemas: carbono, água e fogo Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves" (CEABN-InBIO), Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal Os ungulados silvestres, cujas populações se estão a expandir nas suas áreas de distribuição geográfica, podem afectar a composição específica, a produtividade e a estrutura das comunidades vegetais e, deste modo, afectar as propriedades e o funcionamento dos ecossistemas. Neste trabalho, sintetizo trabalhos do meu grupo de investigação sobre os efeitos de uma população de cervídeos (veado Cervus elaphus e gamo Dama dama) no armazenamento de carbono, perigosidade de incêndio e ciclo da água em um montado misto de sobreiro (Quercus suber) e azinheira (Q. rotundifolia) localizado no Sul de Portugal. No trabalho são utilizados dados de longo-termo de uma experiência de exclusão de pastoreio para comparar parcelas vedadas, onde se fez exclusão de cervídeos durante 7, 12 e 20 anos, com parcelas controlo onde estes animais mantiveram as suas actividades de pastoreio e ramoneio. A exclusão dos cervídeos provocou alterações significativas nas propriedades do ecossistema, com efeitos na composição específica e estrutura das comunidades vegetais. Através da redução do coberto arbustivo, os cervídeos diminuíram significativamente o armazenamento de carbono acima do solo e, simultaneamente, contribuíram para mitigar a perigosidade de incêndio. Estes efeitos foram, no entanto, contrariados por efeitos negativos na regeneração arbórea. Através do pisoteio e da redução do coberto arbustivo, os cervídeos alteraram significativamente as taxas de infiltração da água no solo, com efeitos que variaram em função do tempo de exclusão de pastoreio. Os resultados evidenciam que os ungulados silvestres podem modificar o funcionamento dos ecossistemas, pelo que a gestão das populações destes animais deve considerar os efeitos múltiplos sobre os ecossistemas, os quais podem envolver conflitos entre objectivos de gestão e serviços dos ecossistemas. Assessing the contribution of European Forests and Harvested Wood Products to Carbon Storage: a comparative analysis for the EU-27 1: Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves", School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Mohren Consult, Mendellaan 14, 6721BD Bennekom, The Netherlands Climate mitigation strategies in the forest sector have traditionally focused on carbon storage within standing biomass (For-C). However, Harvested Wood Products (HWP) represent a significant and transferable carbon reservoir that expands the climate benefits of forest management. Current HWP accounting often relies on absolute carbon stocks, which tend to favor larger countries and hide the relative efficiency and "intensity of use" of national forest industries. In this study we propose a different approach, based on IPCC methodology, that allows size-independent comparisons of how effectively EU Member States convert forest growth into carbon storage in HWP. We use a methodological framework that integrates FAOSTAT product flow data with FAO Forest Resources Assessment (FRA) data. Following the 2019 IPCC Refinement guidelines, we normalize carbon stocks by forest area (t C/ha) and calculate the HWP/For-C ratio, as the proportion of carbon retained in products relative to the amount of carbon in aboveground forest biomass, to assess the contribution of the HWP sector to carbon sequestration over the period 1990-2024. Preliminary results suggest distinct regional patterns in the intensity of forest resource use across European countries. Most countries (n = 15) exhibit HWP/For-C ratios below 15%, while 8 countries maintain a ratio above 25% with Portugal exhibiting the highest ratio (~44%). We also analyzed the evolution of specific HWP categories (sawnwood, panels, and paper) for each country and we suggest the use of the sum of forest and HWP stocks as an indicator of the proposed concept of "Total National Reservoir". Our findings demonstrate that maximizing carbon storage benefits requires a strategic balance between forest conservation, product use, and industrial efficiency. The proposed area-normalized framework provides a standardized benchmark for national and EU forest policies, enabling the identification of underutilized mitigation potential and informing long-term carbon neutrality targets. This research was financed by PRR/IAPMEI/Aviso 02/C05-i01/2022, CIRCULARTECH (Contribute to solving a problem that humanity has faced since the industrial revolution: waste) – Carbon WISE |
| 14:00a15:30 | T.2.1 - Os desafios Localização: Sala H1.17 Moderação/coordenação de sessão: Raul Salas |
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O papel do planeamento urbanístico e do direito na gestão sustentável da interface urbano-florestal Universidade de Coimbra, Portugal
A crescente complexidade do risco de incêndio em territórios de interface urbano-florestal (IUF) tem evidenciado os limites das abordagens centradas exclusivamente na gestão operacional da vegetação, impondo uma reflexão estruturante sobre os fatores que, a montante, condicionam a configuração destes espaços. Neste contexto, o presente contributo analisa o papel do planeamento territorial/urbanístico e do direito na produção, ampliação e mitigação do risco na IUF, com especial enfoque nas implicações socioecológicas e económicas das opções jurídico-urbanísticas. Parte-se da premissa de que a expansão e densificação edificatória da IUF não resultam apenas de dinâmicas espontâneas, mas são, em larga medida, moldadas pela discricionariedade do planeamento municipal. Instrumentos como os planos diretores municipais, planos de urbanização e planos de pormenor, bem como os regimes de edificabilidade e uso do solo, contribuem frequentemente para a consolidação de padrões de ocupação que aumentam a exposição ao risco de incêndio e geram encargos permanentes e cumulativos com a gestão de combustível. A comunicação procura evidenciar que tais custos — frequentemente externalizados para o setor público, proprietários ou comunidades locais — não são adequadamente internalizados nos processos de decisão urbanística, revelando uma desconexão entre o planeamento territorial e os princípios de sustentabilidade socioecológica. Argumenta-se que esta lacuna compromete a eficácia das políticas de prevenção e dificulta a implementação de modelos de gestão da vegetação economicamente sustentáveis e territorialmente ajustados. Neste quadro, defende-se a necessidade de uma evolução do enquadramento jurídico, no sentido da integração explícita de critérios de segurança, resiliência ao fogo e sustentabilidade nos instrumentos de gestão territorial, conferindo-lhes natureza vinculativa. Tal integração deverá traduzir-se na incorporação de condicionantes à edificabilidade, na redefinição de parâmetros urbanísticos e na criação de mecanismos de responsabilização e repartição equitativa de custos associados à gestão da vegetação. Ao articular direito, planeamento e gestão da IUF, esta proposta contribui para o debate técnico-científico sobre a necessidade de soluções estruturais que atuem sobre as causas sistémicas do risco, promovendo territórios mais seguros, resilientes e sustentáveis. LIFE ResLand: uma abordagem integrada de adaptação climática para redução do risco de incêndio rural em áreas periurbanas Cascais Ambiente, Portugal As projeções climáticas para a região mediterrânica apontam para o aumento da temperatura média, prolongamento dos períodos secos e intensificação de fenómenos meteorológicos extremos, potenciando incêndios rurais mais frequentes e severos. Este desafio assume particular relevância em territórios periurbanos, onde a pressão humana, o abandono da gestão agroflorestal e a fragmentação do território favorecem a acumulação de biomassa combustível. Este é o contexto do Parque Natural de Sintra-Cascais, no município de Cascais, onde a recorrência de incêndios de grande dimensão evidencia a necessidade de soluções inovadoras de adaptação territorial. O projeto LIFE ResLand visa aumentar a resiliência da paisagem às alterações climáticas através da redução estrutural do risco de incêndio, promovendo uma gestão territorial integrada capaz de restaurar processos ecológicos, reduzir a continuidade da vegetação combustível e criar condições para uma gestão preventiva sustentável. A abordagem assenta na implementação articulada de fogo controlado, controlo de vegetação invasora, promoção de silvopastorícia e herbivoria funcional e restabelecimento de áreas abertas, criando mosaicos multifuncionais mais resilientes ao fogo. Estes modelos de gestão são adaptados às características biofísicas locais, considerando vegetação, uso histórico do solo, topografia, características edáficas, comportamento expectável do fogo e cenários climáticos futuros. A criação destes mosaicos contribui para reduzir a carga combustível, facilitar operações de supressão, diversificar serviços de ecossistema e reduzir custos de manutenção através da substituição progressiva da intervenção intensiva por processos ecológicos regulados. A área de demonstração abrange 963 hectares sob gestão municipal, prevendo-se a expansão para áreas privadas adjacentes através da criação de uma Zona de Intervenção Florestal (ZIF) para gestão à escala da paisagem. Decorridos dois anos e meio dos seis anos previstos, os resultados preliminares demonstram progressos significativos. Foram realizadas intervenções de controlo sobre extensas manchas de vegetação invasora, reduzindo a continuidade horizontal e vertical dos combustíveis, e iniciou-se a recuperação de áreas para pastoreio extensivo. As áreas intervencionadas evidenciam redução mensurável da carga combustível e maior heterogeneidade estrutural da paisagem, com potencial para limitar o comportamento extremo do fogo. Paralelamente, o envolvimento das partes interessadas tem consolidado redes de cooperação entre administração local, entidades técnicas e agentes de proteção civil. O projeto constitui ainda uma experiência pioneira de inovação institucional ao testar, pela primeira vez em Portugal, a criação de uma ZIF numa paisagem protegida periurbana, sem fins produtivos e orientada para objetivos coletivos de redução do risco de incêndio rural e adaptação climática. Apesar dos constrangimentos associados à fragmentação cadastral e à reduzida tradição de gestão coletiva, o LIFE ResLand afirma-se como um caso pioneiro onde inovação ecológica, adaptação climática e governança colaborativa convergem para construir modelos replicáveis de gestão preventiva do risco em florestas mediterrânicas periurbanas. Da gestão de combustível à gestão integrada do risco: uma nova abordagem à proteção do edificado na Interface Urbano-Florestal Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Geografia, Universidade do Minho, Portugal A crescente expansão da Interface Urbano-Florestal (IUF), associada às alterações da ocupação do solo, à acumulação de combustíveis e ao aumento da perigosidade de incêndio rural, exige uma evolução dos atuais modelos de prevenção estrutural. Em Portugal, a proteção do edificado continua fortemente dependente da aplicação de faixas de gestão de combustível definidas por critérios predominantemente prescritivos, enquanto a evidência científica internacional demonstra que a sobrevivência das construções depende da interação entre múltiplos fatores relacionados com a perigosidade, a vulnerabilidade e a exposição. A integração destas variáveis permitirá desenvolver modelos territorialmente mais eficientes, conciliando a segurança das populações, a sustentabilidade económica das intervenções e a valorização do espaço rural. Faixas e mosaicos de gestão de combustíveis em territórios de elevada perigosidade: propriedade, custos e desafios de execução 1: Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; Colégio de S. Jerónimo, Largo D. Dinis, Apartado 3087, 3000-995 Coimbra, Portugal; 2: Instituto Politécnico de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra, Bencanta, 3045-601 Coimbra, Portugal; 3: Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Av. Dr. Dias da Silva 165, Celas, 3004-512 Coimbra; 4: CERNAS – Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade A gestão estratégica da vegetação constitui uma das principais medidas de prevenção estrutural dos incêndios rurais em Portugal. Neste contexto, as faixas e mosaicos de gestão de combustíveis (FGC) assumem um papel central no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR). Estas áreas destinam-se à modificação da estrutura e continuidade dos combustíveis, com o objetivo de reduzir a intensidade do fogo, facilitar a sua supressão, e proteger pessoas, bens e infraestruturas. No entanto, a sua concretização enfrenta dificuldades significativas, associadas à fragmentação da propriedade, ao desconhecimento da titularidade dos prédios rústicos, à dispersão das responsabilidades de gestão e aos custos recorrentes das intervenções. A criação do Sistema de Informação Cadastral Simplificado e do Balcão Único do Prédio (BUPi), em 2017, introduziu uma nova oportunidade, não só para melhorar o conhecimento sobre a estrutura fundiária em municípios sem cadastro predial rústico, em particular nas regiões Norte e Centro de Portugal Continental, mas também para apoiar a implementação das FGC. Apesar dos avanços registados, até meados de 2025 estavam inscritos no BUPi cerca de um terço dos prédios e da área rústica total a identificar. Esta comunicação apresenta resultados de um estudo desenvolvido na Universidade de Coimbra para a Estrutura de Missão para a Expansão do Sistema de Informação Cadastral Simplificado (eBUPi), centrado na avaliação da exequibilidade territorial, fundiária e económica das FGC. Foram analisados 11 municípios com predomínio de muito elevada perigosidade de incêndio rural, através do cruzamento de informação geográfica relativa às áreas de gestão de combustíveis, ocupação do solo e prédios rústicos inscritos no BUPi. A componente económica, nomeadamente os custos de gestão, foi estimada com base nos valores de referência da Comissão de Acompanhamento das Operações Florestais (CAOF), considerando intervenções de gestão do subcoberto. Os resultados mostram que as FGC representam cerca de 18% da área total dos municípios estudados. A maior parte destas áreas corresponde a florestas e matos que, em conjunto, cobrem 69% das FGC. Verifica-se ainda que, em cerca de metade da área das FGC, a gestão cabe a proprietários privados, sobretudo em elementos da rede secundária associados à envolvente de aglomerados populacionais e edificações. Quanto ao cadastro rústico, o BUPi cobre cerca de um terço da área das FGC, embora revele sinais de abrandamento em alguns municípios. Por outro lado, cerca de metade dos prédios já identificados no BUPi intersectam áreas sujeitas a obrigações de gestão de combustíveis, evidenciando a forte sobreposição entre a política cadastral e a política de defesa contra incêndios rurais. Em termos de custos, estimou-se um custo médio de aproximadamente 1,06 milhões de euros por município e por intervenção para a gestão do subcoberto nas FGC. Este estudo revela o enorme desafio logístico e económico para a implementação das FGC. Nele evidencia-se que a implementação generalizada das FGC não depende apenas da definição legal ou cartográfica das áreas de intervenção, mas também da capacidade de identificar proprietários, mobilizar responsabilidades, assegurar financiamento continuado e ponderar soluções complementares mais sustentáveis para a gestão da paisagem rural. Avaliação da viabilidade operacional e económica da remoção de material lenhoso em ambiente pós-intempérie 1: terraDrone, Portugal; 2: 2B Forest, Portugal A ocorrência de eventos extremos na interface urbano-florestal (IUF), como a tempestade Kristin, gera volumes significativos de material lenhoso derrubado, colocando desafios acrescidos à avaliação pericial, ao planeamento operacional e à valorização económica dos ativos florestais. Neste contexto, a complexidade estrutural resultante do abatimento e da sobreposição de fustes limita a eficácia das metodologias convencionais baseadas em estimativas visuais. O presente trabalho desenvolve e aplica uma metodologia integrada de avaliação pós-intempérie, combinando dados LiDAR de alta densidade e imagens RGB adquiridas por veículo aéreo não tripulado (VANT), com informação previamente recolhida no âmbito da certificação florestal e dados LiDAR de base disponibilizados pela Direção-Geral do Território (DGT, 2024). A abordagem permite a modelação tridimensional detalhada dos fustes derrubados e a extração direta de variáveis dendrométricas, nomeadamente comprimento e volume, com suporte em equações do Inventário Florestal Nacional. O estudo foi conduzido na Mata Nacional dos Marrazes (Leiria), uma área piloto de 69,32 ha, integrada no grupo de certificação 2B_Forest_Group (FSC-C135716, SA-FM/COC-005773-895). Antes da tempestade Kristin, a área encontrava-se sob um regime de gestão ativa orientado para a valorização dos serviços dos ecossistemas, incluindo ações de controlo de espécies invasoras (ex.: Acacia sp., Arundo donax, Cortaderia selloana) e programas de reflorestação com espécies autóctones (ex.: Alnus glutinosa, Fraxinus angustifolia, Quercus faginea), implementados entre 2019 e 2021, com o objetivo de aumentar a resiliência ecológica, promover a biodiversidade e reforçar o stock de carbono. A tempestade Kristin provocou o derrube generalizado do coberto arbóreo, resultando numa perda significativa de biomassa aérea e, consequentemente, na redução da biodiversidade e do potencial de sequestro de carbono da área. Para se avaliar o impacto da tempestade, foram diferenciadas duas áreas de análise com abordagens metodológicas complementares: i) uma vertente norte, com 43,12 ha, caracterizada por povoamentos homogéneos de pinheiro-bravo, onde o volume de madeira derrubada foi estimado com base em dados LiDAR pré-evento (DGT, 2024) e em equações de biomassa; e ii) uma vertente sul, com 10,60 ha, marcada por elevada heterogeneidade estrutural, onde foi realizado um levantamento exaustivo pós-intempérie através de LiDAR (VANT, ≈430 pontos/m²) e posterior vectorização tridimensional de todos os fustes. Adicionalmente, foram desenvolvidos indicadores espaciais para suporte à decisão operacional, incluindo o cálculo do declive local e um índice de complexidade da remoção baseado na interseção e sobreposição de troncos. O resultado consistiu numa base de dados geográfica detalhada, permitindo a caracterização individual de árvores derrubadas e a sua valoração económica. Com o presente trabalho, pretendeu-se desenvolver uma metodologia para apoiar decisões técnicas e económicas em cenários pós-distúrbio na IUF, contribuindo para a priorização espacial das intervenções, o aumento da segurança operacional e a otimização das operações de remoção e comercialização de madeira certificada. Raças autóctones asininas na gestão sustentável da vegetação: contributos do projeto ASINIFIRE para a prevenção de incêndios na interface urbano-florestal 1: CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal.; 2: Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal; 3: Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), Largo da Igreja, nº 48 5225-011 Atenor (Miranda do Douro), Portugal; 4: Asociación Nacional de Criadores de la Raza Asnal Zamorano-Leonesa – (ASZAL) C/ Regimiento de Toledo 2, local 49011 Zamora, Espanha; 5: Buleza - Leche de Burra Zamorana 5 C/ Regimiento de Toledo 2, local, 49011 Zamora, Espanha; 6: Município de Vimioso, Praça Eduardo Coelho, 5230-315 Vimioso, Portugal; 7: ZASNET - Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Zasnet AECT Rua Engº José Beça, n.º 46 5300-034 Bragança – Portugal; 8: MORE - Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação, Edifício do Brigantia Ecopark, Avª Cidade de 7 Leon, 5300-358 Bragança, Portugal; 9: Arts Research unit (iA* - UBI), University of Beira Interior Covilhã, Castelo Branco, Portugal A acumulação de vegetação combustível nas proximidades dos aglomerados urbanos constitui um desafio crescente na prevenção de incêndios rurais, particularmente em territórios marcados pelo abandono rural, onde a redução das práticas tradicionais de gestão do território contribui para a simplificação da paisagem e aumento do risco de fogo. Neste contexto, a legislação em vigor estabelece obrigações específicas de gestão de combustível, reforçando a necessidade de soluções eficazes, de baixo impacto e adaptadas às especificidades locais. O projeto ASINIFIRE – Asininos na Prevenção de Incêndios para a Resiliência Ecológica propõe uma abordagem sustentável de gestão da vegetação baseada na utilização de raças asininas autóctones da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, em particular o burro Mirandês e o Zamorano-Leonês. A proposta articula duas dimensões complementares: por um lado, a gestão do combustível vegetal e a redução do risco de incêndio; por outro, a conservação de raças autóctones ameaçadas, através da valorização de novas funcionalidades ecológicas, territoriais e socioeconómicas. Neste âmbito, o pastoreio dirigido e a tração animal são encarados como ferramentas de gestão de baixo impacto, capazes de contribuir simultaneamente para a resiliência ecológica da paisagem e para a recuperação da utilidade social e económica destas raças. Esta abordagem revela interesse em áreas periurbanas, onde a gestão de combustíveis é obrigatória, e em locais de difícil acesso, onde a gestão mecânica pode apresentar limitações técnicas, económicas ou ambientais. Nestes contextos, os asininos podem atuar como agentes de controlo da vegetação, tirando partido da sua rusticidade, mobilidade em terrenos declivosos e proximidade histórica às comunidades rurais, onde desempenhavam funções de transporte, carga, tração e apoio às atividades agrícolas. A sua reintegração em estratégias de gestão de combustível permite, assim, associar prevenção de incêndios, valorização de práticas tradicionais e conservação de património biocultural. Desenvolvido no âmbito do programa Promove – Projetos I&D Mobilizadores, o projeto integra quatro áreas-piloto da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, em Portugal e Espanha, incluindo lameiros degradados e áreas mistas de floresta e matos. Nestes locais são avaliados parâmetros relacionados com a eficiência dos asininos na gestão da vegetação e a sua utilização em operações de tração animal de baixo impacto. Paralelamente, o projeto promove a criação de uma rede transfronteiriça de agentes interessados na conservação das raças asininas autóctones, envolvendo criadores, investigadores, técnicos e entidades locais, bem como ações de capacitação em tração animal. Os resultados preliminares indicam que o pastoreio asinino promove alterações na estrutura da vegetação arbustiva através do consumo de biomassa e do efeito mecânico do pisoteio. O consumo de vegetação herbácea parece igualmente contribuir para a recuperação ecológica e produtiva de lameiros abandonados, podendo favorecer, a médio prazo, a diversificação florística. Estes resultados sugerem que os asininos autóctones poderão constituir uma ferramenta promissora para a gestão ecológica da vegetação na interface urbano-florestal, contribuindo simultaneamente para a prevenção de incêndios, conservação da biodiversidade, valorização do património rural e reforço da resiliência socioecológica das paisagens agrossilvopastoris transfronteiriças. |
| 15:30a17:00 | Simpósio 7b - A floresta como promotora de saúde física, mental e bem-estar Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Leónia Nunes Moderação/coordenação de sessão: Maria Conceição Colaço Moderação/coordenação de sessão: Inês Marques Duarte |
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Comunicar para valorizar: o papel da comunicação na promoção de produtos florestais de base natural a partir da experiência do Projeto Integrado RN21 ForestWISE, Portugal A Resina Natural é, em grande medida, uma matéria-prima invisível. Está na origem de soluções para áreas tão distintas como adesivos, revestimentos, vernizes, calçado, ou tintas, mas esse percurso raramente é percecionado pelo consumidor final. E quando uma matéria-prima não é visível, dificilmente o seu valor florestal, industrial, ambiental e territorial é reconhecido. Não basta existir potencial; é preciso criar reconhecimento, porque só se valoriza verdadeiramente aquilo que se conhece. Este trabalho analisa o papel da comunicação na divulgação e promoção de produtos florestais de base natural, a partir da experiência do Projeto Integrado RN21, que fez da sensibilização do público geral um dos eixos da revitalização da fileira da Resina Natural. Mais do que comunicar resultados técnicos, a estratégia procurou tornar visível a cadeia de valor, mostrando que a Resina Natural liga floresta, indústria, investigação, inovação, território e bioeconomia, aproximando mundos frequentemente afastados: de um lado, produtores, empresas, investigadores e entidades públicas; do outro, consumidores, marcas e mercados que procuram soluções mais sustentáveis, mas nem sempre conhecem a origem ou o potencial destas matérias-primas. Para o efeito foi concebida uma campanha multimeios que articulou canais de natureza e alcance distintos desde artigos de imprensa aos spots de rádio, dos mupis urbanos aos conteúdos digitais protagonizados por uma figura pública, fazendo a mensagem circular à escala nacional e local, em territórios de tradição resineira, com linguagens ajustadas a cada público. A monitorização das métricas de desempenho de cada meio foi complementada por um estudo de perceção aplicado a uma amostra representativa da população de Portugal Continental (n = 1050). Os dados mostram que o tema regressou ao espaço público, mais de 17 milhões de oportunidades de contacto em publicidade exterior, acima de um milhão de ouvintes em rádios nacionais e 247 mil pessoas alcançadas no digital, contribuindo para que exista hoje uma base de reconhecimento consistente: metade dos portugueses sabe o que é a Resina Natural e 78% associa a sua extração ao nosso país. Mais expressiva ainda é a resposta de quem contactou com a campanha: 85% reconhece um impacto positivo no seu conhecimento ou perceção, 71% escolheria produtos identificados com uma marca associada à Resina Natural e mais de metade atribui um valor acrescido a produtos resultantes do aproveitamento sustentável da floresta portuguesa. Estes resultados salientam o papel da comunicação na transformação de uma matéria-prima técnica numa narrativa compreensível, valorizável e mobilizadora, que permite construir contexto, confiança e reconhecimento. A comunicação assume, assim, um papel estrutural, e não meramente acessório, na promoção de produtos de base natural, e os resultados aqui apresentados evidenciam a capacidade diferenciadora da comunicação e indiciam a sua possível aplicação para outros produtos do setor florestal, cuja notoriedade pública não acompanha ainda o seu potencial. Voluntariado para a conservação na MONTIS: uma ferramenta com duplo significado 1: MONTIS - Associação para a Gestão e Conservação da Natureza; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa A MONTIS foi fundada, em 2014, com a Missão de “Produzir biodiversidade através de uma gestão sustentável do património natural, participada, transparente e aberta a todos”, diferenciando-se pelo “foco na compra e gestão concreta de terrenos, numa visão a longo prazo, com uma lógica adaptativa e baseada na análise concreta de resultados”. O modelo adotado, que gere terrenos marginais - onde a ausência de viabilidade económica deu lugar ao abandono - assenta numa utilização estratégica de recursos escassos, tirando partido e atuando sobre os processos naturais para obter maior diversidade biológica e maior resiliência, nomeadamente em relação ao fogo, procurando um resultado socialmente mais útil e que seja replicável. Este modelo centra-se na gestão direta de terrenos, da MONTIS ou de terceiros com os quais tem acordos de gestão a 10 anos, prorrogáveis, tendo em vista objetivos de conservação e, muito particularmente, envolvendo a comunidade, com o objetivo final de levar a conservação da natureza e biodiversidade a todos. Nesse âmbito a MONTIS recorre a vários tipos de voluntariado - mensal, corporativo, académico e jovem/ longa duração -, com os quais conseguiu acumular apoios de mais de 6 mil pessoas, que plantaram cerca de 50 mil plantas, apoiaram a regeneração natural de mais de 5 mil árvores nativas, e participaram em cerca de 70 atividades de abertura e manutenção de acessos, 35 de engenharia natural e perto de 50 de controlo de invasoras (mais cerca de 60 manhãs de voluntariado da nossa “gestora da paisagem”). Ou seja, mais de 6 mil pessoas que quiseram “dar uma mão à natureza” e que, em contrapartida, foram capacitadas para apoiar a gestão e conservação da natureza, aumentando a sua consciencialização e reconexão com a paisagem e os ecossistemas florestais. Recentemente, demos início a um programa de turismo voluntário (turismo com propósito), com um impulso do Turismo de Portugal na sua estruturação e divulgação. Nesta tipologia realizámos já uma ação piloto e preparámos um catálogo que descreve as propriedades, enquadrando-as na sua envolvente, e o que pode ser feito em cada uma, procurando atrair este tipo de turistas preocupados com a sua pegada ecológica. Estamos também a estruturar e divulgar a possibilidade de receber contributos com talento, na preparação de candidaturas, procura de financiamentos, traduções, elaboração de planos de gestão, etc.. Por fim, já este ano, demos início, com o apoio da EDP Energia Solidária, ao programa “Escolas na Natureza”, um “sonho” antigo da MONTIS que, numa abordagem inovadora através do “aprender fazendo”, combina educação ambiental prática, inclusão social e ciência cidadã, articulando escolas de diferentes níveis de ensino e localizações, instituições de solidariedade social e autarquias em torno de objetivos comuns. Este projeto-piloto, de carácter replicável, contará com o apoio científico e técnico de várias instituições do Ensino Superior para a preparação da programação e materiais de ensino e divulgação e a monitorização de biodiversidade. Note-se que estas atividades de voluntariado não substituem o trabalho habitual da MONTIS, mas ampliam o seu alcance, explorando novas dimensões pedagógicas e sociais, apoiando uma cidadania ambiental informada e participativa e conferindo aos participantes um sentimento de pertença, de contributo para a recuperação ecológica e a dinamização económica associada à valorização de recursos locais e ao turismo, em simultâneo com o usufruto da natureza. Conexões sustentáveis entre sociedade e território: o caso do voluntariado ambiental em Cascais Cascais Ambiente, Portugal A degradação dos ecossistemas e a perda de biodiversidade exigem soluções participativas que promovam a conservação e a gestão sustentável do território. Nesse contexto, o voluntariado ambiental é uma ferramenta-chave para envolver a comunidade, capacitar cidadãos e educar para a sustentabilidade. A avaliação destas iniciativas permite medir a sua eficácia tanto na recuperação ecológica como na sensibilização e transformação social. Analisa-se o impacto ambiental, técnico e social dos projetos de voluntariado ambiental Oxigénio e Natura Observa, implementados pela Cascais Ambiente no Parque Natural de Sintra-Cascais (concelho de Cascais). Procura-se quantificar o esforço real de restauro ecológico e avaliar as dinâmicas sociais, a perceção e a motivação dos voluntários participantes. As ações desenvolvidas nos projetos de voluntariado integraram metodologias práticas de conservação, incluindo o controlo de vegetação exótica invasora, a plantação de espécies autóctones, a promoção da regeneração natural, a recuperação de habitats degradados, a propagação de flora nativa e o apoio à visitação. Para monitorizar e caracterizar o desempenho dos projetos, recolheram-se e analisaram-se indicadores quantitativos de participação (número de voluntários, horas de trabalho e quantidade de espécies plantadas) e métricas ecológicas de área recuperada. Complementarmente, aplicaram-se questionários estruturados aos voluntários envolvidos para realizar uma análise qualitativa baseada na sua satisfação, motivações e taxas de retenção/desistência ao longo do período em estudo. Desde a sua génese, em 2008, e até 2025, o Projeto Oxigénio (contínuo e aberto à população) recuperou 110 hectares de território vulnerável, registando o envolvimento acumulado de mais de 43 370 voluntários. Em 2025, o projeto realizou 68 ações, mobilizando 3117 participantes e resultando na plantação de 1431 exemplares de flora autóctone. Os questionários revelaram uma satisfação muito elevada (82% classificaram a experiência como "muito satisfatória"). As principais motivações foram a recuperação da biodiversidade (93%), a salvaguarda do património natural (84%), as atividades de lazer (81%) e a promoção da saúde e bem-estar (63%). Por sua vez, em 2025 o projeto Natura Observa (focado em jovens dos 16 aos 30 anos, nos meses de junho a agosto) envolveu 108 voluntários, gerando um total de 23 410 horas de trabalho operacional. Apesar de 20% das 280 vagas iniciais terem ficado por preencher, devido a constrangimentos de divulgação, observou-se uma forte fidelização: a taxa de desistência fixou-se em 2% e 55% dos voluntários repetiram a participação em pelo menos uma quinzena, embora 60% integrassem o projeto pela primeira vez. Os resultados demonstram que o voluntariado ambiental constitui uma estratégia robusta e eficaz para a conservação prática dos ecossistemas e para o incremento da literacia ambiental na comunidade. O impacto combinado dos projetos Oxigénio e Natura Observa traduz-se em benefícios ecológicos tangíveis e num valioso capital social. Estes resultados validam o modelo de gestão partilhada da Cascais Ambiente, consolidando-o como uma referência de cidadania ativa e um pilar replicável para impulsionar a resiliência florestal e a sustentabilidade do território a longo prazo. OIGP´s e Forestminds - Na recuperação da Interligação funcional, saúde vs floresta Bosque Projetos de Engenharia, Unipessoal, Lda, Portugal Os territórios florestais vulneráveis são áreas caracterizadas por um elevado risco de incêndio rural, abandono rural, minifúndio e fragmentação da propriedade. As Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP) apresentam-se como uma solução para estes territórios através de intervenções estruturais desenhadas para proteger e transformar estas áreas ao mesmo tempo que dinamiza atividades para as comunidades locais. A presente proposta estabelece uma sinergia entre a resiliência biofísica, assegurada pelas OIGP através da gestão do território e biodiversidade, e a resiliência mental, promovida pelo programa ForestMinds. Nos territórios vulneráveis do Programa de Transformação da Paisagem (PTP), o ForestMinds atua como a camada de valorização humana que justifica e sustenta a intervenção a longo prazo. Ao transformar a floresta gerida num "espaço de saúde", criamos evidência tangível dos serviços de ecossistemas, mitigando as disrupções sociais e climáticas atuais através do bem-estar, da coesão comunitária e da dinamização económica baseada no ecoturismo terapêutico. Estas intervenções, são ainda mais pertinentes dado que a sociedade atual sofre de altos níveis de "défice de natureza", fadiga digital e stress crónico. A floresta intervencionada e ordenada torna-se num ativo estratégico para mitigar estes desafios. Em vez de ser um cenário de risco pós-incêndio, a floresta transformada converte-se num "Atelier a Céu Aberto", um refúgio seguro para a reabilitação comunitária e humana. O Forestminds e um método originário da Finlândia e agora dinamizado em Portugal, que utiliza ferramentas de mindfulness, psicologia positiva e terapia cognitivo-comportamental para intensificar os efeitos curativos da floresta e promover a resiliência psicológica. Esta abordagem integrada transforma a floresta ordenada num ativo estratégico de saúde pública. Neste sentido, entender a ligação "Saúde vs Floresta" é reconhecer a abordagem One Health (Uma Só Saúde): não existe saúde humana sustentável num ecossistema degradado, e a recuperação dos ecossistema só é sustentável através da demonstração do seu valor vital para o bem-estar e para a saúde das populações que o habitam. Aldeias e Regionalismo: que futuro queremos? 1: Earth Watchers - B.A.&M.C. Comunicação Lda, Portugal; 2: Olegário - Packaging & Labels SA Aldeias e Regionalismo: que futuro queremos? (Simpósio 7) Autores e afiliações: Susana Carvalho1*, Vitor Baeta1, João Henriques Baeta2, José Carlos Baeta Coelho2 1.Earth Watchers - BA&MC Comunicação Lda. 2.Olegário - Packaging & Labels, S.A. * susana.carvalho@earthwatchers.net As aldeias do interior de Portugal, para além da sua importância histórica e cultural, tiveram no passado um papel fundamental nas dimensões económica, ambiental e social. Com uma população pobre, mas ativa, protegiam o território, cuidavam dos solos com uma agricultura de subsistência, conviviam com a floresta e os animais, que lhes davam o sustento. Comunidades capacitadas e solidárias, cujos saberes passavam de geração em geração, organizaram-se em coletividades, constituindo comissões ou sociedades de melhoramentos, definindo regras, prioridades e dialogando com o poder local para conseguir benefícios para o seu lugar. A Sociedade de Melhoramentos de Roda Cimeira é a mais antiga coletividade do concelho de Góis (e 2ª mais antiga do distrito de Coimbra), fundada em 1928, na aldeia de Roda Cimeira, freguesia de Alvares. A caminho do centenário, esta sociedade propôs à Câmara Municipal de Góis um projeto ambicioso e alargado ao concelho, com o intuito de unir esforços, através de trabalho de cooperação, para vencer alguns dos principais desafios desta região do interior. Com este projeto, pretende-se desenvolver um trabalho conjunto e em rede, respondendo aos diversos desafios, fortalecer uma economia local protegendo o território, capacitando as comunidades e tornando-as mais resilientes para o futuro, valorizando o papel das aldeias enquanto espaços de proximidade, resiliência e qualidade de vida. Tendo como público-alvo as coletividades e os residentes ativos das aldeias, o poder local, a academia, empresas, associações e ONGs, o programa pressupõe três fases: i) convocação - apresentar a ideia e reunir vontades. Identificar os interessados e selecionar os grandes temas a trabalhar (maio a julho2026); ii) mobilização - desenvolvimento dos projetos em equipas (set. 2026 a set.2027); e iii) implementação – 2028 em diante. Com uma metodologia de constituição de Grupos de Trabalho por temas, condução de workshops e reuniões presenciais e à distância, serão convidados especialistas externos, da academia e de outras entidades públicas e privadas, para apoio, orientação e monitorização contínuas. O resultado pretendido é a concretização e implementação de vários projetos, através de um Plano de Ação, com temas já previamente aprovados: Floresta, Água, Turismo de Natureza, Infraestruturas – energia e comunicações (tema transversal), e que se pretende apresentar e debater no âmbito deste congresso. A implementação dos projetos será feita a partir do 2º semestre de 2028, após apresentação numa Cimeira em Góis, aberta ao público em geral. A partir desta experiência, serão avaliados os resultados, através da análise de casos de sucesso e aspetos a corrigir, e apontar melhorias, assim como a necessidade de aprofundar ou estender os temas, introduzir novos temas, acolher mais coletividades e comunidades. |
| 15:30a17:00 | Simpósio 4 - Espécies de plantas invasoras na floresta: desafios e oportunidades Localização: Auditório Pequeno (H1.04) Moderação/coordenação de sessão: Hélia Marchante Moderação/coordenação de sessão: Duarte Costa |
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História e futuro da planta invasora acácia de espigas: efeitos do controlo biológico nas dunas portuguesas 1: CFE – Centro de Ecologia Funcional, Laboratório Associado TERRA, Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra; 2: Centro de estudos em Recursos Naturais Ambiente e Sociedade (CERNAS), Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal; 3: Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal; 4: Departamento de Ciências Biológicas, Universidade da Cidade do Cabo, Rondebosch A acácia-de-espigas, Acacia longifolia (Andrews) Willd., é um arbusto/ pequena árvore australiana introduzida em Portugal no final do séc. XIX para a arborização e estabilização das dunas. A par com outras espécies de acácia introduzidas, tornou-se uma planta invasora com ampla distribuição no país, causando vários impactes negativos. O seu sucesso deve-se sobretudo à capacidade de produzir e acumular vastos bancos de sementes persistentes no solo por várias décadas. A gestão da invasão recorrendo a métodos de controlo convencionais, quer físicos quer químicos, para que seja eficaz, é muito exigente e dispendiosa. Em 2015, foi introduzida a vespa-galhadora australiana Trichilogaster acaciaelongifoliae (Froggatt) (Hymenoptera: Pteromalidae) como agente de controlo biológico, com o objetivo de reduzir o potencial reprodutivo desta planta invasora. Este trabalho avaliou o impacte de T. acaciaelongifoliae na produção de sementes de acácia-de-espigas e a sua acumulação no solo, em vários sistemas dunares do centro de Portugal. A produção de sementes foi quantificada ao longo de cinco a seis anos (2019-2024) com recurso a armadilhas de interceção, e o banco de sementes estimado com base em amostragem do solo e folhada. Os resultados mostram que a cobertura por galhas de T. acaciaelongifoliae aumentou significativamente ao longo do tempo, atingindo um “ponto de viragem” cinco anos após a libertação do agente, com uma redução de até 98.1% na produção de sementes em algumas áreas. O aumento do número de galhas induziu maior stress fisiológico nas plantas, levando a uma maior perda de filódios e, em casos extremos, à mortalidade da planta. Embora o banco de sementes total tenha continuado a aumentar entre 2015 e 2024, o seu reforço começou a estabilizar nos locais onde o agente de controlo biológico está estabelecido há pelo menos seis anos. Adicionalmente, verificou-se que o controlo mecânico e os incêndios contribuíram para a redução do banco de sementes, especialmente se combinados com o controlo biológico. Os resultados demonstram que T. acaciaelongifoliae é eficaz na redução do potencial reprodutivo da acácia-de-espigas e na desaceleração da acumulação de sementes no solo. A adoção de uma estratégia de controlo integrada, combinando controlo biológico e métodos de controlo convencionais, é a que produz melhores resultados e permite o restauro sustentável dos habitats costeiros portugueses. Observar a floresta e as árvores ao mesmo tempo: compreender a gestão de espécies invasoras através das redes de interações biológicas 1: Centro de Ecologia Funcional, Laboratório Associado TERRA, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra, Calçada Martim de Freitas, 3000-456 Coimbra, Portugal; 2: Centro de estudos em Recursos Naturais Ambiente e Sociedade (CERNAS), Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal As invasões biológicas afetam a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas através de múltiplos efeitos diretos e indiretos sobre as espécies e comunidades locais. Apesar disso, os seus impactes são frequentemente avaliados apenas a nível de espécies individuais, o que pode limitar a compreensão das consequências ecológicas destas invasões. Neste contexto, a teoria de redes tem sido cada vez mais utilizada para compreender os efeitos das espécies invasoras nas comunidades e ecossistemas, em vez de espécies per si. Contudo, a aplicação desta abordagem à avaliação de medidas de gestão — incluindo ações de controlo e a monitorização de agentes de controlo biológico — permanece ainda limitada, apesar da crescente necessidade de antecipar e avaliar os efeitos ecológicos das intervenções destinadas a mitigar os impactes das invasões biológicas. O controlo biológico clássico de plantas invasoras constitui um exemplo particularmente relevante, uma vez que a introdução ou promoção de inimigos naturais pode desencadear alterações que transcendem as espécies-alvo, afetando a estrutura, o funcionamento e a estabilidade das comunidades. Neste contexto, as redes de interações biológicas oferecem uma ferramenta integradora que permite não só apoiar a seleção e avaliação de agentes de controlo biológico, mas também identificar interações não-alvo, prever efeitos diretos e indiretos e quantificar potenciais efeitos em cascata associados à sua libertação. Este trabalho apresenta uma revisão da literatura focada no potencial das redes de interações biológicas como ferramentas de apoio à gestão de invasões biológicas, incluindo a priorização de espécies-alvo para controlo, a identificação de vias de introdução e dispersão, e planeamento, monitorização e avaliação de programas de controlo biológico em diferentes sistemas ecológicos (e.g. formadores de galhas, predadores de sementes, entre outros). Ao incorporar explicitamente as interações entre espécies na avaliação das medidas de gestão, as abordagens baseadas em redes proporcionam uma compreensão mais abrangente das suas consequências ecológicas, contribuindo para a implementação de estratégias de gestão adaptativa mais eficazes, seguras e ecologicamente sustentáveis no contexto das invasões biológicas. O papel das cabras no combate às plantas invasoras: resultados de ensaios de cativeiro 1: Centro de Ecologia Funcional (CFE), Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Portugal; 2: Centro de estudos em Recursos Naturais Ambiente e Sociedade (CERNAS), Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal Em ecossistemas mediterrânicos, espécies lenhosas invasoras, como Acacia e Hakea, ameaçam a biodiversidade, aumentam o risco de incêndio e elevam os custos de gestão. As suas características adaptadas ao fogo e os bancos de sementes persistentes tornam o seu controlo através de métodos convencionais particularmente difícil. O pastoreio dirigido por cabras constitui uma alternativa potencialmente sustentável e economicamente vantajosa, mas a sua eficácia no controlo de Acacia e Hakea permanece pouco estudada em paisagens propensas a incêndios. Realizámos ensaios de alimentação com cabras serranas (Capra hircus) em cativeiro, no Parque Biológico da Serra da Lousã (Portugal), com o objetivo de avaliar o seu potencial para auxiliar no controlo destas invasões. Um ensaio de preferência alimentar, do tipo cafeteria, avaliou as preferências das cabras entre seis espécies vegetais (quatro invasoras, duas nativas), através da quantificação do consumo de biomassa. Foi também avaliado o destino das sementes de Acacia dealbata (mimosa) ingeridas pelas cabras, a espécie de planta invasora mais comum na região. As cabras demonstraram preferências alimentares fortemente seletivas. Quercus robur (nativa) e Acacia dealbata (invasora) foram as espécies mais consumidas. Pelo contrário, Hakea decurrens (invasora) foi a espécie menos consumida. As preferências relativamente às espécies invasoras Acacia melanoxylon e Hakea salicifolia, bem como à espécie nativa Pterospartum tridentatum, apresentaram resultados intermédios. As cabras ingeriram 44 % das 7500 sementes oferecidas, das quais 9 % foram excretadas inteiras e germinaram até 70 %. Contudo, a maioria das sementes não foi recuperada, tendo sido encontrados fragmentos de sementes nos excrementos das cabras, sugerindo destruição significativa durante a digestão. Estes resultados indicam potencial para dispersão de sementes de Acacia por endozoocoria, ainda que de forma limitada. Os nossos resultados sugerem que o pastoreio dirigido por cabras pode contribuir, enquanto solução baseada na natureza, para a gestão de plantas invasoras, fornecendo serviços ecossistémicos através do consumo de biomassa lenhosa invasora e da destruição da maioria das sementes de Acacia. No entanto, poderá também originar desserviços, como a dispersão de sementes viáveis e o consumo de exemplares acessíveis de Quercus robur, comprometendo os esforços de regeneração. As cabras revelaram uma eficácia reduzida no controlo da espécie espinhosa Hakea decurrens. Para maximizar os benefícios e minimizar os riscos, o pastoreio deverá ser restringido a áreas invadidas, gerindo espacial e temporalmente os movimentos dos animais para evitar a dispersão de sementes de Acacia e o consumo de espécies nativas altamente palatáveis em áreas sujeitas a restauro ecológico. Esta abordagem poderá contribuir para a conservação de raças caprinas autóctones, ao mesmo tempo que apoia programas de gestão de plantas invasoras, mitigação do risco de incêndio e gestão de habitats. Potenciais agentes de controlo biológico de Acacia dealbata Link.: enquadramento, prospeção e primeiros resultados 1: RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel; 2: Centro de estudos em Recursos Naturais Ambiente e Sociedade (CERNAS), Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal; 3: Centro de Ecologia Funcional, Laboratório Associado TERRA, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra; 4: Altri Florestal S.A.; 5: Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; 6: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária; 7: Divisão de Fitossanidade Florestal, DGVF/Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas As plantas invasoras são uma das principais ameaças à conservação da natureza e à sustentabilidade dos ecossistemas florestais em Portugal, afetando a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas. A sua expansão compromete a regeneração da vegetação autóctone, altera os ciclos hidrológicos e de nutrientes e aumenta o risco e intensidade dos incêndios florestais. Para além dos impactes ecológicos, as plantas invasoras reduzem a produtividade florestal, dificultam a gestão silvícola e geram custos elevados para o seu controlo. O reforço de estratégias integradas de monitorização, prevenção e controlo, incluindo o controlo biológico, assume-se como uma prioridade nacional para assegurar simultaneamente a conservação da biodiversidade e a resiliência económica e funcional das florestas portuguesas. É neste contexto que foi publicado, no presente ano, o Plano Nacional para o Controlo Biológico das Plantas Invasoras Lenhosas, articulado com os objetivos e linhas de atuação do Programa Operacional de Sanidade Florestal, o qual define as ações a implementar, de forma concertada, pelos diferentes representantes do setor florestal. O Plano tem como objetivos operacionais: (1) definir prioridades de atuação; (2) identificar agentes de controlo biológico; (3) introduzir e monitorizar os agentes de controlo biológico selecionados; e (4) sensibilizar o público para o controlo biológico de plantas invasoras lenhosas. No Plano, é definido como prioridade o controlo da mimosa (Acacia dealbata Link.), uma das espécies exóticas invasoras com maior área de distribuição e maiores impactes negativos em Portugal Continental, ocorrendo preferencialmente em locais perturbados, orlas de povoamentos florestais e matagais, onde forma densos povoamentos monoespecíficos. Para concretização do Plano, foram realizadas prospeções na Austrália, a área de origem da mimosa, nas quais foram identificados insetos a interagir com A. dealbata e espécies próximas que são potenciais agentes de controlo biológico. Estes foram importados e encontram-se atualmente em estudo em instalações de confinamento. Neste trabalho, apresentam-se os resultados dos estudos realizados até ao momento, incluindo a identificação e estabelecimento das espécies em laboratório, alguns aspetos da sua biologia e ensaios que contribuirão para a análise de risco de uma eventual introdução na natureza. Estes resultados servirão de referência para a implementação do plano no controlo de outras invasoras lenhosas. Controlo de acácia-mimosa (Acacia dealbata) na AIGP Aljão: avaliação e análise custo-eficácia de metodologias de controlo 1: URZE - Associação Florestal da Encosta da Serra da Estrela, Portugal; 2: Centro de estudos em Recursos Naturais Ambiente e Sociedade (CERNAS), Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal As espécies exóticas invasoras são reconhecidas como uma das cinco maiores causas de alterações ambientais em todo o mundo, causando também prejuízos económicos elevados e impactes negativos na qualidade de vida das pessoas. Em Portugal, uma das plantas invasoras mais disseminada e com mais impactes negativos é a acácia-mimosa ou mimosa (Acacia dealbata). As consequências da invasão pela mimosa traduzem-se em alterações na composição e na estrutura de comunidades e dos ecossistemas, alterações do regime da água e do fogo, alterações físico-químicas do solo e prejuízos económicos elevados associados aos custos do seu controlo e perdas de produtividade. Os impactes são graves exigindo o seu controlo. O objetivo do presente estudo é analisar a eficácia de diferentes métodos de controlo de mimosa. A área de estudo localiza-se numa área de pinhal-manso, situada em Arcozelo da Serra, Gouveia, na região das Beiras e Serra da Estrela, onde existem manchas de mimosa em diferentes fases de desenvolvimento. A área foi afetada por incêndios em 2000, 2003 e 2017 e pensa-se que esta sequência de incêndios tenha promovido a germinação de sementes de acácia-mimosa inicialmente introduzidas acidentalmente na área, a partir da dispersão de sementes de manchas existentes em regiões próximas. Entre outubro de 2025 e julho de 2026 aplicaram-se 3 tratamentos com vista ao controlo das mimosas. Numa mancha de acacial adulto (mancha 1) foram testados os métodos do descasque e da injeção com químico, com o objetivo de provocar a morte das árvores em pé. Numa mancha com regeneração de mimosa, até 70 cm (mancha 2), testou-se o corte repetido em quatro parcelas quando a maioria das mimosas atingiram diferentes alturas: pelo tornozelo, pelo joelho, pela anca e acima da anca. As manchas da área de estudo foram caracterizadas de acordo com a sua tipologia: no acacial adulto realizou-se o inventário florestal (inventário tradicional com suta e inventário florestal com recurso à aplicação móvel Arboreal) e nas áreas de regeneração de acacial realizou-se inventário florístico em parcelas de 2x2m; recorreu-se à aplicação PlantNet para ajudar na identificação das espécies observadas. Depois da aplicação dos tratamentos repetiram-se os inventários florísticos, incluindo cobertura e altura das mimosas na mancha 2, e quantificou-se a percentagem de copa seca, ausência ou existência de rebentos e sua dimensão, na mancha 1. Apresentam-se os primeiros resultados relativamente à eficácia dos métodos testados incluindo-se a avaliação do custo-eficácia de cada um. Espera-se que estes resultados sejam utilizados no desenvolvimento de um plano de ação para o controlo desta espécie na área de estudo e que possam ser usados por outras entidades e/ou prestadores de serviços noutras áreas. A problemática das plantas invasoras na gestão florestal: reflexão sobre as alternativas 1: Centro de Investigação em Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS), Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (ESAC IPC), Coimbra.; 2: Centro de estudos em Recursos Naturais Ambiente e Sociedade (CERNAS), Universidade Politécnica de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra PT, Portugal A expansão de plantas invasoras em áreas florestais representa um dos principais desafios à conservação da biodiversidade, à resiliência dos ecossistemas e à sustentabilidade da gestão florestal. Em Portugal, espécies invasoras lenhosas pirófitas, como várias acácias australianas (Acacia spp) e háqueas (Hakea decurrens e Hakea salificfolia) alteram profundamente a estrutura e funcionamento dos ecossistemas, promovendo mudanças nas comunidades vegetais, nas características do solo, nos regimes de fogo e nos serviços dos ecossistemas. A crescente frequência de perturbações, associada às alterações climáticas, aos incêndios, aos cortes indiscriminados e ao abandono do território, favorece ainda mais a sua dispersão e persistência. |
| 15:30a17:00 | Simpósio 12 - Agenda transForm: tecnologia ao serviço das operações florestais e logística sustentáveis Localização: Sala A1.13 Moderação/coordenação de sessão: Alexandra Marques |
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Floresta 4.0: Dos protótipos à operacionalização da partilha de dados 1: CoLAB ForestWISE; 2: The Navigator Company; 3: Altri Florestal; 4: Florecha; 5: Sonae Arauco; 6: Trigger Systems A digitalização das operações florestais gera grandes volumes de dados automáticos — úteis para monitorização remota, planeamento logístico e caracterização da produção. A partilha desses dados entre os vários atores da cadeia suscita questões de governação sobre propriedade, direitos de acesso, interoperabilidade e confiança. No Projeto P2.1 Floresta 4.0 (Agenda transForm) foi elaborado um quadro de análise das opções de governação, sustentado por revisão bibliográfica e por um fórum técnico de mecanização e digitalização com especialistas e stakeholders. O trabalho apresenta modelos de governação (distribuída, federada e centralizada) e discute as suas implicações práticas — fluxos de validação, mecanismos de controlo de acesso, requisitos de interoperabilidade e o papel de uma entidade coordenadora neutra — bem como os custos de implementação e modelos de partilha desses custos. Define‑se um roadmap de implementação que requer decisão sobre o modelo a adotar e medidas de incentivo e políticas públicas para promover a adoção generalizada. O resultado é um Documento de Referência técnico‑consensual que poderá também ser útil para a implementação da legislação europeia EUDR. OPTIVEG: Otimização Sustentável das Operações de Gestão da Vegetação REN - Redes Energéticas Nacionais, SGPS, S.A., Portugal A gestão da vegetação em faixas de servidão associadas a infraestruturas energéticas, as quais integram a Rede Secundária de Faixas de Gestão de Combustível, constitui uma componente crítica da redução do risco de incêndio e da garantia da continuidade do serviço. Estas operações decorrem em contextos territoriais heterogéneos, frequentemente em espaço florestal, apresentando elevada variabilidade nas condições do terreno, tipologia de combustível e acessibilidade. Esta complexidade operacional, aliada à necessidade de aumentar a eficiência e reduzir os impactos ambientais, tem evidenciado limitações nos modelos tradicionais de planeamento e execução das intervenções. Neste contexto, surge o projeto OPTIVEG, que visa o desenvolvimento de ferramentas avançadas de apoio à decisão para a otimização sustentável das operações de gestão da vegetação. A abordagem adotada baseia-se na integração de dados relativos às características biofísicas das parcelas e ao desempenho de diferentes equipamentos, promovendo uma melhor adequação entre meios operacionais e condições específicas de intervenção. A metodologia incluiu a definição de indicadores técnicos e a recolha sistemática de dados em campo, nomeadamente através de estudos de tempo e movimento, permitindo caracterizar o desempenho de diferentes tipologias de equipamentos em múltiplos cenários operacionais. Com base nesta informação, foram estimados indicadores-chave, incluindo produtividade, custos operacionais, emissões de gases com efeito de estufa e condições ergonómicas para o operador, permitindo uma avaliação multidimensional das alternativas disponíveis. Com base nestes dados, foi desenvolvido um algoritmo de otimização que suporta a decisão na afetação de equipamentos às diferentes parcelas, considerando simultaneamente múltiplos critérios operacionais, económicos e ambientais. Este algoritmo encontra-se integrado numa plataforma tecnológica com componente SIG, permitindo ao utilizador selecionar áreas de intervenção e obter estimativas comparativas de desempenho para diferentes cenários operacionais, incluindo indicadores de tempo, custo e emissões por unidade de área. Os resultados obtidos evidenciam ganhos significativos de produtividade associados à mecanização e à melhoria dos processos de decisão, verificando-se uma evolução substancial dos níveis de desempenho operacional ao longo da última década. Para além da redução de custos, a solução permite minimizar o impacto ambiental das intervenções, nomeadamente ao nível das emissões, e melhorar as condições de segurança e conforto dos operadores, através de uma melhor adequação dos equipamentos às condições do terreno. O OPTIVEG constitui assim uma abordagem inovadora à gestão da vegetação em contexto de infraestruturas críticas, integrando conhecimento técnico, análise de dados e algoritmos de otimização. A sua aplicação contribui para a modernização das operações florestais, promovendo uma utilização mais eficiente dos recursos, a sustentabilidade ambiental das intervenções e o reforço da resiliência do território face ao risco de incêndio, enquadrando-se na Agenda transForm, Agenda Mobilizadora do PRR (C5 – Capitalização e Inovação Empresarial), orientada para a transformação digital e a competitividade da fileira florestal. Potenciar a motorização elétrica no setor florestal em Portugal: inovação, digitalização e descarbonização das operações florestais 1: Navigator; 2: ForestWise; 3: Altri Florestal; 4: REN; 5: Unimadeiras; 6: Forecha; 7: ADAI A transição energética e a descarbonização das operações florestais assumem atualmente um papel estratégico no setor florestal português, em alinhamento com os objetivos definidos pelo Pacto Ecológico Europeu e pelo Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050. Neste contexto, o projeto Potenciar a motorização elétrica no setor florestal em Portugal, desenvolvido no âmbito da Agenda transForm, teve como principal objetivo promover a adoção de soluções de motorização elétrica e híbrida aplicadas às operações florestais, à logística e à movimentação industrial de madeira e biomassa. O projeto integrou atividades de investigação, benchmarking tecnológico, desenvolvimento metodológico, demonstração operacional e transferência de conhecimento, envolvendo entidades do sistema científico e empresas industriais. Entre os principais resultados alcançados destaca-se a adaptação da solução SPEED-E, desenvolvida pela REN, ao contexto operacional florestal, possibilitando o desenvolvimento na prática de uma micro subestação móvel destinada ao carregamento elétrico em ambiente florestal. No domínio da inovação tecnológica, foi igualmente desenvolvido pela ADAI um protótipo de robô autónomo elétrico para gestão de vegetação em ambiente florestal, equipado com sensores LiDAR, GNSS RTK, câmaras térmicas, conectividade 5G e sistemas de inteligência artificial. Também no dominio dos pequenos equipamentos, foi desenvolvido um protótipo de tesoura eléctrica florestal sob coordenação da Navigator. A integração destas tecnologias permitiu o desenvolvimento de soluções com elevada capacidade de monitorização, navegação autónoma e operação segura em contexto florestal, contribuindo para a digitalização e automatização das operações. Destaca-se ainda o desenvolvimento do Observatório do Elétrico na Floresta, uma plataforma técnico-científica orientada para a sistematização, monitorização e disseminação de soluções de motorização elétrica, híbrida e a hidrogénio aplicadas ao setor florestal. O observatório reúne a informação produzida no âmbito do projeto, incluindo a caracterização do parque nacional de máquinas florestais, análises comparativas internacionais de equipamentos, definição de roadmaps estratégicos de apoio à descarbonização e modernização tecnológica do setor, bem como metodologias para cálculo da pegada de carbono e avaliação do impacto das emissões associadas à logística florestal em Portugal. Foi ainda concebida uma metodologia estruturada para avaliação do desempenho técnico, operacional, económico e ambiental de equipamentos florestais elétricos, híbridos e convencionais, posteriormente aplicada em ensaios-piloto realizados em contexto real de operação. Esta metodologia permitiu avaliar indicadores relacionados com produtividade, autonomia, eficiência operacional, viabilidade económica e potencial de redução de emissões de CO₂. Neste âmbito, foram realizados ensaios com equipamentos elétricos de corte de vegetação, complementados pela monitorização de parâmetros fisiológicos dos operadores, sob coordenação do ForestWISE. Os resultados demonstram que a eletrificação constitui uma solução tecnicamente viável e com elevado potencial para acelerar a modernização tecnológica e a descarbonização do setor florestal português, contribuindo para a redução da dependência de combustíveis fósseis, para a mitigação das emissões de gases com efeito de estufa e para o reforço da sustentabilidade ambiental e operacional das cadeias de valor florestais. Sistema de mobilização do solo e plantação mecânica em simultâneo The Navigator Company, Portugal O setor florestal enfrenta atualmente três grandes desafios: as alterações climáticas, com cada vez maior irregularidade e incerteza nas épocas de preparação do terreno e de plantação, a escassez de mão de obra qualificada e a baixa produtividade dos métodos convencionais de plantação, com grande intensidade de mobilização do solo e consequentes custos e emissões de carbono elevados. Valorização de biomassa lenhosa e redes logísticas regionais para uso energético sustentável – O caso da Região de Coimbra 1: CoLAB ForestWISE, Portugal; 2: INESC TEC; 3: Altri Florestal; 4: Florecha; 5: CIM Região de Coimbra; 6: Forestis - Associação Florestal de Portugal; 7: CBE - Centro da Biomassa para a Energia As diversas estratégias europeias e nacionais incentivam uma maior utilização de biomassa florestal, incluindo os sobrantes da exploração florestal e outros tipos de biomassa atualmente pouco utilizados, como os resíduos lenhosos provenientes da gestão de matos, desbastes e desramas. A valorização da biomassa lenhosa assume um papel central nas políticas públicas, contribuindo simultaneamente para a redução do risco de incêndios rurais, para o aumento da quota de energias renováveis no consumo energético e para o reforço da segurança de abastecimento. Em 2024, as Fontes de Energia Renovável (FER) representaram 37% do consumo final de energia (incluindo consumos não energéticos), dos quais 32% tiveram origem na biomassa. Nesse contexto, a produção anual de energia renovável tem vindo a aumentar, situando-se em 2024 nos 7 845 ktep, sendo que 21% teve origem em lenhas e resíduos vegetais/florestais. A região Centro destaca‑se como a que apresenta maior potência instalada, com cerca de 69% da produção de energia elétrica a partir de biomassa. Apesar deste enquadramento favorável, cerca de 24% dos incêndios rurais continuam a ter como causa o uso indevido do fogo, designadamente queimadas extensivas, queimas de sobrantes florestais ou agrícolas e a realização de fogueiras. Este facto está associado, em grande medida, à inexistência de alternativas viáveis para a mobilização e valorização dos sobrantes resultantes das atividades agroflorestais, o que incentiva a sua eliminação por queima a céu aberto. Um aspeto chave reside no redesenho das cadeias de abastecimento de biomassa florestal, em particular nos processos de recolha, pré‑processamento e transporte, visando a redução dos custos logísticos e o aumento da quantidade e diversidade de fontes de biomassa efetivamente utilizadas, com especial enfoque naquelas que têm sido pouco aproveitadas e numa lógica de atuação local e regional. Torna‑se, assim, necessária a aplicação de metodologias de análise de fluxos de biomassa florestal a escalas regionais que forneçam informação operacional para apoio à decisão, permitam estudar modelos integrados de aproveitamento das diferentes categorias de biomassa em função dos diversos usos possíveis e explorem fluxos alternativos, incluindo cenários baseados em unidades de pequena dimensão e cadeias curtas de abastecimento. O projeto “Redes regionais de valorização de biomassa lenhosa”, enquadrado na Agenda Transform, contribui para um maior aproveitamento e valorização da biomassa lenhosa através da implementação de uma rede regional de recolha e utilização. Este projeto centra‑se na instalação de uma rede descentralizada de parques e ecopontos florestais; no desenvolvimento de modelos de valorização sustentável da biomassa para fins energéticos, adequados às diferentes tipologias de biomassa e respeitando os princípios de uso em cascata; na elaboração de um modelo de otimização para o planeamento e desenho da rede logística; e na definição de estratégias de valorização e comercialização. Os resultados alcançados e a dinâmica já observada no território, ilustrada pela quantidade de biomassa recolhida desde a entrada em funcionamento da rede descentralizada de locais de recolha (mais de 760 toneladas), reforçam a necessidade de prosseguir o esforço de otimização da rede logística associada e de explorar novas soluções de maior valorização da biomassa, em resposta aos desafios colocados pela diversidade das suas tipologias. CircularWood na Agenda transForm: valorização de resíduos de MDF para a bioeconomia circular 1: Sonae Arauco Portugal SA, Portugal; 2: Ecociclo – Energia e Ambiente SA, Portugal A transição de um modelo económico linear para uma bioeconomia circular constitui um desafio central para o setor florestal, num contexto marcado pela crescente pressão sobre os recursos lenhosos, pela baixa circularidade material e pela necessidade de reduzir resíduos, emissões e dependência de matéria-prima virgem. Neste enquadramento, a valorização de resíduos de madeira assume relevância estratégica, particularmente no caso dos painéis de fibras de média densidade (MDF), cuja reciclagem tem sido limitada por constrangimentos tecnológicos associados à separação, descontaminação e reintegração da fibra recuperada. O projeto CircularWood, desenvolvido pela Sonae Arauco no âmbito da Agenda transForm, permitiu conceber e implementar um processo industrial inovador para reciclagem de resíduos de MDF, combinando tecnologias de triagem com inteligência artificial, tratamento por steam explosion e sistemas complementares de secagem, limpeza e reintegração da fibra reciclada na produção de novos painéis MDF/HDF. Este desenvolvimento demonstra a viabilidade técnica da valorização de um fluxo residual até agora de difícil reciclagem, constituindo um contributo relevante para o reforço da circularidade dos materiais, para a eficiência no uso dos recursos e para o prolongamento do armazenamento de carbono nos produtos derivados de madeira. |
| 15:30a17:00 | T3.1 - A ambição Localização: Sala A1.14 Moderação/coordenação de sessão: Carlos Fonseca |
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Dois séculos de cartografia florestal portuguesa - do desenho aos conceitos ICNF, Portugal Enquadrado num projecto de investigação, esta apresentação é um contributo para a epistemologia florestal explorando a cartografia dos últimos dois séculos, sendo que o conhecimento florestal não se concretizou sem respaldo cartográfico. Como contribuiu a cartografia de temática florestal para o desenvolvimento da epistemologia florestal? Que ensinamentos para o futuro? Os arquivos cartográficos florestais são assim essenciais. A cartografia nacional desta temática inicia-se no século XIX com a AGM, enrobustece-se com os SF no final do século XIX e desenvolve-se no sec. XX em diálogo com outros processos cartográficos (CAF, SROA, processos ultramarinos, etc.) Importa assim para a historiografia da ciência (florestal) analisar a evolução dos conceitos associados ao desenho da floresta e terminologia empregue. O acervo cartográfico conservado no ICNF (6000 peças) é base neste processo. Far-se-á uma apresentação sumária do mesmo e desenvolve-se uma visão percorrendo 200 anos de produção cartográfica em suporte analógico. Apresentar-se-ão ligações a outros acervos desenvolvidos no período abordando igualmente a temática florestal, evidenciando a partilha de conceitos e de autores/actores. Analisa-se esta informação de forma a encontrar respostas às questões formuladas. No final, tecem-se conclusões antevendo no futuro próximo o desenvolvimento de uma nova etapa de planeamento florestal nacional. DESCRIÇÃO A forma como se cartografou e identificou a floresta não foi sempre igual, reflectindo-se portanto sobre o processo que permitiu a evolução do conceito de floresta até ao final do século XX. O acervo cartográfico florestal do ICNF foi até ao momento analisado de forma parcelar fazendo-se agora uma abordagem holística, relevando as ligações com outros processos. A apresentação da análise em causa será dividida em 4 fases, correspondendo a diferentes períodos de produção e de autores: 1) De 1800 a 1881: o período compreendendo a AGM 2) De 1881 a 1938: do período final da monarquia até à aprovação do PPF. Período onde se edificam os SF e avança a arborização das serras e o trabalho de correção do regime torrencial (Norte, Centro e ilhas adjacentes). Os autores de cartografia têm também outras formações para além da silvícola. 3) De 1938 até à 1980: a florestação no Estado Novo e o 25 de Abril. A fase onde fruto da aprovação do PPF e da necessidade de aumentar o ciclo de arborização, os SF operam a “massificação” da produção cartográfica e ocorrem processos de diálogo técnico com outras instituições de produção cartográfica. 4) As últimas décadas do século XX, a produção cartográfica diminui e passa maioritariamente a desenvolver funções associadas ao Inventário Florestal Nacional, a área técnica de eleição da Autoridade Florestal na viragem do século. Neste período emergem outras temáticas de produção cartográfica associadas à conservação da natureza, aos fogos florestais e à fitossanidade. O processo cartográfico florestal português (que na sua máxima expressão abrange continente, ilhas e ex-territórios ultramarinos) envolve procedimentos diferenciados de trabalho de campo, normas para processamento de desenho em gabinete, concepções diferenciadas de hierarquia das estruturas responsáveis pela produção e processos diversificados de disponibilização da informação final. Can production forests deliver multiple ecosystem services? Evidence from a Mediterranean management landscape 1: RAIZ – Forest and Paper Research Institute, Quinta de S. Francisco, Rua José Estevão, 3800-783 Aveiro, Portugal; 2: Navigator Forest Portugal, Zona Industrial da Mitrena, 2910-738 Setúbal, Portugal; 3: Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, 1349-017, Lisboa, Portugal Human well-being depends on forest ecosystem services (ES), yet these benefits are increasingly threatened in Mediterranean regions by climate change and land-use pressures. In Portugal, forests cover about 36% of the mainland, yet ES assessments are fragmented across individual services and land-use types. This study develops an ES assessment approach based on the CICES framework to define ES at the management-unit scale, establishing a baseline for a 582 ha landscape in the Middle Tagus region. The study area represents a Mediterranean forest management area, dominated by eucalyptus (65%), cork oak (9%), stone pine (4%), maritime pine (3%), and a riparian forest of alders and willows (2%) classified as high conservation value. The region has a sub-humid mesothermal climate with severe summer water deficits. Five CICES-based indicators were selected: wood production, carbon (C) stock, water regulation, water quality, and biodiversity maintenance. Field campaigns in 2024/2025 combined forest inventory, soil sampling for C assessment, eDNA-based biodiversity analysis, and hydrological monitoring. Forest inventories used National Forest Inventory allometric equations to estimate biomass in plots for major land uses. Litter and soil sampling (0–30 cm) evaluated organic C stocks, eDNA samples from air, vegetation, and water were collected and analyzed. Water monitoring was conducted through a hydrometric station located at the catchment outlet and with monthly water quality sampling. Results show that managed forests are highly productive and significant C reservoirs. Regarding provisioning services, mean annual increment of even-aged forests ranged from 0.6 m³ ha⁻¹year⁻¹ (cork oak) to 14.5 m³ ha⁻¹ year⁻¹ (first-rotation eucalyptus) and uneven-aged cork oak stands had an annual increment of 0.6 m³ ha⁻¹year⁻¹. Considering regulatory ecosystem services, aboveground and belowground C stocks in biomass reached 117 t. ha⁻¹ in eucalyptus, and C storage varied from 5 to 28 t.ha⁻¹ over five years across land uses. Soil organic C averaged 35 ± 12 t.ha⁻¹. The biodiversity assessment revealed a highly diverse community of over 630 taxa, dominated by invertebrates (85%). Riparian area was a biodiversity hotspot (262 taxa, 163 unique), while stone pine (62 unique taxa) and cork oak (47 unique taxa) also contributed. Notably, plantation stands shared substantial biodiversity with native systems, and eucalyptus areas supported relevant proportions of pollinator insects, suggesting that production cycles do not necessarily hinder ecological richness. These results suggest that managed production forests, mainly if management is made at landscape level, can simultaneously deliver high productivity, significant C storage, and substantial biodiversity, challenging conventional trade-offs between provisioning and regulating services. The proposed framework provides a practical basis for integrating ES into forest management. However, high costs and technical complexity of baseline assessments remain a barrier to adoption, limiting access to C markets and PES schemes. This highlights the need for scalable, cost-efficient monitoring solutions. Acknowledgments: This study was funded under the Mobilizing Agenda “TransForm – Digital transformation of the forest sector towards a resilient and low-carbon economy,” supported by the PRR (Recovery and Resilience Plan) and the European Union’s NextGenerationEU funds. B-READY4FUTURE: uma abordagem inovadora de capacitação para a gestão integrada da floresta e dos fogos rurais 1: Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo - CoLAB ForestWISE; 2: Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais - AGIF A crescente complexidade dos incêndios rurais, particularmente dos eventos extremos, exige níveis crescentes de qualificação técnica e capacidade de decisão em todas as fases do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), desde o planeamento e prevenção até à supressão e recuperação pós-evento. O Plano Nacional de Qualificação do SGIFR (PNQ_SGIFR) identificou uma oferta de formação superior reduzida, dispersa e insuficiente para responder às necessidades dos profissionais do setor. Neste contexto, foi desenvolvido o projeto B-READY4FUTURE – Programa de Formação Nacional para Capacitação e Reforço de Competências ao nível da Gestão Integrada de Fogos Rurais, financiado pelo Fundo Ambiental no âmbito do investimento RE-C08-i05 – Programa MAIS Floresta do PRR. Este trabalho apresenta o modelo desenvolvido e discute o seu contributo enquanto abordagem inovadora de formação aplicada ao setor florestal. O Programa foi concebido através de uma abordagem colaborativa do CoLAB ForestWISE com oito Instituições de Ensino Superior nacionais e mais de 35 especialistas com experiência científica, técnica e operacional nas áreas da floresta e do fogo. A abordagem metodológica adotada na construção do Programa de Formação, como resposta às necessidades de qualificação identificadas no PNQ_SGIFR, integrou o desenvolvimento curricular orientado por competências, a criação de microcredenciais com créditos de Ensino Superior e a sua operacionalização em formato b-learning, conjugando sessões online, sessões presenciais, atividades de campo e em laboratório, articuladas com a valorização da experiência profissional dos formandos. A aplicação integrada deste modelo à gestão integrada da floresta e do fogo constitui uma abordagem diferenciadora no contexto florestal nacional. Foi implementado um percurso formativo mínimo de 684 horas, composto por microcredenciais obrigatórias e por microcredenciais ou módulos de formação certificada opcionais, abrangendo áreas como comportamento do fogo, suscetibilidade ao fogo, gestão do fogo rural, prevenção estratégica, proteção contra incêndios rurais, meteorologia, biodiversidade e serviços dos ecossistemas, entre outras. O Programa registou mais de 200 inscritos, integrando técnicos de Organizações de Produtores Florestais (OPF), Administração Local e Central e entidades gestoras de Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). Foram realizadas mais de 88 mil horas de formação, com mais de 100 formandos a concluírem as 684 horas de formação. A avaliação efetuada pelos participantes evidenciou perceções positivas relativamente à adequação dos conteúdos, valorização profissional e aquisição de competências para novas funções. O B-READY4FUTURE demonstrou o potencial de uma abordagem inovadora de capacitação no setor florestal, integrando múltiplas Instituições de Ensino Superior, formação certificada, microcredenciais e metodologias híbridas orientadas para profissionais no ativo. Para além do reforço das competências técnicas, o programa promoveu a criação de uma rede colaborativa entre técnicos, especialistas e instituições, aproximando ciência, ensino e prática operacional. Os resultados obtidos sugerem potencial de continuidade e replicação deste modelo noutras áreas da gestão florestal e dos riscos naturais. Plano de Paisagem de Cascais: uma estratégia integrada para a resiliência periurbana, gestão do risco e valorização dos serviços dos ecossistemas Cascais Ambiente, Portugal O incêndio rural de outubro de 2018, no Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC), no concelho de Cascais, evidenciou a elevada vulnerabilidade ao fogo das paisagens periurbanas e a ausência de modelos integrados de ordenamento e gestão do território rural, revelando a necessidade de novas abordagens metodológicas de planeamento de escala alargada. O Plano de Paisagem de Cascais (PPC) surge como instrumento estratégico para responder à fragmentação ecológica, ao aumento do risco de incêndio rural e à perda de biodiversidade. Trata-se de um modelo integrado de planeamento e ordenamento da paisagem que visa aumentar, de forma sustentável, a resiliência ecológica, funcional e socioeconómica do território periurbano face às alterações climáticas. O PPC abrange 2357 ha no noroeste do concelho de Cascais, englobando áreas integradas no Parque Natural de Sintra‑Cascais. O trabalho integrou análise biofísica, socioeconómica e histórica da paisagem, com avaliação da evolução do uso do solo (1947–2015), caracterização de habitats naturais, análise do histórico de incêndios (1989–2018) e identificação de serviços dos ecossistemas. O território foi estruturado em seis unidades territoriais da paisagem, para as quais foram desenvolvidos modelos de gestão diferenciados e articulados com os instrumentos de gestão territorial em vigor. A metodologia incluiu ainda cartografia de risco, modelação espacial e processos participativos com proprietários rurais e agentes locais, permitindo definir cenários de intervenção e áreas prioritárias para gestão ativa e restauro ecológico. A análise revelou a transição de uma matriz originalmente rural para uma paisagem periurbana fragmentada, marcada pelo abandono agrícola, aumento da área de matos densos e consequente perigosidade de incêndio rural. Mais de 80% da faixa entre o Guincho e a Atrozela ardeu pelo menos uma vez nas últimas décadas, registando-se zonas críticas com uma recorrência superior a três incêndios em seis anos. Para mitigar essa vulnerabilidade, o PPC definiu oito modelos de gestão territorial — incluindo silvopastorícia, mosaicos agroflorestais, recuperação da floresta nativa, gestão das linhas de água e valorização de habitats prioritários — orientados para a proteção, a conservação, a produção e o recreio e lazer. As propostas privilegiam a criação de descontinuidades da vegetação combustível à escala da paisagem, o reforço de corredores ecológicos e dinamização económica através da agricultura local e do ecoturismo. O PPC demonstra que a gestão integrada da paisagem é uma estratégia eficaz para aumentar a resiliência de territórios periurbanos sujeitos a forte pressão urbana e ao risco de incêndio rural. A articulação entre a conservação da natureza, o ordenamento, a economia local e a participação dos proprietários rurais revelam-se essencial para promover paisagens multifuncionais e resilientes. A sustentabilidade da sua implementação depende criticamente da continuidade institucional, do financiamento sustentado e da governança colaborativa eficaz. Melhoramento genético e materiais florestais de reprodução 1: INIAV, Portugal; 2: ICNF; 3: LEAF Instituto Superior de Agronomia, Universidade Lisboa; 4: Instituto Politécnico de Coimbra-Escola Superior Agrária de Coimbra; 5: Instituto Politécnico de Castelo Branco-Escola Superior Agrária de Castelo Branco; 6: Altri; 7: The Navigator Company; 8: Centro PINUS O sucesso dos programas de reflorestação com espécies autóctones ou exóticas depende da disponibilidade de plantas de elevada produtividade e bem-adaptados às condições ambientais, e mais tolerantes aos efeitos de pragas e doenças. O melhoramento genético é uma das ferramentas mais poderosas para atingir estes objetivos. No âmbito do PRR, a Agenda TransForm incluiu o projeto P1.1 “Melhoramento genético e materiais florestais de reprodução”. Este projeto concentrou-se na realização de avanços significativos nos atuais programas de melhoramento de duas espécies florestais, o pinheiro-bravo e o eucalipto, assim como, em assegurar a preservação in situ dos ecossistemas florestais naturais e da biodiversidade de algumas das espécies florestais ameaçadas em Portugal, como alguns carvalhos autóctones e espécies arbóreas associadas, pela via seminal ou vegetativa, com vista à sua conservação ex situ. No caso do melhoramento genético do pinheiro-bravo (P. pinaster) e do eucalipto (Eucalyptus spp), alargou-se significativamente a base genética em ambas as espécies, desenvolveu-se e implementou-se várias ferramentas de seleção genética e protocolos de propagação vegetativa, para assegurar futuros ganhos genéticos significativos. Os critérios de seleção incidiram no aumento em volume, na resiliência à secura, pragas e doenças. Para o pinheiro-bravo, realizou-se uma seleção da informação existente em ensaios e pomares, selecionaram-se os melhores materiais para o crescimento, forma e sanidade e criaram-se as bases para a criação de uma nova geração de melhoramento, através do estabelecimento de novos pomares produtores de semente. Registaram-se, no Catálogo Nacional dos Materiais de Base, novas áreas produtoras de semente, contribuindo-se assim para aumentar a disponibilidade de semente de material selecionado para os viveiros. No eucalipto, o alargamento da base genética nos atuais programas realizou-se pela incorporação de novas espécies para avaliar a sua resiliência climática e/ou resistência a pragas e doenças. Intensificaram-se os cruzamentos intraespecíficos de E. globulus, as redes de ensaios e bases de dados de registos fenotípicos. Melhoraram-se os protocolos de fenotipagem e de seleção precoce, especialmente para a resistência à secura, resistência a pragas e doenças e de aumento de capacidade de enraizamento e sanidade em viveiro. Contribuiu-se ainda para implementar melhorias nos protocolos de clonagem e de melhor gestão de pomares para produção intensiva de semente. No que respeita à conservação genética e recuperação de vários carvalhos autóctones e espécies arbóreas associadas, desenvolveram-se novas metodologias de mapeamento por deteção remota de elevada resolução e realizaram-se estudos de genómica para permitir uma melhor caracterização da diversidade genética. Desenvolveram-se metodologias de multiplicação com vista a facilitar a sua produção em viveiro e aumentar a sua disponibilidade no mercado. No caso do medronheiro, contribuiu-se para aumentar a capacidade de fornecimento de semente, de modo a responder à crescente procura de mercado. Para tal, procedeu-se à instalação de novos ensaios de descendência e lançaram-se as bases para a constituição de um novo pomar de 2ª geração. Estas medidas permitirão um incremento na produção de fruto, processamento e extração da semente de elevada qualidade para mercado, bem como, assegurar a conservação dos recursos genéticos ex situ do medronheiro. Um produto esquecido, um futuro possível: o alcatrão de pinheiro-bravo na bioeconomia 1: CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda, Lisboa; 2: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Évora; 3: Mota-Engil BCircle, Lda, Alverca A produção de alcatrão vegetal em Portugal teve início em 1790, na Marinha Grande, recorrendo como matéria-prima à madeira proveniente do Pinhal de Leiria. Este produto era obtido através da combustão lenta de achas de pinheiro-bravo (Pinus pinaster Ait.), processo que originava simultaneamente subprodutos com valor económico, nomeadamente o carvão e a água russa. A atividade atingiu o seu auge ao longo do século XIX, em estreita associação com o desenvolvimento da construção naval e da indústria de cordoaria. No entanto, a progressiva substituição dos navios de madeira por embarcações metálicas, aliada ao baixo rendimento do processo produtivo e às alterações na gestão do Pinhal de Leiria, conduziu ao declínio e posterior abandono desta atividade. No contexto atual da bioeconomia e da transição para modelos de economia circular, o alcatrão vegetal ressurge como um subproduto com potencial de valorização, particularmente no âmbito de processos modernos de conversão termoquímica da biomassa. Neste enquadramento, o presente trabalho tem como objetivo analisar o potencial de integração da produção de alcatrão vegetal em sistemas contemporâneos de pirólise, posicionando este produto numa lógica de valorização integral de biomassa residual. A abordagem adotada assenta numa análise técnico-conceptual suportada em três eixos principais: (i) revisão dos processos históricos de produção de alcatrão, (ii) caracterização dos fluxos de produtos resultantes da pirólise de biomassa lenhosa e (iii) aplicação exploratória a um caso de estudo real — a central de biochar de Carvalhelhos (Boticas), promovida pela Mota-Engil BCircle. Neste contexto, a produção de biochar assume-se como o principal vetor de valorização, sendo o alcatrão vegetal considerado um subproduto com potencial de aplicação em nichos de mercado específicos. Os resultados exploratórios sugerem que a valorização integrada dos subprodutos da pirólise, incluindo o alcatrão vegetal, poderá contribuir para melhorar a viabilidade económica dos sistemas de produção de biochar, ao aumentar o aproveitamento global da biomassa processada e reforçar os princípios da economia circular. Assim, este trabalho propõe uma reinterpretação contemporânea de uma prática tradicional, posicionando o alcatrão vegetal como um elemento complementar em cadeias de valor baseadas na bioeconomia, com particular relevância em regiões com elevada disponibilidade de biomassa, como o Norte de Portugal. |
| 15:30a17:00 | T4.1 - A transformação Localização: Sala H1.17 Moderação/coordenação de sessão: Maria Emília Silva |
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50 anos de investigação em florestas e produtos florestais: o papel do Centro de Estudos Florestais no Instituto Superior de Agronomia Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia, e Laboratório Associado TERRA, Universidade de Lisboa,Portugal A expansão e recuperação florestais e a dinamização de uma indústria de base florestal que se iniciaram em Portugal no final do séc. XIX e concretizadas principalmente no séc. XX, reconheceram a necessidade de conhecimento e da sua aplicação e, por isso, foram acompanhadas pela criação de unidades e programas de investigação, e de formação avançada. Marcos importantes ocorreram há 50 anos com a criação do Centro de Estudos Florestais (CEF), no Instituto Superior de Agronomia, em 1976, e da Estação Florestal Nacional no Instituto Nacional de Investigação Agrária, em 1977. O Centro de Estudos Florestais, fundado como uma unidade de investigação multidisciplinar orientada por objetivos estratégicos, com uma abordagem à investigação pioneira no quadro nacional universitário, evoluiu em termos de organização temática e estrutural acompanhando o desenvolvimento do conhecimento, o contexto da ciência e da economia nacionais, assim como o enquadramento internacional nas suas áreas temáticas. Inicialmente inserido no Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC), depois integrado na Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT) e na Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), o CEF acompanhou a evolução da política científica nacional, constituindo hoje uma das Unidades de I&D do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. A atividade científica do CEF pode ser sistematizada em três fases na evolução: i) Visão estratégica, 1976- 1992 : Projeto integrado multidisciplinar ii) Expansão temática, 1993-2012 : Projeto global e orientação por áreas científicas iii) Maturidade e integração, 2013-2026 : Grupos focados em temas integrados Com uma perspectiva sistémica da investigação, multidisciplinar e orientada para um objeto de estudo com relevância nacional, o CEF adotou o “Estudo do Ecossistema Eucaliptal” considerando a expansão programada de plantações de eucalipto numa perspectiva de produção de matéria prima para a indústria de pasta para papel, também em crescimento. O CEF alargou depois a sua área de investigação, aplicada aos grandes temas científicos globais, integrados no programa global “Gestão sustentada de ecossistemas florestais”, mais tarde designado “Uso sustentado e biodiversidade de ecossistemas florestais portugueses: uma perspectiva multidisciplinar”, estudando diferentes espécies e ecossistemas, nomeadamente sobreiro e cortiça assim como fogos rurais. Seguidamente o CEF adotou uma estratégia de concentração de massa crítica em grupos integrados focados em temas científicos globais e da sua interação com problemas complexos da sociedade e economia: resposta dos ecossistemas a mudanças globais, interações ambiente-sociedade, gestão sustentável multirecursos e de serviços, e inovação de produto, economia verde e biorefinarias. Nesta apresentação faz-se uma síntese do impacto que os 50 anos de atividade de investigação científica e tecnológica do CEF tiveram no conhecimento, na produção científica e na formação avançada, assim como na sua aplicação na economia e sociedade. Procura-se mostrar com este exemplo como a I&D foi resposta aos desafios enfrentados pela floresta e indústria florestal, e como desempenha um papel central na ambição de uma floresta sustentável ecológica, económica, e socialmente. A evolução da Fileira do Pinho em Portugal (2015–2024) Centro PINUS, Portugal Desde 2015, o Centro PINUS publica anualmente a edição digital “Indicadores da Fileira do Pinho”, compilando informação florestal, industrial e socioeconómica relativa ao pinhal-bravo e à sua fileira de transformação. O presente trabalho analisa longitudinalmente as dez edições publicadas entre 2015 e 2024, com o objetivo de identificar tendências estruturais da fileira em Portugal. Os resultados evidenciam uma forte divergência entre a evolução da base florestal e a dinâmica industrial. Entre 1995 e 2015, a área de pinheiro-bravo diminuiu de cerca de 978 mil ha para 714 mil ha (-27%), tendência posteriormente agravada pelos incêndios de 2017, que afetaram aproximadamente 125 mil ha de pinhal-bravo. Paralelamente, persistiu um défice estrutural de madeira, estimado em cerca de 48% do consumo industrial em 2024. Apesar deste contexto, a fileira revelou elevada resiliência económica e industrial. As exportações atingiram máximos históricos em vários anos da série, o número de empresas industriais manteve-se relativamente estável e o emprego associado à fileira ultrapassou 60 mil postos de trabalho em 2022. Em 2024 verificou-se ainda um crescimento de 10% na produção de madeira serrada e um aumento de 75% no número de plantas certificadas de pinheiro-bravo, atingindo 10,8 milhões de plantas. Os resultados mostram igualmente uma crescente relevância da gestão agrupada e uma forte persistência de assimetrias territoriais na distribuição do investimento público florestal. A década analisada revela simultaneamente a capacidade de adaptação da Fileira do Pinho e a crescente vulnerabilidade da sua base florestal. Os resultados reforçam a necessidade de políticas integradas capazes de promover simultaneamente a renovação do recurso florestal, a gestão ativa da paisagem e a competitividade da fileira. A certificação florestal está a contribuir para a conservação do montado de sobreiro? Centro de Ecologia Aplicada "Prof. Baeta Neves" (CEABN-InBIO), Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal A certificação florestal, uma ferramenta de conservação que visa promover a gestão florestal sustentável, tem vindo a expandir-se globalmente e a ser aplicada em diferentes sistemas incluindo os montados de sobro. Em Portugal, o país com a maior área de sobreiro e líder mundial na produção de cortiça, aproximadamente 150 mil hectares (cerca de 20%) da área de montado de sobro encontra-se sob certificação florestal. Para aderir à certificação, os produtores florestais necessitam de cumprir práticas de gestão que cumpram normas ambientais e socio-económicas. No âmbito das normas ambientais, os proprietários necessitam de implementar zonas de conservação, para conservação da biodiversidade e dos serviços do ecossistema, em aproximadamente 10% da área da unidade de gestão florestal. Neste trabalho sintetizo os resultados do nosso grupo de investigação sobre os efeitos da certificação florestal na sustentabilidade ecológica e biometria dos povoamentos de sobreiro. Embora exista um declínio do montado de sobreiro, com redução da densidade dos povoamentos de sobreiro certificados e não certificados, os resultados sugerem que o declínio é mais acentuado nas áreas não certificadas, podendo a certificação florestal estar a desempenhar um papel na mitigação do declínio dos montados de sobreiro. No que respeita às zonas de conservação, os resultados indicam que a heterogeneidade de habitat, a cobertura e a diversidade do sub-coberto arbustivo, assim como a regeneração natural, tendem a aumentar nas zonas de conservação, embora com resultados variáveis consoante o tempo decorrido desde a implementação das zonas de conservação. Relativamente aos valores de biodiversidade, a monitorização da avifauna em propriedades certificadas evidencia que as comunidades de aves diferem entre zonas de conservação e zonas controlo com as espécies dependentes de matos e insectívoras com maior abundância nas zonas de conservação e as espécies dependentes de áreas mais abertas, de pastagem, mais abundantes fora das zonas de conservação. Em termos globais, o estabelecimento de zonas de conservação como parte do processo da certificação florestal aumenta a diversidade de aves e de plantas à escala da propriedade. Relativamente às tendências da certificação na área de distribuição do sobreiro em Portugal, verificámos que a certificação florestal se iniciou nas áreas de maior capacitação técnica dos proprietários e mais elevada produção de cortiça. Estes resultados sugerem que os primeiros proprietários a aderir à certificação são também os melhor organizados e apoiados por associações de produtores florestais. Resinagem e serviços de ecossistemas florestais: valorização económica, incentivos públicos e bioeconomia rural 1: Resipinus - Associação de Destiladores e Exploradores de Resina, Portugal; 2: Cerna - Regia-Douro Park, Vila Real, Portugal A resinagem constitui uma atividade estratégica para valorizar o pinhal e revitalizar territórios rurais de baixa densidade. Além da produção de resina natural, gera rendimento, emprego e presença humana na floresta, contribuindo para serviços de ecossistema como gestão ativa dos povoamentos, redução da carga combustível, vigilância informal, deteção precoce de incêndios, sequestro de carbono, conservação da paisagem e dinamização da bioeconomia. Contudo, muitos destes benefícios ficam fora dos mercados e não são refletidos no rendimento dos proprietários, resineiros ou empresas, traduzindo uma falha de mercado que condiciona a continuidade da atividade, apesar do seu valor económico, ambiental e social. Neste contexto, foi realizada uma análise sobre políticas públicas orientadas para valorizar a resinagem como atividade prestadora de serviços de ecossistema. A abordagem assenta em literatura sobre pagamentos por serviços de ecossistema, valorização económica florestal, bioeconomia e políticas de apoio a produtos florestais não lenhosos, complementada por benchmarking internacional, com destaque para Espanha. Castilla y León surge como referência por possuir uma política setorial consolidada, que articula apoio aos povoamentos resináveis, apoio direto ao resineiro, emprego, licitações municipais e integração da resinagem na gestão florestal, prevenção de incêndios e coesão territorial. Os resultados evidenciam que a resinagem deve ser entendida não só como atividade extrativa, mas como prática multifuncional de gestão territorial. Assim, a política pública deve evoluir de apoios pontuais para mecanismos estáveis de remuneração dos benefícios públicos gerados. Entre os instrumentos relevantes incluem-se pagamentos por serviços de ecossistema em pinhais resinados, contratos plurianuais de gestão, apoios à mão de obra, incentivos à mecanização e inovação, valorização da resina natural certificada, instrumentos fiscais para substituir matérias-primas fósseis e mecanismos de mercado ligados ao carbono, biodiversidade e redução do risco de incêndio. A adoção de pagamentos por “pacotes” poderá remunerar benefícios ambientais, sociais e económicos de forma integrada. A experiência espanhola demonstra que apoiar apenas o povoamento não garante a continuidade da resinagem. O diferencial dos modelos mais avançados está no reconhecimento do resineiro como agente económico e territorial, cuja presença regular na floresta gera valor público. Para Portugal, esta leitura aponta para um modelo híbrido de política, combinando financiamento público, participação privada e valorização industrial da resina natural como matéria-prima renovável, reduzindo a dependência fóssil. Este modelo deverá articular-se com ordenamento, gestão agrupada, prevenção de incêndios, certificação e bioeconomia florestal. Conclui-se que a resinagem deve ser reconhecida como atividade prestadora de serviços de ecossistema e como instrumento de política florestal, climática, industrial e territorial. A sua valorização exige melhor informação biofísica e económica, simplificação administrativa, monitorização dos serviços prestados e mecanismos de remuneração estáveis. Ao pagar não apenas pela resina produzida, mas também pela natureza gerida e pelo trabalho humano que mantém o território ativo, será possível reforçar a resiliência do pinhal, criar rendimento rural e consolidar uma fileira da resina natural competitiva, sustentável e alinhada com a bioeconomia. Certificação florestal em Arouca: restauro ecológico e resistência ao fogo nos Passadiços do Paiva 2BForest, Portugal Na envolvente dos Passadiços do Paiva, em Arouca, uma propriedade de 24,5 ha constitui um exemplo de como a certificação florestal pode apoiar o restauro ecológico e reforçar a resistência da paisagem ao fogo. Esta propriedade integra o grupo de certificação 2B_Forest_Group (FSC‑C135716) e constitui a área piloto do Pereiro (M152), no âmbito do projeto P4.2 – Valoração de Serviços de Ecossistemas, integrado na Agenda transForm. Quase totalmente inserida no sítio Natura 2000 Rio Paiva (PTCON0059), a propriedade tem vindo, desde 2021, a ser gerida com o objetivo de converter progressivamente uma área dominada por plantações de eucalipto numa paisagem mais naturalizada. Neste contexto, o programa ES_SPONSOR, desenvolvido pela 2BForest, tem funcionado como enquadramento para financiar e comunicar intervenções de restauro orientadas para a recuperação da biodiversidade, o aumento do sequestro de carbono e a valorização dos serviços recreativos associados aos Passadiços do Paiva. No presente trabalho, apresentam-se os resultados alcançados com este programa e a estratégia de verificação de impactos seguida pela 2BForest no âmbito do procedimento FSC. As operações florestais realizadas entre 2022 e 2025 evidenciam uma estratégia continuada de restauro ecológico. Em 2022, foram intervencionados 10,11 ha com plantação de espécies arbóreas autóctones, promoção da regeneração natural de Quercus robur, abertura de clareiras e seleção de varas. Em 2023, as ações prolongaram-se por 4 ha, acrescentando o controlo da vegetação espontânea e de espécies exóticas invasoras (Acacia sp.). Após o incêndio de setembro de 2024, realizaram-se novas operações em 2025, incidindo no controlo da vegetação espontânea e das espécies exóticas invasoras nas áreas afetadas. Em conjunto, estas intervenções contribuíram para reduzir a continuidade do combustível, criar condições para o estabelecimento de vegetação nativa e reforçar a capacidade de recuperação ecológica da propriedade. A monitorização realizada em 2025 mostra que, apesar do impacto do fogo, a área manteve sinais relevantes de recuperação ecológica. Através de amostragem por eDNA, foram identificados 272 táxones animais no período pós-incêndio, face a 228 em 2024, incluindo espécies com interesse de conservação, como Oryctolagus cuniculus (EN), Rana iberica (VU) e Lutra lutra (NT). A caracterização florística confirmou ainda a presença de 75 espécies da flora vascular e a persistência da espécie endémica Anarrhinum longipedicellatum. Em paralelo, a evolução dos stocks de carbono e a análise de imagens Sentinel-2 sugerem que as áreas intervencionadas apresentaram maior capacidade de resistência ao fogo e de recuperação pós-incêndio, evidenciando o contributo do restauro ecológico para a resiliência da paisagem. Este caso de estudo, materializado na área piloto do Pereiro, demonstra como a certificação florestal pode funcionar como um instrumento de suporte ao restauro ecológico, ao viabilizar financeiramente operações orientadas para a recuperação de habitats, a mitigação do impacto do fogo e a valorização ambiental. No âmbito do 10.º Congresso Florestal Nacional, esta área evidencia a importância de articular a gestão ativa da floresta com a comunicação eficaz de resultados, contribuindo para transformar Arouca num território mais resiliente e capaz de gerar benefícios ecológicos e sociais a longo prazo. Do conservation zones in Mediterranean oak woodlands contribute to water infiltration? 1: Centre for Applied Ecology “Prof. Baeta Neves” (CEABN-InBIO), School of Agriculture, University of Lisbon, Portugal; 2: Department of Environmental and Geospatial Science, Stephen F. Austin State University, Nacogdoches, TX 75962, USA; 3: Department of Ecology and Conservation Biology, Texas A&M University, College Station, TX 77843, USA; 4: World Wide Fund for Nature, WWF Portugal. Lisbon, Portugal; 5: Forest Research Centre (CEF), Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, Lisbon 1349-017, Portugal Mediterranean oak woodlands (“montados” or “dehesas”) are highly diverse socio-ecosystems that require sustainable practices to maintain their structure, biodiversity, and provision of ecosystem services. Sustainable forest practices can be ensured through forest certification. Forest certification is a voluntary conservation framework promoting sustainable management standards through ecological and socio-economic criteria. One of the mandatory requirements is the establishment of conservation zones (CZ), defined as low-intervention areas aimed at conserving biodiversity and ecosystem services. CZs in oak woodlands have been shown to promote greater habitat complexity, shrub cover and diversity, and oak regeneration compared to non-CZs. However, their effects on water partitioning remain poorly understood. In this study, we evaluated the effects of CZs on water infiltration and related soil properties across conservation zones with different ages of implementation. Our results show that water infiltrability in certified conservation areas was, on average, an order of magnitude higher than in non-CZs (256 -207 mm h-1 in CZ vs 29-25 mm h-1 in NP and PP), with ten years of grazing exclusion being enough to recover soil infiltration capacity. In grazed areas, soil compaction and available water (water holding capacity) were the main factors limiting infiltration. Overall, our findings suggest that conservation areas established under forest certification may contribute to reducing runoff and improving water infiltration in oak woodlands. |
| 17:00a17:30 | Pausa para café Localização: Átrio ESAC |
| 17:30a18:30 | Mesa Redonda 1 - Gestão do fogo e do território: o que mudou depois de 2017? Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: José Gaspar Com a participação de: Sandra Valente, ForestWISE Paulo Mateus, Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, I.P. Nuno Sequeira, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas Joaquim Sande Silva, Universidade Politécnica de Coimbra Francisco Castro Rego, Universidade de Lisboa |
| 18:30a19:30 | Sessão de Pósteres n.º 1 Localização: Átrio ESAC |
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200 anos de codificação florestal: análise histórica do processo de codificação legislativa florestal em Portugal UTAD, Portugal Desde 1839 que está formalmente identificada a necessidade de elaborar um Código Florestal em Portugal, continuando este objetivo por cumprir. Num setor florestal que representa sistematicamente saldos da balança comercial superiores a 2 mil milhões de euros, e que em 2022 correspondeu a 1,6% do PIB nacional, a ausência de um quadro jurídico sistematizado e coeso constitui um constrangimento estrutural. Esta realidade torna-se ainda mais evidente considerando a desatualização, dispersão e fragmentação normativa do atual enquadramento jurídico com incidência florestal, reflexo de produção legislativa conjuntural, e da ausência de um instrumento jurídico sistematizado, harmonizado e consolidado. Este trabalho apresenta os resultados de uma análise histórica e legislativa do processo de codificação florestal nacional, abrangendo o período compreendido entre 1839 e 2015, realizada com base em fonte primária, nomeadamente registos parlamentares do Arquivo Histórico da Assembleia da República, Diários do Governo, Diário da República e antecedentes históricos documentais. Recorrendo a uma abordagem diacrónica e à pesquisa documental sistemática, foram identificadas seis propostas normativas de Código Florestal, doze Comissões Específicas, duas Comissões Coordenadoras Interministeriais e um Grupo de Trabalho parlamentar, constituídos ao longo deste período com o objetivo de elaborar um Código Florestal, contudo, nenhuma destas iniciativas produziu efeitos legais duradouros. Das seis iniciativas legislativas identificadas, apenas duas foram sujeitas a debate parlamentar na generalidade (Projeto de Lei n.º 37/1849 e Proposta de Lei n.º 267/X/2009), não tendo a única proposta promulgada, que originou o Decreto-Lei n.º 254/2009, produzido efeitos legais práticos em virtude de a sua entrada em vigor ter sido sucessivamente prorrogada, até ser revogada pela Lei n.º 12/2012, e ter sido repristinada de legislação do início do século XX. Neste processo, não identificámos igualmente evidências de análise prévia dos impactos jurídicos, económicos ou sociais desta repristinação. Os resultados obtidos evidenciaram ainda um paralelismo entre a desadequação e a dispersão legislativa verificadas nos séculos XIX, XX e XXI: em determinadas circunstâncias, as autoridades competentes pela execução das leis florestais não existiam, ou as soluções jurídicas existentes eram desconexas, contribuindo para o desinvestimento no setor florestal. A análise documental revela ainda que a fundamentação apresentada para a não conclusão dos trabalhos das diferentes comissões e iniciativas é recorrentemente imputável à instabilidade política, o que reflete a prioridade que este setor de atividade tem representado para os agentes políticos ao longo destes dois séculos. A única proposta submetida a debate parlamentar na especialidade e aprovada em votação final global nunca produziu quaisquer efeitos jurídicos práticos, o que ilustra, de forma inequívoca, a dimensão do desafio político e institucional que a codificação florestal representa. Conclui-se que a codificação florestal, enquanto instrumento de sistematização, harmonização e consolidação normativa, constitui uma condição necessária para uma gestão florestal sustentável, para a literacia jurídica dos seus destinatários e para a clareza, certeza e segurança do ordenamento jurídico com incidência florestal, contribuindo de forma estrutural para a implementação de conexões sustentáveis entre floresta, pessoas e território. Caracterização anatómica da madeira de 5 espécies da floresta natural de Moçambique e sua vulnerabilidade às mudanças climáticas 1: UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 2: UCM - Universidade Católica de Moçambique Moçambique tem uma área florestal de 41 milhões de hectares, constituindo uma das mais significativas áreas de floresta nativa na África Austral, a qual desempenha um papel essencial na subsistência de necessidades básicas das populações rurais e um contributo imenso na economia do país, com mais de 200 milhões de dólares em divisas através das exportações. Adicionalmente, é geradora de emprego a uma parte significativa da população e fornecedora de serviços ecossistémicos vitais, tais como produtos florestais não lenhosos, regulação da água, sequestro de carbono, prevenção da erosão dos solos e conservação da biodiversidade. No entanto, a África Austral é uma das regiões mais vulneráveis do mundo às alterações climáticas, sendo Moçambique um dos países mais sensíveis. Esta vulnerabilidade é agravada pela sobre exploração das florestas naturais, estando todo este importante património natural seriamente ameaçado. Neste contexto, são objetivos deste trabalho caracterizar anatomicamente 5 das mais importantes espécies produtoras de madeira de excelente qualidade, produzidas em Moçambique, e identificar, com base nessas características anatómicas, a vulnerabilidade dessas espécies a eventos climáticos extremos, como sejam as secas, ciclones e inundações. Foram selecionadas as seguintes espécies: Spirostachys africana, Afzelia quanzensis , Millettia stuhlmannii , Pterocarpus angolensis e Colophospermum mopane, a primeira considerada madeira preciosa e as restantes de 1ª classe. O material de estudo foi colhido em diversas florestas nativas localizadas nos distritos de Sofala, Maputo e Inhambane e a caracterização anatómica seguiu a metodologia sugerida pela IAWA (International Association of Wood Anatomists). Afzelia quanzensis, Millettia stuhlmannii, Pterocarpus angolensis e Colophospermum mopane apresentam vasos grandes e solitários, com placas de perfuração simples, pontuações aureoladas guarnecidas e fibras de paredes espessas. Estas características conferem uma eficiente capacidade de transporte e resistência a embolismo, a par de uma grande resistência à seca. Já a Spirostachys africana possui vasos pequenos e agrupados, com pontuações aureoladas não guarnecidas e fibras de paredes finas, conferindo uma menor eficiência hídrica e uma maior suscetibilidade a embolia e vulnerabilidade a fenómenos de seca. Assim, é expectável que esta espécie possa vir a ser particularmente afetada pelas alterações climáticas, devendo a sua distribuição restringir-se a locais com abastecimento regular de água, ou, com períodos de seca relativamente limitados. De um modo geral quase todas as espécies exibem uma elevada densidade e abundância de parênquima axial (em quantidade e diversidade), isto é, não só uma elevada resistência mecânica como um grande investimento em substâncias de reserva acumuladas em células de parênquima, o que as torna particularmente resistentes aos efeitos adversos dos ciclones. Só a Spirostachys africana se demarca das restantes espécies. Como apresenta menor quantidade de parênquima axial e limitado ao tipo difuso apotraqueal, revela um reduzido investimento em substâncias de reserva que poderão ser posteriormente utilizadas em períodos críticos, revelando uma maior vulnerabilidade ao stress induzido pelos ciclones. Relativamente às cheias, os resultados não foram conclusivos, já que não foi possível estabelecer qualquer relação direta entre as características anatómicas e a sua vulnerabilidade a este evento climático extremo. Produção de biomassa e qualidade da madeira da Cupressus lusitanica Mill. a crescer em Portugal UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal A seleção de espécies arbóreas para florestação em ambientes mediterrânicos envolve desafios relacionados com a adaptabilidade, o impacto nas propriedades do solo e a qualidade ambiental global. A Cupressus lusitanica Mill. tem sido uma espécie florestal reconhecida pelo seu rápido crescimento, resiliência ambiental e versatilidade de aplicações, posicionando-se como uma candidata promissora para estas regiões. Embora tenha sido utilizada em florestações no Nordeste de Portugal desde a década de 1990, ainda não existem estudos abrangentes que avaliem o seu desempenho em determinadas condições locais sob forte influência mediterrânica. Para colmatar esta lacuna de conhecimento, o presente estudo avaliou um povoamento de Cupressus lusitanica com 14 anos instalado no Nordeste de Portugal. Foram analisadas as propriedades anatómicas, físicas, químicas e mecânicas da madeira, bem como a produção de biomassa. A espécie evidenciou um maior crescimento radial (em diâmetro) e uma elevada adaptabilidade, comparativamente a outras espécies sob condições ambientais semelhantes. Apesar de apresentar menor comprimento de fibras (1,6 mm) e uma densidade básica da madeira relativamente baixa (404 kg/m³), os valores de retração situaram-se dentro do intervalo típico das coníferas. Contudo, observou-se uma marcada tendência para fenómenos de empenamento. O teor de extrativos foi relativamente elevado (5,1%), sendo predominante a fração solúvel em etanol (3,6%). Os ensaios mecânicos revelaram valores reduzidos tanto para o módulo de elasticidade (MOE) (3592,5–3617,1 MPa) como para o módulo de rutura (MOR) (57,7–68,9 MPa), sendo ambas as propriedades significativamente influenciadas pela presença de nós. Face aos resultados obtidos, foi possível concluir que a espécie Cupressus lusitanica, apesar da baixa densidade da madeira e de potenciais limitações em algumas utilização que exijam um bom desempenho mecânico, apresenta notável crescimento e adaptabilidade, conferindo-lhe elevado potencial para a produção de biomassa e sequestro de carbono, bem como possíveis aplicações da sua madeira no fabrico de painéis reconstituídos e à base de fibras ou partículas de madeira. O contributo do CENASEF para a conservação genética e a resiliência das florestas em Portugal ICNF, Portugal As alterações climáticas representam um dos principais desafios à sustentabilidade e resiliência das florestas portuguesas, prevendo-se o aumento da frequência e intensidade de fenómenos extremos, como secas prolongadas, ondas de calor e incêndios rurais. Neste contexto, a conservação e gestão dos recursos genéticos florestais assumem um papel estratégico na adaptação dos ecossistemas florestais e na manutenção da sua capacidade produtiva, ecológica e funcional. O Centro Nacional de Sementes Florestais (CENASEF), enquanto serviço operativo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), desempenha um papel estratégico na conservação da diversidade genética e no suporte à gestão sustentável das florestas em Portugal. Sediado em Amarante, o CENASEF assegura a recolha, processamento, armazenamento e comercialização sementes florestais, trabalhando atualmente com cerca de 115 espécies arbóreas e arbustivas. Com uma capacidade anual de processamento superior a 20 toneladas de fruto, o Centro garante a disponibilização de sementes certificadas e adaptadas às condições edafoclimáticas do território nacional. Entre as espécies de maior relevância destacam-se o pinheiro-bravo (Pinus pinaster), o pinheiro-manso (Pinus pinea) e várias espécies do género Quercus, nomeadamente o sobreiro (Quercus suber) e o carvalho-alvarinho (Quercus robur), que apresentam elevada procura no âmbito da arborização, reflorestação e restauro ecológico. Num contexto marcado pela elevada recorrência de incêndios florestais — principal fator de perturbação dos ecossistemas em Portugal — e pela crescente incidência de agentes bióticos, como o cancro resinoso do pinheiro (Fusarium circinatum) e o nemátodo-da-madeira-do-pinheiro (Bursaphelenchus xylophilus), o papel do CENASEF torna-se particularmente relevante. O fornecimento de material florestal de reprodução de qualidade é crucial para o sucesso das ações de recuperação pós-incêndio. No entanto, destaca-se a importância de privilegiar a regeneração natural sempre que esta se mostre viável, promovendo ecossistemas mais resilientes e adaptados. A equipa do CENASEF, constituída por uma técnica superior e sete assistentes operacionais — incluindo cinco escaladores — contribui para a execução destas operações com elevado rigor técnico, evidenciando a ligação entre conservação, produção florestal e território, e reforçando o seu papel na promoção de florestas mais sustentáveis, resilientes e alinhadas com os desafios atuais.
Automated Quercus suber Crown Characterization in Portuguese Montado Using Lightweight U-Net and Multispectral UAV Data: A Monte Fava Case Study 1: UCIBIO - Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas, Departamento de Ciências da Vida, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade NOVA de Lisboa, 2829-516 Caparica, Portugal; 2: Laboratorio Associado Instituto para a Saúde e Bioeconomia - i4HB, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade NOVA de Lisboa, 2829-516 Caparica, Portugal; 3: Department of Science and Technology for Sustainable Development and One Health, Research Unit of Electronics for Sensor Systems, Campus Bio-Medico University of Rome, Via Álvaro del Portillo 21, 00128 Rome, Italy; 4: UNINOVA - Institute for the Development of New Technologies, Quinta da Torre, 2829-516 Caparica, Portugal; 5: Forest Research Centre (CEF), Associate Laboratory TERRA, School of Agriculture, University of Lisbon, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 6: National Institute for Agricultural and Veterinary Research (INIAV, I.P.), Av. da República, Quinta do Marquês, 2780-159 Oeiras, Portugal; 7: Department of Biology, University of Naples Federico II, Via Vicinale Cupa Cintia, 80126 Naples, Italy This work contributes to the environmental monitoring and sustainable management of Mediterranean agroforestry ecosystems by assessing the vegetative and structural status of Portuguese Quercus suber montados through the integration of multispectral UAV surveys and deep learning models. In a context of increasing climate variability, rapid, accessible, and automatable methods for crown monitoring are essential for timely evaluations of cork oak ecosystems status and dynamics. The case study was conducted at Monte Fava (Portugal), a Q. suber genetic field trial suited for investigating relationships between structural and physiological crown traits and potential genetic, adaptive, and functional differences among provenances. In this context, an automated tool for crown segmentation and metric characterization enables rapid, repeatable, and non-destructive monitoring of tree growth and vigour, and also response to environmental variability. Methodologically, the work integrates multispectral UAV data, digital photogrammetry, manual crown annotation, and deep learning modelling. Images acquired with a DJI Phantom 4 Multispectral RTK drone were processed in WebODM and georeferenced in EPSG:3763. Approximately 600 crowns were manually digitized and used as ground truth for training a lightweight convolutional neural network (U-Net-light), balancing accuracy, computational efficiency, and operational accessibility even under limited hardware resources. The network was tested on multiple multiband and single band to evaluate spectral contribution and model robustness under different input configurations. Despite its simplified architecture, multiband models achieved high performance (IoU up to 0.82), demonstrating good generalization and temporal robustness. This confirms that lightweight, well-trained networks are a valid alternative to more complex models when computational cost, transferability, and ease of use are priorities. Inference on georeferenced orthophotos produced accurate, morphologically coherent crown masks from which structural parameters, such as crown area, were derived. Estimated crown surfaces, mainly ranging between 70 and 110 m², are consistent with the expected dimensions for adult Q. suber individuals. The compactness of the crowns and the regularity of the segmented shapes confirm model reliability for both spatial vegetation classification and metric characterization. This pipeline can accommodate main vegetation indices across the orthophoto, enabling integration of geometric crown information with multispectral indicators of vegetative vigour and photosynthetic function. The combination of U-Net-light, multispectral UAV data, and morphometric analysis provides an original and scalable approach to automated Q. suber crown characterization, suitable for precision forest monitoring. Its application at Monte Fava genetic trial demonstrates its value for comparative assessment, phenotypic plasticity analysis, and climate-resilient montado management. Beyond accurate crown segmentation, the methodology establishes an operational bridge between spatial data, vegetation structure and vigour indicators, offering a powerful tool for precision forestry in high-value ecological systems. Engenharia Florestal em Portugal: evidência, representatividade e prioridades estratégicas do setor 1: Ordem dos Engenheiros, Portugal; 2: Ordem dos Engenheiros, Portugal; 3: Ordem dos Engenheiros, Portugal; 4: Ordem dos Engenheiros, Portugal A Engenharia Florestal assume um papel central na resposta aos desafios estruturais do território português, nomeadamente no contexto das alterações climáticas, da gestão integrada da paisagem e da prevenção de incêndios rurais. Apesar da sua relevância técnica, o setor enfrenta limitações ao nível da representatividade institucional e da renovação geracional, particularmente evidentes na Região Sul da Ordem dos Engenheiros. Com o objetivo de identificar prioridades técnicas e institucionais, o Grupo de Trabalho de Engenharia Florestal da Região Sul (GTEF_OERS) promoveu, no primeiro semestre de 2026, um conjunto de iniciativas participativas, complementadas por um inquérito dirigido à comunidade profissional. Foram obtidas cerca de 100 respostas válidas, permitindo recolher evidência empírica sobre preferências e expectativas do setor. Os resultados evidenciam uma clara valorização de iniciativas de carácter prático e colaborativo. As visitas técnicas (68%), os debates com especialistas (66%), os workshops (65%) e a formação certificada (62%) destacam-se como formatos prioritários, refletindo a procura de aprendizagem aplicada, atualização técnica e partilha de conhecimento entre pares. No plano técnico, a gestão florestal adaptada às alterações climáticas surge como principal prioridade (64%), evidenciando o alinhamento com os desafios globais e nacionais. Adicionalmente, temas como inovação tecnológica, inteligência artificial, ordenamento do território, biodiversidade e serviços dos ecossistemas assumem crescente relevância, confirmando a natureza multidisciplinar e em evolução do setor. Relativamente às expectativas institucionais, destaca-se a necessidade de reforçar a representação da Engenharia Florestal na Ordem dos Engenheiros e aumentar a sua influência na definição de políticas públicas. A promoção da formação contínua, a valorização social da profissão e a disseminação de informação técnica são igualmente identificadas como áreas críticas. Com base nestes resultados, identificam-se três eixos estratégicos prioritários: (i) reforço da representatividade e promoção da renovação geracional; (ii) estruturação de uma oferta contínua de iniciativas técnicas alinhadas com as necessidades identificadas; e (iii) afirmação institucional da Engenharia Florestal, aumentando a sua visibilidade e participação nos processos de decisão. Os resultados confirmam a existência de uma comunidade técnica alinhada com os desafios atuais, mas evidenciam fragilidades estruturais ao nível da sua afirmação institucional. O reforço da Engenharia Florestal constitui, assim, uma condição essencial para garantir a sustentabilidade e resiliência do território. Rentabilidade da exploração florestal pública em Portugal: análise comparativa da receita média por hectare entre 1889–1898 e 2017–2021 UTAD, Portugal O setor florestal português apresenta um desempenho económico relevante: a balança comercial regista sistematicamente saldos superiores a 2 mil milhões de euros anuais, o valor acrescentado bruto da silvicultura e indústrias de base florestal representou 1,6% do PIB em 2022, e as fileiras florestais foram responsáveis por cerca de 100 mil postos de trabalho em Portugal continental. Não obstante, a rentabilidade da exploração florestal nas áreas sob gestão ou cogestão pública tem permanecido pouco analisada numa perspectiva histórica comparada, constituindo uma lacuna relevante para a avaliação da eficiência da gestão e cogestão florestal pública. Este trabalho apresenta uma análise económica comparativa da receita média por hectare (ha) da exploração florestal pública em Portugal continental, confrontando dois períodos históricos: 1889–1898, correspondente às Matas Estatais com 15 688 ha sob gestão da Administração Geral das Matas (PL 1-L/1900); e 2017–2021, correspondente às Matas Nacionais e Perímetros Florestais sob gestão e cogestão de organismo da administração pública florestal (OAPF), totalizando cerca de 458 279 ha (Relatórios de Atividades e REFLOA). Para efeitos de comparação, os valores históricos foram convertidos com base: no Decreto de 22 de maio de 1911, que determinou a reforma monetária e introduziu o escudo como nova unidade monetária; na taxa de conversão irrevogável escudo/euro, fixada no Regulamento (CE) n.º 2866/98 do Conselho de 31 de dezembro de 1998; e atualizados por meio do coeficiente de desvalorização da moeda previsto na Portaria n.º 288/2024/1, de 7 de novembro. Considerando a receita média anual bruta/ha das Matas Estatais entre 1889 a 1898, face à receita média anual/ha da exploração florestal das Matas Nacionais e dos Perímetros Florestais sob gestão ou cogestão de OAPF, verifica-se, com base nos dados públicos, no período dos Relatórios de Atividades (2017-2021), um decréscimo de 65% da receita média anual, entre - 1889 a 1898 (66€) e 2017 a 2021 (23 €). Se considerarmos a receita média líquida/ha entre 1889 a 1898, face à receita média anual/ha da exploração florestal das Matas Nacionais e dos Perímetros Florestais sob gestão ou cogestão de OAPF, regista-se no período dos Relatórios de Atividades (2017 a 2021) um decréscimo de 1% da receita média anual, entre - 1889 a 1898 (26€) e 2017 a 2021 (23€). Salienta-se que esta tendência decrescente de rentabilidade por hectare ocorre num contexto de expansão de cerca de 280% das áreas florestais sob gestão e cogestão pública desde o final do século XIX, de significativa evolução tecnológica do setor e de globalização dos mercados de produtos florestais. Acresce que a exploração florestal das Matas Nacionais e Perímetros Florestais representou, no período 2017–2021, cerca de 43,5% da receita própria média do OAPF, correspondendo a aproximadamente 10,71 milhões de euros anuais. Conclui-se que a ausência de critérios legais claros de eficiência económica e sustentabilidade na gestão florestal pública, decorrente da inexistência de um Código Florestal sistematizado, contribui para a manutenção de práticas gestionárias com rentabilidade decrescente por hectare, com impacto direto no orçamento do organismo e na valorização dos recursos florestais públicos enquanto ativo estratégico para a coesão territorial e para as conexões sustentáveis entre floresta, pessoas e território. Potencial do uso de bioestimulantes na instalação de povoamentos de eucalipto em solos de baixa fertilidade 1: Altri Florestal, Quinta do Furadouro, 2510-582 Olho Marinho; 2: Universidade de Évora, Escola de Ciências e Tecnologia – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED). Largo dos Colegiais 2, 7004-516, Évora, Portugal; 3: Hubel Verde – Engenharia Agronómica S.A., Parque Huble, Pechão, 8700-179 Olhão A produção florestal de eucalipto enfrenta diversos desafios que condicionam a produtividade e sustentabilidade dos povoamentos. Entre estes, destaca-se a reduzida fertilidade natural de muitos solos florestais utilizados para a instalação de plantações de eucalipto. Neste contexto, torna-se necessário desenvolver estratégias que promovam uma utilização mais eficiente dos recursos naturais e reforcem a resiliência das plantas em condições limitantes. Os bioestimulantes constituem uma abordagem promissora, atuando nas interações solo-planta através da promoção de processos biológicos naturais, como a mobilização de nutrientes, o aumento da absorção radicular e o reforço da tolerância a stresse biótico e abiótico. No âmbito do projeto 3.6 – Programa Bioma Solo: melhorar a relação solo-planta, da Agenda transForm, a Altri Florestal, em colaboração com a Hubel Verde e a Universidade de Évora, instalou dois ensaios de campo destinados à avaliação de bioestimulantes comercializados para o setor agrícola em plantações de Eucalyptus globulus (material VR1014 × VR444, proveniente dos Viveiros do Furadouro/AF). Os ensaios foram instalados em Calha do Grou (Fazendas de Almeirim) e Fajarda (Coruche), locais caracterizados por condições edafoclimáticas desafiantes para o estabelecimento de plantações. Foram avaliados produtos comercializados pela Hubel Verde contendo bactérias solubilizadoras de fósforo (Naphitos), Trichoderma spp. (Notaris e Trychosim Bio), fungos micorrízicos (MVA-MIX e MVA-MIX 2) e bactérias fixadoras de azoto (Utrisha-N). O crescimento e sobrevivência das plantas inoculadas foram comparados com um tratamento controlo sujeito ao programa de fertilização convencional da Altri Florestal (adubo mineral 8-24-8 + adubo de libertação controlada 9-20-8). Na Calha do Grou, a aplicação de Trichoderma spp. (T. asperellum e T. harzianum) e de fungos micorrízicos (Glomus iranicum var. tenuhypharum) não resultou em diferenças na sobrevivência (>98%) nem no crescimento das plantas relativamente ao controlo. Por outro lado, a aplicação foliar de Utrisha-N (Methylobacterium symbioticum), realizada por drone em plantas com seis meses de idade, promoveu aumentos significativos na altura e no diâmetro das plantas tratadas. Relativamente à avaliação da atividade microbiana do solo, feita cerca de 4 meses após a plantação nos dois primeiros ensaios mencionados, também não se verificaram diferenças significativas dos produtos testados relativamente ao controlo na globalidade dos parâmetros testados. Destaca-se apenas uma melhoria significativa, na atividade de enzimas diretamente relacionadas com a disponibilização de P e S, com a aplicação de Trichosym Bio na altura da plantação. No ensaio da Fajarda, a inoculação com bactérias solubilizadoras de fósforo não originou diferenças na sobrevivência nem no crescimento, sendo que os vários parâmetros relativos ao estado fisiológico da planta (Performance index, clorofila, Fv/Fm), também não evidenciaram diferenças significativas. Apesar de não apresentaram taxas de colonização micorrízica superiores, nem melhor atividade microbiana do solo, observou-se uma sobrevivência superior nas plantas inoculadas com fungos micorrízicos, comparativamente ao controlo (92% vs. 72%). Os resultados obtidos evidenciam o potencial dos bioestimulantes como ferramenta complementar na instalação de plantações de eucalipto, sobretudo na sobrevivência inicial das plantas. Modelação do volume do tronco e estimação da biomassa e do carbono da componente aérea da espécie Cupressus lusitanica (Mill.) em Portugal 1: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 2: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; 3: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; 4: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal O Cedro-do-Buçaco (Cupressus lusitanica Mill.) é uma espécie florestal com interesse para a diversificação dos povoamentos de resinosas em Portugal, sendo considerada uma espécie a privilegiar nos Programas Regionais de Ordenamento Florestal das regiões Norte e Centro. Apesar do seu potencial produtivo e da sua adaptação a diferentes condições edafoclimáticas, a informação biométrica disponível para a espécie em território nacional é ainda limitada, em particular no que respeita à estimativa da biomassa lenhosa e do carbono sequestrado. Are height–diameter and height to the crown base-diameter relationships different in pure and mixed stands of cork oak and stone pine in Portugal? Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; Portugal In recent years, there has been an expansion of mixed-species forest areas of cork oak (Quercus suber L.) and stone pine (Pinus pinea L.) in Portugal. This tendency requires the development of forest growth models to support the management of these stands and optimize productivity. In forestry, the total height-diameter (h-d) relationship and the height to the crown base (hcb) are fundamental to forest inventory, especially when direct total height or hcb measurements are unavailable. This study aimed to develop generalized h–d models for cork oak and stone pine, as well as an hcb–d model for cork oak growing in pure stands or mixed stands with stone pine across Portugal. The analysis was based on data from the 5th and 6th National Forest Inventories and from permanent research plots. The main hypothesis was that the inclusion of species composition variables would better characterize stand structure and improve model performance. The models were fitted using nonlinear least-squares and nonlinear mixed-effects models for both h–d and hcb–d relationships, and generalized additive models for the hcb–d model. Model parameters were expressed as linear functions of stand characteristics, competition indices, and variables describing species mixture. The results showed that the sequential inclusion of stand variables, competition indices, and species composition variables significantly improved the h–d models for both cork oak and stone pine. For the cork oak hcb–d model, including stand variables and a species composition index also improved model performance. Overall, this research provides practical tools for estimating tree height and height to crown base in mixed-species cork oak and stone pine stands. These models can support forest inventory, improve stand-level assessments, and are expected to support decision-making in Mediterranean forest management. Eucaliptos notáveis de Portugal (re)vistos com LiDAR The Navigator Company, Portugal Em junho de 2025 começaram a ser disponibilizados os dados relativos ao primeiro levantamento LiDAR de Portugal continental, referente ao ano de 2024, pela Direção Geral do Território. Financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), este projeto representa um marco histórico na infraestrutura de dados geográficos do país, estabelecendo um novo padrão de rigor e detalhe para a altimetria nacional. Estes dados abertos estão disponíveis para consulta e utilização e podem ser uma ferramenta extremamente poderosa para melhor estudar e compreender a floresta portuguesa. A informação tridimensional fornecida pelo LiDAR descreve a estrutura da floresta de forma contínua, podendo ser utilizada para estimar algumas das principais variáveis de interesse para a caracterização e gestão florestal. Estes dados podem ser utilizados para gerar produtos úteis para diversas áreas como o estudo da estrutura de povoamentos, estimativa de biomassa e carbono capturado, ou prevenção de incêndio e monitorização pós-fogo. Neste trabalho, apresentamos a caracterização das árvores mais altas de Portugal (todas elas na região de Coimbra) a partir de nuvens de pontos de LiDAR e a estimativa das suas alturas, tendo sido produzidos Modelos de Altura das Copas (CHM) a partir destes dados. De entre estas, destaca-se um Eucalyptus diversicolor apelidado de Karri Knight, plantado no fim do século XIX na Mata Nacional de Vale de Canas, sendo oficialmente a árvore mais alta da Europa. A altura desta terá sido estimada como sendo 72m em 2010 e 73m em 2017 com medições laser de dois pontos e 72,90m em 2015 com medição direta com escalada da árvore. A partir dos dados de LiDAR estimou-se a sua altura em 2024 em 73,55m com a utilização de algoritmos automáticos de deteção de treetops e 72,89m manualmente. Este é apenas um exemplo de como os dados de LiDAR disponibilizados podem ser interessantes para a caracterização e estudo da floresta, sendo esta de conservação ou produção, abrindo portas ao potencial que a repetição e continuidade deste tipo de iniciativas pode ter para a floresta portuguesa. Programa de melhoramento do castanheiro para resistência à doença da tinta: 20 anos de avanços, desafios e oportunidades INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária O castanheiro (Castanea sativa Mill.) constitui uma espécie de elevada importância económica e cultural em Portugal, particularmente nas regiões do interior, onde a produção de castanha e os soutos tradicionais desempenham um papel essencial na sustentabilidade dos territórios rurais. No entanto, a doença da tinta, causada pelo oomiceta Phytophthora cinnamomi, continua a representar uma das principais limitações à produtividade e longevidade destes sistemas. Em Portugal, o programa de melhoramento genético do castanheiro iniciado há 20 anos, tem-se centrado no desenvolvimento de populações híbridas entre Castanea sativa e espécies asiáticas mais resistentes, nomeadamente Castanea crenata (castanheiro japonês) e Castanea mollissima (castanheiro chinês). Estes trabalhos permitiram a obtenção de genótipos com maior nível de resistência à doença da tinta para serem utilizados sobretudo como porta-enxertos. Neste contexto, têm sido desenvolvidos e caracterizados recursos genéticos relevantes, incluindo a identificação de regiões genómicas associadas à resistência (QTL), através de ensaios controlados e abordagens genómicas. Em paralelo, estudos de expressão génica e validação funcional têm contribuído para uma melhor compreensão dos mecanismos envolvidos na resposta à infeção. As populações F2, resultantes do cruzamento entre indivíduos F1 selecionados pela sua maior resistência, encontram-se atualmente em fase de desenvolvimento, representando uma etapa futura relevante no programa de melhoramento. Apesar destes progressos, os soutos tradicionais baseados em C. sativa mantêm-se vulneráveis, sendo essencial desenvolver estratégias que permitam aumentar a resistência sem comprometer a identidade genética e o valor da castanha portuguesa. Neste enquadramento, encontram-se em preparação novas abordagens de melhoramento no âmbito do programa nacional, incluindo a integração de novos marcadores moleculares específicos para C. sativa, bem como a utilização de ferramentas de predição genómica e de informação proveniente de diferentes fontes de variabilidade genética. Estas abordagens procuram contribuir para a aceleração dos ciclos de seleção e para o aumento da eficiência na identificação de genótipos superiores, através da integração de dados de árvores selecionadas em campo e de populações híbridas em segregação. Este trabalho apresenta o estado atual do melhoramento genético do castanheiro para resistência à doença da tinta e discute perspetivas futuras baseadas na integração de recursos genéticos e ferramentas genómicas, com vista ao desenvolvimento de soluções sustentáveis para a conservação e valorização dos soutos em Portugal. Characterization of the edaphic mesofauna in different oak forests (Quercus faginea, Q. robur, Q. rotundifolia, Q. pyrenaica) of the Iberian Peninsula 1: CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal; 2: Departamento de Conservación de Recursos Naturales, NEIKER – Basque Institute of Agricultural Research and Development, Basque Research and Technology Alliance (BRTA), 48160 Derio, Spain.; 3: Centro de Investigación Forestal de Lourizán XERA, Consellería de Economía e Industria. Soil biodiversity is fundamental for the correct functioning of the ecosystems, since it is the basis for vegetation development and habitat creation. In this context, soil mesofauna has been proposed as a bioindicator for soil health because of its sensitivity to soil-condition alterations. However, there is still a lack of information on the edaphic communities of several ecosystems all around the world. Therefore, the objective of this study was to assess the edaphic mesofauna in different oak forests of the Atlantic area of the Iberian Peninsula: Quercus faginea (Basque Country, Spain), Q. robur (Galicia, Spain), and Q. rotundifolia and Q. pyrenaica (Bragança, Portugal). All these forests were demonstrative areas of the LIFE SILFORE project. All the forests were sampled in 2025 spring: soil samples were collected and then sent to NEIKER, where the mesofauna was extracted and characterized (to order level and mites to superfamily/family level). Overall mesofauna abundance, diversity (Shannon), richness, and Soil Biological Quality Index (QBS) were calculated, as well as Oribatida mite, Mesostigmatida mite, Prostigmata mite, and springtail (Collembola) abundance. Results showed that the overall mesofauna community (to order level) was similar between the analysed forests, with the mites and springtails being the dominant groups in all of them (between 89-93% of the whole community). Mesofauna abundance was highest in Q. pyrenaica forest (W= 8.74, p=0.013), due to a higher abundance of springtails (W= 9.52, p=0.008), but mesofauna diversity, richness, and QBS index did not show significant differences. When analyzing only the mite community, results were different: the community composition differed between all the oak forests (F= 3.93, p <0.001). In conclusion, all the analyzed oak forests had a similar soil health and a similar mesofauna community composition at a high taxonomic level. Moreover, when assessing the mite superfamilies/families, all the forests had a different composition, which shows the natural variability that these ecosystems might show due to various factors, such as soil typology and tree species (rhizosphere). Caracterização e variabilidade anatómica da madeira de Quercus rotundifolia em diferentes locais 1: Instituto Superior de Agronomia, Centro de Estudos Florestais, Portugal; 2: Centro de Estudos Florestais; 3: Universidade de Lisboa Apresenta-se um estudo sobre a caracterização anatómica detalhada da madeira de Quercus rotundifolia Lam. (azinheira) em dois locais representativos da sua área de distribuição natural no Alentejo. A azinheira é uma espécie de elevada importância ecológica, económica e cultural nos ecossistemas florestais mediterrânicos, desempenhando um papel fundamental na biodiversidade e sustentabilidade, em particular no montado, através da regeneração natural e da produção de bolota. Para além da sua relevância ecológica, também pode fornecer produtos lenhosos tradicionais, como lenha e carvão. Neste contexto, o trabalho tem como objectivo principal contribuir para a valorização, sustentabilidade e conservação da azinheira, através da caracterização da madeira em diferentes condições ambientais. Em cada local, foram seleccionadas 10 árvores adultas e recolhidas rodelas ao nível do DAP. O estudo inclui a descrição anatómica macroscópica e microscópica, através da análise qualitativa e quantitativa. Será estudada a variação radial de diferentes características anatómicas, nomeadamente, a largura do anel de crescimento, a porosidade, o diâmetro e comprimento dos vasos, o comprimento, largura e espessura das fibras, assim como a largura e altura dos raios. Pretende-se, também, estudar os principais fatores de variabilidade anatómica entre árvores e entre locais, para analisar a influência de condições ambientais na estrutura da madeira. Em geral, nas árvores estudadas, a madeira de azinheira apresentou porosidade difusa a semidifusa, camadas de crescimento variando de distintas a indistintas, raios largos e abundância de tilos. O tipo de porosidade e a estrutura anatómica dos anéis de crescimento variaram com a idade e entre os diferentes locais estudados. A porosidade semi-difusa e os anéis de crescimento mais largos foram mais frequentes no lenho juvenil, enquanto no lenho adulto predominou a porosidade difusa e os anéis mais estreitos. O comprimento das fibras e o diâmetro dos vasos apresentaram um padrão semelhante de variação radial, aumentando da medula para a periferia. Estes resultados evidenciam que a anatomia da madeira de azinheira varia em função da idade e das condições ambientais. Os resultados obtidos permitirão aprofundar o conhecimento sobre a anatomia da madeira da azinheira e a sua variabilidade intra-específica, contribuindo para a identificação de características anatómicas com valor de diagnóstico na identificação da madeira de espécies de Quercus e na elaboração de chaves dicotómicas, assim como para a valorização tecnológica da madeira para utilizações de maior valor acrescentado, no âmbito da gestão sustentável do montado. Sistema de informação aplicado à certificação PEFC: a ForestHub como ferramenta de rastreabilidade, robustez e monitorização. PEFC PORTUGAL, Portugal A crescente exigência de rastreabilidade, consistência de dados e capacidade de monitorização nos sistemas de certificação florestal tem vindo a reforçar a importância de soluções digitais capazes de integrar, validar e disponibilizar informação de forma estruturada entre os diferentes intervenientes. Num contexto em que a credibilidade dos sistemas de certificação depende não apenas da qualidade dos referenciais normativos, mas também da robustez dos fluxos de informação que suportam auditorias, processos de verificação e reporte, a digitalização constitui um vetor estratégico para o reforço da integridade e da eficiência do sistema. Foi neste enquadramento que o PEFC Portugal desenvolveu a PEFC ForestHub, uma plataforma digital de gestão de informação concebida para melhorar a articulação entre entidades certificadas, organismos de certificação, o PEFC Portugal e oPEFC Council, tornando mais fluido, coerente e eficaz o fluxo de informação relativo aos certificados de Cadeia de Custódia, de Gestão Florestal Sustentável e Árvores Fora da Floresta. A ferramenta foi desenhada para reduzir dispersão documental, duplicação de registos, descontinuidades de comunicação e fragilidades na atualização de dados, promovendo maior uniformidade e fiabilidade no tratamento da informação ao longo do ciclo de certificação. Entre as funcionalidades já em curso destacam-se: a criação de uma rede de colaboração para otimização dos processos de certificação e agilização dos fluxos de informação; a recolha de informação relativa aos certificados e aos produtos certificados, a sistematização de dados relevantes para o acompanhamento das entidades certificadas. A possibilidade de carregar, atualizar e consultar informação de forma rápida e simplificada traduz-se em ganhos operacionais evidentes, com benefícios ao nível da eficiência administrativa, da harmonização de procedimentos, da redução de erro e da capacidade de resposta perante auditorias e solicitações institucionais. A comunicação procurará demonstrar que a PEFC ForestHub representa um passo estruturante na transformação digital da certificação florestal em Portugal. O objeto da apresentação incidirá na forma como esta ferramenta permite consolidar e reportar a informação entre as entidades envolvidas no sistema de certificação, garantindo eficiência, eficácia, robustez e evolução do sistema PEFC. Deste modo, a ForestHub afirma-se como uma solução com valor estratégico para o reforço da transparência, credibilidade e capacidade de monitorização da certificação florestal. Concessões florestais e destinação de florestas públicas - o olhar da literatura 1: CEGAFI UnB, Brazil; 2: Universidade de Brasília; 3: MMA, Brazil Os projetos Mais Amazônia e GovFun+Amazônia, desenvolvidos pelo Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar (CEGAFI/UnB) em cooperação com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), atuam em ações voltadas à gestão florestal no território amazônico brasileiro e incluem a produção de conhecimento científico vinculado às dinâmicas territoriais e ambientais, bem como o acompanhamento de dissertações relacionadas à governança de florestas públicas e ao ordenamento territorial na Amazônia. Para construir essas dissertações, sob o aspecto da importância da concessão florestal, foi realizado levantamento de revisão de literatura sobre governança fundiária, concessões florestais e destinação de florestas públicas, articulando essas evidências com informações de desmatamento e categorias de uso na Amazônia. O estudo buscou compreender como a literatura trata as concessões florestais para o fortalecimento da gestão territorial, redução de conflitos fundiários e promoção do desenvolvimento sustentável na região amazônica. A partir da revisão, identificamos que Bonfim et al. (2016) destacam o potencial das concessões de florestas públicas para promover desenvolvimento socioeconômico, geração de emprego e uso legal dos recursos florestais na Amazônia. Palmieri & Batistella (2022) traz que a efetividade das concessões depende da participação das populações locais e da construção de arranjos institucionais capazes de compatibilizar conservação, uso sustentável e inclusão social. O Serviço Florestal Brasileiro (2023) evidencia que concessão florestal, quando amparada por arcabouço regulatório bem definido e acompanhado por monitoramento estatal, pode contribuir para a manutenção da cobertura florestal e para a destinação produtiva de áreas públicas. Duarte (2022) evidência, a partir do Projeto Especial de Colonização Serra do Ramalho, que a redução do passivo de terras públicas regularizáveis depende de marcos legais claros, capacidade institucional e fluxos operacionais bem definidos para a regularização em áreas da União e do Incra. Baiero (2022) conclui que a governança do setor florestal brasileiro depende da coordenação entre políticas públicas, instituições e instrumentos de gestão territorial. Cozendey & Chiavari (2023) mostram que a experiência das concessões no Pará revela avanços, mas também desafios relacionados ao aprimoramento institucional, à articulação entre órgãos e à segurança jurídica. Moraes & Ramos (2025) demonstram, no caso do conjunto de Glebas Mamuru-Arapiuns, que o ordenamento territorial e a destinação de florestas públicas contribuíram para a regularização fundiária e para a criação de áreas protegidas, embora não tenha sido suficiente para conter integralmente a perda de cobertura florestal em determinadas categorias de uso. Ribeiro et al. (2024) associam a regularização fundiária à passagem de contextos de insegurança jurídica e territorial para trajetórias mais sustentáveis, enquanto Santos (2025) evidencia que a ausência de destinação em florestas públicas favorece o avanço do desmatamento e reforça a fragilidade da governança fundiária. A revisão da literatura atesta, portanto, que a concessão e a destinação de florestas públicas para povos e comunidades tradicionais constituem elemento central para fortalecer a governança territorial e gestão florestal na Amazônia, manter práticas de baixo impacto, fomentar a agroecologia e promover o desenvolvimento sustentável na região. Ajustamento hidráulico à seca em jovens sobreiros (Quercus suber L.) Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, Portugal Ajustamento hidráulico à seca em jovens sobreiros (Quercus suber L.) Moreno.S., Prazeres. V., Caldeira. M.C. Palavras-chave: Quercus suber L., alterações climáticas, embolismos, seca, curvas de vulnerabilidade O sobreiro (Quercus suber L.) é uma espécie mediterrânica de elevado valores ecológico, económico e social, mas encontra-se cada vez mais ameaçado pelas alterações climáticas, em particular pela redução da precipitação e pelo aumento da frequência e severidade dos eventos de seca. Em condições de stress hídrico, a formação e propagação de embolismos no xilema, isto é a expansão de bolhas de ar, pode comprometer o transporte de água, conduzindo potencialmente à falha hidráulica e mortalidade durante períodos prolongados de seca. Para avaliar a resposta à seca em sobreiros jovens provenientes de seis locais com diferentes tendências de diminuição de disponibilidade hídrica de longo prazo, estimadas pelo SPEI (Standardized Precipitation Evapotranspiration Index) ao longo dos últimos 38 anos, foi instalado um ensaio de seca em estufa. As plantas de cada proveniência cresceram durante dois anos sujeitas a dois tratamentos: rega regular e ciclos de seca. A resistência ao embolismo foi avaliada através do método pneumático, permitindo a construção de curvas de vulnerabilidade, e a estimativa dos parâmetros Y12, Y50, Y88 e S, correspondentes ao potencial hídrico do xilema a 12 %, 50 % e 88 % de embolização, e ao declive da curva, respetivamente. Os sobreiros sujeitos ao tratamento de seca apresentaram valores significativamente mais baixos de Y50 (p-value = 0.02301; média= -5.9533 ± 0.2436) e valores marginalmente mais baixos de Y88 (p-value = 0.05224; média = -7.4933 ± 0.41650). Estes resultados sugerem que a exposição experimental à seca promoveu o desenvolvimento de um sistema hidráulico xilémico mais resistente, uma vez que a propagação de embolismos ocorreu a potenciais hídricos mais negativos. Esta resposta poderá representar um mecanismo de ajustamento hidráulico face ao aumento do stress hídrico. No entanto, os resultados relativos às diferenças de SPEI entre proveniências são ainda preliminares e não evidenciam diferenças claras na resistência ao embolismo. Impactos da conversão de áreas florestais na qualidade do solo: integração de práticas sustentáveis e machine learning 1: Doutoranda do Curso TechAgro, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 2: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagística, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal; 3: CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal A conversão de áreas florestais em sistemas agrícolas constitui uma das principais alterações do uso da terra nos ecossistemas mediterrânicos, podendo afetar significativamente a qualidade do solo, a biodiversidade e a resiliência ambiental. No Norte Interior de Portugal, a substituição de povoamentos florestais por amendoais em solos frágeis, como os Leptossolos dístricos derivados do granito, levanta preocupações relacionadas com a degradação física e química do solo, nomeadamente perda de matéria orgânica, compactação, erosão e redução da capacidade de retenção de água. Simultaneamente, a adoção de práticas de gestão sustentáveis assume relevância crescente no contexto da adaptação às alterações climáticas e da conservação dos recursos edáficos. Este trabalho tem como objetivo avaliar os impactos de curto e médio prazo da conversão florestal em amendoal nas propriedades físicas e químicas de Leptossolos derivados do granito, comparando diferentes práticas de gestão do solo. Parte-se da hipótese de que práticas de gestão sustentável do solo, como a aplicação de corretivos orgânicos e a instalação de coberturas vegetais biodiversas, podem atenuar os efeitos negativos associados à mudança de uso do solo. Paralelamente, pretende-se explorar o potencial de técnicas de machine learning na monitorização da qualidade do solo e no apoio à tomada de decisão. O estudo está a ser desenvolvido na freguesia de Vale de Nogueiras (Vila Real, Portugal), através da instalação de quatro parcelas experimentais correspondentes a diferentes estratégias de gestão do solo: controlo, aplicação de corretivos orgânicos, instalação de coberturas verdes biodiversas e mobilização com escarificador. A primeira campanha de amostragem de solo já foi realizada, e as análises laboratoriais dos parâmetros físicos e químicos selecionados estão em curso. A monitorização será realizada anualmente nas profundidades de 0-5, 5-10 e 10-20 cm. Serão avaliados indicadores físicos e químicos associados à qualidade do solo, incluindo densidade aparente, porosidade, estabilidade de agregados, capacidade de retenção de água, matéria orgânica, pH, azoto total, fósforo e potássio extraíveis, bases de troca, acidez de troca e capacidade de troca catiónica. Os dados obtidos serão integrados em modelos preditivos baseados em machine learning, nomeadamente Random Forest e Gradient Boosting, com o objetivo de identificar fatores determinantes da qualidade do solo e prever riscos de degradação, como erosão, compactação, perda de nutrientes e défice hídrico. Espera-se quantificar a evolução temporal da qualidade edáfica em função das práticas de gestão adotadas e identificar soluções capazes de preservar a estrutura do solo, o teor de matéria orgânica e a disponibilidade de água. A investigação contribuirá para uma melhor compreensão dos efeitos da conversão florestal em sistemas agrícolas mediterrânicos e para o desenvolvimento de ferramentas de apoio à decisão baseadas em machine learning, promovendo uma gestão mais sustentável dos solos e dos agroecossistemas. Os primeiros resultados permitirão estabelecer uma linha de base para avaliar a evolução temporal da qualidade do solo após a conversão florestal. Dynamics of unisexual flower development in Holm Oak (Quercus ilex L.) 1: CBMA (Centre of Molecular and Environmental Biology), University of Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal; 2: BIOPOLIS Program in Genomics, Biodiversity and Land Planning, CIBIO, Campus de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal; 3: CIBIO, Research Centre in Biodiversity and Genetic Resources, InBIO Associate Laboratory, Campus de Vairão, Universidade do Porto, 4485-661 Vairão, Portugal The initiation of floral structures is a crucial step in the lifecycle of plants. In model species, the various endogenous and environmental cues that coordinate flowering generally converge in the expression of FLOWERING LOCUS T (FT), the major flowering activator. FT encodes a mobile protein that is expressed in the leaves and migrates towards the shoot apical meristem, where it activates the expression of the floral integrators SUPPRESSOR OF OVEREXPRESSION OF CONSTANS1 (SOC1), LEAFY and APETALA1 (AP1), thus leading to the conversion of a vegetative into a reproductive state. Further downstream, the identity of each floral organ is specified by the combined expression of distinct classes of MADS-box transcription factors, with different combinations leading to the formation of each organ, as outlined by the ABCDE model. In the Fagaceae family, the dynamics of floral induction and development have been studied in Quercus suber and Castanea sativa, revealing contrasting induction schedules between the two species. However, despite the great economic and ecological importance of this family, studies on the mechanisms that regulate flowering in other species remain scarce. In this work, the expression of floral integrators was analysed in Quercus ilex, an evergreen oak species that plays a fundamental role in mediterranean environments. Throughout the year, two FT expression peaks were detected, each followed by the upregulation of SOC1 and floral homeotic genes within the buds. This suggests the occurrence of two separate flowering induction events, in similarity to previous works with Q. suber. Furthermore, the expression of B- and C-class genes in male and female flowers was found to be sex-biased, with B-class genes being predominantly expressed in the male flowers. In particular, the B-class gene PISTILLATA was found to be exclusively expressed in male flowers, suggesting a pivotal role of this gene in unisexual flower identity. Overall, the results here presented constitute an important step forward in understanding the mechanisms of unisexual flower development in Q. ilex. Análise do teor de humidade de combustíveis florestais: comparação de medições de campo e o Fuel Stick 1: Ci2 — Centro de Investigação em Cidades Inteligentes / Smart Cities Research Center, Instituto Politécnico de Tomar, 2300-313 Tomar, Portugal; 2: Universidade de Coimbra, ADAI, Departamento de Engenharia Mecânica, Rua Luís Reis Santos, Pólo II, 3030-788 Coimbra, Portugal; 3: Universidade Lusófona – Porto, Departamento de Proteção Civil, Faculdade de Ciências Naturais, Engenharias e Tecnologias, Rua Augusto Rosa, 24, 4000-098 Porto, Portugal; 4: Centro de Matemática, Universidade do Minho, 4710-057 Braga, Portugal O teor de humidade dos combustíveis florestais constitui um dos principais parâmetros na avaliação do risco de incêndio, influenciando diretamente a ignição e a propagação do fogo. No contexto das alterações climáticas e da crescente variabilidade das condições meteorológicas, torna-se cada vez mais relevante recorrer a metodologias de monitorização contínua e em tempo real, que permitam melhorar a precisão das previsões. Neste contexto, a utilização de sensores de deteção remota, como os Fuel Sticks, é uma solução para a estimativa da humidade dos combustíveis florestais. Estes sensores permitem a recolha contínua de dados, possibilitando a integração e codificação da informação em sistemas de apoio à decisão, fundamentais para a gestão e mitigação do risco de incêndio. No âmbito do projeto FMC-Fire temos já instalados cinco sensores Fuel Stick, de origem americana (Campbell Scientific). O presente trabalho tem como objetivo avaliar a fiabilidade dos dados obtidos através de um sensor Fuel Stick, mediante a sua comparação com medições diretas realizadas em campo. O estudo foi realizado no sensor localizado em Ferreira do Zêzere, tendo sido efetuadas medições de campo com periodicidade horária entre as 9h e as 18h. Para o efeito, foram recolhidas amostras de combustíveis florestais mortos representativos, nomeadamente caruma de pinheiro, folhas secas de eucalipto e troncos de pinheiro com diâmetro semelhante ao do sensor, de modo a assegurar a comparabilidade entre métodos. As amostras destes combustíveis foram posteriormente analisadas para determinação do respetivo teor de humidade, permitindo estabelecer uma base de comparação com os dados registados pelo sensor. Os resultados obtidos permitem avaliar o grau de concordância entre as medições de campo e os valores estimados pelo Fuel Stick, contribuindo para a validação desta tecnologia em condições reais. A melhor concordância foi observada para o tronco de Pinus pinaster, mostrando uma resposta temporal semelhante para todos os combustíveis analisados. Este estudo reforça a importância da monitorização contínua e do uso de ferramentas de medição remota como suporte à previsão e gestão do risco de incêndio florestal. Este trabalho de investigação é desenvolvido no âmbito do projeto FMC-Fire (COMPETE2030-FEDER-00920900). Geographical distribution and incidence of chestnut brown rot in the Trás-os-Montes region CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal Sweet chestnut (Castanea sativa Miller) is a high-value food crop with significant social and economic importance in the mountainous rural regions of Portugal. Its production has also become increasingly relevant in agriculture and forest restoration worldwide, contributing to economic development, food security, and environmental sustainability. However, chestnut yield and nut quality are being compromised by brown rot disease, caused by the fungus Gnomoniopsis (Sirococcus) smithogilvyi, which affects the kernel, resulting in brown lesions in the endosperm and embryo and thereby reducing the economic viability of chestnut production. This study aimed to evaluate the geographical distribution and incidence of chestnut brown rot in orchards located in northeastern Portugal. A total of 51 orchards were selected across different geographical areas of the Terras de Trás-os-Montes Intermunicipal Community (CIM-TTM), including important chestnut-producing municipalities such as Bragança, Parada, Vimioso, and Vinhais. In each orchard, six trees were sampled, and 15 chestnuts were collected from each tree during the 2025 harvest season. The nuts were then subjected to both external and internal visual assessments. The external assessment included the quantification of chestnuts showing signs of pest infestation, damage, or visible fungal growth. The internal assessment involved recording the number of chestnuts exhibiting rot symptoms, as well as the type and severity of rot observed. The results demonstrated the presence of chestnut brown rot in all sampled areas, although incidence and severity varied among locations. Mean disease incidence ranged from 10% to 22%, with the highest infection levels recorded in chestnut orchards located in the municipality of Vimioso. Regarding disease severity, most infected chestnuts showed moderate symptoms, including internal discoloration and partial tissue degradation. In some locations, severe symptoms associated with advanced rot stages were also observed. The highest average severity was recorded in Vinhais municipality, although the orchard with the highest severity level was located in Vimioso. This study confirmed the widespread occurrence of chestnut brown rot in northern Portugal. These findings highlight the need to implement phytosanitary monitoring and disease management strategies to minimise economic losses and improve chestnut quality. Additionally, the epidemiology of the disease will be analysed in relation to edaphic, agronomic, and climatic factors considered in this study. Projeto SEVEREFIRE: avaliar a severidade do fogo para apoiar a gestão florestal num clima em mudança 1: Instituto Politécnico de Coimbra, Escola Superior Agrária de Coimbra, Bencanta, 3045-601 Coimbra, Portugal; 2: CERNAS – Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade; 3: Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Inov4Agro, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Quinta de Prados, 5000-801 Vila Real, Portugal; 4: Centro de Ecologia Aplicada “Prof. Baeta Neves” (CEABN-InBIO), Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 5: Department of Biodiversity and Environmental Management, Faculty of Biological and Environmental Sciences, University of León, 24071 León, Spain Portugal é o país europeu mais afetado por incêndios florestais, situação que poderá agravar-se num contexto de alterações climáticas. O entendimento da severidade do fogo - o grau de impacto do incêndio sobre a vegetação e, em particular, sobre as árvores, é essencial para avaliar a mortalidade pós-fogo, a capacidade de regeneração, os efeitos ecológicos dos incêndios e a adequação das opções de gestão florestal antes e depois do fogo. Apesar da existência de vários estudos sobre severidade do fogo em Portugal, continua a faltar uma avaliação integrada à escala nacional, comparável entre os principais tipos de floresta e traduzida em ferramentas operacionais de apoio à decisão. O projeto SEVEREFIRE - Avaliar a severidade do fogo para apoio a uma gestão florestal sustentável num clima em mudança, iniciado em janeiro de 2026 e com a duração de três anos, pretende responder a esta lacuna, articulando trabalho de campo, deteção remota, modelação estatística e cenários climáticos futuros. O projeto é coordenado pelo Instituto Politécnico de Coimbra, em colaboração com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, cobrindo diferentes regiões do país e integrando competências complementares em ecologia do fogo, gestão florestal e deteção remota. O estudo incide sobre os principais tipos de floresta em Portugal - pinhais de pinheiro-bravo, eucaliptais e florestas de folhosas nativas, que representam grande parte da área florestal nacional. O SEVEREFIRE estrutura-se em torno de cinco questões principais: que relações existem entre severidade do fogo e efeitos nas árvores; que métodos de deteção remota são mais adequados para avaliar a severidade; que tipos de floresta apresentam menor severidade sob condições ambientais semelhantes; que fatores favorecem fogos de copas; e como poderá a severidade evoluir em cenários climáticos futuros. A abordagem metodológica prevê a seleção de áreas de estudo que consistem em pares de diferentes tipos de florestas adjacentes, ardidas em incêndios anteriores (entre um e três anos passados) ou recentes (há menos de duas semanas). Nestas áreas, são recolhidos indicadores de severidade do fogo, estrutura dos povoamentos, mortalidade das árvores, regeneração vegetativa e recrutamento de novas plantas. Estes dados são cruzados com informação de imagens de satélite, com o objetivo de testar a precisão de diferentes métodos de avaliação da severidade na floresta. O estudo inclui ainda a análise da probabilidade e dos fatores associados à ocorrência de fogo de copas, bem como a projeção da severidade do fogo em cenários de alterações climáticas. Para além da produção científica, o projeto tem uma forte componente aplicada, prevendo-se a entrega de três produtos principais: uma aplicação móvel para apoiar a previsão de efeitos pós-fogo, um guia técnico sobre métodos de avaliação da severidade com deteção remota e um relatório técnico sobre severidade do fogo nas florestas portuguesas. Estes produtos destinam-se a gestores florestais, proprietários, decisores públicos, técnicos e estudantes, procurando apoiar escolhas mais informadas na gestão pós-incêndio, no planeamento florestal e na adaptação das paisagens ao risco de incêndio. Este poster apresenta os objetivos, a metodologia e os produtos previstos do SEVEREFIRE, para divulgar um projeto que pretende contribuir para florestas mais resilientes, sustentáveis e adaptadas a regimes de fogo em transformação. Ophelimus ramorum: uma nova vespa-das-galhas associada a Eucalyptus globulus em Portugal 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária; 2: GREEN-IT Bioresources for Sustainability, Instituto de Tecnologia Química e Biológica, Universidade Nova de Lisboa; 3: RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel; 4: Altri Florestal, S.A. Nas últimas décadas, as plantações de eucalipto têm sido afetadas pela introdução crescente de insetos exóticos invasores, incluindo várias espécies formadoras de galhas. Neste trabalho é apresentada uma nova espécie invasora do género Ophelimus (Hymenoptera: Eulophidae), detetada em Portugal em Eucalyptus globulus. Os ataques foram observados em várias regiões do centro e norte de Portugal, sobretudo em árvores jovens. Ao contrário da maioria das espécies invasoras deste género, que formam galhas nas folhas, O. ramorum induz galhas principalmente em ramos juvenis, ocorrendo também ocasionalmente nos pecíolos e nervura principal das folhas. As galhas apresentam forma oval a elipsoidal e podem ocorrer isoladas ou agrupadas em elevada densidade. Em situações de ataque intenso observaram-se deformações dos ramos, fendilhamento, secura de rebentos e atraso no crescimento das plantas. A nova espécie, designada como Ophelimus ramorum, foi identificada através de uma abordagem que combinou observações biológicas, caracteres morfológicos e análise molecular. Os estudos realizados mostraram que a espécie aparenta estar restrita a E. globulus, não tendo sido detetada noutras espécies de eucalipto avaliadas em condições de campo. A análise molecular confirmou que se trata de uma espécie distinta de outros Ophelimus já descritos. Não foram observados machos durante o estudo, sugerindo reprodução partenogenética. A fenologia da espécie revelou a presença contínua de diferentes estados de desenvolvimento ao longo do período de amostragem, sugerindo gerações sobrepostas. Foi ainda detetada a presença do parasitoide Closterocerus chamaeleon, inimigo natural conhecido de outras espécies de Ophelimus, embora os níveis de parasitismo observados tenham sido reduzidos. A deteção desta nova espécie representa uma ameaça adicional para a produtividade das plantações de E. globulus em Portugal. Encontram-se atualmente em desenvolvimento estratégias de mitigação, incluindo a avaliação da suscetibilidade de diferentes clones e famílias de eucalipto e o potencial de controlo biológico por parasitoides. Diagnóstico de patógenos florestais de quarentena: O papel dos laboratórios acreditados na resiliência do setor florestal nacional 1: FITOLAB - Laboratório de Fitossanidade, Instituto Pedro Nunes, Coimbra; 2: Centre for Functional Ecology, Laboratório Associado TERRA, Departamento de Ciências e Vida, Universidade de Coimbra, Coimbra As alterações climáticas e o comércio internacional de material vegetal têm potenciado a introdução e dispersão de patógenos nos ecossistemas florestais. Perante este cenário, a resiliência e a sustentabilidade do setor florestal nacional dependem de uma rede sólida de laboratórios de diagnóstico. A acreditação destas infraestruturas, sob referenciais normativos como a norma NP EN ISO/IEC 17025, assume um papel crucial ao garantir a competência técnica, a rastreabilidade e a harmonização internacional. Estes atributos asseguram a emissão de resultados com elevada sensibilidade, especificidade e rapidez, fatores determinantes para o sucesso de medidas de erradicação ou contenção de ameaças fitossanitárias emergentes. Neste contexto, o FITOLAB (Laboratório de Fitossanidade do Instituto Pedro Nunes), infraestrutura tecnológica acreditada pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC), assume-se como um parceiro no suporte técnico-científico ao setor florestal português. A atividade do laboratório foca-se no desenvolvimento, verificação e implementação de metodologias direcionadas para organismos de quarentena regulados pela Organização Europeia e Mediterrânica de Proteção de Plantas (EPPO). Atualmente, o fluxo operacional do FITOLAB prioriza três patógenos que ameaçam o património florestal nacional: o nemátode-da-madeira-do-pinheiro (Bursaphelenchus xylophilus), agente causal da doença-da-murchidão-do-pinheiro, que reduziu a área de Pinus pinaster no país e já afeta P. sylvestris e P. nigra; o fungo Fusarium circinatum, responsável pelo cancro-resinoso-do-pinheiro e com forte impacto em viveiros e povoamentos de Pinus spp. e Pseudotsuga menziesii; e a bactéria Xylella fastidiosa, caracterizada por uma elevada polifagia, que devasta culturas agrícolas e infeta géneros florestais como Acacia, Acer, Arbutus, Castanea, Fraxinus, Laurus, Quercus, Salix e Sambucus. As metodologias implementadas assentam no cumprimento das normas técnicas da EPPO. Para a deteção de B. xylophilus, são usadas análises morfológicas e diagnóstico molecular por PCR em tempo real. No caso de F. circinatum, a abordagem integra a deteção molecular a partir de tecidos vegetais sintomáticos ou não sintomáticos, plantas de viveiro e sementes, complementada com o isolamento seletivo quando necessário. Relativamente a X. fastidiosa, dada a sua biologia complexa e multiplicidade de insetos vetores, recorre-se a protocolos moleculares validados para matrizes heterogéneas de hospedeiros e vetores. Para além destes três eixos, o FITOLAB realiza também análises para deteção de Phytophthora spp. e fungos diversos em amostras de povoamentos florestais ou materiais florestais de reprodução. Num período correspondente a cinco anos (2021–2025), o FITOLAB realizou mais de 32 000 análises fitossanitárias, demonstrando elevada capacidade de execução através do processamento de quase 27 000 amostras para deteção de X. fastidiosa, mais de 5 000 para B. xylophilus, cerca de 500 para F. circinatum e 32 para Phytophthora spp. Através destes programas de monitorização e de capacidade de resposta, o FITOLAB tem atuado em articulação com a Direção Geral de Alimentação e Veterinária, Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, proprietários florestais, viveiristas e empresas ligadas à fileira florestal, convertendo a investigação aplicada e a acreditação laboratorial em ferramentas estratégicas para a salvaguarda da sanidade das florestas nacionais. Membranas de pontuações vaso-traqueídeo mais espessas podem limitar a propagação de embolismos no sobreiro (Quercus suber L.) 1: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Insituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 2: Institut für Botanik, Universidade de Ulm, Alemanha O sobreiro (Quercus suber L.) é uma espécie de elevado valor económico, ecológico e social em Portugal, mas os montados de sobro estão cada vez mais ameaçados por secas intensas e frequentes associadas às alterações climáticas. A seca pode comprometer o transporte hidráulico através da formação e propagação de embolismos no xilema, isto é, bolhas de ar que bloqueiam o transporte de água das raízes até às folhas. A estrutura anatómica do xilema, nomeadamente o diâmetro dos vasos e traqueídeos, e a espessura das membranas das pontuações, poderá influenciar a vulnerabilidade à cavitação e, consequentemente, a resistência à seca. Este estudo teve como objetivo analisar características anatómicas do xilema do sobreiro potencialmente associadas à resistência hidráulica. Fizeram-se observações de cortes transversais de raminhos de sobreiros provenientes de duas localizações com diferentes disponibilidades hídricas de longo termo: Vila Viçosa e Companhia das Lezírias. Os cortes foram observados por microscopia de luz para medição do diâmetro dos vasos e por microscopia eletrónica de transmissão para medição da espessura das membranas de pontuações vaso-traqueídeo e traqueídeo-traqueídeo. O xilema do sobreiro apresentou vasos maioritariamente solitários rodeados por traqueídeos. As membranas das pontuações vaso-traqueídeo foram substancialmente mais espessas do que das pontuações traqueídeo-traqueídeo (800.17 ± 11.56 nm e 400.79 ± 7.34 nm, respetivamente). Esta diferença poderá potencialmente contribuir para limitar a propagação de embolismos dos vasos para os traqueídeos, compensando parcialmente a maior vulnerabilidade hidráulica associada ao maior diâmetro dos vasos. Não foram detetadas diferenças significativas no diâmetro dos vasos nem na espessura das membranas das pontuações entre as duas localizações. A Preliminary Image Analysis of Cork Oak Wood Anatomy in Fertigated Trees 1: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Agronomia, Apartado 1013, Quinta de Prados, 5001-801 Vila Real, Portugal; 2: CREATE – Center for Sci-Tech Research in Earth System and Energy, Universidade de Évora, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal; 3: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, Universidade de Évora, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal; 4: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista, Apartado 1013, Quinta de Prados, 5001-801 Vila Real; 5: CITAB - Centre for the Research and Technology of Agro-Environmental and Biological Sciences, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Quinta de Prados, 5001-801 Vila Real; 6: Universidade de Évora, Departamento de Fitotecnia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004-516 Évora, Portugal; 7: Universidade de Évora, Departamento de Biologia, Escola de Ciências e Tecnologias, Largo dos Colegiais 2, 7004516 Évora, Portugal Some projects conducted by the University of Évora aim to promote cork oak development and vitality through summer irrigation, as a response to the observed tree decline and productivity loss in areas where water resources are available and can be used in an affordable and resource-efficient manner. The aim of this exploratory study is to determine the effect of supplemental water on wood anatomy. For this purpose, cross-sections from cork oak twigs were examined using histological methods and fluorescence microscopy. Phellem, phellogen, as well as xylem and xylem vessels, were observed, and selected components were quantified to assess the histological effects of irrigation. We found larger vessels in samples from fertirrigated trees, which may be related to increased water availability. With regard to phellogen analysis, no differences in cell width were observed. These findings, although based on a limited number of samples and considered exploratory, are expected to contribute to a better understanding of cork oak responses to water availability and the resilience of these forests at the anatomical level. Acknowledgements: This work is funded by Agenda Transform, project no. C644865735-00000007, following the Mobilization Agendas for Business Innovation (Notice No. 02/C05-i01/2021), supported by the Recovery and Resilience Plan (PRR) and European Funds NextGeneration EU. We also thank to national Funds by FCT –Portuguese Foundation for Science and Technology, under the projects UID/04033/2025: Centre for the Research and Technology of Agro-Environmental and Biological Sciences and LA/P/0126/2020 (https://doi.org/10.54499/LA/P/0126/2020), and by national funds through FCT – Portuguese Foundation for Science and Technology, I.P., in the framework of the UID/06107/2025 – Center for sci-tech Research in EArth sysTem and Energy (CREATE), DOI https://doi.org/10.54499/UID/06107/2025. Resinagem tradicional ou mecanizada? Impacto na produção de resina de pinheiro-bravo em diferentes contextos climáticos 1: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; 2: Centro de Pesquisa e Tecnologia em Ciências Agroambientais e Biológicas, CITAB, Inov4Agro, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; 3: Raízes Independentes Lda, Vila Real, Portugal A bioeconomia promove a utilização dos recursos biológicos renováveis na produção de alimentos, energia, serviços e produtos de valor agregado, visando reduzir a dependência de recursos fósseis, promover a descarbonização e assegurar a sustentabilidade. Neste contexto, as florestas desempenham um papel fundamental devido ao fornecimento de produtos florestais lenhosos e não lenhosos, dos serviços de ecossistema e ao sequestro de carbono. A resina natural de pinheiro destaca-se como uma matéria-prima renovável, biodegradável e pela substituição dos recursos de origem fóssil em diversas aplicações, ou seja, benefícios alinhados com os princípios da bioeconomia. Adicionalmente, proporciona benefícios económicos e financeiros ao proprietário florestal, ao resineiro e à região onde acontece. Deste modo, aumentar o conhecimento da resinagem e investigar métodos mais eficientes pode contribuir para a sustentabilidade da atividade. O estudo teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes métodos de resinagem na produção de resina de pinheiro-bravo, bem como a influência do clima na sua produtividade. O estudo foi conduzido em três povoamentos de pinheiro-bravo localizados em Tresminas, Isna e Nazaré, de modo a representar a variabilidade climática das regiões onde a atividade é significativa. Em cada local foram avaliados o método tradicional e o método mecanizado, instalados em 30 árvores cada um. A resinagem foi realizada entre abril e outubro de 2025, utilizando a pasta estimulante tradicional e efetuando-se pesagens periódicas a cada 21 dias. Foram obtidos os dados climáticos, nomeadamente a temperatura, precipitação e evapotranspiração, referentes ao período de resinagem. A produção de resina foi avaliada entre tratamentos e locais por ANOVA e teste de comparação de médias. Adicionalmente, foram realizadas análises de correlação de Spearman entre as variáveis climáticas e a produção de resina em cada local. Independentemente do método, Nazaré foi o local com maior produção de resina e Tresminas o de menor produção. O método tradicional de resinagem em pinheiro-bravo apresentou produções de resina significativamente superiores às obtidas pelo método mecanizado em Nazaré e Isna. Em Tresminas, o método tradicional teve maior produção, mas não houve diferença estatisticamente significativa entre eles. Relativamente às variáveis climáticas, o método tradicional apresentou mais correlações significativas entre as diferentes variáveis e a produção de resina do que o método mecanizado, nomeadamente em Nazaré. O método mecanizado apresentou correlações significativas e fortes apenas com a evapotranspiração em Nazaré e com a temperatura em Isna. De uma forma geral, independentemente do local e do método utilizado, as maiores produções ocorreram em períodos caracterizados por altas temperaturas e baixas precipitações. Embora o método tradicional tenha apresentado maior produção de resina, o método mecanizado tem vantagens qualitativas que não devem ser desconsideradas no momento de decisão. Efetivamente, verifica-se uma redução do teor de impurezas na resina, aumento do teor de terebentina coletada, torna a atividade mais limpa, proporciona melhores condições de trabalho e eficiência da operação. Estudo no âmbito Projeto RN21 - Inovação na Fileira da Resina Natural para Reforço da Bioeconomia Nacional, cofinanciado pelo Fundo Ambiental. Estudo financiado por Fundos Nacionais através da FCT, no âmbito dos projetos UID/04033/2025 e LA/P/0126/2020. Avaliação do impacto da resinagem na qualidade tecnológica e aptidão estrutural da madeira de pinheiro-bravo 1: Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; 2: Centro de Pesquisa e Tecnologia em Ciências Agroambientais e Biológicas, CITAB, Inov4Agro, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; 3: Universidade Federal do Oeste do Pará, Brasil Historicamente, a extração de resina de pinheiro-bravo tem desempenhado uma atividade complementar importante para a economia rural. No entanto, a sua coexistência com a produção de madeira de qualidade sempre gerou debates e incertezas técnicas, levando, frequentemente, à sua desvalorização. Neste estudo pretende-se investigar se a resinagem altera as propriedades físicas, químicas, mecânicas e anatómicas da madeira e, consequentemente avaliar se essas alterações podem comprometer a sua qualidade e o seu valor comercial. O estudo baseou-se em amostras recolhidas em 20 árvores da região de Tresminas: 10 árvores submetidas a resinagem durante quatro anos, através do método tradicional, e 10 árvores não resinadas. As amostras foram retiradas de diferentes posições no tronco em relação ao local da incisão, tendo sido analisadas amostras do lado resinado e do lado oposto e de uma zona 50 cm acima da última incisão, de modo a verificar se os efeitos da extração eram sistémicos ou apenas localizados e comparados com amostras das árvores não resinadas. Os resultados demonstraram que a resinagem provoca algumas alterações, mas estas são predominantemente locais e não se verificam à totalidade do tronco. A densidade da madeira no lado da incisão revelou-se significativamente superior (0,596 g.cm⁻³) em comparação com o lado oposto e com as árvores não resinadas. Este fenómeno deve-se ao aumento drástico no teor de extrativos na zona da incisão, que atingiu um valor total de 7,49%. Esta maior impregnação de resina pode ser benéfica para certos usos, tornando a madeira localmente mais resistente à biodegradação e menos higroscópica. A resinagem não compromete o desempenho mecânico da madeira. Os testes de flexão estática mostraram que não existem diferenças estatisticamente significativas no Módulo de Elasticidade (MOE) e no Módulo de Rutura (MOR) entre árvores resinadas e não resinadas demonstrando que a madeira mantém a sua viabilidade como material estrutural de alta qualidade. Ao nível anatómico, verificou-se que a resinagem estimula a formação de canais de resina. O número médio de canais de resina nos anéis de crescimento após a incisão subiu de 10,6 para 14,0, embora a área média de cada canal não tenha sofrido alterações significativas. No que toca ao crescimento radial, o estudo concluiu que a resinagem não afetou a largura dos anéis de crescimento. Isto sugere que o pinheiro-bravo consegue manter um equilíbrio funcional na alocação de carbono, garantindo o seu crescimento normal enquanto investe na produção de resina como mecanismo de defesa. O estudo conclui que a coprodução de resina e madeira é viável e não desvaloriza o produto final lenhoso. A resinagem apresenta-se como uma estratégia de gestão multifuncional que permite gerar receitas intermédias para os produtores e contribuir para o desenvolvimento socioeconómico das regiões rurais, sem sacrificar as propriedades tecnológicas que tornam o pinheiro-bravo um material de eleição para a indústria. Estudo no âmbito Projeto Integrado RN21 - Inovação na Fileira da Resina Natural para Reforço da Bioeconomia Nacional, cofinanciado pelo Fundo Ambiental através da Componente 12 – Promoção da Bioeconomia Sustentável - Investimento TC-C12-i01 - Bioeconomia Sustentável. Este estudo foi financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, no âmbito dos projetos UID/04033/2025 e LA/P/0126/2020 (https://doi.org/10.54499/LA/P/0126/2020). O melhoramento genético do eucalipto em Portugal e o seu potencial para a Galiza 1: PROePLA, Departamento de Produção Vegetal e Projetos de Engenharia, Escola Politécnica Superior de Engenharia, Campus Terra, Universidade de Santiago de Compostela, Lugo 27002, Espanha; 2: Altri Florestal, Quinta do Furadouro, 2510-582 Olho Marinho, Portugal O melhoramento genético do eucalipto constitui uma ferramenta estratégica para responder aos desafios atuais das florestas de eucalipto em Portugal e na Galiza, nomeadamente as alterações climáticas, o aumento de pragas e doenças e a necessidade de sistemas produtivos mais resilientes. As duas espécies mais comuns nestas duas regiões são a Eucalyptus globulus que predomina em Portugal e a Eucalyptus nitens que predomina na Galiza embora ambas as espécies existem nas duas regiões. Embora estas espécies continuem a ser dominantes devido à sua elevada produtividade e qualidade industrial, o contexto atual evidencia limitações associadas à sua vulnerabilidade a stress biótico e abiótico. Neste enquadramento, o desenvolvimento de novos genótipos e, particularmente, de híbridos interespecíficos surge como uma abordagem promissora para aumentar a diversidade genética, combinando características como tolerância à seca e frio, resistência a pragas e doenças e adaptação a condições edafoclimáticas variadas. O programa de melhoramento integra recursos genéticos diversificados, incluindo espécies alternativas e redes de ensaios recentemente reforçadas, permitindo avaliar o desempenho em crescimento, sobrevivência e qualidade da madeira. Este trabalho destaca ainda a importância de necessidade de se instalar uma rede de ensaios na Galiza como plataforma de validação em contextos ambientais contrastantes, reforçando a cooperação ibérica. Neste sentido, a abordagem adotada para a região da Galiza, onde a instalação da rede de ensaios apresenta como novidade metodológica uma perspetiva que parte dos requisitos exigidos pela indústria de primeira transformação em relação à homogeneidade e ao rendimento. As necessidades da indústria são transpostas para as capacidades técnicas do território, estabelecidas de acordo com critérios de logística e segurança jurídica na produção. Por fim, a partir de uma abordagem mais tradicional de um programa de melhoramento genético, para as zonas prioritárias estabelecidas na etapa anterior, serão analisadas variáveis críticas, objetivas e subjetivas relacionadas com o solo (qualidade física e química), o clima (períodos de produção, paragens por seca ou frio) e a presença e potencial de propagação de pragas. Todas estas variáveis serão analisadas numa escala espacial de 1 km² para posteriormente serem integradas num sistema de apoio à decisão (SAD) que permita determinar as zonas ótimas para a instalação de parcelas e o seu posterior monitorização. Early detection of pinewood nematode through emitted volatiles 1: INIAV, I.P., National Institute for Agrarian and Veterinary Research, Quinta do Marquês, 2780-159 Oeiras, Portugal & GREEN-IT Bioresources for Sustainability, Instituto de Tecnologia Química e Biológica, Universidade Nova de Lisboa (ITQB NOVA), Av. da República, 2780-157 Oeiras, Portugal; 2: Chemistry and Biochemistry Department of Science and Technology School & HERCULES Laboratory, Évora University, Largo Marquês de Marialva 8, 7000-809 Évora, Portugal A timely detection of forest pests and pathogens is essential to prevent widespread outbreaks; however, traditional diagnostic approaches - e.g., morphological identification and molecular confirmation - are often slower, labor-intensive, and dependent on specialized expertise. In the case of the quarantine phytoparasite Bursaphelenchus xylophilus (pinewood nematode, PWN), the causal agent of pine wilt disease, definitive identification can take up to 15 days. Volatile organic compounds (VOCs) have recently emerged as promising biomarkers for an early diagnosis of plant diseases. Thermal desorption coupled to gas chromatography–mass spectrometry (TD-GC/MS) allows for sensitive and non-destructive profiling of emitted volatiles, while emerging sensor-based tools - including electronic noses (e-noses) and portable VOC detectors - offer promising avenues for field-based monitoring. Beyond enabling earlier detection, VOC profiling can also provide insights into host–pathogen interactions, supporting the development of more effective integrated pest management strategies. In this study, we characterized VOC emissions from in vitro monoxenic cultures of the PWN feeding on fungal mats of Botrytis cinerea, with the aim of identifying nematode-specific volatile signatures. Using TD-GC/MS, several compounds were associated with PWN population growth. Among these, 2-methyl-4-heptanone and 2-methyl-4-heptanol were the major emitted VOCs and were proposed to function as aggregation pheromones. Overall, this preliminary study highlights the potential of VOC-based biomarkers as a rapid, reliable, and scalable approach for monitoring pinewood nematode infections, contributing to more sustainable forest protection practices. Avaliação de custos operacionais na resinagem de Pinheiro-bravo nos sistemas de sacos abertos e fechados: Um estudo comparativo em três regiões de Portugal. Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, Portugal A fileira do pinheiro-bravo contribui de forma relevante para a economia e sustentabilidade de Portugal, porém, a baixa liquidez da atividade com aportes muito esporádicos de receitas, exige que a pesquisa florestal busque alternativas para que o fluxo de capital seja mais contínuo e regular. A exploração dos pinhais para a produção de resina, pode, a partir de uma determinada idade, fornecer liquidez anual e como mais-valia, manter o pinhal vigiado nos períodos mais críticos para a ocorrência de fogos. Apesar da posição estratégica da exploração de resina como atividade sustentável e promotora da descarbonização e da bioeconomia, existem lacunas quanto à sua viabilidade financeira face a fatores como concorrência externa e instabilidade nos preços pagos pela indústria consumidora de matéria prima. O objetivo desse trabalho foi estimar a partir da pesquisa de tempos e movimentos e do levantamento de custos operacionais, o custo unitário em kg da resina entregue à indústria de transformação primária em Portugal nos sistemas de resinagem em sacos abertos e em sacos fechados em três áreas distintas, Nazaré, Oleiros e Tresminas. Para a modelação económica e análise dos custos, desenvolveu-se um modelo conceptual do sistema produtivo, que permitiu a decomposição analítica de cada fase do processo e a sua correlação direta com os fatores de produção e custos unitários associados, a seguir, recolheram-se os dados de tempos e movimentos no campo preliminarmente para as operações de instalação de sacos abertos e recolha e limpeza de sacos fechados. Após a recolha dos dados e os cálculos das produtividades por operação, foram levantados os custos relacionados à mão de obra (salários e impostos), equipamentos, maquinaria (depreciações e consumíveis), insumos (sacos e pasta estimulante) e custos administrativos. Para a determinação dos custos adotou-se a metodologia indicada no documento “Cost Control in Forest Harvesting and Road Construction” (FAO, 1999). Os custos em Euros/kg foram proporcionalizados com as produções e obtidos os custos de produção unitário por operação em cada local. Os resultados preliminares apontam os valores de € 0,08/kg em Nazaré, € 0,10/kg em Oleiros e € 0,19/kg em Tresminas para a operação de instalação de sacos fechados. Para as operações de recolha e limpeza de sacos abertos, os valores calculados foram de € 0,23/kg e € 0,06/kg para Nazaré; € 0,32/kg e € 0,09/kg para Oleiros e € 0,55/kg e € 0,16/kg para Tresminas. Os resultados preliminares indicam menores custos unitários nas áreas mais produtivas. Como continuidade dos trabalhos serão recolhidos os demais dados para a determinação do custo unitário de cada processo completo, que depois serão submetidos a uma análise de sensibilidade face ao preço de mercado pago pela indústria de transformação a fim de se verificar os resultados financeiros do processo. Os custos também permitirão a análise dos fluxos de caixa para determinar os indicadores de VAL (Valor Atual Líquido), TIR (Taxa Interna de Retorno), Payback e ILL (Índice de Lucratividade Líquida). Estudo no âmbito "Projeto Integrado RN21 – Inovação na Fileira da Resina Natural para Reforço da Bioeconomia Nacional, cofinanciado pelo Fundo Ambiental através da Componente 12 – Promoção da Bioeconomia Sustentável. Este trabalho foi financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, no âmbito dos projetos UID/04033/2025 e LA/P/0126/2020 (https://doi.org/10.54499/LA/P/0126/2020). Transform experimental forest plots network. Soil survey data for the ISA ICP Forest Level II plots 1: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; Portugal; 2: MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, Universidade de Évora The Transform P1.3 REF “Network of experimental forest plots” project established a network of permanent plots covering the primary forest species and associated silvicultural systems in Portugal. The project will also provide complementary data to that of the National Forest Inventory, enabling Portugal to join the European network of ICP Forest plots and make data available to the national and European scientific communities on the state of Portuguese forests. ICP Forests monitors the influence of air pollutants, climate change and other stressors on the condition of forest ecosystems at two levels of monitoring intensity. Seven ICP Level II plots were installed under the supervision of ISA. There are four plots of maritime pine, two of cork oak, and one of Portuguese oak. For this type of plots, a pedological characterization and soil sampling at fixed depths are mandatory. In the border areas of each plot, a soil profile was opened, and samples were collected from each horizon for physicochemical characterization. The soil classification followed the World Reference Base for Soil Resources (WRB) 2022. Sampling was also carried out in each plot at depths of 0–10, 10–20, 20–40, and 40–80 cm. Organic and mineral layers were collected at 24 sampling points spaced 5 m apart. Four composite samples were formed for each plot, resulting from the combination of six different sampling points. This work presents the initial soil monitoring values for these plots according to the following set of parameters: Carbon and nitrogen – Ctot (total organic carbon), Ntot (total nitrogen); Nutrients - P, Ca, Mg, K, S, Mn; Acidity, Exchange characteristics -pH, Carbonates, CEC (cation exchange capacity), BS (base saturation), Exchangeable cations, Exchangeable Acidity, Reactive Fe and Al Heavy metals - Pb, Cu, Zn, Cd, Cr, Ni, Hg Physical soil parameters - Particle size distribution and soil texture, Organic layer mass. The pedological characterisation of the soil in the plots at the profile level will help to identify which types of soil are most prevalent in which types of forest and establish their relationship with the state of the forest, within the framework of the future Portuguese ICP Forest network. The data obtained for each plot will form the basis for studying the effects of the evolution of local conditions with regard to parameters dependent on climatic variations (e.g., the evolution of carbon stock) or sustainable forest management (e.g., the water and nutrient balance). This will enable the soil to be studied in depth, its condition to be evaluated, and soil processes and dynamics to be studied in the long term. Potencial do LiDAR com drone na caracterização biométrica em ensaios de melhoramento genético de eucalipto 1: RAIZ - Insituto de Investigação da Floresta e do Papel, Portugal; 2: NOVA Information Management School (NOVA IMS) O programa de melhoramento genético de Eucalyptus globulus (PMG) consiste no desenvolvimento de materiais genéticos superiores, capazes de maximizar a produtividade florestal e a qualidade da madeira, assegurando simultaneamente maior adaptação às diferentes condições edafoclimáticas de Portugal e maior resiliência face a fatores bióticos e abióticos, como secura, pragas e doenças. O PMG integra a avaliação de um conjunto alargado de características, incluindo variáveis biométricas ao nível da árvore individual. A recolha destas variáveis por inventário de campo é morosa, exige mão de obra especializada e está sujeita a erros de medição manual. Neste contexto, os drones equipados com sensores LiDAR (Light Detection and Ranging) surgem como uma alternativa promissora para apoiar a medição individual de árvores em ensaios genéticos. Este trabalho teve como objetivo avaliar o potencial do LiDAR acoplado em drone na estimativa da altura individual de árvores em três ensaios do PMG, com cinco anos de idade, instalados em três unidades de gestão (UG) da The Navigator Company (ensaio Barrada, ensaio Fratel e ensaio Vale Armadouro) e representativos de diferentes condições ambientais e fisiográficas. Para tal, foram adquiridos dados LiDAR com drone nos três ensaios e processadas as respetivas nuvens de pontos. Estes dados permitiram gerar modelos e produtos cartográficos, a deteção individual das árvores e a extração das suas alturas. A precisão das estimativas foi avaliada por comparação com medições de campo, utilizando-se o Erro Absoluto Médio (MAE) e a Raiz do Erro Quadrático Médio (RMSE). Os resultados obtidos indicaram uma boa concordância entre as medições de campo e as estimativas drone-LiDAR, considerando o conjunto total de árvores avaliadas, com MAE de 0,42 m e RMSE de 0,43 m. A análise por ensaio evidenciou diferenças entre locais de estudo, tendo o ensaio Barrada apresentado os menores erros, com MAE de 0,24 m e RMSE de 0,37 m, seguido do ensaio Fratel, com MAE de 0,28 m e RMSE de 0,29 m. O ensaio Vale Armadouro apresentou erros superiores, com MAE de 0,63 m e RMSE de 0,84 m. Os resultados sugerem que o LiDAR acoplado a drone pode constituir uma ferramenta relevante na caracterização biométrica em ensaios de melhoramento genético de eucalipto, com bom desempenho ao nível das métricas globais de precisão. Contudo, em ensaios com maior complexidade fisiográfica ou heterogeneidade estrutural, como o ensaio Vale Armadouro, os erros à escala da árvore individual podem assumir maior relevância, condicionando a aplicação operacional da metodologia em determinados contextos. Embora promissora, a metodologia deverá ser replicada e validada em novas condições de ensaio, podendo a integração com LiDAR terrestre ou móvel reforçar a precisão e robustez da abordagem. Similar diversity, but different composition: a study on soil microbiome from Eucalyptus globulus, Pinus pinea and Quercus suber 1: Faculty of Sciences of the University of Lisbon (FCUL), Portugal; 2: Centre for Ecology, Evolution and Environmental Change (CE3C) & Global Change and Sustainability Institute (CHANGE), Lisbon, Portugal; 3: RAIZ – Forest and Paper Research Institute, Quinta de S. Francisco, Rua José Estevão, 3800-783 Aveiro, Portugal Soils are key drivers for forest health and productivity. Beyond physical and chemical properties that impact water retention, pH and mineral composition, the biotic factors are being acknowledged as important components to ecosystem functioning. In the soils a high diversity of life forms can be found, including the microbiome, e.g., bacteria and fungi. Generally, they have an impact on plant growth and health and on ecosystem stability. As sustainable forests are becoming a major priority, it is important to evaluate the impact of monocultures on soil quality and microbial diversity and composition. In this study, we aimed to understand the soil microbiome diversity and composition, and their implications on soil functionality among different forest plantations, Eucalyptus globulus, Pinus pinea, and Quercus suber, growing under similar edaphoclimatic conditions in a site located in Abrantes, Portugal. Using Oxford-Nanopore Next-Generation Sequencing we assessed the microbial community structure of soils from these three plantations. This approach was complemented with functional predictions and physicochemical soil analysis. Extracellular enzymatic activities included phosphatase, dehydrogenase, N-acetylglucosaminidase and cellulase evaluation. Results show that overall soil microbial alpha diversity metrics did not differ among eucalypts, stone pine and cork oak plantations. However, microbial compositional patterns clearly diverged, indicating that microbiome assemblages depend on tree species. Bacterial communities appeared more closely related to soil physicochemical parameters, and shared common genera across plantations. Fungal communities displayed higher specificity to tree species and were more strongly associated with organic matter inputs and litter characteristics. These patterns determined the multifunctionality of the microbiome of each tree plantation, highlighting the role of plant–soil associations in structuring belowground communities. This work enhanced our knowledge on soil functions and soil microbial communities from different tree plantations, contributing towards more sustainable and site-adapted forest management strategies. Acknowledgments: This work was funded by Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) through CE3C - Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes unit funding (UIDB/00329/2025; https://doi.org/10.54499/UID/00329/2025). Optimizing detection protocols for the pinewood nematode: rethinking the role of wood sample incubation in Phytosanitary Surveillance 1: INIAV—Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, Quinta do Marquês, 2780-159 Oeiras, Portugal; 2: GREEN-IT Bioresources for Sustainability, ITQB NOVA, 2780-159 Oeiras, Portugal; 3: Laboratório de Patologia Vegetal "Veríssimo de Almeida", Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 4: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Associated Laboratory TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal The pinewood nematode (Bursaphelenchus xylophilus), the causal agent of pine wilt disease, remains one of the most critical threats to coniferous forests worldwide, with major ecological, economic, and territorial impacts. In Europe, surveillance relies on large-scale sampling of wood from both forest stands and wood packaging materials, followed by laboratory incubation at 25 °C for 15 days to enhance nematode detection. However, this step introduces significant logistical constraints, particularly in international trade contexts. This study integrates experimental evidence from complementary research assessing the relevance of incubation across different wood substrates, including heat-treated (HT) pallet wood and fresh material from Pinus pinaster stands. Wood samples were spiked with B. xylophilus at different population densities and life stages (adult pairs and second-stage juveniles, J2), and the influence of key ecological drivers - moisture and fungal presence (Botrytis cinerea) - was also evaluated. Results showed a clear substrate-dependent response. In HT pallet wood, incubation did not enhance nematode detection and was associated with a drastic reduction in nematode viability. Only under rare conditions involving fungal colonization did treated wood support nematode persistence. In contrast, incubation of green wood samples resulted in exponential population growth, significantly increasing detection probability - particularly relevant under the zero-tolerance policy applied to forest hosts. Furthermore, no significant differences were observed between life stages, as J2 individuals retained the capacity to develop and reproduce. Although fungal presence and moisture greatly enhanced population growth, these factors were not strictly required for nematode reproduction under favourable conditions. These findings provide robust scientific evidence to support a revision of phytosanitary protocols, suggesting that incubation may be safely excluded for treated wood packaging materials, while remaining essential for forest-derived samples. This targeted approach improves diagnostic efficiency, reduces operational delays, and reinforces evidence-based forest protection strategies aligned with sustainable management and trade facilitation. Adubo organomineral à base de lamas da indústria de pasta e papel: efeitos no crescimento inicial de Eucalyptus globulus e na lixiviação de nutrientes 1: Universidade de Lisboa, Lab. Associado TERRA, Centro de Investigação LEAF, Tapada da Ajuda 1349-017 Lisboa, Portugal; 2: Universidade de Lisboa, Lab. Associado TERRA, Centro de Estudos Florestais, Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Portugal; 3: Altri Florestal, S.A., Quinta do Furadouro, 2510-582 Olho Marinho, Portugal; 4: Agristarbio, Environmental Solutions S.A., Praça das Indústrias, ED AIP 28, 1300-307 Lisboa A indústria da pasta e do papel gera anualmente grandes quantidades de resíduos, sendo as lamas a sua principal fração. A valorização destes subprodutos constitui uma oportunidade para promover a economia circular e reduzir a dependência de adubos minerais convencionais. Neste contexto, a AGRISTARBIO desenvolveu um adubo organomineral produzido a partir de lamas da indústria de pasta e papel, visando simultaneamente a valorização destes resíduos e a disponibilização de nutrientes para as plantas. O presente estudo teve como objetivo avaliar o desempenho deste adubo na fase inicial de crescimento de Eucalyptus globulus, comparando-o com um adubo mineral convencional e analisando os seus efeitos na lixiviação de nutrientes. O ensaio foi conduzido em estufa, utilizando vasos de 50 L preenchidos com areia lavada. Foram avaliadas três modalidades de fertilização: i) adubo mineral 8-24-8 (Min); ii) adubo organomineral à base de lamas de pasta de papel (OrgM); e iii) adubo organomineral complementado com sulfato de potássio e adubo de libertação controlada (OrgM+K+CRF). Os vasos foram equipados com um sistema de rega gota-a-gota, sendo os lixiviados recolhidos e analisados ao longo do ensaio. Cinco meses após a plantação procedeu-se à colheita das plantas para determinação da biomassa das raízes, caule e folhas, bem como à avaliação da altura e do diâmetro do colo. Os resultados demonstraram uma clara superioridade das modalidades fertilizadas com o adubo organomineral. A biomassa total das plantas fertilizadas com OrgM atingiu 662,5 g de matéria seca por planta, valor significativamente superior aos 439,6 g observados na modalidade fertilizada exclusivamente com adubo mineral, correspondendo a um aumento de cerca de 51%. O mesmo padrão verificou-se para a biomassa das raízes, caule e folhas. A adição de sulfato de potássio e adubo de libertação controlada não originou incrementos significativos relativamente à modalidade OrgM. Também os parâmetros morfológicos confirmaram o melhor desempenho do adubo organomineral. As plantas fertilizadas com OrgM apresentaram maior altura (145,7 cm) e maior diâmetro do colo (22,6 mm) do que as fertilizadas com adubo mineral (135,8 cm e 20,1 mm, respetivamente), evidenciando uma maior eficiência na utilização dos nutrientes. Relativamente à lixiviação, a modalidade mineral apresentou as maiores perdas de azoto, fósforo e potássio, registando cerca de 5,0 g N, 2,2 g P e 3,3 g K perdidos por vaso. Em contraste, a modalidade OrgM apresentou perdas muito inferiores, de apenas 0,61 g N, 0,10 g P e 0,54 g K por vaso. Esta redução poderá ser explicada pela presença de matéria orgânica no adubo, que favorece a retenção e a libertação gradual dos nutrientes, aumentando a eficiência da fertilização. Conclui-se que o adubo organomineral produzido a partir de lamas da indústria de pasta e papel permitiu uma utilização mais eficiente dos nutrientes, reduzindo significativamente as perdas por lixiviação e promovendo um maior crescimento inicial de Eucalyptus globulus. Estes resultados evidenciam o potencial desta solução como alternativa sustentável aos adubos minerais convencionais, contribuindo para a valorização de resíduos industriais e para uma gestão mais eficiente dos recursos na produção florestal. Agenda Transform – Projeto 3.5 Reincorporação de resíduos industriais na floresta. Aplicação de biochar e crescimento inicial do sobreiro: efeitos benéficos maximizados sob secura extrema 1: Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P., Oeiras, Portugal; 2: Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal Os montados de sobro (Quercus suber L.) são sistemas agroflorestais de elevada relevância ecológica e socioeconómica. No entanto, a regeneração natural, e consequentemente a sustentabilidade dos montados, tem sido crescentemente comprometida pela intensificação das secas e pela baixa fertilidade e capacidade de retenção de água dos solos. A limitação hídrica no primeiro verão após a germinação constitui um constrangimento crítico ao estabelecimento dos sobreiros, tornando prioritária a melhoria das propriedades do solo. Neste contexto, a aplicação de biochar, um composto rico em carbono obtido por pirólise, destaca‑se como abordagem promissora pela sua capacidade de melhorar a estrutura, porosidade, retenção de água, disponibilidade de nutrientes e atividade microbiana do solo. Este estudo avaliou os efeitos de diferentes níveis de biochar e de disponibilidade hídrica no desenvolvimento inicial de sobreiros e nas propriedades químicas de um solo franco‑arenoso. O ensaio, decorreu em estufa (abril de 2023 a março de 2024) seguindo um delineamento fatorial 3×3 com três níveis de biochar (0%, 9% e 18% w/w, B0, B1 e B2, respetivamente) e de humidade do solo (40%, 15% e 2,5% da capacidade de campo, CC), e seis repetições por tratamento. Avaliaram-se parâmetros morfológicos (altura (A), diâmetro do colo (D)), fisiológicos (evapotranspiração (ET), potencial hídrico foliar (Ψl), condutância estomática (gs)), padrões de alocação de biomassa (folhas, caules, raízes), área foliar (AF) e superfície radicular, bem como índices funcionais derivados, incluindo a razão raiz/parte aérea e a área foliar específica. O crescimento das plantas respondeu de forma consistente aos níveis de biochar e de humidade do solo: A, D, AF e biomassa total aumentaram significativamente com maior disponibilidade hídrica e com maior nível de biochar. Sob forte limitação hídrica (2,5%CC), a aplicação de biochar (B2) permitiu alcançar valores de biomassa total comparáveis aos obtidos em condições ótimas de humidade (40%CC, B0). Observou-se, ainda, uma tendência para maior investimento em biomassa radicular com a aplicação de biochar, particularmente evidente em B2 sob 2,5%CC, sugerindo melhoria da aquisição de recursos em condições de stress. As respostas fisiológicas refletiram uma forte dependência da humidade do solo, com estado hídrico mais favorável nos tratamentos com maior disponibilidade hídrica. Contudo, sob 2,5%CC, a aplicação de biochar promoveu maior abertura estomática e ampliou a diferença entre o potencial hídrico foliar máximo e mínimo, indicando maior capacidade para manter o fluxo transpiratório e, consequentemente, favorecer a assimilação de carbono. A aplicação de biochar induziu alterações significativas nas propriedades químicas do solo, aumentando o pH, o carbono orgânico, a matéria orgânica, o potássio, o magnésio e o azoto total, evidenciando uma melhoria global da fertilidade e da capacidade de retenção de nutrientes. Para cada nível de CC, o biochar aumentou significativamente o teor volumétrico de água no solo, reforçando o seu papel na melhoria das condições edáficas. Em síntese, os resultados demonstram que a aplicação de biochar constitui uma estratégia eficaz para melhorar o crescimento inicial e a resiliência hídrica de sobreiros jovens, enquanto melhora a qualidade do solo. Esta abordagem representa um contributo relevante para o desenvolvimento de práticas de gestão adaptativas em montados sob cenários de crescente variabilidade climática. Bionematicidal phytochemical volatiles: A sustainable alternative for pinewood nematode control 1: INIAV, I.P., National Institute for Agrarian and Veterinary Research, Quinta do Marquês, 2780-159 Oeiras, Portugal & GREEN-IT Bioresources for Sustainability, Instituto de Tecnologia Química e Biológica, Universidade Nova de Lisboa (ITQB NOVA), Av. da República, 2780-157 Oeiras, Portugal; 2: Systems Biology Lab, A-LIFE, AIMMS, Vrije Universiteit Amsterdam, Amsterdam, the Netherlands; 3: MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute, Institute for Advanced Studies and Research, Universidade de Évora, Portugal; 4: Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes (CE3C) & Global Change and Sustainability Institute (CHANGE), FCUL, BV, DBio, Campo Grande, 1749-016 Lisboa, Portugal; 5: Centro de Química Estrutural - Institute of Molecular Sciences, FCUL, BQB, Campo Grande, 1749-016 Lisboa, Portugal The pinewood nematode (PWN, Bursaphelenchus xylophilus) is a devastating forest phytoparasite responsible for pine wilt disease, that poses a catastrophic ecological and economic threat to conifer forests worldwide. The limitations of current management strategies have been underscored by the recent 2025 PWN outbreak in France, emphasizing that traditional containment protocols must be improved. While conventional chemical control methods are effective, their environmental footprint, persistent toxicity, and risks to human health and non-target organisms highlight an urgent global demand for safer, sustainable alternatives. Phytochemicals - specifically those derived from bioactive essential oils - have emerged as highly promising biopesticides. Although some plant volatiles are already authorized as plant protection products within the European Union (e.g., geraniol, thymol), their specific application against PWN remains largely unexplored. In this study, a comprehensive in vitro screening of over 200 volatiles, essential oils, and essential oil fractions was conducted to evaluate their nematicidal potential against the PWN. Notably, complete PWN mortality was recorded for many of the tested compounds at a concentration of 1 mg/mL. Furthermore, over 40 of these candidates showed superior efficacy compared to the standard reference commercial nematicide, emamectin benzoate. The most potent candidates - predominantly oxygenated derivatives of medium-chain fatty acids - exhibited exceptionally rapid action achieving an up to 40-fold faster activity over the conventional treatment. To ensure these compounds align with European conservation goals, ecotoxicological data was paired with computational predictive modelling. These safety assessments demonstrated favourable environmental profiles, indicating significantly lower toxicity risks to non-target species compared to synthetic nematicides. By successfully bridging experimental screening with predictive computational frameworks, this work proposes a robust pipeline for developing high-potency, eco-friendly bionematicides. These findings offer innovative, sustainable tools for integrated pest management strategies, crucial for preserving vulnerable forest ecosystems. Acknowledgements: To FCT–MCTES for structural funding for GreenIt/LS4Future (UID/04551/2025), CE3C/CHANGE (UID/00329/2025), MED/CHANGE (UID/05183/2025 and LA/P/0121/2020) and CQE/IMS (UID/00100/2025; UID/PRR/00100/2025 and LA/P/0056/2020). Species-specific effects of artificial shading on the establishment of Mediterranean tree seedlings 1: Instituto Superior de Agronomia, Portugal; 2: Universidade de Évora, Portugal Climate change is intensifying heat and water stress across Mediterranean ecosystems, threatening the success of forest restoration and reforestation efforts. Artificial shading has been proposed as a silvicultural practice to reduce early establishment stress in native tree seedlings, although its effectiveness may vary among species with contrasting ecological strategies. We assessed the effects of artificial shading on microclimate, survival, early growth, and physiological performance in three Mediterranean tree species: strawberry tree (Arbutus unedo), carob tree (Ceratonia siliqua), and cork oak (Quercus suber). A field experiment was established at Companhia das Lezírias, Portugal, comparing shaded and unshaded planting conditions. Survival, growth, photosynthetic active radiation, leaf and soil temperature, chlorophyll fluorescence, and relative leaf water content were monitored during early establishment. Shading consistently reduced incident radiation and leaf and soil temperatures, creating a less thermally stressful microenvironment. Shaded seedlings generally showed improved photochemical efficiency, indicated by higher Fv/Fm values, particularly in Q. suber and C. siliqua. Relative leaf water content also increased under shading in these two species, while A. unedo showed little physiological response. Despite these physiological benefits, survival responses were species-dependent. Although C. siliqua showed reduced survival under shade, Q. suber and A. unedo did not present significant differences between treatments. These contrasting responses indicate that short-term physiological improvement does not necessarily translate into higher establishment success. Overall, artificial shading can alleviate early-stage thermal physiological stress in Mediterranean tree seedlings, but its effectiveness in improving survival depends strongly on species-specific light requirements and ecological strategies. Restoration practices should therefore apply shading selectively, aligning microclimatic interventions with the functional traits and establishment requirement of target species. Future studies should also evaluate different shading intensities to identify species-specific thresholds and optimal levels of protections. Settlement Preferences of Philaenus spumarius on Forest Species: Multiple-Choice Experiments CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança Philaenus spumarius is the primary insect vector of Xylella fastidiosa, a pathogen responsible for infecting more than 700 plant species worldwide. Determining this vector’s host preferences is crucial for understanding vector-plant-pathogen dynamics and, consequently, for developing effective control strategies. In this study, the preference of P. spumarius was evaluated through multiple-choice tests using ten plant species representative of a cork oak forest in northeastern Portugal. The tests were conducted in a greenhouse under controlled temperature and natural photoperiod. For each replicate, five specimens of each plant species were arranged radially and equidistantly from a central release point, where 30 fasting (4 h) adult P. spumarius were released simultaneously. Insect choice was recorded 2, 4, 6, 8, 12, and 24 hours after release. Ruscus aculeatus showed the highest preference, attracting a total of 169 insects (mean of 1.78 ± 0.59 per count), followed by Quercus pyrenaica with a total of 131 insects (mean of 1.93 ± 0.41). In contrast, Quercus suber and Quercus ilex were the least preferred species, while Thymus mastichina, Calluna vulgaris, and Arbutus unedo showed intermediate attractiveness. These results allow for the identification of the vector’s preferred hosts in forest ecosystems, providing fundamental data for modeling and managing the epidemiological risk of X. fastidiosa in Mediterranean forests. Efecto de la preparación del terreno sobre los flujos de carbono del suelo y la respuesta de dos especies forestales en una repoblación en Portugal Grupo Sylvestris, S.L., Espanha La preparación del terreno es una práctica esencial en las repoblaciones forestales de clima mediterráneo, ya que determina en gran medida la supervivencia y el crecimiento inicial de las plantas. Sin embargo, los diferentes métodos de preparación alteran el suelo y, por tanto, pueden tener efectos muy diferentes sobre las emisiones de CO₂. En particular, el subsolado remueve un mayor volumen de suelo por unidad de superficie que el ahoyado, lo que nos lleva a hipotetizar que en esta preparación del suelo habrá una mayor pérdida de carbono. Para contrastar esta hipótesis, hemos establecido un ensayo en Portugal con cuatro tratamientos de preparación del terreno: dos modalidades de subsolado (con gradeo y con decapado) y dos modalidades de ahoyado (con roza y con descuaje por casillas). Al inicio de este ensayo se tomaron muestras para cuantificar los stocks de carbono del suelo y así poder compararlas con las muestras que se recogerán el próximo invierno. La plantación se realizó en marzo de 2026 y se tomaron los valores iniciales de morfología y se comenzó a monitorear la supervivencia al mes siguiente ya que también se evaluará el efecto de cada tratamiento sobre las plantas. A partir de junio de 2026 se iniciarán las mediciones periódicas de respiración del suelo mediante un analizador de gases infrarrojo (IRGA), con el objetivo de modelizar la pérdida de carbono en función de la temperatura y la humedad del suelo para cada tratamiento. Este trabajo contribuirá a mejorar la comprensión de los impactos a corto plazo de las preparaciones del terreno sobre el ciclo del carbono en repoblaciones forestales mediterráneas. Upcycling Azorean agroforestry byproducts: Antibacterial efficacy of essential oils against Xanthomonas campestris 1: 1INIAV, I.P., National Institute for Agrarian and Veterinary Research, Phytobacteriology Laboratory, Quinta do Marquês, 2780-159 Oeiras, Portugal; 2: GREEN-IT Bioresources for Sustainability, ITQB NOVA, Av. da República, 2780-157 Oeiras, Portugal; 3: BioISI - Biosystems & Integrative Sciences Institute, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Campo Grande, Lisboa 1749-016, Portugal; 4: PlannetPro, Ambiente, Estudos e Projetos, Lda./ IITAA_UAC, Canada dos Cinco Reis, 63, 9700-052 Angra do Heroísmo, Açores Xanthomonas campestris is a phytopathogenic Gram-negative bacterium responsible for black rot in economically vital cruciferous crops, such as cabbage, broccoli, and cauliflower. Conventional management strategies rely heavily on copper-based chemical treatments; however, their efficacy is limited and prolonged use drives the development of resistant strains. Consequently, plant-derived essential oils (EOs) have emerged as viable, eco-friendly alternatives, offering biodegradable and structurally diverse sources of natural antimicrobials. The unique edaphoclimatic conditions of the Azores archipelago - characterized by volcanic soils, minimal anthropogenic pollution, and a hyper-humid temperate climate - creates distinct conditions for the production of chemically distinct EO profiles. In this study, EOs extracted via steam distillation of branches and leaves of Cryptomeria japonica (4 h), Cupressus leylandii (3.5 h), Eucalyptus globulus (2 h), and Laurus sp. (3 h) were screened for their microbiocidal potential against a highly virulent X. campestris isolate (CPBF 278). Antibacterial efficacy was quantified using the spectrophotometric Alamar Blue cell viability assay. At a standardized concentration of 1 µL/mL, the EOs demonstrated divergent inhibitory profiles. The most potent antibacterial efficacy was exhibited by Laurus sp. EO (92.4% inhibition), extracted from foliar and floral branches, followed closely by the biomass-derived shoots of C. japonica (90.8% inhibition). While E. globulus EO also displayed pronounced inhibitory activity (86.4% inhibition), C. leylandii shoot EO proved largely ineffective (6.9% inhibition). These findings highlight that turning waste products from the exploitation of agroforestry systems into botanical phytopharmaceuticals can offer a cost-effective, circular-economy strategy to control critical crop pathogens and foster sustainable agricultural ecosystems.
Acknowledgements: Thanks to Alicja Surowiak (Wrocław University of Science and Technology), to FCT structural funding for GreenIt (UID/04551/2025) and BioISI (UID/04046/2025) research centers. Avaliação da Mortalidade do Eucalipto-comum através de Imagens Térmicas Obtidas por Drone 1: RAIZ—Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, Quinta de S. Francisco, Rua José Estevão (EN 230-1),3800-783 Aveiro, Portugal; 2: NOVA Information Management School (NOVA IMS), Universidade NOVA de Lisboa, Campus de Campolide, 1070-312 Lisboa, Portugal; 3: Departamento de Geografia e Turismo, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra A monitorização da saúde das florestas é um pilar fundamental da gestão florestal sustentável, sobretudo num contexto de propagação de pragas e doenças potenciado pelas condições de stress associadas às alterações climáticas. No caso do Eucalyptus globulus, uma das espécies mais relevantes no sector florestal nacional, os impactos das pragas do Phoracantha spp. são particularmente severos, traduzindo-se numa redução significativa da produtividade lenhosa. Com o presente trabalho pretende-se avaliar a eficácia dos Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT) equipados com sensores térmicos na identificação de indivíduos afetados pela praga. O estudo foi conduzido na Unidade de Gestão Monte do Inferno, área sob gestão da The Navigator Company, no concelho de Castelo Branco, com uma extensão de 2,07 ha e uma densidade de 1763 árvores/ha. A aquisição dos dados térmicos e multiespectrais foi realizada com recurso a um VANT DJI Matrice 300 RTK equipado com uma câmara multiespectral e térmica, MicaSense Altum. A validação de campo foi efeituada através de medições georreferenciadas através de GNSS (Global Navigation Satelite System) e dados de temperatura recolhidos através de um termómetro de Infravermelhos. As extrações dos valores de temperatura ao nível da copa com a termografia foram obtidas através de estatísticas zonais. A análise estatística, revelou uma correlação muito forte entre as medições de campo e os dados térmicos obtidos por VANT, apresentando um coeficiente de correlação de Pearson (R = 0,93) e um coeficiente de determinação (R² = 0,86), confirmando a elevada exatidão da temperatura das copas medida através da câmara térmica instalada no VANT. Com base na técnica do vale do histograma em imagens, foi definido um limiar crítico de 24,5 °C, situado no terceiro vale. Verificou-se que as árvores mortas apresentaram, em média, temperaturas 6,06 °C mais elevadas do que as árvores vivas. A validação através da matriz de confusão, realizada sobre uma amostra de 15% das árvores, revelou uma precisão global de 88,97% e um coeficiente Kappa de Cohen de 0,89. Apesar dos valores de temperaturas dependerem fortemente da estação do ano e das condições meteorológicas à data de avaliação, esta abordagem poderá contribuir para uma deteção mais eficiente de árvores afetadas por condições de stress e para a otimização das ações de controlo das pragas florestais xilófagas. Como trabalho futuro, prevê-se a adaptação desta metodologia a imagens de satélite, com o objetivo de testar a aplicação de métodos de downscaling da temperatura da superfície que permitam a aplicação de processos de monitorização remota dos povoamentos florestais em larga escala. Estimativa de Diâmetro, Altura e Volume de Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) com Inteligência Artificial baseada em Mask R-CNN 1: ESAC, Portugal; 2: ISEC, Portugal; 3: RCM2+ Research Centre for Asset Management and Systems Engineering, ISEC/IPC; 4: CISE—Electromechatronic Systems Research Centre, University of Beira Interior O pinehiro-bravo (Pinus pinaster) é uma espécie fundamental nos ecossistemas mediterrânicos e na economia florestal, sendo essencial a obtenção de estimativas precisas das suas características dendrométricas para apoiar a gestão sustentável e a valorização da madeira. No entanto, os métodos tradicionais de inventário florestal são frequentemente morosos, dispendiosos e exigem equipamento especializado. Este trabalho propõe uma metodologia automatizada e de baixo custo para estimar o diâmetro à altura do peito (DAP), a altura total e o volume de árvores a partir de imagens fotográficas. A importância da Fábrica de Resinagem da Marinha Grande no século XIX 1: MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, CHANGE - Global Change and Sustainability Institute, Universidade de Évora, Évora; 2: CEF - Centro de Estudos Florestais, Laboratório Associado Terra, Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda, Lisboa Em 1858, Bernardino José Gomes instalou a 1ª Fábrica de Resinagem na Marinha Grande, utilizando um processo de destilação por fogo direto com adição de água, destinado à produção de colofónia e terebentina. A resina usada na fábrica era obtida em árvores em pé do Pinhal de Leiria, sendo recolhida em recipientes de barro através de um sistema fechado. Este sistema, implementado por Bernardino José Gomes e conhecido como resinagem à Portuguesa, tinha como principal objetivo, entre outros, diminuir as impurezas da resina bruta. Durante a década de 1860, a fábrica alcançou várias distinções, tanto a nível nacional como internacional, destacando-se pela elevada qualidade dos produtos obtidos após destilação. Contudo, no final do século XIX, o declínio da fábrica tornou-se evidente, levando à sua exploração por meio de arrendamento a particulares. Paralelamente, o método tradicional de resinagem foi gradualmente substituído e acabou por ser abandonado por volta de 1890. Os resineiros passaram a aumentar a dimensão das incisões nas árvores, sobretudo em profundidade, e deixaram de cobrir os recipientes de recolha da resina, o que contribuiu para a deterioração da qualidade da matéria-prima. Neste trabalho, será utilizado como referência o período de funcionamento da Fábrica de Resinagem da Marinha Grande, com o objetivo de enquadrar socioeconómica e politicamente esta prática no contexto da sociedade portuguesa da época. Occurrence and distribution of Coraebus undatus (Fabricius 1787) (Coleoptera: Buprestidae) in cork oak forests in northeastern Portugal CIMO, LA SusTEC, Instituto Politécnico de Bragança The cork oak (Quercus suber) is a key tree species in Portugal, with significant socioeconomic and ecological importance. One of the main threats to cork quality is the beetle Coraebus undatus, whose larvae burrow internal galleries in the trunk, compromising the commercial value of the resource. Although the impact of this pest has been documented in southern Portugal and Spain, its occurrence in the Northeast region remained unconfirmed. The objectives of this study were to assess the presence and distribution of C. undatus in northeastern Portugal and to identify the environmental and structural factors influencing infestation. A survey of 680 cork oaks was conducted between March and June 2024, recording the presence of galleries, trunk characteristics, surrounding vegetation, and geographic coordinates. The results revealed that 59% of the trees had visible galleries, with an average of 4.52 ± 0.18 galleries per tree. Most were located between 50 and 150 cm above the ground, with no significant preference for a particular cardinal direction. Trunk diameter and latitude showed a positive association with the presence of the insect, while plots without ground vegetation exhibited a lower probability of infestation. This study represents the first confirmed record of C. undatus in northeastern Portugal, revealing higher levels of infestation than those reported in other regions. These results highlight the urgent need for monitoring and phytosanitary management to ensure the sustainability of the cork oak forest. Primeiros sinais de estabelecimento da ferrugem-da-murta em espaços verdes urbanos em Portugal 1: LEAF-Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food Research Centre, Associated Laboratory TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Portugal; 2: Laboratório de Patologia Vegetal “Veríssimo de Almeida”, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal As invasões biológicas associadas a patogénios emergentes representam um desafio crescente à sanidade vegetal em contextos urbanos e florestais, particularmente em cenários de alteração climática e intensificação das trocas globais. Entre estes agentes, Austropuccinia psidii (G. Winter) Beenken, fungo da ordem Pucciniales e agente causal da ferrugem-da-murta, destaca-se como uma ameaça relevante à família Myrtaceae, com impacto documentado em ecossistemas naturais, plantações florestais e espécies ornamentais. Em contraste com a maioria de fungos Puccinales, que apresentam especificidade para um género ou para uma espécie botânica, este patogénio apresenta uma ampla gama de hospedeiros entre as Myrtaceae, superior a 480 espécies, e elevada capacidade de dispersão e adaptação, incluindo em regiões de clima mediterrânico. A sua introdução em novos territórios tem sido associada a impactos significativos, podendo conduzir a desfolha, deformação de tecidos, redução de crescimento e, em casos severos, mortalidade. Para além do impacto em espécies ornamentais e ecossistemas naturais, este patogénio representa uma potencial ameaça para plantações de Eucalyptus e para a fileira florestal associada, atendendo à suscetibilidade de várias espécies deste género a esta ferrugem. Em Portugal, a presença de A. psidii em mirtáceas ornamentais foi recentemente confirmada com base em caracteres morfológicos, análise molecular das regiões ITS e LSU, tamanho do genoma e testes de patogenicidade, com sintomas e sinais característicos observados em folhas jovens, rebentos, flores e frutos, incluindo lesões necróticas e pústulas alaranjadas. Neste contexto, os espaços verdes urbanos assumem particular relevância como áreas potenciais de estabelecimento e disseminação desta ferrugem, dada a diversidade de hospedeiros, a conectividade paisagística e as condições microclimáticas frequentemente favoráveis à infeção. O presente trabalho apresenta uma atualização da incidência de A. psidii em Portugal, com base em ações de monitorização em jardins e parques urbanos, centrada na observação sistemática de sintomas, identificação das espécies hospedeiras afetadas e caracterização da distribuição do patogénio em diferentes tipologias de espaços verdes. Os resultados evidenciam a presença do patogénio em diversos locais no concelho de Lisboa, com níveis variáveis de incidência e associação preferencial a determinados hospedeiros, nomeadamente Myrtus communis Linn. As monitorizações realizadas em 2026 confirmam a presença do patogénio em locais onde este tinha sido detetado em 2025, ao que acrescem novas deteções. Observa-se ainda elevada suscetibilidade dos tecidos jovens, em concordância com o descrito para esta ferrugem noutras regiões. Estes dados sugerem que o patogénio se encontra em fase de estabelecimento, com potencial de expansão em condições favoráveis. A interpretação destes resultados indica que a ferrugem das mirtáceas poderá representar um risco significativo para sistemas urbanos e periurbanos em Portugal, com possíveis implicações para espécies ornamentais e ecossistemas mediterrânicos e, potencialmente, para a fileira do eucalipto. Do ponto de vista aplicado, reforça-se a importância da monitorização contínua e da deteção precoce na gestão deste patogénio invasor, sendo a vigilância fitossanitária em espaços verdes urbanos uma ferramenta essencial para limitar a sua dispersão e, de forma mais abrangente, antecipar riscos para sistemas florestais e produtivos. Programa Estratégico de Fitossanidade Florestal para a RAM 2025-2029 IFCN, IP-RAM, Portugal O Programa Estratégico de Fitossanidade Florestal para a Região Autónoma da Madeira 2025-2029 (PEFFRAM) é uma atualização do preconizado no primeiro PEFF, onde se estabelece um conjunto de objetivos, gerais, estratégicos, específicos e operacionais, consagrando as bases de intervenção para a redução dos riscos fitossanitários de introdução, de instalação e de dispersão de agentes bióticos nocivos, e de danos por estes provocados. Apresentam-se as competências e atribuições do IFCN, nomeadamente no que respeita à implementação das medidas e ações de prevenção e controlo das pragas florestais, assim como, se referenciam as restantes entidades com competências em matéria de fitossanidade florestal em geral, bem como as de inspeção e fiscalização, identificando-se as respetivas áreas de intervenção e os mecanismos de articulação entre elas. São ainda referenciadas as principais ações em curso e as que se perspetivam realizar, encontrando-se definidos indicadores e estabelecidas as respetivas metas e calendarização, o que permitirá a monitorização do plano estratégico, a avaliação da sua execução e as possíveis constrições ao seu estabelecimento. O presente poster pretende assim dar a conhecer os principais objetivos deste programa estratégico que se pretende, possa preparar a RAM para uma atuação mais clara e eficiente em termos de prevenção e controlo de pragas florestais, materializando um verdadeiro desafio futuro em termos fitossanitários. Advancing Cork Oak Afforestation Assessment: Integrating Canopy Metrics, LiDAR and Field Validation Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, IP A study developed in 2024 assessed the success of cork oak afforestation across 4,270 ha in the Évora district, focusing on stands aged 25–30 years. The evaluation was based on canopy cover percentage and density as proxies for vegetative development, using 150 plots subdivided into 319 homogeneous units, and supported by 622 sampling points for extracting edaphoclimatic variables. Results indicated that continentality, precipitation, elevation, and thermicity index had statistically significant effects on canopy development, while slope showed no relevant influence, revealing clear environmental controls over afforestation performance. However, this approach relies primarily on two-dimensional metrics and may not adequately represent canopy vertical structure or tree-level vigor. To address these limitations, the present phase integrates LiDAR data across the same plots, enabling detailed three-dimensional characterization of canopy height, structural complexity, and spatial continuity. Targeted field surveys are also being conducted to validate remote sensing outputs and incorporate dendrometric and physiological variables. This combined methodology aims to refine the initial assessment, reduce uncertainty, and deliver a more robust evaluation framework supporting monitoring, decision-making, and adaptive management of cork oak systems. It also enhances transferability to other Mediterranean afforestation contexts under changing climatic conditions and strengthens the basis for long-term monitoring programmes. NemaINIAV: 15 years supporting forest health, surveillance, research and innovation on Pine Wilt Disease in Portugal 1: INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, Oeiras; 2: GREEN-IT Bioresources for Sustainability, ITQB NOVA, Oeiras; 3: MED - Instituto Mediterrânico para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, Universidade de Évora, The Nematology Laboratory of INIAV (NemaINIAV), the Portuguese National Reference Laboratory (NRL) for Plant-Parasitic Nematodes, hosts the Phytosanitary Emergencies Laboratory for Bursaphelenchus xylophilus and has been at the forefront of Portugal’s response to Pine Wilt Disease (PWD). Over the last 15 years, NemaINIAV has contributed to forest health protection through surveillance, diagnostics, research, training and scientific support to national and international stakeholders. As part of the national PWN surveillance programme, NemaINIAV supports the detection, identification and monitoring of Bursaphelenchus xylophilus and its vector Monochamus galloprovincialis, while providing scientific and technical advice to Portuguese authorities, including DGAV and ICNF, and to international organisations such as EPPO and EFSA. The laboratory contributes to pest risk assessment, surveillance strategies, diagnostic protocols and phytosanitary policies aimed at preventing the spread of forest pests and safeguarding forest resources. Research and innovation activities are strengthened through participation in several ongoing national and international initiatives, including the Horizon Europe projects PURPEST (Plant Pest Prevention through Technology-Guided Monitoring and Site-Specific Control) and FORSAID, the ongoing collaboration with Forest Research UK on pinewood nematode research, the PineProtect project exploring the biocontrol potential of Esteya spp. against the pinewood nematode in Pinus pinaster, and Euphresco projects such as BxDetect and RAMWOOD. These initiatives focus on early detection, monitoring technologies, biological control, risk assessment and sustainable pest management. NemaINIAV also plays an active role in capacity building through MSc and PhD supervision, specialised training courses, university teaching, summer schools and field training activities. By integrating diagnostics, research, innovation, training and policy support, NemaINIAV contributes to strengthening forest resilience and enhancing preparedness against emerging phytosanitary threats. |
| 18:30a19:30 | Documentário sobre a História Florestal do Porto Santo, realizado por Francisco Manso e Francisco Castro Rego Localização: Auditório ESAC (Bloco E) Moderação/coordenação de sessão: Francisco Manuel Castro Rego |